Vencedores e perdedores de 2017

Falta bem pouco para acabar o ano de 2017, e entre sucessos estrondosos, flops absurdos e momentos surpreendentes dentro da popsfera, hora de relembrar o que houve de mais importante nos charts e na repercussão dos principais artistas. Já tinha feito uma lista de destaques positivos e negativos do primeiro semestre,  mas vale a pena conferir os destaques do ano todo – afinal de contas, os mesmos tensionamentos que agitaram o primeiro semestre continuaram e se expandiram na segunda parte do ano: streams dominando a indústria, urban e rap pautando o que é sucesso ou não; a onda latina se tornando the next big thing; e se o seu nome não for Taylor Swift, acts femininas pop sofreram bastante para se manter em evidência em 2017.

Aqui pode não ser a Globo, mas essa é uma retrospectiva com os destaques positivos e negativos do ano que passou. Por isso, vá no “Today’s Top Hits”, dê play e balance os ombros enquanto lê este post! Continuar lendo

Anúncios

Indicados ao Video Music Awards 2017 [4] COMBO DE CHANCES I

Estamos chegando perto do Video Music Awards, que talvez sim talvez não domine as mentions e tretas do domingo (considerando que “Game of Thrones” terá season finale mas as críticas negativas viraram tema de artigos mundo afora), e quando chega essa época – e a escriba que vos fala não terminou de escrever todas as previsões em ordem – é hora de pensar no COMBO DE CHANCES: ou seja, um lindo resumo de postagens com as principais previsões nas categorias restantes, pra gente saber quem pode levar o Moonperson e quem vai sair do award de mãos abanando.

Primeiro, hora de mais uma guerra de fandoms, desta vez entre os indicados a Melhor Vídeo Pop.

BEST POP
Shawn Mendes – “Treat You Better”
Ed Sheeran – “Shape of You”
Harry Styles – “Sign Of The Times”
Fifth Harmony ft. Gucci Mane – “Down”
Katy Perry ft. Skip Marley – “Chained To The Rhythm”
Miley Cyrus – “Malibu”

Ainda não entendi a ausência de nomes como Selena Gomez (cujo clipe de “Bad Liar” foi lançado dentro do período de elegibilidade e é melhor do que muitos que fizeram o corte final), a Lorde (que, apesar de não ter lançado o melhor clipe do ano para “Green Light”, tem uma estética interessante e é a cara do VMA), e até o Liam Payne (cara, a MTV perdeu a chance de capitalizar em cima de feud de ex-membro de boy band?); mas a lista de indicados está pelo menos de acordo com os artistas que estão em destaque dentro do combalido pop atual, além de lembrar que a Katy Perry, apesar do flop, lança sempre excelentes clipes.

Honestamente, este ano teremos outra boa e velha guerra de fandoms, criteriosamente escolhida para dar audiência ao award, porque sabemos de uma coisa: a fã-base vota, mas quem decide é a emissora. Em 2017, o Melhor Vídeo Pop pode ficar entre o Shawn Mendes, com “Treat You Better”, o Fifth Harmony com “Down” e Harry Styles com “Sign of the Times”. Tiro o Ed Sheeran da jogada porque, mesmo “Shape of You” sendo o maior hit aqui, é fato que a base de fãs dele nem se compara com o flood que o fandom dos outros três artistas devem estar fazendo. Creio que só iria para as mãos dele caso a MTV mexesse os pauzinhos, mas curiosamente, seria um award meio anticlimático.

Quanto a Katy, apesar de estar justamente indicada aqui (entre os cinco vídeos, é o mais bem feito e bem produzido, apesar do zero replay value), acredito que a MTV queira dar uma pimpada no feud em que ela está envolvida lá em Melhor Colaboração…

(aliás, cadê “Despacito”?)

(é sério, EU NÃO FAÇO IDEIA de quem leva essa)


Já na categoria de Melhor Vídeo de Rock, a ausência que eu menos entendi foi a do Imagine Dragons que colocou “Believer” no top 10 da Billboard Hot 100 e é a banda de rock mais bem sucedida este ano. Podiam ter se lembrado também do Linkin Park (aliás, nem ouvi murmúrios de tributo ao Chester Bennington…) – e apenas eu ter citado mais duas bandas esquecidas no churrasco é a prova de que a MTV CAGA para esta categoria. Vão os medalhões mesmo e acabou.

BEST ROCK
Coldplay – “A Head Full of Dreams”
Fall Out Boy – “Young And Menace”
Twenty One Pilots – “Heavydirtysoul”
Green Day – “Bang Bang”
Foo Fighters – “Run”

Entre os indicados, eu aposto nos mais populares. Certeza que o Coldplay é favorito, apesar do vídeo de “A Head Full of Dreams” ser uma snoozefest. Quer coisa pior que vídeo de turnê, bicho? Mesmo que a intro disfarce a verdadeira “historinha” do clipe e a fotografia granulada dê um ar retrô e de nostalgia à produção, é um vídeo de turnê, o que é a coisa mais preguiçosa do mundo. Mas o Coldplay é popular e para o que a MTV classifica como Rock, eles são o mais “famoso” e “chama audiência” que podem conseguir.

Já o Foo Fighters sempre emplaca alguma coisa, e desta vez o clipe vale a pena ganhar o Moonperson – “Run” é divertidíssimo e insano (e o FF tem expertise em fazer vídeos divertidos com referências pop impensadas como “Airplane!” e “Um Dia de Fúria”), com os velhinhos em fúria me lembrando vagamente aquela cena da luta na igreja em “Kingsmen” e ainda aquela coreografia que eu realmente não esperava. Às vezes, o vídeo demora mais do que deveria na rage dos idosos, mas quando sai do espaço fechado e o grupo domina a rua, o clipe ganha contornos ainda mais divertidos. E considerando que o Foo Fighters é outra banda bem popular, é mais fácil a MTV dar o Moonperson a quem realmente cumpre a função de ser um rock act 😉

(pior que parece que todo ano são sempre os mesmos indicados)

E vocês, o que acham que vai acontecer nessas categorias? Quem tem mais chance de levar?

Indicados ao VMA [2] – Melhor Colaboração

Banner Melhor Colaboração

A categoria de Melhor Colaboração do Video Music Awards surgiu com o nome de Most Earthshattering Collaboration (algo como Melhor Colaboração que fez a Terra tremer), em 2007, ano em que a MTV tentou inventar moda com novos nomes para as categorias na busca por atualização. A primeira vitória foi de Beyoncé e Shakira, com “Beautiful Liar” (o vídeo em que fizeram as duas divas ficarem idênticas). Dois anos após a categoria ficar fora das indicações, retorna com o nome que conhecemos hoje, e os vídeos mais bombados e grandes sucessos são indicados e vencem. Afinal de contas, o século XXI é o século das parcerias, featurings e encontros musicais na popsfera.

Vídeos clássicos, polêmicos e bem produzidos já levaram o Moonman (“Telephone”, “Bad Blood” e “Drunk in Love”) e este ano temos uma seleção bem sortida de clipes pop honestos, trabalhos de alto nível e o velho clipe preguiçoso de DJ. O negócio aqui é que, ao contrário de outros anos, em que o fator sucesso colaborava para a escolha dos vídeos – e às vezes clipes pouco interessantes ganhavam em anos sem inspiração (“E.T” em 2011) porque eram grandes hits – aqui, além do sucesso, outro fator pode contribuir para a escolha da MTV em premiar determinada colaboração: a massa de fãs votando.

Primeiro, confira os indicados:

Melhor Colaboração

Beyoncé feat. Kendrick Lamar – “Freedom”
Fifth Harmony feat. Ty Dolla $ign – “Work From Home”
Ariana Grande feat. Lil Wayne – “Let Me Love You”
Calvin Harris feat. Rihanna – “This Is What You Came For”
Rihanna feat. Drake – “Work”

A análise segue após o pulo!

Continuar lendo

Encontrando um caminho próprio – Fifth Harmony, “7/27”

Fifth_Harmony_-_7-27_(Official_Album_Cover)Vida de girlband que se lança num reality show e assina com uma gravadora horrenda como a Epic não é fácil. As meninas do Fifth Harmony entraram como acts solo na segunda temporada do The X-Factor e foram unidas como um grupo por Simon Cowell e Demi Lovato na fase do bootcamp. Fazer com que cinco meninas de backgrounds diferentes, vozes distintas e vontades idem se juntassem e tivessem uma identidade é uma ideia difícil, mas funcionou – afinal de contas, além de talentosas e carismáticas, Ally, Normani, Dinah, Camila e Lauren ainda representam meninas de várias origens e raças, provando que a representatividade importa e muito.

No primeiro álbum de estúdio das moças, “Reflection” (que seguiu o EP “Better Together”), as moças ainda não tinham chegado ao ponto de maturação – ou seja, a identidade musical refletida (sem trocadilhos) nas faixas. Elas ainda meio que procuravam um som próprio (e acabam atirando em várias direções). O sucesso de fato só chegou com o terceiro single, “Worth It”, um sucesso estrondoso que conquistou não apenas a fã-base adolescente das meninas, como também ouvintes casuais de música pop.

Com “7/27”, o novo álbum (o nome é baseado no dia em que o grupo foi formado no “X-Factor”, 27 de julho), o Fifth Harmony apresenta um forte coletivo de músicas que tem uma boa coesão (o pop/R&B com uma forte pegada urban e inspiração na sonoridade tropical pop que é a trend atual), agradam aos ouvidos com uma divisão equilibrada de vozes, e principalmente, você vê a identidade e personalidade das meninas em cada faixa, sem perder a visão de mercado.

Entenda o porquê na track-by-track após o pulo!

Continuar lendo

Previsões para o Grammy 2016

UPDATE: você pode conferir as previsões atualizadas (chamadas de “The Madness Edition”) aqui

A temporada de especulações sobre o Grammy do ano que vem começou! Jornalistas americanos como Paul Grein já fizeram suas previsões em JUNHO, mas seguindo a linha temporal do ano passado, decidi fazer as previsões por agora. O material já é vasto e os possíveis indicados estão meio que na cara, então acho que teremos pouquíssimas surpresas daqui até o final do ano. O período de eligibilidade para o Grammy vai de 1º de Outubro de 2014 até 30 de Setembro de 2015, ou seja, as bandas e os artistas que lançaram singles e álbuns nesse meio tempo podem submeter suas canções para a bancada do Grammy e torcer para que as escolhidas entrem no corte final.

A minha análise se restringe ao pop field, onde as cartas já estão lançadas desde o lançamento do “1989”, pra ser bem honesta, mas a depender do que as gravadoras mandem, podemos ter surpresas.

(lembrando que eu upo as previsões após o dia 30 de setembro com novas possibilidades porque até lá, muita água pode rolar)

A pergunta que não quer calar é: em quem já podemos apostar nossas fichas? Clique em “continuar lendo“!

Continuar lendo

Design de um Top 10 [20]: E você que achava que não o veria novamente

Banner-Design-de-um-Top-10O Design de um Top 10 chega ao seu vigésimo post! Honestamente, eu não achei que fosse durar tanto (para ser mais honesta ainda, nem achei que o blog fosse chegar a um ano e quatro meses), e como vinte é um número redondo, o Design de hoje tem algumas mudanças no desenvolvimento do texto; e duas adições interessantes ao cardápio: o “Essa é flop?” – um destaque para aquela música que prometeu muito mas não alcançou o sucesso – e vamos tentar entender o porquê desse single não ter chegado ao nível de hit – e se a música pode ressurgir e queimar as línguas dos analistas de música; e o “#cheirinhodehit”: trata-se da faixa que ainda não chegou ao top 10 da Billboard, mas tem chances de fazer parte desse seleto grupo.

As duas análises não vão aparecer o tempo todo – depende da música, das movimentações dos charts e até mesmo questões pessoais entram na peneira… Mas a introdução foi só para falar de mais uma semana de surpresas! na parada musical mais famosa do mundo… Ou não, se você estiver acompanhando a semana sólida de “See You Again” nos charts, que colocou a canção-tributo novamente em primeiro lugar na Billboard.

Mas será que isso é suficiente para não deixar “Bad Blood” voltar ao topo outra vez?

E essa subida de “Uptown Funk”?

As respostas, depois do top 10, claro.

Top 10 Billboard Hot 100 (13/06/2015)

1: “See You Again” – Wiz Khalifa (feat. Charlie Puth)
2: “Bad Blood” – Taylor Swift (feat. Kendrick Lamar)
3: “Trap Queen” – Fetty Wap
4: “Shut Up and Dance” – Walk the Moon
5: “Uptown Funk” – Mark Ronson (feat. Bruno Mars)
6: “Earned It” – The Weeknd
7: “Want to Want Me” – Jason Derulo
8: “Hey Mama” – David Guetta (feat. Nicki Minaj, Bebe Rexha e Afrojack)
9: “Sugar” – Maroon 5
10: “Nasty Freestyle” – T-Wayne

Wiz KhalifaApesar da audiência da música não estar tão forte quanto em outros momentos, as subidas de “See You Again” estão sólidas e altas no Mediabase, o que fez a música do Wiz Khalifa & Charlie Puth liderar a parada das rádios americanas. Essas subidas da música estão sempre entre as maiores, juntamente com faixas mais novas como a própria “Bad Blood” (no caso, o remix), “This Summer’s Gonna Hurt” (a nova do Maroon 5); além de uma faixa ainda longe do pico – “Want to Want Me”, do Derulo.

Acredito que o acumulado das rádios pode ter ajudado SYA no seu retorno ao #1, mas diante da música estar em segundo lugar no iTunes, acho que o fator que colaborou na equação vencedora da música foram os streams. Enquanto “Bad Blood” diminuiu um pouco o buzz ganho com o vídeo estrelado, “See You Again” continua reinando nos charts de streaming, contando com o apoio do Youtube e das plataformas como Spotify, Deezer, Rdio e Pandora (especialmente o Spotify). Ou seja, o maior rival da Taylor Swif em 2014/2015 – e não a Katy Perry.

(não estou dizendo que os streams são problemáticos para Taylor; apenas que em alguns momentos, ter suas Taylor Swiftmúsicas em plataformas de stream que não sejam o Youtube pode ser o somatório que faltava para deixar a música no topo. No entanto, estou falando de uma faixa que é o quarto single de um álbum historicamente bem sucedido, não acho que a Taylor ande se importando ultimamente com esses detalhes).

Por isso, acho que esse #1 de “See You Again” (que chegou à sétima semana não consecutiva no topo) pode estar ameaçado na próxima semana. “Bad Blood” pode compensar os streams com vendas digitais, aonde lidera há duas semanas, e a audiência cada vez mais crescente nas rádios. A disputa entre as duas músicas será ferrenha, com o #1 sendo decidido por muito pouco.

E você que pensava que esse verão seria chatíssimo, pode ter uma bela surpresa, como esse quinto lugar nonsense de “Uptown Funk”, subindo uma posição! Será que as pessoas ainda ouvem, ainda consomem a música? Acho que nem o Mark Ronson e o Bruno Mars se lembram mais da faixa… (ou não.) Há muito que a “Uptown Funk season” terminou, mas a música, atualmente num honroso top 20 no iTunes, ainda não desapareceu do top 10 do Mediabase, como normalmente ocorre quando hits massivos já saíram do topo. As quedas são constantes, mas volta e meia ocorrem subidas que fariam “American Oxygen” morrer de inveja.

???????????Evidentemente, a subida de UF está relacionada também com as quedas de outras músicas já em decadência no chart, o que ajuda bastante, mas como a faixa está resistindo tanto a ir embora do top 10 – e conseguindo subir? Aqui o MVP é ele mesmo, o stream. A música ainda está no quinto lugar no Streaming Songs da Billboard, e mesmo as quedas constantes nas rádios não são quedas livres – ou seja, a música ainda toca de forma constante (se não toca bastante – desculpa a rima). Ou seja, a “Uptown Funk season” não morreu, apenas se metamorfoseou em estabilidade.

(sabe como? A música empatou com “How Do I Live”, de LeAnn Rimes”, como a música com mais semanas no top 5 da Billboard na história do Hot 100, com 25 semanas. E ó, pode estraçalhar esse recorde.)

 

Vamos agora às duas novidades do “Design” de hoje – o primeiro é o ESSA É FLOP?, estrelando Carly Rae Jepsen e “I Really Like You”.

A faixa divertida e hiper catchy, lead single do novo álbum da canadense, “Emotion”, consegue ser mais grudenta e com potencial que o single que a catapultou ao estrelato – “Call me Maybe – mas apesar de um clipe viral estrelando Tom Hanks e divulgação em programas importantes (Carly emplacou até Saturday Night Live), a música não aconteceu. As rádios simplesmente ignoraram (supostamente estão boicotando IRLY), a faixa está lutando na meiúca do chart digital (45º no iTunes) em 32º nas rádios, e nem no top 25 do Streaming Charts a música está. Em #77 no Hot 100, o pico da faixa (39º lugar) parece um passado distante, e difícil de buscar.

É muito complicado dizermos que “I Really Like You” tem salvação, mas se um clipe cheio de potencial (além de um vídeo viral estrelado por Justin Bieber e Ariana Grande, que têm o mesmo empresário da Carly) e a série de divulgações não funcionaram, o que pode ajudar a música a subir?

 

E estrelando o #cheirinhodehit, as meninas do Fifth Harmony, que só conhecem o verbo subir. A girl band revelada na segunda temporada do X-Factor americano tentou, tentou, e conseguiu uma música com grande potencial: a urban-inspired filha mais nova de “Talk Dirty” “Worth It”:

Em vigésimo segundo no chart de stream, 11º no chart digital (as últimas semanas de WI foram bem emocionantes, entrando e saindo regularmente do top 10 do iTunes) e em #22 nos charts de rádio, a música só faz crescer. Apesar de ter caído uma posição na Billboard Hot 100 esta semana (agora está em #18), a trajetória da faixa é de ascensão, apesar de não ter tido uma promoção tão sortida como a da Carly, por exemplo, e com uma gravadora conhecida por não tratar bem seus acts (a Epic) por trás. Mesmo assim, elas possuem uma fã-base extremamente fiel e exigente (além de grande), e observando as movimentações, acredito que “Worth It” é o pontapé que as meninas do Fifth Harmony precisavam para sair da imagem de “artistas de show de calouros” para artistas reais – e com potencial para algo grande.

E você, o que achou dos charts esta semana?