Primeiro Grammy em que não me estresso com o resultado em ANOS

Exceto por isso daqui…

E olha que eu fui com total má-vontade, já que estava ainda muito chateada com a Academia por causa da esnobada com The Weeknd, que deveria ter sido indicado – e ganhado – por seu melhor álbum, “After Hours”. Contudo, as escolhas do Grammy Awards 2021 foram bastante interessantes e ninguém saiu de mãos vazias entre os grandes nomes da noite (quer dizer, Doja…?), e mesmo com a promessa de um sweep no ar, foi um ano com candidatos fortes e relevantes dentro de um período muito específico da música, em que divulgações tiveram de ser diferentes, premiações se adaptaram, e muitos artistas precisaram ou se reinventar, ou criar mesmo.

Por isso, premiar Taylor Swift e seu “folklore”, o álbum da quarentena por excelência, saiu justo e correto – além de ser um álbum excelente, cuja vitória é merecida. Ninguém aqui vai questionar essa conquista. Além disso, foi a vitória de quem buscou possibilidades dentro de uma música pop cada vez mais carente de criatividade e bons performers – Dua Lipa deu régua e compasso e “Future Nostalgia” vitorioso em Melhor Álbum Pop é a prova disso. Pode ser que, como performer, ainda falte um pouco para ela ser suficientemente magnética como outras estrelas que misturavam canto e dança, mas material bom ela tem.

Foi a noite de celebração de quem realmente domina a música mainstream americana – o rap. Não apenas porque você teve a oportunidade de ouvir vários tipos, abordagens e estilos de se apresentar, mas porque você viu SHOWS. Apresentações criativas (DaBaby), mais low-profile (Roddy Ricch), críticas e cinematográficas (Lil Baby), além de entretenimento e poder puro (Megan Thee Stallion e Cardi B). A cada performance, você percebe o quanto o pop dos EUA tem que ralar para oferecer o entretenimento e variedade que o rap está oferecendo (tanto rappers femininas quanto masculinos).

(aliás, os quatro prêmios do big 4 foram para mulheres este ano, você notou?)

Também foi a noite do BTS, que mesmo não levando em Pop/Duo Group (a vitória foi de “Rain on Me”, de Lady Gaga e Ariana Grande) por “Dynamite”, mostrou porque é um dos grupos mais bombados e reverenciados não apenas do kpop como também da música no geral. Provou ainda por que tantos adolescentes estão consumindo mais kpop – você tem um combo de bons vocais, apresentações de tirar o fôlego, musicalidade envolvente e letras perspicazes (mesmo “Dynamite” não sendo a melhor do grupo, eles têm muita coisa boa no catálogo). Como o pop dos EUA pode concorrer com esse dinamismo?

Mas o Grammy também foi uma noite dinâmica em sua estrutura – por conta da pandemia, a organização fez adaptações que deram à premiação uma fluidez em suas performances, mais naturalidade na entrega dos prêmios – em um local externo, com convidados em distanciamento social, de máscaras, irmanados com as possibilidades de um show do lado de fora (incluindo barulho de avião haha) e uma apresentação inspirada de Trevor Noah, que deveria prosseguir sendo host ano que vem. Não apenas ele – toda a estrutura deveria ser mais ou menos assim, mesmo correndo o risco de não termos plateia, por exemplo, para uma standin’ O na performance do Black Pumas.

Curiosamente, a organização do Grammy acertou em coisas interessantes que eu tinha ventilado ano passado – tornar a premiação mais rápida, colocando por exemplo os indicados em uma categoria do Big 4 se apresentando e chamando os mais bombados do momento para chamar audiência com a música de sucesso. Além disso, a line-up foi de artistas que fizeram sucesso durante o ano, acts queridos do público e da indústria, e bem mais conectada com os gostos do público mais jovem – o que pode ser uma mensagem do Grammy indicando que eles estão entendendo que a década é outra… Os artistas que dominarão são outros.

(só a disputa entre os puristas e integrados que eu não acertei… Até porque o som da Billie está evoluindo muito mais um bedroom pop do que algo mais disruptivo, e o rap ainda é o som dominante)

De resto? Dado o contexto da apresentação e dos vencedores neste Grammy, eu acho que “Savage” merecia Gravação do Ano – foi #1, rendeu discussão, colocou até o OnlyFans na boca do povo, foi o estouro real de Megan Thee Stallion com o co-sign de Beyoncé. E Gravação do Ano é sobre HITS. HITS que fazem parte do inconsciente coletivo. E “Black Parade” era a melhor letra entre os indicados a Canção do Ano (mas eu comentei aqui que H.E.R. é queridinha do Grammy, então… Nem me surpreendo)

(ah, e já coloquem “Leave the Door Open” como lock fácil em indicações de Gravação e Canção do Ano para o Grammy 2022)

E você? O que achou do Grammy 2021? Concordou com alguma vitória ou acha que tinha algum artista que merecia mais o prêmio? Deixe sua opinião nos comentários! 😉

Grammy 2021 [3] Álbum do Ano

Deveria ter subido este vídeo ontem (tanto que eu falo “amanhã”), mas demorou uma vida para gerar o arquivo

Demorei, mea culpa, mea maxima culpa – todavia habemus um último vídeo pouco antes do Grammy Awards 2021, que acontece hoje, e a pergunta é: quem ganha o prêmio de Álbum do Ano, já que The Weeknd não foi indicado?

Proponho algumas argumentações aqui, sou interrompida por música na rua e ainda teorizo que o mundo acabou em 2012 e ainda não estamos sabendo disso.

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Grammy 2021 [2] Gravação e Canção do Ano

Este vídeo foi gravado um dia antes da aprovação da Coronavac, mas os desejos de vacina pra todo mundo em 2021 prosseguem!

Em mais um vídeo sobre os indicados ao Grammy 2021, falamos um pouco sobre os indicados no General Field – Canção e Gravação do Ano – discutindo prováveis vencedores, a “síndrome do Logic”, a importância do Grammy não fazer mais besteiras em 2021 e uma ou outra previsão relacionada ao jogo de xadrez que é ser indicado e levar um Gramofone.

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Grammy 2021 [1] – Pop Field

Eu tinha prometido entregar esse vídeo ontem (19/12) – tanto que até cito a data no vídeo (não ajustei para manter o charme haha) – mas hoje tem vídeo sobre o Grammy!

O papo de hoje é sobre o Pop Field, onde eu comento um pouco sobre os indicados, explicar porque não gostei do cover de “September” feito por Taylor Swift, tento destrinchar o motivo de Justin Bieber não ter sido indicado no field R&B e lanço algumas teorias relacionadas aos prováveis vencedores do Grammy 2021… Ou 22?

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Eu não entendi nada

Créditos: https://www.grammy.com/grammys/news/2021-grammys-complete-nominees-list

Na verdade, eu ACHO QUE ENTENDI.

Hoje, às 14h horário de Brasília, saíram os indicados ao Grammy 2021 (que acontece dia 31/01/2021) e recebi várias notificações de amigos no meu Twitter dizendo “Marina VEM CÁ” e eu, no trabalho (terça-feira estou presencial no serviço), não sabia o que fazer, e fiquei pensando: “que. porra. tá. acontecendo?”

Bem, 15h eu peguei minha merendinha e fui conferir as notificações.
Enfim, o Grammy cobre um santo e descobre um outro e eu não sei exatamente o que dizer, a não ser que – de que adianta você romper as caixinhas do que é gênero, não ficar conformado a um estilo só, fazer um álbum pop e submeter no lugar devido, quando seu álbum, sua era e seus singles, alguns dos mais aclamados do ano, não estão em lugar algum? Esse é o caso CRIMINOSO do que ocorreu com The Weeknd nesta terça-feira, 24 de novembro.

Porque a minha suspeita é de que os votantes não o consideraram pop, então não aceitaram as indicações. Ou porque ele já estava criticando as mudanças propostas pelo Grammy em relação ao Progressive R&B, mas… Para colocar no lugar o material do Justin Bieber que não teve… Capilaridade alguma?

Ele não é o caso da Janelle Monaé que foi indicada com o “Dirty Computer” sem apoio algum do field (o que nos leva a crer que o próprio comitê não a vê realmente como artista do field); é um artista com serviços prestados, que tem vitórias… Eu confesso que não entendi de verdade, e tivemos dois casos recentes de artistas que fizeram esse jump de um gênero para o outro sem drama – Taylor Swift há quantos anos é indicada a pop desde que fez a transição de carreira (e continua respeitada no country)? Há literalmente dois anos Bruno Mars ganhou uma porrada de Grammys por um álbum que foi indicado no field R&B (e ele é um artista pop). Eu não entendi, e sinceramente a impressão que dá é algo do tipo “olha, vou até te dar um gostinho, um single aqui, uma collab acolá, mas uma era completa dentro do pop? Nah” Nem Lizzo, que tinha um álbum que nunca foi “Urban Contemporary”, foi jogada lá.

Ou seja, se você não se enquadra na caixinha que “eu” (a Academia) quer (e se não calar a boca sobre isso), não garanta as indicações.

Eu tô tão chocada que adianto logo minha única torcida nesse Grammy – BTS com Dynamite, que mesmo nesse ano bizarro, conseguiu romper a barreira e emplacar uma indicação em Pop/Duo (eu comentei hein). O resto que lute.

Agora, vamos às indicações:

Album of the Year
“Chilombo,” Jhené Aiko
“Black Pumas (Deluxe Edition),” Black Pumas
“Everyday Life,” Coldplay
“Djesse Vol. 3,” Jacob Collier
“Women in Music Pt. III,” Haim
“Future Nostalgia,” Dua Lipa
“Hollywood’s Bleeding,” Post Malone
“Folklore,” Taylor Swift

Record of the Year
“Black Parade,” Beyoncé
“Colors,” Black Pumas
“Rockstar,” DaBaby featuring Roddy Ricch
“Say So,” Doja Cat
“Everything I Wanted,” Billie Eilish
“Don’t Start Now,” Dua Lipa
“Circles,” Post Malone
“Savage,” Megan Thee Stallion

Song of the Year
“Black Parade,” (performed by Beyoncé)
“The Box,” (performed by Roddy Ricch)
“Cardigan,” (performed by Taylor Swift)
“Circles,” (performed by Post Malone)
“Don’t Start Now,” (performed by Dua Lipa)
“Everything I Wanted,” (performed by Billie Eilish)
“I Can’t Breathe,” (performed by H.E.R.)
“If the World Was Ending,” (performed by JP Saxe featuring Julia Michaels)

Best New Artist
Ingrid Andress
Phoebe Bridgers
Chika
Noah Cyrus
D Smoke
Doja Cat
Kaytranada
Megan Thee Stallion

Best Pop Vocal Album
“Changes,” Justin Bieber
“Chromatica,” Lady Gaga
“Future Nostalgia,” Dua Lipa
“Fine Line,” Harry Styles
“Folklore,” Taylor Swift

Best Progressive R&B Album
“Chilombo,” Jhené Aiko
“Ungodly Hour,” Chloe X Halle
“Free Nationals,” Free Nationals
__ Yo Feelings,” Robert Glasper
“It Is What It Is,” Thundercat

Best Pop Duo/Group Performance
“Un Dia (One Day),” J Balvin, Dua Lipa, Bad Bunny & Tainy
“Intentions,” Justin Bieber Featuring Quavo
“Dynamite,” BTS
“Rain On Me,” Lady Gaga with Ariana Grande
“Exile,” Taylor Swift Featuring Bon Iver

Best Pop Solo Performance
“Yummy,” Justin Bieber
“Say So,” Doja Cat
“Everything I Wanted,” Billie Eilish
“Don’t Start Now,” Dua Lipa
“Watermelon Sugar,” Harry Styles
“Cardigan,” Taylor Swift

Alguns pontos:

– A categoria de Álbum do Ano está menos pop do que eu imaginava, mas eu confesso que “Chilombo” da Jhené Aiko me pegou de surpresa no GF. Isso posto, como nenhum dos álbuns aqui tem indicações em Engenharia de Som para Álbum Não-Clássico, eu vou ouvir todos com muita calma e não declarar nenhum favorito de cara. (Fiona Apple, que seria meu chute mais óbvio, ficou de fora)

– Em Gravação do Ano, Beyoncé atualmente é indicada por ser “Beyoncé”, nada mais. Não me surpreenderia se Billie levasse, já que ela virou realmente queridinha pela Academia. Confesso que quanto mais eu a ouço, menos me dá vontade de ouvi-la.

– Já em Canção do Ano… Eu disse que H.E.R entraria em algum lugar, o Grammy venera essa mulher.

– No pop field, minha observação é o fato de que Justin Bieber está chateado (e comentou no Instagram) sobre o fato de “Changes” não ter sido indicado a Álbum de R&B, porque para ele, é um álbum de R&B. Amigo… Terei que invocar novamente o nome de Bruno Mars para indicar a este rapaz de que forma você faz um álbum de R&B e “se vende” como um act do gênero.

Ah, e estou muito feliz mesmo pelos meninos do BTS. Por mais que a gente questione as escolhas do Grammy, uma indicação pela música (e não pela capa do álbum) é importante para sedimentar o kpop como um gênero respeitado dentro da música americana, que é extremamente insular e poderia tratar o som como modinha. Torço de verdade por eles.

Tem mais: é uma indicação que podemos considerar como histórica, e nem podemos celebrar como devido por causa dessa BAGUNÇA armada pelo Grammy.

Sem mais delongas, como o Grammy será muito em cima, pensei em produzir três vídeos – o primeiro, sobre o pop field, que será publicado dia 19/12 (longe demais, Marina, mas será sobre TODO o field haha). Já o segundo é sobre as categorias de Canção e Gravação do Ano; e o último será sobre o Álbum do Ano.

Garanto que serão vídeos bem amargos hahaha E vocês, o que acharam dessas indicações? Podem comentar à vontade!

Tô ficando velha.

Falando de Grammy 2021 [2]

Após o Goldderby revelar as submissões dos artistas e gravadoras para o Grammy 2021, é hora de verificar se o nosso exercício de futurologia faz algum sentido – e provavelmente teremos surpresas bem interessantes chegando…

No segundo vídeo sobre o assunto, voltando a comentar sobre os possíveis indicados ao Grammy (focando sempre no pop field e general field, mas falando um pouquinho sobre a turma do R&B), falaremos sobre o mar de possibilidades no pop, a chance do kpop finalmente ser indicado, como a categoria de Engenharia de Som Não-Clássico pode ser um definidor de vencedores e ainda tem merchan literário!

Dê play e aproveite!

Falando do Grammy 2021 [1]

Vocês achavam que não ia rolar exercício de futurologia?

SURPRESA! Hoje é dia de falar sobre as previsões do Grammy 2021, que terão um período de elegibilidade mais longo e a possibilidade maior do seu fave ser indicado… Ou não, tudo depende de como ele vai submeter e se o comitê vai aceitar.
No vídeo de hoje, tendo a chuva como BG, vamos falar de:

  • Dois (não três) novatos que podem aparecer em mais categorias que apenas o de Artista Revelação
  • Quem pode aparecer no pop field
  • Narrativas fortes (e necessárias) dentro do pop mainstream
  • E dois CDs no fundo do cenário, porque sou Millennial velha e comprei CDs na adolescência hahah

Aproveitem o vídeo e por favor, saiam de casa somente se necessário!

O problema com a mudança no Grammy de “Urban Contemporary” para “Progressive R&B”

O Grammy fez uma importante mudança nas últimas semanas no nome de uma de suas categorias: o prêmio de álbum de Urban Contemporâneo se transformou em R&B Progressivo, e neste vídeo, vamos explicar que nomes são irrelevantes. Por quê?

– O urban como formato de rádio, e depois gênero musical;

– Por que juntar artistas que não conversam entre si num gênero “genérico”?

– Quatro minutos de áudio baixinho porque meu celular já tá pedindo adeus;

– E por que mudar para R&B progressivo e nada é a mesma coisa

As respostas você encontra neste vídeo, dê play e descubra!

Grammy 2020: achei que foi demais

(recomenda-se a leitura deste post ouvindo a música abaixo)

Quando eu comentei sobre a possibilidade de sweep (ou seja, “fazer a limpa”) no Grammy nesta edição de 2020, eu imaginei que seria algo estilo Adele. Não a quebra de mais um recorde histórico, que já durava 39 anos – a vitória nas quatro categorias do Big 4 (Álbum, Canção e Gravação do Ano, e Artista Revelação). Mas Billie Eilish conseguiu ainda mais: artista mais nova a ganhar AOTY, primeira artista feminina e artista mais jovem a ganhar o Big 4.

Opinião pessoal? Achei que foi demais, especialmente num ano tão vasto de indicados interessantes, que prometiam uma concorrência equilibrada e pulverizada.

Confesso que eu acreditava na chamada CHRISTOPHER CROSS SITUATION (que agora terei de mudar o nome) para a Lizzo, até por conta da prevalência dela até o final do período de elegibilidade – e pelo momento da carreira: apesar da Lizzo ter estourado agora, ela já tem um histórico e é uma artista mais “pronta” que Billie. Eu realmente acreditei que a Academia esperaria um pouco até entregar outros prêmios, por causa até dessa juventude. Talvez um BNA, ou Pop Solo. Mas não absolutamente tudo.

Dito isso, creio que tenha sido muita coisa porque em Gravação do Ano, por exemplo, a vitória moral era de “Old Town Road” – afinal de contas, essa é a categoria dos hits, e na maioria das vezes, é o maior hit que é premiado – considerando também a qualidade, óbvio. É muito raro que uma faixa que não hitou leve esse prêmio (a gente tem que ir até 2009 para chegar a um exemplo, com “Please Read the Letter” do Robert Plant e Alison Krauss que ficou pelo Bubbling Under); e entre as músicas de maior desempenho, “Old Town Road” foi literalmente a conversa cultural do ano, quebrou recordes e discutiu barreiras de gênero.

(mas confesso que até me surpreendi com a vitória em Pop Collab, baby steps né Grammy)

Quanto a Canção do Ano e Álbum do Ano, creio que existiam álbuns melhores e canções mais bem resolvidas, mas entendo bem a decisão por Canção, até porque tem precedente de compositores prodígio levando o prêmio – no caso a Lorde, alvo das comparações com a Billie – e a estrutura da letra junto com o arranjo são bons e envolventes. E no Pop Field, “Thank U, Next” merecia uma sorte melhor em Álbum Pop.

O fato é que…

O “When We Fall Asleep…” é representativo do ano e da “nova ordem musical” com o genre-bending, não saber que gênero é e conversar com vários estilos mantendo a personalidade. Faz sentido chamar de “voz da geração”, especialmente porque essa é uma geração que não se define ou se limita; e tanto Billie quanto Lil Nas X sabem trabalhar bem com esse grupo, da forma que encontraram (não se esqueçam de que Nas X era criador de memes no twitter e participava do fandom da Nicki Minaj na internet). Mas eu particularmente considero que dava para dividir as vitórias e pulverizar o Grammy até para representar ainda melhor essa fase de transição musical da disputa entre os puristas e os integrados (btw, quem ganhou foram os integrados nessa disputa).

Repito: pode ser que meu principal problema com a Billie seja geracional: eu não consigo me conectar com ela e TUDO BEM, nem todos os artistas devem se conectar com a minha geração. Mas estou curiosa para os próximos passos… Especialmente a música do Bond (que aí eu posso me envolver por motivos de fã da franquia hahaha não achei uma boa escolha para a trilha, e espero me enganar) além do famigerado segundo CD, que é um make it or break it.

… O Grammy precisa se conectar com a nova década

Eu dormi DUAS DA MANHÃ tendo que acordar cedo pra trabalhar, e enquanto tivemos apresentações dinâmicas como as de Tyler, The Creator, Lizzo, Ariana (apesar dos pesares vocais) e Lil Nas X (junto com um BTS que merecia uma performance só deles), ficamos aturando um miolo entediante com aquele… Aquilo com bailarinos e whatever was happening on stage + intervenções demoradas e pouco efetivas de Alicia Keys se arrastando por sei lá, QUATRO horas de premiação (exceto na homenagem a Kobe Bryant, que ela segurou bem). Eu já disse que dormi às DUAS DA MANHÃ?

Há anos que o Grammy prefere trazer performances, muitas vezes completamente desnecessárias, enquanto 95% das premiações são apresentadas no show não-televisionado. Pior: as premiações na hora da TV são tão esparsas e com escolhas tão wtf (Melhor Álbum de Comédia? Todo mundo sabe que ano que vem some do telecast, assim como foi com a premiação de Álbum para Musical no ano de “Hamilton” só por causa do hype) que tem uma hora em que você esquece qual a função do award: premiar o melhor da música (teoricamente). Quando ele foi dinâmico e divertido, justamente com os acts mais novos e que estão puxando o discurso cultural, o show foi excepcional. Quando não teve dinamismo, foi um porre.

Passou e muito a hora da organização discutir uma premiação mais rápida, focando no que interessa. Quer performance de algum indicado? Separa uma categoria do big 4 como Canção ou Gravação e coloca os indicados para se apresentar. Quer colocar um act lançando um novo single? Escolhe um, o mais bombado, pra chamar audiência. Quer sessão nostalgia? Convoca um cantor das antigas que está com turnê de despedida lucrando horrores e separa um espaço só pra ele. É muita gente cantando e POUCO prêmio sendo dado, e pior, você não tem nem mais discurso bacana, momentos épicos, e sim uma quantidade absurda de cantores e bandas empurrados num tempo que por incrível que pareça fica apertadíssimo e aí saem apresentações coladas umas às outras. Nem dá espaço para uma standing ovation.

Por isso que eu acredito numa premiação mais curta e dinâmica, e com espaço igual para show e prêmio. Afinal de contas, a gente não quer ver apenas nosso fave arrasando no palco, a gente quer é ver ele ou ela levando o gramofone e fazendo algum discurso para lembrarmos eternamente.

E aí? O que achou do Grammy 2020? Concordou com os vencedores? E o show no geral? Curtiu ou achou tedioso? Abra seu coraçãozinho nos comentários!

Drops Grammy 2020 [General Field]

Entre drinking game do “entretanto” e “polimento”, hora de fechar a caixa falando sobre os indicados no General Field do Grammy 2020!
Neste vídeo, vou comentar um pouco sobre:

  • CHRISTOPHER CROSS SITUATION
  • disputa de hits e safe choices
  • músicas feitas com frases de twitter
  • surpresas em álbum do ano
  • e vocês vão me ouvir cantar mal!

Mais uma vez, peço perdão pelo probleminha no áudio e a luz meio ruim, porque gravei de noite; sem mais delongas, apertem o play e vamos lá!