Nicki Minaj is the boss… e ela sabe disso

O rap é um gênero que se popularizou em alta velocidade, e aproveitou as mudanças no consumo de música para se consolidar como o estilo mais ouvido atualmente. No entanto, ao contrário de outros gêneros, como o pop, predominantemente feminino, o rap é um verdadeiro sausage fest – os rappers masculinos há anos dominam a cena e aparentemente nunca tem espaço para as femecees. No passado (ali no final dos anos 90/início dos 2000), tivemos um grande momento feminino no rap, com vários nomes convivendo juntos e fazendo sons distintos, com grande apelo – Missy Elliot, Lil Kim, Foxy Brown, Eve. No final da década de 2000, no entanto, parecia que a representação feminina tinha desaparecido do rap (ou não chegava ao mainstream) quando chegou o fenômeno Nicki Minaj.

Já fazendo seu nome por meio de mixtapes, em 2009 assinou com a Young Money, gravadora do Lil Wayne, e a carreira dela começou a decolar, com featurings de nome em faixas da Mariah Carey, Christina Aguilera (eu super achava que a Nicki ia estourar com “Woohoo”), Usher, Kanye West (e o já clássico verso de “Monster“); culminando no bem sucedido debut com o “Pink Friday”. No entanto, enquanto era a principal rapper feminina no jogo, Minaj flertava com sonoridades pop, o que – apesar de em nenhum momento diminuírem a moral dela com o público que sempre a apoiou – não tinham o mesmo nível do material rap que ela trazia. Tornavam Nicki igual a qualquer pop star, com farofas medíocres e rimas fracas.

No entanto, entre várias participações em outras faixas e expansão do nome “Nicki Minaj” em várias áreas do entretenimento (jurada do American Idol, atriz), foi realmente no terceiro álbum, “The Pinkprint”, que Nicki começou a organizar essa variedade de sons e necessidades que ela apresentava como artista: a rapper mainstream com forte apelo popular, mas que precisava fazer um som mais rap, menos influenciado pelos ritmos do momento.

Pois é, parece que ela aperfeiçoou com o lançamento dos lead singles do quarto álbum ainda não intitulado – as vibrantes “Barbie Tingz” e “Chun-Li“. E sinceramente? Apesar de ter uma preferida, não sei de qual eu gosto mais 😀

Resultado de imagem para barbie tingz

Aqui não tem farofa, não tem single pop, não tem concessão: as duas músicas são rap, tem uma super vibe old school, super divertidas e mostram uma Nicki bossy do jeito que a gente gosta: rimas inteligentes, flow rápido, a voz da Nicki brincando na faixa e muita autoconfiança, e muitos shades porque ela se envolveu em beefs polêmicos no último ano – e este é o momento para reforçar seu papel dentro do rap game.

“Barbie Tingz” é bem old school com um toque moderno, produção econômica com destaque para os versos rápidos da Nicki, batida pancadão que nunca perde o ritmo e uma letra cheia de tiros. Nicki is the best and those bitches aren’t like her; and they’re still trying to. Curiosamente, ela é mais direta nos motivos pelos quais “as outras” querem ser como Nicki em “Chun-Li”, mas aqui ela entrega uma metralhadora em formato de refrão:

Want the Nicki cheat code? Come on, bitch, nice try
Let’s be real, all you bitches wanna look like me
Wanna be in demand, get booked like me
Wanna run up in the lab and cook like me
But ain’t nan you hoes pussy good like me
Pussy so good his ex wanna still fight me
Face so pretty bitches wish they could slice me

E várias shades na Remy Ma pelo caminho. Nicki Minaj não veio pra brincadeira.

Eu amo “Barbie Tingz”, mas a minha preferida é “Chun-Li”, outra faixa que nasceu com cara de clássico. Em homenagem à popular e poderosa personagem do jogo Resultado de imagem para chun-li nicki minaj“Street Fighter”, consegue também ser um rap de respeito – flow rápido, interpretação imponente, referências e metáforas bem colocadas, e com uma estrutura quebrada por conta de uma interlude que não é shade, é uma baita direta contra todos que querem pintá-la como a “vilã da história” em todos os rap beefs recentes

Oh, I get it, they paintin’ me out to be the bad guy
Well when’s the last time you see a bad guy do the rap game like me?

They need rappers like me, they need rappers like me
So they can get on their fucking keyboards and make me the bad guy, Chun-Li

“Todos” nesse caso podem ser a mídia, que adora colocar mulheres umas contra as outras (especialmente as femecees, porque estranhamente só pode “haver uma” – amore, isso aqui não é o plot do “Highlander”), assim como gravadoras que lucram com esses feuds mais falsos que uma nota de três.

Com um arranjo que em alguns momentos parece mesmo com a trilha sonora de um game de luta, a letra também mostra uma Nicki poderosa e que sabe que é temida pela concorrência – e mais importante: shades aside, ela brada que mesmo todos falando mal dela e a taxando de vilã, precisam da Nicki porque ela é a melhor rapper no jogo.

São duas músicas fortes, vibrantes, que mostram a variedade do flow e da personalidade da Nicki, provando que ela não vem pra brincadeira em 2018. E tampouco o rap, que parece a cada dia sedimentado como o gênero pop da década. Imagina isso no Grammy.

 

(e por favor, nada de alimentar feuds entre rappers femininas! É tão difícil uma rapper conseguir quebrar as barreiras e ser abraçada pelo grande público – não é porque uma está estourada que a outra tem que flopar ou ficar por baixo.)

Anúncios

Bem-vindos ao mundo de Cardi B em “Invasion of Privacy”

Cardi B - Invasion of Privacy.pngO que acontece quando você faz sucesso com um hit, antes mesmo de lançar um álbum? E quando você lança outros singles como participação especial, que fazem sucesso, e todo mundo espera qual o seu próximo passo? Será que esse momento são apenas 15 minutos de fama ou você se provará um artista constante?

No caso de Belcalis Almanzar – ou Cardi B, a rapper revelação mais bombada de 2017-18 – a situação se construiu mais ou menos assim: participante de um reality show famoso, ” Love & Hip Hop: New York”, e popular com seus vídeos altamente sinceros no Instagram, já tinha lançado mixtapes antes de estourar com o primeiro single na gravadora Atlantic, a ubíqua “Bodak Yellow”, primeiro #1 solo de uma rapper feminina desde Lauryn Hill, e ainda por cima indicada ao Grammy. O sucesso gerou outras parcerias e hits (“No Limit“, “Motorsport“, “Finesse [Remix]“) além de um segundo single que, apesar do lançamento do vídeo num timing excelente (pra não dizer outra coisa), também bombou bastante – a ótima “Bartier Cardi”.

Mas faltava uma coisa – o álbum. Afinal de contas, era hora de mostrar se Cardi B podia entrar na lista de rappers ascendentes da cena ou seria apenas mais uma three-hit wonder que infestam o top 10 do Hot 100. E “Invasion of Privacy”, o debut da novaiorquina, demorou bastante, mas finalmente chegou; e provou que Bardi não veio apenas para ser mais uma na multidão.

Afinal de contas, o mundo é de Belcalis Almanzar, e nós apenas vivemos nele.


Eu estava bem preocupada com a possibilidade da demora no lançamento do álbum ser por conta de um “polimento” – tornar o som agressivo e trap da Cardi mais pop pra atender a um público crossover e deixar acessível. Pelo contrário, “Invasion of Privacy” é agressivo, in-your-face, real, sincero, ao mesmo tempo em que é vulnerável e bem-humorado – do jeitinho da Cardi.

Tem muito trap, batidas fortes, alguns sons mais puxados pro R&B – que saíram bem vindos, e uma faixa com a colaboração latina que é smash garantido. Bem dividido entre trechos mais fortes (de “Get Up 10”, a biografia da Cardi, até o sucesso “Bodak Yellow”), um miolo mais leve, onde tem a pior música do CD (“Be Careful” só é boa pelo potencial de treta por causa do Offset, o noivo da Cardi que já foi acusado de traição várias vezes; mas o rap dela tá numa velocidade diferente do resto da música e soa esquisitíssimo) e “I Like It”, o smash latino com cara de #1 (o que é um feat equilibrado né gente? Bad Bunny e J Balvin praticamente são parte de um trio, e não versos inseridos); assim como o terço final variado entre o rap com influências trap bem agressivo, o rap/R&B mais confessional (o que é “Thru Your Phone”?) e um final que é um tiro de bazuca – “I Do”, com o ótimo feat da SZA numa das melhores músicas do ano até agora.

Mesclando letras que vão desde a história da própria vida, o passado como stripper, como as pessoas a veem (“is she a stripper, a rapper or a singer?” em “Drip”, colaboração com o Migos), sua busca pelo sucesso, os momentos de glória e o relacionamento cheio de altos e baixos – e desconfianças – com o namorado (e que, dadas as informações que já temos sobre o Offset, já sabemos que se trata do cidadão); assim como momentos super bem humorados em que eu me vi rindo enquanto acompanhava a música – “Money Bag” e “I Do” são as primeiras que me vêm à mente – o que mostram a personalidade da Cardi em todo o álbum. O DNA dela está em todo lugar.

Algumas músicas são bem fillers, como “Ring” (com a Kehlani), e o flow da Cardi não é um dos mais brilhantes no jogo, e você pode até achar que ela não muda muito pelo álbum. No entanto, eu já a vi roubando a cena num som fora de seu território, e o fato é que, em “Invasion of Privacy”, tudo tem a ver com ela. É real, sincero, engraçado, confiante, super comercial porque é o som do momento, mas com a personalidade da Cardi impressa em cada faixa.

Fiquei muito contente que o debut da Cardi, demorado como foi, chegou e não teve concessões pop ou alguma coisa que fugisse da rapper que todo mundo aprendeu a amar nos últimos tempos. É coeso, divertido, tem fôlego e ainda termina com um gostinho de “quero mais” mesmo com 13 músicas. Fiquem de olho porque “Invasion of Privacy” pode render ainda mais que hits… E sinceramente?

Eu me sinto muito bem em viver no mundo comandado por Belcalis Almanzar.

Todo poder ao rei na trilha sonora de Pantera Negra

The cover image features a neck-ornament upon complete black background. It is made of animal incisors used as beads and worn by T'Challa.Se vocês ainda não assistiram ao grande sucesso do ano até o momento (três semanas liderando as bilheterias e pertinho do bilhão – sem a China!) “Pantera Negra”, o novo, mais desafiador, excitante filme da Marvel (que até agora gera discussões e thinkpieces), o que estão fazendo da vida? Eu assisti duas vezes, e já quero campanha antecipada para todas as premiações da awards season – espetáculo visual, de figurino, fotografia, maquiagem, de performances incríveis (o que é Michael B. Jordan como Erik Killmonger? Chadwick Boseman exalando poder e realeza como T’Challa? E a força e personalidade de Danai Gurira, Lupita Nyong’o e Letitia Wright defendendo personagens femininas multidimensionais num filme pipoca da Marvel? A CONCEPT!), além de roteiro e de motivações inteligentes (graças ao script co-escrito pelo diretor, Ryan Coogler, uma das pessoas mais interessantes por trás de uma câmera atualmente na indústria). “Pantera Negra” não é apenas um blockbuster que traz mais do que entretenimento e ação, é um acontecimento cultural, de representatividade na frente e nos bastidores; do que representa a África para nós (que parece tão distante, mas pra quem mora aqui em SSA, é uma lembrança mais próxima – nos rostos, na culinária, na música, na religiosidade), e o que é ser negro, especialmente negro da diáspora, e como essa identidade nos moldou para nos tornar o que somos hoje.

Acompanhando esse filme fabuloso tem uma trilha sonora de respeito – não apenas os incríveis instrumentais do Ludwig Göransson, colaborador antigo do Coogler – mas também o álbum curado do Kung Fu Kenny: Black Panther: The Album – Music from and Inspired By, o CD com faixas inspiradas no filme, e com músicas que apareceram em “Pantera Negra”, tudo organizado pela visão sempre incrível de Kendrick Lamar, que chamou os amigos, colaboradores habituais e rappers da África do Sul para apresentar o álbum do ano (e estamos começando Março!)

 

Apesar de evidentemente recomendar que você assista ao filme, dá pra curtir “Black Panther: The Album” numa boa, porque as músicas tem vida própria (e poucas estão no filme); mas é bem mais gostoso ouvir o CD conhecendo os tensionamentos do filme – especialmente porque o Kendrick pensou nas músicas como perspectivas do T’Challa e do Erik Killmonger – ou seja, são as visões dos dois personagens principais que perpassam o álbum, e você sente isso na produção: as faixas que tratam do posicionamento do Erik (como “Opps”, “Paramedic”, a INSANA “King’s Dead” tem produções mais pesadas, bem mais hardcore, e uma certa urgência e darkness e tensão que fazem parte da rage do personagem, e que tratam de violência, de inadequação a uma sociedade que o odeia, ou pura raiva e catarse). Já as músicas ligadas ao T’Challa são mais suaves, variam em sonoridade (o afrobeat de “Redemption”, a mistura de “X”, a vibe slowjam de “The Ways”) e em temáticas, desde a responsabilidade (com grandes poderes… sorry, herói da Marvel errado), dúvidas, medos, relacionamentos amorosos, segundas chances. E com as perspectivas tão divididas – e tão fortes – a dúvida mais poderosa de todo o filme (quem viu sabe) permanece em “Black Panther: The Album”.

Sobre as colaborações, Kendrick só vai trazer artistas de alto nível, e fazer os encontros musicais corretos: Travis Scott, James Blake, Future, The Weeknd; e rappers sul-africanos que fazem a necessária ponte entre as representações do negro na Motherland e nos EUA – Saudi, Yugen Blakrok, Babes Wodumo e Sjava oferecem perspectivas e sonoridades (e vozes, acentos, línguas) distintas que enriquecem ainda mais a audição de “Black Panther: The Album”. Não é apenas um álbum de um rapper americano para um filme de Hollywood tentando se conectar com a África; é um encontro de culturas, sons e experiências (com direito a vários versos em Zulu), e que apresentam temáticas que se conectam com o próprio filme (como destino e tradição) assim como refletem questões atuais, dentro da realidade da África do Sul, e por extensão, do continente africano.

Como o álbum é feito por músicas que fazem parte da trilha e que são inspiradas por “Pantera Negra”, algumas faixas – apesar de aparecerem no filme – são mais reflexivas ou mais comerciais do que o resto do grupo, como a futura vencedora do Oscar de Melhor Canção Original “All The Stars” e a incrível “Pray For Me” (melhor que todo o último álbum do Abel); o que não afeta em nada a coesão do álbum, se você quiser ouvir antes ou depois de ver “Pantera Negra”, ou se você quer curtir de forma independente.

Em resumo, Kendrick did it again! conseguiu produzir, curar, juntar uma turma altamente talentosa e apresentou ao mundo outro álbum destinado a ser clássico, um sucesso de público e crítica, e se possível – e se formos justos – uma oportunidade para a Academia fazer a coisa certa e celebrar um dos artistas mais incríveis dos últimos anos com um certo gramofone…

(e não se esqueçam de ver ou rever “Pantera Negra”, viu? #wakandaforever)

Drops Grammy 2018 [3] “4:44”, Jay-Z

O nosso blog continua a análise dos álbuns indicados a Álbum do Ano através do Drops e a conversa de hoje está relacionado à grande surpresa entre os concorrentes ao prêmio: “4:44”, do Jay-Z. Um álbum aclamado criticamente mas que passou batido por muita gente por sua disponibilidade estar restrita ao TIDAL (exceto se você se valesse da Torrent Tour para conseguir o álbum), é um dos grandes CDs do ano e mostra um Jay-Z não apenas no topo da sua musicalidade como é um clássico álbum pessoal e íntimo (mesmo que ele esteja confessando ter traído a Beyoncé), assim como trata de assuntos caros à visão de mundo e de empoderamento negro do Hov.

No entanto, por ser um segundo álbum de rap entre os indicados, o Quatro e Quarenta e Quatro se tornou uma real ameaça a tirar uma boa quantidade de votos do “DAMN.”, do Kendrick Lamar. Ou aproveitar a relevância e legado do Jay-Z para levar o prêmio principal da noite.

Qual será o cenário de vitória, derrota ou surpresa que o “4:44” pode trazer no Grammy 2018?

Dê play e confira!

 

Drops Grammy 2018 [1] “DAMN.”, Kendrick Lamar

Este ano, eu decidi fazer algo diferente… Ao invés do Duas Tintas de Música apresentar os indicados a Álbum do Ano bem pertinho do dia da premiação, optei por fazer uma análise rápida dos indicados por meio de vídeo, através do Drops – vídeos curtos (que eu desejaria ser de cinco minutos, mas viraram nove, dez…) onde a ideia é comentar sobre cada indicado a Álbum do Ano na premiação.

A conversa de hoje gira em torno do álbum favorito (a cada dia menos favorito) “DAMN.”, do Kendrick Lamar. Mais um trabalho admirável do rapper californiano, com rimas inteligentes, produção esmerada e visão de mundo única, desta vez  ele conseguiu unir a qualidade de seus dois trabalhos com o fator comercial nas faixas, especialmente os singles, trazendo no final um CD aclamado pela crítica, pelo público e com top 10 e um #1 solo no bolso do K-Dot. Até segunda ordem, era hora do Grammy finalmente fazer o que deveria ter feito há algum tempo (quase dois anos, pra ser mais exata) e entregar o gramofone pro Kendrick.

No entanto, quando os indicados ao principal prêmio da música foram revelados, o lineup final trouxe surpresas e cenários que podem oferecer nomes distintos no envelope mais desejado da indústria. Por isso, o drops de hoje lança essas questões:

Quais são os pontos fortes? Quais são as ameaças ao novo trabalho do K-Dot? Quais são as chances de vitória?

Aproveite e dê play!

 

Indicados ao Video Music Awards 2017 [5] COMBO DE CHANCES 4x

Daqui a pouquinho tem alerta performances, tretas e momentos fabulosos da cultura pop com o Video Music Awards 2017! Com a Katy Perry de host e prometendo uma apresentação de 9 minutos no final do award e performances de Kendrick Lamar, Miley Cyrus, Fifth Harmony, Lorde, Demi Lovato, Rod Stewart e DNCE, além da entrega do Vanguard para a P!nk, ainda tem as decisões sobre os vencedores dessa edição, que surpreendeu muita gente com indicados impensados e esnobadas imperdoáveis (cadê “Despacito” deve ter sido o meu mantra desde sempre).

Por isso, já esperando o começo da premiação, a partir das 21h, hora de fazer um último post sobre os indicados, desta vez falando das chances de vitória nas categorias que faltam ainda serem discutidas, na segunda parte do famigerado COMBO DE CHANCES.

Confira tudo após o pulo!

Continuar lendo

Indicados ao Video Music Awards 2017 [2] Melhor Colaboração

A categoria de “Melhor Colaboração” no Video Music Awards surgiu em 2007 com o nome de “Most Earthshattering Collaboration”, o que quer que esse troço signifique (foi naquele ano em que todas as categorias tiveram os nomes modificados), e durou apenas aquela edição. Esse award sumiu por dois anos seguidos e voltou a ser premiado em 2010, prosseguindo até hoje.

Num século em que colaborações entre artistas são essenciais para o sucesso de determinadas faixas – e ainda ajudam a lançar novos nomes na cena, essa categoria acaba se tornando uma das indispensáveis dentro do VMA (e por consequência, em outros awards importantes de música). Por isso, a categoria este ano me parece tão confusa e com possibilidades interessantes de vitória.

(que parecem anticlimáticas pensando que “Despacito” não foi indicada e um vídeo com TRÊS BILHÕES DE VISUALIZAÇÕES foi ignorado)

Primeiro, os indicados:

BEST COLLABORATION
Charlie Puth ft. Selena Gomez – “We Don’t Talk Anymore”
DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts”
D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli”
The Chainsmokers ft. Halsey – “Closer”
Calvin Harris ft. Pharrell Williams, Katy Perry & Big Sean – “Feels”
Zayn & Taylor Swift – “I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker)”

Maior favorito: o maior sucesso tem mais chances, e da lista que a MTV ofereceu, quem tem mais chances de ganhar o Moonperson (o nome do troféu mudou, partindo da nova abordagem da emissora com prêmios não mais separados por gênero) é seguramente “Closer“, do The Chainsmokers com a Halsey. Apesar de “antigo” em relação aos outros indicados, a música foi um dos maiores hits do ano passado, e mesmo tendo sido lançado após o boom da música (e não antes do estouro, para ajudar a hitar, como geralmente acontece), o clipe foi bem produzido e tem uma historinha que faz algum sentido em relação à letra. É o natural favorito, mesmo que em relação à fanbase, tenham outros concorrentes mais fortes ao prêmio.

Mas lembre-se sempre: você até vota, mas quem dá o prêmio é a MTV.

(minha nossa, esse moço do Chainsmokers é péssimo cantando)

Concorrentes“I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker)” chegou ao #2 na Billboard, tem dois artistas com fandom grande (apesar do Zayn não ter alcançado nada com aquele single derivativo “Still Got Time”) e além da música ser muito boa, o vídeo tem uma ambientação e uma sensualidade sutil que vale a pena acompanhar até o fim. Na verdade, a “sensualidade sutil” fica por conta do britânico, que até parado num elevador é sexy, e cuja voz funciona MUITO bem na música – é impressionante o quanto o vocal juvenil da Taylor, com leves vibrações country, fica deslocado numa faixa R&B-influenced. Mas é um belo vídeo, que vende tanto a música quanto a ideia sensual do filme (Cinquenta Tons Mais Escuros) e a música fez sucesso. A diferença entre essa faixa e “Closer” é que Zayn e Taylor tem fandom suficiente pra votar até cair o dedo – e de certa forma, é mais um round do feud entre Taylor e Katy nessa categoria, né?

(esse Zayn é um negócio, viu?)

“Wild Thoughts” conseguiu chegar ao #1 no iTunes, chegou a #2 na Billboard Hot 100. Ou seja, é hit (e a MTV procura justamente isso em seus vencedores, não importando a qualidade do vídeo), e afortunadamente, tem um bom vídeo, que não é uma Brastemp (basicamente é a Rihanna sensualizando e andando num cenário tropical com looks fashion matadores, DJ Khaled gritando DJ KHALED e o Bryson Tiller em outro lugar do vídeo, iluminado por luzes quentes), mas é recente e tá na memória coletiva, o que ajuda bastante nas votações e na escolha final da emissora para entregar o Moonperson. A Navy é sempre sedenta em premiação com escolha do público e quem não quer ver o Asahd subir com o pai pra receber mais um brinquedinho, né? A única implicação do vídeo é ser muito recente. Há hits maiores e mais longevos que merecem ser lembrados (e já que não tem “Despacito”, né…). Classifico como azarão aqui, com menos chances que por exemplo, “I’m The One” na categoria de hip hop.

(esse sample é muito bem colocado na música, impressionante)

Agora, como a gente sabe que a MTV é sacana, não duvide de que ela esqueça qualquer lógica e dê o prêmio de Melhor Colaboração para “Feels” do Calvin Harris/Pharrell/Big Sean/Katy Perry apenas pelo fato da Katy ser a host e a concorrência aqui estar menos complicada que em Best Pop, onde tem MUITO artista com fandom grande disposto a votar até o fim dos tempos. Marque minhas palavras.

E vocês, o que acham? Quem vai levar essa categoria?