Video Music Awards 2018 [1] Melhor Vídeo Pop, Rock e Dance.

Hora de começar as discussões sobre o Video Music Awards 2018 com as análises gerais e das possibilidades de vitória em três gêneros distintos, que vivem situações complexas dentro da esfera musical.

O pop se encontra na posição cruel de não ser mais o “norte” do mainstream, o farol que apontava os caminhos de estética e do que se tornaria mainstream a partir da captura das influências de nicho. Hoje, quem domina as sonoridades é o rap, e a estética pop que sempre teve tendências bem claras – futurista (late-90/early-2000), minimalista (late-2000), exagerada (early-2010) e mesmo emprestada do nicho indie alternative (mid-2010) com algumas referências retrô (2013-14) – hoje parece preguiçosa. As pessoas não tem mais paciência ou vontade de pensar em visual quando se fala de pop. Foram atrás de uma atitude blasé, too cool for school, que se reflete até mesmo nos acts pop no geral – bland, vanilla, intercambiáveis. Por isso mesmo a audiência se empolga com os nomes mais consagrados; enquanto os mais novos correram para conferir as doses de entretenimento, visual e músicas up em outro canto.

Já o rock… Enfim, há muito tempo o gênero não era o mais querido dentro da esfera musical mainstream, e talvez não tenha sofrido tantas transformações que o mantivessem updated para uma nova geração. O último respiro foi rechaçado por muitos puristas, a exemplo do emo, o nu metal do Linkin Park (se vocês soubessem a treta que deu quando eles fizeram parceria com Jay-Z…) e o pop punk – encontros do rock com outros gêneros que deram visibilidade, apelo crossover, e fizeram o gênero ganhar sobrevida, antes de nichar de vez. A única razão pela qual a MTV ainda mantém essa categoria é exatamente pela importância histórica do rock para os primórdios da emissora.

Já a dance music (ou EDM, se preferir) encontra-se numa situação bem mais confortável, justamente por ter aberto as portas para as misturas as quais o rock recusou. É impossível não pensar na contribuição de Avicii (RIP) e sua “Wake me Up” (2013), que causou estranhamento em boa parte da comunidade EDM, mas se não fosse pelo DJ sueco, talvez não teríamos “Closer” ou “Something Just Like This”, ou “The Middle”. Talvez até tivéssemos, mas não seriam recebidos de braços abertos – porque alguém ajudou a pavimentar o caminho. A dance music é muito mais aberta porque se deixou misturar, e o resultado é que volta e meia um DJ emplaca músicas no top 5 da Billboard e indicações ao Grammy às pencas.

Pensando em tudo isso, vamos falar das indicações em Melhor Vídeo Pop, Rock e Dance no VMA 2018.

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O curioso caso do Video Music Awards

Durante muitos anos, o Video Music Awards foi a premiação de clipes mais importante do mundo. Não apenas porque os vídeos selecionados (e premiados) eram realmente bons, interessantes, de ótima produção, ou mesmo eram clipes dos grandes sucessos do ano; mas também porque o VMA era a premiação que reforçava a importância da MTV como a emissora onde se valorizava o clipe como plataforma musical e de construção/sedimentação da imagem.

Artistas que bombavam, acts mais experientes e celebridades que só iam pelo propósito de aparecer batiam ponto todo ano no VMA, e a gente sabia o que esperar: performances incríveis, polêmicas pra conversar no dia seguinte; ou seja, o ciclo pop se retroalimentando.

E então veio a internet. Os astros de reality show, instagrammers, youtubers, o próprio YouTube. MTV como o principal canal de música tornou-se obsoleto. Pior: um canal de música que não exibe clipes, que se tornou irrelevante para uma geração cada vez mais conectada à internet, e que não consegue se entender com a nova ordem musical, o rap, que tem suas próprias regras e canais específicos de encontro com o seu público.

Enquanto o MTV Movie (and TV) Awards consegue sobreviver porque o streaming existe e não matou os produtos principais consagrados pela premiação – e de certa forma, é um award mais livre, menos dependente do canal que o acompanha; o Video Music Awards surgiu para celebrar uma cultura que a própria MTV decidiu se livrar. VMA caminha como um zumbi, talvez, longe da relevância do passado, e buscando se conectar com a cultura atual, mas visivelmente sem cumprir de forma bem sucedida sua missão.

Afinal de contas, quando foi o último VMA que você lembra de uma grande polêmica, de um bafão daqueles pra todo mundo ficar falando por dias? Com certeza, pra mim, foi a edição de 2013. E quando foi o último VMA em que você não dependia de apenas um superstar (tipo Beyoncé) pra garantir audiência e performance estourada, em que cada performer tinha fôlego, vontade e conseguia dividir as atenções um com o outro? Decididamente a edição de 2011 me vem à mente. Mas não vou entrar numa onda de nostalgia porque é 2018 e a MTV, ainda buscando tatear algo nessa nova conversa cultural em que ela não manda nada e o pop está mais por baixo que o Neymar, trouxe uma lista de indicados com uma grande esnobada e outra que poderia ser lembrada; mas que no geral, é um bom grupo de indicados, bem representativo do que bombou no ano, e com boas possibilidades de não ter dominância de um act só entre os vencedores.

Primeiro os indicados:

VIDEO OF THE YEAR
Ariana Grande – “No Tears Left to Cry”
Bruno Mars ft. Cardi B – “Finesse (Remix)”
Camila Cabello ft. Young Thug – “Havana”
The Carters – “APES**T”
Childish Gambino – “This Is America”
Drake – “God’s Plan”

 

ARTIST OF THE YEAR
Ariana Grande
Bruno Mars
Camila Cabello
Cardi B
Drake
Post Malone

 

SONG OF THE YEAR
Bruno Mars ft. Cardi B – “Finesse (Remix)”
Camila Cabello ft. Young Thug – “Havana”
Drake – “God’s Plan”
Dua Lipa – “New Rules”
Ed Sheeran – “Perfect”
Post Malone ft. 21 Savage – “rockstar”

 

BEST NEW ARTIST
Bazzi
Cardi B
Chloe x Halle
Hayley Kiyoko
Lil Pump
Lil Uzi Vert

 

BEST COLLABORATION
Bebe Rexha ft. Florida Georgia Line – “Meant to Be”
Bruno Mars ft. Cardi B – “Finesse (Remix)”
The Carters – “APES**T”
Jennifer Lopez ft. DJ Khaled & Cardi B
Logic ft. Alessia Cara & Khalid
N.E.R.D & Rihanna – “Lemon”

 

PUSH ARTIST OF THE YEAR
JULY 2018 – Chloe x Halle
JUNE 2018 – Sigrid
MAY 2018 – Lil Xan
APRIL 2018 – Hayley Kiyoko
MARCH 2018 – Jessie Reyez
FEBRUARY 2018 – Tee Grizzley
JANUARY 2018 – Bishop Briggs
DECEMBER 2017 – Grace VanderWaal
NOVEMBER 2017 – Why Don’t We
OCTOBER 2017 – PRETTYMUCH
SEPTEMBER 2017 – SZA
AUGUST 2017 – Kacy Hill
JULY 2017 – Khalid
JUNE 2017 – Kyle
MAY 2017 – Noah Cyrus

 

BEST POP
Ariana Grande – “No Tears Left to Cry”
Camila Cabello ft. Young Thug – “Havana”
Demi Lovato – “Sorry Not Sorry”
Ed Sheeran – “Perfect”
P!nk – “What About Us”
Shawn Mendes – “In My Blood”

 

BEST HIP HOP
Cardi B ft. 21 Savage – “Bartier Cardi”
The Carters – “APES**T”
Drake – “God’s Plan”
J. Cole – “ATM”
Migos ft. Drake – “Walk It Talk It”
Nicki Minaj – “Chun-Li”

 

BEST LATIN
Daddy Yankee – “Dura”
J Balvin, Willy William – “Mi Gente”
Jennifer Lopez ft. DJ Khaled & Cardi B – “Dinero”
Luis Fonsi, Demi Lovato – “Échame La Culpa”
Maluma – “Felices los 4”
Shakira ft. Maluma – “Chantaje”

 

BEST DANCE
Avicii ft. Rita Ora – “Lonely Together”
Calvin Harris & Dua Lipa
The Chainsmokers – “Everybody Hates Me”
David Guetta & Sia – “Flames”
Marshmello ft. Khalid – “Silence”
Zedd & Liam Payne – “Get Low (Street Video)”

 

BEST ROCK
Fall Out Boy – “Champion”
Foo Fighters – “The Sky Is A Neighborhood”
Imagine Dragons – “Whatever It Takes”
Linkin Park – “One More Light”
Panic! At The Disco – “Say Amen (Saturday Night)”
Thirty Seconds to Mars – “Walk On Water”

 

VIDEO WITH A MESSAGE
Childish Gambino – “This Is America”
Dej Loaf and Leon Bridges – “Liberated”
Drake – ‘God’s Plan”
Janelle Monáe – “PYNK”
Jessie Reyez – “Gatekeeper”
Logic ft. Alessia Cara & Khalid – “1-800-273-8255”

— CATEGORIAS TÉCNICAS —

BEST CINEMATOGRAPHY
Alessia Cara – “Growing Pains” –  Def Jam Recordings – Cinematography by Pau Castejón
Ariana Grande – “No Tears Left to Cry” –  Republic Records – Cinematography by Scott Cunningham
The Carters – “APES**T” –  Roc Nation/Parkwood Entertainment – Cinematography by Benoit Debie
Childish Gambino – “This Is America” –  mcDJ / RCA Records – Cinematography by Larkin Seiple
Eminem ft. Ed Sheeran – “River” – Shady/Aftermath/Interscope Records – Cinematography by Frank Mobilio & Patrick Meller
Shawn Mendes – “In My Blood” – Island Records – Cinematography by Jonathan Sela

 

BEST DIRECTION
The Carters – “APES**T” –  Roc Nation/Parkwood Entertainment – Directed by Ricky Saix
Childish Gambino – “This Is America” –  mcDJ / RCA Records – Directed by Hiro Murai
Drake – “God’s Plan” –  YMCMB/Cash Money/Republic Records – Directed by Karena Evans
Ed Sheeran – “Perfect” –  Atlantic Records – Directed by Jason Koenig
Justin Timberlake ft. Chris Stapleton – “Say Something” –  RCA Records – Directed by Arturo Perez Jr.
Shawn Mendes – “In My Blood” – Island Records – Directed by Jay Martin

 

BEST ART DIRECTION
The Carters – “APES**T” –  Roc Nation/Parkwood Entertainment – Art Direction by Jan Houlevigue
Childish Gambino – “This Is America” –  mcDJ / RCA Records – Art Direction by Jason Kisvarday
J. Cole – “ATM” –  Dreamville/Roc Nation/Interscope Records – Art Direction by Miles Mullin
Janelle Monáe – “Make Me Feel” –  Bad Boy Records/Atlantic Records – Art Direction by Pepper Nguyen
SZA – “The Weekend” –  TDE/RCA Records – Art Direction by SZA and Solange
Taylor Swift – “Look What You Made Me Do” –  Big Machine Records – Art Direction by Brett Hess

 

BEST VISUAL EFFECTS
Ariana Grande – “No Tears Left to Cry” –  Republic Records – Visual Effects by Vidal and Loris Paillier for Buf
Avicii ft. Rita Ora – “Lonely Together” –  Geffen Records – Visual Effects by KPP
Eminem ft. Beyoncé – “Walk On Water” –  Shady/Aftermath/Interscope Records – Visual Effects Supervisor Rich Lee for Drive Studios
Kendrick Lamar & SZA – “All The Stars” –  TDE/Aftermath/Interscope Records – Visual Effects by Loris Paillier for BUF Paris
Maroon 5 – “Wait” –  222/Interscope Records – Visual Effects by TIMBER
Taylor Swift – “Look What You Made Me Do” – Big Machine Records – Visual Effects by Ingenuity Studios

 

BEST CHOREOGRAPHY
Bruno Mars ft. Cardi B – “Finesse (Remix)” –  Atlantic Records – Choreography by Phil Tayag & Bruno Mars
Camila Cabello ft. Young Thug – “Havana” –  Syco Music/Epic Records – Choreography by Calvit Hodge and Sara Bivens
The Carters – “APES**T” –  Roc Nation/Parkwood Entertainment – Choreography by Sidi Larbi Cherkaoui and Jaquel Knight
Childish Gambino – “This Is America” –  mcDJ / RCA Records – Choreography by Sherrie Silver
Dua Lipa – “IDGAF” –  Warner Bros. Records – Choreography by Marion Motin
Justin Timberlake – “Filthy” –  RCA Records – Choreography by Marty Kudelka, AJ Harpold, Tracy Phillips, and Ivan Koumaev

 

BEST EDITING
Bruno Mars ft. Cardi B – “Finesse (Remix)” –  Atlantic Records – Editing by Jacquelyn London
The Carters – “APES**T” –  Roc Nation/Parkwood Entertainment – Taylor Ward and Sam Ostrove
Childish Gambino – “This Is America” –  mcDJ / RCA Records – Editing by Ernie Gilbert
Janelle Monáe – “Make Me Feel” – Bad Boy Records/Atlantic Records – Editing by Deji Laray
N.E.R.D & Rihanna – “Lemon” –  i am OTHER/Columbia Records – Editing by Taylor Ward
Taylor Swift – “Look What You Made Me Do” –  Big Machine Records – Editing by Chancler Haynes for Cosmo

 

Por um lado, a percepção de que alguns gêneros estão em alta é louvável por parte da MTV. Trazer para o centro os vídeos de música latina indica que a emissora sabe que esses fãs são fieis, a audiência entrega bons resultados e a música latina está em alta. Ao mesmo tempo, eu queria ver como seria uma categoria de kpop, o outro gênero musical que cresce entre o público mais jovem (mais geração Z que millennial até), e que poderia agregar mais relevância a uma premiação em decadência.

Em relação aos indicados, todo mundo que entra vem com bons clipes. Não dá pra negar que todos possuem qualidade e apelo, mesmo que momentâneo. Se não tem a qualidade A+ de alguns nomes, geraram conversa ou viraram meme durante um período, e a MTV tem essa consciência de que precisa ir atrás da conversa cultural. No entanto, acredito que “Look What You Made Me Do”, da Taylor Swift, merecia ter recebido mais amor de quem escolheu a lista final. O vídeo bateu recordes, gerou conversa (e controvérsia), é super bem produzido com bom valor de replay. Mas vá saber o que houve entre a Taylor e os produtores da MTV pro clipe ter sido lembrado apenas em categorias técnicas…

Para discutirmos com mais detalhes tudo sobre o Video Music Awards (que este ano será numa segunda-feira, dia 20.08), este ano, decidi fazer algo de diferente: eu vou separar minhas indicações em combos determinados por gêneros, falar um pouco de contexto e quem acho que possui mais chance de vitória que outros. Além disso, vou me arriscar a dar palpites nas categorias técnicas, também no esquema combão.

O próximo post sobre os indicados ao VMA será com os indicados aos prêmios de Melhor Vídeo Pop, Rock e Dance. Até lá!

Dez Anos de Katy Perry

Fun, quirky, sexy, sassy, com um olho no hit e numa imagem despretensiosa, a cara do pop. Katy Perry foi uma das responsáveis pelos grandes momentos da música pop no final da década de 2000 e início dos anos 2010, mas atualmente, com o desempenho ruim de seu álbum “Witness”, a californiana está numa encruzilhada na carreira. Seja por decisões de branding que talvez tenham feito a cantora estagnar em sua imagem, enquanto o som evoluía; seja pelas próprias decisões ruins de uma era em que tudo pareceu dar errado, o fato é que nestes dez anos, Katy enfrenta uma pergunta insistente, em especial se pensarmos que o zeitgeist pop em 2018 não é mais o mesmo de 2010-2013.

Como ela pode conversar com a nova geração? De que forma ela pode se inserir num mundo menos pop? Como sua imagem pode retomar o trilho, sem perder a coerência com a Katy Perry divertida de sempre? Hora de conferir mais um vídeo do nosso canal do YouTube sobre uma década de carreira de uma das grandes artistas dos últimos anos.

(sim, estou com uma camisa do Maroon 5, e olha que acho o “Overexposed” uma bomba sem precedentes)

 

Previsões para o Grammy 2019


Finalmente chegamos ao momento que os seguidores do blog mais gostam: as especulações a respeito dos indicados ao Grammy 2019! Saindo do meu cativeiro da Copa do Mundo para finalmente apresentar as minhas previsões e brincar de futurologia, é hora de tentar descobrir como a Academia vai selecionar os indicados ao principal prêmio da música, após as polêmicas da última premiação e as pressões vindas de todos os lados – entre artistas e jornalistas. Ou aprende agora ou não aprende nunca mais, e corre o risco de cair na vala da irrelevância com as novas gerações.

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando em que field os artistas colocaram seus trabalhos – o que é importantíssimo num cômputo final

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field, que vem com novidades – mas com algumas inserções em outros fields porque este ano continuamos com a dominação rap na cena, sem mostras de queda.

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Vencedores e perdedores de 2018 [primeiro semestre]

O ano de 2018 chegou à metade e sempre é bom ver, em retrospecto, as coisas que deram certo ou não dentro do pop. Quer dizer, as raridades que deram certo na terra arrasada do pop né; porque com as plataformas de stream dominando a forma de consumo dos americanos, o pop simplesmente não tem vez dentro do zeitgeist musical ocidental, pensando em EUA (porque na Europa a coisa é diferente, sem falar dos movimentos musicais em outros continentes que vamos comentando aos poucos). Quem realmente bomba no Spotify/Apple Music são os rappers (especialmente a turma trap-inspired e o rap de Atlanta), com ênfase em “os” – o grande destaque feminino continua sendo a rapper do momento Cardi B, enquanto Nicki Minaj busca se fortalecer numa nova estrutura de cultura pop/rap.

Enquanto isso, os acts pop mais novos parecem ter esquecido a importância do YouTube e de bons vídeos para manter o interesse geral, já que não rola aderência no Spotify, as vendas digitais estão na UTI e as rádios pop estão imersas em “quem paga mais” (apenas a gravadora da Camila Cabello entendeu bem isso); os mais experientes lançaram materiais ou muito ruins ou muito bons mas sem apoio; e parece que as coisas mais inventivas do pop não vem exatamente dos EUA. Movimentos fora do esquemão americano WASP ganham espaço.

Pensando nestes encontros e desencontros é que eu trago uma lista de vencedores e perdedores no pop de 2018, cobrindo o primeiro semestre. Lá no final do ano, eu retomo essa mesma lista com os destaques do ano em geral, e perspectivas para 2018. Por isso, coloque os headphones, aperte play na “Today’s Top Hits” do Spotify e continue lendo!

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Combo de Álbuns – Men Edition

Estamos de volta com uma série de posts que reflete minha já conhecida PREGUIÇA – é o “Combo de Álbuns”: ou seja, sempre que eu atraso a resenha de um CD que foi lançado recentemente, costumo publicar tudo junto nessa resenha grandona, até pra cumprir minhas obrigações e continuar ouvindo coisas novas que pode ser (ou não) que entrem em premiações no futuro 😉

Hoje, coincidentemente, os lançamentos são todos masculinos, dois de artistas pop americanos e mais dois de acts fora dos EUA que fazem parte de dois movimentos que já vinham ascendendo em popularidade nos últimos anos. As resenhas de hoje são de Charlie Puth e o seu “Voicenotes” (lançado em 11.05); Shawn Mendes e o Selftitled (lançado em 25.05), a sensação coreana BTS com “Love Yourself: Tear” (lançado em 18.05) e o novo do colombiano J Balvin, “Vibras” (lançado em 25.05).

Vamos lá?

Charlie Puth – “Voicenotes”

Charlie Puth Voicenotes.pngQuem substituiu o Charlie Puth cafona e ruim do “Nine Track Mind” por esse cantor, compositor e produtor sofisticado e fun de “Voicenotes“? Não sei o que houve, mas agradeço pela mudança, porque esse CD é incrível e delicioso de ouvir. Saindo das sensibilidades pop/R&B anos 60 que não funcionaram nem um pouco no debut para algo mais puxado para o R&B/pop late-80/early-90, com direito a sintetizadores, linha de baixo retrô e muita ambientação obscura, Charlie se mostrou um artista bem mais consciente e maduro; e principalmente, um belo contador de histórias. O álbum vai destrinchando histórias de romances, traições e shades – afinal de contas, ele tá falando de quem nesse CD? – que mostram a inspiração do CD sendo as experiências do Charlie entre namoros, affaires e polêmicas com namoradas famosas.

Com letras bem menos cafonas e horrendas (a única exceção é o verso meio bizarro “you won’t wake up beside me / cause I was born in the 90s” em “BOY”, mas a música tem uma  bridge instrumental tão boa que compensa qualquer coisa), arranjos elegantes e prontos para dançar e participações especiais ótimas (Boys II Men SEMPRE delivering em “If You Leave Me Now; Kehlani confortável em “Done for Me”; e a lenda James Taylor em “Change”, a quebra gostosa de expectativa do CD), “Voicenotes” é uma evolução bem vinda para o cantor. Não apenas para mostrar que o primeiro CD foi um mal momento (ou no mínimo algo mal trabalhado pela própria gravadora), mas também dentro do pop que anda tão combalido nesses últimos tempos – dá pra fazer um pop gostosinho sem ir atrás das trends do momento (urban/trap e EDM a la Chainsmokers).


Shawn Mendes – “Shawn Mendes”Shawn Mendes - Shawn Mendes (Official Album Cover).png

Se você não ouvia o canadense Shawn Mendes porque achava micão consumir música de um jovem adolescente, um – perdeu “Illuminate”, uma baita evolução em relação ao primeiro CD, que tinha suas fraquezas; e dois – CORRE logo pra ouvir o selftitled do menino porque ele conseguiu! Com apenas 19 anos, o material que ele apresenta não apenas é um salto absurdo em qualidade, letras e instrumentais em relação aos CDs anteriores, como também o coloca lá na frente em relação aos peers no complicado mundo dos artistas jovens masculinos do pop.

Um esforço pop com experimentações rock (“In My Blood”), soul/funk (“Lost in Japan”) e até R&B (na ótima “Why”), prossegue com a vibe domingo chuvoso de outono tomando cafezinho com mozão ou mozona debaixo das cobertas. E ficou ótimo! A vibe stripped-down do próprio som do rapaz, combinada com produções agradáveis e super coesas (como é bom ter um grupo pequeno de colaboradores né?), além de featurings que agregam – como Julia Michaels e Khalid – aliás, “Youth”, super graciosa, tem uma mensagem simples, forte e efetiva para uma geração que é o foco dos dois jovens artistas. A mensagem atinge fácil a juventude de hoje e tem fôlego, não é um amontoado de clichês.

Apesar de uns dois fillers bem sem graça, no geral “Shawn Mendes” é um dos álbuns pop mais amarrados e bem feitos do ano. Para o próprio Shawn, é uma evolução além – com letras mais intrigantes, uma temática de relacionamentos que consegue atingir ouvintes de todas as idades e vocal ainda por evoluir mais, o canadense já construiu um caminho sólido para si, uma carreira longeva e sólida, além de um público fiel que vai crescer junto com ele.


Love Yourself Tear Cover.jpegBTS – “Love Yourself: Tear”

Como vocês já devem estar sabendo, a boy band coreana BTS foi o primeiro grupo de k-pop a estrear em primeiro lugar no chart de álbuns da Billboard, o que mostra que o gênero já vem alcançando novos caminhos no Ocidente, assim como conquistando fãs jovens que vem migrando do pop americano para a sua contraparte coreana. O motivo? Os grupos e artistas solo de k-pop trazem entretenimento, visuais cativantes e músicas animadas e upbeat, mesmo com letras que tratem às vezes de questões super sérias – e aí você dança com uma mão na cintura e outra na consciência.

Como eu não sou uma grande conhecedora do estilo, fui de coração aberto conferir o terceiro álbum do BTS (em coreano; no total é o sexto dos garotos) e tive uma agradável surpresa em conferir as 11 músicas do CD. Com um conceito bem amarrado sobre a dor da separação e o lado mais obscuro do amor, até mesmo nas músicas mais animadas (como o lead single “FAKE LOVE”) você tem letras que usam de metáforas para falar de um relacionamento que não deu certo e como o “eu lírico” (ou os membros da banda, que participam da composição das faixas) lida com essa sensação de perda. A sonoridade R&B é deliciosa, especialmente porque me lembra muito o que eu costumava ouvir quando era adolescente nos anos 2000, mas nada soa datado, e a as adições eletrônicas na instrumentação orgânica são bem-vindas. Em faixas como a ótima “134240”, que usa a história de Hades e do (ex-atual) planeta Plutão para falar de relacionamentos, a vibe meio “chill” é agradável, mas esconde uma melancolia evidente na letra.

Tirando uma faixa dance que ficou meio away dentro da tracklist (“So What”), “Love Yourself: Tear” não apenas deve ter agradado às fiéis fãs do BTS como pode ser uma bela introdução aos neófitos do k-pop como eu. Entre metáforas bem construídas e uma bem-vinda departure com inspiração latina (“Airplane pt. 2”, que eu gritei na hora do refrão É A NOVA DESPACITO!), é um ótimo CD que merece ganhar o mundo e ampliar ainda mais o perfil dos meninos do BTS no mainstream.


J Balvin – “Vibras”J Balvin Vibras cover.png

O quinto álbum do superstar colombiano do reggaeton na verdade é a trilha sonora pro verão lá no hemisfério Norte. É curioso como Balvin conseguiu fazer um álbum em espanhol, com uma sonoridade latina mega popular, mas com um apelo internacional bem envolvente. É reggaeton, mas faz umas concessões curiosas dentro das próprias faixas que ganham um apelo pop que independe da língua.

Apesar de ter uma intro, “Vibras”, a gente pode considerar que “Mi Gente”, com Willy William (e que chegou até a ter remix com a Beyoncé) é a verdadeira introdução “espiritual” do álbum. A faixa, que quer te fazer dançar sem pensar na nacionalidade ou na origem, é o começo perfeito para determinar o mood do CD – mesmo que a letra seja distinta do coração do álbum, que tem todo um clima de sedução e romance que talvez seja um dos pilares da música latina, seja em espanhol ou em português. Das deliciosas “Ambiente” e “Cuando Tu Quieras”, além de “Noches Pasadas” e “Donde Estarás” – que tem a maior cara de hit; além da gostosíssima “Brillo” (que me lembrou um pouco de “Downtown” da Anitta), J Balvin apresenta no álbum uma vibe gostosa, tropical e ao mesmo tempo noturna, ideal para romper o verão americano sem fazer nenhum esforço.

Apesar de um ou dois fillers (e impressionante como “Machika”, que fecha o CD, parece um corpo estranho na vibe carefree do “Vibras”), é um álbum que merece as reviews calorosas na gringa e uma ouvida atenta – mesmo que estejamos em plena época de São João. Com “Vibras”, o reggaeton realmente se solidifica como um fenômeno pop que não parece sumir tão cedo.


E vocês, já ouviram algum dos quatro álbuns? O que acharam? Podem comentar aqui mesmo no blog ou no nosso Twitter e Facebook!

Design de um Top 10 [38] É hora de mudar

Essa semana tivemos novidades nos charts da Billboard. Drake voltou ao #1 após duas semanas do boom “This Is America”, novamente com “Nice for What”, mais um single modorrento de sua nova era. O top 10 prossegue dominado pelo rap e urban, e os hits do verão começam a aparecer ou se solidificar no top 10 – como por exemplo, “The Middle”, que deu uma bela sumida esta semana, e é uma das poucas faixas representativas pop em 2018.

Mas hoje eu vou falar essencialmente das três novas aparições no top 10, uma delas histórica – e bem indicativa sobre a situação do pop americano.

Top 10 Billboard Hot 100 (02.06.2018)

#1 Nice For What – Drake

#2 This Is America – Childish Gambino

#3 God’s Plan – Drake

#4 Psycho – Post Malone feat. Ty Dolla Sign

#5 The Middle – Zedd, Maren Morris & Grey

#6 Yes Indeed – Lil Baby feat. Drake

#7 Meant to Be – Bebe Rexha feat. Florida Georgia LIne

#8 Boo’d Up – Ella Mai

#9 No Tears Left to Cry – Ariana Grande

#10 Fake Love – BTS

Drake não apenas deu as caras de novo no topo – agora, o canadense tem três músicas no top 10, passando Elvis Presley com 26 aparições no top 10 da Billboard, e uma delas é um featuring: “Yes Indeed“, cujo artista principal é Lil Baby, mais um rapper vindo diretamente da cena de Atlanta, onde é feito o mainstream rap atual. O pulo de 43 posições até o sexto lugar é creditado à principal plataforma de consumo de música atual, o streaming, que deu impulso ao crescimento da faixa. Não há mais como negar o poder do streaming no surgimento de diversos rappers de variadas tendências, e essa tendência não parece diminuir nem um pouco.

(quanto à música? Não tem nem três minutos gente, surreal)

A outra estreia no top 10 é “Boo’d Up“, da britânica Ella Mai. É o primeiro top 10 da cantora e sua primeira entrada no chart, saindo da décima-primeira posição para a oitava. A faixa ainda está em fase de crescimento nos charts de rádio e digital, apesar da segunda semana nos charts de R&B; mas o segredo aqui é – ele mesmo! – o streaming, onde está na sexta posição do chart oficial.

A música é um achado dentro da parada, repleto de mumble rap e EDM orgânico a la Chainsmokers. Um pop/R&B com vibe early-aughts (afinal de contas, daqui a pouco 2000 serão 20 anos e já dá pra fazer revival), tem jeitinho de que vai sobreviver bem no verão. É fresh e bem cara de fim de tarde.

Mas talvez o grande destaque desta semana seja mesmo o debut em #10 do fenômeno K-pop BTS com o single “Fake Love”. O grupo já tinha estreado em #1 no Billboard 200 com o álbum “Love Yourself: Tear”, a primeira vez de um álbum do gênero; e agora, os meninos fazem história com a estreia diretamente no top 10 da Billboard. Apenas outro act de K-pop chegou tão longe: ele mesmo, PSY com “Gangnam Style” (#2 em 2012 – mas deveria ter sido primeiro, só que as maquinações das rádios não deixaram) e “Gentleman”(#5 em 2013).

Como o BTS chegou tão bem assim? Dominando os charts digitais: “Fake Love ficou em #1 no chart específico; enquanto estreou bem no streaming, na sétima posição. Ou seja, mesmo com domínio numa plataforma que não tem a mesma dominância de antes, o BTS tem abrangência onde realmente interessa dentro do chart – e na forma de consumo do público americano atual: o streaming, onde os artistas pop americanos sofrem para se adequar.

E a música gruda mais que chiclete no tênis. Se você não ficar cantando “I’m so sick of this fake love fake love” você não tomou o nocaute. (e sério, o que é o investimento financeiro nos clipes? A gente reclama que o pop americano não quer colocar dinheiro para visuais e não quer oferecer entretenimento… Eis uma razão porque tanta gente tá consumindo k-pop: os acts entregam entretenimento, imagem e performance)

 

E você, o que achou das novas entradas no top 10 do Hot 100? Quais são suas previsões para o verão americano?