Hit or miss: Christina Aguilera – “Accelerate”, feat. Ty Dolla $ign & 2 Chainz

Christina Aguilera Accelerate cover artwork.jpgQuando Christina Aguilera lançou seu último álbum, “Lotus” (2012), eu era estagiária numa rádio em Salvador e ainda não tinha terminado a faculdade. Os professores naquele ano entraram em greve, e aproveitei a época para adiantar o TCC, fazer um ou dois cursos pra ampliar as minhas horas de extensão e enfim, colocar as coisas em dia. Com 21, 22 anos, você não tem muito o que fazer na vida a não ser seguir o fluxo.

Enquanto Xtina girava a cadeira do The Voice e a caravana pop passava, eu me formei, prossegui na rádio, cobri a ❤ Copa do Mundo no Brasil ❤ viajei pra fora pela primeira vez, mudei de emprego, viajei de novo, fiz uma pós, perdi o emprego, e cheguei aos 27 anos com milhares de coisas na cabeça e tentando jogar nas 11 – enviando currículo, cuidando do blog, escrevendo, estudando, seguindo em frente, mas buscando controlar o fluxo.

Por que estou dizendo tudo isso? Simples: todos nós, anônimos ou artistas pop de impacto, tentamos fazer alguma coisa de positivo (ou alguma coisa significativa) em nossas vidas num período longo de seis anos. Justin Timberlake, que ficou cinco anos fora do radar pop, participou de filme, lançou música indicada ao Oscar e esteve presente diante do público. Mesmo Adele, notória por não fazer mídia em torno de si mesma e avessa à celebridade (talvez seu maior trunfo como marca), lançou música e ganhou Oscar por “Skyfall”. Curiosamente, os dois exemplos que coloquei aqui foram de artistas que entraram em hiato após eras extremamente bem sucedidas, com turnês e presença em awards. Posso incluir outros artistas A-List nesse processo de longas pausas entre álbuns, por motivos diversos – Beyoncé, P!nk, Katy Perry; mas mesmo numa era com “underperformance”, nunca houve motivos para desistir tão facilmente de se fazer música, ou de sumir do radar. É voltar em pouco tempo e seguir em frente.

Christina Aguilera, entre uma colaboração aqui e outra acolá, passou anos girando a cadeira do The Voice e vendendo Oreos. O que não ajuda em nada quando você veio de um fracasso colossal feito o “Bionic” (2010) e um filler album feito o “Lotus”, sem sequer uma turnê ou residência em Vegas. Xtina perdeu o bonde da história com as vendas digitais, o retorno da cultura do videoclipe de impacto e a transição para os streams. Em resumo, são seis anos que parecem seis décadas, em que fazer música e ter presença na popsfera se transformaram.

E de que forma Xtina decide preparar seu retorno para os charts e os corações de uma geração que a viu surgir junto com Britney na virada do milênio (como a minha) e outra que só a conhece do reality show da NBC (a geração Z)?

Com uma aceleração.

Eu confesso: não entendi nada da música, inicialmente. A estrutura é confusa, a virada da intro pra música em si é brusca e o refrão com as vozes da Christina e do Ty Dolla $ign seguidas realmente é… algo. De primeira, quando a batida dropava pro 2 Chainz é quando você sentia a força da música. Mas deu pra ver onde ela estava indo – “Accelerate” é para os streams, o Spotify e a Apple Music. É a reintrodução da Xtina a um mercado que nem sabe da existência dela, a juventude que só consome música via streaming e lá rap e urban são reis. Mas aqui não é o encontro entre pop e urban que ela já tinha mostrado em “Dirrty”, “Can’t Hold Us Down” e “Woohoo“, por exemplo; ela vai bem mais além, tornando o guest verse cansado de sempre em toda canção pop praticamente uma colaboração em que eles dividem espaço com a artista principal, o que é refreshing, sinceramente. Além disso, é urban/hip hop com R&B vibes sem se entregar ao pop mesmo, mais comercial e radiofônico, o que na situação da Christina, é arriscado e bem vindo.

Três ouvidas depois, já estava cantando a música.

(e que delícia é ver a Xtina sem berrar a cada verso numa música, apenas focando na interpretação e no poder da voz. Pena que é visível a diferença de vocal de 2018 para o passado, o que evidentemente denota o desgaste do principal instrumento dela)

No entanto, é uma faixa realmente complicada, e ainda bem que não é o lead. Nem dá pra pensar na música sendo ouvida nas rádios, a estrutura é quase uma colagem (o que explica a quantidade de produtores na faixa, incluindo o novo membro do alt-right do pedaço Kanye West) e tem que ter um pouco de paciência pra sentir a música. Não é um praise universal, a faixa tem mixed reactions e faz sentido ter. É uma música pra odiar ou amar.

Como teremos aparentemente umas quatro músicas novas por semana (para o JT, uma ideia que não funcionou a contento; para a Christina, sem material inédito decente há um bom tempo, ótima estratégia), com vídeos acompanhando, é fato que teremos músicas mais acessíveis e radiofônicas – considerando que a RCA queira investir num belo jabá nas rádios – assim como clipes que sejam melhores do que esse conceito “shoot de revista” que ficou “Accelerate”. Valia a pena apostar em algo mais vistoso, especialmente para uma faixa tão… difícil, para dizer o mínimo.

Mas de uma coisa tenho certeza: o novo álbum de Christina Aguilera, “Liberation” não será previsível.

E vocês, estão no grupo de quem curtiu ou de quem detestou a música? Como vocês imaginam que será a era da Xtina neste 2018?

 

 

 

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Indicados ao Video Music Awards 2017 [5] COMBO DE CHANCES 4x

Daqui a pouquinho tem alerta performances, tretas e momentos fabulosos da cultura pop com o Video Music Awards 2017! Com a Katy Perry de host e prometendo uma apresentação de 9 minutos no final do award e performances de Kendrick Lamar, Miley Cyrus, Fifth Harmony, Lorde, Demi Lovato, Rod Stewart e DNCE, além da entrega do Vanguard para a P!nk, ainda tem as decisões sobre os vencedores dessa edição, que surpreendeu muita gente com indicados impensados e esnobadas imperdoáveis (cadê “Despacito” deve ter sido o meu mantra desde sempre).

Por isso, já esperando o começo da premiação, a partir das 21h, hora de fazer um último post sobre os indicados, desta vez falando das chances de vitória nas categorias que faltam ainda serem discutidas, na segunda parte do famigerado COMBO DE CHANCES.

Confira tudo após o pulo!

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Atualizada – Fergie, “M.I.L.F. $”

Cover Fergie MILFSUm dos grandes desafios das cantoras pop quando chegam a uma certa idade (o número mágico é 35) é se manter relevante para um público cada vez mais jovem, que descarta artistas todo verão; além de superar o desdém das rádios e uma mídia pronta para chamar essas mulheres de “velhas” e “cansadas”. É o ageism (ou etarismo), com fortes tintas machistas, influenciando as carreiras de muitas grandes artistas da popsfera.

Eu já comentei sobre esse assunto há algum tempo (aqui), tratando especialmente de Fergie e Gwen Stefani, que haviam lançado novos singles – e passando despercebido pelo mainstream. Enquanto a segunda conseguiu superar o flop extremo com um CD moderadamente bem sucedido, “This Is What the Truth Feels Like”, especialmente após a separação do marido; a primeira sumiu outra vez para retornar com um single mais a cara do verão – e bem mais parecido com a própria Fergie.

“M.I.L.F. $” não é exatamente uma Brastemp – é um pop/urban com toques eletrônicos e a Fergie rapping em mais da metade da faixa, até uma atualização do que a Duchess fez lá em 2006 no primeiro álbum solo. No entanto, é uma música que parece justamente o que a Fergie faria, e não uma cópia sem graça de uma outra produção, como era “L.A. Love”. A letra também é fraquinha, mas dá pra sacar que a ideia é celebrar as mulheres que conseguem se dividir sendo mães, trabalhando e se divertindo (por isso o trocadilho infame do M.I.L.F. – “mothers I’d like to fuck” com M.I.L.F – “mothers i’d like to follow”). O clipe ajuda a ampliar essa impressão, apresentando uma estética meio Stepford Wives (aquele filme com a Nicole Kidman, lembra?) meio “Grease”, super colorida, com Fergie e seu squad materno – incluindo Kim Kardashian, Ciara, Alessandra Ambrosio, Isabeli Fontana e Chrissy Teigen – seguindo o contexto da música.

Mesmo não sendo um single extremamente criativo, “M.I.L.F $” é a cara da Fergie, e ainda consegue soar atual e pronta pro verão. Ótima para viralizar em vídeos curtos como vines e snaps, ainda tem nomes famosos da cultura pop no vídeo, o que colabora para atrair mais visualizações, e a batida é forte e viciante, embalada para as boates. E o verso “I got the M.I.L.F money” é um quote ideal para hitar em todos os lugares. Foi uma jogada esperta, inteligente, e a Fergie que o mundo pop estava esperando.

(observação: alguns comentários de mães no Facebook criticaram o vídeo e a ideia de uma cultura “MILF” que só valoriza as mães quando elas estão no corpo “padrão” ou são gostosas. Dessa forma, o vídeo da Fergie seria um desserviço às mães que não conseguem alcançar esse padrão. Fiquei curiosa – e achei a observação pertinente, mas queria ver a opinião de vocês sobre o assunto. E aí, o que acham?)

 

Beyoncé fez a Beyoncé com “Formation”

Cover Beyoncé FormationApós o lançamento surpresa do “BEYONCÉ”, em que o álbum completo (com direito a vídeos de todas as músicas) foi lançado no iTunes e criou até a expressão “fazer a Beyoncé” (ou seja, lançar alguma coisa de surpresa) – sem contar com toda a discussão social gerada pelo conteúdo do álbum e do que houve no Grammy deste ano, público e crítica começaram a imaginar o que Beyoncé faria no próximo lançamento.

Lançar single e clipe e álbum no formato tradicional?

Jogar o álbum todo no infame TIDAL?

Divulgar o CD no Soundcloud?

Não, Beyoncé basicamente “fez a Beyoncé” e um dia antes do Superbowl em que ela fará participação especial (o headliner é o Coldplay, mas ninguém parece muito interessado neles 😉 ), lançou uma faixa nova junto com o vídeo, chamada “Formation“. O clipe é repleto de referências à cidade de Nova Orleans, Louisiana, e a música é um urbanzão daqueles que funciona como uma continuidade mais pesada à sonoridade do selftitled.

Com produção de um inspiradíssimo Mike Will Made It (a mente por trás das batidas do Bangerz), “Formation” não é exatamente a música mais fácil e acessível do catálogo da cantora. Na sonoridade, a música tem algumas quebras no meio, com inclusão de samples e um refrão que se revela lá no meio do álbum, enquanto Beyoncé emula seu lado rapper, mais versando que cantando. Um urban/hip hop mais pesado e pouco convidativo a um ouvido pop, tem uma letra igualmente contundente, falando de empoderamento – Beyoncé tem orgulho de seus traços, de suas raízes, do seu poder como mulher (no trecho “When he fuck me good I take his ass to Red Lobster, cause I slay”, Red Lobster é uma rede de restaurantes que servem pescado – ou seja, se o rapaz fizer o serviço direito, ela leva ele no restaurante – ela paga, btw) e como figura pública.

É uma música com uma mensagem direta, não só da Beyoncé para os críticos ou para a comunidade negra, mas também é uma canção para que a comunidade negra a abrace, especialmente as mulheres – para que elas também digam e se orgulhem de sua estética, de que são bem sucedidas, independentes. Em meio a tantas tensões relacionadas à representatividade negra no show biz (o #OscarsSoWhite é o maior exemplo disso), “Formation” vem para colocar mais um ponto nessa discussão, no sentido positivo de empoderar a população negra – especificamente a feminina.

É uma ótima, grande canção, e impactante – só não vejo como um hit crossover na rádio pop. Não é soft para as rádios pop, mas funciona perfeitamente para o público urban (o público que, imagino, Beyoncé queira continuar ligada agora, nos próximos passos da carreira, já que é um público fiel e não volátil como o pop, que lança e descarta novos artistas a cada mês). Acho que fará um sucesso absurdo nas rádios urban, e se for lançada a tempo no iTunes, pode subir muito por ser Beyoncé (já que o impacto do lançamento foi perdido) (digo se lançado porque a música ainda não está no chart digital /parabéns aos envolvidos), sem contar o fator stream. Vai ficar no TIDAL? Vai manter as views do Youtube?

(a pergunta é: e Beyoncé quer ainda esse tipo de exposição? Lançando “Formation”, seguindo a tendência do “BEYONCÉ”, nascido pela curva ao R&B do “4”, Beyoncé acaba se reposicionando no mercado – acredito que são passos largos para a artista se atrelar a um público que continuará consumindo seu trabalho, por identificação mútua, e por também falar sobre aquilo que esse público quer ouvir.)

E você? O que achou desse novo trabalho da Bey?

Tinashe – Player (feat. Chris Brown)

Cover Tinashe Player feat. Chris BrownO segmento R&B feminino acabou se tornando um local de nicho: ou você fica restrita às rádios do gênero, esperando uma oportunidade de lançar um single crossover para ser ouvido pelo grande público; ou os nomes antigos tentam misturar R&B e pop para recuperarem o público perdido.

Ou você é a Beyoncé.

Ou você não tem definição e está numa categoria só sua, tipo a Janelle Monaé.

Quando a Tinashe surgiu como um furacão, com a deliciosa “2 On”, além das letras sensuais e o clima sexy do debut “Aquarius”, ela foi vista como um dos sopros de renovação do gênero. Ao contrário do estilo “diva do vozeirão”, já consagrado pela Bey, a jovem cantora e compositora bebe da fonte dançante, das vozes com menos potência, a fonte de uma Ciara, que no fim é a inspiração vinda da Janet Jackson.

Bonita, talentosa, ótima compositora, com presença de palco invejável e ótimas coreografias, Tinashe estava pronta para estourar. No entanto, talvez pelo conteúdo menos palatável das músicas ou pelo fato das músicas serem “pouco crossover”, o grande público não seguiu as críticas elogiosas dos grandes sites e revistas. Por isso, a própria Tinashe decidiu, em seu segundo álbum, lançar um CD com potenciais sucessos e se tornar um nome forte na popsfera.

Além de ter se unido com o midas pop, Max Martin (e o Dr. Luke), Tinashe optou por lançar como lead-single do “Joyride” (o nome do segundo CD) uma faixa mais pop com featuring de um dos nomes mais conhecidos do cenário urban/R&B, o controverso Chris Brown. Ou seja – uma faixa com apelo universal mas sem alienar a fã-base: “Player

A faixa consegue ser mais pop que qualquer coisa do “Aquarius”, que tinha uma ambientação muito específica, em som e letras. Bem mais pop que os singles mais pop da Tinashe (“2 On” e “All Hands on Deck”), tem uma estrutura que começa numa pegada meio mid-tempo urban/R&B e explode num refrão pop dance-y (que me lembra muito esse electro-R&B oitentista que andou hitando em 2014-15 tipo “Love Me Harder” e “Good Thing”), uma atmosfera sexy sobre romance e sexo mas de uma forma palatável e a depender da radio edit, não perde o sentido da música – todo mundo pode ouvir. Aqui, Chris Brown não aparece na sua versão cantor (exceto no refrão, onde dá pra ouvir a voz de fundo do rapaz), e sim numa pegada mais “rapper”.

“Player” consegue cumprir bem o objetivo de apresentar uma Tinashe mais pop mas sem perder seu crédito urban R&B, até mesmo com um featuring bem colocado do Chris Brown (que não é exatamente um dos meus artistas favoritos), que aparece não como um convidado “forçado” na música, e sim um complemento à relação que é contada na primeira parte da canção pela Tinashe. A faixa é grower e tem chances de hitar muito nas rádios R&B – além de fazer boa figura nas rádios pop, já que 2015 é o ano em que ninguém sabe exatamente o que tá hitando de verdade – já teve pop puro, R&B, hip hop, funk, EDM e até dance tropical. Evidentemente, se a gravadora colocar a moça nos principais programas, nas premiações e até divulgando na feirinha da esquina, já que 1. a Tinashe só é conhecida de um público de nicho; e 2. a música não é exatamente a explosão que se espera da moça.

A estrutura de “Player” é muito esquisita – parece que são três músicas em uma (como se ela e os produtores pensassem em algo que misturasse as influências R&B/urban dela com uma pegada pop pra chamar o grande público mas ao invés de fazer isso numa música só, pegaram colagens de melodias diferentes que custam a funcionar como uma unidade), o refrão é grower mas pop demais pro resto da canção, e eu sinceramente não consigo imaginar uma coreografia destruidora pra essa música como a gente já viu outras vezes da Tinashe. Eu tô tentando gostar muito da música, tentando achar incrível, mas fiquei com a sensação de que podia ser melhor como o “estouro” dela no mercado pop.

(e não, essa não é produção do Max Martin). (e sim, é produzido pelo Max Martin. Não foi um dos melhores momentos dele, aliás)

(pior que eu sei que vou ouvir horrores a faixa, cantar juntinho o pré-refrão, mas sempre com a sensação de que “podia ser melhor”)

E você, gostou de “Player”?

A beleza bagunçada por trás da loucura

Cover CD Beauty Behind the Madness The WeekndAté mais ou menos um ano atrás, pouca gente fora da popsfera sabia quem era The Weeknd. Cultuado no meio indie como um talento no altR&B com sua ambiência soturna, letras envolvendo sexo, drogas e autodestruição, e EPs bem recebidos, assim como um álbum já lançado, “Kiss Land” (bem menos comercial que o seu novo trabalho).

No entanto, a sorte do canadense Abel Tesfaye (nome de batismo do artista) mudou no final de 2014. Ele ficou nos ouvidos do grande público ao aparecer como featuring em “Love Me Harder”, da Ariana Grande; e logo depois, no início de 2015, sua “Earned It” virou hit massivo por causa da exposição trazida pelo filme “Cinquenta Tons de Cinza”. Dessa forma, The Weeknd conseguiu dois top 10 e um público que começava a observá-lo com mais apuro – mas isso era só o começo.

Atualmente com duas músicas no top 10 da Billboard (“The Hills”, lançada primeiro e que fez sucesso depois; e o smash “Can’t Feel My Face”, que chegou à primeira posição nos charts), é a hora e a vez de The Weeknd mostrar com o lançamento de “Beauty Behind the Madness” que, com todo o apelo do mainstream, ele continuaria a manter a mesma qualidade e identidade dos trabalhos anteriores. Mesmo trabalhando com Max Martin, aliás.

 

O resultado dessa ascensão meteórica? Você confere após o pulo!

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Rihanna assassina vingativa em “Bitch Better Have My Money”

Rihanna Bitch Better Have My Money video

Rihanna quebrou a internet nesta madrugada! A rainha barbadiana lançou à uma hora da manhã (horário de Brasília) o vídeo do segundo single do álbum sem nome ainda (e que a internet e a indústria chamam de #R8), o urban pesadíssimo “Bitch Better Have My Money”. Enquanto o minimalismo musical e visual era presente no vídeo do primeiro single, “FourFive Seconds”, aqui a RiRi não economiza em nada – além da batida pesada e dura, no limite entre um urban menos pop e instrumental de hip hop; e a letra explícita sobre alguém que está devendo dinheiro a ela (ou seja, hino dos bancos que cobram o pagamento do cartão), o vídeo é grande, produzidíssimo, tem uma história sólida e com um belo twist final, além de participações estreladas – o policial é Eric Roberts (irmão da Julia Roberts e que você deve lembrar do clipe “Smack That”, do Akon) e o contador AKA The Bitch é Hannibal himself, Mads Mikkelsen.

O clipe mostra Rihanna sequestrando uma mulher e aparentemente pedindo dinheiro pelo seu resgate. O que começa com tortura e uma RiRi e suas amigas em high fashion revoltadíssimas com a falta de resposta, vira festança com maconha e paquerinha com policial; para no fim, descobrirmos que o foco do grupo não era exatamente a esposa, e sim o marido contador que roubou todo o dinheiro da Rihanna (o que realmente aconteceu com ela – a cantora teve um contador que lhe deu um golpe e quase a deixou sem dinheiro em 2009). Ela queria o dinheiro em troca da esposa, mas como ele estava se divertindo, RiRi preferiu retalhar o rapaz e pegar o dinheiro de volta. #SaveHannibal

Dirigido de forma cinematográfica pela própria cantora e os franceses do Megaforce (os mesmos de “Give Me All Your Luvin'”, da Madonna), o vídeo tem momentos brilhantes (como a câmera de cabeça pra baixo a fim de mostrar a “viagem” de Rihanna e as amigas no hotel), a fotografia sensacional, cores fortes, figurino haute couture e muita nudez, com free nipples aparecendo naturalmente no vídeo – e um close do bumbum da Rihanna numa das cenas mais divertidas do vídeo.

Mas o clipe é repleto de cenas divertidas e altamente gifáveis – e pode ser premiado, pela qualidade técnica do trabalho. Por isso, não me surpreenderia se estivesse na lista de indicados ao Video Music Awards, ou mesmo no Grammy.

Quanto ao impacto do vídeo nos charts, o timing do lançamento é praticamente inexistente né? A música foi lançada em Março, está no top 50 do iTunes e foi hit nas rádios urban, e de divulgação teve apenas o vídeo e a apresentação no iHeartRadio Awards – e só agora terá divulgação nas rádios pop. Seria incrível se ela tivesse lançado na época da performance, mas não podemos dizer que é tarde demais – pode ganhar sobrevida (não acredito num top 10 na Billboard) e o buzz do vídeo está alto nas redes sociais e sites (apesar do vídeo já ter sido bloqueado no Youtube pelo conteúdo). Pelo menos não ficou exclusivo só no TIDAL né.

De uma coisa é certa: top 10 do ano, “Bitch Better Have My Money” deve ser.