Previsões para o Grammy 2016 – The Madness Edition

A melhor coisa sobre as especulações em torno do Grammy é justamente essa época do ano – quando vazam as submissões enviadas pelas gravadoras à bancada de jurados, para a partir daí, eles fazerem o corte final dos indicados ao prêmio mais famoso da música. A partir dessa lista, a gente já pode fazer especulações mais direcionadas e tentar pensar quem serão os indicados de fato para o Grammy.

Eu tinha feito uma previsão anterior no final de julho, baseado no que já tinha sido lançado até aquela data. Mas nos últimos dois meses um verdadeiro turbilhão passou pela música pop, e não dá pra negar o peso dessas mudanças no xadrez que são as indicações ao Grammy. Por isso, como a minha análise se restringe ao pop field, basta dizer que, além dos indicados já serem de domínio público, algumas adições bem curiosas no Big Four precisam ser ressaltadas. Por isso o subtítulo do post ser “The Madness Edition”

Para bom entendedor…

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Tinashe – Player (feat. Chris Brown)

Cover Tinashe Player feat. Chris BrownO segmento R&B feminino acabou se tornando um local de nicho: ou você fica restrita às rádios do gênero, esperando uma oportunidade de lançar um single crossover para ser ouvido pelo grande público; ou os nomes antigos tentam misturar R&B e pop para recuperarem o público perdido.

Ou você é a Beyoncé.

Ou você não tem definição e está numa categoria só sua, tipo a Janelle Monaé.

Quando a Tinashe surgiu como um furacão, com a deliciosa “2 On”, além das letras sensuais e o clima sexy do debut “Aquarius”, ela foi vista como um dos sopros de renovação do gênero. Ao contrário do estilo “diva do vozeirão”, já consagrado pela Bey, a jovem cantora e compositora bebe da fonte dançante, das vozes com menos potência, a fonte de uma Ciara, que no fim é a inspiração vinda da Janet Jackson.

Bonita, talentosa, ótima compositora, com presença de palco invejável e ótimas coreografias, Tinashe estava pronta para estourar. No entanto, talvez pelo conteúdo menos palatável das músicas ou pelo fato das músicas serem “pouco crossover”, o grande público não seguiu as críticas elogiosas dos grandes sites e revistas. Por isso, a própria Tinashe decidiu, em seu segundo álbum, lançar um CD com potenciais sucessos e se tornar um nome forte na popsfera.

Além de ter se unido com o midas pop, Max Martin (e o Dr. Luke), Tinashe optou por lançar como lead-single do “Joyride” (o nome do segundo CD) uma faixa mais pop com featuring de um dos nomes mais conhecidos do cenário urban/R&B, o controverso Chris Brown. Ou seja – uma faixa com apelo universal mas sem alienar a fã-base: “Player

A faixa consegue ser mais pop que qualquer coisa do “Aquarius”, que tinha uma ambientação muito específica, em som e letras. Bem mais pop que os singles mais pop da Tinashe (“2 On” e “All Hands on Deck”), tem uma estrutura que começa numa pegada meio mid-tempo urban/R&B e explode num refrão pop dance-y (que me lembra muito esse electro-R&B oitentista que andou hitando em 2014-15 tipo “Love Me Harder” e “Good Thing”), uma atmosfera sexy sobre romance e sexo mas de uma forma palatável e a depender da radio edit, não perde o sentido da música – todo mundo pode ouvir. Aqui, Chris Brown não aparece na sua versão cantor (exceto no refrão, onde dá pra ouvir a voz de fundo do rapaz), e sim numa pegada mais “rapper”.

“Player” consegue cumprir bem o objetivo de apresentar uma Tinashe mais pop mas sem perder seu crédito urban R&B, até mesmo com um featuring bem colocado do Chris Brown (que não é exatamente um dos meus artistas favoritos), que aparece não como um convidado “forçado” na música, e sim um complemento à relação que é contada na primeira parte da canção pela Tinashe. A faixa é grower e tem chances de hitar muito nas rádios R&B – além de fazer boa figura nas rádios pop, já que 2015 é o ano em que ninguém sabe exatamente o que tá hitando de verdade – já teve pop puro, R&B, hip hop, funk, EDM e até dance tropical. Evidentemente, se a gravadora colocar a moça nos principais programas, nas premiações e até divulgando na feirinha da esquina, já que 1. a Tinashe só é conhecida de um público de nicho; e 2. a música não é exatamente a explosão que se espera da moça.

A estrutura de “Player” é muito esquisita – parece que são três músicas em uma (como se ela e os produtores pensassem em algo que misturasse as influências R&B/urban dela com uma pegada pop pra chamar o grande público mas ao invés de fazer isso numa música só, pegaram colagens de melodias diferentes que custam a funcionar como uma unidade), o refrão é grower mas pop demais pro resto da canção, e eu sinceramente não consigo imaginar uma coreografia destruidora pra essa música como a gente já viu outras vezes da Tinashe. Eu tô tentando gostar muito da música, tentando achar incrível, mas fiquei com a sensação de que podia ser melhor como o “estouro” dela no mercado pop.

(e não, essa não é produção do Max Martin). (e sim, é produzido pelo Max Martin. Não foi um dos melhores momentos dele, aliás)

(pior que eu sei que vou ouvir horrores a faixa, cantar juntinho o pré-refrão, mas sempre com a sensação de que “podia ser melhor”)

E você, gostou de “Player”?

Vai bombar em seu celular [2]: Tinashe e Ella Henderson

Finalmente vou cumprir uma de minhas promessas mais repetidas desde que iniciei este blog, há um ano: falar da Tinashe!

Mas essa linda não vem sozinha em mais um “Vai bombar em seu celular” – a seção que eu criei no blog para falar daqueles artistas que estão aí, rondando o mundo pop, seja com álbuns ou featurings, mas se ainda não receberam aquele empurrãozinho para aparecerem, falta isso aqui para que o mainstream o abrace de uma vez. Além da nova princesa do R&B, hoje também vamos falar de uma power vocalist vinda da terra da rainha, em mais uma invasão britânica: Ella Henderson.

Tinashe1. Tinashe

Tinashe Jørgensen Kachingwe tem 22 anos e quem já acompanha a popsfera deve ter pirado quando a moça, ano passado, lançou uma faixa cheia de swag e balanço, “2 On”. A música não chegou ao primeiro lugar das paradas – tampouco um top 10 no Hot 100 (o peak foi de #24, mas nos charts de R&B/hip hop a música chegou à quinta posição), o que colocou os olhos de parte do público e da crítica para o trabalho da moça, que já tinha participado de uma girl band na adolescência, The Stunners, e tinha lançado duas mixtapes antes do álbum debut, “Aquarius”, lançado em Outubro de 2014 com resenhas bem elogiosas de publicações respeitadas como a Pitchfork e a NME.

O álbum, “Aquarius”, é um achado. Com uma ambientação bem especial e uma identidade fortíssima para um debut de uma artista nova, tem toda uma atmosfera sensual, com letras bem diretas e uma musicalidade que remete à Janet Jackson, uma voz doce e aveludada que oscila entre uma Ciara com mais potência e uma imagem visual que me lembra muito a Aaliyah.

Apesar do álbum excelente e das boas escolhas para singles, Tinashe é mais conhecida do público consumidor de urban e dos ouvintes de pop que curtiram “2 On” e foram atrás da moça depois. Eu até pensei que com o remix de “Jealous”, do Nick Jonas, que conta com vocais dela, que seria um grande estouro, mas acho que o caminho para o sucesso da Tinashe está em mesclar a qualidade do material que ela apresentou em “Aquarius” com faixas igualmente interessantes para serem singles e que possam colocar o nome dela na boca do grande público. Por que se com uma música só teve burburinho em relação à moça (que chegou a se apresentar no BET Awards ano passado), imagine se a faixa for lançada em pleno verão, com uma batida viciante e um clipe que possa viralizar?

 

Ella Henderson2. Ella Henderson

A outra moça que merece a sua atenção é uma jovem de 19 anos vinda da Inglaterra. Gabriella Michelle Henderson, ou Ella Henderson, participou da edição de 2012 do X-Factor britânico, mas não chegou a vencer o reality show. Dois anos depois, a moça retorna com o debut, “Chapter One”, estreando em primeiro lugar no chart da Grã-Bretanha e colocando o lead-single em primeiro lugar por lá.

Aliás, “Ghost” – co-escrita por Ryan Tedder, o rei das obviedades – não difere muito em estilo de outros trabalhos do líder do OneRepublic, mas tem uma letra forte e uma batida empolgante, bem adequada para a voz poderosa, mesmo jovem ainda, da britânica. O que é legal na voz da Ella é que ela não chega com um vocal parecido com A ou B, tem uma identidade muito própria – não tão madura, mas também não tão juvenil.

“Ghost” ainda apareceu nos charts americanos, chegando até a 21ª posição na Billboard (e com subidas surpreendentes no iTunes); enquanto os singles seguintes “Glow”, a lindíssima “Yours” e “Mirror Man” não chartearam nos Estados Unidos, enquanto tiveram bons desempenhos na terra natal da moça. É claro que mesmo com todo o praise, quem acompanha o pop britânico sabe que do mesmo jeito que eles elevam os artistas novos ao céu, também podem colocar lá embaixo com um segundo trabalho que não seja satisfatório; mesmo assim, é sempre bom ouvir um álbum de pop puro, de produção simples, que tem pegada Adult Contemporary e é muito gostosinho de escutar – justamente aquele CD que, durante a audição, você vai gostando, se apegando, se identificando com alguma letra e quando vê, já está apaixonado.

Vale a pena torcer por essa moça.


E você, já conhecia o trabalho das duas? Deixe sua opinião sobre Tinashe e Ella nos comentários!