Combo de Álbuns – Men Edition

Estamos de volta com uma série de posts que reflete minha já conhecida PREGUIÇA – é o “Combo de Álbuns”: ou seja, sempre que eu atraso a resenha de um CD que foi lançado recentemente, costumo publicar tudo junto nessa resenha grandona, até pra cumprir minhas obrigações e continuar ouvindo coisas novas que pode ser (ou não) que entrem em premiações no futuro 😉

Hoje, coincidentemente, os lançamentos são todos masculinos, dois de artistas pop americanos e mais dois de acts fora dos EUA que fazem parte de dois movimentos que já vinham ascendendo em popularidade nos últimos anos. As resenhas de hoje são de Charlie Puth e o seu “Voicenotes” (lançado em 11.05); Shawn Mendes e o Selftitled (lançado em 25.05), a sensação coreana BTS com “Love Yourself: Tear” (lançado em 18.05) e o novo do colombiano J Balvin, “Vibras” (lançado em 25.05).

Vamos lá?

Charlie Puth – “Voicenotes”

Charlie Puth Voicenotes.pngQuem substituiu o Charlie Puth cafona e ruim do “Nine Track Mind” por esse cantor, compositor e produtor sofisticado e fun de “Voicenotes“? Não sei o que houve, mas agradeço pela mudança, porque esse CD é incrível e delicioso de ouvir. Saindo das sensibilidades pop/R&B anos 60 que não funcionaram nem um pouco no debut para algo mais puxado para o R&B/pop late-80/early-90, com direito a sintetizadores, linha de baixo retrô e muita ambientação obscura, Charlie se mostrou um artista bem mais consciente e maduro; e principalmente, um belo contador de histórias. O álbum vai destrinchando histórias de romances, traições e shades – afinal de contas, ele tá falando de quem nesse CD? – que mostram a inspiração do CD sendo as experiências do Charlie entre namoros, affaires e polêmicas com namoradas famosas.

Com letras bem menos cafonas e horrendas (a única exceção é o verso meio bizarro “you won’t wake up beside me / cause I was born in the 90s” em “BOY”, mas a música tem uma  bridge instrumental tão boa que compensa qualquer coisa), arranjos elegantes e prontos para dançar e participações especiais ótimas (Boys II Men SEMPRE delivering em “If You Leave Me Now; Kehlani confortável em “Done for Me”; e a lenda James Taylor em “Change”, a quebra gostosa de expectativa do CD), “Voicenotes” é uma evolução bem vinda para o cantor. Não apenas para mostrar que o primeiro CD foi um mal momento (ou no mínimo algo mal trabalhado pela própria gravadora), mas também dentro do pop que anda tão combalido nesses últimos tempos – dá pra fazer um pop gostosinho sem ir atrás das trends do momento (urban/trap e EDM a la Chainsmokers).


Shawn Mendes – “Shawn Mendes”Shawn Mendes - Shawn Mendes (Official Album Cover).png

Se você não ouvia o canadense Shawn Mendes porque achava micão consumir música de um jovem adolescente, um – perdeu “Illuminate”, uma baita evolução em relação ao primeiro CD, que tinha suas fraquezas; e dois – CORRE logo pra ouvir o selftitled do menino porque ele conseguiu! Com apenas 19 anos, o material que ele apresenta não apenas é um salto absurdo em qualidade, letras e instrumentais em relação aos CDs anteriores, como também o coloca lá na frente em relação aos peers no complicado mundo dos artistas jovens masculinos do pop.

Um esforço pop com experimentações rock (“In My Blood”), soul/funk (“Lost in Japan”) e até R&B (na ótima “Why”), prossegue com a vibe domingo chuvoso de outono tomando cafezinho com mozão ou mozona debaixo das cobertas. E ficou ótimo! A vibe stripped-down do próprio som do rapaz, combinada com produções agradáveis e super coesas (como é bom ter um grupo pequeno de colaboradores né?), além de featurings que agregam – como Julia Michaels e Khalid – aliás, “Youth”, super graciosa, tem uma mensagem simples, forte e efetiva para uma geração que é o foco dos dois jovens artistas. A mensagem atinge fácil a juventude de hoje e tem fôlego, não é um amontoado de clichês.

Apesar de uns dois fillers bem sem graça, no geral “Shawn Mendes” é um dos álbuns pop mais amarrados e bem feitos do ano. Para o próprio Shawn, é uma evolução além – com letras mais intrigantes, uma temática de relacionamentos que consegue atingir ouvintes de todas as idades e vocal ainda por evoluir mais, o canadense já construiu um caminho sólido para si, uma carreira longeva e sólida, além de um público fiel que vai crescer junto com ele.


Love Yourself Tear Cover.jpegBTS – “Love Yourself: Tear”

Como vocês já devem estar sabendo, a boy band coreana BTS foi o primeiro grupo de k-pop a estrear em primeiro lugar no chart de álbuns da Billboard, o que mostra que o gênero já vem alcançando novos caminhos no Ocidente, assim como conquistando fãs jovens que vem migrando do pop americano para a sua contraparte coreana. O motivo? Os grupos e artistas solo de k-pop trazem entretenimento, visuais cativantes e músicas animadas e upbeat, mesmo com letras que tratem às vezes de questões super sérias – e aí você dança com uma mão na cintura e outra na consciência.

Como eu não sou uma grande conhecedora do estilo, fui de coração aberto conferir o terceiro álbum do BTS (em coreano; no total é o sexto dos garotos) e tive uma agradável surpresa em conferir as 11 músicas do CD. Com um conceito bem amarrado sobre a dor da separação e o lado mais obscuro do amor, até mesmo nas músicas mais animadas (como o lead single “FAKE LOVE”) você tem letras que usam de metáforas para falar de um relacionamento que não deu certo e como o “eu lírico” (ou os membros da banda, que participam da composição das faixas) lida com essa sensação de perda. A sonoridade R&B é deliciosa, especialmente porque me lembra muito o que eu costumava ouvir quando era adolescente nos anos 2000, mas nada soa datado, e a as adições eletrônicas na instrumentação orgânica são bem-vindas. Em faixas como a ótima “134240”, que usa a história de Hades e do (ex-atual) planeta Plutão para falar de relacionamentos, a vibe meio “chill” é agradável, mas esconde uma melancolia evidente na letra.

Tirando uma faixa dance que ficou meio away dentro da tracklist (“So What”), “Love Yourself: Tear” não apenas deve ter agradado às fiéis fãs do BTS como pode ser uma bela introdução aos neófitos do k-pop como eu. Entre metáforas bem construídas e uma bem-vinda departure com inspiração latina (“Airplane pt. 2”, que eu gritei na hora do refrão É A NOVA DESPACITO!), é um ótimo CD que merece ganhar o mundo e ampliar ainda mais o perfil dos meninos do BTS no mainstream.


J Balvin – “Vibras”J Balvin Vibras cover.png

O quinto álbum do superstar colombiano do reggaeton na verdade é a trilha sonora pro verão lá no hemisfério Norte. É curioso como Balvin conseguiu fazer um álbum em espanhol, com uma sonoridade latina mega popular, mas com um apelo internacional bem envolvente. É reggaeton, mas faz umas concessões curiosas dentro das próprias faixas que ganham um apelo pop que independe da língua.

Apesar de ter uma intro, “Vibras”, a gente pode considerar que “Mi Gente”, com Willy William (e que chegou até a ter remix com a Beyoncé) é a verdadeira introdução “espiritual” do álbum. A faixa, que quer te fazer dançar sem pensar na nacionalidade ou na origem, é o começo perfeito para determinar o mood do CD – mesmo que a letra seja distinta do coração do álbum, que tem todo um clima de sedução e romance que talvez seja um dos pilares da música latina, seja em espanhol ou em português. Das deliciosas “Ambiente” e “Cuando Tu Quieras”, além de “Noches Pasadas” e “Donde Estarás” – que tem a maior cara de hit; além da gostosíssima “Brillo” (que me lembrou um pouco de “Downtown” da Anitta), J Balvin apresenta no álbum uma vibe gostosa, tropical e ao mesmo tempo noturna, ideal para romper o verão americano sem fazer nenhum esforço.

Apesar de um ou dois fillers (e impressionante como “Machika”, que fecha o CD, parece um corpo estranho na vibe carefree do “Vibras”), é um álbum que merece as reviews calorosas na gringa e uma ouvida atenta – mesmo que estejamos em plena época de São João. Com “Vibras”, o reggaeton realmente se solidifica como um fenômeno pop que não parece sumir tão cedo.


E vocês, já ouviram algum dos quatro álbuns? O que acharam? Podem comentar aqui mesmo no blog ou no nosso Twitter e Facebook!

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Dez anos de Lady Gaga

 

Extravagante, complexa, divertida, polêmica, um fenômeno pop que ajudou a pavimentar o caminho para o eletropop se tornar popular e o retorno da cultura do videoclipe no final da década passada. Lady Gaga chegou aos dez anos de carreira já com um legado poderoso em mãos – na música, na imagem e na moda. Mas como essa mulher que foi a mais falada e discutida por três anos sem parar se encontra num novo contexto cultural? E o que o futuro reserva a Gaga? Saiba mais no novo vídeo do canal Duas Tintas de Música!

(finalmente!)

 

Pop com Propósito – Christina Aguilera “Fall in Line” (feat. Demi Lovato)

Christina Aguilera prossegue com a divulgação das músicas que vão entrar no novo álbum, “Liberation“, e após a divisiva “Accelerate” e a incrível baladinha “Twice“, finalmente chegou o primeiro single real oficial – “Fall In Line“, um pop/R&B com vibe soul e key change, e a participação de Demi Lovato.

Co-composta pela própria Xtina, é uma faixa super relevante em tempos de #meToo e #timesUp, empoderadíssima e como estratégia de retorno à música após seis anos girando a cadeira do The Voice, trazer um featuring da nova geração é uma sacada incrível – aproxima-se da turma jovem e ainda tá falando de assuntos que fazem parte do zeitgeist. Mesmo assim, Xtina sempre tratou do assunto empoderamento feminino em suas músicas; então, não soa oportunista, e sim a voz de uma artista que conhece o que tá falando – e que viveu isso.

Saindo da parte clínica da indústria para os aspectos artísticos da canção…

yaaaaaaaaaaaas Christina! Que letra, que musicão. Anthem para uma era em que as mulheres cansaram de se calar e estão denunciando abusos, assédios e violências e lutando para melhores condições de trabalho, carreira e vida; e com a voz madura da Christina, não é mais uma jovem inquieta e sim uma mulher mais vivida aconselhando, seguindo junto e dando as mãos a outras mulheres para seguirem juntas, contra aqueles que desejam vê-las sem pensar ou agir por si próprias. Trazer a voz da Demi Lovato, que também tem um apelo forte de empoderamento, e que também tem coisa pra contar, ganha um sentido ainda maior de irmandade entre duas cantoras e duas mulheres fortes. Isso se reflete no encontro das vozes – não ficou uma guerra de egos: as duas dividem bem o dueto (mais que feat), beltam juntas e tem um estilo similar, dramático de cantar. As vozes se equivalem no refrão, e mesmo na tradicional gritaria, você consegue OUVIR as duas.

Aliás, que delícia ver duas vocalistas de gerações distintas se desafiando e se respeitando numa faixa. Até a gritaria clássica pós-key change é linda e eu tô muito empolgada com “Fall In Line” hahaha QUE REFRÃO FORTE, QUE MÚSICA COM ALMA, COR, RELEVÂNCIA MAS SEM SOAR PRETENSIOSO. Pop com propósito, é você?

A batida com a marcha ficou perfeita com a vibe soul da faixa, a guitarra discreta, a produção grandiosa mas sem ser excessiva, é o pop/R&B que esperamos da Christina e que tem tudo a ver com a Demi.

E sabe o que é mais legal entre as faixas ouvidas até agora do “Liberation”? Todas tem um tom, uma linha de raciocínio, uma unidade da produção. Apesar de serem produzidas e compostas por pessoas diferentes – e mesmo com a loucura dissonante de “Accelerate”, você consegue enxergar as três músicas dentro do CD. Difícil pensar que o álbum vai sair ruim…

Por fim, a música tem jeito de hit, e espero que seja divulgada até na barraquinha de cachorro quente da esquina. Musicão, um dos melhores do ano. Christina e Demi merecem!

Mixed feelings: Ariana Grande, “No Tears Left to Cry”

File:Ariana Grande No Tears Left to Cry.pngAriana Grande já pode ser considerada um dos principais nomes do mundo pop atual. Desde o estouro com a throwback 90’s “The Way”, que surpreendeu o mundo liderando o iTunes (e mostrando o poder da fiel fã-base Arianators); com excelentes álbuns que só fazem melhorar lançamento após lançamento; uma voz privilegiada que rendeu comparações à Mariah Carey e uma imagem e som bem característicos, desde o começo ela sempre esteve um passo a mais que as peers.

Nem mesmo o Donutgate (quando Ariana cuspiu num donut num restaurante e disse que odiava os EUA, tudo filmado pelas câmeras de uma loja de doces) afetou a imagem da jovem estrela. Pelo contrário, ela conseguiu inverter o jogo com outro lançamento celebrado, o sóbrio e envolvente “Dangerous Woman”, e o auge de sua relação artística com o Midas Max Martin – talvez o último grande trabalho do produtor sueco no pop, antes que chegassem “Witness” e “Reputation” na vida dele.

Só que, apesar de tanta exposição (e quatro indicações ao Grammy), o nome “Ariana Grande” só foi se tornar conhecido mesmo (para até a minha mãe saber quem ela é) no momento mais trágico de sua carreira – o ataque terrorista no final do seu show na cidade britânica de Manchester, ano passado. O atentado chocou o mundo – além da própria característica do ataque, a maior parte das vítimas eram crianças e adolescentes voltando de um show de música pop (o último lugar que você poderia pensar na ação de um homem bomba). 23 pessoas morreram (incluindo o terrorista) e 512 ficaram feridos. Algumas semanas depois, Ariana organizou um show especial (e emocionante, deixando até esta escriba, sempre tão fria, com os olhos marejados) em Manchester, “One Love Manchester”, um show beneficente cujo dinheiro arrecadado foi para ajudar as vítimas e suas famílias.

Todo o mundo finalmente pode conhecer Ariana Grande; e seus próximos passos, pessoais e artísticos, seriam vistos com calma pelo grande público. E uma certa antecipação.

E com grande antecipação que chegou o primeiro single do quarto álbum da jovem diva, a pop/R&B/dance com espírito anos 90, “No Tears Left to Cry“.

Inicialmente, pensando que as pessoas tinham chorado ouvindo a música, e alguns disseram ter referências ao atentado em Manchester, eu imaginava outra coisa – uma balada R&B, ou uma música pop sofrida, algo do gênero – não um pop/R&B com vibe dance anos 90, atualizado para 2018. Eu até gosto da melodia, simpatizo com a pegada quase disco do refrão, mas a execução poderia ser bem melhor. Fiquei imaginando Clivillés e Cole (do C+C Music Factory) com um material desses em mãos, o banger que seria (e curiosamente, nesta música, apesar da voz não parecer, me veio à mente como Mariah Carey trabalharia com a faixa).

No entanto, em comparação com os outros lead singles da Ariana, o resultado final é confuso e decepcionante (mais um na lista de decepções de Max Martin no último ano). A letra até trabalha com a ideia de “não vou chorar, mas vou celebrar a vida”, que talvez seja a referência ao que houve ano passado – mas eu tive que ouvir a música acompanhando no Genius umas cinco ou seis vezes pra entender. Não apenas porque a letra realmente é fraca (e a quebra no refrão é muito ruim), mas porque eu não entendi o que ela falava a música toda.

Eu confesso que meu listening é confuso, mas Ariana Grande sempre teve problemas com a enunciação das palavras nas músicas – uma crítica antiga que achei que teria se dissipado no terceiro álbum, em que a enunciação das palavras é bem mais compreensível. Em “No Tears Left to Cry”, depois de três ouvidas, eu só conseguia entender “I’m picking it up” e “no tears left to cry”. Parece alguém que não sabe a música e fica cantando baboseiras por cima.

Só depois de acompanhar no Genius e ouvir mais vezes fui entender alguma coisa a mais da música (aí depois você se questiona por que a Ariana não ganha Grammy…)

Além desses problemas, sinceramente? Eu fiquei bem broxada com o resultado final. A canção é grower? É; e evidentemente, com os fãs fiéis e novos ouvintes que chegaram depois para a festa, o lançamento será com excelentes números, mas é uma música difícil de pegar de primeira e no fim do dia, uns bons passos pra trás em relação ao que a Ariana já lançou antes – sério, nem uma performance vocal marcante a música tem.

Já o vídeo, de longe um dos melhores do ano. É lindíssimo visualmente, apesar da expressão completamente desprovida de vida com o qual a Ariana faz a dublagem. Sério, Dave Meyers nunca decepciona.

E vocês, o que acharam da nova música da Ariana Grande? Podem comentar!

Shawn Mendes e um amadurecimento esperado

Eu já tinha comentado aqui no blog sobre o Shawn Mendes e como eu sempre simpatizei com o som do jovem canadense – um pop orgânico, com referências de blues e soul, e com apelo bem maior do que as teens que já seguiam o Shawn desde os tempos do Vine. O que eu achava ser necessário para o rapaz era dar um polimento na letra, que era simples, mas ainda com uma vibe juvenil; mas nada como o tempo para trazer esse amadurecimento artístico para ele.

The cover consists of a floral design in the lower left corner with the title spelled out vertically in the centrePois é, esse amadurecimento chegou – e chegou de forma assustadora, com os dois singles lançados na quinta e sexta-feira passada; “In My Blood” e “Lost in Japan”, dois lados até certo pronto extremos de sonoridade que o canadense vai apresentar no terceiro CD. Assustador porque eu ainda não esperava essa elegância e tanta sutileza com 19 anos; e ainda por cima com dois sons que eu não sei como vão se encaixar no novo álbum.

“In My Blood”, a primeira música da nova era que foi lançada, é um pop-rock com cara de stadium anthem, com o DNA do Kings of Leon por toda a canção, e uma excelente letra (a melhora como letrista é absurda), super relatable – sobre ansiedades e dúvidas – e traz um peso ao repertório, que sempre foi mais acústico e intimista (mesmo com uma faixa super “pra cima” como “There’s Nothing Holdin’ Me Back” destoando do todo). Só essa música já tinha me deixado mega animada para o novo CD; mas aí quando ele lançou “Lost in Japan” (que estou já cantando o refrão a plenos pulmões) aí eu fui literalmente comprada pelo som. Que The cover consists of a floral design in the lower left corner with the title spelled out vertically in the centremúsica linda! É um pop/soul retrô dançante que lembra um old Justin Timberlake-meets-John Mayer-and-John Legend e funciona muito bem: o piano conduzindo a música, a linha de baixo marcante, a guitarrinha groovada, os instrumentos de sopro na viradinha do refrão bem discretinho – é uma produção extremamente elegante e equilibrada, um upbeat moderno e adulto, prontinha para consumo crossover. Agora é descobrir como essa música vai se encaixar no resto do álbum hahah

(aliás, se esse lançamento duplo foi inspirado na estratégia do Ed Sheeran, as faixas selecionadas do Shawn Mendes dão uma surra no que o ruivo apresentou pra Divide era.)

De fato, estou encantada pelo novo som do Shawn Mendes – mais maduro, encorpado, preocupado com os arranjos e as letras e uma evolução realmente assustadora em relação aos dois primeiros CDs. A minha empolgação para o novo álbum aumentou horrores e creio que teremos surpresas muito boas do canadense.

E vocês, o que acharam dos dois lançamentos? Se ainda não ouviu, confira aqui:

 

Dia Internacional da Mulher: Oito músicas para reforçar o poder feminino

Hoje não é exatamente um dia de “comemoração” – o 8 de Março é mais uma data importante, de luta, para lembrarmos sempre sobre o quanto “ser mulher” é luta pra sobreviver num país que mata mulheres diariamente, que violenta e agride mulheres desde a infância e que ainda paga menos, desvaloriza e as trata como apenas anexos.

Mas aqui no blog eu vou abrir um pouco de espaço para reforçar o poder da mulher – ela que é capaz de tudo e mais um pouco, que tem inúmeros papeis, que não tem medo de enfrentar os desafios e assumir seus sonhos, paixões, medos, alegrias e loucuras. E a melhor forma de fazer isso é por meio da música de mulheres incríveis com temáticas super caras a nós. Alguns clássicos, deep cuts que merecem sua atenção, sucessos pop recentes e um guilty pleasure que ninguém é de ferro.

“Woman”- Kesha Featuring The Dap-Kings Horns

Vale a pena começar com um dos hinos do incrível “Rainbow”, o renascimento da Kesha como artista e mulher – “Woman” é puro empoderamento, com direito a uma indireta bem direta pro inominável Dr. Lucifer com “‘Cause I write this shit, baby, I write this shit”, e de certa forma, uma indireta para toda a indústria, que sempre questiona se uma mulher realmente escreveu determinada música num álbum.

 

“I’m Every Woman” – Whitney Houston

Um clássico do R&B que tinha estourado numa vibe disco na voz de outra diva, Chaka Khan, ganhou ainda mais status de ícone na voz da Voz, Whitney Houston, que regravou para a trilha sonora de “O Guarda Costas”, em 1992. Reforçando a ideia de que essa mulher é tudo e todas as coisas, e consegue fazer o que quer sem esforço, tem um significado especial (e melancólico) quando pensamos que o vídeo oficial da faixa tem a Whitney grávida da Bobbi.

 

“Independent Women Part 1” – Destiny’s Child

Não é de hoje que Beyoncé fala do poder feminino em sua carreira. As Destiny’s Child já falavam de sororidade e independência  no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Mas com certeza “Independent Women Part 1” é um dos clássicos mais instantâneos por ser parte da trilha do filme “As Panteras” (minha infância purinha) e ser um hino pra todas as mulheres que trabalham, se divertem e amam na mesma medida.

 

“Respect” – Aretha Franklin

Um clássico atemporal do empoderamento feminino, tem uma história curiosa – escrita e lançada originalmente por um homem, Otis Redding (de quem vou falar dia desses), foi regravada por Aretha, que ainda incluiu alguns versos e referências que refletissem o seu objetivo na música: exigir respeito do marido/namorado, não apenas como esposa, mas como parceira. Uma música que não envelhece nunca.

 

“Can’t Hold Us Down” – Christina Aguilera Feat. Lil Kim

Xtina sempre foi de falar o que pensava, mesmo que isso fosse um problema pra ela depois – e quando ela se juntou com Lil Kim pra criticar o double standard entre homens e mulheres (e jogar shade no Eminem), surgiu uma das faixas mais atemporais da Christina e dos anos 2000. Ainda estamos discutindo o tema de “Can’t Hold Us Down” – mostra de que nós mulheres ainda temos um longo caminho para sermos respeitadas em nossa sexualidade.

 

“Hey Girl” – Lady Gaga Featuring Florence Welch

Deep cut do “Joanne” que merecia ter sido single, essa faixa super anos 70 coloca Gaga e Florence (do Florence + The Machine) juntas numa cute song sobre irmandade feminina, que as mulheres não devem brigar entre si e sim se unir. Além da própria mensagem de união, é uma indireta sutil a toda uma indústria e mídia que adoram criar feuds femininos para vender álbuns e jornais.

“That’s My Girl” – Fifth Harmony

O último single das Quintas antes da saída da Camila Cabello, representa musicalmente a vibe que as meninas  apresentaram em entrevistas e no convívio com as jovens fãs do grupo – a amizade e apoio feminino para enfrentar os desafios da vida. Mesmo que a relação de fato entre as cinco não tenha sido perfeita do começo ao fim, ao menos elas entregaram ao fandom na música o discurso empoderado pelo qual ficaram conhecidas no começo da carreira.

 

“Man! I Feel Like a Woman” – Shania Twain

Encerrando em grande estilo o post, um clássico do country-pop da Shania Twain que até hoje coloca meio mundo pra dançar e várias garotas para se divertirem sem pensar no dia seguinte. Outra música que dominou minha infância (foi até tema de novela), é acompanhado por um clipe que é a versão invertida (com os gêneros trocados) de um vídeo do Robert Palmer, “Addicted to Love“. Uma ironia finíssima, btw.


Esse post foi para dar uma suavizada, refletida, um reforço novamente do poder da mulher neste 8 de Março. Mulheres que se divertem (e nos divertem), que gritam, que não tem medo de cara feia ou opiniões ultrapassadas, mulheres incríveis de ontem, hoje e todos os tempos, que juntei nessa listinha que com certeza devo ter esquecido outras artistas, mas fiquem à vontade nos comentários para listar outras artistas com músicas poderosas (e empoderadas) ou indicar as suas favoritas.

 

E para todas as mulheres: seguimos!

Meghan Trainor – “No Excuses”

A blonde woman standing in front of a pink background with "No Excuses" written above and behind her in white font.Sempre achei que Meghan Trainor tinha tudo para ser a Katy Perry dessa segunda metade da década. Bom tino para músicas catchy, personalidade divertida, jeito de sucesso. O primeiro álbum provou que ela podia seguir esse rumo (e baseado no fato de que pelo menos um Grammy ela já tem), mas algo aconteceu na produção do segundo álbum – o grande desafio de todo artista novato – ou podemos dizer, uma Epic aconteceu nesse período que transformou o novo CD naquela bomba que era o “Thank You” e um promissor single, “NO”, a única coisa decente de uma era que mal aconteceu de fato.

Meghan deu uma sumida (que eu nem sei bem se foi bom ou ruim pra carreira dela), voltou a ser loira (impressionante como ruiva tirava toda a personalidade dela) e agora está com um lead single, abrindo os trabalhos do terceiro álbum (infelizmente, ainda com a Epic) com “No Excuses”.

Será que agora vai?

Sobre a música, era óbvio que a Meghan voltaria com um som mais moderno, mas com leves influências retrô, que é justamente a vibe da moça. A linha de baixo meio eletrônica, as palminhas. É bem gostosinho, bem primeiro single pro verão. O refrão é forte e a letra até interessante – parece a Meghan respondendo a alguém sendo impertinente com ela; mas no geral, a produção é altamente descartável. Bem qualquer nota.

Agora, uma música chiclete, apesar da produção batida, pode crescer bastante com um bom clipe. Não é o caso do vídeo de “No Excuses”, fraquíssimo, com zero replay value e com cara de que a Epic não investiu um níquel nisso. Acho que o único dinheiro que a gravadora botou nesse clipe foi pro CGI para ampliar o número de Meghans. Até “All About That Bass” e “Lips Are Movin” pareciam ter mais budget. Essa mulher ganhou um GRAMMY, cadê dinheiro pra investir???

No fim das contas, apesar da música até ser boa e grudenta, a faixa tem um problema sério: não é marcante, não se destaca, não me atrai para ouvir o resto do futuro CD. Não traz nada de interessante até mesmo para o ano, especialmente com o vídeo sem graça. Queria muito ter gostado, porque simpatizo de graça com a Meghan Trainor; no entanto, aparentemente ela perdeu o bonde da história há algum tempo.

O que achou do novo single da Meghan? Pode comentar!