Será que existe mesmo a “maldição do quarto álbum”?

Fazer sucesso é um desafio que não começa só quando você lança o CD ou sai em tour. Às vezes, você não passa nem do primeiro single, ou é one-album wonder; mas geralmente pra chegar lá, é um percurso em que você precisa saber quem é musicalmente, ser inteligente, ouvir os mais experientes; e talvez engolir muito sapo (quer dizer, engolir as exigências da gravadora) até ter liberdade para ser “você” como artista.

Geralmente, quando o artista passa do primeiro CD, o segundo álbum é o desafio de mostrar que tem fôlego para resistir aos tubarões da indústria. Já o terceiro CD é, no geral, uma continuidade do sucesso e sedimentação do artista, que às vezes assume alguns riscos, mas nunca sem sair de sua zona de conforto. O quarto álbum, por sua vez, acontece num momento em que o artista, confortável com sua posição, decide que é hora de fazer algo “diferente”.

E é aí que ocorre a merda…

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Eu ouvi a palavra “Oscar”? “Shallow”, Lady Gaga & Bradley Cooper

Impressionante o quanto os últimos anos vem sendo de grandes trilhas sonoras para filmes em Hollywood. Parece que a década de 2010 decidiu retornar aos bons tempos dos anos 80, em que faixas com forte apelo popular eram indicadas e ganhavam Oscar de Canção Original. Podemos colocar na conta de Adele, de todas as pessoas, que tornou “Skyfall” um verdadeiro evento que deu um merecido Oscar a um dos melhores filmes da franquia 007; e depois aparentemente todo mundo do pop apareceu aqui e ali lançando single pra filme, vendo se emplacava aquele Oscar – desde “Happy” (que perdeu pra masterpiece ‘Let It Go”), a emocionante “Glory”; o ano fortíssimo com “‘Til It Happens To You”, “Earned It” e uma das vencedoras mais tenebrosas dos últimos anos “The Writing’s on the Wall” (sem contar que “See You Again” merecia ter chegado até aqui); e ano passado com “Can’t Stop that Feeling”; parece que finalmente o pop voltou a tomar de assalto as categorias de Canção Original com faixas que conseguem ser mais atemporais do que aquelas que alguns artistas ficam lançando sem ser obrigação de filme.

(agora, dai a César o que é de César: quem trouxe de volta a excitação pelo  lançamento de trilhas sonoras de filmes no geral, como mais uma forma de garantir o sucesso da produção, foi justamente “Crepúsculo”, há exatamente dez anos. Até comentei sobre isso nesse post de 2015, que já merece uma atualização)

Pensando nisso, veja como 2018 promete ser outro ano FODA pra se ter músicas indicadas a Original Song. Você tem faixas que são fortes e que fazem parte de um conceito (como “All the Stars”, de “Pantera Negra”), músicas surpreendentemente de acordo com a vibe do filme (a exemplo de “Ashes” em “Deadpool 2”) e pelo que deu pra ver, aqui temos uma música que funciona como canção pop e como música dentro do filme (que evidentemente ainda não vi, e só ouvirei o resto das faixas após assisti-lo).

Estou falando de “Shallow“, primeiro single lançado da trilha sonora de “Nasce uma Estrela“.

Pop/rock anthem pra cantar junto segurando a lanterna do celular, é um tiro curto e direto no seu coração. Na segunda ouvida eu já estava cantando junto; o que indica que os compositores da faixa (incluindo Lady Gaga e Mark Ronson) sabiam exatamente que queriam algo grudento, catchy e que todo mundo se identificasse. O pop atual tá pedindo por isso, e aparentemente, é um musical que fará essa função com maestria.

“Shallow” é um MUSICÃO, com letra simples e EXTREMAMENTE EFETIVA, além de evocativa, melancólica… Não é extremamente elaborada, mas tanto a escolha das palavras e o encontro de vozes entre Gaga e Bradley Cooper (aliás, eu nem imaginava que esse homem cantava tão bem, minha gente) funciona perfeitamente (a timidez que depois explode em glória e liberdade dela; aquela melancolia e um certo cansaço e desesperança dele), o que me faz pensar em quanto o filme deve ser igualmente incrível.

Para os não iniciados, “Nasce uma Estrela” é um filme famoso cujo novo remake, dirigido pelo próprio Bradley, está na sua quarta versão, e já teve regravações com Judy Garland e Barbra Streisend. É a clássica história de um astro famoso que conhece e se apaixona por uma jovem artista iniciante, e enquanto a fama dele decai, a dela só cresce (parece o roteiro de “O Artista” também, mas ok). Confesso que achava esse novo remake uma bomba atômica (quem quer outro “Nasce uma Estrela”, e logo com um diretor novato?), mas o trailer era muito bacana e logo depois as críticas mostraram ser um dos melhores filmes do ano, com sério Oscar Buzz. Ou seja, tudo que cercar “Nasce uma Estrela” tem que ser visto com atenção.

Ainda sobre a música, tem um momento do crescendo, quando Gaga começa a vocalizar e a música vai subindo pra explodir no rock anthem e nessa hora é que ela te pega. A estrutura não é tão óbvia, mas é super sincera. E aparentemente, tem muita relação com o filme, o que para os votantes dessa categoria, é essencial.

Por último, mas não menos importante: lançar “Shallow” agora, no finzinho de setembro, e não na quinta dia 04.10, por exemplo, foi a melhor decisão da vida de quem está cuidando da divulgação desse filme, porque 

  1. tem tempo de concorrer ao Grammy 2019 (Colaboração Pop tá uma VERGONHA, essa faixa entra pra dar o mínimo de respeitabilidade àquilo – se bem que ainda tem Mídia Visual…);
  2. se é o que eu tô pensando, é a música submetida ao Oscar que vão fazer aquele buzz maior. Sempre tem uma ou duas que gostam de submeter, mas tem aquela que investem mais.

Pois bem, e vocês, o que acharam de “Shallow”? Acreditam que esse Oscar finalmente vai pra casa da Gaga?

Dez anos de Lady Gaga

 

Extravagante, complexa, divertida, polêmica, um fenômeno pop que ajudou a pavimentar o caminho para o eletropop se tornar popular e o retorno da cultura do videoclipe no final da década passada. Lady Gaga chegou aos dez anos de carreira já com um legado poderoso em mãos – na música, na imagem e na moda. Mas como essa mulher que foi a mais falada e discutida por três anos sem parar se encontra num novo contexto cultural? E o que o futuro reserva a Gaga? Saiba mais no novo vídeo do canal Duas Tintas de Música!

(finalmente!)

 

Como chegamos aos indicados a [4] Melhor Álbum Pop

Essa é uma pergunta que mesmo às portas do Grammy, eu não sei bem como responder – especialmente dadas as esnobadas aqui e ali, e a construção do Big Four. Mas de maneira geral, os indicados nesta categoria são os indicados de um período em que o pop prosseguiu sendo uma nota de rodapé no zeitgeist musical, enquanto o rap e o urban dominavam (e ainda dominam) a cena.

Exceto por Ed Sheeran, evidentemente o último pop star que restou (o resto ou flopou ou underperformed ou está no R&B), os outros grandes nomes trouxeram trabalhos cujos resultados não causaram grande impressão. Katy Perry, o pior caso, até trouxe um CD interessante (eu já disse que gosto do “Witness”, só acho a playlist bagunçada e o CD longo, com fillers desnecessários), mas nada rendeu – exceto pelo lead single, “Chained to The Rhythm”. Miley Cyrus flopou forte, mas foi tão anticlimático que nem foi punchline na pop culture. Selena não lançou CD (e quem sabe quando lançará), Demi fez sucesso com “Sorry Not Sorry”, mas isso não se traduziu em indicação…

Lady Gaga na verdade ressuscitou para o grande público com o Superbowl (o que eu acho que será o caso do Timberlake); enquanto Kesha trouxe um dos grandes álbuns do ano que deveria ser mais ouvido – mas a RCA tem uma inabilidade ridícula com divulgação.

No entanto, a questão não é só os materiais dos artistas atuais não serem interessantes de fato em relação à variedade e inquietação do rap/urban atual. O próprio pop parece em meio a uma fase down, pra baixo, com refrões focados mais no grave que no agudo, e pouca diversão. A música pop, mesmo quando é “politizada”, é escapista, divertida e quer te fazer dançar – e nada em 2017 no pop me fez querer dançar (e o sucesso dos ritmos latinos e latino-oriented como “Havana” mostra que as pessoas desejam escapismo de tempos controversos). Tanto que enquanto o rap conseguiu divertir e ser conceitual ao mesmo tempo (onde Kendrick e Migos conviveram em harmonia), o pop quis ser “conceito” – até mesmo com acts que nunca venderam conceito – e agora precisam recorrer ao urban para reencontrar a notoriedade perdida.

Enquanto 2019 não chega com o retorno do pop a momentos mais felizes (o que venho duvidando bastante com o tipo de material que os a-lists vem lançando), hora de conferir o que restou ao Grammy para lidar com o momento no tempo.

Em primeiro lugar, os indicados ao prêmio de Melhor Álbum Pop:

Coldplay – Kaleidoscope EP
Lana Del Rey – Lust for Life
Imagine Dragons – Evolve
Kesha – Rainbow
Lady Gaga – Joanne
Ed Sheeran – ÷

A análise de cada álbum segue com o pulo:

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Como chegamos aos indicados a… [1] Pop Solo Performance

08

Num ano em que o pop se solidificou como um ritmo “marginal” dentro do mainstream (enquanto o rap e o urban se tornaram de fato os ritmos principais da cultura pop), faz até algum sentido as canções associadas ao ritmo não terem feito o corte final no General Field. Evidentemente, todos os “adivinhos” e outros jornalistas pensavam nas divisões de fields e artistas de destaques no ano em que passou (como a gente tinha comentado no esquenta relacionado ao Record of the Year), mas a surpresa foi que o Grammy realmente focou no que fez sucesso e dominou o mainstream, deixando de lado acts famosos e A-lists da música.

Pessoalmente, exceto pela exclusão do Ed Sheeran (que teve um dos maiores hits do ano e pelo menos em ROTY sua indicação era compreensível), ver os resultados no General Field é um sopro de ar fresco em que finalmente o Grammy compreendeu que ele precisa não apenas escolher a excelência em música, assim como a excelência que está relacionada ao que o público realmente ouve nas rádios, celulares e serviços de streaming. Concorde-se ou não com a decisão da Academia, o que interessa é que muitos dos favoritos dos fãs de música pop ficaram restritos ao field – um sinal surpreendente, quando observamos premiações anteriores, mas um reflexo do que realmente houve no período de elegibilidade (e não um “fantástico mundo de Bobby” dos votantes da Academia).

(se essa tendência foi só para este ano, devido a pressões externas, ou se é um sinal de renovação por parte dos jurados, isso só o tempo dirá. Sou cínica e acho que é só uma cortina de fumaça, infelizmente.)

Essa introdução é importante para compreendermos como nós chegamos até esta configuração de indicados a Pop Solo Performance, uma categoria que sempre foi o termômetro para as vitórias em Record (e também Song), mas que agora servirá ou como prêmio de consolação para quem foi esnobado no General Field, ou a consagração de acts em momentos distintos da carreira.

Vamos aos indicados:

“Love So Soft” – Kelly Clarkson
“Praying” – Kesha
“Million Reasons” – Lady Gaga
“What About Us” – P!nk
“Shape Of You” – Ed Sheeran

A análise segue após o pulo!

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Previsões para o Grammy 2018 [2] O ônibus lotou

Como diria um grande pensador contemporâneo, “it’s tradition now”. Após aquela primeira leva de previsões para o Grammy 2018, avaliando o espectro musical entre o final do ano anterior e o primeiro semestre de 2017, hora de ver de que forma as submissões das gravadoras podem ajudar nas novas configurações da nossa futurologia, seja para o bem ou para o mal.

O “problema feliz” de 2018 é que de junho a setembro muitos singles e artistas tiveram destaque, correndo o risco de 1. muita gente boa ficar de fora do corte final; 2. determinadas categorias não terem acts favoritos. Nosso foco – as usual – é no Pop Field e no General Field.

Segue o pulo!

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Previsões para o Grammy 2018 [edição 24 quilates]


O update das previsões pós-período de elegibilidade está aqui. É só clicar!

A melhor época do ano chegou! Junho-julho é o período em que os jornalistas gringos começam a especular sobre as indicações ao Grammy 2018, e apesar do meu oráculo favorito Paul Grein ainda não ter informado quais são os palpites dele, vou me adiantar e brincar de futurologia logo. (especialmente porque ano passado protelei até não poder mais essa postagem)

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando quem fez escolhas boas e quem cagou nos artistas.

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field – mas como vocês viram pelo título, tem algo um tanto diferente nesta previsão…

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