IT’S BANJO TIME! “Man of the Woods”, JT

Você sabe o que esperar de Justin Timberlake: pop/R&B de primeira, com toques eletrônicos e de funk, e o toque futurista de Timbaland. Mesmo no álbum mais “clássico” do JT, o “20/20 Experience”, as músicas grandiloquentes possuíam o charme R&B e as desconstruções do Timbo em full force.

Geralmente, quando a gente tem um artista que com uma ou outra alteração, se mantém fiel à sua persona, ele tem a certeza do que quer e de suas limitações. Caso ele ou ela saia da sua zona de conforto, essa inquietação tem pontos muito seguros, porque o artista não tem interesse em alienar a sua fã-base; tampouco vai ficar no meio do caminho em sua quebra de expectativas – ou pior: vender “novidade” mas nada em seu som ou imagem determinam algo novo; e o que foi vendido como “novo” é só uma notinha de rodapé que não interfere em nada no conceito.

(mas não tô falando do Timberlake)

“Man of The Woods”,  quinto álbum solo do “presidente do Pop”, é uma tentativa de mesclar as sensibilidades pop/R&B do astro com um toque country. Com direito a uma divulgação de uma imagem “wild west… but now”, track list que inclui músicas como “Flannel”, “Montana” e “Livin’ Off The Land”, era de se esperar algo surpreendente e histórico, ou uma bagunça monumental.

O resultado foi mais para bagunça – e nem precisou ouvir o CD todo: “Filthy”, o primeiro single, já começou a bagunça e provou que alguma coisa estava muito errada no reino do Timberlake, que só foi se ampliando com a TENEBROSA “Supplies” e a opaca “Say Something”, desperdício de Chris Stapleton. O pior é que nada salva neste álbum, onde a coisa mais country que você pode encontrar é um fucking BANJO inserido aleatoriamente em metade da 16 músicas desse CD cansativo e muito, muito ruim.

São as letras medíocres, como a faux-hospitalidade sulista de “Midnight Summer Jam” soa pouco sincera saindo de uma das vozes mais associadas ao mainstream hollywoodiano e o glow da vida de estrela possível; o refrão sem sentido da faixa-título; “Livin’ Off The Land”, que parece um protótipo country de “Livin’ on a Prayer” que deu muito errado). Os arranjos repetitivos (a maior parte das produções dos Neptunes parecem uma longa e imensa música que se parece); músicas que não combinam com o vocal do Timberlake – que tem suas óbvias limitações, mas disfarçado pelo fato dele ser um ótimo intérprete – por exemplo, em “Morning Light”, com Alicia Keys, tem um arranjo meio soul meio reggae-ish que é gostoso, e mesmo com a letra pedestre, uma Beyoncé, J-Hud e um Usher teriam melhores resultados num hipotético dueto porque as vozes deles tem SOUL, e não soam flat e deslocadas como JT e Alicia. Pior é que o Justin soa em todo o CD cantando como ex-membro de boy band que acabou de lançar álbum solo, e não um cantor maduro e interessante (o maior exemplo disso é no refrão medíocre de “Man of The Woods”, que estraga uma faixa com ótimas ideias).

(okay gente, e se esse CD for uma elaborada cara e extensa PEGADINHA DO MALANDRO? porque só isso explica ISSO)

Whatever.

A única música que realmente me deixou animada pra alguma coisa foi “Montana”, que apesar do título horrendo, é uma música genuinamente boa, sexy e a vibe disco-funk retrô é sempre um plus (você já sabe que linha de baixo retrô is my weakness).

Se todo o álbum tivesse pelo menos  O ESPÍRITO… ou fosse MENOR.

Em geral, a palavra que define “Man of The Woods” é “insincero”. Vende-se uma imagem “woods”, “wild”, “roots”, “country”, e no fim do dia it’s the same old pop/R&B álbum só que com as letras mais pedestres possíveis. Só que para dar um ar ~country~ me enfiam um BANJO como se isso desse o mesmo efeito do Timberlake yodeling (o que thank god ele não teve a pachorra de fazer).

(até o “Joanne” captou melhor a vibe)

Mas não vou me alongar muito neste post porque como diz um grande pensador contemporâneo, Sometimes, the greatest way to say something is to say nothing at all.

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Como chegamos aos indicados a [4] Melhor Álbum Pop

Essa é uma pergunta que mesmo às portas do Grammy, eu não sei bem como responder – especialmente dadas as esnobadas aqui e ali, e a construção do Big Four. Mas de maneira geral, os indicados nesta categoria são os indicados de um período em que o pop prosseguiu sendo uma nota de rodapé no zeitgeist musical, enquanto o rap e o urban dominavam (e ainda dominam) a cena.

Exceto por Ed Sheeran, evidentemente o último pop star que restou (o resto ou flopou ou underperformed ou está no R&B), os outros grandes nomes trouxeram trabalhos cujos resultados não causaram grande impressão. Katy Perry, o pior caso, até trouxe um CD interessante (eu já disse que gosto do “Witness”, só acho a playlist bagunçada e o CD longo, com fillers desnecessários), mas nada rendeu – exceto pelo lead single, “Chained to The Rhythm”. Miley Cyrus flopou forte, mas foi tão anticlimático que nem foi punchline na pop culture. Selena não lançou CD (e quem sabe quando lançará), Demi fez sucesso com “Sorry Not Sorry”, mas isso não se traduziu em indicação…

Lady Gaga na verdade ressuscitou para o grande público com o Superbowl (o que eu acho que será o caso do Timberlake); enquanto Kesha trouxe um dos grandes álbuns do ano que deveria ser mais ouvido – mas a RCA tem uma inabilidade ridícula com divulgação.

No entanto, a questão não é só os materiais dos artistas atuais não serem interessantes de fato em relação à variedade e inquietação do rap/urban atual. O próprio pop parece em meio a uma fase down, pra baixo, com refrões focados mais no grave que no agudo, e pouca diversão. A música pop, mesmo quando é “politizada”, é escapista, divertida e quer te fazer dançar – e nada em 2017 no pop me fez querer dançar (e o sucesso dos ritmos latinos e latino-oriented como “Havana” mostra que as pessoas desejam escapismo de tempos controversos). Tanto que enquanto o rap conseguiu divertir e ser conceitual ao mesmo tempo (onde Kendrick e Migos conviveram em harmonia), o pop quis ser “conceito” – até mesmo com acts que nunca venderam conceito – e agora precisam recorrer ao urban para reencontrar a notoriedade perdida.

Enquanto 2019 não chega com o retorno do pop a momentos mais felizes (o que venho duvidando bastante com o tipo de material que os a-lists vem lançando), hora de conferir o que restou ao Grammy para lidar com o momento no tempo.

Em primeiro lugar, os indicados ao prêmio de Melhor Álbum Pop:

Coldplay – Kaleidoscope EP
Lana Del Rey – Lust for Life
Imagine Dragons – Evolve
Kesha – Rainbow
Lady Gaga – Joanne
Ed Sheeran – ÷

A análise de cada álbum segue com o pulo:

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Drops Grammy 2018 [5] “24k Magic”, Bruno Mars

Lionel Richie ganhou o Grammy de Álbum do Ano em 1985 com o “Can’t Slow Down”, um álbum pop respeitável com clássicos como “Hello” (is it me you’re looking for?) e “All Night Long”. A vitória de um dos artistas mais populares e acessíveis da música pop mundial é sempre um bom momento; no entanto, muitos acreditam que o triunfo do Lionel foi uma “safe” choice da Academia diante de CDs mais fortes como “Born on the U.S.A”, de Bruce Springsteen; e “Purple Rain”, do Prince, que concorriam no mesmo ano (completavam o lineup Cyndi Lauper e Tina Turner).

Essa situação parece se repetir em 2018 – o último candidato a ser analisado é o Bruno Mars e o seu “24k Magic”, álbum R&B com inspiração nos anos 80 e 90 que une justamente aquilo que a Academia quer num vencedor: um som bem visto pela crítica, de sucesso e com um artista com forte apelo popular e bom trânsito entre os fields.

No entanto, a “solução Lionel Richie”, segura e infalível para os votantes do Grammy, pode ser um problema grande num contexto geral de vitórias e derrotas em Álbum do Ano. Quer saber o motivo? É só conferir o vídeo!

 

Drops Grammy 2018 [4] “Awaken, My Love!”, Childish Gambino

O Grammy Awards está bem perto (faltam menos de duas semanas para a grande noite) e o Drops Grammy 2018 chega ao clássico momento indie dos indicados a Álbum do Ano. O Grammy sempre cotiza uma parte dos indicados para os artistas alternativos desde os tempos do Beck (que até ganhar com o “Morning Phase”, tinha batido na trave umas duas vezes), Radiohead, The White Stripes, Arcade Fire, Alabama Shakes e aquele ano em que todo mundo era indie, pop ou não (2013, com a vitória do Mumford & Sons).

Para 2018, esse espaço é ocupado com glórias merecidas por Donald Glover aka Childish Gambino. Ator, rapper, roteirista, diretor e um dos caras mais queridos da turma nerd/geek e do pessoal que acompanha cultura pop, ele surpreendeu todo mundo com o cuidadoso e incrivelmente bem-trabalhado “Awaken, My Love!“, tomando emprestado referências do funk e do soul dos anos 70 com uma vibe surpreendentemente futurista. A indicação em Álbum do Ano, apesar de surpreendente (já que muitos garantiam no mínimo o single “Redbone” no Big Four), não é injusta – é um grande CD.

Mas será que o CD mais “diferentão” do corte final tem alguma chance nessa premiação? Dê play no vídeo e confira!

Drops Grammy 2018 [3] “4:44”, Jay-Z

O nosso blog continua a análise dos álbuns indicados a Álbum do Ano através do Drops e a conversa de hoje está relacionado à grande surpresa entre os concorrentes ao prêmio: “4:44”, do Jay-Z. Um álbum aclamado criticamente mas que passou batido por muita gente por sua disponibilidade estar restrita ao TIDAL (exceto se você se valesse da Torrent Tour para conseguir o álbum), é um dos grandes CDs do ano e mostra um Jay-Z não apenas no topo da sua musicalidade como é um clássico álbum pessoal e íntimo (mesmo que ele esteja confessando ter traído a Beyoncé), assim como trata de assuntos caros à visão de mundo e de empoderamento negro do Hov.

No entanto, por ser um segundo álbum de rap entre os indicados, o Quatro e Quarenta e Quatro se tornou uma real ameaça a tirar uma boa quantidade de votos do “DAMN.”, do Kendrick Lamar. Ou aproveitar a relevância e legado do Jay-Z para levar o prêmio principal da noite.

Qual será o cenário de vitória, derrota ou surpresa que o “4:44” pode trazer no Grammy 2018?

Dê play e confira!

 

Drops Grammy 2018 [1] “DAMN.”, Kendrick Lamar

Este ano, eu decidi fazer algo diferente… Ao invés do Duas Tintas de Música apresentar os indicados a Álbum do Ano bem pertinho do dia da premiação, optei por fazer uma análise rápida dos indicados por meio de vídeo, através do Drops – vídeos curtos (que eu desejaria ser de cinco minutos, mas viraram nove, dez…) onde a ideia é comentar sobre cada indicado a Álbum do Ano na premiação.

A conversa de hoje gira em torno do álbum favorito (a cada dia menos favorito) “DAMN.”, do Kendrick Lamar. Mais um trabalho admirável do rapper californiano, com rimas inteligentes, produção esmerada e visão de mundo única, desta vez  ele conseguiu unir a qualidade de seus dois trabalhos com o fator comercial nas faixas, especialmente os singles, trazendo no final um CD aclamado pela crítica, pelo público e com top 10 e um #1 solo no bolso do K-Dot. Até segunda ordem, era hora do Grammy finalmente fazer o que deveria ter feito há algum tempo (quase dois anos, pra ser mais exata) e entregar o gramofone pro Kendrick.

No entanto, quando os indicados ao principal prêmio da música foram revelados, o lineup final trouxe surpresas e cenários que podem oferecer nomes distintos no envelope mais desejado da indústria. Por isso, o drops de hoje lança essas questões:

Quais são os pontos fortes? Quais são as ameaças ao novo trabalho do K-Dot? Quais são as chances de vitória?

Aproveite e dê play!

 

Eu gostava mais da Old Taylor

… porque pelo menos a velha Taylor escrevia músicas melhores.

Um dos grandes trunfos da carreira da Taylor Swift sempre foi sua habilidade como compositora, de escrever exatamente o que uma jovem sentia ou passava, mesmo que você não fosse uma cantora de country-pop de 17/18 anos. E mesmo em suas incursões mais pop (a exemplo de algumas faixas no “Red” e no primeiro trabalho todo pop da moça, “1989”), você sabia que encontraria ótimas músicas com letras relatáveis, joviais, com aquele senso de humor meio awkward e especialmente no último álbum, uma despretensão da artista que sabia bem quem era e sabia brincar com a maneira como os outros a viam. O maior exemplo disso é “Blank Space”, uma maneira divertida, irônica e genial de reverter a reputação que a Taylor tinha de “man-eater” a favor dela, com uma visão bem curiosa de si mesma.

Mas 2016 chegou e passou como se fosse um furacão tirando tudo aquilo que a tornava imune e criadora da própria narrativa – através de situações como o namoro altamente publicizado com Tom Hiddleston, a treta com Calvin Harris, o interminável beef com Kanye West. E Taylor sumiu. Até mesmo o atual relacionamento é low-profile, com o desconhecido ator britânico Joe Alwyn.

Black-and-white image of Taylor Swift with the album's name written across itPara aparecer rebranded como alguém mais esperto, mais irônico, assumindo a própria má-reputação e tentando retomar o controle da narrativa que os outros tinham dela. A estratégia para esse renascimento da Taylor, em que ela desejava retomar a narrativa em suas mãos, foi evitar divulgação tradicional, conversas com a mídia – e até mesmo a forma de lançamento do CD, que manteve a característica da velha Taylor, avessa às modernidades do stream, fazia mais sentido ainda dentro do rebranding da Taylor.

Só que isso teria de se refletir no produto principal… o CD. E é aí que “reputation”, o álbum em que Taylor Swift teria de assumir sua nova persona badass, “sou a vilã da história e gosto disso”, parece um trabalho incompleto. E pior: trend chaser, quando a Taylor fez um pop puro e sem influências no “1989”.

Todo o álbum, que conta com a produção dos suspeitos de sempre (Max Martin, Shellback, Jack Antonoff), tem uma produção com pegada eletro pesada e um certo flavor urban que nos leva à conclusão de que a Taylor já vinha testando essa sonoridade pra ver se “acreditavam” nela seguindo a vibe lá atrás, em “I Don’t Wanna Live Forever”, mas é tudo pouco confortável ou gostoso de ouvir. As produções são pesadas, não servem para dançar na balada nem pra dançar agarradinho nem servem como fuck music (não, “Dress” não serve pra isso, é mais broxante que qualquer outra coisa), ou como música ambiente, ou como diversão pra ouvir na ida ou volta ao trabalho no buzú. É tudo muito anticlimático.

As letras, que são sempre o trunfo da Taylor, estão em momentos bem irregulares. Tem as deep cuts com produção mais elegante, discreta e esmerada – a exemplo de “Delicate” (mesmo que lembre vagamente a onipresente “Sorry” de todas as músicas possíveis, e tropical house Taylor? você está uns dois anos atrasada!), “Getaway Car”, que deve ser a melhor música do CD – uma gracinha, e não é uma produção tão irritantemente pesada (a metáfora de fim de romance através de uma relação sem futuro entre um casal é bem trabalhada e bem escrita e amarrada; enfim, essa é a Taylor que a gente gosta); além de “New Year’s Day”, a última faixa do CD, com uma vibe acústica e narrativa mais reflexiva sobre crescimento, maturidade, após a agonia e êxtase da juventude.

De resto, tem muita coisa ruim e forçando todo o conceito da era, o de assumir a reputação que outros imprimiram à Taylor, e apenas se revelar quem é às pessoas que realmente gostam e se importam com ela. Nesse meio do caminho, tem coisas pavorosas como “I Did Something Bad”, “Don’t Blame Me”, e a diss pro Kanye “This Is Why We Can’t Have Nice Things” que eu não entendo como não poderia ser mais divertida e despretensiosa. E eu nem falei das tentativas falhas da Taylor investindo no rap (em “…Ready For It” e “End Game”, uma colaboração errônea entre ela, Future e Ed Sheeran que não faz nenhuma das partes brilharem); as produções do Antonoff que deixam a Taylor parecendo uma sub-Lorde; além das faixas mais românticas, dedicadas ao atual namorado, fillers em comparação ao que ela escreveu pro Harry Styles no “1989”, por exemplo.

Mas talvez a minha crítica em relação ao “reputation” se dá porque eu tive uma impressão errada do álbum quando ouvi o primeiro single (que realmente não aprecio, mas se torna uma highlight do álbum, graças à irregularidade do material completo) e toda a organização da era. Pensei que o CD teria poucas faixas românticas (e não 90% do álbum) e sim uma obra mais reflexiva sobre o preço da fama e da exposição, o posicionamento dela como cantora e compositora numa indústria machista que se importa mais com seus relacionamentos do que com sua musicalidade, um upgrade na percepção pública sobre a Taylor (como ela tinha feito em “Blank Space”, só que de forma mais madura) e faixas super fun e despretensiosas sobre os beefs. No entanto, toda a parte do “assumir o lado malvado” fica em versos e referências em músicas esparsas, apenas para reforçar o tom do CD, mas nada que me faça querer dar play ou analisar quando o álbum chegar ao Spotify.

Que pena. Eu esperava mais da nova Taylor.

 

P.S.: Max Martin precisa urgentemente de um ano sabático. E Jack Antonoff não é nem metade do que ele pensa que é.