Previsões para o Grammy 2019


Finalmente chegamos ao momento que os seguidores do blog mais gostam: as especulações a respeito dos indicados ao Grammy 2019! Saindo do meu cativeiro da Copa do Mundo para finalmente apresentar as minhas previsões e brincar de futurologia, é hora de tentar descobrir como a Academia vai selecionar os indicados ao principal prêmio da música, após as polêmicas da última premiação e as pressões vindas de todos os lados – entre artistas e jornalistas. Ou aprende agora ou não aprende nunca mais, e corre o risco de cair na vala da irrelevância com as novas gerações.

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando em que field os artistas colocaram seus trabalhos – o que é importantíssimo num cômputo final

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field, que vem com novidades – mas com algumas inserções em outros fields porque este ano continuamos com a dominação rap na cena, sem mostras de queda.

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Como chegamos aos indicados a [3] Gravação/Canção do Ano

Eu acompanho Grammy Awards desde 2007 (ano em que as Dixie Chicks fizeram aquele baita comeback com “Not Ready To Make Nice”), mas de uma forma mais consciente a partir de 2011. Nessa época, eu já curtia música observando os charts e resenhas; e por causa desse tempinho assistindo ao Grammy, talvez eu nunca tenha visto uma disputa tão imprevisível como este Big Four de 2018. Honestamente, não me lembro de categorias com tantas possibilidades (e pior, sem favoritos em categorias-chave como Canção do Ano) e com favoritos que são tão diferentes do que se premia usualmente. Não tem um pop puro (que seria cortesia de “Shape of You”, bem ou mal merecedor ao menos de ROTY) – o que mostra em que momento esteve a música pop entre 2016 e 2017; os indicados são de minorias (três negros, três latinos – um deles com ascendência asiática) e o único branco é canadense. As sonoridades – rap, R&B, soul e reggaeton – são fruto dessas minorias e absolutamente representativas do estado da música nesse período. É evidente que o Grammy não virou “woke” do nada (e suspeito que para 2019 voltaremos aos mesmos números de antes, exceto se tivermos um álbum absurdo da Cardi B, a Camila conseguir se manter no topo este ano e a Nicki arrombar a festa), e é importante chamarmos a atenção para as construções de narrativa que foram feitas pra chegar a esse diverso, criativo e muito talentoso grupo de indicados; mas mesmo que muitos reclamem de como chegamos a este corte final de Gravação e Canção do Ano, é inegável que é uma lista respeitável e um reflexo exato do que houve na indústria. A proximidade é real.

Apesar de considerar o lineup de Canção muito light, muito suave (tem música com “mensagem” mas a faixa melhor trabalhada é a do Jay-Z), o fato é que estamos falando mais uma vez de um grupo diverso etnicamente e por idades, sonoridades e influências, o que é um espelho também da sociedade americana e de certa forma, um espelho nosso, tão globalizados e ao mesmo tempo tentando nos identificar com algo, ou alguém. No fim das contas, quem “forçou” ser “too-american” não conseguiu seguir em frente (sim, Lady Gaga), e quem não tinha nenhuma identidade bateu na trave (você mesmo, Ed Sheeran), ficando aqui quem tem alguma conexão com o zeitgeist, seja musical ou cultural.

Neste post, dividido em dois, vou falar um pouco sobre o contexto das indicações a Gravação do Ano (em que a emergência de excelentes músicas e grandes hits amplia o desafio de uma bancada com seus vieses em premiar canções com sonoridades rejeitadas pelo júri conservador) e Canção do Ano (onde a falta de um favorito pode ser a dica para resolver as tensões em Álbum do Ano) e quem são os meus favoritos e dark horses da edição.

É só conferir após o pulo!

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Esquenta para o Grammy [2]

Hora de prosseguir com o esquenta do Grammy 2018, já que enquanto não sabemos quem fez o corte final, vale a pena celebrar vencedores de anos anteriores e entender um pouco sobre o contexto dessas vitórias (que de fato, é o segredo pra entender por que a Academia toma ou não determinadas decisões).

Desta vez, os insights se concentram na categoria de Gravação do Ano, uma das mais prestigiadas do Grammy, fazendo parte do General Field (além de Canção do Ano, Artista Revelação e Álbum do Ano). O award que premia hits e grandes momentos da música um histórico bem interessante de clássicos, polêmicas, escolhas seguras ou consagradas, a depender da época ou da visão de quem analisava o Grammy naquela época.

Como sempre, a viagem no tempo começa em 1980 e segue até 2017, fazendo deste post uma leitura de fôlego. Respire fundo e acompanhe depois do pulo!

*lembrando sempre: este prêmio é dado ao artista, produtor, o rapaz da masterização engenheiro de som e mixador. Antigamente, o gramofone só ficava na mão do produtor e do artista.

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As narrativas do Grammy [3] Gravação do Ano

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No Big Four do Grammy Awards, as narrativas nunca estão sozinhas, elas dependem dos entrechos de outras categorias. Quem ganha em seus fields nas categorias de song/performance tem mais chances aqui; e discutindo os álbuns, quem leva o field tem meio caminho andado para o principal prêmio.

Falando em Gravação do Ano, que celebra as melhores produções do período de elegibilidade, trata-se de uma categoria onde os grandes sucessos se encontram. Mas também temos narrativas aqui, e 2015-16 foi um momento em que as bolhas social e musical se mesclaram de uma maneira surpreendente especialmente no big 4 – o  que pode criar algumas narrativas e divisões interessantes (ou surpresas imprevisíveis) no grande dia. Algumas dessas narrativas continuarão resistindo, outras não.

Hora de falar dos indicados, com análise após o pulo:

GRAVAÇÃO DO ANO:
“Formation” – Beyoncé
“Hello” – Adele
“7 Years” – Lukas Graham
“Work” – Rihanna Feat. Drake
“Stressed Out” – twenty one pilots

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Indicados ao Grammy 2016 [3] – Gravação do Ano

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A categoria de Gravação do Ano do Grammy faz parte do Big 4 (os quatro prêmios mais importantes da Academia, incluindo Artista Revelação, Canção do Ano e Álbum do Ano), e contempla o performer da música, o produtor, e os engenheiros/mixadores da faixa. O Grammy de Gravação do Ano traz respeitabilidade ao artista, já que o foco aqui é na valorização de uma produção bem-feita juntamente com a interpretação do cantor/grupo – e artistas que não compõem o próprio material geralmente se dão bem por aqui, incluindo aqueles hitmakers, já que a maioria dos indicados aqui são os grandes sucessos do ano.

Na atual década (contando com 2010), os vencedores foram músicas marcantes, como “Use Somebody” do Kings Of Leon (2010), que chegou à quarta posição no Billboard Hot 100, posição pouco usual para canções de rock nos últimos anos; “Need You Now”, do Lady Antebellum, em 2011, a música que colocou o trio country como um dos grandes nomes do estilo nos EUA (#2 no Hot 100); “Rolling in the Deep” em 2012, que dispensa maiores comentários (#1); “Somebody That I Used To Know (2013), vencedora num ano especialmente difícil – mas as oito semanas no topo da Billboard e aquela premiação do Grammy ter sido bem indie-driven devem ter influenciado na decisão dos votantes.

2014 teve como vencedora “Get Lucky”, do Daft Punk, uma das faixas mais representativas da throwback disco-funk que rolou em 2013 (e um absurdo sucesso, com #2 no Hot 100). O último vencedor nessa categoria foi o britânico Sam Smith com “Stay With Me”, a óbvia vencedora num ano que, em retrospectiva, não estava muito complicado para ele levar – sem contar a igualmente óbvia qualidade da música – que aliás, chegou à segunda posição no Billboard Hot 100.

E agora, com uma série de hits entre os indicados – sem contar com um concorrente surpresa aqui – como a bancada do Grammy vai pensar?

D’Angelo and the Vanguard, “Really Love”
Mark Ronson feat. Bruno Mars, “Uptown Funk”
Ed Sheeran, “Thinking Out Loud”
Taylor Swift, “Blank Space”
The Weeknd, “Can’t Feel My Face”

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Grammy 2015 – Indicados a Gravação do Ano

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A premiação de “Gravação do Ano” faz parte do Big Four, as quatro categorias “nobres” do Grammy (junto com Canção do Ano, Artista Revelação e Álbum do Ano). Os vencedores desse prêmio são o artista, o produtor e o engenheiro/mixador de som – ou seja, o foco desse prêmio são os aspectos de produção da música. Normalmente os grandes sucessos do ano entram aqui – assim como músicas icônicas na cabeça de qualquer pessoa que já tenha ouvido uma canção na vida.

Entre os vencedores antigos mais famosos estão Simon & Garfunkel, com “Mrs. Robinson (aquela mesma do filme “A Primeira Noite de um Homem”), Roberta Flack com “Killing Me Softly With His Song”, The Eagles com “Hotel California”, Billy Joel com “Just The Way You Are” (aquela que muita gente conhece na voz do Barry White) e Christopher-fucking-Cross com “Sailing”.

Entre a turminha mais recente, Amy Winehouse levou com “Rehab”, Lady Antebellum foi premiado com “Need You Now”, Adele se consagrou com “Rolling In The Deep” e este ano, “Get Lucky” do Daft Punk foi a escolhida.

Para a edição de 2015 do Grammy, os indicados para levar o prêmio vêm de uma lista muito diversa. Muita gente esperava a versão live de “Happy”, ou “Let It Go” ou “Drunk In Love” no corte final. Mas os votantes optaram por mesclar os principais hits do ano com entradas de última hora que deixaram a categoria com a sensação de “mas o que essas intrusas estão fazendo aqui”, ao mesmo tempo que fecha o favoritismo com uma atração vinda lá da terra da Rainha.

Primeiro, os indicados
Iggy Azalea featuring Charli XCX, “Fancy”
Sia, “Chandelier”
Sam Smith, “Stay With Me” (Darkchild Version)
Taylor Swift, “Shake It Off”
Meghan Trainor, “All About That Bass”
Agora as análises… Continuar lendo