Dez anos de Lady Gaga

 

Extravagante, complexa, divertida, polêmica, um fenômeno pop que ajudou a pavimentar o caminho para o eletropop se tornar popular e o retorno da cultura do videoclipe no final da década passada. Lady Gaga chegou aos dez anos de carreira já com um legado poderoso em mãos – na música, na imagem e na moda. Mas como essa mulher que foi a mais falada e discutida por três anos sem parar se encontra num novo contexto cultural? E o que o futuro reserva a Gaga? Saiba mais no novo vídeo do canal Duas Tintas de Música!

(finalmente!)

 

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Como chegamos aos indicados a [4] Melhor Álbum Pop

Essa é uma pergunta que mesmo às portas do Grammy, eu não sei bem como responder – especialmente dadas as esnobadas aqui e ali, e a construção do Big Four. Mas de maneira geral, os indicados nesta categoria são os indicados de um período em que o pop prosseguiu sendo uma nota de rodapé no zeitgeist musical, enquanto o rap e o urban dominavam (e ainda dominam) a cena.

Exceto por Ed Sheeran, evidentemente o último pop star que restou (o resto ou flopou ou underperformed ou está no R&B), os outros grandes nomes trouxeram trabalhos cujos resultados não causaram grande impressão. Katy Perry, o pior caso, até trouxe um CD interessante (eu já disse que gosto do “Witness”, só acho a playlist bagunçada e o CD longo, com fillers desnecessários), mas nada rendeu – exceto pelo lead single, “Chained to The Rhythm”. Miley Cyrus flopou forte, mas foi tão anticlimático que nem foi punchline na pop culture. Selena não lançou CD (e quem sabe quando lançará), Demi fez sucesso com “Sorry Not Sorry”, mas isso não se traduziu em indicação…

Lady Gaga na verdade ressuscitou para o grande público com o Superbowl (o que eu acho que será o caso do Timberlake); enquanto Kesha trouxe um dos grandes álbuns do ano que deveria ser mais ouvido – mas a RCA tem uma inabilidade ridícula com divulgação.

No entanto, a questão não é só os materiais dos artistas atuais não serem interessantes de fato em relação à variedade e inquietação do rap/urban atual. O próprio pop parece em meio a uma fase down, pra baixo, com refrões focados mais no grave que no agudo, e pouca diversão. A música pop, mesmo quando é “politizada”, é escapista, divertida e quer te fazer dançar – e nada em 2017 no pop me fez querer dançar (e o sucesso dos ritmos latinos e latino-oriented como “Havana” mostra que as pessoas desejam escapismo de tempos controversos). Tanto que enquanto o rap conseguiu divertir e ser conceitual ao mesmo tempo (onde Kendrick e Migos conviveram em harmonia), o pop quis ser “conceito” – até mesmo com acts que nunca venderam conceito – e agora precisam recorrer ao urban para reencontrar a notoriedade perdida.

Enquanto 2019 não chega com o retorno do pop a momentos mais felizes (o que venho duvidando bastante com o tipo de material que os a-lists vem lançando), hora de conferir o que restou ao Grammy para lidar com o momento no tempo.

Em primeiro lugar, os indicados ao prêmio de Melhor Álbum Pop:

Coldplay – Kaleidoscope EP
Lana Del Rey – Lust for Life
Imagine Dragons – Evolve
Kesha – Rainbow
Lady Gaga – Joanne
Ed Sheeran – ÷

A análise de cada álbum segue com o pulo:

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Como chegamos aos indicados a… [1] Pop Solo Performance

08

Num ano em que o pop se solidificou como um ritmo “marginal” dentro do mainstream (enquanto o rap e o urban se tornaram de fato os ritmos principais da cultura pop), faz até algum sentido as canções associadas ao ritmo não terem feito o corte final no General Field. Evidentemente, todos os “adivinhos” e outros jornalistas pensavam nas divisões de fields e artistas de destaques no ano em que passou (como a gente tinha comentado no esquenta relacionado ao Record of the Year), mas a surpresa foi que o Grammy realmente focou no que fez sucesso e dominou o mainstream, deixando de lado acts famosos e A-lists da música.

Pessoalmente, exceto pela exclusão do Ed Sheeran (que teve um dos maiores hits do ano e pelo menos em ROTY sua indicação era compreensível), ver os resultados no General Field é um sopro de ar fresco em que finalmente o Grammy compreendeu que ele precisa não apenas escolher a excelência em música, assim como a excelência que está relacionada ao que o público realmente ouve nas rádios, celulares e serviços de streaming. Concorde-se ou não com a decisão da Academia, o que interessa é que muitos dos favoritos dos fãs de música pop ficaram restritos ao field – um sinal surpreendente, quando observamos premiações anteriores, mas um reflexo do que realmente houve no período de elegibilidade (e não um “fantástico mundo de Bobby” dos votantes da Academia).

(se essa tendência foi só para este ano, devido a pressões externas, ou se é um sinal de renovação por parte dos jurados, isso só o tempo dirá. Sou cínica e acho que é só uma cortina de fumaça, infelizmente.)

Essa introdução é importante para compreendermos como nós chegamos até esta configuração de indicados a Pop Solo Performance, uma categoria que sempre foi o termômetro para as vitórias em Record (e também Song), mas que agora servirá ou como prêmio de consolação para quem foi esnobado no General Field, ou a consagração de acts em momentos distintos da carreira.

Vamos aos indicados:

“Love So Soft” – Kelly Clarkson
“Praying” – Kesha
“Million Reasons” – Lady Gaga
“What About Us” – P!nk
“Shape Of You” – Ed Sheeran

A análise segue após o pulo!

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Previsões para o Grammy 2018 [2] O ônibus lotou

Como diria um grande pensador contemporâneo, “it’s tradition now”. Após aquela primeira leva de previsões para o Grammy 2018, avaliando o espectro musical entre o final do ano anterior e o primeiro semestre de 2017, hora de ver de que forma as submissões das gravadoras podem ajudar nas novas configurações da nossa futurologia, seja para o bem ou para o mal.

O “problema feliz” de 2018 é que de junho a setembro muitos singles e artistas tiveram destaque, correndo o risco de 1. muita gente boa ficar de fora do corte final; 2. determinadas categorias não terem acts favoritos. Nosso foco – as usual – é no Pop Field e no General Field.

Segue o pulo!

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Previsões para o Grammy 2018 [edição 24 quilates]


O update das previsões pós-período de elegibilidade está aqui. É só clicar!

A melhor época do ano chegou! Junho-julho é o período em que os jornalistas gringos começam a especular sobre as indicações ao Grammy 2018, e apesar do meu oráculo favorito Paul Grein ainda não ter informado quais são os palpites dele, vou me adiantar e brincar de futurologia logo. (especialmente porque ano passado protelei até não poder mais essa postagem)

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando quem fez escolhas boas e quem cagou nos artistas.

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field – mas como vocês viram pelo título, tem algo um tanto diferente nesta previsão…

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Vencedores e perdedores de 2017 [primeiro semestre]

O ano de 2017 chegou à metade e sempre é bom ver, em retrospecto, as coisas que deram certo ou não dentro do pop – especialmente quando estamos num dos anos mais curiosos dentro do mainstream: com a ascensão quase dominante dos streams como determinante para o sucesso de uma faixa (ou de um estilo), muitos artistas e gêneros estão padecendo para se inserir numa nova cultura de consumo – e atingir o público que lá está, enquanto outros conseguiram o segredo para um hit, um viral, e execuções certeiras no Spotify.

Ao mesmo tempo em que veteranos e novatos lutam para entender e se adequarem à nova ordem da indústria, podemos dizer que a “guerra dos sexos” dentro do mundo pop hoje está com os homens ganhando de goleada. Eles estão com os álbuns mais bem recebidos, singles de sucesso e parcerias que deram certo – além dos gêneros que dominam as rádios e streams atualmente serem justamente aqueles onde os male acts dominam. E o pop, que durante toda a primeira metade da década foi uma festa feminina, hoje se tornou um clube do Bolinha.

Pensando nestes encontros e desencontros é que eu trago uma lista de vencedores e perdedores no pop de 2017, cobrindo o primeiro semestre. Lá no final do ano, eu retomo essa mesma lista com os destaques do ano em geral, e perspectivas para 2018. Por isso, coloque os headphones, aperte play na “Today’s Top Hits” do Spotify e continue lendo!

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Últimos lançamentos: Harry Styles x Lady Gaga

Hora de prosseguir com os lançamentos dos últimos dias com dois singles oriundos de artistas em pontos diferentes da carreira: o britânico Harry Styles, com a sua épica “Sign of the Times”; e Lady Gaga com a surpreendentemente pop “The Cure”.


Quando uma boy band (ou girl band) termina, entra em hiatus ou se separa porque rolaram brigas tensas de bastidores, a gente sempre se questiona qual será o futuro dos integrantes. Sempre tem um que estoura e se torna o astro (pode entrar Timberlake), tem sempre o que sai primeiro e flopa (Nicole, alguém?), e tem as exceções à regra (Robbie Williams, Bobby Brown); além daquelas bandas que ninguém emplacou em carreira solo porque no fim das contas, eles são melhores juntos (sim, vocês mesmos, Backstreet Boys).

No caso do One Direction, o grupo de adolescentes mais bem-sucedido da década, a banda seguiu por mais um álbum após a saída de Zayn Malik; e depois da divulgação do álbum “Made in A.M.”, os membros restantes seguiram seus caminhos musicais (ou de celebridade) em relativa paz e amizade. Cada um dos integrantes lançou material próprio, seja um single solo (Niall) ou um featuring (Louis); mas quem todo mundo esperava um single era Harry Styles, o mais conhecido da banda – seja pelo namoro relâmpago com Taylor Swift, seja pelo próprio carisma do garoto.

E o rapaz chegou colocando o pé na porta um um single do caralho, completamente diferente do que está rolando no momento, um pop/rock na vibe setentista, lembrando David Bowie e Queen, e com uma letra super “dentro do que vivemos hoje”, “Sign of the Times”, que parece ecoar as nossas tensões internas num mundo que parece à beira do abismo. Com uma voz perfeita para o rock, com potência e aquele raspy/rouquidão bem on point, é moody, é melancólica, é esperançosa, tem poder e tem tristeza, é um emaranhado de emoções e tem 5:40 de duração – ou seja, vai rolar radio edit pra tocar nas rádios, porque o moço não voltou disposto a só fazer música pra hitar. Harry quer fazer um statement, e fez muito bem.

Se 2017 é o ano em que os acts masculinos estão brilhando mais do que as female pop stars, “Sign of the Times” é um dos motivos. A música gruda na sua cabeça pelos motivos certos: é muito boa, tem ecos do passado sendo moderna, tem um refrão que cola mesmo e a letra é muito bem trabalhada, tendo as referências certas para o mundo em que estamos hoje.

Que musicão, que material, imagina só o que ele tem planejado para o debut? Segue uma carreira solo bem intrigante pra acompanhar.


Já a Lady Gaga lançou durante seu show no Coachella neste fim de semana um single novo, “The Cure”, que passa longe da pegada country/pop/rock do “Joanne”. Ninguém sabe exatamente se a música é pra algum relançamento, ou é um single avulso, mas o fato é que a música é straight pop na veia, com algum flavor de midtempo EDM que tá fazendo sucesso hoje em dia, e uma letra simples sobre amor incondicional.

Eu queria ter gostado mais da faixa como os americanos, que mandaram “The Cure” diretamente para o #1 no iTunes, mas não consegui. A música é até boazinha, mas no fim das contas, parece mais um pop genérico dessas new acts que tentam a sorte na popsfera. O refrão é pouco marcante e o delivery vocal da Gaga é médio, longe de outros momentos interessantes dela na carreira. Achei muito sem graça, infelizmente.

O pior é que, como a gente não faz ideia do objetivo desse single, não dá pra saber se é pra um relançamento do “Joanne” (o que não faz sentido, porque a sonoridade não tem nada a ver) ou alguma música pra EP, ou pra dar uma pimpada nos streams da Gaga (como foi com “Body Say” da Demi Lovato). Mas se isso for algum indicativo de uma mudança de sonoridade para um próximo álbum, melhor a Gaga retornar ao estúdio. Mas que música chata.

E vocês? O que acharam dessas duas músicas?