Será que existe mesmo a “maldição do quarto álbum”?

Fazer sucesso é um desafio que não começa só quando você lança o CD ou sai em tour. Às vezes, você não passa nem do primeiro single, ou é one-album wonder; mas geralmente pra chegar lá, é um percurso em que você precisa saber quem é musicalmente, ser inteligente, ouvir os mais experientes; e talvez engolir muito sapo (quer dizer, engolir as exigências da gravadora) até ter liberdade para ser “você” como artista.

Geralmente, quando o artista passa do primeiro CD, o segundo álbum é o desafio de mostrar que tem fôlego para resistir aos tubarões da indústria. Já o terceiro CD é, no geral, uma continuidade do sucesso e sedimentação do artista, que às vezes assume alguns riscos, mas nunca sem sair de sua zona de conforto. O quarto álbum, por sua vez, acontece num momento em que o artista, confortável com sua posição, decide que é hora de fazer algo “diferente”.

E é aí que ocorre a merda…

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Indicados ao Video Music Awards 2017 [2] Melhor Colaboração

A categoria de “Melhor Colaboração” no Video Music Awards surgiu em 2007 com o nome de “Most Earthshattering Collaboration”, o que quer que esse troço signifique (foi naquele ano em que todas as categorias tiveram os nomes modificados), e durou apenas aquela edição. Esse award sumiu por dois anos seguidos e voltou a ser premiado em 2010, prosseguindo até hoje.

Num século em que colaborações entre artistas são essenciais para o sucesso de determinadas faixas – e ainda ajudam a lançar novos nomes na cena, essa categoria acaba se tornando uma das indispensáveis dentro do VMA (e por consequência, em outros awards importantes de música). Por isso, a categoria este ano me parece tão confusa e com possibilidades interessantes de vitória.

(que parecem anticlimáticas pensando que “Despacito” não foi indicada e um vídeo com TRÊS BILHÕES DE VISUALIZAÇÕES foi ignorado)

Primeiro, os indicados:

BEST COLLABORATION
Charlie Puth ft. Selena Gomez – “We Don’t Talk Anymore”
DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts”
D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli”
The Chainsmokers ft. Halsey – “Closer”
Calvin Harris ft. Pharrell Williams, Katy Perry & Big Sean – “Feels”
Zayn & Taylor Swift – “I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker)”

Maior favorito: o maior sucesso tem mais chances, e da lista que a MTV ofereceu, quem tem mais chances de ganhar o Moonperson (o nome do troféu mudou, partindo da nova abordagem da emissora com prêmios não mais separados por gênero) é seguramente “Closer“, do The Chainsmokers com a Halsey. Apesar de “antigo” em relação aos outros indicados, a música foi um dos maiores hits do ano passado, e mesmo tendo sido lançado após o boom da música (e não antes do estouro, para ajudar a hitar, como geralmente acontece), o clipe foi bem produzido e tem uma historinha que faz algum sentido em relação à letra. É o natural favorito, mesmo que em relação à fanbase, tenham outros concorrentes mais fortes ao prêmio.

Mas lembre-se sempre: você até vota, mas quem dá o prêmio é a MTV.

(minha nossa, esse moço do Chainsmokers é péssimo cantando)

Concorrentes“I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker)” chegou ao #2 na Billboard, tem dois artistas com fandom grande (apesar do Zayn não ter alcançado nada com aquele single derivativo “Still Got Time”) e além da música ser muito boa, o vídeo tem uma ambientação e uma sensualidade sutil que vale a pena acompanhar até o fim. Na verdade, a “sensualidade sutil” fica por conta do britânico, que até parado num elevador é sexy, e cuja voz funciona MUITO bem na música – é impressionante o quanto o vocal juvenil da Taylor, com leves vibrações country, fica deslocado numa faixa R&B-influenced. Mas é um belo vídeo, que vende tanto a música quanto a ideia sensual do filme (Cinquenta Tons Mais Escuros) e a música fez sucesso. A diferença entre essa faixa e “Closer” é que Zayn e Taylor tem fandom suficiente pra votar até cair o dedo – e de certa forma, é mais um round do feud entre Taylor e Katy nessa categoria, né?

(esse Zayn é um negócio, viu?)

“Wild Thoughts” conseguiu chegar ao #1 no iTunes, chegou a #2 na Billboard Hot 100. Ou seja, é hit (e a MTV procura justamente isso em seus vencedores, não importando a qualidade do vídeo), e afortunadamente, tem um bom vídeo, que não é uma Brastemp (basicamente é a Rihanna sensualizando e andando num cenário tropical com looks fashion matadores, DJ Khaled gritando DJ KHALED e o Bryson Tiller em outro lugar do vídeo, iluminado por luzes quentes), mas é recente e tá na memória coletiva, o que ajuda bastante nas votações e na escolha final da emissora para entregar o Moonperson. A Navy é sempre sedenta em premiação com escolha do público e quem não quer ver o Asahd subir com o pai pra receber mais um brinquedinho, né? A única implicação do vídeo é ser muito recente. Há hits maiores e mais longevos que merecem ser lembrados (e já que não tem “Despacito”, né…). Classifico como azarão aqui, com menos chances que por exemplo, “I’m The One” na categoria de hip hop.

(esse sample é muito bem colocado na música, impressionante)

Agora, como a gente sabe que a MTV é sacana, não duvide de que ela esqueça qualquer lógica e dê o prêmio de Melhor Colaboração para “Feels” do Calvin Harris/Pharrell/Big Sean/Katy Perry apenas pelo fato da Katy ser a host e a concorrência aqui estar menos complicada que em Best Pop, onde tem MUITO artista com fandom grande disposto a votar até o fim dos tempos. Marque minhas palavras.

E vocês, o que acham? Quem vai levar essa categoria?

 

As narrativas do Grammy [3] Gravação do Ano

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No Big Four do Grammy Awards, as narrativas nunca estão sozinhas, elas dependem dos entrechos de outras categorias. Quem ganha em seus fields nas categorias de song/performance tem mais chances aqui; e discutindo os álbuns, quem leva o field tem meio caminho andado para o principal prêmio.

Falando em Gravação do Ano, que celebra as melhores produções do período de elegibilidade, trata-se de uma categoria onde os grandes sucessos se encontram. Mas também temos narrativas aqui, e 2015-16 foi um momento em que as bolhas social e musical se mesclaram de uma maneira surpreendente especialmente no big 4 – o  que pode criar algumas narrativas e divisões interessantes (ou surpresas imprevisíveis) no grande dia. Algumas dessas narrativas continuarão resistindo, outras não.

Hora de falar dos indicados, com análise após o pulo:

GRAVAÇÃO DO ANO:
“Formation” – Beyoncé
“Hello” – Adele
“7 Years” – Lukas Graham
“Work” – Rihanna Feat. Drake
“Stressed Out” – twenty one pilots

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As narrativas do Grammy [2] Melhor Performance Pop por um Duo ou Grupo

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A categoria de Performance Pop por Duo ou Grupo é sempre um espaço onde os grandes hits se encontram, já que a narrativa mais recente do pop acabou girando em torno das colaborações (e curiosamente, esse encontro entre as categorias antigas – Colaboração Pop com Vocais e Melhor Performance por um Duo ou Grupo com Vocal, junto com a categoria instrumental – é algo que fez mais sentido que juntar as categorias de gênero numa só), e como esses encontros fizeram sucesso e lançaram carreiras (a trajetória de um dos últimos vencedores nessa categoria se deu justamente por causa de um featuring). Por isso, é sempre interessante ver quais são os nomes que aparecem aqui no corte final do Grammy, especialmente porque durante as minhas previsões, essa categoria era algo tranquilo que virou uma grande confusão… E cujo candidato favorito da pessoa que vos escreve mal chegou na lista final.

Pois bem, diante de grandes hits que dominaram um ano curioso, em que lembramo-nos muito mais dos artistas como entidades únicas do que das colaborações entre eles (sorry, mal me recordo da dupla Closer), o hit com envolvidos mais poderosos da indústria pode ser o vencedor natural da categoria.

Por isso, a narrativa aqui é: quem tem chances de tirar o Gramofone das mãos de Rihanna e Drake?

Primeiro, os indicados:

Best Pop Duo/Group Performance
“Closer” – The Chainsmokers Featuring Halsey
“7 Years” – Lukas Graham
“Work” – Rihanna Featuring Drake
“Cheap Thrills” – Sia Featuring Sean Paul
“Stressed Out” – Twenty One Pilots

Agora, a análise!

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Indicados ao VMA [6] COMBO DE CHANCES

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Hoje é dia de tretas, polêmicas e grandes apresentações, o Video Music Awards 2016! Já sabemos que Britney Spears vai se apresentar, Beyoncé também, Rihanna vai ganhar o Vanguard Award (prêmio que homenageia grandes nomes que contribuíram de forma inovadora com os videoclipes) e terá tempo para fazer uma apresentação marcante; além do Kanye West com quatro minutos pra fazer o que quiser.

Por isso, já esperando o começo da premiação, a partir das 21h, hora de fazer um último post sobre os indicados, desta vez falando das chances de vitória nas três categorias que restam para serem discutidas – o que eu chamei de COMBO DE CHANCES. Afinal de contas, tô juntando três categorias num post só 😉

Confira tudo após o pulo!

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Indicados ao VMA [2] – Melhor Colaboração

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A categoria de Melhor Colaboração do Video Music Awards surgiu com o nome de Most Earthshattering Collaboration (algo como Melhor Colaboração que fez a Terra tremer), em 2007, ano em que a MTV tentou inventar moda com novos nomes para as categorias na busca por atualização. A primeira vitória foi de Beyoncé e Shakira, com “Beautiful Liar” (o vídeo em que fizeram as duas divas ficarem idênticas). Dois anos após a categoria ficar fora das indicações, retorna com o nome que conhecemos hoje, e os vídeos mais bombados e grandes sucessos são indicados e vencem. Afinal de contas, o século XXI é o século das parcerias, featurings e encontros musicais na popsfera.

Vídeos clássicos, polêmicos e bem produzidos já levaram o Moonman (“Telephone”, “Bad Blood” e “Drunk in Love”) e este ano temos uma seleção bem sortida de clipes pop honestos, trabalhos de alto nível e o velho clipe preguiçoso de DJ. O negócio aqui é que, ao contrário de outros anos, em que o fator sucesso colaborava para a escolha dos vídeos – e às vezes clipes pouco interessantes ganhavam em anos sem inspiração (“E.T” em 2011) porque eram grandes hits – aqui, além do sucesso, outro fator pode contribuir para a escolha da MTV em premiar determinada colaboração: a massa de fãs votando.

Primeiro, confira os indicados:

Melhor Colaboração

Beyoncé feat. Kendrick Lamar – “Freedom”
Fifth Harmony feat. Ty Dolla $ign – “Work From Home”
Ariana Grande feat. Lil Wayne – “Let Me Love You”
Calvin Harris feat. Rihanna – “This Is What You Came For”
Rihanna feat. Drake – “Work”

A análise segue após o pulo!

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Design de um top 10 [31] Montanha russa do pop

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A vida está uma loucura – só não tanto quanto o sobe e desce nos charts da Billboard. Nas últimas semanas, finalmente o domínio barbadiano da Rihanna foi interrompido pelo rapper Desiigner, com Panda; além do (finalmente) primeiro #1 solo do Drake, com “One Dance”, depois a faixa do Justin Timberlake para a animação “Trolls”, “Can’t Stop The Feeling”; e agora, já temos duas semanas seguidas de Drake no topo. UFA!

Para que vocês entendam o motivo do título do “Design de um Top 10” desta semana, eu decidi fazer algo de diferente: falar dos três #1 que tiraram “Work” do jogo – e da Rihanna, conseguindo fazer do limão uma limonada (desculpa pelo trocadilho, Bey), com o ANTI.

 

Top 10 Billboard Hot 100 (11.06.2016)

#1 One Dance – Drake
#2 Panda  – Desiigner
#3 Can’t Stop the Feeling – Justin Timberlake
#4 Work From Home – Fifth Harmony
#5 Don’t Let Me Down – The Chainsmokers feat. Daya
#6 7 Years – Lukas Graham
#7 I Took a Pill In Ibiza – Mike Posner
#8 Dangerous Woman – Ariana Grande
#9 Needed Me – Rihanna
#10 Work – Rihanna feat. Drake

Drake gifPode continuar as dancinhas toscas, Drizzy! Depois de bater na trave com “Hotline Bling”, finalmente Drake está dominando o topo do Hot 100, com “One Dance”, single do álbum “Views”. Líder nas rádios, está em segundo nos charts de Stream e em segundo no chart digital (em primeiro está o monstruoso hit do Timberlake), e é uma das músicas mais populares de serviços como o Spotify. A faixa é exatamente o que tá bombando hoje – dançante, com pegada tropical pop e o Drake cantando, mais pop do que nunca. Com o desempenho da música nos charts, está longe de chegar ao peak. E olha que o moço nem clipe da música lançou!

 

O ex-#1 que surpreendeu todo mundo quando alcançou o topo foi o rapper Desiigner, com a faixa “Panda”. Em Desiigner gifprimeiro lugar nos charts de rap, a faixa continua dominando os streams, enquanto se mantém na terceira posição nos charts digitais e em 12º nas rádios. Essa posição super baixa de airplay se explica: ao contrário da super pop “One Dance”, “Panda” é aquele rap que parece feito de improviso, todo sobre uma base musical, e lançado numa mixtape qualquer. Só não dá pra chamar de “freestyle” porque o “panda” se repete várias vezes no meio da música. A faixa do Desiigner é um viral daqueles, graças especialmente à força dos streams, que dão voz a artistas que as rádios mais tradicionais ou crossover jamais dariam hoje em dia.

 

Justin Timberlake gifO terceiro lugar no hot 100 estreou em #1 – e apesar da chegada meteórica, só faz crescer. “Can’t Stop The Feeling”, do Justin Timberlake, ainda lidera nos charts digitais (agora tá vermelhinho no iTunes, mas a música vinha se mantendo muito bem há três semanas); sem contar as subidas respeitáveis nas rádios e a receptividade da música nos streams. Amparada pelo filme “Trolls” (em termos, porque o filme só estreia em Novembro) e pela popularidade do artista, que estava sem lançar álbuns desde 2013 (três anos não se comparam, no entanto, ao hiato de SETE ANOS entre o “FutureSex…” e o “20/20 Experience” – e a minha preguiça de escrever os nomes completos desses álbuns haha) e é sempre uma presença esperada. A música é outra candidata a hit do verão – é pop, fun, fresh e tem uma pegada anos 80 que me lembra vagamente o trabalho que o Max Martin fez com o The Weeknd no “Beauty Behind the Madness”. Lembra quando comentei que o Midas do pop estava começando a se repetir? É que eu estava falando justamente dessa música.

 

Agora é hora do “queimando minha língua awards”: eu lembro que tinha falado super mal de “Needed Me”, single Rihanna Gif Needed Medo “ANTI”, aquele álbum da Rihanna que eu acho insuportável. Pois é, eu falei que a música não tinha potencial de hit, era repetitiva e sem graça. Pois é… Não é que ao invés da “super com potencial de sucesso” “Kiss it Better” é um “super flop” enquanto a “água de salsicha” é um hit massivo? Nunca duvide do poder de Rihanna em ser uma hitmaker… A faixa conseguiu um novo peak (#9 na Billboard), se mantendo apenas com o vídeo dirigido por Harmony Korine, além do streams do Spotify e os outros serviços, já que as rádios tocam bastante, mas com menos alarde que “Work” (“Needed Me” é mais urban para as rádios pop que “Work”, que apesar de suas limitações é no ritmo do que tá bombando) e a música está em #21 no iTunes, bem longe dos atuais hits que dominam o cenário. É mais um top 10 na conta da barbadiana, num álbum onde eu não esperava que ela arrancasse mais nada de relevante além do lead single.

E você, o que achou da movimentação nos charts desta semana? Comente ouvindo o #1 do Hot 100, Drake!

QUERO MUITO: Rihanna, “Kiss It Better”

Rihanna video Kiss It Better

Já comentei aqui o quanto eu não gosto do “ANTI”, o novo álbum da Rihanna, numa série de posts que geraram reações bem específicas na caixa de comentários do Facebook. A opinião contrária é sempre bem vinda, e discutir faz parte do jogo democrático. Mas eu sempre achei “Kiss It Better”, a cota mais pop rock que sempre tem nos álbuns da RiRi, uma das highlights do álbum, e uma faixa com pegada comercial para ser single – considerando que o CD não é exatamente uma máquina de hits, como as outras aventuras da barbadiana.

Por isso, eu fiquei muito feliz quando soube que essa faixa seria lançada como música de trabalho – e quando o clipe foi lançado, não foi apenas felicidade que eu senti. Foi uma sensação de: CA-RA-LHO. Quero essa mulher pra mim. Quero ser ela. Free the nipple. Saudades vida amorosa. Que vídeo maravilhoso. Que vídeo maravilhoso!

Lembra que eu falei no vídeo da Ariana Grande que sensualizar num vídeo sem muitos recursos de produção, dependendo do magnetismo do artista, era algo pra poucos? Então, Rihanna dá uma aula no vídeo de “Kiss It Better” que é pra ser usado como estudo de caso na aula de Vídeo Pop Feminino 101. Confira:

O vídeo é em preto e branco e apesar de termos um visual bem nítido do piercing e dos seios da Rihanna, todo o resto é surpreendentemente implícito. Você só saca o prazer, a excitação, a dor e a expectativa pelo jogo de corpo, a edição do vídeo e as expressões da RiRi. O magnetismo dela e o poder que ela tem sobre o próprio corpo são tão grandes que dá pra notar o amor que a câmera tem pela Rihanna, mesmo que a barbadiana não passe o vídeo todo olhando na direção dela.

Esse magnetismo passa pra gente – porque a gente quer olhar mais, quer continuar observando, sendo seduzido e apaixonado pela Rihanna, ao som de uma música com uma melodia que convida mesmo a “making love”. Uma fuck music de primeira categoria, que dá vontade da gente apertar replay, mesmo o vídeo não tendo nada demais – só Rihanna, poucas roupas, muita sedução e tudo em preto e branco. Mas se você for RIHANNA, apenas isso basta pra fazer algo épico. Só ela – e umas poucas – pra segurar um vídeo assim.

Apenas uma pergunta: qual é a história daqueles dados? Cadê os little Monsters com as teorias, obrigada!

Design de um top 10 [29] Bora trabalhar

Depois do Grammy, é hora da gente dizer finalmente que “2016 já começou”. E começou mesmo, com Justin Bieber continuando a dominar os charts com “Love Yourself”, Zayn (aquele que foi embora do One Direction) se mostrando uma força a ser reconhecida com o single solo “Pillowtalk” (inspirado naquele som altR&B do The Weeknd com resultados mistos na minha cabeça) e agora, uma lenda trabalhando (quase nada) para colocar seu nome entre os grandes.

Esta semana, Rihanna e seu amigo colorido Drake chegaram ao #1 com “Work”, o real primeiro single do ANTI, aquele álbum da barbadiana que chegou, deu um brilhinho e sumiu como poeira no deserto. Apesar da divulgação confusa, com direito a até apresentação no Grammy cancelada, a faixa tropical chegou à liderança sem promo, sem apresentação, e sem o clipe (que estreou nesta segunda-feira, num esquema pague um e leve dois, já que você tem duas “versões” de “Work”: a jamaicana com twerk, mais sensual; e uma só com a RiRi e o Drake fazendo o casal apaixonado num cenário rosa.)

Mas, por que a música teve tanta força pra chegar à liderança, mesmo contra todas as expectativas? Hora de conferir no nosso Design de um Top 10!

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Top 10 Billboard Hot 100 (05.03.2016)

  1. Rihanna feat. Drake – “Work”
  2. Justin Bieber – “Love Yourself”
  3. twenty one pilots – “Stressed Out”
  4. Justin Bieber – “Sorry”
  5. Flo Rida – “My House”
  6. Zayn – “Pillowtalk”
  7. Adele – “Hello”
  8. G-Eazy feat. Bebe Rexha – “Me, Myself & I”
  9. The Chainsmokers – “Roses”
  10. DNCE – “Cake By The Ocean”

 

Rihanna Gif Work Rihanna não ia ficar muito tempo sem um hit – e “Work”, o real primeiro single do ANTI, é o hit pronto que a barbadiana estava precisando para manter o nome quente na mídia, após a confusão com as músicas trabalhadas ano passado, que não caíram na boca do povo como (eu acho que) ela esperava. Apesar de não ser exatamente aquela brastemp, a faixa em parceria com o Drake é chiclete e pop o suficiente para ganhar o interesse do grande público – e de certa forma, a Rihanna hitmaker é a encarnação mais interessante da legend in making.

O segredo para esse #1 sem promo, sem vídeo (já que o clipe foi lançado hoje, e creio eu vai ajudar a manter a música mais uma semana em primeiro) e sem sequer uma apresentaçãozinha na Ellen foi o crescimento da música nos Streams (já que a música está em todos os serviços – e não apenas no TIDAL); a estabilidade no iTunes (atualmente, a faixa está em #2 no chart, mesmo com as chegadas e saídas das faixas do Bieber e do Zayn, além do fator Flo Rida) e chegou ao top 10 das rádios (onde ela sempre foi queridinha). A música está em plena ascensão, e a moça nem se mexeu pra divulgar a faixa.

Mas quando eu falo de “legend in making”, eu falo do fato da Rihanna ter chegado ao décimo-quarto #1 na Billboard – DÉCIMO. QUARTO, o que significa que RiRi já passou Michael Jackson e está galopando em direção a Mariah Carey, que atualmente tem 18 #1, e os Beatles, que tem 20. Ou seja, ela tem chance de engolir essas lendas da música – como já engoliu e digeriu forças como Whitney Houston, Stevie Wonder e Janet Jackson em basicamente dez anos (desde o seu primeiro #1, lááááá em 2006, com a deliciosa “SOS”) – porque a menos que alguém descubra um single perdido dos rapazes de Liverpool e lance do nada, e a Mariah lance um single em parceria com a ADELE, me parece complicadíssimo manter essa primazia por muito tempo.

 

Um dos players que sempre dá medo no jogo dos #1’s no Hot 100 é o Flo Rida. O rapaz, até chegar a ADELE, tinha o Flo Rida Gifrecorde de debut digital de 636.000 vendas (isso em 2009, quanto tempo tivemos que remar pra chegar até aqui), e em toda era, sempre emplaca pelo menos um #1: Low (2007, no debut album “Mail On Sunday”); “Right Round” (o ex-recordista, em 2009, com o segundo CD “R.O.O.T.S.”);  e “Whistle” (2012, no quarto CD, “Wild Ones”). Só no “Only One Flo (part 1)” que o melhor desempenho foi com “Club Can’t Handle Me”, que chegou à nona posição. Mas mesmo assim, o homem consegue hits com uma facilidade impressionante, e sempre essas músicas extremamente grudentas de verão.

A próxima ameaça de ficar na nossa memória até março do ano que vem é “My House”, bem menos eletropop que outros singles do Flo Rida, e com uma pegada urban pop bem vinda (eu já tô cantando sem querer o refrão, sorry). A música já conquistou o público – onde o Flo Rida é fortíssimo, o digital, ele está em primeiro – está crescendo nas rádios (oitava posição) e se encontra na nona colocação dentro dos charts de stream. Ou seja, está crescendo bastante, bem longe de chegar no peak, e mesmo com players fortíssimos nessa equação (quase que “Love Yourself” não deixava a RiRi ser primeiro), não duvide de que o Flo Rida emplaque o quarto #1 da carreira. O poder desse homem dá medo!

 

DNCE gifMas quem chegou sem querer, de pouquinho em pouquinho, sem chamar muita atenção, mas se tornando parte da história, foi o Joe Jonas. É, ele mesmo, o outro Jonas Brother que não é o Nick; que se lançou na carreira solo e flopou miseravelmente, retornando como parte de uma banda pop despretensiosa chamada DNCE e que agora chega ao top 10 com a igualmente despretensiosa “Cake By The Ocean”. Aquele popzinho gostoso, simples, com um groovezinho de guitarra e uma levadinha funkeada que lembra bem de longe o Maroon 5, e que mostra o Joe Jonas funcionando bem melhor como membro de banda do que act solo.

O crescimento da música foi lento, mas conquistando os ouvidos do grande público e chegando à décima-primeira posição nos charts de Streaming; 14º no chart digital e a mesma décima-quarta colocação nas rádios. Tudo muito calmo, em comparação aos outros pesos-pesados no top 10, mas a faixa tinha sido lançada em Setembro do ano passado. Considere a situação: ex-membro de boy band juvenil que flopou em carreira solo que mal nasceu se lança numa banda de pop rock com sonoridade que nada tem a ver com nada que ele tinha feito nos dois estágios iniciais da carreira. Lança o single sem muito alarde, crescendo aos poucos com promos específicas em programas de TV e muita apresentação em casa de show e boca a boca (eu até desconto as antigas fãs do Jonas Brothers porque se elas entrassem na equação a DNCE já seria um sucesso estrondoso assim que o Joe Jonas criasse a conta no Instagram).

O segredo aqui foi ter remado e acreditado numa boa música. Se o ano será mais dançante para a banda? Boa pergunta, mas é hora de aproveitar o sucesso que é merecido – e o lugarzinho na história, já que com “Cake By The Ocean” Joe se torna o terceiro artista a conseguir top 10 no Hot 100 como solo e com dois grupos – em 2008, ele conseguiu duas vezes com os Jonas Brothers em “Burnin’ Up” e “Tonight”; e no mesmo ano entrou em nono lugar com a Demi Lovato pela música “This Is Me”, trilha sonora do filme “Camp Rock”, da Disney. Quem são os outros artistas que adoram variedade de parcerias? Jimmy Page, com top 10 nas bandas The Yardbirds, Led Zeppelin e The Honeydrippers, além de um top 10 solo como featuring do Puff Daddy (!) em “Come With Me” (#4, 1998); Paul McCartney, um homem cheio de amigos – 34 top 10 com os Beatles; 14 com o Wings e 17 solo; Paul Carrack, solo e com Ace e Mike + the Mechanics; Johnny Gill – solo, New Edition e LSG;  e Donny Osmond, solo e com o the Osmonds e Donny & Marie. UFA! 

Você ainda não ouviu “Cake By The Ocean”? Então dê play no clipe pra conferir!

Com informações do billboard.com

Janeiro mal começou e temos um candidato a pior álbum do ano

anti coverEu juro que tentei. Juro que fui de peito aberto, esperando que, mesmo com os adiamentos e a mudança no primeiro single, a Rihanna lançasse um ANTI que sobrevivesse à promessa de um grande álbum, de um diferencial na carreira de uma das maiores hitmakers do século XXI. Uma cantora que, após dez anos de uma carreira bem sucedida, decidiu sair da zona de conforto e experimentar, ousar mais em seu som.

Mas as previews tinham me desanimado completamente sobre o trabalho da Rihanna. Parecia tudo muito bagunçado e desinteressante, sem contar com a decepção proporcionada pela faixa lançada como verdadeiro primeiro single do “ANTI”, “Work”. E com o vazamento do CD nesta quarta-feira, a impressão de desinteresse aumentou e se ampliou para um total choque. Entenda o porquê neste track-by-track.

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