Se te faz feliz… – “Rain on Me”, Lady Gaga feat. Ariana Grande

Em alguma thread ou post que eu fiz em algum lugar por aqui comentei sobre “being a leader or being a follower”. Se nunca comentei, hora de falar.

Algum artista famoso falou certa feita (digo algum porque realmente não lembro haha) que existem líderes e seguidores. E realmente, existem artistas que são líderes: eles definem tendências, são pioneiros, escancaram as portas para o resto passar e são reconhecidos por isso. Já outros são os seguidores – quem segue a moda, quem está sempre na zona de conforto e não vai sair dela. Está sempre esperando a porta abrir para ele passar.

E também temos os lobos solitários que fazem o seu, fazem sucesso e seguem sua carreira sem maiores tribulações.

Hoje eu vim falar de uma LÍDER, que surgiu escancarando portas e repensando a cultura pop de seu tempo: Lady Gaga, que hoje lançou o segundo single do novo álbum “Chromatica”, a dançante bem house anos 90 “Rain on Me“, com o featuring de Ariana Grande.

Lady Gaga - Rain on Me.png

Uma faixa própria para as festas em boates, caso estivessem abertas e não estivéssemos em meio a uma pandemia mortal, “Rain on Me” segue a linha apresentada por “Stupid Love”, mas aqui com a influência do dance early 90s bem mais forte, as clássicas faixas que merecem vozes poderosas. O que eu achava que seria bastante estranho – o encontro entre as vozes de Gaga e Ariana, já que a abordagem da primeira é mais raspy, rock até; enquanto a segunda tem um trabalho mais pop, suave, com influência R&B, ficou muito bom. As duas funcionam bem juntas, especialmente quando na segunda estrofe da Ariana, a resposta da Gaga ficou bastante melódica e gostosa de ouvir.

Outro ponto que funcionou bem na música foi a letra, que é simples e efetiva, sobre recomeços, renascimentos e o sentimento de carpe diem. Aqui também temos duas abordagens líricas diferentes, mas que também funcionam bem – e mostram que as duas estavam juntas no processo de composição da faixa.

Agora… Vamos aos problemas: ouvi uma, duas, três vezes a música, porque apesar da letra ser bacana e da interação entre as duas artistas ser bem resolvida, havia alguma coisa que não me amarrava, não me conectava – e considerando que o segundo single é a música que não apenas reforça a ideia principal do CD, como também carrega as vendas do álbum, precisa representar muito bem e ser explosiva o suficiente para tornar o seu CD uma experiência fascinante. E em todas as vezes, sabe qual foi a impressão que “Rain on Me” me deu?

On the nose: sabe aquela faixa que diz “olha, eu sou retrô viu? SABE, EU SOU RETRÔ, olha minhas influências!” e ao invés de ser uma experiência divertida ouvir uma faixa visivelmente inspirada em sonoridades de décadas passadas, parece até que é um atestado de “olha como sou musicalmente inteligente” e a música passa por apática, asséptica – porque é apenas uma experiência, uma tentativa de soar “antiga”, mas sem abraçar de fato as nuances e levá-las na alma, conseguindo brincar e trabalhar com naturalidade com esse som.

Gaga fez isso muito bem no “Born This Way”, quando puxa referências anos 80, dance, disco, envolvendo tudo em instrumentais carregados e quase rock ‘n roll.

Comparando com um artista que fez agorinha mesmo um álbum com referências antigas, The Weeknd consegue usar as referências anos 80 em “After Hours” de uma forma extremamente fluida.

Material aquém da Gaga: se você passou pelas várias fases da carreira de Lady Gaga logo após explodir com um material que até hoje é melhor do que 90% dos lançamentos atuais, eu espero excelência. “Rain on Me” não entra nem na edição Target do ARTPOP, sinceramente. Eu espero LADY GAGA, não um material que há sete anos atrás ela sequer usaria e viraria descarte.

Pra mim, essa não é uma atitude de uma artista líder. E sim de uma follower. Ou no mínimo, uma estrela que deseja mostrar que ainda há lugar para ela dentro do zeitgeist atual, mas não da forma que uma líder deve fazer.

E isso me preocupa: a volta ao pop dela parece mais uma volta ao pop para os fãs e a galera que acompanha música, e não para o público no geral – é claro que as pessoas neste momento estão se importando em não morrer, mas antes disso, havia uma busca, uma agonia por novos álbuns e artistas que mostrassem que o pop tinha um caminho, mas… Nossa, “Rain on Me” é o típico top 10 que chega ao top 10 pela força das fã-bases e não exatamente por um crescimento orgânico, por ter sido abraçada por todos os grupos.

(Aliás, qual foi a última canção que você imagina ter sido realmente abraçada organicamente por todos os grupos e chegou ao topo porque foi um sucesso absurdo em todas as plataformas e uniu consumidores de nicho e público em geral, e não porque porque fizeram mutirão de streams?)

O vídeo: o vídeo provavelmente resume o ponto de “leaders and followers”: eu pensei que não teria quase o mesmo tempo da música, e considerei o look inicial com a faca na coxa bem mal aproveitado. De resto, é um vídeo que eu, como consumidora que não faz parte de nenhum dos dois fandoms, não veria outra vez; achei que a paleta de cores merecia mais vibração, um colorido, até porque a letra da música passa um certo sentimento de júbilo; e sinceramente? Não faça duelo de coreô quando seu forte não é coreografia. Gaga é competente na dança – o forte dela sempre foi um movimento repetitivo que nascia icônico (como em “Bad Romance”, por exemplo) – mas não é o suficiente para segurar três minutos de vídeo dançando; o mesmo vale pra Ariana. Além disso, eu entendi que o foco visual da era é essa coisa meio ficção científica, distopia futurista com ar low-budget, mas é possível fazer isso e soar épico. Você é LADY GAGA. Uma de suas marcas registradas são os clipes elaborados, com referências pop bacanas e divertidas, com forte replay value e hype.

Se os dois vídeos que eu vi representam que é essa Gaga pop a qual teremos de nos acostumar, então me informem para que eu pare de comparar com aquela de 2009-13; e isso inclui as músicas também. Se o material que ela apresentou é Lady Gaga hoje, e são essas as músicas que passaram pelo corte final para fazerem parte do seu novo álbum, não comparo mais. Vou focar em ouvir o que ela me apresenta hoje. Nem vou comparar com materiais recentes porque o “Joanne” é um ponto fora da curva do que a Gaga sempre fez e a trilha de “A Star Is Born” é uma comparação injusta – não porque eu queria que ela fizesse aquele som. Não, eu queria que o esforço de qualidade que ela buscou naquele álbum se repetisse aqui.

O triste é que ela mesma colocou o sarrafo lá em cima VÁRIAS VEZES, e eu espero sempre o mais FODA porque Gaga é parte importante de um período bem legal da minha vida, e ela é parte desse meu processo de formação consumindo cultura pop.

Mas, se faz os fãs felizes… Quem sou eu para criticar né?

A famosa carta de Lana del Rey

Todo o stan twitter acordou com aquela boa e velha intriga digna dos bons tempos pré-quarentena: Lana Del Rey publicou uma carta em seu instagram questionando a forma como sua música era criticada por suas temáticas, focando em relacionamentos abusivos, e questões emocionais sérias. Todos sabemos que discussão de relacionamentos tóxicos é parte do liricismo de Lana, incluindo as simbologias relacionadas ao American Way Of Life, que parecem bastante nostálgicas, mas sempre considerei que havia uma crítica, uma ironia dentro do discurso.

Pois bem, o que rendeu B.O. foi justamente o primeiro parágrafo, onde Lana cita nominalmente artistas como Doja Cat, Ariana Grande, Camila Cabello, Cardi B, Kehlani, Nicki Minaj e Beyoncé, por terem chegado à primeira posição com músicas de cunho sexual, enquanto ela canta também sobre assuntos considerados “problemáticos” e é criticada.

Como eu tinha dito nos tweets iniciais sobre esse caso, o problema dessa carta é: é compreensível a chateação de Lana por não ser valorizada como artista, mas as artistas escolhidas para fazer essa pontuação foram mal selecionadas e o timing do discurso péssimo.

Por quê?

Vamos dissecar:

Lana Del Rey é uma artista subestimada, ponto.

Toda a estética tumblr pós-2012 e essa coisa meio moody, as vozes meio oníricas, com certa impostação, se devem muito à Lana. Não teríamos Halsey ou Billie se Lana não tivesse oferecido espaço para essa linha mais sentimental sem barreiras ou rótulos, mas com uma estética puxada pela internet.

Lana Del Rey - Born To Die (2012, CD) | Discogs

Dona de um conceito artístico forte, você sabe o que Lana Del Rey faz de cara, e qual a sonoridade dela, assim como a imagem. E por isso, acho que a crítica a respeito das críticas às suas letras devem ser direcionadas à indústria, aos críticos, a quem quer que seja, sem nominar outras artistas.

Porque o fato é que: mesmo fazendo bons álbuns, alguns aclamados, isso não se traduz em prêmios. E aí é que está o dilema – especialmente quando uma de suas “filhas” sonoras fez a rapa no Grammy neste ano, e você não chegou lá. Isso provavelmente é doloroso, e deve ser por isso que ela escreve algo como “no entanto, também acredito que isso abriu caminho para mulheres pararem de ‘por um sorriso no rosto’ e simplesmente serem capazes de dizerem o que quiserem em suas músicas”.

E aí é que está o outro problema.

Honestidade em relacionamentos e relacionamentos tóxicos não são primazia de Lana.

Alanis Morrissette? Mary J. Blige? Amy Winehouse? Essas pessoas são

Fam�lia de Amy Winehouse critica document�rio sobre a vida da ...

familiares para vocês? Lana não é a primeira nem será a última a falar sobre esse tipo de situação na música pop mundial, e Carly Simon já trollou um ex nos anos 70 (“You’re So Vain”), então a tradição de female singer-songwriter usando música como diário de merdas que os homens fazem em suas vidas é tão antigo quanto escrever músicas.

O que pode ser creditado à Lana é a estética, como ela empacota os temas e transforma em música, a música que você ouve e diz “isso é Lana”.

Além disso, a seleção de artistas é extremamente problemática, e vamos ao terceiro ponto.

Temos que racializar o debate.

Eu sou uma mulher negra. Todo o debate na minha vida é racializado. Então, não escreva uma rant incluindo em sua maioria mulheres negras que sofrem com escrutínio em suas carreiras – e em seu liricismo da mesma forma que Lana, e até pior, porque são negras… – porque você vai ser acusada de? Isso mesmo, de racismo.

Mesmo com canções que falam de sexo, trair, nudez, como ela citou no primeiro parágrafo, essas artistas são criticadas da mesma forma, e até pior, porque para nós, mulheres negras, qualquer passo em falso somos completamente excluídas de qualquer discurso. Alguém ouviu o nome Janet Jackson?

Janet Jackson Reveals The Secret To Her Happiness In ESSENCE's ...

Ah, e ao responder nos comentários sobre as reações das pessoas a respeito da carta, Lana diz que “ama” essas cantoras, e as conhece, e “there are certain women that culture doesn’t want to have a voice it may not have to do with race I don’t know what it has to do with”.
(há algumas mulheres que a ‘cultura’ não quer que tenham uma voz; pode não ter a ver com raça, eu não sei o que tem a ver”)

Detalhe: tem a ver com raça. Tem a ver com raça o fato de que mulheres negras cantando pop ficam restritas ao field de “Urban Contemporary”, que mulheres negras são o gatekeeper da cultura nos EUA (e aqui no Brasil também), mas nossa estética só é aceita no corpo da branca. R&B feminino só é aceito na voz da branca. Nicki Minaj demorou mais de dez anos para chegar ao #1 mas foi Iggy Azalea quem chegou antes. Tudo tem a ver com raça. Madonna foi execrada no começo da década de 90 com o Erotica e o livro Sex, e toda uma postura altamente sexualizada e extravagante, que assustou os conservadores, mas no final da década voltou a ser a rainha do pop celebrada; Janet Jackson mostrou o bico do seio no Superbowl e foi colocada no ostracismo.

Então, tudo tem a ver com raça. Não dá pra tirar raça do pacote, nem quando você inclui duas cantoras brancas dentro da discussão (Ariana e Camila – esta última latina para os americanos, mas branca da mesma forma), quando em sua maioria, são selecionadas na sua rant mulheres negras que fazem música negra.

No final dos comentários, Lana pontua que ela defende o lugar no feminismo para mulheres que parecem e agem como ela, no sentido de “don’t look strong or necessarily smart, or like they’re in control etc. it’s about advocating for a more delicate personality” (“que não pareçam fortes ou necessariamente inteligentes, ou que estejam no controle; é sobre advogar por uma personalidade mais delicada”). De novo, racializando o debate, mulheres brancas sempre foram vistas como mulheres delicadas, frágeis, enquanto mulheres negras sempre foram colocadas como agressivas, “que aguentam tudo por que são fortes” etc. Essa posição a qual Lana luta já existe desde sei lá, SEMPRE.

Então entramos no ponto que eu acho que é essencial…

Lana é uma ótima artista. Mas sua música não é radiofônica o suficiente para fazer crossover.

Como eu já disse, e já repeti, a estética de Lana Del Rey é bastante visível e marcante, sua musicalidade é fácil de sacar de cara, suas letras são “epa, isso é Lana Del Rey” e sua voz é bastante distinta no meio pop. Lana é reconhecível. Entretanto, mesmo com remixes de suas canções, participações em músicas de artistas mais radiofônicos como The Weeknd, Ariana e Miley Cyrus, o fato é que Lana del Rey não vai fazer o sucesso que ela acreditou que deveria fazer (enquanto outras artistas que, sim, beberam de sua fonte, conseguiram #1 e aclamação) porque ela não é radiofônica o suficiente. O som dela e imagem não vão casar com uma rádio top 40 e vida que segue, sabe? Você pode não fazer sucesso e um top 10 na Billboard, mas ser aclamada no seu nicho, saca?

Confira o clipe de "Lust For Life", de Lana Del Rey em parceria ...

E dá pra sentir isso quando Lana entra numa faixa visivelmente pop (“Don’t Call me Angel”) e fica destoando porque definitivamente não é a área dela. E quando está com um Abel, que navega bem entre o alternativo e o pop, ela fica mais à vontade porque se trata de um artista muito parecido com ela.

(e sabe de uma? se ela faz um crossover pop para atrair o top 40, perde toda a essência de quem ela é, e toda a mística em torno de sua imagem. Fazer algo assim seria fatal para sua carreira.)

Eu acho que uma rant como essa não deveria sequer ser direcionada, ou escrita (a tal “question for the culture” que soou tão ruim, porque “for the culture” é uma expressão muito popular entre a comunidade negra americana) num notes do iPhone, e sim transferida para música – como ela mesma disse no final do texto.

Fale mal, faça indiretas, seja assertiva na sua música, mas sem citar nomes de pessoas que sequer tem a mesma sonoridade que você. Se ela tivesse citado Billie, Halsey, ou Lorde, eu ainda consideraria deselegante, mas teria uma lógica na crítica. Mas Beyoncé, com quase 25 anos anos de carreira? Kehlani, uma artista do R&B field?

Então, minha conclusão é: a carta vem de uma inquietação muito justa – “por que não valorizam minha música e criticam minhas letras, elas vem de um lugar que também deve ser levado em consideração”, independentemente se você concorda ou não com o que Lana escreve – mas a escolha das artistas e o timing foi muito ruim, porque as artistas citadas continuam sofrendo escrutínio pelo que escrevem, pela forma como se comportam – incluindo as cantoras que não são negras e estão citadas no texto.

Além disso, a escolha de palavras, determinadas expressões, precisam ser pensadas de forma muito cautelosa, porque você vai ser acusada de ser uma Karen de forma bem coerente.

No fim, talvez seja mais bacana entender que você é uma excelente artista que pode não atravessar o caminho do “alternativo” para o “radiofônico”, e que é bem melhor assim, porque corre risco de perder quem você realmente é no caminho.

Sugestão? Da próxima vez, transforma em música.

O caminho certo da história: “Daisies”, Katy Perry

Katy Perry Daisies.png

Uma das coisas que sempre me questionei quando se tratava da carreira de Katy Perry era – qual seria o próximo passo da californiana após o fracasso da era “Witness” (tanto visual quanto musical e em imagem perante o grande público), em que ela parecia ter perdido o bonde da história?

Fazer um som puxado pro urban para ampliar a demografia de público seria bastante forçado – mesmo que ela tivesse trabalhado com um faux-trap em “Dark Horse”, mas naquela época, soou bastante arriscado e até maduro, não trend-chaser. Prosseguir com parcerias EDM seria até cruel para uma artista com poucos featurings na carreira (e soaria bem desesperado).

Dessa forma, Katy seguiu low-profile com lançamentos de singles mais avulsos, mas que indicavam um caminho que ela poderia ter seguido lá atrás, após o “Prism” (2013): pop puro, maduro e com o toque de diversão que é característica da própria artista. Tenho lá minhas restrições a “Small Talk“, por exemplo, mas o fato é que uma das maiores injustiças dos últimos anos foi “Never Really Over” não ter chegado a um topo da Billboard Hot 100 ou a uma indicação ao Grammy porque a música é uma raridade – uma faixa moderna, atual e sem vibe retrô.

(digo isso como uma pessoa que quando ouve linha de baixo oitentista já grita MINHA MÚSICA)

Pois bem, Katy Perry continua a seguir a mesma linha, e sendo bastante autobiográfica em seu novo single, “Daisies“, lead do seu novo álbum, que veio com um vídeo simples, bem “vídeo mãezona”, e faz todo o sentido em tempos de pandemia.

Produzida pelo time The Monsters & Strangerz, cujos créditos de composição incluem várias faixas do excelente “Future Nostalgia”, além de produção de vários artistas que passam por Maroon 5 a Bebe Rexha, “Daisies” me lembrou vagamente o arranjo de “Unconditionally” (o que é ótimo), e tem uma letra bem bacana, soando como uma indireta para quem a quis colocar como has-been e fracassada após tudo que ocorreu na era “Witness”

They told me I was out there, tried to knock me down
Took those sticks and stones, showed ‘em I could build a house

They said I’m going nowhere, tried to count me out

Não é um instant hit feito “Roar” ou “California Gurls”, mas “Daisies” provavelmente é uma daquelas faixas que valem a pena ser ouvidas nos tempos de hoje. É a clássica música para dar quentinho no coração e pensar em dias melhores. Além disso, nem sei se Katy ainda quer aquele sucesso absurdo e massivo, que trouxe em troca pressões que a afetaram e a fragilizaram bastante. Ela me parece num momento diferente, em especial com a gravidez, e o vídeo mostra que ela parece bastante em paz consigo mesma.

Minha impressão? É de que este álbum será o melhor trabalho dela, porque finalmente Katy Perry pegou o trem certo para continuar sua história.

Design de um top 10 [41] em formato de vídeo!

Obs: tem uns errinhos na imagem e o áudio no final tá atrasado gente, desculpa 😦

O Design de um Top 10 voltou em formato de vídeo e vou falar sobre os destaques de uma semana histórica para o rap feminino – e para Nicki Minaj.

O que vocês vão conferir no vídeo de hoje:

– Por que eu saí do barquinho do Drake;

– Reforçando meu amor por Blinding Lights e Don’t Start Now;

– Algumas pré-pré-pré análises do Grammy;

– E um depoimento sobre a situação da COVID aqui na Bahia e em Salvador. Lavem as mãos e fiquem em casa, gente!

O vídeo está aqui, aproveitem!

Álbuns para enfrentar 2020

Domingo de Páscoa chegando ao fim, mas com o vídeo do Duas Tintas de Música, finalmente numa qualidade que me deixa mais satisfeita, editado com meu notebook novo E nesse formato sentadinha em frente à bancada E com um editor de vídeo gratuito! Hoje é dia de falar sobre dois álbuns que eu tenho o feeling que vão representar bem os sentimentos desencontrados do ano de 2020: “After Hours”, do The Weeknd; e “Future Nostalgia”, da Dua Lipa.

Na conversa, uma defesa da disco, parêntese para falar sobre Usher e participação especial de gafanhotos e dos brinquedos do McLanche Feliz e BK Kids.

(aproveitando gente, lavem a mão e se possível, fiquem em casa!)

Últimos lançamentos [3] Seguindo o blueprint para o bem ou para o mal

Continuando as resenhas sobre os lançamentos pré-Corona (ainda vou me debruçar em especial nos últimos lançamentos de fato antes da quarentena e isolamento social), hora de falar sobre algo que gera discussão e tretas tanto quanto quem ganha o Grammy: trilha sonora do James Bond.

Apesar do novo filme do 007 ter sido adiado para novembro (por causa do coronavírus), a música-tema de “No Time to Die” já foi lançada em 13/02 (considerando que o lançamento inicial do filme seria agorinha em Abril), e a responsabilidade pelos vocais e composição da música ficou com a sensação pop Billie Eilish, que se tornou a pessoa mais nova a escrever e cantar uma faixa para um filme do Bond.

Billie Eilish - No Time to Die.png

Atenção: essa resenha é beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem enviesada porque eu sou stan dos filmes do 007, tenho DVD dos filmes e tudo, e tenho minhas preferências de canções originais:

  1. “A View To a Kill”
  2. “For Your Eyes Only”
  3. “Live or Let Die”

E desde que Daniel Craig assumiu o black-tie, o martini batido não mexido e a condução do Aston Martin, tivemos músicas bem irregulares compondo a abertura dos filmes do Bond, que na fase do loiro, são provavelmente os melhores já lançados. Muita gente gosta de “You Know My Name”, do Chris Cornell, mas no cinema o efeito da faixa + abertura e eu dormindo num busão antes do isolamento social é a mesma coisa. Entretanto, todos os filmes do Bond, em suas diversas fases, tem uma faixa clássica para chamar de sua:

Sean Connery era: “Goldfinger” e “Diamonds are Forever”, CERTEZA;
Roger Moore era: incluindo minhas faves, tem “Nobody Does it Better” (talvez as melhores faixas estejam na era dele)
Timothy Dalton era: “The Living Daylights” (mesmo com uma vibe muito parecida com “A View to a Kill”)
Pierce Brosnan era: “GoldenEye” e não se fala mais nisso

(não conto o coitado do George Lazenby porque ele só esteve em um filme e a música-tema toca durante o filme, apesar de ser MARAVILHOSA, OUÇAM “We Have All the Time in the World”)

Pois bem, cortemos para Adele em 2012, que finalmente trouxe para os filmes do Bond com Craig uma faixa clássica e atemporal – “Skyfall”, que tanto fora quanto dentro da abertura causa o mesmo efeito de épico, trágico e classudo; e virou o topo a ser alcançado por quem viesse depois.

Adele ainda é um blueprint do que está sendo feito para trilhas sonoras do James Bond – após “Skyfall”, é visível que as duas faixas seguintes selecionadas priorizam baladas grandiosas (que são até um retorno ao clássico, com as músicas interpretadas pela Shirley Bassey) ou melancólicas que tentam refletir a estética dos Bonds com Daniel Craig, onde o realismo e o elemento trágico sempre caminham. Perceba que nem mesmo em “Spectre”, o final é feliz happy end – tem tragédia e infelicidade por todo canto.

No caso de “No Time to Die”, temos a mesma situação de balada para a trilha do 007, sempre com alguma referência à trilha clássica. A letra é bastante straight to the point com o roteiro, indicando que Bond será traído pela enésima vez, e com estrutura até simples – não há a sensibilidade da visão feminina sobre “James Bond” com “Nobody Does It Better”, ou talvez o senso de humor sacana de “Diamonds Are Forever”, ou mesmo o refrão fodástico de “A View To A Kill”. Se formos comparar com a faixa blueprint, o que acontece: “Skyfall” fala do roteiro do filme, mas de uma forma tão sutil que pode ser também sobre qualquer outra coisa.

O instrumental não é modorrento tem um punch no refrão, ao contrário da SNOOZEFEST que é “Writing’s on the Wall”, mas… É basicamente isso. Quando soube que Billie estava envolvida na faixa, esperava uma música mais uptempo, com bateria marcada e algo mais urgente (em tempo: a última uptempo a ser lançada como trilha do James Bond foi “Another Way to Die” – PAVOROSA – de “Quantum of Solace”, um filme até aceitável se pensarmos que foi escrito na época da greve dos roteiristas), mas a faixa é apenas legal ouvida isoladamente. Pode ser que se torne grandiosa junto da abertura, mas o material é bem esquecível.

(a propósito, ouvir o trabalho vocal da Billie me lembra de que Lana Del Rey é uma intérprete/compositora de filmes para James Bond perdida. Ela tem voz e phisique du rôle para o trabalho)

(a propósito, saudades rockão a la Duran Duran nessas aberturas… Ou um R&B sensual a la The Weeknd, a última/única vez que tivemos um R&B foi “Licence to Kill”, com uma das piores letras já escritas dentro da música pop)

E vocês, o que acharam de “No Time To Die”? Aliás, vocês tem alguma música favorita da trilha do James Bond ou a franquia não te enche os olhos?

Últimos Lançamentos [2] Justin Timberlake já pulou o tubarão faz tempo

Às vezes um artista toma uma decisão que podemos considerar a pior possível, e quando o act em questão é um homem, a gente se questiona ainda mais a razão: geralmente o fandom de act masculino não é tão flexível com mudanças de imagem ou som quanto os fãs de acts femininas – ter uma fave mulher é sempre contar que ela vai mudar, desenvolver o som, sair da caixa e fugir das obviedades, e é o que a gente quer! E geralmente, essas mudanças, quando bem-realizadas, funcionam.

Quanto aos homens, raros são os acts que decidem chutar o pau da barraca e dizer “hoje eu decidi mudar tudo!” – e entre os raros, pouquíssimos são bem sucedidos nisso. É como se as mulheres no pop estivessem sempre movimentando, buscando romper barreiras, enquanto os homens prosseguissem numa toada bastante confortável. Dá uma análise interessante sociológica, mas nem é meu foco aqui.

Confissão: eu faço parte do fandom de um artista masculino, e sonho com álbuns de sonoridades diferentes no futuro – tô sempre esperando qualquer coisa dele. Mas eu me chocaria se ele fizesse algo que não é parte do coração do seu som, tipo lançar um CD de EDM pesadíssimo produzido pelo Calvin Harris.

… Tá, mas falando em acts masculinos que decidiram mudar tudo, tem dois exemplos de movimentos musicais que deram errado, muito errado, gerando o “jumping the shark” – é como se eles tivessem passado do ponto, sem possibilidade de voltar ao que eram antes. Um deles é Usher (Usher, Usher…), que ao alienar sua fanbase R&B para entrar na modinha eletropop, foi para uma viagem e nunca mais voltou. Aliado ao fato de que ele nunca reforçou a própria brand muito bem, hoje poucos imaginam que o blueprint do artista pop/R&B que dança, canta em falsete e tem cenas sensuais em seus vídeos é Usher – e não o artista de quem falaremos agora.

O segundo a “jump the shark” é Justin Timberlake, e esse processo foi longo, culminando com o TENEBROSO “Man of the Woods”, aquela apresentação sem graça no Halftime Show e essa música lançada para a trilha sonora do novo filme do “Trolls” (desapega disso, homem!), chamada “The Other Side” (lançada em 26/02) em parceria com SZA.

SZA and Justin Timberlake - The Other Side.png

Provavelmente a melhor faixa envolvendo Timberlake em ANOS (desde a segunda parte do 20/20) é um disco-funk chill e divertidinho, cheio de balanço e um refrão bastante grudento que mostra a versatilidade da própria SZA, um dos principais nomes do R&B atual, criticadíssima pelos puristas do gênero por cantar em itálico (ou seja, aquela voz meio manhosa, como se tivesse bebido demais, que muitos puristas não curtem muito), mas que aqui vira uma diva funk que torna Timberlake desnecessário numa faixa para um filme onde ele é o protagonista.

O vídeo é simples e eficiente, e SZA de longe é a estrela, enquanto Timberlake parece o “cara das antigas” tentando recuperar o sucesso com a nova geração, numa música que é boa, mas não é exatamente o que o cara que realizou “FutureSex/LoveSounds” e colocou o pop pro futuro junto com Timbaland. E sabe onde ele realmente “pulou o tubarão”? No dia em que ele gravou “Can’t Stop The Feeling”.

E isso não é apenas uma constatação minha – muita gente considera que essa decisão minou alguma coisa na relação de JT com seu público – de “Mr. Sexo” para cantor de trilha sonora de filme infantil, e não houve retorno. Não sei se isso tem a ver com a voz dele, que a cada ano parece mais com voz de ex-membro de boy band, ou o fato de que se dividir entre ator e cantor (quem recomendou gente? A projeção vocal dele é péssima para um lead actor…) causou alguma desconexão e ele mesmo passou a acreditar demais no próprio hype – a julgar por aquele SuperBowl…………………………

Ao mesmo tempo, retornar ao pop/R&B (e buscar inspiração em soul, funk e disco) é back to basics para Timberlake, o movimento mais óbvio para quem perdeu tração nos últimos anos, e tem muita gente interessante na cena, que parece estar retomando um certo protagonismo, com quem ele pode se aliar (Kehlani, H.E.R, The Weeknd, Lizzo). O problema é que ele pode não ter o retorno de público, já que muitos o viram como alguém que sempre se utilizou da cultura negra para lucrar (muitos esperam o perdão pra Janet…), e a landscape sobre apropriação cultural e brancos sendo “a face” da música negra é bastante prevalente nos últimos anos.

Por isso…? acho que o caminho do Timberlake vai ser testar as águas pra ver se não dá pra pular outro tubarão e voltar tudo de novo. O que é impossível.

E vocês? O que acharam da música com o JT? Acreditam que ele tem chance para um comeback após divulgar “Trolls World Tour” ou ele perdeu o bonde da história?

O próximo lançamento que vou comentar aqui é de um single com a marca registrada de uma famosa franquia, e de uma música famosa dessa mesma franquia… Quem será?

Últimos lançamentos [1] Uma Lady Gaga apenas eficiente

O ano só começa após o carnaval – e provavelmente o ano neste blog deve começar neste período, mesmo que o Grammy tenha ocorrido há praticamente um mês (e este sim seja o nosso “carnaval”). Entretanto, minha vida fez uma curva de 180° (emprego novo, livro a ser publicado) e agora sim podemos conversar sobre música e os últimos lançamentos! 

Decidi focar em três singles e um CD, com publicações durante a semana, e aos poucos vamos recuperando as discussões de um ano em que eu esperava bem mais dos nomes famosos (oi, Justin Bieber)… E começo hoje com ela mesma, Lady Gaga!

Uma Lady Gaga apenas eficiente

Lady Gaga - Stupid Love.png

A Mother Monster lançou na última sexta-feira (28/02) o lead do seu próximo álbum (chamado “Chromatica”) após um período de verdadeira coqueluche graças ao filme “Nasce uma Estrela” e um álbum pop bem-recebido (“Joanne”). Mas agora, “Stupid Love” é o retorno da Gaga que nós conhecemos: extravagante, dançando muito e com uma música rápida, feita para impactar nas pistas.

“Stupid Love” é uma canção extremamente eficiente. Música pop com vibe disco/dance, visivelmente dentro de uma trend usada por algumas pop stars (como Dua Lipa) de ir atrás dessa sonoridade para sair da dominância rap, podemos considerar um follow-up mais leve de sonoridades similares, apresentadas em “Born This Way” (2011), onde lá a vibe era mais rocker – quase Donna Summer em “Bad Girls” – ainda assim com esse flavor oitentista. O video lançado no mesmo dia é cheio de dança e cores, com referências a programas de TV japoneses como Jaspion e Changeman e o tema principal, a busca pelo amor, é fofo e meio corny. Ou seja, tem a impressão digital da Gaga em cada frame. 

No entanto, confesso que queria ter gostado mais, me envolvido mais, surtado mais com a faixa. É Lady Gaga, não uma act pop random: Gaga é a pessoa que mudou a estética do videoclipe no final da década de 2000 e junto com o BEP, colocou o electropop na cena mainstream de fato; e a música é apenas… Eficiente. Bacaninha, eficiente. Duvido que entraria na tracklist final do “Born This Way” ou mesmo do “Artpop” – no máximo seria a bonus track da edição italiana do álbum. Além disso, o clipe é legal, mas… Não há um grande momento fashion, algo extravagante, nem mesmo a coreografia me parece viral. E pior: o clipe parece barato. 

(importante: parecer barato não significa ser barato. Tem “n” vídeos por aí que parecem baratos por estética e ficam fodas. Esse parece barato e ficou com jeito de low-budget, o que pra mim é surreal em se tratando de Lady Gaga.)

Pior ainda é pensar que Lady Gaga está fazendo isso, quando a gente vê vídeos de kpop entretendo com visuais, trocas de roupa, cenários múltiplos, coreografias divertidas e mesmo quando a música não é lá essas coisas, o vídeo consegue entreter. E importante ressaltar que são os grupos de kpop quem estão dominando o discurso de uma nova geração de consumidores musicais, que provavelmente também são alvo de uma Lady Gaga que quer se reconectar com o público e reforçar sua posição de A-list no olimpo pop. E isso é curioso: uma das maiores popstars dos últimos 10 anos não conseguiu fazer o seu melhor no lead single: entreter.

“Stupid Love” é uma boa música, e bastante eficiente, e seu vídeo deve estar satisfazendo sua fanbase, especialmente porque aqui ela retorna ao pop que a consagrou  Mas, em comparação com o que é amado pelo público atualmente, e com o que Lady Gaga já fez no passado, não é exatamente incrível e extraordinário. Espero que o próximo single ou o álbum sejam melhores do que isso.

E aí, vocês curtiram o novo single da Gaga? Acreditam que esse retorno da Gaga clássica será bem sucedido nessa nova landscape?


O próximo post será de um artista que já “pulou o tubarão” tem algum tempo… Vamos ver se vocês saberão de quem se trata…

Grammy 2020: achei que foi demais

(recomenda-se a leitura deste post ouvindo a música abaixo)

Quando eu comentei sobre a possibilidade de sweep (ou seja, “fazer a limpa”) no Grammy nesta edição de 2020, eu imaginei que seria algo estilo Adele. Não a quebra de mais um recorde histórico, que já durava 39 anos – a vitória nas quatro categorias do Big 4 (Álbum, Canção e Gravação do Ano, e Artista Revelação). Mas Billie Eilish conseguiu ainda mais: artista mais nova a ganhar AOTY, primeira artista feminina e artista mais jovem a ganhar o Big 4.

Opinião pessoal? Achei que foi demais, especialmente num ano tão vasto de indicados interessantes, que prometiam uma concorrência equilibrada e pulverizada.

Confesso que eu acreditava na chamada CHRISTOPHER CROSS SITUATION (que agora terei de mudar o nome) para a Lizzo, até por conta da prevalência dela até o final do período de elegibilidade – e pelo momento da carreira: apesar da Lizzo ter estourado agora, ela já tem um histórico e é uma artista mais “pronta” que Billie. Eu realmente acreditei que a Academia esperaria um pouco até entregar outros prêmios, por causa até dessa juventude. Talvez um BNA, ou Pop Solo. Mas não absolutamente tudo.

Dito isso, creio que tenha sido muita coisa porque em Gravação do Ano, por exemplo, a vitória moral era de “Old Town Road” – afinal de contas, essa é a categoria dos hits, e na maioria das vezes, é o maior hit que é premiado – considerando também a qualidade, óbvio. É muito raro que uma faixa que não hitou leve esse prêmio (a gente tem que ir até 2009 para chegar a um exemplo, com “Please Read the Letter” do Robert Plant e Alison Krauss que ficou pelo Bubbling Under); e entre as músicas de maior desempenho, “Old Town Road” foi literalmente a conversa cultural do ano, quebrou recordes e discutiu barreiras de gênero.

(mas confesso que até me surpreendi com a vitória em Pop Collab, baby steps né Grammy)

Quanto a Canção do Ano e Álbum do Ano, creio que existiam álbuns melhores e canções mais bem resolvidas, mas entendo bem a decisão por Canção, até porque tem precedente de compositores prodígio levando o prêmio – no caso a Lorde, alvo das comparações com a Billie – e a estrutura da letra junto com o arranjo são bons e envolventes. E no Pop Field, “Thank U, Next” merecia uma sorte melhor em Álbum Pop.

O fato é que…

O “When We Fall Asleep…” é representativo do ano e da “nova ordem musical” com o genre-bending, não saber que gênero é e conversar com vários estilos mantendo a personalidade. Faz sentido chamar de “voz da geração”, especialmente porque essa é uma geração que não se define ou se limita; e tanto Billie quanto Lil Nas X sabem trabalhar bem com esse grupo, da forma que encontraram (não se esqueçam de que Nas X era criador de memes no twitter e participava do fandom da Nicki Minaj na internet). Mas eu particularmente considero que dava para dividir as vitórias e pulverizar o Grammy até para representar ainda melhor essa fase de transição musical da disputa entre os puristas e os integrados (btw, quem ganhou foram os integrados nessa disputa).

Repito: pode ser que meu principal problema com a Billie seja geracional: eu não consigo me conectar com ela e TUDO BEM, nem todos os artistas devem se conectar com a minha geração. Mas estou curiosa para os próximos passos… Especialmente a música do Bond (que aí eu posso me envolver por motivos de fã da franquia hahaha não achei uma boa escolha para a trilha, e espero me enganar) além do famigerado segundo CD, que é um make it or break it.

… O Grammy precisa se conectar com a nova década

Eu dormi DUAS DA MANHÃ tendo que acordar cedo pra trabalhar, e enquanto tivemos apresentações dinâmicas como as de Tyler, The Creator, Lizzo, Ariana (apesar dos pesares vocais) e Lil Nas X (junto com um BTS que merecia uma performance só deles), ficamos aturando um miolo entediante com aquele… Aquilo com bailarinos e whatever was happening on stage + intervenções demoradas e pouco efetivas de Alicia Keys se arrastando por sei lá, QUATRO horas de premiação (exceto na homenagem a Kobe Bryant, que ela segurou bem). Eu já disse que dormi às DUAS DA MANHÃ?

Há anos que o Grammy prefere trazer performances, muitas vezes completamente desnecessárias, enquanto 95% das premiações são apresentadas no show não-televisionado. Pior: as premiações na hora da TV são tão esparsas e com escolhas tão wtf (Melhor Álbum de Comédia? Todo mundo sabe que ano que vem some do telecast, assim como foi com a premiação de Álbum para Musical no ano de “Hamilton” só por causa do hype) que tem uma hora em que você esquece qual a função do award: premiar o melhor da música (teoricamente). Quando ele foi dinâmico e divertido, justamente com os acts mais novos e que estão puxando o discurso cultural, o show foi excepcional. Quando não teve dinamismo, foi um porre.

Passou e muito a hora da organização discutir uma premiação mais rápida, focando no que interessa. Quer performance de algum indicado? Separa uma categoria do big 4 como Canção ou Gravação e coloca os indicados para se apresentar. Quer colocar um act lançando um novo single? Escolhe um, o mais bombado, pra chamar audiência. Quer sessão nostalgia? Convoca um cantor das antigas que está com turnê de despedida lucrando horrores e separa um espaço só pra ele. É muita gente cantando e POUCO prêmio sendo dado, e pior, você não tem nem mais discurso bacana, momentos épicos, e sim uma quantidade absurda de cantores e bandas empurrados num tempo que por incrível que pareça fica apertadíssimo e aí saem apresentações coladas umas às outras. Nem dá espaço para uma standing ovation.

Por isso que eu acredito numa premiação mais curta e dinâmica, e com espaço igual para show e prêmio. Afinal de contas, a gente não quer ver apenas nosso fave arrasando no palco, a gente quer é ver ele ou ela levando o gramofone e fazendo algum discurso para lembrarmos eternamente.

E aí? O que achou do Grammy 2020? Concordou com os vencedores? E o show no geral? Curtiu ou achou tedioso? Abra seu coraçãozinho nos comentários!

Drops Grammy 2020 [General Field]

Entre drinking game do “entretanto” e “polimento”, hora de fechar a caixa falando sobre os indicados no General Field do Grammy 2020!
Neste vídeo, vou comentar um pouco sobre:

  • CHRISTOPHER CROSS SITUATION
  • disputa de hits e safe choices
  • músicas feitas com frases de twitter
  • surpresas em álbum do ano
  • e vocês vão me ouvir cantar mal!

Mais uma vez, peço perdão pelo probleminha no áudio e a luz meio ruim, porque gravei de noite; sem mais delongas, apertem o play e vamos lá!