As narrativas do Grammy [3] Gravação do Ano

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No Big Four do Grammy Awards, as narrativas nunca estão sozinhas, elas dependem dos entrechos de outras categorias. Quem ganha em seus fields nas categorias de song/performance tem mais chances aqui; e discutindo os álbuns, quem leva o field tem meio caminho andado para o principal prêmio.

Falando em Gravação do Ano, que celebra as melhores produções do período de elegibilidade, trata-se de uma categoria onde os grandes sucessos se encontram. Mas também temos narrativas aqui, e 2015-16 foi um momento em que as bolhas social e musical se mesclaram de uma maneira surpreendente especialmente no big 4 – o  que pode criar algumas narrativas e divisões interessantes (ou surpresas imprevisíveis) no grande dia. Algumas dessas narrativas continuarão resistindo, outras não.

Hora de falar dos indicados, com análise após o pulo:

GRAVAÇÃO DO ANO:
“Formation” – Beyoncé
“Hello” – Adele
“7 Years” – Lukas Graham
“Work” – Rihanna Feat. Drake
“Stressed Out” – twenty one pilots

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As narrativas do Grammy 2017 [1] Melhor Performance Pop Solo

 

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O Grammy, como qualquer outra premiação, é construído por narrativas, que vão se descortinando durante o ano (de elegibilidade) até chegar ao ponto de explosão – o momento das indicações, quando as histórias que acompanhamos (o grande comeback, o grande álbum, o coming-of-age, o azarão) se encontram numa categoria para definir qual é a história que a Academia decidiu comprar e adotar.

Dessa forma, as narrativas que se apresentam para a categoria de Melhor Performance Pop Solo, onde se encontram as duas grandes artistas femininas do ano – Adele e Beyoncé – estão entrelaçadas pelas histórias delas, de outros artistas em destaque e das tendências musicais de um período curioso para a música pop, onde vemos aspectos técnicos, artísticos e sociais se misturando dentro da cultura pop.

Primeiro vamos aos indicados!

Best Pop Solo Performance
“Hello” – Adele
“Hold Up” – Beyoncé
“Love Yourself” – Justin Bieber
“Piece By Piece (Idol Version)” – Kelly Clarkson
“Dangerous Woman” – Ariana Grande

Agora é a hora da análise!

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Indicados ao VMA [6] COMBO DE CHANCES

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Hoje é dia de tretas, polêmicas e grandes apresentações, o Video Music Awards 2016! Já sabemos que Britney Spears vai se apresentar, Beyoncé também, Rihanna vai ganhar o Vanguard Award (prêmio que homenageia grandes nomes que contribuíram de forma inovadora com os videoclipes) e terá tempo para fazer uma apresentação marcante; além do Kanye West com quatro minutos pra fazer o que quiser.

Por isso, já esperando o começo da premiação, a partir das 21h, hora de fazer um último post sobre os indicados, desta vez falando das chances de vitória nas três categorias que restam para serem discutidas – o que eu chamei de COMBO DE CHANCES. Afinal de contas, tô juntando três categorias num post só 😉

Confira tudo após o pulo!

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Indicados ao VMA [5] Melhor Vídeo Pop

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Assim como o vídeo de hip hop, a premiação relativa aos vídeos pop surgiu em 1999 – surpreendentemente nos dois casos. Mesmo focando em música pop, acts R&B, pop/rock e de música latina já venceram essa categoria, sempre uma das mais disputadas e com vídeos icônicos. “Livin’ La Vida Loca”, “Bye Bye Bye”, “Since You Been Gone”, “Bad Romance” e “Blank Space” levaram em anos anteriores; e outras gemas como “Lady Marmalade”, “Sk8ter Boi”, “Toxic”, “Poker Face”, “We Found Love” e ano passado “Uptown Funk” foram indicados. Tem muita coisa boa e que marcou épocas, de 17 anos atrás e hoje em dia.

Esse ano, temos uma ótima lista de indicados, que passeiam por vários estilos musicais e visões artísticas. Mas eu vejo nessa premiação um duelo interessante entre dois dos nomes mais famosos da indústria: a rainha e o bad boy.

Melhor Vídeo Pop

Adele — “Hello”
Beyoncé — “Formation”
Justin Bieber — “Sorry”
Alessia Cara — “Wild Things”
Ariana Grande — “Into You”

A análise segue após o pulo!

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Design de um top 10 [27] Adele X

Em primeiro lugar, feliz ano novo! Este é o primeiro post de 2016, mas aparentemente, 2015 não acabou – já que Adele ainda está em primeiro lugar na Billboard Hot 100, chegando às 10 semanas com “Hello”. O reinado da britânica parece não ter fim; e o Design de hoje vai falar um pouco sobre o porquê de Adele ainda se manter no topo dos charts, mesmo com Justin Bieber fortíssimo – com TRÊS músicas no top 10, além de falarmos de duas inclusões no top 10 que merecem sua atenção.

Top 10 Billboard Hot 100 (16.01.2016)

1. Hello – Adele
2. Sorry – Justin Bieber
3. Love Yourself – Justin Bieber
4. Hotline Bling – Drake
5. What Do You Mean? – Justin Bieber
6. Stitches – Shawn Mendes
7. Same Old Love – Selena Gomez
8. Here – Alessia Care
9. Stressed Out (+4)* – twenty one pilots
10. Like I’m Gonna Lose You – Meghan Trainor feat. John Legend

 

Adele GIFAdele chega às dez semanas em primeiro lugar batendo mais recordes! “Hello” é a primeira música de um act feminino solo desde Rihanna com “We Found Love” (2011, featuring com Calvin Davis) a chegar às dez semanas em primeiro lugar. Além disso, a música estreou no topo, e permaneceu lá desde então. Além dela, só outras três músicas que estrearam em primeiro conseguiram se manter mais semanas – “I’ll Be Missing You”, do Puff Daddy com Faith Evans e 112 (11 semanas em 1996); “Candle in the Wind/”Something About the Way You Look Tonight”, do Elton John (14 semanas entre 1997-98); e ela mesma, Mariah Carey junto com o Boyz II Men em “One Sweet Day” (16 semanas entre 1995-96). Muito dessa manutenção do poder da Adele vem dos Gift Cards (literalmente “cartão presente” que as pessoas podem usar para comprar músicas no iTunes) no final do ano, que fizeram grandes sucessos subirem nos charts, além de músicas bem vistas pelo público no período. A cantora lidera ainda a audiência das rádios, mas está na segunda posição dos charts de Stream (lembrando que o single pode ser ouvido no Spotify, por exemplo, ao contrário do álbum.

A pergunta que fica é: Adele consegue superar a marca histórica de Mariah? A música ainda continua forte, mesmo com o fator Bieber, mas pelo que deu pra observar nos charts das diversas plataformas, “Hello” começa a dar sinais de “goodbye”. Em segundo lugar no iTunes, a faixa já está um pouco abaixo nos charts de stream, que contam demais para o Bieber, um artista que depende muito dessa plataforma como forma de hitar. O canadense tem três músicas em primeiro lugar no chart do Spotify (o top 200, contando diariamente), enquanto Adele chega à quarta posição com “Hello” (se contar semanalmente “Hello” é terceiro). Além disso, a preocupação da gravadora agora é com o novo single, “When We Were Young”, atualmente na #47 posição. Acho que a música ainda aguenta mais umas semanas, mais como uma “See You Again” do que uma “Uptown Funk”, mas logo vai cair. Justin Bieber está esfomeado por esse #1 desde o ano passado – que foi logo ali.Justin Bieber GIF

E por falar no menino malvado de 2015, Justin Bieber, poderia ser o “combeack do ano” se não fosse o furacão Adele. Mas não acho que ele se importe muito, com os três singles no top 10 e o álbum “Purpose” vendendo feito água. O novo sucesso do rapaz é “Love Yourself”, aquela faixa que parece mais música do Ed Sheeran e veio crescendo também como um foguete. Vem subindo forte nas rádios (15º segundo a medição do Kworb), #1 no iTunes (já criando distância de “Hello”)e com um vídeo lançado, acho que esse pode ser o novo #1 do Bieber. E a música é bem bacana, merece o sucesso (mesmo não morrendo de amores pelo intérprete).

Um plus: a música é bem a cara do inverno americano, com essa batidinha no violão, mais downtempo, uma época em que geralmente o que faz sucesso são as faixas mais lentinhas, pra ouvir abraçadinho – mesmo que a música não tenha nada de romântica.

Além dessa disputa discreta nos charts entre Adele e Bieber, outra tendência que vimos no ano passado parece se repetir em 2016 – a chegada de artistas canadenses ao top 10. Depois de The Weeknd, Drake e o próprio Justin, é a vez de Alessia Cara se juntar esse grupo e continuar a “invasão canadense” nos charts americanos. O single “Here”, primeiro single do debut álbum da moça, “Know-It-All”, já tinha sido lançado em abril, mas só agora, após uma caminhada de formiguinha, chegou ao topo – o que é bem habitual de acts mais alternativos que vão ganhando reconhecimento após diversas ouvidas e a participação em lugares certos, além da identificação da faixa com o público comum (e o momento permitir, já que Alessia, apesar do R&B mais alternativo, vem na mesma linha “angústia adolescente” da neozelandesa Lorde). O peak da música foi #7, e esta semana caiu uma posição.

Alessia Cara GIFO hino dos antissociais que não curtem festas (cujo vídeo você pode ver aqui), neste momento, encontra-se no top 20 do iTunes, já em fase de decadência; encontra-se em#13 no chart diário do Spotify e nas rádios, já começa a decair. O hit subiu calmamente, e agora desce com a mesma calma, mas já fez seu trabalho – apresentar mais uma cantora nova na cena. Resta saber se Alessia terá fôlego para outros singles ou se estamos diante de outra one hit wonder.

(sdds Natalie La Rose)

“Stressed Out”, single da banda twenty one pilots, deu aquele pulo do gato, subindo de 13º para a nona posição, sendo o primeiro top 10 do duo rock. A faixa se mantém pela segunda semana no topo dos charts de rock, vem crescendo nos charts de stream (subiu para a oitava posição no Spotify Charts diário), e a música se mantém estável no iTunes, só esperando a queda de “Sorry” para subir. A chegada da música ao top 10 casou com o lançamento do álbum “Blurryface”, o primeiro do grupo a chegar ao primeiro lugar na Billboard, lá em junho. Geralmente os acts rock fazem um percurso mais longo pra chegar até o topo, e com uma fã-base fiel – sem contar com ouvintes casuais que podem curtir um som que seja mais “crossover”, mesmo de nicho, pode construir um hit improvável.twenty one pilots gif

E a música é esse som mais “crossover”, mesmo sendo pouco radiofriendly para ouvidos mais pop. A inspiração hip hop é bem bacana, e o refrão é bem legal; e enquanto a companheira de top 10 “Here” é uma música mais identificada com uma realidade adolescente, “Stressed Out” lida com a sensação de que o personagem da música – e por extensão o público que ouve a faixa – tem que lidar com a vida adulta e essa sensação é bem melancólica. Ou seja, consegue atrair uma gama mais extensa de ouvintes.

E você que achava 2015 um ano sem graça para a música? Um dos anos mais diversos!

Hora de encerrar o post com mais um pouco de “Stressed Out”:

Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [8]

O maior vencedor no geral do Grammy é o compositor Sir Georg Solti, um maestro que comandou a Orquestra Sinfônica de Chicago por 22 anos. O número de gramofones que o senhorzinho (falecido em 1997) levou foram 31. Nenhum artista, nem clássico nem popular, chegou a tantos.

Entre as mulheres, a maior vencedora no geral é Alison Krauss, cantora country e de bluegrass que ganhou 27 Grammy. 17 deles como parte do grupo Union Station. Ela é seguida de perto por Beyoncé, com 20 gramofones, e esse recorde tem chance de ser disputado, porque Krauss ainda está em plena atividade, e volta e meia é indicada (a última aparição da moça foi este ano, indicada a Best American Roots Performance).

Outros recordes bacanas são: o U2 é o grupo com mais prêmios, 22 Grammy; Quincy Jones REI é o produtor mais laudeado com um Grammy (tem 27 em casa, tanto como produtor, arranjador e artista principal); as pessoas mais novas a levarem um Grammy são as Peasall Sisters, creditadas na trilha sonora do filme “E aí, meu irmão, cadê você?”, vencedor do prêmio de Álbum do Ano em 2002 (Leah Peasall tinha sete anos, e suas irmãs Hannah e Sarah tinham respectivamente nove e 13 anos. Com essa idade eu ainda brincava de boneca). LeAnn Rimes, cantora country, é a pessoa mais nova a levar o prêmio de Artista Revelação, com 14 anos.

Já a pessoa mais idosa a ganhar um Grammy é Pinetop Perkins, que levou em 2011 o prêmio de Melhor Álbum de Blues Tradicional aos 97 anos. Será que nossas faves chegarão a esse nível de produtividade? Enquanto a pessoa mais nova a ganhar o Grammy de Álbum do Ano é Taylor Swift, com 20 anos de idade.

Após a introdução de alguns dos recordes do Grammy, é hora de falar de três momentos históricos da premiação – e especificamente de três recordistas.

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Uma jornada de amadurecimento com Adele e o 25

adele-25-coverQuando fiz a resenha de “Hello”, o já recordista lead single do álbum da Adele vazado nesta quarta-feira, tinha introduzido o post com uma pequena história tratando da trajetória da minha relação com a britânica, começando com o “19”, e encerrando com a sensação de que finalmente a minha maturidade emocional estava no mesmo ponto onde a Adele começou a produzir esse álbum.  A ideia de nostalgia, de entrar em contato com a sua idade adulta, de compreender os erros do passado e seguir em frente.

A audição inicial do “25” foi mais marcada pela empolgação em ouvir o material novo da Adele – quatro anos depois, ela está de volta! – mas o que, acredito eu, ela quis propor nesse álbum eu só senti mesmo na segunda ouvida, voltando pra casa após o trabalho, quando as faixas começaram a calar fundo. E eu, que não sou exatamente um poço de emoções, me senti especialmente movida com o CD.

Essa identificação, essa sensação de conexão emocional que temos com as músicas da Adele, é o grande charme dela. As melodias e as produções não são revolucionárias, não vão mudar a história do pop – e nem é essa a proposta. O trabalho da Adele é focado nessa simbiose entre letra e melodia, mas principalmente em como as músicas, que são parte de sua história, conseguem influenciar tantas pessoas. É nessa simplicidade – traduzida no caráter acústico e confessional do “19”, na força e fragilidade através do peso das baterias, das batidas do “21”; e agora com a organicidade do “25” – que a gente vê o diferencial da Adele. Porque mesmo que a gente não tenha passado pelas mesmas situações que a britânica, nós sentimos algo diferente. Ficamos na bad, rimos, sentimos saudade; como se o diário das nossas emoções fosse traduzido em versos e refrões pela moça.

E a palavra do dia aqui é: MATURIDADE.

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