Conflito de ideias no Grammy 2020 [Previsões]

Fim de década* é algo estranho – é sempre um período em que a cultura, no geral, continua fortemente influenciada pelo zeitgeist, mas mostrando alguns sinais dos tempos que virão. Na música, como parte do discurso cultural, não é diferente: a segunda parte dos anos 2010 deixou para trás a dominância eletropop e focou no crescimento e sedimentação do rap como principal gênero ouvido dentro da cultura pop americana. Entretanto, outros gêneros considerados marginais (no sentido de estarem às margens do discurso oficial), cresceram neste período e se apresentaram como novas alternativas sonoras, reflexos de um mundo cada vez mais plural (mesmo que tantas pessoas neguem essa perspectiva): a música latina – mais precisamente o reggaeton, e a popularização do kpop mostram que há um mundo criativo fora dos limites já convencionais do pop que vinha sendo feito – e jogado para escanteio – nos últimos anos.


Dentro deste contexto de óbvia transição para algo que ainda não sabemos, novos artistas, oriundos de uma geração mais nova e inquieta, tentam ultrapassar as barreiras convencionadas pela própria separação entre gêneros, e isso se tornou a válvula de sobrevivência para um pop ainda tentando se encontrar. Afinal de contas, os ícones pop (Bey, Gaga, Taylor, Rihanna) estão expandindo suas áreas de atuação, os A-Lists de fato se contam nos dedos (Ariana e…?), e quem está chegando lá? Quem tem fôlego suficiente para dar o salto e entrar no panteão pop, dominar o discurso cultural e influenciar outros artistas?

(não incluo nomes masculinos nesse discurso até porque a construção de carreira deles é tão confusa que a mesma pessoa que chama Drake de ícone pode chamar ele de A-List, ou Justin Bieber… Enfim, isso deixaremos para outro papo) 


Por isso, é importante que o Grammy observe essa futura batalha de discursos entre aqueles que chamo de “puristas” – os artistas pop que mesmo mesclando seu som com outros gêneros continuam sendo vistos e lidos como pop stars, até mesmo com uma brand bem pop; e os “integrados” (valeu Eco – peguei o nome mas o conceito não), que usam a brand pop tradicional para desconstruir a ideia de um pop star (ou rock, rap, R&B…) ou simplesmente ignoram essa ideia, visual e musicalmente. 


Depois dessa introdução (que mais parece um TCC), hora de falar do que vocês estavam esperando: o bom e velho exercício de futurologia do Grammy 2020, que neste ano será dia 26/01/2020, e por conta dessa data antecipada, o período de elegibilidade terminou um mês mais cedo para os artistas – 31/08. 

*quando eu falo “fim de década”, é apenas marcação. Eu sei que a década só termina em 2020, e mesmo assim, as influências de uma década anterior ainda prosseguem nos primeiros anos da seguinte

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Podcast Duas Tintas de Música #01 – Pré-VMA querendo ser relevante

Alá Marina Teixeira tentando manter o blog vivo, e sabe o que ela decide fazer? Um PODCAST, já que é menos problemático para meu notebook de sete anos de idade editar áudios do que vídeos, por isso, tomei a decisão de produzir podcasts mensais.

No programa de hoje, vou falar sobre “Motivation” e “Lover” (o single) (03:08); o top 10 da semana que passou (11:47); os indicados ao VMA que ocorre nesta segunda-feira, dia 26/08 (28:48) e um papo bacana sobre Kpop com minha amiga Shi, que acompanha há bastante tempo a cena e vai contar um pouco sobre suas impressões do kpop no VMA (01:15:51)

É só dar play e aproveitar! (p.s: esta semana tem resenha do novo álbum da Taylor)

Feedback sobre as respostas das previsões do Grammy [parte 2]

Demorei mas voltei com o vídeo do canal Duas Tintas de Música, após um longo e tenebroso outono – e com aquele momento que todos esperam: o meu retorno dos comentários de vocês sobre a segunda parte das previsões para o Grammy 2019 (aquele post que você pode conferir aqui antes de dar play nesse vídeo, ok 😉 ).

Na pauta, Ariana Grande, Justin Timberlake, Lady Gaga (os suspeitos de sempre), e o meu segredo favorito: 

QUEM SÃO OS DOIS ARTISTAS QUE MELHOR SABEM SUBMETER AO GRAMMY?

Feedback das previsões do Grammy 2019

(observação: antes de ver este vídeo, leia o post original sobre as Previsões do Grammy 2019)

Continuando uma tradição que começou no ano passado, o canal do Duas Tintas de Música no YouTube prossegue com os vídeos dos feedbacks das respostas que vocês me deram no post das Previsões do Grammy 2019! Na pauta de hoje, um mea culpa sobre o Maroon 5, algumas observações sobre Taylor Swift e Justin Timberlake, e uma consideração sobre a categoria de Artista Revelação.

Segue o vídeo novo abaixo:

Previsões para o Grammy 2019


(o update com as previsões do Grammy após 30 de setembro está aqui. Confira!)

Finalmente chegamos ao momento que os seguidores do blog mais gostam: as especulações a respeito dos indicados ao Grammy 2019! Saindo do meu cativeiro da Copa do Mundo para finalmente apresentar as minhas previsões e brincar de futurologia, é hora de tentar descobrir como a Academia vai selecionar os indicados ao principal prêmio da música, após as polêmicas da última premiação e as pressões vindas de todos os lados – entre artistas e jornalistas. Ou aprende agora ou não aprende nunca mais, e corre o risco de cair na vala da irrelevância com as novas gerações.

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando em que field os artistas colocaram seus trabalhos – o que é importantíssimo num cômputo final

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field, que vem com novidades – mas com algumas inserções em outros fields porque este ano continuamos com a dominação rap na cena, sem mostras de queda.

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Previsões para o Grammy 2018 [2] O ônibus lotou

Como diria um grande pensador contemporâneo, “it’s tradition now”. Após aquela primeira leva de previsões para o Grammy 2018, avaliando o espectro musical entre o final do ano anterior e o primeiro semestre de 2017, hora de ver de que forma as submissões das gravadoras podem ajudar nas novas configurações da nossa futurologia, seja para o bem ou para o mal.

O “problema feliz” de 2018 é que de junho a setembro muitos singles e artistas tiveram destaque, correndo o risco de 1. muita gente boa ficar de fora do corte final; 2. determinadas categorias não terem acts favoritos. Nosso foco – as usual – é no Pop Field e no General Field.

Segue o pulo!

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Previsões para o Grammy 2018 [edição 24 quilates]


O update das previsões pós-período de elegibilidade está aqui. É só clicar!

A melhor época do ano chegou! Junho-julho é o período em que os jornalistas gringos começam a especular sobre as indicações ao Grammy 2018, e apesar do meu oráculo favorito Paul Grein ainda não ter informado quais são os palpites dele, vou me adiantar e brincar de futurologia logo. (especialmente porque ano passado protelei até não poder mais essa postagem)

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando quem fez escolhas boas e quem cagou nos artistas.

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field – mas como vocês viram pelo título, tem algo um tanto diferente nesta previsão…

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