Drops Grammy 2019 [3] Canção e Gravação do Ano

Falta uma semana para o Grammy 2019 e a escriba que vos fala continua a saga de análises dos indicados ao prêmio mais importante da música; desta vez com o General Field. A discussão aqui é mais do que “Música de Grammy”, e sim a importância da Academia fazer valer a mudança que fez para ampliar o escopo – especialmente em se tratando de Gravação do Ano.

E repetimos o mantra deste ano: 2018 é exceção!

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Drops Grammy 2019 [1] – Pop Solo Performance

Eu não sou Papai Noel, mas também trago presente de Natal: o primeiro video dos Drops do Grammy 2019, focando nos indicados do Pop Field (que virou nicho) e no General Field.

Hoje eu começo falando sobre os indicados ao Grammy de Pop Solo Performance e as narrativas que estão inseridas nessa lista curiosa de indicados.

Antes de dar play, confira os indicados:

“Colors” — Beck 
“Havana (Live)” — Camila Cabello
“God Is A Woman” — Ariana Grande
“Joanne (Where Do You Think You’re Goin’?)” — Lady Gaga
“Better Now” — Post Malone

Agora confira o vídeo!

Lembrando que o próximo vídeo do Drops vai falar dos indicados a Best Pop Duo/Group Performance – em que o gerente pirou!

Grammy 2019 enxergou o óbvio

Mas esperamos que essa nova virada nos acontecimentos indique vitórias mais coerentes no dia 10 de Fevereiro do ano que vem, né…
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Antes de mais nada, os indicados…

Album Of The Year
Invasion Of Privacy – Cardi B
By The Way, I Forgive You – Brandi Carlile
Scorpion – Drake
H.E.R. – H.E.R.
Beerbongs & Bentleys – Post Malone
Dirty Computer – Janelle Monáe
Golden Hour – Kacey Musgraves
Black Panther: The Album, Music From And Inspired By – Various Artists (feat. Kendrick Lamar)

Record Of The Year
I Like It – Cardi B, Bad Bunny & J Balvin
The Joke – Brandi Carlile
This Is America – Childish Gambino
God’s Plan – Drake
Shallow – Lady Gaga & Bradley Cooper
All The Stars – Kendrick Lamar & SZA
Rockstar – Post Malone Featuring 21 Savage
The Middle – Zedd, Maren Morris & Grey

Song Of The Year:
“All The Stars” — Kendrick Duckworth, Solána Rowe, Al Shuckburgh, Mark Spears & Anthony Tiffith, songwriters (Kendrick Lamar & SZA)
“Boo’d Up” — Larrance Dopson, Joelle James, Ella Mai & Dijon McFarlane, songwriters (Ella Mai)
“God’s Plan” — Aubrey Graham, Daveon Jackson, Brock Korsan, Ron LaTour, Matthew Samuels & Noah Shebib, songwriters (Drake)
“In My Blood” — Teddy Geiger, Scott Harris, Shawn Mendes & Geoffrey Warburton, songwriters (Shawn Mendes)
“The Joke” — Brandi Carlile, Dave Cobb, Phil Hanseroth & Tim Hanseroth, songwriters (Brandi Carlile)
“The Middle” — Sarah Aarons, Jordan K. Johnson, Stefan Johnson, Marcus Lomax, Kyle Trewartha, Michael Trewartha & Anton Zaslavski, songwriters (Zedd, Maren Morris & Grey)
“Shallow” — Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando & Andrew Wyatt, songwriters (Lady Gaga & Bradley Cooper)
“This Is America” — Donald Glover & Ludwig Goransson, songwriters (Childish Gambino)

Best New Artist:
Chloe x Halle
Luke Combs
Greta Van Fleet
H.E.R.
Dua Lipa
Margo Price
Bebe Rexha
Jorja Smith

Best Pop Solo Performance:
“Colors” — Beck
“Havana (Live)” — Camila Cabello
“God Is A Woman” — Ariana Grande
“Joanne (Where Do You Think You’re Goin’?)” — Lady Gaga
“Better Now” — Post Malone

Best Pop Vocal Album:
Camila — Camila Cabello
Meaning Of Life — Kelly Clarkson
Sweetener — Ariana Grande
Shawn Mendes — Shawn Mendes
Beautiful Trauma — P!nk
Reputation — Taylor Swift

Best Pop Duo/Group Performance
“Fall in Line” – Christina Aguilera featuring Demi Lovato
“Don’t Go Breaking My Heart” – Backstreet Boys
“‘S Wonderful” – Tony Bennett & Diana Krall
“Shallow” – Lady Gaga & Bradley Cooper
“Girls Like You” – Maroon 5 featuring Cardi B
“Say Something” – Justin Timberlake featuring Chris Stapleton
“The Middle” – Zedd, Maren Morris and Grey

Best Dance Recording:
“Northern Soul” — Above & Beyond Featuring Richard Bedford
“Ultimatum” — Disclosure (Featuring Fatoumata Diawara)
“Losing It” — Fisher
“Electricity” — Silk City & Dua Lipa Featuring Diplo & Mark Ronson
“Ghost Voices” — Virtual Self

Best Rock Song:
“Black Smoke Rising” — Jacob Thomas Kiszka, Joshua Michael Kiszka, Samuel Francis Kiszka & Daniel Robert Wagner, songwriters (Greta Van Fleet)
“Jumpsuit” — Tyler Joseph, songwriter (Twenty One Pilots)
“MANTRA” — Jordan Fish, Matthew Kean, Lee Malia, Matthew Nicholls & Oliver Sykes, songwriters (Bring Me The Horizon)
“Masseduction” — Jack Antonoff & Annie Clark, songwriters (St. Vincent)
“Rats” — Tom Dalgety & A Ghoul Writer, songwriters (Ghost)

Best Urban Contemporary Album:
Everything Is Love — The Carters
The Kids Are Alright — Chloe x Halle
Chris Dave And The Drumhedz — Chris Dave And The Drumhedz
War & Leisure — Miguel
Ventriloquism — Meshell Ndegeocello

Best Rap Album:
Invasion Of Privacy — Cardi B
Swimming — Mac Miller
Victory Lap — Nipsey Hussle
Daytona — Pusha T
Astroworld — Travis Scott

Best Country Album:
Unapologetically — Kelsea Ballerini
Port Saint Joe — Brothers Osborne
Girl Going Nowhere — Ashley McBryde
Golden Hour — Kacey Musgraves
From A Room: Volume 2 — Chris Stapleton

Best Americana Album:
By The Way, I Forgive You — Brandi Carlile
Things Have Changed — Bettye LaVette
The Tree Of Forgiveness — John Prine
The Lonely, The Lonesome & The Gone — Lee Ann Womack
One Drop Of Truth — The Wood Brothers

Best Song Written For Visual Media:
“All The Stars” — Kendrick Duckworth, Solána Rowe, Alexander William Shuckburgh, Mark Anthony Spears & Anthony Tiffith, songwriters (Kendrick Lamar & SZA), Track from: Black Panther
“Mystery Of Love” — Sufjan Stevens, songwriter (Sufjan Stevens), Track from: Call Me By Your Name
“Remember Me” — Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez, songwriters (Miguel Featuring Natalia Lafourcade), Track from: Coco
“Shallow” — Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando & Andrew Wyatt, songwriters (Lady Gaga & Bradley Cooper), Track from: A Star Is Born
“This Is Me” — Benj Pasek & Justin Paul, songwriters (Keala Settle & The Greatest Showman Ensemble), Track from: The Greatest Showman

Producer Of The Year, Non-Classical:
Boi-1da
Larry Klein
Linda Perry
Kanye West
Pharrell Williams

Confesso que ao ver a lista de indicados na manhã de hoje, a minha primeira reação foi dar um gritinho de choque. Nem no último Grammy os membros da Academia foram tão justos e perceptivos sobre o atual estado das coisas na música popular americana. Excetuando pelos “intrusos” “Golden Hour” e “By The Way, I Forgive You”, você tem em níveis diversos um painel bem compreensivo do que realmente é ouvido e consumido pelos americanos atualmente – e o que vem dominando a indústria. 

É Drake, que conseguiu mesclar o rap com sua sensibilidade R&B/pop (e que se não fosse ele não haveria Post Malone, por exemplo); Cardi B com o álbum mais pop do ano (porque trap é pop); a trilha sonora de “Black Panther” que é mais um triunfo do poeta do rap Kendrick Lamar; bem como a consagração de Janelle Monaé como artista pop (num sentido mais amplo) completa, entre soul, funk e R&B; e as tendências de R&B alternativo e contemporâneo da novata H.E.R. . Ou seja, a pressão por mudanças e a diversidade da bancada fizeram efeito.

Ter oito indicados amplia muito mais as perspectivas e oferece oportunidades para músicas e artistas em evolução se apresentarem (que agrado – e que surpresa – ver “In My Blood” em SOTY, um letrão mostrando a maturidade artística de um menino como Shawn Mendes); músicas meio out-of-the-box se destacarem (“This Is America”, por exemplo), assim como quem está ou virou nicho se impor pela força de uma boa música. Afinal de contas, pop hoje é nicho, e “Shallow” é a principal representante, solitária e classuda, desse nicho. Que retorno de Lady Gaga!

(e Bradley Cooper pode ganhar um Grammy antes de muita gente. RAPAZ…)

Nos fields, onde ficam os segredos das vitórias para AOTY, temos surpresas surpreendentes – como “Scorpion” nowhere, a decisão BURRA de submeter a trilha de “Black Panther” em rap que tirou a chance fácil de levar em Álbum para Mídia Visual (e agora o caminho tá livre para “The Greatest Showman”… ou talvez um certo Mercenário Tagarela?) e Janelle Monaé também não apareceu em Urban Contemporary. 

(Não é querendo alarmar, não, mas as mensagens estão aí. Quem não prestou atenção ao que houve nos últimos anos, tá comendo mosca…)

(pior que nem temos Engenharia de Som, Não-Clássico pra dar a dica)

A propósito, o pop como field voltou a ser divertidíssimo. Pop Solo tá uma disputa acirrada (neste momento, vejo Ariana um pouco à frente); enquanto Melhor Álbum Pop tá bem interessante, e sem favoritos. Já Pop Duo/Group… Meu eu de 10 anos berrou ALTO vendo os Backstreet Boys de volta a um Grammy (os caras já foram indicados no General Field no auge), e a disputa tá deliciosa. “Shallow” tá na frente, eu percebo, mas tem um hit e dois vencedores tradicionais da categoria, que pode bagunçar ainda mais esse coreto. 

Confesso que bati bastante na trave em algumas das minhas considerações (o corte final de Pop Duo/Grupo hahaha) mas tem algumas coisas que falo com tranquilidade /choquedecultura : eu disse – acho que foi uma jogada bem ruim a gravadora da Ariana ter submetido “God is a Woman” em Record e “No Tears Left to Cry” em Song (e acho que GIAW poderia disputar vaga com “In My Blood”, que não fechou no field). Além disso, tinha deixado “Shallow” nos wildcards no General Field, mas estou feliz que uma das minhas suspeitas, a fofíssima “Boo’d Up”, entrou em SOTY, renovando ainda mais a tendência da Academia em prestar atenção aos novatos. Acho a disputa de Song ainda mais acirrada que a deste ano.

No geral, as mudanças que a Academia promoveu trouxeram mais do que uma bem-vinda diversidade nos nomes,  em ter mais mulheres entre indicadas e um Grammy que não é white male. Ampliou-se os horizontes até mesmo em idade (ver Kelly, Xtina, P!nk indicadas, com todo o ageism imposto na carreira delas, é muito legal) e nas sonoridades e imagens que são consumidas pelo público (vocês viram o “Love Yourself: Tear” do BTS indicado em Melhor Encarte?). Para não perder a relevância, o Grammy precisou olhar realmente para si, seus erros e olhar o mundo lá fora, entendê-lo para tentar reproduzi-lo em suas indicações. 

Esperamos que tenha feito a coisa certa quando saírem os envelopes.

Some bullet points:

  • … Mas “Rockstar” não foi lançado em Setembro de 2017? O que tá fazendo sendo indicado a tudo quanto é coisa quando o período de elegibilidade é entre 1º de Outubro de 2017 e 30 de Setembro de 2018?
  • O pop nichou tanto que não temos representantes puramente pop no corte final. Eu apostava em “reputation” pela brand Taylor Swift, mas faz sentido o álbum ter ficado de fora.
  • Nicki Minaj não conseguiu UMA indicação pelo “Queen”. O álbum foi muito mal divulgado e o conceito vendido de forma errônea, infelizmente.
  • Os Carters ficaram restritos ao nicho mesmo; assim como Ed Sheeran nem foi lembrado por “Perfect Duet”. Academia é canceriana, gente; não esquece. Só deve ter perdoado Drake por causa do sucesso massivo do “Scorpion”. E Timberlake pelo combo música REALMENTE boa + Chris Stapleton.
  • Mac Miller teve uma indicação póstuma 😥 
  • E Ryan Reynolds também é um indicado ao Grammy. Pela trilha de “Deadpool 2”. 2018.

E você? O que achou da lista de indicados, suspeitas e esnobadas da Academia? Fique à vontade para comentar, e logo logo teremos o primeiro vídeo de indicados ao Grammy 2019, sobre Melhor Performance Pop Solo. Até lá!

Feedback sobre as respostas das previsões do Grammy [parte 2]

Demorei mas voltei com o vídeo do canal Duas Tintas de Música, após um longo e tenebroso outono – e com aquele momento que todos esperam: o meu retorno dos comentários de vocês sobre a segunda parte das previsões para o Grammy 2019 (aquele post que você pode conferir aqui antes de dar play nesse vídeo, ok 😉 ).

Na pauta, Ariana Grande, Justin Timberlake, Lady Gaga (os suspeitos de sempre), e o meu segredo favorito: 

QUEM SÃO OS DOIS ARTISTAS QUE MELHOR SABEM SUBMETER AO GRAMMY?