Bem-vindos ao mundo de Cardi B em “Invasion of Privacy”

Cardi B - Invasion of Privacy.pngO que acontece quando você faz sucesso com um hit, antes mesmo de lançar um álbum? E quando você lança outros singles como participação especial, que fazem sucesso, e todo mundo espera qual o seu próximo passo? Será que esse momento são apenas 15 minutos de fama ou você se provará um artista constante?

No caso de Belcalis Almanzar – ou Cardi B, a rapper revelação mais bombada de 2017-18 – a situação se construiu mais ou menos assim: participante de um reality show famoso, ” Love & Hip Hop: New York”, e popular com seus vídeos altamente sinceros no Instagram, já tinha lançado mixtapes antes de estourar com o primeiro single na gravadora Atlantic, a ubíqua “Bodak Yellow”, primeiro #1 solo de uma rapper feminina desde Lauryn Hill, e ainda por cima indicada ao Grammy. O sucesso gerou outras parcerias e hits (“No Limit“, “Motorsport“, “Finesse [Remix]“) além de um segundo single que, apesar do lançamento do vídeo num timing excelente (pra não dizer outra coisa), também bombou bastante – a ótima “Bartier Cardi”.

Mas faltava uma coisa – o álbum. Afinal de contas, era hora de mostrar se Cardi B podia entrar na lista de rappers ascendentes da cena ou seria apenas mais uma three-hit wonder que infestam o top 10 do Hot 100. E “Invasion of Privacy”, o debut da novaiorquina, demorou bastante, mas finalmente chegou; e provou que Bardi não veio apenas para ser mais uma na multidão.

Afinal de contas, o mundo é de Belcalis Almanzar, e nós apenas vivemos nele.


Eu estava bem preocupada com a possibilidade da demora no lançamento do álbum ser por conta de um “polimento” – tornar o som agressivo e trap da Cardi mais pop pra atender a um público crossover e deixar acessível. Pelo contrário, “Invasion of Privacy” é agressivo, in-your-face, real, sincero, ao mesmo tempo em que é vulnerável e bem-humorado – do jeitinho da Cardi.

Tem muito trap, batidas fortes, alguns sons mais puxados pro R&B – que saíram bem vindos, e uma faixa com a colaboração latina que é smash garantido. Bem dividido entre trechos mais fortes (de “Get Up 10”, a biografia da Cardi, até o sucesso “Bodak Yellow”), um miolo mais leve, onde tem a pior música do CD (“Be Careful” só é boa pelo potencial de treta por causa do Offset, o noivo da Cardi que já foi acusado de traição várias vezes; mas o rap dela tá numa velocidade diferente do resto da música e soa esquisitíssimo) e “I Like It”, o smash latino com cara de #1 (o que é um feat equilibrado né gente? Bad Bunny e J Balvin praticamente são parte de um trio, e não versos inseridos); assim como o terço final variado entre o rap com influências trap bem agressivo, o rap/R&B mais confessional (o que é “Thru Your Phone”?) e um final que é um tiro de bazuca – “I Do”, com o ótimo feat da SZA numa das melhores músicas do ano até agora.

Mesclando letras que vão desde a história da própria vida, o passado como stripper, como as pessoas a veem (“is she a stripper, a rapper or a singer?” em “Drip”, colaboração com o Migos), sua busca pelo sucesso, os momentos de glória e o relacionamento cheio de altos e baixos – e desconfianças – com o namorado (e que, dadas as informações que já temos sobre o Offset, já sabemos que se trata do cidadão); assim como momentos super bem humorados em que eu me vi rindo enquanto acompanhava a música – “Money Bag” e “I Do” são as primeiras que me vêm à mente – o que mostram a personalidade da Cardi em todo o álbum. O DNA dela está em todo lugar.

Algumas músicas são bem fillers, como “Ring” (com a Kehlani), e o flow da Cardi não é um dos mais brilhantes no jogo, e você pode até achar que ela não muda muito pelo álbum. No entanto, eu já a vi roubando a cena num som fora de seu território, e o fato é que, em “Invasion of Privacy”, tudo tem a ver com ela. É real, sincero, engraçado, confiante, super comercial porque é o som do momento, mas com a personalidade da Cardi impressa em cada faixa.

Fiquei muito contente que o debut da Cardi, demorado como foi, chegou e não teve concessões pop ou alguma coisa que fugisse da rapper que todo mundo aprendeu a amar nos últimos tempos. É coeso, divertido, tem fôlego e ainda termina com um gostinho de “quero mais” mesmo com 13 músicas. Fiquem de olho porque “Invasion of Privacy” pode render ainda mais que hits… E sinceramente?

Eu me sinto muito bem em viver no mundo comandado por Belcalis Almanzar.

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Design de um top 10 [36] O mundo é de Belcalis Almanazar e apenas vivemos nele

Depois de 84 anos, retorno com um baluarte deste blog, o Design de um Top 10, onde eu sempre faço análises sobre os destaques musicais de mais uma semana na Billboard Hot 100. Hora de aproveitar os primeiros dias de 2018, que já está no quente com vários lançamentos, sucessos que se mantém desde o ano passado e músicas que já nasceram parte da conversa cultural

Ah, e vou explicar quem cargas d’água é “Belcalis Almanazar”.

Top 10 Billboard Hot 100 (13.01.2018)

2. Havana – Camila Cabello feat. Young Thug

3. Rockstar – Post Malone feat. 21 Savage

4. Thunder – Imagine Dragons

5. No Limit – G-Eazy feat. A$AP Rocky & Cardi B

6. Bad At Love – Halsey

7. Too Good At Goodbyes – Sam Smith

8. MotorSport – Migos, Nicki Minaj & Cardi B

9. Gucci Gang – Lil Pump

10. Bodak Yellow (Money Moves) – Cardi B

 

Mais um hit para Ed Sheeran – e uns streamings a mais pra Queen B

Você já perdeu a conta? O remix de “Perfect“, último single do álbum do Ed Sheeran, com a participação da Beyoncé, chegou à quinta semana em #1. A baladinha, que é a cara do inverno, ainda lidera os charts digitais e de rádio, enquanto teve uma queda nos charts de stream. No entanto, a música passa longe de estar morrendo – com o novo remix com Andrea Bocelli (“Perfect Symphony”) crescendo no iTunes e a versão original sendo tocada nas rádios, “Perfect” tem tudo para emplacar pelo menos uma semana em primeiro. Digo uma porque a concorrência tá forte neste começo de ano.

Curiosidade: Beyoncé, que deve estar preparando uma nova era com esses featurings em faixas de artistas fortes no stream, conseguiu com “Perfect Duet” o seu sexto #1 solo nos charts de airplay, o primeiro em quase nove anos.

Quando “Havana” se levantará?

Já o hit que tá pedindo pra ser #1 há um bom tempo, “Havana” da Camila Cabello, parece que vai padecer mais uma semana longe do topo. Agora, a música está em #2, fazendo seis semanas que chega nessa posição. Apesar de algumas quedas nos charts de rádio, a faixa está em #2 no chart de stream e em terceiro no digital. No entanto, a Camila está no topo das rádios pop pela sétima semana, e esses números podem ajudar bastante a faixa a conseguir uma chance que seja de ficar pelo menos uma semana em primeiro. A menina merece muito, a música é decididamente um dos grandes hits do fim do ano/início deste.

Curiosidade: o segundo single da Camila, “Never Be the Same“, voltou ao chart na 71ª posição. A faixa não é tão instantânea quanto “Havana”, mas tem cheirinho de hit. E a gente sabe que a menina divulga – e divulga bem – então, as chances de chegar ao top 10 são boas.

 

Dose tripla de Belcalis Almanazar no top 10… Ou podem ser quatro?

Ou mais precisamente, Cardi B, a rapper mais bombada do momento, que colocou pela segunda semana seguida três músicas no top 10 da Billboard. Ela é a terceira artista da história a colocar suas três primeiras músicas no top 10 ao mesmo tempo, depois dos Beatles e de Ashanti. Tá em boa companhia a moça hein?

A faixa melhor colocada da moça é “No Limit“(#5), de G-Eazy, onde ela e A$AP Rocky são os featurings. Já “MotorSport“, do Migos e com feat também da Nicki Minaj, está em #8; enquanto seu primeiro hit, o viral inescapável “Bodak Yellow“, continua em 10º lugar.

Mas não é só isso: quando digo que a gente tá vivendo no mundo da Cardi B, é que tem muita coisa por aí (com altas possibilidades de #1) – tem “Bartier Cardi“, onde ela é lead, que caiu para #19 (mas ainda tem clipe pra sair, o que pode alterar as coisas); “La Modelo“, faixa do Ozuna em que ela é participação, que está em #61; e o crossover pop que a Cardi precisava para ser apresentada a um grande público – o remix de “Finesse“, do Bruno Mars, que ganhou um clipe cheio de referências a In Living Color e entrou na conversa cultural esta semana, sem chance de ficar em segundo plano. A julgar pelo fato da música ter entrado com apenas um dia de vendas em #35, a faixa estar crescendo nas rádios, em #1 na principal playlist do Spotify e sendo assistida constantemente no YouTube, se for apresentada no Grammy, pode colocar mais um #1 na conta da Cardi (e o oitavo #1 pro havaiano).

O que é curioso em “Finesse” é que a música, faixa oito do “24k Magic”, parece que foi descoberta agora, dois anos depois, pelo grande público, e está tendo desempenho de lead single. Caso as previsões se confirmem, logo vou falar um pouquinho mais sobre a música.

E vocês, o que acham dos movimentos nos charts desta semana?

Vencedores e perdedores de 2017

Falta bem pouco para acabar o ano de 2017, e entre sucessos estrondosos, flops absurdos e momentos surpreendentes dentro da popsfera, hora de relembrar o que houve de mais importante nos charts e na repercussão dos principais artistas. Já tinha feito uma lista de destaques positivos e negativos do primeiro semestre,  mas vale a pena conferir os destaques do ano todo – afinal de contas, os mesmos tensionamentos que agitaram o primeiro semestre continuaram e se expandiram na segunda parte do ano: streams dominando a indústria, urban e rap pautando o que é sucesso ou não; a onda latina se tornando the next big thing; e se o seu nome não for Taylor Swift, acts femininas pop sofreram bastante para se manter em evidência em 2017.

Aqui pode não ser a Globo, mas essa é uma retrospectiva com os destaques positivos e negativos do ano que passou. Por isso, vá no “Today’s Top Hits”, dê play e balance os ombros enquanto lê este post! Continuar lendo