Dez anos de Lady Gaga

 

Extravagante, complexa, divertida, polêmica, um fenômeno pop que ajudou a pavimentar o caminho para o eletropop se tornar popular e o retorno da cultura do videoclipe no final da década passada. Lady Gaga chegou aos dez anos de carreira já com um legado poderoso em mãos – na música, na imagem e na moda. Mas como essa mulher que foi a mais falada e discutida por três anos sem parar se encontra num novo contexto cultural? E o que o futuro reserva a Gaga? Saiba mais no novo vídeo do canal Duas Tintas de Música!

(finalmente!)

 

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Ótimos álbuns [2] Britney Spears – “Blackout”

Atualmente vivemos no auge do urban e rap como sonoridade dominante nos charts. Nomes já consagrados como Drake dividindo espaço com grupos estouradíssimos (Migos), artistas na ascendente (a exemplo do pavoroso Post Malone e no urban/R&B, SZA, Khalid, Kehlani…), talvez o momento mais bacana pra ser rapper feminina desde os anos 90 (com a Cardi estourando e todo mundo sedento pelo comeback da Nicki) e a reverência aos clássicos (Jay-Z), bem como a solidificação de um novo poeta de sua geração (o genial Kendrick Lamar). Nem vou falar dos hits virais de rappers com nome Lil/Young/similares que volta e meia ficam nos primeiros lugares das playlists do Spotify.

No entanto, entre 2008-11, o que dominava o mundo pop era o eletropop, que monopolizou as rádios, definiu carreiras (oi BEP), lançou fenômenos (Lady Gaga) e outros acts na esteira (como a Kesha quando usava $), fez artistas entrarem na onda para se manter na mídia (como Usher e boa parte dos artistas de R&B daquele período) e ainda deu muito dinheiro ao Flo Rida e suas farofas famosíssimas. O eletropop cresceu à medida em que os downloads digitais capitaneados pelo iTunes se tornaram a principal plataforma de consumo de música nesse período específico e o sinal mais forte de que uma música seria sucesso ou não.

Image of the upper body of a brunette woman standing in front of brightly colored squares. She is wearing a pink dress and white fedora.Mas nada disso seria possível se não fossem os pioneiros. Apesar do dance-pop (que é um outro organismo musical) já ter sido usado musicalmente no começo da década, a encarnação eletropop com autotune em todas as faixas, batidas eletrônicas, eletro se infiltrando em outros ritmos e fazendo fusões que até hoje muita gente tem opiniões divergentes sobre essa mistura (os puristas do R&B que o digam) surgiu alguns anos depois, perto do final da década. Se os dois CDs que popularizaram o som para o mainstream pop foram o “The Fame” (2008) e o “The E.N.D.” (2009), quem podemos creditar como um dos pioneiros, oferecendo antecipadamente tudo aquilo que veríamos nos anos seguintes, foi justamente a fonte mais impensável – Britney Spears, a princesa do pop, que todos achavam apenas uma performer que colocava a voz nas músicas, e vivia uma fase complicada na carreira (separada do ex-marido Kevin Federline, mídia e público avaliando e julgando sua vida de mulher solteira e independente, TMZ e X17 ganhando horrores de dinheiro com as fotos dela), lançou um CD fabuloso e atemporal, “Blackout“, em 2007. Ou seja, há quase 11 anos, Britney deu régua e compasso para quem desejava fazer eletropop talvez com o melhor trabalho do gênero entre os artistas pop mainstream que trabalharam no som em todos aqueles anos.

Misturando eletropop, eurodisco (na incrivelmente retrô “Heaven on Earth”, inspirada em Donna Summer), R&B eletrônico e vozes sussurantes, efeitos vocais, vocais em camadas e Britney em fuck y’all mode, as letras faziam todo sentido para a vida dela: noites intermináveis, sexo, romances, liberdade feminina, indiretas ao ex e à mídia sensacionalista, e produtores que a entendiam (como Bloodshy & Avant e o espetacular Danja ❤ ). Mesmo não tendo escrito as letras, é fato que as músicas são as mais pessoais do catálogo, e nada no CD parece forçado ou estranho. A voz da Britney, mesmo quando entre efeitos, é tão reconhecível que mostra a inteligência de uma das intérpretes mais subestimadas do pop.

“Blackout” é atemporal no eletropop de “Gimme More”, com quem eu tinha uma estranha relação – achava pavorosa na época que foi lançada (“muito autotune, clipe ruim”) – meu eu de 17 anos era bem chatinho, confesso, mas hoje, eu acho uma puta música pop, que não envelheceu uma vírgula; no eletro-R&B antecipadíssimo de “Hot as Ice”, que parece ter sido feita em 2010 mas ainda dá pra dançar em 2018; até mesmo nas batidas de “Perfect Lover”, “Get Naked” e “Break the Ice”, que parecem coisa de um Timbaland 2.0 – mas não é por nada, já que Danja era o protegé de Timbo, mas um protegé que superou o mentor de uma forma tão absurda que hoje essas músicas são timeless enquanto as batidas do Timbaland soam reciclagem do “One of a Million” da Aaliyah que tem mais de 20 anos.

O CD é deliciosamente sacana e irônico com “Piece of Me”, uma biografia da Britney mandando todo mundo se foder com gosto (gente, imagina que no auge da internet dos anos 2000 as pessoas nos fóruns apostavam quando a Britney ia morrer); sexy em diversos níveis com “Toy Soldier”, a própria “Break the Ice”, em “Ooh Ooh Baby” e “Radar” (que a Britney teve a AUDÁCIA de colocar a música no “Circus” e lançar como single hahahaha no fucks to give); e na única contribuição do Pharrell no CD, “Why Should I Be Sad” é uma mensagem nada cifrada contra o ex-marido, com uma produção menos eletrônica que as outras faixas, um pop/R&B inspired super agradável de ouvir, com a melodia leve, mas a letra cheia de veneno haha e uma produção que consegue ser mais criativa do que tudo que foi feito por ele no Homem da Floresta.

Um álbum icônico não apenas nas músicas, mas também em quotes (“It’s Britney, bitch!”, óbvio; e meio mundo usava em fóruns “another day another drama”), “Blackout” antecipou as sonoridades e tendências do eletropop (e por consequência, da música pop em geral), no final daquela década. Além disso, é um álbum consistente, equilibrado e sem interesse em seguir as tendências do momento – e sim, definir uma sonoridade que fosse de acordo com as letras e a vibe que a Britney queria alcançar. O resultado foi justamente um CD que entregou para o pop mainstream os insumos necessários para fazer o eletropop se tornar o som dominante do final da década.

Longa vida à Princesa do Pop!

(okay, agora é com você: qual é o álbum das antigas – ou que tenha sido lançado ano retrasado mesmo – que você quer uma resenha? Pode sugerir nos comentários!)

 

As linhas borradas dos samples

Se tem uma coisa que é mais comum que feuds na música pop é o uso dos samples. O sampling é o ato de usar uma parte de uma música (normalmente o instrumental) e utilizá-la para fazer outra música. Claro que dando os devidos créditos ao cantor/compositor original.

Normalmente, a gente encontra os samples no hip hop, mas algumas músicas pop famosas já se utilizaram desse recurso na construção de suas canções, tanto que muitas vezes, você acaba ouvindo uma música e percebendo que já a ouviu em algum lugar. Ou então achando que artista x plagiou alguma canção desconhecida e ninguém informou isso até agora.

Foi o que aconteceu comigo quando ouvi “Blurred Lines” do Robin Thicke pela primeira vez: eu achei que tinha sample de “Got To Give It Up”, do Marvin Gaye, e fiquei realmente surpresa quando soube que a composição não incluía os créditos do Gaye – ou seja, era apenas uma música parecida. Quando a família do Marvin colocou Pharrell e Thicke na justiça, tentando provar que a música era plágio, não me senti enganada – as duas músicas eram parecidas. Por isso, quando você sentir que “já ouviu aquela música antes” e achar que alguém está sampleando/plagiando um artista anterior, não tenha medo em procurar saber (ou desconfiar) sobre a canção.

E como a decisão já foi tomada nos EUA – declarando que “Blurred Lines” realmente tinha plagiado “Got to Give it Up” e que tanto Robin Thicke quanto Pharrell devem pagar uma soma milionária à família de Gaye, achei interessante fazer um post aqui sobre melodias e batidas emprestadas de forma honesta dos artistas originais – os samples. No caso, samples curiosos e não tão conhecidos de músicas que vocês amam, odeiam ou amam odiar (ou odeiam amar, tudo vale).

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“We Are One (Ole Ola)” vai grudar na sua cabeça, mesmo que você não queira

Pitbull JLo e Claudia Leitte We Are One

Quem acompanha os fóruns de música sabe alguma coisa sobre como seria a música-tema da Copa do Mundo 2014, que será aqui no nosso Brasil varonil – já que uma rádio do Centro-Oeste divulgou a versão solo do Pitbull (uma das vozes da música), numa baixa qualidade. Mas agora, brasileiros e gente de todo o mundo podem conferir “We Are One (Ole Ola)”, a música que vai embalar a competição, com a voz do Pit, Jennifer Lopez e Claudia Leitte cantando em português. Será que a faixa vai honrar a tradição de clássicos como “The Cup Of Life”, de Ricky Martin; e “Waka Waka”, da Shakira?

A resposta é: bem…

(link alternativo se esse não funcionar: http://iamstevieb.tumblr.com/post/82023760409/pitbull-we-are-one-ole-ola-feat-jennifer)

 

Capa We Are OneAgora, por que “bem…”? A canção, um eletropop-latino que se assemelha a milhares de outras canções lançadas por Pitbull nos últimos anos, peca por essa razão: não tem um diferencial que a defina, que coloque “We Are One” como a canção-tema de uma competição tão relevante quanto a Copa do Mundo. Aqui e ali, pontuado por alguns violões, assovios a la “Moves Like Jagger” e tambores que lembram o Olodum nos versos de Claudinha, a canção tem uma sonoridade o mais genérica possível. Aparentemente, os compositores não faziam ideia do que tocava no Brasil, então decidiram escrever uma música que englobasse tudo que fosse considerado “latino”, com um recheio eletropop para as pistas e BOOM nasce uma música para a Copa. A letra trilingue (inglês, português e espanhol), não é um primor de lirismo, com os cantores convidando o público a participar da copa e a se unir em torno da copa, já que todos. somos. um.

As participações de Jennifer Lopez e Claudia Leitte não são exatamente memoráveis – a brasileira tem o que, dez, 12 segundos de tempo na música (além dos versos de resposta no refrão), e a música talvez funcionasse só com o Pitbull. No entanto, apesar da música ter carinha de 2012/2013, “We Are One” é grower as fuck, por duas razões bem específicas: uma, os benditos assovios, que entoam justamente a melodia do refrão da música; e segundo, o refrão, seguido pelo Ole Ole Ole Ola mais catchy desde qualquer canto de torcida aleatório em estádio num jogo random de futebol pela vigésima rodada do Brasileirão. Se você não tiver terminado de ouvir a música sem cantar sem querer esse bendito Ole Ole Ole Ola, eu te parabenizo, porque na minha primeira ouvida esse trecho já tinha grudado na minha cabeça. E às vezes, são esses detalhes singelos que fazem toda a diferença numa música.

“We Are One” tem cara de que vai fazer um bom barulho na Europa, bem como na América Latina em geral. Veremos se a canção vai fazer a América, mas de uma coisa é certa: você vai ouvir muito Ole Ole Ole Ola no mês de junho.

P.S.: para efeito de comparação, deixo aqui as outras clássicas músicas-tema da copa e escolha sua preferida! (por questões sentimentais, meu coração fica com “The Cup Of Life”)