Vencedores e perdedores de 2017

Falta bem pouco para acabar o ano de 2017, e entre sucessos estrondosos, flops absurdos e momentos surpreendentes dentro da popsfera, hora de relembrar o que houve de mais importante nos charts e na repercussão dos principais artistas. Já tinha feito uma lista de destaques positivos e negativos do primeiro semestre,  mas vale a pena conferir os destaques do ano todo – afinal de contas, os mesmos tensionamentos que agitaram o primeiro semestre continuaram e se expandiram na segunda parte do ano: streams dominando a indústria, urban e rap pautando o que é sucesso ou não; a onda latina se tornando the next big thing; e se o seu nome não for Taylor Swift, acts femininas pop sofreram bastante para se manter em evidência em 2017.

Aqui pode não ser a Globo, mas essa é uma retrospectiva com os destaques positivos e negativos do ano que passou. Por isso, vá no “Today’s Top Hits”, dê play e balance os ombros enquanto lê este post! Continuar lendo

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Como chegamos aos indicados a… [1] Pop Solo Performance

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Num ano em que o pop se solidificou como um ritmo “marginal” dentro do mainstream (enquanto o rap e o urban se tornaram de fato os ritmos principais da cultura pop), faz até algum sentido as canções associadas ao ritmo não terem feito o corte final no General Field. Evidentemente, todos os “adivinhos” e outros jornalistas pensavam nas divisões de fields e artistas de destaques no ano em que passou (como a gente tinha comentado no esquenta relacionado ao Record of the Year), mas a surpresa foi que o Grammy realmente focou no que fez sucesso e dominou o mainstream, deixando de lado acts famosos e A-lists da música.

Pessoalmente, exceto pela exclusão do Ed Sheeran (que teve um dos maiores hits do ano e pelo menos em ROTY sua indicação era compreensível), ver os resultados no General Field é um sopro de ar fresco em que finalmente o Grammy compreendeu que ele precisa não apenas escolher a excelência em música, assim como a excelência que está relacionada ao que o público realmente ouve nas rádios, celulares e serviços de streaming. Concorde-se ou não com a decisão da Academia, o que interessa é que muitos dos favoritos dos fãs de música pop ficaram restritos ao field – um sinal surpreendente, quando observamos premiações anteriores, mas um reflexo do que realmente houve no período de elegibilidade (e não um “fantástico mundo de Bobby” dos votantes da Academia).

(se essa tendência foi só para este ano, devido a pressões externas, ou se é um sinal de renovação por parte dos jurados, isso só o tempo dirá. Sou cínica e acho que é só uma cortina de fumaça, infelizmente.)

Essa introdução é importante para compreendermos como nós chegamos até esta configuração de indicados a Pop Solo Performance, uma categoria que sempre foi o termômetro para as vitórias em Record (e também Song), mas que agora servirá ou como prêmio de consolação para quem foi esnobado no General Field, ou a consagração de acts em momentos distintos da carreira.

Vamos aos indicados:

“Love So Soft” – Kelly Clarkson
“Praying” – Kesha
“Million Reasons” – Lady Gaga
“What About Us” – P!nk
“Shape Of You” – Ed Sheeran

A análise segue após o pulo!

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Como se reinventar (ou não) com dois lançamentos de setembro

Setembro para a música pop é aquele mês em que os A-lists ou artistas em ascensão lançam os singles de trabalho antes do fim do período de elegibilidade pra ver se emplacam alguma música para o Grammy 2018. Dois desses artistas que podem entrar no corte final são Kelly Clarkson e Sam Smith, que lançaram seus leads recentemente e encontraram desempenhos curiosos até agora nos charts.

Onde hoje se define o que é hit ou não – o Spotify – o britânico teve uma excelente estreia, e no chart semanal do serviço de streaming, “Too Good at Goodbyes” está em segundo lugar. Nada mal para um artista cujo último single lançado foi a trilha sonora de um filme em 2015 (sim, é um filme do James Bond, mas é OST). Já “Love So Soft” da KC estreiou lá embaixo, quase no final do top 200 do Spotify. Nas rádios, no entanto, o desempenho da Kelly é muito bom, especialmente nas rádios adultas, assim como o próprio Sam. Já no iTunes, Kelly está no top 50, já com o (ótimo) clipe lançado; enquanto Sam Smith está ainda no top 10, em franca queda – mas não se esqueça de que ainda tem clipe pra lançar.

A partir dessas primeiras reações das duas faixas, é hora de entender como as músicas que comandam o comeback dos dois artistas podem oferecer insights sobre a era de cada um deles – assim como óbvias resenhas sobre a reinvenção (ou não) com um grande retorno à cena.

Reinventar-se usando suas influências

Quem acompanha desde sempre a carreira da Kelly Clarkson sabe que ela sempre teve como influências as grandes cantoras do R&B/soul, as grandes vozes como Aretha, Mariah e Whitney. Apesar de uma carreira extremamente bem sucedida fazendo aquele pop/rock gostoso a cara da minha adolescência nos famigerados anos 2000, a voz da moça sempre foi extremamente versátil – passando do pop, rock, country e agora esse retro-soul gostosíssimo de “Love So Soft”, lead single do “Meaning of Life”, novo álbum agora na gravadora Atlantic Records (adeus RCA).

O som é identificadíssimo com sua voz potente, é upbeat, fun, super KC – no caso, a sassy Kelly de “Walkaway” – e tem ainda um curioso break no refrão. Consegue ser moderna mesmo bebendo de fontes mais retrô, e tem uma óbvia maturidade que garante o estrago nas rádios adultas. O que é evidente, já que desde a aproximação da Kelly com o country, e a sonoridade mais pop do “Piece By Piece”, ela já vem indicando que vai se aproximar cada vez mais de um pop mais adulto, para um público maduro. E ela não tá errada, nem um pouco. É esse público que comprará seus álbuns, irá às suas turnês; e Kelly fica livre das pressões de gravadora e da mídia por hits e sucessos instantâneos. Tem carreira consolidada e Grammys.

O mais legal é que a Kelly conseguiu isso sem perder a identidade, trazendo um som novo pro repertório dela, mas que faz parte das suas influências. (e um certo award já deve estar de olho nela, cuidado)

Reinvenção é o quê? É de comer?

O segundo álbum é um desafio para qualquer artista, especialmente para quem vem de uma era bem sucedida e premiada. Você pode se superar e fazer coisas ótimas (“21”, “Futuresex/Lovesounds”, “The Fame Monster”, “Fearless”), pode cagar sua carreira inteirinha (“Thank You”, tô falando com você) ou pode ser o Michael Jackson mesmo. No caso do Sam Smith, ele optou pela safe choice de uma versão levemente mais up que o seu maior sucesso (“Stay With Me”) com o lead single do novo álbum, “Too Good At Goodbyes”.

Aqui, continuamos ouvindo o mesmo pop soul com coral gospel, e apesar do vocal melancólico do Sam continuar o mesmo. A diferença é que o arranjo é só um pouquinho (inho) mais animado e a letra tem um cinismo delicioso, versos super relatable – além do pré-refrão e refrão bem grudentos. Mas de resto, achei bem decepcionante. Não era isso que eu esperava do trabalho novo de um Grammy e Oscar winner. Porque dá pra se reinventar mantendo seu estilo, mas isso não significa que você siga a mesma cartinha de seu álbum anterior. Soa preguiçoso e calcado essencialmente em jogar no seguro.

Apesar disso, o negócio é que a faixa do Sam tem potencial para fazer mais do que o desempenho atual. O clipe ainda não foi lançado e ainda tem a divulgação massiva (a Kelly, por exemplo, já se apresentou no Today Show), e a faixa se mantém apesar dos pesares no top 10 do iTunes. O que me surpreende mesmo foi a boa estreia no Spotify: a faixa passa longe dos hits virais do serviço (mais urban e rap) e tem forte apelo adulto (por isso o sucesso nas rádios AC). Talvez o fato da música ter sido lançada com um clipe exclusivo para o Spotify tenha ajudado; ou o público comprou a música especialmente porque é uma midtempo lançada quase no Outono americano, e tradicionalmente o que bomba são faixas mais lentinhas. O que eu sei é que – se o Sam conseguir emplacar mesmo no Spotify, terá fácil o selo de hit. (e pode garantir lugar NAQUELA premiação do ano que vem)


E aí, qual destas foi o seu lançamento favorito? Deixe suas considerações nos comentários! 😉

As narrativas do Grammy 2017 [1] Melhor Performance Pop Solo

 

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O Grammy, como qualquer outra premiação, é construído por narrativas, que vão se descortinando durante o ano (de elegibilidade) até chegar ao ponto de explosão – o momento das indicações, quando as histórias que acompanhamos (o grande comeback, o grande álbum, o coming-of-age, o azarão) se encontram numa categoria para definir qual é a história que a Academia decidiu comprar e adotar.

Dessa forma, as narrativas que se apresentam para a categoria de Melhor Performance Pop Solo, onde se encontram as duas grandes artistas femininas do ano – Adele e Beyoncé – estão entrelaçadas pelas histórias delas, de outros artistas em destaque e das tendências musicais de um período curioso para a música pop, onde vemos aspectos técnicos, artísticos e sociais se misturando dentro da cultura pop.

Primeiro vamos aos indicados!

Best Pop Solo Performance
“Hello” – Adele
“Hold Up” – Beyoncé
“Love Yourself” – Justin Bieber
“Piece By Piece (Idol Version)” – Kelly Clarkson
“Dangerous Woman” – Ariana Grande

Agora é a hora da análise!

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Indicados ao Grammy [5] Melhor Álbum Pop

Finalmente o blog chegou aos momentos mais nervosos do Grammy – a premiação dos álbuns! A indicação ou a vitória em Melhor Álbum dentro de um field (pop, rock, country, R&B), além de trazer credibilidade e relevância ao trabalho do artista vencedor, pode ser um passo a mais até a cereja do bolo: Álbum do Ano (quando o indicado dentro do field também está indicado nesta categoria).

No caso de Melhor Álbum Pop, categoria que estreou em 1968 com a vitória do icônico “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e ficou de fora das premiações até 1995, quando Bonnie Raitt ganhou com “Longing in Their Hearts”, o binômio “vitória no field > vitória no prêmio principal” funcionou com Celine Dion com “Falling Into You” em 1997; Steely Dan com “Two Against Nature” em 2000 (ano que teve sua sorte de polêmicas em Álbum do Ano, já que a opção mais conservadora levou em cima do enfant terrible e grande revelação do ano, Eminem, que concorria com o “The Marshall Mathers LP”); “Come Away With Me” de Norah Jones em 2003; Ray Charles de forma póstuma com “Genius Loves Company” em 2005; e Adele com o “21” em 2012.

Este ano, o único indicado a Melhor Álbum Pop que está entre os concorrentes a Álbum do Ano é o “1989”, da Taylor Swift, e com chances fortes de fazer esse binômio acontecer – e entrar nessa lista bem curiosa, que inclui nomes poderosos da indústria misturados com artistas à época quase-novatas. A chance da Taylor levar no field é alta; o problema são as confusões em torno dessa categoria, que não me parece mais óbvia como nas previsões – porque aqui temos a maior vencedora (e maior indicada) em Álbum Pop; e uma lenda da música.

Antes de entendermos as possibilidades, vamos aos indicados.

Kelly Clarkson, “Piece By Piece”
Florence + the Machine, “How Big, How Blue, How Beautiful”
Mark Ronson, “Uptown Special”
Taylor Swift, “1989”
James Taylor, “Before This World”

A análise vem após o pulo!

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Indicados ao Grammy 2016 [2] – Performance Pop Solo

Banner Performance Pop Solo 2016

A categoria de Melhor Performance Pop Solo é outra que surgiu após a monstruosa “enxugada” de 2011. Anteriormente, haviam três categorias que premiavam as performances, duas de gênero e uma de instrumental. Por isso, a Pop Solo trabalha com performances de artistas solo, não importando gênero ou se a performance é vocal ou não (daí a ausência do “vocal” ou “instrumental”).

A primeira vez em que houve premiação sob “nova direção” foi em 2012, quando Adele levou por “Someone Like You”. A britânica repetiu a dose no ano seguinte, com a versão live de “Set Fire to The Rain” (truqueirésima); em 2014 Lorde levou o prêmio para a Nova Zelândia com “Royals”, enquanto neste ano Pharrell e seu chapéu deixaram muitos narizes tortos levando o Grammy com “Happy” ao vivo (affe).

Pois bem, este ano, temos um espectro interessante de indicados – em sua maioria hits, e com a emergência de um act no segundo semestre, é o rival que pode dar trabalho ao até então inabalável favorito.

E tem a Kelly Clarkson também…

Kelly Clarkson, “Heartbeat Song”
Ellie Goulding, “Love Me Like You Do”
Ed Sheeran, “Thinking Out Loud”
Taylor Swift, “Blank Space”
The Weeknd, “Can’t Feel My Face”

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Hora de falar dos indicados ao Grammy 2016

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A premiação do Grammy 2016 está marcada para o dia 15 de fevereiro – uma segunda-feira – e as categorias já foram reveladas. Como sempre, a bancada misturou os nomes mais bem sucedidos do ano com os acts respeitados pela crítica, criando uma tentativa de equilíbrio que traz problemas – porque nem sempre os nomes aclamados foram lembrados e quem passou despercebido acaba recebendo uma indicação que ninguém espera.

Geralmente, é uma mensagem que a Academia passa, quando ela estrutura os indicados – especialmente no Big Four. Mas este ano, sinceramente, eu não sei o que ela quer dizer haha

Lembrando sempre que, assim como fiz nas previsões (onde vocês podem ver o primeiro e segundo posts dedicados a isso, pra ver o quanto errei ou não 😉 ), o foco das análises do blog será no General Field (Álbum do Ano, Canção e Gravação do Ano – exceto Artista Revelação) e nas categorias pop (Melhor Álbum Pop, Performance Pop Solo e Por Duo ou Grupo).

Primeiro, os indicados:

ÁLBUM DO ANO

Alabama Shakes, “Sound and Color”
Kendrick Lamar, “To Pimp a Butterfly”
Chris Stapleton, “Traveller”
Taylor Swift, “1989”
The Weeknd, “Beauty Behind the Madness”

CANÇÃO DO ANO

Kendrick Lamar, “Alright”
Taylor Swift, “Blank Space”
Little Big Town, “Girl Crush”
Wiz Khalifa feat. Charlie Puth, “See You Again”
Ed Sheeran, “Thinking Out Loud”

GRAVAÇÃO DO ANO

D’Angelo and the Vanguard, “Really Love”
Mark Ronson feat. Bruno Mars, “Uptown Funk”
Ed Sheeran, “Thinking Out Loud”
Taylor Swift, “Blank Space”
The Weeknd, “Can’t Feel My Face”

MELHOR ÁLBUM POP

Kelly Clarkson, “Piece By Piece”
Florence + the Machine, “How Big, How Blue, How Beautiful”
Mark Ronson, “Uptown Special”
Taylor Swift, “1989”
James Taylor, “Before This World”

ARTISTA REVELAÇÃO

Courtney Barnett
James Bay
Sam Hunt
Tori Kelly
Meghan Trainor
MELHOR PERFORMANCE POP POR DUO OU GRUPO

Florence + the Machine, “Ship to Wreck”
Maroon 5, “Sugar”
Mark Ronson feat. Bruno Mars, “Uptown Funk”
Taylor Swift feat. Kendrick Lamar, “Bad Blood”
Wiz Khalifa feat. Charlie Puth, “See You Again”
MELHOR PERFORMANCE POP SOLO

Kelly Clarkson, “Heartbeat Song”
Ellie Goulding, “Love Me Like You Do”
Ed Sheeran, “Thinking Out Loud”
Taylor Swift, “Blank Space”
The Weeknd, “Can’t Feel My Face”

Enquanto no ano passado a bancada rejuvenesceu, indicando acts bem mais jovens para os principais prêmios, ela “chegou à idade adulta” para o Grammy 2016. Para além dos suspeitos de sempre – Kendrick, Taylor, The Weeknd – entraram players interessantes que já eram ventilados, como a própria Florence, além dos megahits do ano “Uptown Funk” e “See You Again” indicados de forma justa nas categorias a qual pertencem. Aliás, uma palavra que define as indicações este ano foi “justiça”.

Antes que as críticas comecem a pipocar, eu ressalto que o Grammy é um prêmio da indústria. Pode premiar o melhor ou o mais bem sucedido entre os indicados, mas a bancada atende a determinados requisitos que mantem esse equilíbrio relativo entre arte e comércio – porque os “blockbusters musicais” precisam ser premiados para o dinheiro continuar a rodar; e os “álbuns de arte” devem ser consagrados para que a criatividade e a identidade desses artistas seja recompensada – e o “indie” continue influenciando o mainstream. Agora, se tivermos um “álbum de arte” que seja um “blockbuster musical”… Esse é o melhor dos dois mundos.

Voltando ao assunto, é por isso que, quando a gente tenta pensar em prováveis indicados, a gente sempre entra na lógica do álbum pop bem sucedido + álbum alternativo safe choice + álbum de R&B + álbum de hip hop + álbum de country (o que aliás deu exatamente a tônica este ano, com a sensação Chris Stapleton entrando aos 45 do segundo tempo com o “Traveller”). Atende a todos os votantes, todos os fields e deixa bastante buzz para a premiação televisionada ano que vem.

No entanto, a discussão entre arte x mercado que está no fundo de todas as lógicas do Grammy ainda lida, este ano, com a influência que os álbuns tiveram num espectro externo. “To Pimp A Butterfly”, do Kendrick Lamar, é uma aula de história, de empoderamento negro, de resistência e a biografia em rap de um homem procurando um caminho a seguir, tendo que exorcizar seus demônios para sobreviver. Se tornou hit em protestos da população negra americana contra ações policiais, foi objeto de aulas nas escolas e virou um ícone cultural. Já “1989”, da Taylor Swift, além de ter quebrado recordes e mais recordes nas vendas de álbuns, também foi o centro da discussão sobre consumo de música na atualidade – Swift defende a valorização monetária da arte, passando pelos streams pagos, gerou muita briga com o Spotify e uma discussão sobre a relevância na atualidade das vendas físicas. Um álbum que mexeu com o mercado, mas também com os nossos hábitos de consumo.

São dois álbuns que representam a discussão entre arte x mercado de uma forma interessante – e que polarizam as discussões sobre quem deve ser o “Álbum do Ano” pelo impacto que cada um teve dentro do espectro onde se encontraram.

Mas vou deixar essa discussão específica para um outro post e continuar com as impressões.

Em Pop Solo, estou bem contente de ter acertado quatro de cinco indicações. Curiosamente, Meghan Trainor, que o Grammy está indicando como Melhor Artista Revelação, não foi indicada a mais nada para 2016 (a novata mais bem sucedida de 2015 e a melhor vendedora feminina de álbuns deste ano – até chegar a Adele), e teve seu nome substituído pela Kelly Clarkson, um movimento da bancada que só classifico como “antiguidade é posto”. Ao contrário da jovem cantora e compositora, que apesar de ter tido uma era bem sucedida, ainda é vista como novata e tem um retorno bem mixed de crítica, Kelly – que tem três Grammy nas costas, dois por Álbum Pop e é bem vista pela Academia, pegou uma vaga que ninguém lembrava de tê-la posto em previsões anteriores, justamente pela era “Piece By Piece” ter sido bem apagada.

A ideia de “antiguidade é posto” e ser “benquisto” pela bancada deve ter colaborado para um corte final de indicados a Álbum Pop menos “pop” ou “teen-oriented” que no ano passado. Além da Kelly, ainda tem o novo álbum do James Taylor que entrou na lista (aliás, tem tempo que um álbum pop de um act mais oldschool não era indicado numa categoria que não seja a “Tradicional Pop Album” – a última vez em que isso aconteceu foi no já distante 2009, em que Eagles e o próprio Taylor foram indicados, mas perderam para Duffy e o “Rockferry”). Os outros indicados também eram os suspeitos da categoria – Taylor, Florence, Ronson, o que torna uma decisão aparentemente lock em relação a “1989” uma caixinha de surpresas – já que as vitórias da KC em Álbum Pop são sempre surpreendentes – e ela tem ao todo quatro indicações nesta categoria.

Pop/Duo é outra categoria com indicados interessantes, e baseadas no sucesso das faixas – como também em como um álbum ou música podem puxar as indicações. Acredito que “Uptown Funk” carregou a indicação de Mark Ronson em Álbum Pop com o “Uptown Special”. No caso da Florence, foi o álbum “How Big How Blue How Beautiful” que deve ter conseguido levar tanto “Ship To Wreck” para a categoria Pop e “What Kind of Man” para o rock field. Aqui, a Academia continua fiel aos grandes hits, e creio que o duelo seja muito mais “Uptown Funk” x “See You Again”, com a Taylor de vela.

UF e SYA continuam merecendo as indicações onde foram destinadas – o primor de produção throwback de Mark/Bruno em Gravação do Ano e a simplicidade e identificação de Wiz/Charlie em Canção do Ano. Os outros indicados em ambas as categorias são fortes, o que torna a disputa nesses dois prêmios bem dura. No entanto, acho a vitória de “Uptown Funk” mais evidente que a de “See You Again”. As duas foram hits, mas UF foi um hit que quase bate um dos maiores recordes ainda existentes, foi viral praticamente o ano todo e ainda é uma grande música. “See You Again” pode enfrentar “Blank Space” e a polêmica “Girl Crush” (o meu azarão da categoria), mas as chances existem.

Já a decisão de Álbum do Ano, no entanto, não é mais no-brainer pra mim – pelo contrário, é aqui em que o equilíbrio pode ser colocado em xeque, ou simplesmente dar a lógica das premiações… Ou o Grammy assumir uma postura e reparar injustiças. Mas vou deixar isso, evidentemente, para os posts mais à frente.

Como dito anteriormente, as indicações do Grammy primaram pela justiça, e a busca pelo equilíbrio relativo entre arte e mercado. Por isso que Rihanna ficou de fora das indicações – nem a força de Kanye West e Paul McCartney foi suficiente para superar uma “era” arrastada e sem impacto (exceto pelo vídeo brilhante de “Bitch Better Have My Money”). Foi o fato de ser uma artista novata e sem o “respeito” da bancada (e por consequência do público) que Carly Rae Jepsen foi esnobada com o “EMOTION” – não adianta fazer um álbum aclamado se 1. ninguém ouviu; e 2. sua imagem está colada com a de uma One Hit Wonder.

Mas é hora de parar com as impressões! As análises categoria a categoria no Pop Field e no Big Four já vão começar, e a primeira é Performance Pop por Duo ou Grupo, o duelo de titãs do pop. Até lá!