Combo de Álbuns – Men Edition

Estamos de volta com uma série de posts que reflete minha já conhecida PREGUIÇA – é o “Combo de Álbuns”: ou seja, sempre que eu atraso a resenha de um CD que foi lançado recentemente, costumo publicar tudo junto nessa resenha grandona, até pra cumprir minhas obrigações e continuar ouvindo coisas novas que pode ser (ou não) que entrem em premiações no futuro 😉

Hoje, coincidentemente, os lançamentos são todos masculinos, dois de artistas pop americanos e mais dois de acts fora dos EUA que fazem parte de dois movimentos que já vinham ascendendo em popularidade nos últimos anos. As resenhas de hoje são de Charlie Puth e o seu “Voicenotes” (lançado em 11.05); Shawn Mendes e o Selftitled (lançado em 25.05), a sensação coreana BTS com “Love Yourself: Tear” (lançado em 18.05) e o novo do colombiano J Balvin, “Vibras” (lançado em 25.05).

Vamos lá?

Charlie Puth – “Voicenotes”

Charlie Puth Voicenotes.pngQuem substituiu o Charlie Puth cafona e ruim do “Nine Track Mind” por esse cantor, compositor e produtor sofisticado e fun de “Voicenotes“? Não sei o que houve, mas agradeço pela mudança, porque esse CD é incrível e delicioso de ouvir. Saindo das sensibilidades pop/R&B anos 60 que não funcionaram nem um pouco no debut para algo mais puxado para o R&B/pop late-80/early-90, com direito a sintetizadores, linha de baixo retrô e muita ambientação obscura, Charlie se mostrou um artista bem mais consciente e maduro; e principalmente, um belo contador de histórias. O álbum vai destrinchando histórias de romances, traições e shades – afinal de contas, ele tá falando de quem nesse CD? – que mostram a inspiração do CD sendo as experiências do Charlie entre namoros, affaires e polêmicas com namoradas famosas.

Com letras bem menos cafonas e horrendas (a única exceção é o verso meio bizarro “you won’t wake up beside me / cause I was born in the 90s” em “BOY”, mas a música tem uma  bridge instrumental tão boa que compensa qualquer coisa), arranjos elegantes e prontos para dançar e participações especiais ótimas (Boys II Men SEMPRE delivering em “If You Leave Me Now; Kehlani confortável em “Done for Me”; e a lenda James Taylor em “Change”, a quebra gostosa de expectativa do CD), “Voicenotes” é uma evolução bem vinda para o cantor. Não apenas para mostrar que o primeiro CD foi um mal momento (ou no mínimo algo mal trabalhado pela própria gravadora), mas também dentro do pop que anda tão combalido nesses últimos tempos – dá pra fazer um pop gostosinho sem ir atrás das trends do momento (urban/trap e EDM a la Chainsmokers).


Shawn Mendes – “Shawn Mendes”Shawn Mendes - Shawn Mendes (Official Album Cover).png

Se você não ouvia o canadense Shawn Mendes porque achava micão consumir música de um jovem adolescente, um – perdeu “Illuminate”, uma baita evolução em relação ao primeiro CD, que tinha suas fraquezas; e dois – CORRE logo pra ouvir o selftitled do menino porque ele conseguiu! Com apenas 19 anos, o material que ele apresenta não apenas é um salto absurdo em qualidade, letras e instrumentais em relação aos CDs anteriores, como também o coloca lá na frente em relação aos peers no complicado mundo dos artistas jovens masculinos do pop.

Um esforço pop com experimentações rock (“In My Blood”), soul/funk (“Lost in Japan”) e até R&B (na ótima “Why”), prossegue com a vibe domingo chuvoso de outono tomando cafezinho com mozão ou mozona debaixo das cobertas. E ficou ótimo! A vibe stripped-down do próprio som do rapaz, combinada com produções agradáveis e super coesas (como é bom ter um grupo pequeno de colaboradores né?), além de featurings que agregam – como Julia Michaels e Khalid – aliás, “Youth”, super graciosa, tem uma mensagem simples, forte e efetiva para uma geração que é o foco dos dois jovens artistas. A mensagem atinge fácil a juventude de hoje e tem fôlego, não é um amontoado de clichês.

Apesar de uns dois fillers bem sem graça, no geral “Shawn Mendes” é um dos álbuns pop mais amarrados e bem feitos do ano. Para o próprio Shawn, é uma evolução além – com letras mais intrigantes, uma temática de relacionamentos que consegue atingir ouvintes de todas as idades e vocal ainda por evoluir mais, o canadense já construiu um caminho sólido para si, uma carreira longeva e sólida, além de um público fiel que vai crescer junto com ele.


Love Yourself Tear Cover.jpegBTS – “Love Yourself: Tear”

Como vocês já devem estar sabendo, a boy band coreana BTS foi o primeiro grupo de k-pop a estrear em primeiro lugar no chart de álbuns da Billboard, o que mostra que o gênero já vem alcançando novos caminhos no Ocidente, assim como conquistando fãs jovens que vem migrando do pop americano para a sua contraparte coreana. O motivo? Os grupos e artistas solo de k-pop trazem entretenimento, visuais cativantes e músicas animadas e upbeat, mesmo com letras que tratem às vezes de questões super sérias – e aí você dança com uma mão na cintura e outra na consciência.

Como eu não sou uma grande conhecedora do estilo, fui de coração aberto conferir o terceiro álbum do BTS (em coreano; no total é o sexto dos garotos) e tive uma agradável surpresa em conferir as 11 músicas do CD. Com um conceito bem amarrado sobre a dor da separação e o lado mais obscuro do amor, até mesmo nas músicas mais animadas (como o lead single “FAKE LOVE”) você tem letras que usam de metáforas para falar de um relacionamento que não deu certo e como o “eu lírico” (ou os membros da banda, que participam da composição das faixas) lida com essa sensação de perda. A sonoridade R&B é deliciosa, especialmente porque me lembra muito o que eu costumava ouvir quando era adolescente nos anos 2000, mas nada soa datado, e a as adições eletrônicas na instrumentação orgânica são bem-vindas. Em faixas como a ótima “134240”, que usa a história de Hades e do (ex-atual) planeta Plutão para falar de relacionamentos, a vibe meio “chill” é agradável, mas esconde uma melancolia evidente na letra.

Tirando uma faixa dance que ficou meio away dentro da tracklist (“So What”), “Love Yourself: Tear” não apenas deve ter agradado às fiéis fãs do BTS como pode ser uma bela introdução aos neófitos do k-pop como eu. Entre metáforas bem construídas e uma bem-vinda departure com inspiração latina (“Airplane pt. 2”, que eu gritei na hora do refrão É A NOVA DESPACITO!), é um ótimo CD que merece ganhar o mundo e ampliar ainda mais o perfil dos meninos do BTS no mainstream.


J Balvin – “Vibras”J Balvin Vibras cover.png

O quinto álbum do superstar colombiano do reggaeton na verdade é a trilha sonora pro verão lá no hemisfério Norte. É curioso como Balvin conseguiu fazer um álbum em espanhol, com uma sonoridade latina mega popular, mas com um apelo internacional bem envolvente. É reggaeton, mas faz umas concessões curiosas dentro das próprias faixas que ganham um apelo pop que independe da língua.

Apesar de ter uma intro, “Vibras”, a gente pode considerar que “Mi Gente”, com Willy William (e que chegou até a ter remix com a Beyoncé) é a verdadeira introdução “espiritual” do álbum. A faixa, que quer te fazer dançar sem pensar na nacionalidade ou na origem, é o começo perfeito para determinar o mood do CD – mesmo que a letra seja distinta do coração do álbum, que tem todo um clima de sedução e romance que talvez seja um dos pilares da música latina, seja em espanhol ou em português. Das deliciosas “Ambiente” e “Cuando Tu Quieras”, além de “Noches Pasadas” e “Donde Estarás” – que tem a maior cara de hit; além da gostosíssima “Brillo” (que me lembrou um pouco de “Downtown” da Anitta), J Balvin apresenta no álbum uma vibe gostosa, tropical e ao mesmo tempo noturna, ideal para romper o verão americano sem fazer nenhum esforço.

Apesar de um ou dois fillers (e impressionante como “Machika”, que fecha o CD, parece um corpo estranho na vibe carefree do “Vibras”), é um álbum que merece as reviews calorosas na gringa e uma ouvida atenta – mesmo que estejamos em plena época de São João. Com “Vibras”, o reggaeton realmente se solidifica como um fenômeno pop que não parece sumir tão cedo.


E vocês, já ouviram algum dos quatro álbuns? O que acharam? Podem comentar aqui mesmo no blog ou no nosso Twitter e Facebook!

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Shawn Mendes e um amadurecimento esperado

Eu já tinha comentado aqui no blog sobre o Shawn Mendes e como eu sempre simpatizei com o som do jovem canadense – um pop orgânico, com referências de blues e soul, e com apelo bem maior do que as teens que já seguiam o Shawn desde os tempos do Vine. O que eu achava ser necessário para o rapaz era dar um polimento na letra, que era simples, mas ainda com uma vibe juvenil; mas nada como o tempo para trazer esse amadurecimento artístico para ele.

The cover consists of a floral design in the lower left corner with the title spelled out vertically in the centrePois é, esse amadurecimento chegou – e chegou de forma assustadora, com os dois singles lançados na quinta e sexta-feira passada; “In My Blood” e “Lost in Japan”, dois lados até certo pronto extremos de sonoridade que o canadense vai apresentar no terceiro CD. Assustador porque eu ainda não esperava essa elegância e tanta sutileza com 19 anos; e ainda por cima com dois sons que eu não sei como vão se encaixar no novo álbum.

“In My Blood”, a primeira música da nova era que foi lançada, é um pop-rock com cara de stadium anthem, com o DNA do Kings of Leon por toda a canção, e uma excelente letra (a melhora como letrista é absurda), super relatable – sobre ansiedades e dúvidas – e traz um peso ao repertório, que sempre foi mais acústico e intimista (mesmo com uma faixa super “pra cima” como “There’s Nothing Holdin’ Me Back” destoando do todo). Só essa música já tinha me deixado mega animada para o novo CD; mas aí quando ele lançou “Lost in Japan” (que estou já cantando o refrão a plenos pulmões) aí eu fui literalmente comprada pelo som. Que The cover consists of a floral design in the lower left corner with the title spelled out vertically in the centremúsica linda! É um pop/soul retrô dançante que lembra um old Justin Timberlake-meets-John Mayer-and-John Legend e funciona muito bem: o piano conduzindo a música, a linha de baixo marcante, a guitarrinha groovada, os instrumentos de sopro na viradinha do refrão bem discretinho – é uma produção extremamente elegante e equilibrada, um upbeat moderno e adulto, prontinha para consumo crossover. Agora é descobrir como essa música vai se encaixar no resto do álbum hahah

(aliás, se esse lançamento duplo foi inspirado na estratégia do Ed Sheeran, as faixas selecionadas do Shawn Mendes dão uma surra no que o ruivo apresentou pra Divide era.)

De fato, estou encantada pelo novo som do Shawn Mendes – mais maduro, encorpado, preocupado com os arranjos e as letras e uma evolução realmente assustadora em relação aos dois primeiros CDs. A minha empolgação para o novo álbum aumentou horrores e creio que teremos surpresas muito boas do canadense.

E vocês, o que acharam dos dois lançamentos? Se ainda não ouviu, confira aqui:

 

Indicados ao Video Music Awards 2017 [4] COMBO DE CHANCES I

Estamos chegando perto do Video Music Awards, que talvez sim talvez não domine as mentions e tretas do domingo (considerando que “Game of Thrones” terá season finale mas as críticas negativas viraram tema de artigos mundo afora), e quando chega essa época – e a escriba que vos fala não terminou de escrever todas as previsões em ordem – é hora de pensar no COMBO DE CHANCES: ou seja, um lindo resumo de postagens com as principais previsões nas categorias restantes, pra gente saber quem pode levar o Moonperson e quem vai sair do award de mãos abanando.

Primeiro, hora de mais uma guerra de fandoms, desta vez entre os indicados a Melhor Vídeo Pop.

BEST POP
Shawn Mendes – “Treat You Better”
Ed Sheeran – “Shape of You”
Harry Styles – “Sign Of The Times”
Fifth Harmony ft. Gucci Mane – “Down”
Katy Perry ft. Skip Marley – “Chained To The Rhythm”
Miley Cyrus – “Malibu”

Ainda não entendi a ausência de nomes como Selena Gomez (cujo clipe de “Bad Liar” foi lançado dentro do período de elegibilidade e é melhor do que muitos que fizeram o corte final), a Lorde (que, apesar de não ter lançado o melhor clipe do ano para “Green Light”, tem uma estética interessante e é a cara do VMA), e até o Liam Payne (cara, a MTV perdeu a chance de capitalizar em cima de feud de ex-membro de boy band?); mas a lista de indicados está pelo menos de acordo com os artistas que estão em destaque dentro do combalido pop atual, além de lembrar que a Katy Perry, apesar do flop, lança sempre excelentes clipes.

Honestamente, este ano teremos outra boa e velha guerra de fandoms, criteriosamente escolhida para dar audiência ao award, porque sabemos de uma coisa: a fã-base vota, mas quem decide é a emissora. Em 2017, o Melhor Vídeo Pop pode ficar entre o Shawn Mendes, com “Treat You Better”, o Fifth Harmony com “Down” e Harry Styles com “Sign of the Times”. Tiro o Ed Sheeran da jogada porque, mesmo “Shape of You” sendo o maior hit aqui, é fato que a base de fãs dele nem se compara com o flood que o fandom dos outros três artistas devem estar fazendo. Creio que só iria para as mãos dele caso a MTV mexesse os pauzinhos, mas curiosamente, seria um award meio anticlimático.

Quanto a Katy, apesar de estar justamente indicada aqui (entre os cinco vídeos, é o mais bem feito e bem produzido, apesar do zero replay value), acredito que a MTV queira dar uma pimpada no feud em que ela está envolvida lá em Melhor Colaboração…

(aliás, cadê “Despacito”?)

(é sério, EU NÃO FAÇO IDEIA de quem leva essa)


Já na categoria de Melhor Vídeo de Rock, a ausência que eu menos entendi foi a do Imagine Dragons que colocou “Believer” no top 10 da Billboard Hot 100 e é a banda de rock mais bem sucedida este ano. Podiam ter se lembrado também do Linkin Park (aliás, nem ouvi murmúrios de tributo ao Chester Bennington…) – e apenas eu ter citado mais duas bandas esquecidas no churrasco é a prova de que a MTV CAGA para esta categoria. Vão os medalhões mesmo e acabou.

BEST ROCK
Coldplay – “A Head Full of Dreams”
Fall Out Boy – “Young And Menace”
Twenty One Pilots – “Heavydirtysoul”
Green Day – “Bang Bang”
Foo Fighters – “Run”

Entre os indicados, eu aposto nos mais populares. Certeza que o Coldplay é favorito, apesar do vídeo de “A Head Full of Dreams” ser uma snoozefest. Quer coisa pior que vídeo de turnê, bicho? Mesmo que a intro disfarce a verdadeira “historinha” do clipe e a fotografia granulada dê um ar retrô e de nostalgia à produção, é um vídeo de turnê, o que é a coisa mais preguiçosa do mundo. Mas o Coldplay é popular e para o que a MTV classifica como Rock, eles são o mais “famoso” e “chama audiência” que podem conseguir.

Já o Foo Fighters sempre emplaca alguma coisa, e desta vez o clipe vale a pena ganhar o Moonperson – “Run” é divertidíssimo e insano (e o FF tem expertise em fazer vídeos divertidos com referências pop impensadas como “Airplane!” e “Um Dia de Fúria”), com os velhinhos em fúria me lembrando vagamente aquela cena da luta na igreja em “Kingsmen” e ainda aquela coreografia que eu realmente não esperava. Às vezes, o vídeo demora mais do que deveria na rage dos idosos, mas quando sai do espaço fechado e o grupo domina a rua, o clipe ganha contornos ainda mais divertidos. E considerando que o Foo Fighters é outra banda bem popular, é mais fácil a MTV dar o Moonperson a quem realmente cumpre a função de ser um rock act 😉

(pior que parece que todo ano são sempre os mesmos indicados)

E vocês, o que acham que vai acontecer nessas categorias? Quem tem mais chance de levar?

Começando a lapidar o diamante – Shawn Mendes, “Illuminate”

shawn-mendes-illuminate-cover-cdEu me lembro vagamente da primeira vez que ouvi falar em Shawn Mendes. Tinha sido num desses tópicos de iTunes da vida, em que todo mundo falava sobre um “menino que tinha conta no Vine” e conseguiu chegar em #1 porque, evidentemente, tinha uma porrada de fãs fiéis que o seguiam para onde fosse (foi mais ou menos assim que fui introduzida a Ariana Grande, com a diferença de que ela era uma estrela de uma série da Nickelodeon que nunca vi na vida). A música em questão, “Life of The Party”, conseguiu chegar à #24 colocação na Billboard, fazendo do menino a pessoa mais nova a estrear no top 25 com o debut single (exatamente 15 anos, 11 meses e 4 dias. Eu com essa idade estava fazendo vários nadas no Orkut).

Para quem imaginava que era mais um adolescente pimpado pelos fãs que lança uma música e some do espectro, o jovem canadense mostrou um talento a ser lapidado com o debut album “Handwritten”, que contou com o primeiro hit de fato do Shawn, “Stitches”, que chegou à quarta posição na Billboard Hot 100. Diferentemente de outros teen male acts, como o conterrâneo Bieber e o que mal chegou a acontecer, Austin Mahone, que sempre tiveram uma pegada pop com influência urban (mesmo que o Justin atualmente tenha lançado mais faixas puxadas pro eletro e o tropical house), Mendes segue uma outra vibe – a do singer/songwriter com guitarra na mão, um John Mayer teen, mas que como posicionamento de mercado, é uma jogada de mestre – enquanto um Bieber só agora vem descolando sua imagem de artista adolescente (com certa dificuldade pela própria personalidade spoiled brat do moço), a sonoridade do Shawn Mendes tem muito mais apelo para um público além dos adolescentes que o conheciam desde os tempos do Vine. Pessoas adultas, quem está fora do público-alvo, podem consumir o material dele sem se sentir “envergonhados” em ouvir músicas de um moleque de 18 anos.

Que lançou um novo álbum nesta sexta-feira, “Illuminate“, já em todos os serviços de streaming perto de você, e infinitamente melhor que o primeiro CD. Faixas acústicas, um pop orgânico agradável de se ouvir e outras influências meio bluesy que ajudam a compor um álbum fascinante, ainda que simples em suas letras, de um menino que ainda tem muita lenha pra queimar.

Saiba mais no track-by-track da versão standard:

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Design de um top 10 [26] Adele III

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Num mundo em que Adele domina, a gente acaba esquecendo de alguns nomes que ficam entrando e saindo do top 10 do Hot 100 e que merecem nossa atenção neste final de ano, quando aos poucos vamos nos despedindo das músicas animadas e uptempos para as baladas e midtempos do inverno no hemisfério norte (e as nossas próximas músicas de sofrimento pelo fim do namoro).

É claro que determinados artistas simplesmente foram foguetes que apagaram com rapidez incrível (a estreia de “Focus” da Ariana Grande em sétimo semana passada… onde foi parar?); enquanto outros foram galgando posições de pouquinho em pouquinho até chegar lá. E um certo rapper, com mais um sucesso, pode ser o candidato mais forte a chegar no corte final – e levar – o sonhado prêmio de Artista Revelação no Grammy 2016.

Porque no reino de Adele que é o Hot 100, é hora de conhecer a corte.

Top 10 Billboard Hot 100 (28.11.2015)

1. Hello – Adele
2. Hotline Bling – Drake
3. Sorry – Justin Bieber *
4. The Hills – The Weeknd
5. Stitches – Shawn Mendes *
6. What Do You Mean – Justin Bieber
7. 679 – Fetty Wap feat. Remy Boyz (+2)
8. Wildest Dreams – Taylor Swift
9. Like I’m Gonna Lose You – Meghan Trainor feat. John Legend(+1)
10. Ex’s And Oh’s – Elle King (+2)

Justin BieberSe não fosse Adele, Justin Bieber poderia ser #1 na Billboard. Poderia ter perdido o #1 pro Drake depois (aliás, o rapper não tem sorte NENHUMA), mas o rapaz teria mais um topo na carreira, desta vez com “Sorry“, uma música melhor que o primeiro single, a derivativa “What Do You Mean?”. Mas os números ajudam Bieber – em terceiro no iTunes (estava em segundo nos últimos tempos, mas caiu uma posição porque um participante do The Voice tirou a Adele do topo – CALMA, GENTE, daqui a pouco volta ao funcionamento normal); no top 20 do Mediabase (enquanto o primeiro single cai com consistência mas aos poucos) e em terceiro lugar nos charts de Stream, “Sorry” ainda está longe do peak, e com a proximidade do American Music Awards, sem contar com vários programas de impacto para participar, a música tem chance de se manter muito tempo nos charts.

 

Outro que desde que chegou ao top 10 não sai mais de lá é o conterrâneo do Bieber, Shawn Mendes. Estrela do Shawn MendesVine alçado à sensação teen, tentaram vender o rapaz justamente como um novo Bieber, mas logo a gravadora (ou os empresários) perceberam que a linha do Mendes era diferente – algo mais acústico – e ele alcançou o top 10 com a bacaninha “Stitches“, que me lembra um Ed Sheeran teen. O rapaz, de apenas 17 anos, já tinha alcançado um recorde com 15 – o mais novo artista a debutar no top 35 da Billboard com um debut, em 24º lugar com a música “Life of The Party” (que aliás, chegou ao #1 no iTunes na época como um rastilho de pólvora). Terceiro single do debut álbum “Handwritten”, pode-se dizer que a faixa está bem perto do seu peak (se ainda não chegou). Ainda liderando a Pop Songs, mas com subidas menores no Mediabase, a música está no top 20 do iTunes, mas nada que uma performance num programa de impacto pra dar mais sobrevida à música né?

 

Fetty WapEu não sei se você percebeu, mas o Fetty Wap – que tinha estourado lá no início do ano com o viral “Trap Queen”, tá com mais uma música morando no top 10, “679” – que curiosamente, não tem a mesma pegada pop do primeiro single. É uma música um tantinho mais difícil, mas o peak da faixa foi #4, depois caiu e agora subiu mais duas posições. A faixa já chegou ao peak, mas é notável o quanto a faixa conseguiu se manter mesmo sem o Fetty Wap aparecendo em todos os cantos possíveis. O rapper novato do ano – e talvez o azarão de 2015, num ano da consagração pop do Drake, além de Kendrick Lamar inserido dentro da cultura e da sociedade com o “To Pimp a Butterfly”, Fetty está fazendo sucesso fazendo o básico: hip hop com apelo e aquele jeitinho de anos 2000. Os vídeos dele parecem os clipes que passavam no Yo! MTV há uns bons anos. Por isso, eu imagino que, com esse sucesso de singles + boa recepção do álbum de estreia (que foi lançado no finalzinho do período de elegibilidade para os indicados ao Grammy), Fetty Wap tem muitas chances de fazer o corte final para os indicados e tem jeito de favorito a Artista Revelação (mesmo com a resistência histórica do Grammy a artistas de hip hop negros).

 

Por falar em novatos, Meghan Trainor pode ter batido na trave com “Dear Future Husband”, mas com “Like I’m Meghan TrainorGonna Lose You” a moça conseguiu mais um top 10. A baladinha fofa com John Legend parece uma paridade estranha, mas funciona muito bem em estúdio e ao vivo, sem contar com o timing ótimo do lançamento no final do ano. Boa parte das músicas reservadas para o final do ano são baladas ou midtempos, ao contrário da animação ostensiva do meio do ano; e essa música foi uma ótima escolha – John Legend teve um ótimo 2015, o momento da Meghan na popsfera ainda não passou (especialmente porque os trabalhos como compositora andam de vento em popa) e essa é a clássica faixa que pode angariar uns prêmios por aí. A loirinha tem chances fortes de conseguir entrar no corte final pro Grammy – e merecidas. Foi a novata mais bem sucedida em 2015 e um dos nomes femininos de maior apelo num ano de sucessos masculinos. (e só eu vejo semelhanças curiosas entre a carreira dela com a da Katy Perry?)

 

Elle KingE a nova entrada no top 10 é a da cantora Elle King, com a faixa “Eh’s & Oh’s“. A música já estava subindo de pouquinho em pouquinho nos charts – atualmente em oitavo no iTunes, no top 10 do Mediabase e #39 nos charts de Stream, sem contar a liderança por cinco semanas no Hot Rock Charts – e agora conseguiu o feito de entrar no top 10, com uma faixa pouco usual para os tempos que correm nos charts (mas bem representativa da variedade de estilos que andou circulando pelo mainstream neste ano): uma faixa meio rock, meio pop, meio country, com uma letra pessoal e uma atitude “I don’t give a fuck” que deixa a música mais gostosinha de ouvir. O mais curioso é que a música, apesar de gostosa, não é extremamente comercial (apesar do refrão grower), o que torna a chegada da Elle (filha do comediante Rob Schneider, que você deve lembrar dos filmes com Adam Sandler e de “Gigolô por Acidente”) mais surpreendente ainda. Agora é saber se ela pode ter um sucesso mais crossover, ou será uma One-Hit Wonder, ou mesmo ganhará espaço no field rock/alternativo.

É esperar pra ver. (e conhecer a moça. se você não conhece, pode dar play no vídeo abaixo)