Todo poder ao rei na trilha sonora de Pantera Negra

The cover image features a neck-ornament upon complete black background. It is made of animal incisors used as beads and worn by T'Challa.Se vocês ainda não assistiram ao grande sucesso do ano até o momento (três semanas liderando as bilheterias e pertinho do bilhão – sem a China!) “Pantera Negra”, o novo, mais desafiador, excitante filme da Marvel (que até agora gera discussões e thinkpieces), o que estão fazendo da vida? Eu assisti duas vezes, e já quero campanha antecipada para todas as premiações da awards season – espetáculo visual, de figurino, fotografia, maquiagem, de performances incríveis (o que é Michael B. Jordan como Erik Killmonger? Chadwick Boseman exalando poder e realeza como T’Challa? E a força e personalidade de Danai Gurira, Lupita Nyong’o e Letitia Wright defendendo personagens femininas multidimensionais num filme pipoca da Marvel? A CONCEPT!), além de roteiro e de motivações inteligentes (graças ao script co-escrito pelo diretor, Ryan Coogler, uma das pessoas mais interessantes por trás de uma câmera atualmente na indústria). “Pantera Negra” não é apenas um blockbuster que traz mais do que entretenimento e ação, é um acontecimento cultural, de representatividade na frente e nos bastidores; do que representa a África para nós (que parece tão distante, mas pra quem mora aqui em SSA, é uma lembrança mais próxima – nos rostos, na culinária, na música, na religiosidade), e o que é ser negro, especialmente negro da diáspora, e como essa identidade nos moldou para nos tornar o que somos hoje.

Acompanhando esse filme fabuloso tem uma trilha sonora de respeito – não apenas os incríveis instrumentais do Ludwig Göransson, colaborador antigo do Coogler – mas também o álbum curado do Kung Fu Kenny: Black Panther: The Album – Music from and Inspired By, o CD com faixas inspiradas no filme, e com músicas que apareceram em “Pantera Negra”, tudo organizado pela visão sempre incrível de Kendrick Lamar, que chamou os amigos, colaboradores habituais e rappers da África do Sul para apresentar o álbum do ano (e estamos começando Março!)

 

Apesar de evidentemente recomendar que você assista ao filme, dá pra curtir “Black Panther: The Album” numa boa, porque as músicas tem vida própria (e poucas estão no filme); mas é bem mais gostoso ouvir o CD conhecendo os tensionamentos do filme – especialmente porque o Kendrick pensou nas músicas como perspectivas do T’Challa e do Erik Killmonger – ou seja, são as visões dos dois personagens principais que perpassam o álbum, e você sente isso na produção: as faixas que tratam do posicionamento do Erik (como “Opps”, “Paramedic”, a INSANA “King’s Dead” tem produções mais pesadas, bem mais hardcore, e uma certa urgência e darkness e tensão que fazem parte da rage do personagem, e que tratam de violência, de inadequação a uma sociedade que o odeia, ou pura raiva e catarse). Já as músicas ligadas ao T’Challa são mais suaves, variam em sonoridade (o afrobeat de “Redemption”, a mistura de “X”, a vibe slowjam de “The Ways”) e em temáticas, desde a responsabilidade (com grandes poderes… sorry, herói da Marvel errado), dúvidas, medos, relacionamentos amorosos, segundas chances. E com as perspectivas tão divididas – e tão fortes – a dúvida mais poderosa de todo o filme (quem viu sabe) permanece em “Black Panther: The Album”.

Sobre as colaborações, Kendrick só vai trazer artistas de alto nível, e fazer os encontros musicais corretos: Travis Scott, James Blake, Future, The Weeknd; e rappers sul-africanos que fazem a necessária ponte entre as representações do negro na Motherland e nos EUA – Saudi, Yugen Blakrok, Babes Wodumo e Sjava oferecem perspectivas e sonoridades (e vozes, acentos, línguas) distintas que enriquecem ainda mais a audição de “Black Panther: The Album”. Não é apenas um álbum de um rapper americano para um filme de Hollywood tentando se conectar com a África; é um encontro de culturas, sons e experiências (com direito a vários versos em Zulu), e que apresentam temáticas que se conectam com o próprio filme (como destino e tradição) assim como refletem questões atuais, dentro da realidade da África do Sul, e por extensão, do continente africano.

Como o álbum é feito por músicas que fazem parte da trilha e que são inspiradas por “Pantera Negra”, algumas faixas – apesar de aparecerem no filme – são mais reflexivas ou mais comerciais do que o resto do grupo, como a futura vencedora do Oscar de Melhor Canção Original “All The Stars” e a incrível “Pray For Me” (melhor que todo o último álbum do Abel); o que não afeta em nada a coesão do álbum, se você quiser ouvir antes ou depois de ver “Pantera Negra”, ou se você quer curtir de forma independente.

Em resumo, Kendrick did it again! conseguiu produzir, curar, juntar uma turma altamente talentosa e apresentou ao mundo outro álbum destinado a ser clássico, um sucesso de público e crítica, e se possível – e se formos justos – uma oportunidade para a Academia fazer a coisa certa e celebrar um dos artistas mais incríveis dos últimos anos com um certo gramofone…

(e não se esqueçam de ver ou rever “Pantera Negra”, viu? #wakandaforever)

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Drops Grammy 2018 [3] “4:44”, Jay-Z

O nosso blog continua a análise dos álbuns indicados a Álbum do Ano através do Drops e a conversa de hoje está relacionado à grande surpresa entre os concorrentes ao prêmio: “4:44”, do Jay-Z. Um álbum aclamado criticamente mas que passou batido por muita gente por sua disponibilidade estar restrita ao TIDAL (exceto se você se valesse da Torrent Tour para conseguir o álbum), é um dos grandes CDs do ano e mostra um Jay-Z não apenas no topo da sua musicalidade como é um clássico álbum pessoal e íntimo (mesmo que ele esteja confessando ter traído a Beyoncé), assim como trata de assuntos caros à visão de mundo e de empoderamento negro do Hov.

No entanto, por ser um segundo álbum de rap entre os indicados, o Quatro e Quarenta e Quatro se tornou uma real ameaça a tirar uma boa quantidade de votos do “DAMN.”, do Kendrick Lamar. Ou aproveitar a relevância e legado do Jay-Z para levar o prêmio principal da noite.

Qual será o cenário de vitória, derrota ou surpresa que o “4:44” pode trazer no Grammy 2018?

Dê play e confira!

 

Drops Grammy 2018 [1] “DAMN.”, Kendrick Lamar

Este ano, eu decidi fazer algo diferente… Ao invés do Duas Tintas de Música apresentar os indicados a Álbum do Ano bem pertinho do dia da premiação, optei por fazer uma análise rápida dos indicados por meio de vídeo, através do Drops – vídeos curtos (que eu desejaria ser de cinco minutos, mas viraram nove, dez…) onde a ideia é comentar sobre cada indicado a Álbum do Ano na premiação.

A conversa de hoje gira em torno do álbum favorito (a cada dia menos favorito) “DAMN.”, do Kendrick Lamar. Mais um trabalho admirável do rapper californiano, com rimas inteligentes, produção esmerada e visão de mundo única, desta vez  ele conseguiu unir a qualidade de seus dois trabalhos com o fator comercial nas faixas, especialmente os singles, trazendo no final um CD aclamado pela crítica, pelo público e com top 10 e um #1 solo no bolso do K-Dot. Até segunda ordem, era hora do Grammy finalmente fazer o que deveria ter feito há algum tempo (quase dois anos, pra ser mais exata) e entregar o gramofone pro Kendrick.

No entanto, quando os indicados ao principal prêmio da música foram revelados, o lineup final trouxe surpresas e cenários que podem oferecer nomes distintos no envelope mais desejado da indústria. Por isso, o drops de hoje lança essas questões:

Quais são os pontos fortes? Quais são as ameaças ao novo trabalho do K-Dot? Quais são as chances de vitória?

Aproveite e dê play!

 

Indicados ao Video Music Awards 2017 [5] COMBO DE CHANCES 4x

Daqui a pouquinho tem alerta performances, tretas e momentos fabulosos da cultura pop com o Video Music Awards 2017! Com a Katy Perry de host e prometendo uma apresentação de 9 minutos no final do award e performances de Kendrick Lamar, Miley Cyrus, Fifth Harmony, Lorde, Demi Lovato, Rod Stewart e DNCE, além da entrega do Vanguard para a P!nk, ainda tem as decisões sobre os vencedores dessa edição, que surpreendeu muita gente com indicados impensados e esnobadas imperdoáveis (cadê “Despacito” deve ter sido o meu mantra desde sempre).

Por isso, já esperando o começo da premiação, a partir das 21h, hora de fazer um último post sobre os indicados, desta vez falando das chances de vitória nas categorias que faltam ainda serem discutidas, na segunda parte do famigerado COMBO DE CHANCES.

Confira tudo após o pulo!

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Indicados ao Video Music Awards 2017 [2] Melhor Colaboração

A categoria de “Melhor Colaboração” no Video Music Awards surgiu em 2007 com o nome de “Most Earthshattering Collaboration”, o que quer que esse troço signifique (foi naquele ano em que todas as categorias tiveram os nomes modificados), e durou apenas aquela edição. Esse award sumiu por dois anos seguidos e voltou a ser premiado em 2010, prosseguindo até hoje.

Num século em que colaborações entre artistas são essenciais para o sucesso de determinadas faixas – e ainda ajudam a lançar novos nomes na cena, essa categoria acaba se tornando uma das indispensáveis dentro do VMA (e por consequência, em outros awards importantes de música). Por isso, a categoria este ano me parece tão confusa e com possibilidades interessantes de vitória.

(que parecem anticlimáticas pensando que “Despacito” não foi indicada e um vídeo com TRÊS BILHÕES DE VISUALIZAÇÕES foi ignorado)

Primeiro, os indicados:

BEST COLLABORATION
Charlie Puth ft. Selena Gomez – “We Don’t Talk Anymore”
DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts”
D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli”
The Chainsmokers ft. Halsey – “Closer”
Calvin Harris ft. Pharrell Williams, Katy Perry & Big Sean – “Feels”
Zayn & Taylor Swift – “I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker)”

Maior favorito: o maior sucesso tem mais chances, e da lista que a MTV ofereceu, quem tem mais chances de ganhar o Moonperson (o nome do troféu mudou, partindo da nova abordagem da emissora com prêmios não mais separados por gênero) é seguramente “Closer“, do The Chainsmokers com a Halsey. Apesar de “antigo” em relação aos outros indicados, a música foi um dos maiores hits do ano passado, e mesmo tendo sido lançado após o boom da música (e não antes do estouro, para ajudar a hitar, como geralmente acontece), o clipe foi bem produzido e tem uma historinha que faz algum sentido em relação à letra. É o natural favorito, mesmo que em relação à fanbase, tenham outros concorrentes mais fortes ao prêmio.

Mas lembre-se sempre: você até vota, mas quem dá o prêmio é a MTV.

(minha nossa, esse moço do Chainsmokers é péssimo cantando)

Concorrentes“I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker)” chegou ao #2 na Billboard, tem dois artistas com fandom grande (apesar do Zayn não ter alcançado nada com aquele single derivativo “Still Got Time”) e além da música ser muito boa, o vídeo tem uma ambientação e uma sensualidade sutil que vale a pena acompanhar até o fim. Na verdade, a “sensualidade sutil” fica por conta do britânico, que até parado num elevador é sexy, e cuja voz funciona MUITO bem na música – é impressionante o quanto o vocal juvenil da Taylor, com leves vibrações country, fica deslocado numa faixa R&B-influenced. Mas é um belo vídeo, que vende tanto a música quanto a ideia sensual do filme (Cinquenta Tons Mais Escuros) e a música fez sucesso. A diferença entre essa faixa e “Closer” é que Zayn e Taylor tem fandom suficiente pra votar até cair o dedo – e de certa forma, é mais um round do feud entre Taylor e Katy nessa categoria, né?

(esse Zayn é um negócio, viu?)

“Wild Thoughts” conseguiu chegar ao #1 no iTunes, chegou a #2 na Billboard Hot 100. Ou seja, é hit (e a MTV procura justamente isso em seus vencedores, não importando a qualidade do vídeo), e afortunadamente, tem um bom vídeo, que não é uma Brastemp (basicamente é a Rihanna sensualizando e andando num cenário tropical com looks fashion matadores, DJ Khaled gritando DJ KHALED e o Bryson Tiller em outro lugar do vídeo, iluminado por luzes quentes), mas é recente e tá na memória coletiva, o que ajuda bastante nas votações e na escolha final da emissora para entregar o Moonperson. A Navy é sempre sedenta em premiação com escolha do público e quem não quer ver o Asahd subir com o pai pra receber mais um brinquedinho, né? A única implicação do vídeo é ser muito recente. Há hits maiores e mais longevos que merecem ser lembrados (e já que não tem “Despacito”, né…). Classifico como azarão aqui, com menos chances que por exemplo, “I’m The One” na categoria de hip hop.

(esse sample é muito bem colocado na música, impressionante)

Agora, como a gente sabe que a MTV é sacana, não duvide de que ela esqueça qualquer lógica e dê o prêmio de Melhor Colaboração para “Feels” do Calvin Harris/Pharrell/Big Sean/Katy Perry apenas pelo fato da Katy ser a host e a concorrência aqui estar menos complicada que em Best Pop, onde tem MUITO artista com fandom grande disposto a votar até o fim dos tempos. Marque minhas palavras.

E vocês, o que acham? Quem vai levar essa categoria?

 

Indicados ao Video Music Awards 2017 [1] Melhor Vídeo Hip Hop

O rap teve um ano mágico – no período de elegibilidade para o Video Music Awards, foram quatro músicas que chegaram ao topo das paradas, além das faixas de urban/hip hop que alcançaram o top 10 da Billboard e mantiveram um dos anos mais masculinos dentro da popsfera (“Juju on the Beat”, “Mask Off”, “iSpy”, “DNA.”, “XO TOUR Llif3”, qualquer música do Drake, e segue a lista). Parece 2004 all over again, e se para uma parte do público essa dominância deixa o pop para trás, esse poder prova que o hip hop se tornou o gênero mais ouvido nos EUA, superando o rock.

É importante ressaltar que essa reemergência do rap na cena não vem de hoje – desde a queda do eletropop como força máxima no pop, ali por 2013-14, e uma certa reorganização das forças com o tropical house que todo mundo andou fazendo em 2015-16, o urban vinha dando sinais de retorno. Mas em 2016 a coisa explodiu e hoje vemos a consequência, com um top 10 urban-oriented, rappers de vários estilos e sonoridades emplacando top 10, artistas femininas de R&B tendo a chance de lançar álbuns em #1 ou escapar do nicho (como SZA) e o Spotify dominado por rappers, tanto nas playlists mais ouvidas quanto nos charts.

Pensando nisso, os indicados aqui a melhor vídeo de Hip Hop do VMA 2017 acabam sendo bem representativos em relação à variedade na sonoridade, apelo mainstream e estilo dentro do rap. Hora de conferir quem são eles e quem tem mais chance de levar o Moonman.

BEST HIP HOP
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Big Sean – “Bounce Back”
Chance the Rapper – “Same Drugs”
D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli”
Migos ft. Lil Uzi Vert – “Bad & Boujee”
DJ Khaled ft. Justin Bieber, Quavo, Chance the Rapper & Lil Wayne – “I’m The One”

 

Entre os seis indicados, quem tem mais chances de levar o Astronauta?

Favorito: “HUMBLE.” não é apenas o melhor clipe e a melhor música dentre os que foram hits e #1, mas ambos foram aclamadíssimos, com doses iguais de praise e polêmica (deem um google sobre a treta da “beleza natural” que o Kendrick fala na música e mostra no clipe). Com efeitos visuais dignos de cinema, uma fotografia incrível, trabalho de direção notável e referências religiosas e artísticas que são óbvias sem parecerem “na sua cara” (analogias religiosas que o Kendrick sempre vem inserindo em suas obras) – e até mesmo as referências “ostentação” são interessantes, e até com um toque de humor – é um daqueles videos que você poderia assistir numa boa no Cinemark que faria todo o sentido. Favoritíssimo.

Agora, indicação a Melhor Coreografia é demais, né MTV?

Quem tem chance de tirar?

Rivais: “I’m the One” foi outro hit e também foi #1, mas entre os vídeos indicados, é mais um mega clichê estereotipadíssimo de clipe de rapper – festa com gente sem roupa (geralmente mulheres), charutos e ilícitos, champanhe e uma mansão lindíssima, sem contar o Justin Bieber fazendo cosplay de hood e hustla. A faixa é chiclete, mas cringe, só que 1. foi hit, tá na memória das pessoas; e 2. a possibilidade de Bieber levar outro VMA. As beliebers vão votar com força nessa categoria (assim como em Dance Video). Ou seja, é hit e pode trazer audiência? Tem chance da MTV entregar o prêmio pra essa turma. E quem não vai querer ver DJ Khaled levando o filho Asahd ao palco pra receber o novo brinquedinho dele?

(mas hit factor só não vale pra Despacito, né?)

“Bad and Boujee” do Migos com o Lil Uzi Vert, curiosamente, teve mais semanas em #1 que os outros possíveis vencedores (três semanas não consecutivas), mas foi um baita viral, citado até pelo Donald Glover no Globo de Ouro e ainda colocou o Migos no mapa dos featurings (especialmente o Quavo, de uma forma inexplicável – STOP MAKING QUAVO HAPPEN). Entre os possíveis vencedores, o vídeo segue uma linha de raciocínio mais divertidinha que “I’m the One”, por exemplo, mostrando três mulheres bonitas, elegantes e ricas fazendo coisas comuns em ambientes cotidianos. Parece até uma brincadeira com esse universo-ostentação estereotipado hip hop, que traz um resultado estético curioso – especialmente porque os Migos estão nesse clima ostentação, com vários acessórios de ouro. Tem chances pelo hit factor e o viral.

(sempre bom repetir STOP MAKING QUAVO HAPPEN)

 

Agora, se a MTV estivesse fora da casinha, daria uma chance pra “Same Drugs”, do Chance the Rapper. O clipe tem uma estética retrô, VHS, com um vídeo completamente nonsense em que ele toca piano e canta ao lado de um Muppet-meets-personagem do Castelo Rá-Tim-Bum numa realidade alternativa em que todo mundo no vídeo É UM MUPPET.

 

E vocês, acham que esse Moonman é do K-Dot ou podemos ter surpresas no meio do caminho?

Combo de álbuns – Kendrick Lamar, “DAMN.”e Harry Styles, “Harry Styles”

Prometi, protelei e cheguei com mais um “Combo de Álbuns”, com dois lançamentos que considero entre os melhores de 2017. Qualidade comercial, identidade artística e retorno comercial são elementos que ajudam a tornar os dois CDs alguns dos lançamentos mais vibrantes do ano, cada um em fields distintos.

“DAMN.“, o quarto álbum do Kendrick Lamar (lançado em 14.04.17), o sucessor da obra-prima “To Pimp A Butterfly”, chegou com uma missão – corresponder às altíssimas expectativas em torno do trabalho do K-Dot, alçado a uma das cabeças pensantes da música atual, gênio e uma das figuras mais relevantes da cultura pop. O rapper conseguiu fazer algo incrível – se não superou TPAB (o que é uma missão ingrata), ele ofereceu a todos nós um álbum excelente, com ótima qualidade, e com apelo comercial suficiente para colocar três músicas no top 10 da Billboard e “Humble” como seu primeiro #1 solo.

Já o self-titled do Harry Styles (lançado em 12.05.17) é o debut do britânico após o hiato do One Direction. Todo mundo ficou de olho no que o jovem colocaria pro jogo – afinal de contas, ele era o membro mais popular da boyband e todos consideraram que ele tinha maior potencial para hitar. O que Harry ofereceu ao grande público foi uma verdadeira – e grata – surpresa: um CD de rock, mais precisamente emprestando o estilo soft rock, setentista, com um ar nostálgico, tocante e melancólico. Um álbum de muita personalidade e que alcançou muita gente fora do espectro do One Direction, e que além das boas críticas, foi lançado em primeiro lugar na Billboard 200 com mais de 230 mil cópias, sendo 190 mil só de álbuns (imagine isso em 2017, e com um artista cuja base de fãs é formada por jovens adultos e adolescentes que não compram CD físico nem digital há séculos).

Hora de saber o que há de tão bom nesses dois álbuns!

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