Atualizada – Fergie, “M.I.L.F. $”

Cover Fergie MILFSUm dos grandes desafios das cantoras pop quando chegam a uma certa idade (o número mágico é 35) é se manter relevante para um público cada vez mais jovem, que descarta artistas todo verão; além de superar o desdém das rádios e uma mídia pronta para chamar essas mulheres de “velhas” e “cansadas”. É o ageism (ou etarismo), com fortes tintas machistas, influenciando as carreiras de muitas grandes artistas da popsfera.

Eu já comentei sobre esse assunto há algum tempo (aqui), tratando especialmente de Fergie e Gwen Stefani, que haviam lançado novos singles – e passando despercebido pelo mainstream. Enquanto a segunda conseguiu superar o flop extremo com um CD moderadamente bem sucedido, “This Is What the Truth Feels Like”, especialmente após a separação do marido; a primeira sumiu outra vez para retornar com um single mais a cara do verão – e bem mais parecido com a própria Fergie.

“M.I.L.F. $” não é exatamente uma Brastemp – é um pop/urban com toques eletrônicos e a Fergie rapping em mais da metade da faixa, até uma atualização do que a Duchess fez lá em 2006 no primeiro álbum solo. No entanto, é uma música que parece justamente o que a Fergie faria, e não uma cópia sem graça de uma outra produção, como era “L.A. Love”. A letra também é fraquinha, mas dá pra sacar que a ideia é celebrar as mulheres que conseguem se dividir sendo mães, trabalhando e se divertindo (por isso o trocadilho infame do M.I.L.F. – “mothers I’d like to fuck” com M.I.L.F – “mothers i’d like to follow”). O clipe ajuda a ampliar essa impressão, apresentando uma estética meio Stepford Wives (aquele filme com a Nicole Kidman, lembra?) meio “Grease”, super colorida, com Fergie e seu squad materno – incluindo Kim Kardashian, Ciara, Alessandra Ambrosio, Isabeli Fontana e Chrissy Teigen – seguindo o contexto da música.

Mesmo não sendo um single extremamente criativo, “M.I.L.F $” é a cara da Fergie, e ainda consegue soar atual e pronta pro verão. Ótima para viralizar em vídeos curtos como vines e snaps, ainda tem nomes famosos da cultura pop no vídeo, o que colabora para atrair mais visualizações, e a batida é forte e viciante, embalada para as boates. E o verso “I got the M.I.L.F money” é um quote ideal para hitar em todos os lugares. Foi uma jogada esperta, inteligente, e a Fergie que o mundo pop estava esperando.

(observação: alguns comentários de mães no Facebook criticaram o vídeo e a ideia de uma cultura “MILF” que só valoriza as mães quando elas estão no corpo “padrão” ou são gostosas. Dessa forma, o vídeo da Fergie seria um desserviço às mães que não conseguem alcançar esse padrão. Fiquei curiosa – e achei a observação pertinente, mas queria ver a opinião de vocês sobre o assunto. E aí, o que acham?)

 

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A idade atrapalha o sucesso? Um estudo de caso estrelando Fergie e Gwen Stefani

FergieNum 2014 dominado pela surpresa do álbum surpresa-evento da Beyoncé e por Taylor Swift e seu “1989”, o espaço para as outras divas (ou aspirantes a diva) pop é pequeno. Ou você lança singles catchy de seu álbum repleto de potenciais hits (oi Ariana) ou aproveita para sugar tudo o que pode de seu álbum meeiro (oi Katy) ou simplesmente vê tudo de uma janelinha, enquanto espera o momento de voltar a brilhar (inclua aqui a diva que veio à mente). Ou lança um material bem inferior ao que te consagrou no passado – o que é um mau movimento se você é uma cantora icônica da década passada que ficou de molho nesses anos todos enquanto a caravana pop passava.

Gwen Stefani e Fergie são dois dos nomes mais importantes do pop Gwen Stefaninos anos 2000. Ambas sassy, divertidas, inteligentes e com boa noção de cultura pop, ambas vindas de grupos bem sucedidos em seus gêneros (Gwen, vocalista do No Doubt, que tocava uma mistura de pop e rock; Fergie, membro mais conhecido do Black Eyed Peas, grupo de hip hop que estourou mesmo na metade da década) e com álbuns bem sucedidos e que pautaram muito do que o pop passou a realizar em seguida. As duas voltaram depois para seus grupos de origem, com desempenhos diferentes em seus trabalhos, mas a mosquinha da carreira solo voltou a picar, e a dupla de loiras preparou seu comeback.

… Você sabia que Fergie e Gwen Stefani lançaram singles?

Os trabalhos de ambas estão oscilando no iTunes, entre modesto e flop. Nas rádios, a situação não muda muito – pior, as duas penam para ao menos tentarem subir na audiência. E tanto Fergie quanto Gwen cantaram em programas de impacto – Fergie Ferg cantou o lead single “L.A. Love (La La)” no American Music Awards; e Gwen performou o single “Spark The Fire” no The Voice, onde é jurada.

Mas por que os singles das duas não vem acontecendo? Será que é por conta das músicas? Ou a idade estaria afetando o consumo do trabalho delas?

Esse é o ponto da discussão que o blog vai colocar hoje: como a idade de Fergie e Gwen Stefani está afetando a recepção de seus trabalhos por parte do público médio americano.

Porque essa resistência aos trabalhos de mulheres maduras dentro da música pop não vem de 2014…

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