Design de um top 10 [36] O mundo é de Belcalis Almanazar e apenas vivemos nele

Depois de 84 anos, retorno com um baluarte deste blog, o Design de um Top 10, onde eu sempre faço análises sobre os destaques musicais de mais uma semana na Billboard Hot 100. Hora de aproveitar os primeiros dias de 2018, que já está no quente com vários lançamentos, sucessos que se mantém desde o ano passado e músicas que já nasceram parte da conversa cultural

Ah, e vou explicar quem cargas d’água é “Belcalis Almanazar”.

Top 10 Billboard Hot 100 (13.01.2018)

2. Havana – Camila Cabello feat. Young Thug

3. Rockstar – Post Malone feat. 21 Savage

4. Thunder – Imagine Dragons

5. No Limit – G-Eazy feat. A$AP Rocky & Cardi B

6. Bad At Love – Halsey

7. Too Good At Goodbyes – Sam Smith

8. MotorSport – Migos, Nicki Minaj & Cardi B

9. Gucci Gang – Lil Pump

10. Bodak Yellow (Money Moves) – Cardi B

 

Mais um hit para Ed Sheeran – e uns streamings a mais pra Queen B

Você já perdeu a conta? O remix de “Perfect“, último single do álbum do Ed Sheeran, com a participação da Beyoncé, chegou à quinta semana em #1. A baladinha, que é a cara do inverno, ainda lidera os charts digitais e de rádio, enquanto teve uma queda nos charts de stream. No entanto, a música passa longe de estar morrendo – com o novo remix com Andrea Bocelli (“Perfect Symphony”) crescendo no iTunes e a versão original sendo tocada nas rádios, “Perfect” tem tudo para emplacar pelo menos uma semana em primeiro. Digo uma porque a concorrência tá forte neste começo de ano.

Curiosidade: Beyoncé, que deve estar preparando uma nova era com esses featurings em faixas de artistas fortes no stream, conseguiu com “Perfect Duet” o seu sexto #1 solo nos charts de airplay, o primeiro em quase nove anos.

Quando “Havana” se levantará?

Já o hit que tá pedindo pra ser #1 há um bom tempo, “Havana” da Camila Cabello, parece que vai padecer mais uma semana longe do topo. Agora, a música está em #2, fazendo seis semanas que chega nessa posição. Apesar de algumas quedas nos charts de rádio, a faixa está em #2 no chart de stream e em terceiro no digital. No entanto, a Camila está no topo das rádios pop pela sétima semana, e esses números podem ajudar bastante a faixa a conseguir uma chance que seja de ficar pelo menos uma semana em primeiro. A menina merece muito, a música é decididamente um dos grandes hits do fim do ano/início deste.

Curiosidade: o segundo single da Camila, “Never Be the Same“, voltou ao chart na 71ª posição. A faixa não é tão instantânea quanto “Havana”, mas tem cheirinho de hit. E a gente sabe que a menina divulga – e divulga bem – então, as chances de chegar ao top 10 são boas.

 

Dose tripla de Belcalis Almanazar no top 10… Ou podem ser quatro?

Ou mais precisamente, Cardi B, a rapper mais bombada do momento, que colocou pela segunda semana seguida três músicas no top 10 da Billboard. Ela é a terceira artista da história a colocar suas três primeiras músicas no top 10 ao mesmo tempo, depois dos Beatles e de Ashanti. Tá em boa companhia a moça hein?

A faixa melhor colocada da moça é “No Limit“(#5), de G-Eazy, onde ela e A$AP Rocky são os featurings. Já “MotorSport“, do Migos e com feat também da Nicki Minaj, está em #8; enquanto seu primeiro hit, o viral inescapável “Bodak Yellow“, continua em 10º lugar.

Mas não é só isso: quando digo que a gente tá vivendo no mundo da Cardi B, é que tem muita coisa por aí (com altas possibilidades de #1) – tem “Bartier Cardi“, onde ela é lead, que caiu para #19 (mas ainda tem clipe pra sair, o que pode alterar as coisas); “La Modelo“, faixa do Ozuna em que ela é participação, que está em #61; e o crossover pop que a Cardi precisava para ser apresentada a um grande público – o remix de “Finesse“, do Bruno Mars, que ganhou um clipe cheio de referências a In Living Color e entrou na conversa cultural esta semana, sem chance de ficar em segundo plano. A julgar pelo fato da música ter entrado com apenas um dia de vendas em #35, a faixa estar crescendo nas rádios, em #1 na principal playlist do Spotify e sendo assistida constantemente no YouTube, se for apresentada no Grammy, pode colocar mais um #1 na conta da Cardi (e o oitavo #1 pro havaiano).

O que é curioso em “Finesse” é que a música, faixa oito do “24k Magic”, parece que foi descoberta agora, dois anos depois, pelo grande público, e está tendo desempenho de lead single. Caso as previsões se confirmem, logo vou falar um pouquinho mais sobre a música.

E vocês, o que acham dos movimentos nos charts desta semana?

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Vencedores e perdedores de 2017

Falta bem pouco para acabar o ano de 2017, e entre sucessos estrondosos, flops absurdos e momentos surpreendentes dentro da popsfera, hora de relembrar o que houve de mais importante nos charts e na repercussão dos principais artistas. Já tinha feito uma lista de destaques positivos e negativos do primeiro semestre,  mas vale a pena conferir os destaques do ano todo – afinal de contas, os mesmos tensionamentos que agitaram o primeiro semestre continuaram e se expandiram na segunda parte do ano: streams dominando a indústria, urban e rap pautando o que é sucesso ou não; a onda latina se tornando the next big thing; e se o seu nome não for Taylor Swift, acts femininas pop sofreram bastante para se manter em evidência em 2017.

Aqui pode não ser a Globo, mas essa é uma retrospectiva com os destaques positivos e negativos do ano que passou. Por isso, vá no “Today’s Top Hits”, dê play e balance os ombros enquanto lê este post! Continuar lendo

Previsões para o Grammy 2018 [2] O ônibus lotou

Como diria um grande pensador contemporâneo, “it’s tradition now”. Após aquela primeira leva de previsões para o Grammy 2018, avaliando o espectro musical entre o final do ano anterior e o primeiro semestre de 2017, hora de ver de que forma as submissões das gravadoras podem ajudar nas novas configurações da nossa futurologia, seja para o bem ou para o mal.

O “problema feliz” de 2018 é que de junho a setembro muitos singles e artistas tiveram destaque, correndo o risco de 1. muita gente boa ficar de fora do corte final; 2. determinadas categorias não terem acts favoritos. Nosso foco – as usual – é no Pop Field e no General Field.

Segue o pulo!

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Como se reinventar (ou não) com dois lançamentos de setembro

Setembro para a música pop é aquele mês em que os A-lists ou artistas em ascensão lançam os singles de trabalho antes do fim do período de elegibilidade pra ver se emplacam alguma música para o Grammy 2018. Dois desses artistas que podem entrar no corte final são Kelly Clarkson e Sam Smith, que lançaram seus leads recentemente e encontraram desempenhos curiosos até agora nos charts.

Onde hoje se define o que é hit ou não – o Spotify – o britânico teve uma excelente estreia, e no chart semanal do serviço de streaming, “Too Good at Goodbyes” está em segundo lugar. Nada mal para um artista cujo último single lançado foi a trilha sonora de um filme em 2015 (sim, é um filme do James Bond, mas é OST). Já “Love So Soft” da KC estreiou lá embaixo, quase no final do top 200 do Spotify. Nas rádios, no entanto, o desempenho da Kelly é muito bom, especialmente nas rádios adultas, assim como o próprio Sam. Já no iTunes, Kelly está no top 50, já com o (ótimo) clipe lançado; enquanto Sam Smith está ainda no top 10, em franca queda – mas não se esqueça de que ainda tem clipe pra lançar.

A partir dessas primeiras reações das duas faixas, é hora de entender como as músicas que comandam o comeback dos dois artistas podem oferecer insights sobre a era de cada um deles – assim como óbvias resenhas sobre a reinvenção (ou não) com um grande retorno à cena.

Reinventar-se usando suas influências

Quem acompanha desde sempre a carreira da Kelly Clarkson sabe que ela sempre teve como influências as grandes cantoras do R&B/soul, as grandes vozes como Aretha, Mariah e Whitney. Apesar de uma carreira extremamente bem sucedida fazendo aquele pop/rock gostoso a cara da minha adolescência nos famigerados anos 2000, a voz da moça sempre foi extremamente versátil – passando do pop, rock, country e agora esse retro-soul gostosíssimo de “Love So Soft”, lead single do “Meaning of Life”, novo álbum agora na gravadora Atlantic Records (adeus RCA).

O som é identificadíssimo com sua voz potente, é upbeat, fun, super KC – no caso, a sassy Kelly de “Walkaway” – e tem ainda um curioso break no refrão. Consegue ser moderna mesmo bebendo de fontes mais retrô, e tem uma óbvia maturidade que garante o estrago nas rádios adultas. O que é evidente, já que desde a aproximação da Kelly com o country, e a sonoridade mais pop do “Piece By Piece”, ela já vem indicando que vai se aproximar cada vez mais de um pop mais adulto, para um público maduro. E ela não tá errada, nem um pouco. É esse público que comprará seus álbuns, irá às suas turnês; e Kelly fica livre das pressões de gravadora e da mídia por hits e sucessos instantâneos. Tem carreira consolidada e Grammys.

O mais legal é que a Kelly conseguiu isso sem perder a identidade, trazendo um som novo pro repertório dela, mas que faz parte das suas influências. (e um certo award já deve estar de olho nela, cuidado)

Reinvenção é o quê? É de comer?

O segundo álbum é um desafio para qualquer artista, especialmente para quem vem de uma era bem sucedida e premiada. Você pode se superar e fazer coisas ótimas (“21”, “Futuresex/Lovesounds”, “The Fame Monster”, “Fearless”), pode cagar sua carreira inteirinha (“Thank You”, tô falando com você) ou pode ser o Michael Jackson mesmo. No caso do Sam Smith, ele optou pela safe choice de uma versão levemente mais up que o seu maior sucesso (“Stay With Me”) com o lead single do novo álbum, “Too Good At Goodbyes”.

Aqui, continuamos ouvindo o mesmo pop soul com coral gospel, e apesar do vocal melancólico do Sam continuar o mesmo. A diferença é que o arranjo é só um pouquinho (inho) mais animado e a letra tem um cinismo delicioso, versos super relatable – além do pré-refrão e refrão bem grudentos. Mas de resto, achei bem decepcionante. Não era isso que eu esperava do trabalho novo de um Grammy e Oscar winner. Porque dá pra se reinventar mantendo seu estilo, mas isso não significa que você siga a mesma cartinha de seu álbum anterior. Soa preguiçoso e calcado essencialmente em jogar no seguro.

Apesar disso, o negócio é que a faixa do Sam tem potencial para fazer mais do que o desempenho atual. O clipe ainda não foi lançado e ainda tem a divulgação massiva (a Kelly, por exemplo, já se apresentou no Today Show), e a faixa se mantém apesar dos pesares no top 10 do iTunes. O que me surpreende mesmo foi a boa estreia no Spotify: a faixa passa longe dos hits virais do serviço (mais urban e rap) e tem forte apelo adulto (por isso o sucesso nas rádios AC). Talvez o fato da música ter sido lançada com um clipe exclusivo para o Spotify tenha ajudado; ou o público comprou a música especialmente porque é uma midtempo lançada quase no Outono americano, e tradicionalmente o que bomba são faixas mais lentinhas. O que eu sei é que – se o Sam conseguir emplacar mesmo no Spotify, terá fácil o selo de hit. (e pode garantir lugar NAQUELA premiação do ano que vem)


E aí, qual destas foi o seu lançamento favorito? Deixe suas considerações nos comentários! 😉

Bom, mas não Bond: “Writing’s on the Wall”, Sam Smith

O novo filme do James Bond, “Spectre“, está chegando, e além das novas Bondgirls, novos vilões e se o Daniel Craig vai continuar mais uma vez interpretando o agente secreto britânico, a expectativa de público e crítica é a respeito da música-tema que vai conduzir os créditos de abertura do filme. O último trabalho, “Skyfall”, da Adele, não foi bem recebido apenas por público e a crítica especializada, como também ganhou todos os prêmios relacionados a trilha sonora, incluindo o Oscar de Melhor Canção Original.

Após muita especulação, ficou a cargo do britânico Sam Smith a missão de escrever e interpretar o próximo tema do 007 – evidentemente já trazendo comparações com a compatriota, em especial pelo fato dele já ter surgido na cena pop como uma versão masculina da Adele, com baladas sofridas e muita dor-de-cotovelo. Mas será que Smith conseguiu repetir o momento criado por Adele com “Writing’s on the Wall”, faixa composta por ele para “Spectre”?

CLIQUE NA IMAGEM PARA OUVIR A MÚSICA NO SPOTIFY

A música é uma balada orquestrada, com acompanhamento de piano e cordas, além de um instrumental que lembra os filmes sessentistas de James Bond. A letra é simples e direta, e o refrão tem um falsetinho em “How do I live? How can I breathe?…” que deve ser o ponto alto da música. Um dos elementos mais importantes da faixa é o fato do instrumental captar uma essência mais “antiga” do Bond. Você já imagina tocando em vários pontos do filme.

O problema aqui, e ele é grande, é que apesar da faixa ser boa – o fato é que a música te prende – isso não é o suficiente para ser forte o suficiente para ser uma música tema dos filmes do 007. “Writing’s on the Wall”, ao contrário de “Skyfall”, sua última colega de trilha, não impacta como uma música do Bond. Não há uma explosão. A faixa fica num mesmo tempo, numa mesma pegada o tempo todo, sem alcançar o grande momento. Até músicas que careciam desse “MOMENTO” como “Moonraker” (de “007 Contra o Foguete da Morte”) e “Thunderball” (de “007 Contra a Chantagem Atômica”), têm determinados picos (seja na interpretação da Shirley Bassey, em “Moonraker” ou na própria melodia da música, como em “Thunderball”, cantada por Tom Jones) que fazem com que a música seja marcante. Falta clímax numa música que já tem um tempo mais lento.

Além disso, eu tento pensar em como essa música vai funcionar na abertura (onde imagem e som formam uma mensagem perfeita) e não consigo imaginar nada. Passa totalmente despercebido.

No fim das contas, “Writing’s on the Wall” é uma boa música, mas não é o suficiente para funcionar como uma música de abertura dos filmes do 007. Mas não é tão péssima o suficiente para figurar nas listas de piores – particularmente, eu tenho vergonha alheia de ouvir “The Man With a Golden Gun”, “Licence To Kill” e a pavorosa “Die Another Day”.

 

E você, o que achou da música?

Previsões para o Grammy 2015 – Álbum do Ano

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Enfim chegamos à cereja do bolo, o grande presente, o bilhete premiado! O prêmio de Álbum do Ano do Grammy é o grande momento na carreira de qualquer pessoa. É a consagração do artista por causa de um grande trabalho (Simon & Garfunkel por “Bridge over Troubled Water”, Carole King com o “Tapestry”, U2 e seu “The Joshua Tree”, Adele e o “21”), a revelação do mito (Michael Jackson e “Thriller”, Whitney Houston com a trilha sonora de “O Guarda Costas”), a chegada de um nome forte (Alanis Morrissete e seu “Jagged Little Pill”, Lauryn Hill com o “The Miseducation of Lauryn Hill”, Taylor Swift e o “Fearless”) ou mesmo o canto do cisne (o homem que ninguém chegará perto de igualar o feito, Christopher Cross e seu debut autointitulado).

Entre os cinco indicados ao prêmio principal da noite, nós podemos ter a chance de elevar um dos artistas indicados à categoria de “mito”, ou consagrar um grande sucesso – ou mesmo dar ao Grammy a famosa “safe choice”, que significa dar o prêmio a um artista mais antigo ao invés de ousar numa escolha mais em consonância com o mercado e a realidade. Primeiro, os indicados:

“Morning Phase”, Beck
“BEYONCÉ”, Beyoncé
“X”, Ed Sheeran
“G I R L”, Pharrell Williams
“In the Lonely Hour”, Sam Smith
Agora as análises (que você confere evidentemente após o pulo)

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Grammy 2015 – Indicados a Melhor Álbum Pop

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O prêmio de Melhor Álbum Pop tem uma história curiosa dentro da tradição do Grammy. Sua primeira aparição foi no award de 1968, quando tinha o nome de Melhor Álbum Contemporâneo e os primeiros vencedores foram aqueles rapazes de Liverpool com um certo álbum chamado “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Depois desse ano, a categoria foi excluída e só voltou a partir de 1995, com o nome que conhecemos hoje.

Desde então, grandes trabalhos foram premiados com o gramofone, como a rainha Madonna com o “Ray Of Light”, Norah Jones pelo “Come Away With Me”, Amy Winehouse com o “Back To Black” e, entre os últimos vencedores de Álbum do Ano, estão Adele com o já clássico “21” (2012), Kelly Clarkson com o “Stronger” em 2013 (aliás, uma recordista – já que ela é a única artista a ter dois Grammy nesta categoria, o primeiro sendo o “Breakaway” em 2006) e Bruno Mars com o throwback-ish “Unorthodox Jukebox (2014).

Este ano, seis álbuns disputam a vitória nesta categoria. Seis grandes trabalhos, com impactos distintos no mainstream e entre a crítica, e com elementos cruciais que podem lhes dar o gramofone – ou não.

Primeiro confira os indicados:

Coldplay, “Ghost Stories”
Miley Cyrus, “Bangerz”
Ariana Grande, “My Everything”
Katy Perry, “PRISM”
Ed Sheeran, “X”
Sam Smith, “In the Lonely Hour”

Agora confira as análises!

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