Oi sumida! [2] New faces

Sumi mas voltei, e agora falando especificamente sobre essa dicotomia entre música pop x “fim dos gêneros” x dominância do rap no ano mais interessante em anos – 2019… Ou poderíamos chamar de 2014/2015?

Por que estou falando isso? Porque se prestarmos atenção a este período na música, foi justamente após a decadência do eletropop e o fim da disco-funk wave de 2013, foi impossível para muitos definir “o som” do momento. Era um período de transição, em que muitas coisas faziam sucesso ao mesmo tempo, enquanto os sinais da dominância do rap como gênero e principal produto cultural começavam a aparecer. Por exemplo, Fetty Wap bombou em 2015, trap começou a ficar mais popular, os virais rap chegaram ao top 10 (“Nasty Freestyle”, alguém?), o rap feminino buscou expandir suas estrelas (Iggy explodiu em 2014), Drake finalmente se tornou uma força a ser reconhecida.

Ao mesmo tempo, as grandes estrelas pop da época que sabiam construir o discurso de seu tempo chegavam ao auge (como Katy Perry, por exemplo), ou finalmente se assumiram como pop (Taylor Swift e o “1989”) – sem contar o processo de rebranding de Lady Gaga que ainda não havia começado, bem como pop stars que navegam de outra maneira no zeitgeist se tornaram ubíquos (o Lionel Richie Millennial, Bruno Mars). Já os atuais A-lists estouraram para a consciência pública justamente nestes anos, como Ariana Grande e The Weeknd. E a última grande popstar a surgir com uma formatação típica do período foi Meghan Trainor.

(eu desconsidero o fator Lorde nessa equação porque ela se intersecciona muito com a turma alternativa. Por mais que “Royals” tenha mudado o landscape para um som com vozes de menos volume e um pop mais down, eu acho que esse shift na popsfera não se deu com ela e sim com “Somebody That I Used To Know”, que exigia até mesmo que eu AUMENTASSE O VOLUME do meu celular para ouvir a faixa)

Ao mesmo tempo em que hoje não é possível indicar com evidência o que é pop de fato (tem dance? é urban-inspired? tem influência alternativa? é nostálgica?) ou mesmo o que é pop hoje, temos que levar em consideração outro fenômeno que podemos creditar sua atual forma a Drake: músicas que conversam com outros gêneros, cujo estilo é difícil de definir, e que nos leva a fenômenos como Post Malone e agora, um Lil Nas X que conseguiu fazer rock melhor do que Lil Wayne em 2009.

Naquela época as pessoas já achavam o uso excessivo do autotune uma coisa perigosa

Por isso, vamos dividir esse post da seguinte forma: o primeiro ponto é sobre o rap como produto cultural dominante, que finalmente parece estar deixando de ser um “clube do bolinha”… o que é essencial para o fortalecimento do gênero para os anos seguintes.

Nicki Minaj abriu as portas para o rap feminino brilhar no mainstream, mas a impressão que sempre tive era de que no período da sua dominância, havia uma estratégia a la Highlander quando se tratava da cena feminina:

A cada instante nascia um rapper masculino diferente, enquanto poucas femcees surgiam na mesma força – e quando estouravam, ou decaíam por material aquém e péssimas decisões de carreira dentro ou fora das redes sociais (Iggy) ou por péssimas decisões de carreira dentro das redes sociais (Azealia). No entanto, com a ascensão de Cardi B, parece que alguém (the powers to be, a indústria, quem quer que seja) percebeu que havia sim espaço para outras rappers femininas. Aos poucos, o espaço para femcees ascendentes ou artistas que não tinham espaço no mainstream até então começaram a surgir.

Dessa forma, você tem rappers sexualmente confiantes e cheias de personalidade como Megan Thee Stallion (que está na capa da prestigiada XXL na Freshman 2019 – ou seja, quem a revista classifica que serão os grandes nomes do rap neste ano), um som mais raw das City Girls, ou artistas que são tudo e mais um pouco: como você pode definir Lizzo (que encontrou exposição mainstream em seu terceiro álbum) por exemplo?

O crescimento de nomes femininos na cena (seja rap ou R&B) que não sejam Beyoncé ou Rihanna ou Nicki Minaj é importante para a solidificação de um estilo que domina a conversa cultural a cada dia. O BET Awards que ocorreu na semana passada, por exemplo, trouxe todos os astros que bombaram no último ano em apresentações bem produzidas com a plateia vibrando a cada performance. Nada de audiência entediada, shows preguiçosos e artistas que estão lá sem razão. O BET Awards é hoje o que VMA foi há anos atrás, e isso é um testemunho de que o pop perdeu o bonde da história.

E corre ainda mais riscos quando se pensa que você não tem um som específico que indique um denominador comum – e mais chocante ainda: os nomes novos colocaram esse “denominador comum” lá pra longe.

Eu me lembro de ter ouvido “When We All Fall Asleep, Where Do We Go?” da Billie Eilish e achado tudo bem… Esquisito, especialmente pra mim, que tenho preferência em som orgânico e ouvir instrumentos, e aparentemente a ausência de um gênero específico e definido no som também me trouxe um certo incômodo. Mas ouvindo as faixas isoladas, eu percebi como o som é um reflexo de uma geração que não se prende a rótulos, até mesmo na música.

“bad guy”, o single mais perto do #1 neste momento, é pop, mas é radio-friendly da maneira mais esquisita possível, já que tem o mínimo de produção possível, bateria seca e um outro trap que quebra todas as expectativas que você tinha com a música. Já “when the party’s over” me lembra muito aquele pop onírico da Lana del Rey (que a própria cantora já citou como influência). “you should see me in a crown” tem mais influência trap com pegada eletrônica; e certeza que ela ouviu “Black Skinhead” do Kanye na produção de “bury a friend”. Até mesmo material anterior ao debut, como “Ocean Eyes” é diferente. É um pop mais straight to the point, de boa qualidade também.

(a propósito, quem comparou Billie com Lorde estava delirando. Ela é como se fosse uma Lana del Rey adolescente e sem o lado retrô. Se existe alguma semelhança, está no uso de elementos urban para construir uma sonoridade pop, mas enquanto na neozelandeza a estrutura é familiar, aqui você demora a se acostumar com os twists and turns das músicas)

A sonoridade parece all over the place, mas tem uma lógica. Apesar das letras meio diário adolescente existencial (todos nós já passamos por isso), há comando do próprio som e da imagem mostrada nos clipes que parecem trailers de filmes de terror, e dificilmente podem ser reproduzidos ou imitados sem parecer que é alguém sendo tryhard. No geral, mesmo que exista um componente eletrônico no som, é visível que há influências mais pop piano-driven, trap e hip hop, que refletem a dominância dos últimos gêneros no inconsciente coletivo pop nos anos formativos da artista.

Mas ao mesmo tempo, não parece com a sua música pop típica, o que nos leva a uma conclusão: o interesse de Billie Eilish aqui não é em se definir com gêneros, mas ir além da divisão óbvia de gêneros.

Claro que, numa indicação ao Grammy, ” When We All Fall Asleep, Where Do We Go?” entraria numa categoria pop (mas não me surpreenderia se a gravadora submetesse a “alternative” porque é muito bold para a categoria, talvez?), mas se você pensar em álbuns que desafiam o que você entende por gêneros definidos, o outro “gen-z” que se adequa de forma ainda mais complexa nessa discussão de “gênero é não ter gênero” é…

Se você não é gen-z e já tem uma carreira sedimentada dentro da caixa tradicional, não fique chocado. Afinal de contas, mesmo que exista um público que não nutra mais interesse em você graças à distância entre os artistas atuais e a idade dos novos consumidores de música, ainda há um fandom e um grupo mais maduro e propenso a consumir música de outras formas – sem contar que os Millennials ainda são um público forte que consome, gasta e é fortemente identificado com os artistas. Então, se você não é um artista de rap ou não faz música dentro da caixinha, de que forma você pode se adequar aos novos tempos?

Isso, eu conto no próximo artigo do “Oi Sumida!” Até já!

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Oi sumida! [1] The “Old Town Road” summer

Oi, pessoal! Como todos vocês devem ter percebido, eu realmente sumi do blog porque a vida adulta me pegou de verdade – e estava tentando encontrar um espaço de tempo tranquilo para escrever calmamente aqui no “Duas Tintas” sobre música pop e o estado dela em 2019, um ano meio confuso pra mim, onde não dá pra falar de “gêneros” mais. OPS isso é papo pra outro artigo porque hoje é dia de falar sobre o verão de “Old Town Road”, o híbrido de country-rap que está dominando os charts da Billboard há DOZE semanas consecutivas, sem chance de diminuir (teve até single do Drake lançado e… nada). E com o lançamento do EP “7”, uma apresentação bacaníssima no BET Awards (e o verão americano realmente começando agora), duvido que a faixa perca tração – ainda lidera com folga os charts de streaming (que é onde interessa hoje) e ainda nem chegou ao topo das rádios… Então…

Mas o que interessa aqui é: será que a música vai superar “One Sweet Day”? E sobre os rivais, onde eles erraram na sua busca por tirar Lil Nas X e Billy Ray Cyrus do topo? E como o Grammy vai lidar com “Old Town Road”?

Apesar de um single com dois nomes poderosos do pop como Ed Sheeran e Justin Bieber ter hitado na Europa e estar hitando nos EUA, particularmente não consigo enxergar que é através deles ou desse single, “I Don’t Care”, o pop pode estar procurando um caminho próprio dentro dessa landscape diferente da segunda quinzena dos anos 2010 – pelo contrário, a música só é sucesso porque tem os nomes supracitados envolvidos – se um CHARLIE PUTH lançasse isso ficaria enterrado na irrelevância. Além disso, a música é bem fraquinha para o padrão dos dois artistas, e grita 2015 com essa vibe tropical, island, já realizada pelo próprio Bieber (e de alguma forma mais sutil pelo Sheeran) com melhores resultados. Sem contar o clipe pedindo pra viralizar mas falhando miseravelmente (a ideia era a gente usar imagens do clipe como gifs? Não colou não). A capacidade ubíqua de OTR, especialmente num vídeo que casa potencial viral, uso de tendências quentes como o Yeehaw Culture e uma discussão racial bem colocada, supera facilmente uma música com cara de reciclada. É esperar faixas melhores no quarto álbum do cidadão.

Quanto a Taylor, eu sinceramente acreditava que “ME!” seria o single a destronar OTR, até por ser bastante catchy e agradável ao ouvido, além do sentimento gostoso de nostalgia Noughties (com direito a featuring do Brandon Urie). Além disso, essa estética pastel fofinha meio instagram é bem vinda num ano super tenso e dark como 2019. Mas… “You Need to Calm Down” NÃO é a música para ser #1 contra uma faixa fortíssima como OTR. Primeiro, é anticlimática até em seu refrão, a letra (super bacana e bem-vinda também no apoio da Taylor à causa LGBT) também tenta dialogar com a cultura pop geral através de versos com potencial de virar quote, mas a impressão é de que não funciona bem, e até mesmo o clipe estrelado (com a reconciliação das rivais Taylor e Katy) que ajudou a ganhar streamings (Taylor espertíssima) não garante a ubiquidade da faixa como música em si + clipe + repercussão. Houve repercussão? Claro, mas nem se compara ao break the internet que Taylor causou quando do lançamento do primeiro single do “Reputation”, ou na era “1989” – a impressão que fica é de que as táticas que funcionavam há dois anos atrás hoje não funcionam, especialmente quando a música não é tão forte como segundo single que continua a conversação em torno do novo material. Se você perceber, o discurso em 2019 se tornou rap como principal gênero x músicas que não pertencem a gêneros específicos (papo para outro artigo but ok, vou destrinchar neste momento uma parte da conversa), e os singles lançados até agora pela Taylor são pop… Mas não conversam com a discussão geral.

E para “piorar” a situação das suas faves, Lil Nas X lançou seu EP “7“, que apesar de algumas críticas mistas, é a cereja no bolo de um case de marketing e de música que só me faz virar stan desse menino. O EP tem oito músicas (duas sendo OTR), 18 MINUTOS de duração e a música mais longa tem 2’43”. Ou seja, feito para consumo repetitivo eterno nos streamings. Quanto mais eu ouço “Rodeo”, a música com mais potencial de ser #1 desse grupo, mais eu dou streams, e com 2’39” de duração, eu posso floodar eternamente meu Spotify sem cansar porque a música é curtíssima! Além disso, Lil Nas X entendeu perfeitamente o briefing de 2019. Gêneros musicais? OUTDATED. O EP não tem uma definição específica de gênero, tem duas faixas visivelmente rap (“Panini” e “Kick It”), duas músicas híbridas country-rap (OTR e “Rodeo”) duas músicas com vibe rock/pop punk anos 2000 (“F9mily” e “Bring U Down”) e uma faixa meio R&B moderninha (“C7osure”). A produção é curadíssima e até elegante, e apesar dos versos serem corny em vários momentos, tudo tem uma vibe “adolescente fazendo música” e “adolescente de 13 anos rebelde sem causa” que sinceramente vai ser consumido até a exaustão pelos teens e tweens – são letras simples e fáceis de captar, além de versos perfeitos para legenda de instagram.

Mas o que interessa aqui é: eu não sei em que categoria enquadrar esse EP. Lil Nas X é rapper? Boa pergunta, ele canta em boa parte do EP! Tem ROCK no álbum pra você ficar batendo cabeça! Eu não sei, duvido que a Billboard saiba e o Grammy hahahahahahahahahahha

Como vocês já sabem, o Grammy coloca tudo em caixinhas (os afamados fields) e tanto OTR quanto “7” não fazem sentido em caixinhas (é o problema que Drake enfrentou com “Hotline Bling”, por exemplo). “Old Town Road” fica em rap? Country? O próprio Lil Nas X já disse que a faixa é country-trap, então eu suspeito que a Columbia coloque em “rap/sung” é a única categoria em que dá pra encaixar fazendo sentido e não perdendo a chance de indicação… Acredito que entra em Gravação e eu colocaria em Canção porque a letra é super perspicaz, sinceramente. Já o EP… sinceramente… Como uma das mudanças do Grammy é a inclusão de comitê para pop e rock fields para ter um comitê geral que resolva tretas com artistas que trabalham com mistura de categorias, acho que eles terão MUITO trabalho aqui – evidentemente, tudo depende de como a Columbia vai submeter.


No próximo post do “OI SUMIDA” eu vou falar sobre algumas das novas faces da música em 2019 e me estender mais sobre essa O FIM DOS GÊNEROS (bold statement, hein?) e se isso procede mesmo. Até logo!

Design de um top 10 [40] e o atual estado da música

Eu demorei muito a fazer um post novo com a análise do top 10 da Billboard (último post? 24 de setembro, JEEZ) porque eu literalmente não estava a fim. Não por preguiça de escrever, mas a preguiça de acompanhar mesmo. Talvez porque a música pop esteja nesse limbo que venho relatando há algum tempo, ou porque o que vinha fazendo sucesso não me apetecia ou era relatável às minhas experiências em nada.

Talvez seja esse melancólico momento da mudança de guarda entre gerações. Eu sou uma old millennial (tenho 28 anos), e me sinto a cada dia mais apartada da “cultura jovem” – e olha que faço um esforço hercúleo para me manter atualizada. Gen-Z tem seus próprios códigos, interesses e principalmente estilos e modos de performance que muitas vezes não se aplicam ao que eu ou parte da geração com a qual cresci curte.

Por isso, tentando entender o que muitos que me leem ouvem, mudei completamente a abordagem do Design de um Top 10 com uma análise resumida e sincera de CADA música que chegou às dez primeiras posições esta semana no Billboard Hot 100. Isso mesmo. Uma análise com filtro bem reduzido, sobre cada uma das faixas e seus desempenhos.

Antes de mais nada, o resumo geral:

Top 10 Billboard Hot 100 (12.01.2019)

1+1HalseyWithout Me
2-1Ariana GrandeThank U, Next
3+2Post Malone & Swae LeeSunflower
4=Travis ScottSICKOMODE
5+1Panic! at the DiscoHigh Hopes
6+1Bastille & MarshmelloHappier
7+7Maroon 5Girls Like You
8+4Lil Baby & GunnaDrip too Hard
9+6Kodak BlackZEZE
10+13Post MaloneBetter Now

#1 “Without Me” – Halsey é o nome mais mainstream de um pop que a gente nos fóruns da vida chamava de tumblr-pop, altamente confessional e moody, mas ao contrário de um act mais conceitual como Lana del Rey, por exemplo, as influências aqui são mais adolescentes, uma estética de imagem quase instagram e letras prontas para serem convertidas em gif. Pra completar, a voz dela ainda é extremamente adocicada, quase Disney, mas mesmo num ambiente absurdamente bland como é o pop atual, Halsey consegue se destacar, por oferecer nesse grupo essa mistura de pop com urban e eletrônico perfeito para o top 40 – nem tão ~hard~ que as soccer moms não possam ouvir, tampouco muito polido que não seja tocado numa playlist crossover do Spotify.

Além disso, a influência urban no trabalho dela é a prova de que o urban é o pop, que influencia os acts que tentam fazer sucesso atualmente, caso eles não rimem. Parece que funcionou, porque hoje Halsey é uma das poucas da nova leva do pop cuja voz eu consigo distinguir, bem como a aparência, numa seara de acts intercambiáveis. Apesar da voz dela não ser uma das mais agradáveis ao meu ouvido, “Without Me” é grudenta como poucas faixas pop lançadas nos últimos anos e tem uma coisa que eu busco como sedento por água no deserto: PUNCH, um refrão que tenha cara de refrão e algum interesse na música que está cantando. Ela vive na sua performance a música que canta e pra mim já é o suficiente.

#2 “Thank U, Next” – Confesso que eu acho essa música tão ruim! O sucesso de TUN é bem evidente quando pensamos que a grande estrela pop do momento é Ariana Grande, a que mais sabe conversar com a geração Z, usou inteligentemente suas relações pessoais numa música com um quote já imortalizado pela cultura pop (“thank u, next”) e um dos vídeos mais legais do ano, com tudo que a gente sempre quis num vídeo pop. Ela é uma das poucas do gênero que tem bom retorno no Streaming, e agora a música está crescendo na rádio – ou seja, se não retornar ao primeiro lugar (onde ficou por sete semanas não consecutivas), é hit massivo e consolidado. (aliás, esse álbum novo dela parece que finalmente vai colocá-la além das colegas de geração e fazer Ariana jogar com os chefes)

No entanto, a letra é muito ruim, extremamente infantil, e a tal ponto que parece uma paródia ruim do SNL, assim como o arranjo apenas simpático e o meu principal problema com a faixa: a DICÇÃO de Ariana. Eu falo tão bem da moça, como ela está melhorando em sua interpretação, como falta pouco para se tornar A vocalista de sua geração, e uma das mais importantes dos últimos anos, mas as grandes divas FALAVAM muito bem em suas músicas – e isso é essencial até mesmo para cantar melhor.

#3 “Sunflower” – Ficaria muito contente se alguém me explicar por que Post Malone faz tanto sucesso. Isso deve ser culpa do Drake.

#4 “SICKO MODE” – uma das coisas mais estranhas (e incríveis) de um gênero como o rap ser o dominante no mainstream é ver colagens insanas e pouco identificáveis com o top 40 como “SICKO MODE” chegarem ao topo da Billboard. Sério, essa música do Travis Scott é estranha, mas de um jeito bom! Parece de verdade uma colagem foda de algo vindo de um surto de inspiração – a música começa com Drake, entra com outro arranjo, depois vira pra outra música e tem samples e interpolações que constroem uma faixa que, se não bomba nas rádios tradicionais, é a cara do Streaming. Tanto que lidera o chart específico e não é por nada.

Por isso que o rap é o gênero que está pensando para a frente e tentando sair da casinha musicalmente, desde coisas mais standard até trabalhos que constroem ambientes, como este aqui.

#5 “High Hopes” – de todas as bandas da onda pop rock/emo/gótica/punk rock/similares que bombaram nos anos 2000, Panic! At The Disco seria a última que eu imaginaria se manter 13 anos após o estouro. Sério. Aos 15/16 anos, eu achava sinceramente que seria one-hit wonder pra gente se lembrar nas listas do futuro.

No entanto, Brandon Urie e suas mudanças constantes de lineup se mantiveram até hoje vivos, com um som que parece algo menos pretensioso de quando eles estouraram, no entanto com a cara da banda: meio teatral, histriônico, mas com bom ouvido pop. Pelo menos o rock tá vivo em algum canto, e tentando se mexer em estilo. Porque se não se mexer, morre de vez.

Brendon Urie GIF by Panic! At The Disco

#6 “Happier” – uma das poucas coisas que se manteve constante desde a decadência do pop e sua restrição ao nicho é o fato de que o EDM mais orgânico manteria muitas carreiras vivas por aí, daria oportunidades a artistas mais teen ou de nicho para estourar crossover e esse crossover seria o mais próximo de pop “puro” que os amantes do gênero poderiam ter. No entanto, até essa trend parece igual. Essa faixa parece com outra faixa do mesmo Marshmello que parece com alguma faixa dos Fumacinhas. Que tédio.

#7 “Girls Like You” – Sem comentários, eu odeio essa música.

#8 “Drip Too Hard” – eu entendo que hoje Atlanta é a capital do rap nos EUA, mas isso não significa que tudo que venha de lá seja excepcional. Que música ruim!

#9 “ZEZE” – Surreal como Kodak Black nunca é a melhor pessoa da faixa em que ele está. E aqui em “ZEZE” a situação só piora porque ele é o lead. Imagina ter que lidar com o flow de mosquito o álbum INTEIRO? Não gente, e nessa faixa, Offset (que não é a estrela do Migos, mas não chega a ser um Takeoff que ninguém se lembra direito) parece mais o artista principal que Kodak.

#10 “Better Now” – eu já comentei num dos vídeos sobre o Grammy a respeito de “Better Now”. Eu jurava que era pior do que é, de verdade.


Esses foram as minhas considerações sobre o top 10 da Billboard que saiu esta semana. Como eu disse, é uma análise sincera e sem muito filtro sobre os singles, e como eu os vejo com meu olhar de old millennial. Se vocês forem millennials também, e se sentem deslocados nessa “nova ordem”, fiquem à vontade para comentar. A turma Gen-Z pode falar também sobre suas músicas preferidas e dar sua opinião. Estou esperando os comentários de todos!

Design de um Top 10 [39] Só voltei porque alguma coisa mudou

 

É isso mesmo que está no título do texto: eu só voltei com o top 10 porque pelo menos alguma coisa se mexeu nesse chart, que anda bem chato de acompanhar desde que Drake decidiu que 2018 seria o ano de sua total dominância. 

Desde janeiro, nenhuma música pop chega ao topo da Billboard, e exceto por Camila Cabello com “Havana”, lá no começo do ano, apenas rappers dominaram o topo da Billboard. Mais flagrante ainda: apenas homens chegaram ao primeiro lugar, até mesmo pessoas que já morreram (XXXTentacion), enquanto a outra pessoa que parece entrar de intrusa nessa história é seguramente a grande revelação de 2017-18, Cardi B.

A rapper do Bronx já tinha emplacado o segundo #1, o hit latino “I Like It”; e seu featuring na tenebrosa “Girls Like You”, do Maroon 5, já estava garantindo Belcalis com mais um top 10 na conta. No entanto, a faixa vinha sólida especialmente nas rádios (e o vídeo repleto de estrelas já tinha dado tração à música nos charts), por isso, o #1 foi só uma questão de tempo. O terceiro para Cardi, que acumula números expressivos para uma novata (qualquer novata,  não importando o field); e mais um topo para Adam Levine e sua turma, que sempre arrancam um hit para manter a relevância desde que optaram por vender a criatividade que tinham para os produtores da moda.

(digo isso com a tranquilidade de quem viu os caras duas vezes ao vivo e dizer que as músicas que melhor funcionam são as das antigas)

Hora de conferir mais detalhes sobre essa nova (se bem que não tão nova assim) configuração do Hot 100 com mais uma edição do Design de um Top 10!

Top 10 Billboard Hot 100 (29.09.2018)

#1 Girls Like You – Maroon 5 feat. Cardi B

#2 In My Feelings – Drake

#3 Killshot (NEW) – Eminem

#4 Lucid Dreams –  Juice WRLD

#5 Better Now – Post Malone

#6 I Like It – Cardi B feat J. Balvin and Bad Bunny

#7 I Love It – Lil Pump feat. Kanye West

#8 FEFE – 6ix9ine feat. Nicki Minaj and Murda Beatz

#9 SICKO MODE – Travis Scott

#10 Youngblood – 5 Seconds Of Summer

Enquanto “Girls Like You” foi ganhando força aos poucos (e com a rapper do momento fazendo aquele verso rápido a coisa fica mais fácil em certas rádios), “Killshot” do Eminem conseguiu a terceira posição no Hot 100 APENAS com o YouTube. Uma diss contra outro rapper, Machine Gun Kelly, que respondera com uma diss à outra diss de Eminem, contida no novo álbum do veterano, “Kamikaze” (haja diss!), o sucesso da faixa – que literalmente viralizou, tem não apenas o dedo da instantaneidade do feud, mas também o poder que Eminem ainda tem no inconsciente coletivo. Mas nem todo mundo pode fazer esse tipo de artifício usando o YouTube; só quem tem uma base de fãs forte o suficiente e relevância no mercado consegue um resultado desse tipo sem a ajuda de outras plataformas

Quem chegou ao décimo lugar foram os australianos do 5 Seconds of Summer com a faixa “Youngblood”, consideravelmente mais adulta e mais interessante que qualquer coisa que eles tenham lançado na época em que vendiam os meninos como uma versão “rockeira” do One Direction (vocês se lembram disso? Pois é). A música é bem bacana, e com um refrão forte e marcante, sintetizado – aliás, é o primeiro top 10 do grupo, que tinha chegado mais perto em 2014, na posição 16. 

(aliás, eu sempre achei esse nome de banda com cara de “one hit wonder”, mas aparentemente eles construíram uma carreira bem sólida, são três álbuns lançados em #1 na Billboard 200, isso é para poucos)

Por último, mas não menos importante, o topo de “Girls Like You“, talvez uma das piores músicas já concebidas, lançadas como single e que chegaram ao primeiro lugar nos charts; que com certeza teve o apoio massivo das rádios, que sempre estão ávidos por algum single do Maroon 5 – tanto que são nove semanas em #1 no chart da plataforma, enquanto a faixa já começa a cair no digital e no streaming. Ou seja, era a hora certa da faixa chegar ao topo. O quarto #1 do M5 é a mostra da longevidade da banda, que chega ao fim da segunda década de sucesso e apelo crossover, que será fortalecido ainda mais com o Halftime Show do SuperBowl ano que vem, a ser realizado em Atlanta. Já Cardi… Bem, o céu é o limite para Belcalis – quer dizer, as indicações do Grammy que a rapper facilmente receberá em vários fields são o céu (e com chances reais de vitória, o que tornaria sua ascensão o conto-de-fadas perfeito).

E você? O que achou do top 10 do Hot 100 desta semana? Deixe suas considerações nos comentários! 

Design de um Top 10 [38] É hora de mudar

Essa semana tivemos novidades nos charts da Billboard. Drake voltou ao #1 após duas semanas do boom “This Is America”, novamente com “Nice for What”, mais um single modorrento de sua nova era. O top 10 prossegue dominado pelo rap e urban, e os hits do verão começam a aparecer ou se solidificar no top 10 – como por exemplo, “The Middle”, que deu uma bela sumida esta semana, e é uma das poucas faixas representativas pop em 2018.

Mas hoje eu vou falar essencialmente das três novas aparições no top 10, uma delas histórica – e bem indicativa sobre a situação do pop americano.

Top 10 Billboard Hot 100 (02.06.2018)

#1 Nice For What – Drake

#2 This Is America – Childish Gambino

#3 God’s Plan – Drake

#4 Psycho – Post Malone feat. Ty Dolla Sign

#5 The Middle – Zedd, Maren Morris & Grey

#6 Yes Indeed – Lil Baby feat. Drake

#7 Meant to Be – Bebe Rexha feat. Florida Georgia LIne

#8 Boo’d Up – Ella Mai

#9 No Tears Left to Cry – Ariana Grande

#10 Fake Love – BTS

Drake não apenas deu as caras de novo no topo – agora, o canadense tem três músicas no top 10, passando Elvis Presley com 26 aparições no top 10 da Billboard, e uma delas é um featuring: “Yes Indeed“, cujo artista principal é Lil Baby, mais um rapper vindo diretamente da cena de Atlanta, onde é feito o mainstream rap atual. O pulo de 43 posições até o sexto lugar é creditado à principal plataforma de consumo de música atual, o streaming, que deu impulso ao crescimento da faixa. Não há mais como negar o poder do streaming no surgimento de diversos rappers de variadas tendências, e essa tendência não parece diminuir nem um pouco.

(quanto à música? Não tem nem três minutos gente, surreal)

A outra estreia no top 10 é “Boo’d Up“, da britânica Ella Mai. É o primeiro top 10 da cantora e sua primeira entrada no chart, saindo da décima-primeira posição para a oitava. A faixa ainda está em fase de crescimento nos charts de rádio e digital, apesar da segunda semana nos charts de R&B; mas o segredo aqui é – ele mesmo! – o streaming, onde está na sexta posição do chart oficial.

A música é um achado dentro da parada, repleto de mumble rap e EDM orgânico a la Chainsmokers. Um pop/R&B com vibe early-aughts (afinal de contas, daqui a pouco 2000 serão 20 anos e já dá pra fazer revival), tem jeitinho de que vai sobreviver bem no verão. É fresh e bem cara de fim de tarde.

Mas talvez o grande destaque desta semana seja mesmo o debut em #10 do fenômeno K-pop BTS com o single “Fake Love”. O grupo já tinha estreado em #1 no Billboard 200 com o álbum “Love Yourself: Tear”, a primeira vez de um álbum do gênero; e agora, os meninos fazem história com a estreia diretamente no top 10 da Billboard. Apenas outro act de K-pop chegou tão longe: ele mesmo, PSY com “Gangnam Style” (#2 em 2012 – mas deveria ter sido primeiro, só que as maquinações das rádios não deixaram) e “Gentleman”(#5 em 2013).

Como o BTS chegou tão bem assim? Dominando os charts digitais: “Fake Love ficou em #1 no chart específico; enquanto estreou bem no streaming, na sétima posição. Ou seja, mesmo com domínio numa plataforma que não tem a mesma dominância de antes, o BTS tem abrangência onde realmente interessa dentro do chart – e na forma de consumo do público americano atual: o streaming, onde os artistas pop americanos sofrem para se adequar.

E a música gruda mais que chiclete no tênis. Se você não ficar cantando “I’m so sick of this fake love fake love” você não tomou o nocaute. (e sério, o que é o investimento financeiro nos clipes? A gente reclama que o pop americano não quer colocar dinheiro para visuais e não quer oferecer entretenimento… Eis uma razão porque tanta gente tá consumindo k-pop: os acts entregam entretenimento, imagem e performance)

 

E você, o que achou das novas entradas no top 10 do Hot 100? Quais são suas previsões para o verão americano?

Design de um top 10 [37] Mais quantos meses com essa música do Drake no topo?

Um amigo meu perguntou essa semana se o pop anda meio morto ultimamente. Então, eu disse a ele que para quem acompanha as divas pop, pode parecer meio sem graça; mas se formos considerar que o rap é o pop hoje, a cena tá bem inventiva e variada.

No entanto, é meio difícil pensar assim quando o ano nem começou e já temos uma faixa com previsão de passar dois meses no topo dos charts, deixando o Hot 100 chato e nada variado. E pior, a música em questão nem é essa maravilha toda. Sim, estou falando do primeiro grande smash de 2018, “God’s Plan”, do Drake, com recordes no Spotify, vídeo bem assistido e óbvio apelo popular com o som do momento.

Ou seja, é sobre o Drake e outros destaques da semana o tema deste Design de um Top 10 de hoje.

Top 10 Billboard Hot 100 17.03.2018

#1 God’s Plan – Drake

#2 Perfect – Ed Sheeran

#3 Finesse Remix – Bruno Mars feat. Cardi B

#4 Psycho – Post Malone feat. Ty Dollar $ign

#5 Meant to Be – Bebe Rexha feat. Florida Georgia Line

#6 Havana – Camila Cabello feat. Young Thug

#7 Look Alive – BlocBoy JB feat. Drake

#8 The Middle – Zedd, Maren Morris and Grey

#9 Pray For Me – The Weeknd feat. Kendrick Lamar

#10 Sir Fry – Migos

 

Resultado de imagem para Drake god's plan gifDenise, eu não aguento mais o Drake! Já são sete semanas no topo, e a julgar pelos números, tá longe de sair de lá. A música lidera em quase todos os charts de plataforma (menos as rádios, onde o #1 está com “Finesse”, mas a trajetória do canadense é só de subida) – entre todos, é o streaming que se configura como a maior força para a música do Drake. Aliás, “God’s Plan” nem é a melhor coisa do catálogo dele; pelo contrário, pouco envolvente ou grudenta, é inexplicável como está fazendo tanto sucesso – só pode ser porque é o som do momento. Seria algo muito mais vivo e divertido se estivesse na voz do Migos.

 

Bebe Rexha emplacou mais uma com “Meant to Be”, que subiu duas posições esta semana. O single, dueto com o Resultado de imagem para bebe rexha meant to be gifFlorida Georgia Line, faz parte do EP All Your Fault pt. 2, e de certa forma é o grande hit dessa era da artista. Um sucesso crossover, já que está liderando o chart country com 15 semanas, e está ganhando boost nas rádios pop. Também é o primeiro top 5 pra Bebe e segundo top 5 do Georgia Line. Apesar desse desempenho super positivo do hit, uma dúvida me acomete: “Meant to Be” pode significar que finalmente a Bebe vai fazer o grande jump para se tornar uma estrela pop de fato? Porque é curioso como ela emplaca um hitzinho mas nunca se converte numa carreira pop sólida. Veremos as cenas dos próximos capítulos.

 

Resultado de imagem para the middle zedd video gifQuem deve estar felizona aqui é a Maren Morris, já que “The Middle”, colaboração do Zedd com a cantora country e Grey, é o primeiro top 10 da Maren, uma das grandes revelações do country nos últimos anos. Também é o quarto top 10 do Zedd e o primeiro do duo Grey; e mostra que o EDM ainda está vivo e bem, só que com uma versão menos farofada. No entanto, “The Middle” parece muito com tudo que sei lá, o Zeed, os Chainsmokers e outros DJs andam fazendo recentemente na cena, e a voz da Maren Morris ficou tão sem personalidade que parece com qualquer outra voz de pop star ascendendo na carreira. Altamente genérica, a faixa tem chances de mofar no top 10 – apesar da queda no chart de streaming, está muito bem no digital e vem crescendo nas rádios.

 

E olha quem continua mostrando força: Quavo, Offset e Takeoff do Migos retornaram ao top 10 com “Stir Fry”, queResultado de imagem para migos stir fry gif já tinha peakado em #8, e agora na décima posição, mostra que o grupo não parece nem um pouco distante da saturação. O legal de “Stir Fry” é que o som é bem diferente do rap que eles sempre apresentaram, tem uma vibe beem upbeat, dançante e até pop, graças à produção bem inspirada do Pharrel, que aqui produziu com vigor (enquanto com os Neptunes no álbum do JT, parecia bem preguiçoso…). Não se surpreendam se 2018 continuar com o Migos continuando a fazer sucesso (e a indústria tentando fazer o Quavo acontecer…).

 

E vocês, o que acharam do top 10 esta semana da Billboard? Quais são as suas músicas favoritas desse grupo?

 

Design de um top 10 [36] O mundo é de Belcalis Almanazar e apenas vivemos nele

Depois de 84 anos, retorno com um baluarte deste blog, o Design de um Top 10, onde eu sempre faço análises sobre os destaques musicais de mais uma semana na Billboard Hot 100. Hora de aproveitar os primeiros dias de 2018, que já está no quente com vários lançamentos, sucessos que se mantém desde o ano passado e músicas que já nasceram parte da conversa cultural

Ah, e vou explicar quem cargas d’água é “Belcalis Almanazar”.

Top 10 Billboard Hot 100 (13.01.2018)

2. Havana – Camila Cabello feat. Young Thug

3. Rockstar – Post Malone feat. 21 Savage

4. Thunder – Imagine Dragons

5. No Limit – G-Eazy feat. A$AP Rocky & Cardi B

6. Bad At Love – Halsey

7. Too Good At Goodbyes – Sam Smith

8. MotorSport – Migos, Nicki Minaj & Cardi B

9. Gucci Gang – Lil Pump

10. Bodak Yellow (Money Moves) – Cardi B

 

Mais um hit para Ed Sheeran – e uns streamings a mais pra Queen B

Você já perdeu a conta? O remix de “Perfect“, último single do álbum do Ed Sheeran, com a participação da Beyoncé, chegou à quinta semana em #1. A baladinha, que é a cara do inverno, ainda lidera os charts digitais e de rádio, enquanto teve uma queda nos charts de stream. No entanto, a música passa longe de estar morrendo – com o novo remix com Andrea Bocelli (“Perfect Symphony”) crescendo no iTunes e a versão original sendo tocada nas rádios, “Perfect” tem tudo para emplacar pelo menos uma semana em primeiro. Digo uma porque a concorrência tá forte neste começo de ano.

Curiosidade: Beyoncé, que deve estar preparando uma nova era com esses featurings em faixas de artistas fortes no stream, conseguiu com “Perfect Duet” o seu sexto #1 solo nos charts de airplay, o primeiro em quase nove anos.

Quando “Havana” se levantará?

Já o hit que tá pedindo pra ser #1 há um bom tempo, “Havana” da Camila Cabello, parece que vai padecer mais uma semana longe do topo. Agora, a música está em #2, fazendo seis semanas que chega nessa posição. Apesar de algumas quedas nos charts de rádio, a faixa está em #2 no chart de stream e em terceiro no digital. No entanto, a Camila está no topo das rádios pop pela sétima semana, e esses números podem ajudar bastante a faixa a conseguir uma chance que seja de ficar pelo menos uma semana em primeiro. A menina merece muito, a música é decididamente um dos grandes hits do fim do ano/início deste.

Curiosidade: o segundo single da Camila, “Never Be the Same“, voltou ao chart na 71ª posição. A faixa não é tão instantânea quanto “Havana”, mas tem cheirinho de hit. E a gente sabe que a menina divulga – e divulga bem – então, as chances de chegar ao top 10 são boas.

 

Dose tripla de Belcalis Almanazar no top 10… Ou podem ser quatro?

Ou mais precisamente, Cardi B, a rapper mais bombada do momento, que colocou pela segunda semana seguida três músicas no top 10 da Billboard. Ela é a terceira artista da história a colocar suas três primeiras músicas no top 10 ao mesmo tempo, depois dos Beatles e de Ashanti. Tá em boa companhia a moça hein?

A faixa melhor colocada da moça é “No Limit“(#5), de G-Eazy, onde ela e A$AP Rocky são os featurings. Já “MotorSport“, do Migos e com feat também da Nicki Minaj, está em #8; enquanto seu primeiro hit, o viral inescapável “Bodak Yellow“, continua em 10º lugar.

Mas não é só isso: quando digo que a gente tá vivendo no mundo da Cardi B, é que tem muita coisa por aí (com altas possibilidades de #1) – tem “Bartier Cardi“, onde ela é lead, que caiu para #19 (mas ainda tem clipe pra sair, o que pode alterar as coisas); “La Modelo“, faixa do Ozuna em que ela é participação, que está em #61; e o crossover pop que a Cardi precisava para ser apresentada a um grande público – o remix de “Finesse“, do Bruno Mars, que ganhou um clipe cheio de referências a In Living Color e entrou na conversa cultural esta semana, sem chance de ficar em segundo plano. A julgar pelo fato da música ter entrado com apenas um dia de vendas em #35, a faixa estar crescendo nas rádios, em #1 na principal playlist do Spotify e sendo assistida constantemente no YouTube, se for apresentada no Grammy, pode colocar mais um #1 na conta da Cardi (e o oitavo #1 pro havaiano).

O que é curioso em “Finesse” é que a música, faixa oito do “24k Magic”, parece que foi descoberta agora, dois anos depois, pelo grande público, e está tendo desempenho de lead single. Caso as previsões se confirmem, logo vou falar um pouquinho mais sobre a música.

E vocês, o que acham dos movimentos nos charts desta semana?