Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [8]

O maior vencedor no geral do Grammy é o compositor Sir Georg Solti, um maestro que comandou a Orquestra Sinfônica de Chicago por 22 anos. O número de gramofones que o senhorzinho (falecido em 1997) levou foram 31. Nenhum artista, nem clássico nem popular, chegou a tantos.

Entre as mulheres, a maior vencedora no geral é Alison Krauss, cantora country e de bluegrass que ganhou 27 Grammy. 17 deles como parte do grupo Union Station. Ela é seguida de perto por Beyoncé, com 20 gramofones, e esse recorde tem chance de ser disputado, porque Krauss ainda está em plena atividade, e volta e meia é indicada (a última aparição da moça foi este ano, indicada a Best American Roots Performance).

Outros recordes bacanas são: o U2 é o grupo com mais prêmios, 22 Grammy; Quincy Jones REI é o produtor mais laudeado com um Grammy (tem 27 em casa, tanto como produtor, arranjador e artista principal); as pessoas mais novas a levarem um Grammy são as Peasall Sisters, creditadas na trilha sonora do filme “E aí, meu irmão, cadê você?”, vencedor do prêmio de Álbum do Ano em 2002 (Leah Peasall tinha sete anos, e suas irmãs Hannah e Sarah tinham respectivamente nove e 13 anos. Com essa idade eu ainda brincava de boneca). LeAnn Rimes, cantora country, é a pessoa mais nova a levar o prêmio de Artista Revelação, com 14 anos.

Já a pessoa mais idosa a ganhar um Grammy é Pinetop Perkins, que levou em 2011 o prêmio de Melhor Álbum de Blues Tradicional aos 97 anos. Será que nossas faves chegarão a esse nível de produtividade? Enquanto a pessoa mais nova a ganhar o Grammy de Álbum do Ano é Taylor Swift, com 20 anos de idade.

Após a introdução de alguns dos recordes do Grammy, é hora de falar de três momentos históricos da premiação – e especificamente de três recordistas.

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Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [7]

O Grammy é a premiação das vitórias acachapantes, das consagrações esperadas, dos prodígios descobertos e dos experientes abraçados. Mas também é o award das surpresas estranhas, das vitórias fora da zona de conforto e das esnobadas históricas.

Quem não ficou de queixo caído com a Beyoncé perdendo o Grammy de Álbum do Ano pro Beck?

Ou não se revoltou pelo Kendrick Lamar ter sido ignorado em todas as categorias, e perdendo no rap field pro Macklemore & Ryan Lewis?

E quando o Grammy premiou como Artista Revelação Esperanza Spalding quando as pessoas achavam que Justin Bieber seria o vencedor? (sério que vocês acreditavam nisso? Eu estava apostando na Florence)

E a maravilhosa Amy Winehouse não ficou com o prêmio de Álbum do Ano, entregue ao Herbie Hancock. Nada contra o Herbie Hancock, mas a impressão que ficou foi que Grammy não quis dar a “cereja do bolo” pra uma “bad girl” e preferiu jogar no seguro.

Pois é, o tema do nosso esquenta de hoje serão os prêmios curiosos, esnobadas e algumas surpresas que sempre animam ou viram tema de treta nos anos seguintes à premiação.

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Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [6]

A música disco não foi apenas um gênero. Foi um movimento cultural, um estilo de vida influenciado pelos grupos marginalizados que se tornaram protagonistas após a revolução social dos anos 60. Mulheres, negros, homossexuais e latinos foram os grandes vetores para o desenvolvimento de um gênero que derivou do funk e do soul dos anos 60 para algo mais sincopado, constante, rápido e usando tanto do baixo (só que com menos groove e um padrão mais repetitivo) quanto da bateria eletrônica, sintetizadores, percussão de inspiração latina e mesmo orquestração.

Para além do crescimento das discotecas, da dominância da disco nas rádios e de artistas que não eram ligados ao gênero – e que pularam no barco de lurex e esferas espelhadas no final da década de 70 – a disco foi uma movimentação de estilo, com as roupas, com a liberdade sexual, com a liberdade na identidade das pessoas, com a autodescoberta e a individualidade características da década de 70 (sem contar com as drogas da moda, apropriadas para a noite que nunca terminava – a exemplo da cocaína e dos Quaaludes). No entanto, nem todo mundo estava curtindo a festa.

A “Disco Demolition Night” em 1979, quando vários LPs de disco foram destruídos no meio de um campo de baseball, incentivados por um disc-jóquei de Chicago, foi o auge da insatisfação que grupos ligados ao rock, deixado à margem na época, tinham contra a disco. Outros jornalistas e analistas musicais acreditaram que um dos motivos pelos quais a disco foi rejeitada por um grupo específico foi por haver um componente de racismo, sexismo e homofobia, já que os principais nomes do gênero e as manifestações culturais ligadas à disco eram as mulheres, os negros e latinos, e os homossexuais. Já outros teóricos afirmam que o estilo estava realmente saturado e o público queria outros gêneros de volta.

A questão é que o boicote acabou funcionando, já que no final daquele ano, os hits da disco passaram a rarear, e os artistas ligados ao gênero decaíram em popularidade.

E foi nesse cenário decadente que o Grammy decidiu criar uma nova categoria para a premiação – a Melhor Gravação de Disco, relativa ao ano de 1979, e premiada em 1980.

Too late to the party, folks.

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Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [5]

Imprensa e público adoram um grande retorno. O famoso “comeback” que traz de volta à cena um artista cambaleante, que superou seja ostracismo, seja vício em drogas ou confusões pessoais, é a trajetória que todos adoramos acompanhar e torcer – e se o artista em questão conseguir prêmios e reconhecimento do Grammy, melhor ainda.

A indústria da música já viu vários retornos à música extremamente bem sucedidos. Já comentei no post anterior sobre o comeback da própria Natalie Cole; e um dos retornos mais conhecidos foi o de Mariah Carey com o “The Emancipation of Mimi” – que a tirou do ostracismo após uma década de sucesso e a apresentou a uma nova geração de ouvintes.

Mas o blog vai destacar hoje dois retornos especiais para o mundo da música – que tiveram consequências bem distintas…

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Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [4]

A primeira vez que o prêmio de Melhor Performance Feminina de R&B foi dado tinha sido na premiação de 1968, quando o Grammy ficou nas mãos de Aretha Franklin com a icônica “Respect”. Atualmente a categoria está fundida com a Performance Masculina e a Por Duo/Grupo na categoria “Melhor Performance de R&B”, mas antigamente, quem dominava esse award era justamente a Rainha do Soul, que levou onze vezes o prêmio, além de ter 23 indicações.

No entanto, na décima-oitava edição do Grammy, em 1976, Ree não estava entre as indicadas, e veria uma artista diferente levar o prêmio – uma artista jovem cuja voz lembrava justamente a sua.

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Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [3]

O Grammy Awards de 1990, válido para os acts que se destacaram no ano anterior, teve como indicados a Artista Revelação a dupla folk Indigo Girls, Neneh Cherry, o grupo Soul II Soul, o rapper Tone Lōc e a dupla de dance-pop Milli Vanilli.

Dentre os indicados, o mais bem sucedido eram os rapazes do Milli Vanilli. Rob Pilatus e Fab Morvan eram um dos acts mais famosos do finalzinho da década, com o som do momento e uma imagem pop para a época. O álbum da dupla, “Girl You Know It’s True” conseguiu cinco singles top 10 nos EUA e, evidentemente, os rapazes eram os óbvios favoritos para levar o prêmio.

Confira então o vencedor daquele ano:

O problema é que, se você for no site oficial do Grammy, a informação sobre o prêmio de Artista Revelação não existe.
O motivo? É que o gramofone foi retirado do Milli Vanilli.

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Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [2]

As categorias de rap surgiram no Grammy há pouco tempo, em relação a outros fields. Por exemplo, a categoria de Melhor Álbum de Rap foi criada em 1995, tendo como primeiro vencedor o grupo Naughty by Nature com o álbum “Poverty’s Paradise”. Já a categoria de Melhor Canção de Rap foi incluída no Grammy em 2004, e o primeiro artista a levar o Gramofone foi Eminem, com o clássico “Lose Yourself”.

Mas a primeira aparição do rap foi em 1989, na 31ª edição do award, quando o estilo tinha implodido nos EUA. Public Enemy, N.W.A, LL Cool J já estavam na estrada fazendo sucesso, e por causa da grande quantidade de artistas e músicas lançadas, era de se esperar que a Academia prestigiasse o gênero com uma visibilidade na maior premiação da música.

Mas não da forma como você está esperando.

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