Outros hits dos anos 2000

Como alguns de vocês que acompanham o blog devem saber, eu sou uma cria dos anos 90 – novelas da Thalía, Bambotchan, Boquinha da Garrafa, prova da Banheira do Gugu, Só pra Contrariar e Disk MTV com Britney e Christina. Apesar de ter sido exposta ao pop ainda criança, influenciada por minhas primas que assistiam religiosamente à MTV, só depois de 2005 que realmente tive uma espécie de “despertar da cultura pop”. A minha relação com tudo que surgiu após esse ano tem um misto de nostalgia, proteção e vergonha alheia; enquanto tudo aquilo entre 2002 e 2004 eu vejo com um olhar mais distante e crítico, porque nessa época, eu conhecia os artistas famosos graças às conversas com os colegas, as músicas que o pessoal trazia pra escola no famigerado MICRO SYSTEM (smartphone e Spotify não existiam nessa época), ou o que tocava na novela. Ou seja, foi tudo muito mainstream e de segunda mão, e baseado nos sentimentos e gostos de outras pessoas – o que me ajudou a ter uma visão mais objetiva sobre o mundo pop quando se fala dos grandes nomes desse período.

Ao mesmo tempo, por ter “despertado” lá para os 15 anos, e não ter sido stan de ninguém com muito afinco (simpatizava e curtia muito um ou outro artista, até comprava CD; mas nada como hoje em dia, que tenho várias revistas, álbuns com versões deluxe, pôster no quarto e fui a show), só fui me tornar fã de verdade mais tarde – com 19/20 anos, quando pra muita gente essa vivência é amplamente sedimentada. De certa forma, sou uma stan bem pé no chão e não tenho medo de fazer críticas quando necessário.

Por isso, eu acabo me lembrando do que houve no pop na década de 2000 pensando nos superstars que bombaram no período; e nas músicas que apareciam volta e meia no MTV Hits, ou no comercial da Globo FM, que sempre contava com as clássicas baladas anos 90 e uma ou outra uptempo; e por essa mesma razão – pra me lembrar de clássicos esquecidos, one hit wonders e músicas de uma década em que tudo aconteceu e tudo foi testado – que este post foi criado.

A ideia de Outros hits dos anos 2000 é não ir atrás do Timberlake, Britney, P!nk, Beyoncé ou Rihanna. Aqui eu vou atrás de quem bombou num período e depois flopou, one hit wonders, músicas que eu aposto que você conhece, mas nunca ligou o nome à pessoa, ou mesmo os primeiros singles de artistas que hoje estão em todo canto (mas que não são os supracitados). A playlist completa você confere no Spotify, enquanto aqui você confere os alguns destaques.

Dê um pulo e aproveite a viagem!

Continuar lendo

Anúncios

Lançamentos da semana [1] Zayn, Iggy, Guetta, Kendrick

Neste final de semana, vários lançamentos de singles agitaram a popsfera, que está com um 2017 meio lento. O álbum pop mais bem sucedido foi o do Ed Sheeran (praticamente um anticlímax) e a primeira megastar de vulto a fazer seu comeback, Katy Perry, virou praticamente um não-evento (falarei mais sobre ela na hora oportuna). Por isso, exceto pelos suspeitos de sempre que já vem emplacando seus hits desde o ano passado (Chainsmokers, Bruno, a Gaga – se escolher bem o próximo single), quem pode ter em mãos o próximo hit que vai embalar o verão americano – ou ser a música-tema de 2017?

Vamos aos candidatos:

Zayn feat. PARTYNEXTDOOR – “Still Got Time”

Pois é, parece que alguém é mesmo one hit wonder. O primeiro single do segundo álbum do britânico é outro não-evento. O choque maduro e intrigante de alt-R&B que foi “PILLOWTALK” foi substituído por essa letfover do Drake com trend tropical que ninguém aguenta mais. “Still Got Time” é bem qualquer coisa, apesar do refrão repetitivo, e eu realmente esperava mais, porque o “Mind of Mine” é um excelente álbum de estreia para um ex-membro de boyband.

Por enquanto, a música está penando um pouco nas plataformas – creio ter duas razões pra isso: primeiro, o estouro de “PILLOWTALK” (que fez muita gente acreditar que o Zayn fosse um celebrado hitmaker) veio na esteira da separação do rapaz do One Direction, e meio que tava TODO MUNDO esperando o que ele ia aprontar (só que o buzz do #1 se perdeu com a pouca divulgação, gerada pelo problema de ansiedade que ele tem, o que é absolutamente compreensível); e segundo, o buzz da volta do Zayn foi eclipsado pelo próprio sucesso da faixa dele com a Taylor Swift pro “Cinquenta Tons Mais Escuros”, que é um hit ainda quente nas paradas. Dava pra esperar um pouco mais.

Chances de sucesso? A música é da trend, né (DENISE EU NÃO AGUENTO MAIS), e o featuring é com um artista em ascensão na cena urban, o que garante streams e audições em rádios do gênero. Além disso, a música tem uma certa pegada de “playlist ‘pegue uma praia’ do Spotify”, o que pode ajudar com ouvintes casuais ouvindo a faixa em listas de reprodução. Ou seja, há chance de sucesso, mas depende muito da divulgação e se o público ainda é capaz de abraçar esse tipo de sonoridade, que já está saturando os nossos ouvidos.

Iggy Azalea – “Mo Bounce”

Pra quem tá cansado de conceito (já viu que a popsfera tá toda conceitual-quero-ser-séria?), tinha que ser Iggy Iggz pra trazer a farofa! Depois do fracasso de “Team” (que era até boazinha) e vários adiamentos e músicas avulsas lançadas, Iggy Azalea lança o que provavelmente deve ser o primeiro single do novo CD (que ainda vai se chamar “Digital Distortion”) e ainda com o clipe, misturando twerk, Iggy fazendo carão e crianças fofas dançando ao som da música (sim, estou falando sério, aperte play e veja).

“Mo Bounce” não tem nada demais, aliás, deve ser o material mais fraquinho que ela já lançou, mas a batida meio eletrônica meio urban é perfeita pra dançar na pista até o dia amanhecer. Tem pinta de música do verão, viral e hit no Spotify…

No entanto, se fosse com outra rapper, essa faixa seria o maior sucesso – mas a imagem da Iggy está tostadíssima. E eu até acho que o momento dela já passou, mas talvez com um bom jabá e performances nos lugares certos, pode chegar ao top 10 da Billboard.

 

David Guetta feat. Nicki Minaj e Lil Wayne – “Light My Body Up”

Segura a farofa! David Guetta está de volta com a trilha sonora da sua balada com “Light My Body Up”, parceria com Nicki Minaj e Lil Wayne, um EDM dentro da moda atual de ser mais stripped down do que upbeat até entupir a gente de Yoki. Desta vez, as batidas tem uma pegada mais trap, o que é bem-vindo, e é impressionante como a Nicki funciona bem com o material do Guetta.

Clássica música que fica ótima ouvindo na balada, academia (mas nunca numa audição aleatória enquanto você está no meio do engarrafamento num busão lotado), novamente traz a Nicki num vocal processado (o que é uma pena, porque a singing voice dela é bem cativante), tanto que em alguns momentos eu fico na dúvida de que ela canta todos os versos mesmo (Bebe Rexha situation); assim como os versos nonsense do Lil Wayne (sério, ainda preciso entender a função dele na faixa) estão cheios de efeito – mas pra quem ouviu aqueles singles rock do “Rebirth”, os ouvidos estão acostumado. Ou seja… é farofa? é. Tem jeito de hit? com certeza.

Kendrick Lamar – “The Heart Part 4”

ALGUÉM ANOTOU A PLACA DO CARRO? Que atropelo é esse, meus irmãos? Durante a semana, Kendrick Lamar já tinha dado uma “dica” de algo novo com o post dele no Instagram mostrando o número “IV” num fundo preto, mas quem imaginava que isso ia acontecer? “The Heart Part 4” é mais uma faixa da “The Heart” series que o K-dot sempre lança, ora como faixa avulsa, ora como parte de mixtape. Essa faixa, que sampleia James Brown e Faith Evans, é um tiro de bazuca maravilhoso que mostra – o homem tá de volta, e vem pra derrubar forninhos. Diss no Drake e no Big Sean, muita autorreferência ao lado dos melhores (e ele pode) e críticas políticas mostram que o próximo material do Kendrick vem tinindo, um novo clássico chegando.

Eu adoro como a música vai numa ranting sem parar, e a mudança no ritmo não afeta em nada a audição, só empolga você a ouvir o que ele tá falando, e como é bom ter o Kendrick de volta pra fazer a trilha sonora do nosso zeitgeist. A gente precisa ouvir K-dot falar, 2017 precisava dele e nem sabíamos disso. E o povo estava tão sedento por ele que a faixa chegou ao #1 do iTunes quando foi lançado ❤ imagina quando chegar dia 07 de Abril, porque ele deixou registrado no fim da música que “Y’all got til April the seventh to get y’all shit together”

CORRE DRAKE

E aí, qual dessas quatro músicas você curtiu mais?

Previsões para o VMA 1: Melhor Colaboração

Hoje começo as análises dos indicados ao Video Music Awards 2014, a premiação mais esperada para quem curte música e cultura pop. Os vídeos mais bombados do ano (que não necessariamente são os melhores, o que provoca uma quantidade louca de stanwars) são indicados, e como a MTV gosta de buzz para seus awards, a votação aberta para o público é a oportunidade de chamar mais audiência e – claro – acontecimentos para o VMA. A emissora deve estar ansiosa por mais babado e confusão, como foi a Miley ano passado.

Este ano, uma das categorias que prometem ser uma disputa entre um dos grandes hits do verão, “Problem”, das it-girls do momento, contra Beyoncé e seu esposo em “Drunk in Love”, é a de Melhor Colaboração. Mas será que os outros indicados tem chances ou as duas primeiras merecem o Astronauta?

Primeiro, os indicados:

Melhor Colaboração
“Problem” – Ariana Grande feat. Iggy Azalea
“Drunk In Love” – Beyoncé feat. Jay Z
“The Monster” – Eminem Feat. Rihanna
“Dark Horse” – Katy Perry feat. Juicy J
“Loyal” – Chris Brown Feat. Lil Wayne & Tyga
“Timber” – Pitbull Feat. Ke$ha

Agora é hora da análise – clique em continuar lendo!

Continuar lendo

Design de um top 10 [3] Tem gente nova na área

O top 10 da Billboard tem novidades! Apesar do monster hit “Happy” ainda permanecer pela nona semana em primeiro lugar no Hot 100, dois novos players estão chegando nas dez primeiras posições mais importantes do chart. Um deles está fazendo bonito tanto nas rádios quanto no digital – e associado ao seu nome forte na indústria, pode ser um dos hits do verão.

Top 10 Billboard Hot 100 (03/05/2014)

1. Pharrell Williams – Happy
2. John Legend – All Of Me
3. Jason Derulo – Talk Dirty
4. Katy Perry – Dark Horse
5. Idina Menzel – Let It Go
6. Bastille – Pompeii
7. DJ Snake & Lil Jon – Turn Down For What
8. Justin Timberlake – Not A Bad Thing
9. Chris Brown – Loyal
10. Lorde – Team

Enquanto Pharrell e seu chapéu, John Legend, Idina Menzel e Bastille se mantiveram em suas posições, Jason Derulo trocou de posições com Katy Perry, Lorde dá adeus com “Team” e um dos prováveis sucessos do verão americano (“Turn Down For What”) já colocando suas asinhas de fora. Apesar dessas pequenas e marcantes mudanças, a maioria dessas canções – exceto pelo single do DJ Snake – já estão em fim de carreira dentro do top 10. Pharrell, apesar de dominar o iTunes, já começa a cair nas rádios, assim como Legend, Derulo e Perry (que já lançou novo single).

Mas é hora de falar de duas músicas que apareceram no top 10 e suas possibilidades de se manterem por lá durante o sempre agitado período de maio-junho-julho nos charts americanos.

 

Chris BrownEnquanto Chris Brown está preso, seu single “Loyal” (com featuring de Lil Wayne e Tyga) subiu duas posições e chegou ao nono lugar na Billboard, graças primeiramente ao desempenho no chart digital, já que a canção, o quarto single do álbum “X” (ainda não lançado) foi lançada nesse formato. A música tem duas versões (East Coast, com participação de French Montana; e a West Coast version com Too Short), além de um remix com Tyga que foi lançado nas rádios e logo depois no iTunes. Neste momento, a música tem subidas tímidas nas rádios (toca especificamente em rádios Urban) e a West Coast está em 74º no iTunes. A canção é basicamente um exemplo da tendência urban que está voltando às rádios, com uma produção bem interessante, mas com uma das letras mais escrotas que eu já ouvi, sobre “vadias infiéis” e “interesseiras”. Se você reclamou da letra de “Talk Dirty”, aquilo ali é um poema de amor em comparação à ruindade e misoginia dessa canção.

Apesar de se encontrar numa boa posição na Billboard, a canção não parece ter vida longa – principalmente se hoje em dia, pra que uma música se mantenha, deve estar muito bem nos dois charts (e a restrição da música a um tipo de rádio atrapalha). Acredito que a chance maior de sucesso de Brown pode ser pelo dueto dele com a teen sensation Ariana Grande ( o chamado featuring “limpa barra”), para que ao menos o álbum do cantor seja lançado.

 

Enquanto isso, Justin Timberlake mostra que o “The 20/20 Experience Part II” tem suas cartas na manga com o terceiro single do Justin Timberlakeálbum, “Not A Bad Thing“. Uma midtempo pop, com influências R&B e uma levada gostosa no violão, tem uma letra romântica e madura, de um cara que está disposto a conquistar o coração de uma garota desconfiada, e uma produção bem coesa com o trabalho realizado por JT nos dois álbuns. A música está com excelente desempenho nas rádios e no chart digital (ao contrário da estranheza que víamos em “TKO”, que subia assustadoramente na audiência mas tinha desempenho ruim no iTunes), e parece não estar perdendo o fôlego. Pelo contrário: há pouco tempo chegou ao top 10 do iTunes, e com a letra de apelo universal e todo o praise obtido por Timberlake no último ano, a chance de se manter durante boa parte do verão no top 10 é grande.

Eu não aposto muito numa primeira colocação porque tem algumas músicas com mais fôlego e capacidade de hitar do que “Not A Bad Thing” (fique de olho em “Fancy”, da Iggy Azealia) – e esse talvez seja o principal porém da música: apesar de ser linda e atingir a todos os públicos, ela não é tão radiofriendly quanto “Take Back The Night” (só pra citar a parte II), e após dois verões com canções lentas/indie/alternativas em #1 (2012) e ritmos retrô inspirados na música disco e no funk oitentista (2013), o público deve estar esperando algo bem mais up pra bombar lá no hemisfério norte.

 

E aí? O que acha dessas novidades no top 10? Qual dessas músicas você prefere, “Loyal” ou “Not A Bad Thing”?