Video Music Awards [3] Melhor Fotografia, Edição e Efeitos Visuais

Hora de iniciar uma parte das análises que nunca fiz aqui no blog. mas achei que valia a pena começar: as categorias técnicas do Video Music Awards 2018, iniciando os trabalhos com Melhor Fotografia, Edição e Efeitos Visuais.

A ideia aqui é avaliar não apenas se o clipe é esteticamente bonito (já que beleza é relativa ao gosto do freguês) e sim destacar o que pode ser considerado adequado à ideia de uma boa fotografia (ou seja, como é a qualidade da imagem do vídeo, se a luz está interessante, se o objetivo é um visual com alto contraste ou sépia; enfim), edição (o que é essencial para manter um bom timing e ritmo a um videoclipe) e bons efeitos visuais, que não soem amadores e que não pareçam eu mexendo no flash.

Então, as respostas podem parecer óbvias ou vocês podem gritar ARTISTA X MERECE TUDO, mas nem sempre é assim que a banda toca e vamos ver através das análises dos indicados a Melhor Fotografia, Edição e Efeitos Visuais.

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Video Music Awards 2018 [2] Melhor Vídeo Latino, Hip Hop e Com uma Mensagem

O segundo post com os indicados do Video Music Awards 2018 vai tratar das análises de três categorias ligadas a sonoridades e mensagens em ascendente ou consolidação dentro da popsfera: a música latina, o hip hop e os vídeos com mensagem (seja de autoajuda ou de conotação política).

A tendência das rádios e streams americanos a aderir à sonoridade rap já vinha se desenhando desde 2016, especialmente com a ascensão do trap e do rap de Atlanta. Os virais que chegavam ao top 10 da Billboard, os rappers vindos do soundcloud, a consolidação de Drake como o maior nome pop da década (ele é o pop/rapper soft, crossover, considerado mais “seguro” para as soccers moms e adolescentes brancos do que um Migos, por exemplo), assim como as playlists do Spotify recheadas de rap, mostraram que o gênero dominante nos charts e na cultura popular atualmente é o hip hop. E isso se reflete no visual, onde os acts vão dos vídeos mais “padrão” ostentação e carros até verdadeiras obras de arte como os vídeos do Kendrick Lamar.

Enquanto Spotify e Apple Music são a casa do rap, o YouTube é dominado pela música latina, que já vinha se mostrando como uma das forças musicais mais relevantes do momento – o novo sendo sedimentado não pela visão WASP ou americanizada de música; mas sim pelos latinos, pelos falantes de língua espanhola e pelo som dançante do reggaeton, que poderia ter sido reverenciado com um Grammy para “Despacito”; mas que agora encontra em sonoridades crossover e músicas totalmente em espanhol mais um espaço para informar às rádios e awards que o pop latino tem voz, vez e personalidade. Tudo isso capitaneado por artistas com fome e fogo vindos da Colômbia e de Porto Rico.

Já os Vídeos com Mensagem tem uma história recente no VMA, e surgiram num período em que bombavam nos charts as músicas de “autoajuda” – faixas sobre autoestima, se aceitar como você é, você é bonito do seu jeito: músicas que chegaram até à primeira posição entre 2010-2012. No entanto, com a decadência desse tipo de canção com o passar dos anos, o produto ganhou um novo apelo e se reinventou a partir do momento em que questões políticas ligadas à violência, racismo, desigualdade, se tornaram mais fortes dentro e fora das redes sociais. Não que ninguém discutisse antes; mas os questionamentos atualmente se tornaram mais contundentes, e o outro lado se vê obrigado a ouvir. Por isso, a categoria Melhor Vídeo com uma Mensagem se revela uma das mais importantes nos tempos que correm.

Sem mais, vamos falar das indicações em Melhor Vídeo Latino, Hip Hop e Com uma Mensagem no VMA 2018.

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Video Music Awards 2018 [1] Melhor Vídeo Pop, Rock e Dance.

Hora de começar as discussões sobre o Video Music Awards 2018 com as análises gerais e das possibilidades de vitória em três gêneros distintos, que vivem situações complexas dentro da esfera musical.

O pop se encontra na posição cruel de não ser mais o “norte” do mainstream, o farol que apontava os caminhos de estética e do que se tornaria mainstream a partir da captura das influências de nicho. Hoje, quem domina as sonoridades é o rap, e a estética pop que sempre teve tendências bem claras – futurista (late-90/early-2000), minimalista (late-2000), exagerada (early-2010) e mesmo emprestada do nicho indie alternative (mid-2010) com algumas referências retrô (2013-14) – hoje parece preguiçosa. As pessoas não tem mais paciência ou vontade de pensar em visual quando se fala de pop. Foram atrás de uma atitude blasé, too cool for school, que se reflete até mesmo nos acts pop no geral – bland, vanilla, intercambiáveis. Por isso mesmo a audiência se empolga com os nomes mais consagrados; enquanto os mais novos correram para conferir as doses de entretenimento, visual e músicas up em outro canto.

Já o rock… Enfim, há muito tempo o gênero não era o mais querido dentro da esfera musical mainstream, e talvez não tenha sofrido tantas transformações que o mantivessem updated para uma nova geração. O último respiro foi rechaçado por muitos puristas, a exemplo do emo, o nu metal do Linkin Park (se vocês soubessem a treta que deu quando eles fizeram parceria com Jay-Z…) e o pop punk – encontros do rock com outros gêneros que deram visibilidade, apelo crossover, e fizeram o gênero ganhar sobrevida, antes de nichar de vez. A única razão pela qual a MTV ainda mantém essa categoria é exatamente pela importância histórica do rock para os primórdios da emissora.

Já a dance music (ou EDM, se preferir) encontra-se numa situação bem mais confortável, justamente por ter aberto as portas para as misturas as quais o rock recusou. É impossível não pensar na contribuição de Avicii (RIP) e sua “Wake me Up” (2013), que causou estranhamento em boa parte da comunidade EDM, mas se não fosse pelo DJ sueco, talvez não teríamos “Closer” ou “Something Just Like This”, ou “The Middle”. Talvez até tivéssemos, mas não seriam recebidos de braços abertos – porque alguém ajudou a pavimentar o caminho. A dance music é muito mais aberta porque se deixou misturar, e o resultado é que volta e meia um DJ emplaca músicas no top 5 da Billboard e indicações ao Grammy às pencas.

Pensando em tudo isso, vamos falar das indicações em Melhor Vídeo Pop, Rock e Dance no VMA 2018.

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O curioso caso do Video Music Awards

Durante muitos anos, o Video Music Awards foi a premiação de clipes mais importante do mundo. Não apenas porque os vídeos selecionados (e premiados) eram realmente bons, interessantes, de ótima produção, ou mesmo eram clipes dos grandes sucessos do ano; mas também porque o VMA era a premiação que reforçava a importância da MTV como a emissora onde se valorizava o clipe como plataforma musical e de construção/sedimentação da imagem.

Artistas que bombavam, acts mais experientes e celebridades que só iam pelo propósito de aparecer batiam ponto todo ano no VMA, e a gente sabia o que esperar: performances incríveis, polêmicas pra conversar no dia seguinte; ou seja, o ciclo pop se retroalimentando.

E então veio a internet. Os astros de reality show, instagrammers, youtubers, o próprio YouTube. MTV como o principal canal de música tornou-se obsoleto. Pior: um canal de música que não exibe clipes, que se tornou irrelevante para uma geração cada vez mais conectada à internet, e que não consegue se entender com a nova ordem musical, o rap, que tem suas próprias regras e canais específicos de encontro com o seu público.

Enquanto o MTV Movie (and TV) Awards consegue sobreviver porque o streaming existe e não matou os produtos principais consagrados pela premiação – e de certa forma, é um award mais livre, menos dependente do canal que o acompanha; o Video Music Awards surgiu para celebrar uma cultura que a própria MTV decidiu se livrar. VMA caminha como um zumbi, talvez, longe da relevância do passado, e buscando se conectar com a cultura atual, mas visivelmente sem cumprir de forma bem sucedida sua missão.

Afinal de contas, quando foi o último VMA que você lembra de uma grande polêmica, de um bafão daqueles pra todo mundo ficar falando por dias? Com certeza, pra mim, foi a edição de 2013. E quando foi o último VMA em que você não dependia de apenas um superstar (tipo Beyoncé) pra garantir audiência e performance estourada, em que cada performer tinha fôlego, vontade e conseguia dividir as atenções um com o outro? Decididamente a edição de 2011 me vem à mente. Mas não vou entrar numa onda de nostalgia porque é 2018 e a MTV, ainda buscando tatear algo nessa nova conversa cultural em que ela não manda nada e o pop está mais por baixo que o Neymar, trouxe uma lista de indicados com uma grande esnobada e outra que poderia ser lembrada; mas que no geral, é um bom grupo de indicados, bem representativo do que bombou no ano, e com boas possibilidades de não ter dominância de um act só entre os vencedores.

Primeiro os indicados:

VIDEO OF THE YEAR
Ariana Grande – “No Tears Left to Cry”
Bruno Mars ft. Cardi B – “Finesse (Remix)”
Camila Cabello ft. Young Thug – “Havana”
The Carters – “APES**T”
Childish Gambino – “This Is America”
Drake – “God’s Plan”

 

ARTIST OF THE YEAR
Ariana Grande
Bruno Mars
Camila Cabello
Cardi B
Drake
Post Malone

 

SONG OF THE YEAR
Bruno Mars ft. Cardi B – “Finesse (Remix)”
Camila Cabello ft. Young Thug – “Havana”
Drake – “God’s Plan”
Dua Lipa – “New Rules”
Ed Sheeran – “Perfect”
Post Malone ft. 21 Savage – “rockstar”

 

BEST NEW ARTIST
Bazzi
Cardi B
Chloe x Halle
Hayley Kiyoko
Lil Pump
Lil Uzi Vert

 

BEST COLLABORATION
Bebe Rexha ft. Florida Georgia Line – “Meant to Be”
Bruno Mars ft. Cardi B – “Finesse (Remix)”
The Carters – “APES**T”
Jennifer Lopez ft. DJ Khaled & Cardi B
Logic ft. Alessia Cara & Khalid
N.E.R.D & Rihanna – “Lemon”

 

PUSH ARTIST OF THE YEAR
JULY 2018 – Chloe x Halle
JUNE 2018 – Sigrid
MAY 2018 – Lil Xan
APRIL 2018 – Hayley Kiyoko
MARCH 2018 – Jessie Reyez
FEBRUARY 2018 – Tee Grizzley
JANUARY 2018 – Bishop Briggs
DECEMBER 2017 – Grace VanderWaal
NOVEMBER 2017 – Why Don’t We
OCTOBER 2017 – PRETTYMUCH
SEPTEMBER 2017 – SZA
AUGUST 2017 – Kacy Hill
JULY 2017 – Khalid
JUNE 2017 – Kyle
MAY 2017 – Noah Cyrus

 

BEST POP
Ariana Grande – “No Tears Left to Cry”
Camila Cabello ft. Young Thug – “Havana”
Demi Lovato – “Sorry Not Sorry”
Ed Sheeran – “Perfect”
P!nk – “What About Us”
Shawn Mendes – “In My Blood”

 

BEST HIP HOP
Cardi B ft. 21 Savage – “Bartier Cardi”
The Carters – “APES**T”
Drake – “God’s Plan”
J. Cole – “ATM”
Migos ft. Drake – “Walk It Talk It”
Nicki Minaj – “Chun-Li”

 

BEST LATIN
Daddy Yankee – “Dura”
J Balvin, Willy William – “Mi Gente”
Jennifer Lopez ft. DJ Khaled & Cardi B – “Dinero”
Luis Fonsi, Demi Lovato – “Échame La Culpa”
Maluma – “Felices los 4”
Shakira ft. Maluma – “Chantaje”

 

BEST DANCE
Avicii ft. Rita Ora – “Lonely Together”
Calvin Harris & Dua Lipa
The Chainsmokers – “Everybody Hates Me”
David Guetta & Sia – “Flames”
Marshmello ft. Khalid – “Silence”
Zedd & Liam Payne – “Get Low (Street Video)”

 

BEST ROCK
Fall Out Boy – “Champion”
Foo Fighters – “The Sky Is A Neighborhood”
Imagine Dragons – “Whatever It Takes”
Linkin Park – “One More Light”
Panic! At The Disco – “Say Amen (Saturday Night)”
Thirty Seconds to Mars – “Walk On Water”

 

VIDEO WITH A MESSAGE
Childish Gambino – “This Is America”
Dej Loaf and Leon Bridges – “Liberated”
Drake – ‘God’s Plan”
Janelle Monáe – “PYNK”
Jessie Reyez – “Gatekeeper”
Logic ft. Alessia Cara & Khalid – “1-800-273-8255”

— CATEGORIAS TÉCNICAS —

BEST CINEMATOGRAPHY
Alessia Cara – “Growing Pains” –  Def Jam Recordings – Cinematography by Pau Castejón
Ariana Grande – “No Tears Left to Cry” –  Republic Records – Cinematography by Scott Cunningham
The Carters – “APES**T” –  Roc Nation/Parkwood Entertainment – Cinematography by Benoit Debie
Childish Gambino – “This Is America” –  mcDJ / RCA Records – Cinematography by Larkin Seiple
Eminem ft. Ed Sheeran – “River” – Shady/Aftermath/Interscope Records – Cinematography by Frank Mobilio & Patrick Meller
Shawn Mendes – “In My Blood” – Island Records – Cinematography by Jonathan Sela

 

BEST DIRECTION
The Carters – “APES**T” –  Roc Nation/Parkwood Entertainment – Directed by Ricky Saix
Childish Gambino – “This Is America” –  mcDJ / RCA Records – Directed by Hiro Murai
Drake – “God’s Plan” –  YMCMB/Cash Money/Republic Records – Directed by Karena Evans
Ed Sheeran – “Perfect” –  Atlantic Records – Directed by Jason Koenig
Justin Timberlake ft. Chris Stapleton – “Say Something” –  RCA Records – Directed by Arturo Perez Jr.
Shawn Mendes – “In My Blood” – Island Records – Directed by Jay Martin

 

BEST ART DIRECTION
The Carters – “APES**T” –  Roc Nation/Parkwood Entertainment – Art Direction by Jan Houlevigue
Childish Gambino – “This Is America” –  mcDJ / RCA Records – Art Direction by Jason Kisvarday
J. Cole – “ATM” –  Dreamville/Roc Nation/Interscope Records – Art Direction by Miles Mullin
Janelle Monáe – “Make Me Feel” –  Bad Boy Records/Atlantic Records – Art Direction by Pepper Nguyen
SZA – “The Weekend” –  TDE/RCA Records – Art Direction by SZA and Solange
Taylor Swift – “Look What You Made Me Do” –  Big Machine Records – Art Direction by Brett Hess

 

BEST VISUAL EFFECTS
Ariana Grande – “No Tears Left to Cry” –  Republic Records – Visual Effects by Vidal and Loris Paillier for Buf
Avicii ft. Rita Ora – “Lonely Together” –  Geffen Records – Visual Effects by KPP
Eminem ft. Beyoncé – “Walk On Water” –  Shady/Aftermath/Interscope Records – Visual Effects Supervisor Rich Lee for Drive Studios
Kendrick Lamar & SZA – “All The Stars” –  TDE/Aftermath/Interscope Records – Visual Effects by Loris Paillier for BUF Paris
Maroon 5 – “Wait” –  222/Interscope Records – Visual Effects by TIMBER
Taylor Swift – “Look What You Made Me Do” – Big Machine Records – Visual Effects by Ingenuity Studios

 

BEST CHOREOGRAPHY
Bruno Mars ft. Cardi B – “Finesse (Remix)” –  Atlantic Records – Choreography by Phil Tayag & Bruno Mars
Camila Cabello ft. Young Thug – “Havana” –  Syco Music/Epic Records – Choreography by Calvit Hodge and Sara Bivens
The Carters – “APES**T” –  Roc Nation/Parkwood Entertainment – Choreography by Sidi Larbi Cherkaoui and Jaquel Knight
Childish Gambino – “This Is America” –  mcDJ / RCA Records – Choreography by Sherrie Silver
Dua Lipa – “IDGAF” –  Warner Bros. Records – Choreography by Marion Motin
Justin Timberlake – “Filthy” –  RCA Records – Choreography by Marty Kudelka, AJ Harpold, Tracy Phillips, and Ivan Koumaev

 

BEST EDITING
Bruno Mars ft. Cardi B – “Finesse (Remix)” –  Atlantic Records – Editing by Jacquelyn London
The Carters – “APES**T” –  Roc Nation/Parkwood Entertainment – Taylor Ward and Sam Ostrove
Childish Gambino – “This Is America” –  mcDJ / RCA Records – Editing by Ernie Gilbert
Janelle Monáe – “Make Me Feel” – Bad Boy Records/Atlantic Records – Editing by Deji Laray
N.E.R.D & Rihanna – “Lemon” –  i am OTHER/Columbia Records – Editing by Taylor Ward
Taylor Swift – “Look What You Made Me Do” –  Big Machine Records – Editing by Chancler Haynes for Cosmo

 

Por um lado, a percepção de que alguns gêneros estão em alta é louvável por parte da MTV. Trazer para o centro os vídeos de música latina indica que a emissora sabe que esses fãs são fieis, a audiência entrega bons resultados e a música latina está em alta. Ao mesmo tempo, eu queria ver como seria uma categoria de kpop, o outro gênero musical que cresce entre o público mais jovem (mais geração Z que millennial até), e que poderia agregar mais relevância a uma premiação em decadência.

Em relação aos indicados, todo mundo que entra vem com bons clipes. Não dá pra negar que todos possuem qualidade e apelo, mesmo que momentâneo. Se não tem a qualidade A+ de alguns nomes, geraram conversa ou viraram meme durante um período, e a MTV tem essa consciência de que precisa ir atrás da conversa cultural. No entanto, acredito que “Look What You Made Me Do”, da Taylor Swift, merecia ter recebido mais amor de quem escolheu a lista final. O vídeo bateu recordes, gerou conversa (e controvérsia), é super bem produzido com bom valor de replay. Mas vá saber o que houve entre a Taylor e os produtores da MTV pro clipe ter sido lembrado apenas em categorias técnicas…

Para discutirmos com mais detalhes tudo sobre o Video Music Awards (que este ano será numa segunda-feira, dia 20.08), este ano, decidi fazer algo de diferente: eu vou separar minhas indicações em combos determinados por gêneros, falar um pouco de contexto e quem acho que possui mais chance de vitória que outros. Além disso, vou me arriscar a dar palpites nas categorias técnicas, também no esquema combão.

O próximo post sobre os indicados ao VMA será com os indicados aos prêmios de Melhor Vídeo Pop, Rock e Dance. Até lá!

Dez Anos de Katy Perry

Fun, quirky, sexy, sassy, com um olho no hit e numa imagem despretensiosa, a cara do pop. Katy Perry foi uma das responsáveis pelos grandes momentos da música pop no final da década de 2000 e início dos anos 2010, mas atualmente, com o desempenho ruim de seu álbum “Witness”, a californiana está numa encruzilhada na carreira. Seja por decisões de branding que talvez tenham feito a cantora estagnar em sua imagem, enquanto o som evoluía; seja pelas próprias decisões ruins de uma era em que tudo pareceu dar errado, o fato é que nestes dez anos, Katy enfrenta uma pergunta insistente, em especial se pensarmos que o zeitgeist pop em 2018 não é mais o mesmo de 2010-2013.

Como ela pode conversar com a nova geração? De que forma ela pode se inserir num mundo menos pop? Como sua imagem pode retomar o trilho, sem perder a coerência com a Katy Perry divertida de sempre? Hora de conferir mais um vídeo do nosso canal do YouTube sobre uma década de carreira de uma das grandes artistas dos últimos anos.

(sim, estou com uma camisa do Maroon 5, e olha que acho o “Overexposed” uma bomba sem precedentes)

 

Previsões para o Grammy 2019


(o update com as previsões do Grammy após 30 de setembro está aqui. Confira!)

Finalmente chegamos ao momento que os seguidores do blog mais gostam: as especulações a respeito dos indicados ao Grammy 2019! Saindo do meu cativeiro da Copa do Mundo para finalmente apresentar as minhas previsões e brincar de futurologia, é hora de tentar descobrir como a Academia vai selecionar os indicados ao principal prêmio da música, após as polêmicas da última premiação e as pressões vindas de todos os lados – entre artistas e jornalistas. Ou aprende agora ou não aprende nunca mais, e corre o risco de cair na vala da irrelevância com as novas gerações.

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando em que field os artistas colocaram seus trabalhos – o que é importantíssimo num cômputo final

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field, que vem com novidades – mas com algumas inserções em outros fields porque este ano continuamos com a dominação rap na cena, sem mostras de queda.

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Pós-festa: Grammy Awards 2018

Não queria ser a pessoa que diz “eu te disse”, mas… Eu te disse.

A vitória (que podemos chamar de shocking upset) de Bruno Mars na 60ª edição do Grammy Awards ocorrida ontem à noite (domingo, 28) foi uma surpresa pra muita gente – seis Grammys, uma verdadeira limpa, com três vitórias no Big Four – e colocou o havaiano na lista dos Grammy Darlings como Adele, além de 11 vitórias em casa e um dos artistas mais populares e celebrados da década. No seu field, ele era o favorito para levar, e nós já tínhamos ventilado que o rapaz tinha chance de levar em Song of The Year, além de ser o principal rival de Kendrick Lamar no prêmio de Álbum do Ano.

Tudo isso foi falado e discutido tanto no Drops quanto nos posts do blog. E não deveria ser uma surpresa. Quer dizer, na hora em que o nome “24k Magic” deu as caras em Record, eu comecei a ver a “solução Lionel Richie” se formando. Mesmo antes, quando saíram as premiações que seriam dadas no pre-telecast (a premiação que não é televisionada), deu pra ver o que ia acontecer. Você imagina, prevê, mas pensa que vai acontecer o oposto.

(na verdade, a derrota do Kendrick Lamar estava escrita na estrelas desde 28 de novembro, quando a Academia revelou os indicados finais e em AOTY tinham dois álbuns de rap)

Mas eu não pretendo falar mal dos indicados e sim tentar apontar o resultado dentro de um contexto.

 

Tensão x escapismo

O Grammy é um prêmio da indústria, e como tal, deve congratular quem vendeu e trouxe credibilidade a ela. Ao mesmo tempo, é uma premiação que ainda não consegue refletir o espírito do tempo (como surpreendentemente o Oscar consegue, mesmo com tantos problemas de representatividade). Ano após ano, álbuns academicamente perfeitos para os jurados vencem outros que são mais inventivos, ou mais de acordo com o inconsciente coletivo (seja musicalmente ou na tradução de inquietações sociais ou pessoais), e este ano, quatro desses indicados representaram isso bem – e a própria premiação tentou captar o “espírito do tempo” com apresentações carregadas de política e statements fortes em discursos.

Mas então, por que o grande vencedor era o álbum mais leve?

(e por que o vencedor no pop field foi justamente o cara que esnobou a premiação por birra? essa é uma pergunta que infelizmente não saberei a resposta)

Sobre a vitória do “24k Magic”, por mais que seja o álbum mais “fraco” entre os indicados, ainda é um dos mais populares, e com um apelo que atravessa gostos musicais pessoais, já que o Bruno é um artista que atinge todas as idades. Mas acima de tudo, é um álbum escapista, que usa de nostalgia dos anos 80 como memória afetiva, uma válvula de escape para uma época mais inocente e sem problemas (como boletos). É um álbum seguro das tensões e problemáticas de um “DAMN.”, “4:44”, “Awaken, My Love!” ou mesmo a inquietação sentimental do “Melodrama”. É um álbum divertido, fresh e agradável como uma brisa; é a hora de esquecer por um instante que o mundo tá a um passo de acabar e dançar, nem que seja só um pouco.

Só que era o ano para falar de tensionamentos. De tomar uma postura. De gritar contra o racismo, machismo, a xenofobia, e dar o prêmio a “Despacito” como A Gravação do Ano (e que visivelmente foi tratado como uma “modinha de verão” e não como single sólido e vibrante, fresh, vivo, moderno, current, que sempre foi). E premiar o “DAMN.” como Álbum do Ano porque Kendrick conseguiu fazer sucesso com um álbum comercial do jeito dele e falando de assuntos sérios como black excellence, black experience e política sem perder o flow.

(afinal de contas, o que mais é necessário para Kendrick ganhar esse treco?)

Em Song, eu não daria o prêmio para “Hotline Suicide”, honestamente. A música é importante, mas ruim, os versos são clichês e a escrita pedestre. Por incrível que pareça, o Grammy está em boas mãos – a estrutura de “That’s What I Like” e a forma como foi construída é brilhante.

***

Mas voltando ao assunto principal, enquanto o Grammy Awards tentou se conectar com o que acontecia numa premiação bem irregular aliás (foram inúmeras apresentações e quase nada de prêmios entregues), falhando miseravelmente em tomar uma postura mais forward-thinking em relação aos vencedores, qual é o problema, afinal de contas?

 

O problema não é individual. É estrutural.

Não é culpa do Bruno Mars (artista aliás que nutro uma profunda admiração e deve ser uma das pessoas mais talentosas a pisar naquele palco). Ou da Adele. Ou dos stans no twitter.

Pensa no seguinte: a situação já estava formada quando definiram os finalistas e haviam dois álbuns de rap pra dividir votos. Dentro dos jurados já existia um viés, e os jurados (que são produtores, executivos, músicos, artistas) representam o microcosmo de toda a indústria musical. Como essa indústria, que a cada dia que passa é SURRADA pelo streaming, ainda está tão fora de contato com a realidade? O rap é o gênero mais ouvido pelos americanos, os artistas que mais bombam no Spotify são rappers; as músicas mais vistas no YouTube são latinas! Por que cargas d’água o Grammy não reflete isso em suas vitórias?

Por mais que o “24k Magic” seja um CD de R&B extremamente consistente, e eu nem me lembro mais da última vez em que um álbum de R&B levou o prêmio, sabemos que muita da exposição do R&B neste ano com o Bruno se dá pelo fato de que, apesar dele não ser branco, ele não é negro (Bruno tem pai portorriquenho e mãe filipina), mas há uma ambiguidade suficiente para que o público geral o leia como negro. Ou seja, a indústria continua dando apoio o R&B se não é feito por negro. As gravadoras ainda tem resistência absurda para cantoras negras de R&B; o R&B sem influência urban ou rap (há muitos puristas que detestam o R&B feito por SZA e Khalid) inexiste de forma crossover se você não se chama Bruno Mars (e tem gente fazendo esse som por aí mas nem as rádios do field dão apoio). E aí? Como dizer que determinados gêneros são rejeitados no Grammy se a própria indústria nega esse apoio?

A própria indústria cria feuds desnecessários entre rappers femininas.

A própria indústria alimenta que só tenham duas cantoras negras na cena.

A própria indústria trata acts latinos como “modinhas” e a música latina como “a outra”. (e quando você descobre que o Bruno Mars teve problemas antes da fama porque queriam colocar ele como artista latino por causa de um sobrneome e ele queria cantar pop, você entende que a indústria ainda pensa como se vivêssemos nos anos 70)

A própria indústria – e seus apoiadores, como veículos de mídia – alimenta feuds femininos no pop, questiona créditos femininos, coloca as artistas em caixinhas, explora seus trabalhos para depois arrotar hipocrisia no twitter (sim, Sony Music!)…

O problema é mais do que um indivíduo, é da indústria musical como um todo, e que ano após ano alimenta falsas esperanças de que finalmente veremos um Grammy com reflexo do que as pessoas realmente curtem, do que está lá fora, e opta pela válvula confiável de escape (tanto na sonoridade quanto na temática ou na imagem), pra dizer “we are soo woke y’all!”.

 

Qual a solução?

É necessário o Kendrick Lamar lançar um CD de rap que não pareça rap pra levar o prêmio (a la OutKast?) Precisam os grandes nomes boicotarem a premiação para alguém fazer alguma coisa? Eu particularmente não tenho respostas manifestas aqui, só estou tentando pensar (e nem li outras thinkpieces nem olhei o twitter que deve estar uma loucura até agora),  e nem acho que o boicote seja a solução – a ausência de acts mais inventivos no Grammy o tornaria mais fora da realidade do que ele é.

Entretanto, espero sinceramente que, qualquer que seja o retorno do público, de articulistas e de outros membros da indústria sobre o prêmio de domingo, os membros do Grammy tenham a decência de ouvir, absorver e tomar decisões não apenas olhando para si, para suas convicções; e sim para o que há lá fora. O Grammy sempre foi o prêmio da indústria para refletir os artistas mais bem sucedidos em diversas esferas, e não o prêmio para a indústria fazer o discurso diante do próprio espelho.

 

Agora é com vocês! Acompanharam a premiação ontem? O que acharam dos vencedores? Fiquem à vontade para comentar!