Drops Grammy 2019 [3] Canção e Gravação do Ano

Falta uma semana para o Grammy 2019 e a escriba que vos fala continua a saga de análises dos indicados ao prêmio mais importante da música; desta vez com o General Field. A discussão aqui é mais do que “Música de Grammy”, e sim a importância da Academia fazer valer a mudança que fez para ampliar o escopo – especialmente em se tratando de Gravação do Ano.

E repetimos o mantra deste ano: 2018 é exceção!

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Drops Grammy 2019 [1] – Pop Solo Performance

Eu não sou Papai Noel, mas também trago presente de Natal: o primeiro video dos Drops do Grammy 2019, focando nos indicados do Pop Field (que virou nicho) e no General Field.

Hoje eu começo falando sobre os indicados ao Grammy de Pop Solo Performance e as narrativas que estão inseridas nessa lista curiosa de indicados.

Antes de dar play, confira os indicados:

“Colors” — Beck 
“Havana (Live)” — Camila Cabello
“God Is A Woman” — Ariana Grande
“Joanne (Where Do You Think You’re Goin’?)” — Lady Gaga
“Better Now” — Post Malone

Agora confira o vídeo!

Lembrando que o próximo vídeo do Drops vai falar dos indicados a Best Pop Duo/Group Performance – em que o gerente pirou!

Grammy 2019 enxergou o óbvio

Mas esperamos que essa nova virada nos acontecimentos indique vitórias mais coerentes no dia 10 de Fevereiro do ano que vem, né…
Resultado de imagem para grammy 2019

Antes de mais nada, os indicados…

Album Of The Year
Invasion Of Privacy – Cardi B
By The Way, I Forgive You – Brandi Carlile
Scorpion – Drake
H.E.R. – H.E.R.
Beerbongs & Bentleys – Post Malone
Dirty Computer – Janelle Monáe
Golden Hour – Kacey Musgraves
Black Panther: The Album, Music From And Inspired By – Various Artists (feat. Kendrick Lamar)

Record Of The Year
I Like It – Cardi B, Bad Bunny & J Balvin
The Joke – Brandi Carlile
This Is America – Childish Gambino
God’s Plan – Drake
Shallow – Lady Gaga & Bradley Cooper
All The Stars – Kendrick Lamar & SZA
Rockstar – Post Malone Featuring 21 Savage
The Middle – Zedd, Maren Morris & Grey

Song Of The Year:
“All The Stars” — Kendrick Duckworth, Solána Rowe, Al Shuckburgh, Mark Spears & Anthony Tiffith, songwriters (Kendrick Lamar & SZA)
“Boo’d Up” — Larrance Dopson, Joelle James, Ella Mai & Dijon McFarlane, songwriters (Ella Mai)
“God’s Plan” — Aubrey Graham, Daveon Jackson, Brock Korsan, Ron LaTour, Matthew Samuels & Noah Shebib, songwriters (Drake)
“In My Blood” — Teddy Geiger, Scott Harris, Shawn Mendes & Geoffrey Warburton, songwriters (Shawn Mendes)
“The Joke” — Brandi Carlile, Dave Cobb, Phil Hanseroth & Tim Hanseroth, songwriters (Brandi Carlile)
“The Middle” — Sarah Aarons, Jordan K. Johnson, Stefan Johnson, Marcus Lomax, Kyle Trewartha, Michael Trewartha & Anton Zaslavski, songwriters (Zedd, Maren Morris & Grey)
“Shallow” — Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando & Andrew Wyatt, songwriters (Lady Gaga & Bradley Cooper)
“This Is America” — Donald Glover & Ludwig Goransson, songwriters (Childish Gambino)

Best New Artist:
Chloe x Halle
Luke Combs
Greta Van Fleet
H.E.R.
Dua Lipa
Margo Price
Bebe Rexha
Jorja Smith

Best Pop Solo Performance:
“Colors” — Beck
“Havana (Live)” — Camila Cabello
“God Is A Woman” — Ariana Grande
“Joanne (Where Do You Think You’re Goin’?)” — Lady Gaga
“Better Now” — Post Malone

Best Pop Vocal Album:
Camila — Camila Cabello
Meaning Of Life — Kelly Clarkson
Sweetener — Ariana Grande
Shawn Mendes — Shawn Mendes
Beautiful Trauma — P!nk
Reputation — Taylor Swift

Best Pop Duo/Group Performance
“Fall in Line” – Christina Aguilera featuring Demi Lovato
“Don’t Go Breaking My Heart” – Backstreet Boys
“‘S Wonderful” – Tony Bennett & Diana Krall
“Shallow” – Lady Gaga & Bradley Cooper
“Girls Like You” – Maroon 5 featuring Cardi B
“Say Something” – Justin Timberlake featuring Chris Stapleton
“The Middle” – Zedd, Maren Morris and Grey

Best Dance Recording:
“Northern Soul” — Above & Beyond Featuring Richard Bedford
“Ultimatum” — Disclosure (Featuring Fatoumata Diawara)
“Losing It” — Fisher
“Electricity” — Silk City & Dua Lipa Featuring Diplo & Mark Ronson
“Ghost Voices” — Virtual Self

Best Rock Song:
“Black Smoke Rising” — Jacob Thomas Kiszka, Joshua Michael Kiszka, Samuel Francis Kiszka & Daniel Robert Wagner, songwriters (Greta Van Fleet)
“Jumpsuit” — Tyler Joseph, songwriter (Twenty One Pilots)
“MANTRA” — Jordan Fish, Matthew Kean, Lee Malia, Matthew Nicholls & Oliver Sykes, songwriters (Bring Me The Horizon)
“Masseduction” — Jack Antonoff & Annie Clark, songwriters (St. Vincent)
“Rats” — Tom Dalgety & A Ghoul Writer, songwriters (Ghost)

Best Urban Contemporary Album:
Everything Is Love — The Carters
The Kids Are Alright — Chloe x Halle
Chris Dave And The Drumhedz — Chris Dave And The Drumhedz
War & Leisure — Miguel
Ventriloquism — Meshell Ndegeocello

Best Rap Album:
Invasion Of Privacy — Cardi B
Swimming — Mac Miller
Victory Lap — Nipsey Hussle
Daytona — Pusha T
Astroworld — Travis Scott

Best Country Album:
Unapologetically — Kelsea Ballerini
Port Saint Joe — Brothers Osborne
Girl Going Nowhere — Ashley McBryde
Golden Hour — Kacey Musgraves
From A Room: Volume 2 — Chris Stapleton

Best Americana Album:
By The Way, I Forgive You — Brandi Carlile
Things Have Changed — Bettye LaVette
The Tree Of Forgiveness — John Prine
The Lonely, The Lonesome & The Gone — Lee Ann Womack
One Drop Of Truth — The Wood Brothers

Best Song Written For Visual Media:
“All The Stars” — Kendrick Duckworth, Solána Rowe, Alexander William Shuckburgh, Mark Anthony Spears & Anthony Tiffith, songwriters (Kendrick Lamar & SZA), Track from: Black Panther
“Mystery Of Love” — Sufjan Stevens, songwriter (Sufjan Stevens), Track from: Call Me By Your Name
“Remember Me” — Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez, songwriters (Miguel Featuring Natalia Lafourcade), Track from: Coco
“Shallow” — Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando & Andrew Wyatt, songwriters (Lady Gaga & Bradley Cooper), Track from: A Star Is Born
“This Is Me” — Benj Pasek & Justin Paul, songwriters (Keala Settle & The Greatest Showman Ensemble), Track from: The Greatest Showman

Producer Of The Year, Non-Classical:
Boi-1da
Larry Klein
Linda Perry
Kanye West
Pharrell Williams

Confesso que ao ver a lista de indicados na manhã de hoje, a minha primeira reação foi dar um gritinho de choque. Nem no último Grammy os membros da Academia foram tão justos e perceptivos sobre o atual estado das coisas na música popular americana. Excetuando pelos “intrusos” “Golden Hour” e “By The Way, I Forgive You”, você tem em níveis diversos um painel bem compreensivo do que realmente é ouvido e consumido pelos americanos atualmente – e o que vem dominando a indústria. 

É Drake, que conseguiu mesclar o rap com sua sensibilidade R&B/pop (e que se não fosse ele não haveria Post Malone, por exemplo); Cardi B com o álbum mais pop do ano (porque trap é pop); a trilha sonora de “Black Panther” que é mais um triunfo do poeta do rap Kendrick Lamar; bem como a consagração de Janelle Monaé como artista pop (num sentido mais amplo) completa, entre soul, funk e R&B; e as tendências de R&B alternativo e contemporâneo da novata H.E.R. . Ou seja, a pressão por mudanças e a diversidade da bancada fizeram efeito.

Ter oito indicados amplia muito mais as perspectivas e oferece oportunidades para músicas e artistas em evolução se apresentarem (que agrado – e que surpresa – ver “In My Blood” em SOTY, um letrão mostrando a maturidade artística de um menino como Shawn Mendes); músicas meio out-of-the-box se destacarem (“This Is America”, por exemplo), assim como quem está ou virou nicho se impor pela força de uma boa música. Afinal de contas, pop hoje é nicho, e “Shallow” é a principal representante, solitária e classuda, desse nicho. Que retorno de Lady Gaga!

(e Bradley Cooper pode ganhar um Grammy antes de muita gente. RAPAZ…)

Nos fields, onde ficam os segredos das vitórias para AOTY, temos surpresas surpreendentes – como “Scorpion” nowhere, a decisão BURRA de submeter a trilha de “Black Panther” em rap que tirou a chance fácil de levar em Álbum para Mídia Visual (e agora o caminho tá livre para “The Greatest Showman”… ou talvez um certo Mercenário Tagarela?) e Janelle Monaé também não apareceu em Urban Contemporary. 

(Não é querendo alarmar, não, mas as mensagens estão aí. Quem não prestou atenção ao que houve nos últimos anos, tá comendo mosca…)

(pior que nem temos Engenharia de Som, Não-Clássico pra dar a dica)

A propósito, o pop como field voltou a ser divertidíssimo. Pop Solo tá uma disputa acirrada (neste momento, vejo Ariana um pouco à frente); enquanto Melhor Álbum Pop tá bem interessante, e sem favoritos. Já Pop Duo/Group… Meu eu de 10 anos berrou ALTO vendo os Backstreet Boys de volta a um Grammy (os caras já foram indicados no General Field no auge), e a disputa tá deliciosa. “Shallow” tá na frente, eu percebo, mas tem um hit e dois vencedores tradicionais da categoria, que pode bagunçar ainda mais esse coreto. 

Confesso que bati bastante na trave em algumas das minhas considerações (o corte final de Pop Duo/Grupo hahaha) mas tem algumas coisas que falo com tranquilidade /choquedecultura : eu disse – acho que foi uma jogada bem ruim a gravadora da Ariana ter submetido “God is a Woman” em Record e “No Tears Left to Cry” em Song (e acho que GIAW poderia disputar vaga com “In My Blood”, que não fechou no field). Além disso, tinha deixado “Shallow” nos wildcards no General Field, mas estou feliz que uma das minhas suspeitas, a fofíssima “Boo’d Up”, entrou em SOTY, renovando ainda mais a tendência da Academia em prestar atenção aos novatos. Acho a disputa de Song ainda mais acirrada que a deste ano.

No geral, as mudanças que a Academia promoveu trouxeram mais do que uma bem-vinda diversidade nos nomes,  em ter mais mulheres entre indicadas e um Grammy que não é white male. Ampliou-se os horizontes até mesmo em idade (ver Kelly, Xtina, P!nk indicadas, com todo o ageism imposto na carreira delas, é muito legal) e nas sonoridades e imagens que são consumidas pelo público (vocês viram o “Love Yourself: Tear” do BTS indicado em Melhor Encarte?). Para não perder a relevância, o Grammy precisou olhar realmente para si, seus erros e olhar o mundo lá fora, entendê-lo para tentar reproduzi-lo em suas indicações. 

Esperamos que tenha feito a coisa certa quando saírem os envelopes.

Some bullet points:

  • … Mas “Rockstar” não foi lançado em Setembro de 2017? O que tá fazendo sendo indicado a tudo quanto é coisa quando o período de elegibilidade é entre 1º de Outubro de 2017 e 30 de Setembro de 2018?
  • O pop nichou tanto que não temos representantes puramente pop no corte final. Eu apostava em “reputation” pela brand Taylor Swift, mas faz sentido o álbum ter ficado de fora.
  • Nicki Minaj não conseguiu UMA indicação pelo “Queen”. O álbum foi muito mal divulgado e o conceito vendido de forma errônea, infelizmente.
  • Os Carters ficaram restritos ao nicho mesmo; assim como Ed Sheeran nem foi lembrado por “Perfect Duet”. Academia é canceriana, gente; não esquece. Só deve ter perdoado Drake por causa do sucesso massivo do “Scorpion”. E Timberlake pelo combo música REALMENTE boa + Chris Stapleton.
  • Mac Miller teve uma indicação póstuma 😥 
  • E Ryan Reynolds também é um indicado ao Grammy. Pela trilha de “Deadpool 2”. 2018.

E você? O que achou da lista de indicados, suspeitas e esnobadas da Academia? Fique à vontade para comentar, e logo logo teremos o primeiro vídeo de indicados ao Grammy 2019, sobre Melhor Performance Pop Solo. Até lá!

A cheesy playlist para hiperbólicos apaixonados

Eu não sou uma pessoa irremediavelmente romântica, mas sempre curti umas baladas sofrimento-dor-de-corno até pra cantar junto e ter repertório para o karaokê. Como vocês já sabem que boa parte da minha vida eu fiquei ouvindo apenas músicas dos anos 80 para trás, um pedaço da formação musical que eu tenho está associado a essas canções, à dor das letras e a delícia das interpretações chorosas e melodramáticas.

Pensando nisso (e inspirada numa ótima playlist do Spotify chamada Cheesy and Overly Romantic), decidi escrever um post com as minhas músicas românticas favoritas de ontem, hoje e sempre. Ou seja, deu pra achar cafonada BOA da década de 2000 pra cá!

Segue o pulo!

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Será que existe mesmo a “maldição do quarto álbum”?

Fazer sucesso é um desafio que não começa só quando você lança o CD ou sai em tour. Às vezes, você não passa nem do primeiro single, ou é one-album wonder; mas geralmente pra chegar lá, é um percurso em que você precisa saber quem é musicalmente, ser inteligente, ouvir os mais experientes; e talvez engolir muito sapo (quer dizer, engolir as exigências da gravadora) até ter liberdade para ser “você” como artista.

Geralmente, quando o artista passa do primeiro CD, o segundo álbum é o desafio de mostrar que tem fôlego para resistir aos tubarões da indústria. Já o terceiro CD é, no geral, uma continuidade do sucesso e sedimentação do artista, que às vezes assume alguns riscos, mas nunca sem sair de sua zona de conforto. O quarto álbum, por sua vez, acontece num momento em que o artista, confortável com sua posição, decide que é hora de fazer algo “diferente”.

E é aí que ocorre a merda…

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Design de um Top 10 [39] Só voltei porque alguma coisa mudou

 

É isso mesmo que está no título do texto: eu só voltei com o top 10 porque pelo menos alguma coisa se mexeu nesse chart, que anda bem chato de acompanhar desde que Drake decidiu que 2018 seria o ano de sua total dominância. 

Desde janeiro, nenhuma música pop chega ao topo da Billboard, e exceto por Camila Cabello com “Havana”, lá no começo do ano, apenas rappers dominaram o topo da Billboard. Mais flagrante ainda: apenas homens chegaram ao primeiro lugar, até mesmo pessoas que já morreram (XXXTentacion), enquanto a outra pessoa que parece entrar de intrusa nessa história é seguramente a grande revelação de 2017-18, Cardi B.

A rapper do Bronx já tinha emplacado o segundo #1, o hit latino “I Like It”; e seu featuring na tenebrosa “Girls Like You”, do Maroon 5, já estava garantindo Belcalis com mais um top 10 na conta. No entanto, a faixa vinha sólida especialmente nas rádios (e o vídeo repleto de estrelas já tinha dado tração à música nos charts), por isso, o #1 foi só uma questão de tempo. O terceiro para Cardi, que acumula números expressivos para uma novata (qualquer novata,  não importando o field); e mais um topo para Adam Levine e sua turma, que sempre arrancam um hit para manter a relevância desde que optaram por vender a criatividade que tinham para os produtores da moda.

(digo isso com a tranquilidade de quem viu os caras duas vezes ao vivo e dizer que as músicas que melhor funcionam são as das antigas)

Hora de conferir mais detalhes sobre essa nova (se bem que não tão nova assim) configuração do Hot 100 com mais uma edição do Design de um Top 10!

Top 10 Billboard Hot 100 (29.09.2018)

#1 Girls Like You – Maroon 5 feat. Cardi B

#2 In My Feelings – Drake

#3 Killshot (NEW) – Eminem

#4 Lucid Dreams –  Juice WRLD

#5 Better Now – Post Malone

#6 I Like It – Cardi B feat J. Balvin and Bad Bunny

#7 I Love It – Lil Pump feat. Kanye West

#8 FEFE – 6ix9ine feat. Nicki Minaj and Murda Beatz

#9 SICKO MODE – Travis Scott

#10 Youngblood – 5 Seconds Of Summer

Enquanto “Girls Like You” foi ganhando força aos poucos (e com a rapper do momento fazendo aquele verso rápido a coisa fica mais fácil em certas rádios), “Killshot” do Eminem conseguiu a terceira posição no Hot 100 APENAS com o YouTube. Uma diss contra outro rapper, Machine Gun Kelly, que respondera com uma diss à outra diss de Eminem, contida no novo álbum do veterano, “Kamikaze” (haja diss!), o sucesso da faixa – que literalmente viralizou, tem não apenas o dedo da instantaneidade do feud, mas também o poder que Eminem ainda tem no inconsciente coletivo. Mas nem todo mundo pode fazer esse tipo de artifício usando o YouTube; só quem tem uma base de fãs forte o suficiente e relevância no mercado consegue um resultado desse tipo sem a ajuda de outras plataformas

Quem chegou ao décimo lugar foram os australianos do 5 Seconds of Summer com a faixa “Youngblood”, consideravelmente mais adulta e mais interessante que qualquer coisa que eles tenham lançado na época em que vendiam os meninos como uma versão “rockeira” do One Direction (vocês se lembram disso? Pois é). A música é bem bacana, e com um refrão forte e marcante, sintetizado – aliás, é o primeiro top 10 do grupo, que tinha chegado mais perto em 2014, na posição 16. 

(aliás, eu sempre achei esse nome de banda com cara de “one hit wonder”, mas aparentemente eles construíram uma carreira bem sólida, são três álbuns lançados em #1 na Billboard 200, isso é para poucos)

Por último, mas não menos importante, o topo de “Girls Like You“, talvez uma das piores músicas já concebidas, lançadas como single e que chegaram ao primeiro lugar nos charts; que com certeza teve o apoio massivo das rádios, que sempre estão ávidos por algum single do Maroon 5 – tanto que são nove semanas em #1 no chart da plataforma, enquanto a faixa já começa a cair no digital e no streaming. Ou seja, era a hora certa da faixa chegar ao topo. O quarto #1 do M5 é a mostra da longevidade da banda, que chega ao fim da segunda década de sucesso e apelo crossover, que será fortalecido ainda mais com o Halftime Show do SuperBowl ano que vem, a ser realizado em Atlanta. Já Cardi… Bem, o céu é o limite para Belcalis – quer dizer, as indicações do Grammy que a rapper facilmente receberá em vários fields são o céu (e com chances reais de vitória, o que tornaria sua ascensão o conto-de-fadas perfeito).

E você? O que achou do top 10 do Hot 100 desta semana? Deixe suas considerações nos comentários! 

Lançamentos recentes – edição retornos

Nas últimas semanas, tivemos alguns lançamentos de artistas de vários espectros, do R&B/pop, uma grande estrela pop rock, do pop alternativo e até uma parceria trap vinda da fonte mais improvável possível. Hora de falar sobre os últimos releases e ver quais são as possibilidades de sucesso e o contexto desses singles.

“GTFO”, Mariah Carey

Quando uma verdadeira DIVA retorna, temos que prestar atenção em todos os seus movimentos. Um lançamento de Mariah Carey é sempre uma expectativa pra saber se a música que ela trará para o jogo vai relembrar seja o material clássico dos anos 90 ou a surpresa de seu celebrado comeback de 2005; e na década de 2010, entre algumas canções boas (como “#Beautiful” e “You Don’t Know What to Do“) tem muita bomba que parece uma eterna tentativa de capturar a mágica do passado (“You’re Mine (Eternal)“, “Infinity” ou “I Don’t“) ou tentar capturar um público mais novo com o que Mariah e quem quer que estivesse colaborando com ela em álbuns anteriores acreditasse que funcionaria (“Thirsty“) .

Mas as coisas parecem bem diferentes para a 2018 Mariah, mais carefree, disposta a trabalhar com gente nova (a música tem produção de Nineteen85, canadense conhecido pelas produções do Drake; tem sample de uma faixa EDM, “Goodbye to the World“, de Porter Robinson; e ainda Bibi Bourelly entre os compositores) trazendo coisas novas, mas que ao mesmo tempo tenham o DNA da diva – e “GTFO”, single promocional do décimo-quinto álbum da cantora e compositora, coloca Mariah num percurso mais current, mas sem deixar de ser Mariah. É fresh, despretensioso, mas é puramente Mariah.

Apesar de ser uma promo single, é deliciosamente gostosa, bem humorada (Mariah bem humorada é ótima), e a voz está no ponto; os sussurros e vocal runs estão equilibrados. Aliás, é outra faixa pra ninguém conseguir fazer cover, porque tem muitas camadas, muitas variações, mudanças de tom que só Mariah pode fazer. Já disse que a mulher voltou? Sem contar com “GTFO” sendo mais uma faixa com termos para serem incluídos no “dicionário musical” dela, que é expert em inserir palavras pouco usadas em faixas pop (como “disenchanted”= desencantado e “bulldozed” = demolido, arrasado)

Até o clipe tem as coisas Mariah, com as borboletas e a super fofice, mas tem algo mais simples e relatável – oras, quem nunca ficou xingando o ex enquanto toma uma taça de vinho?

nota: ⭐⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

“Wake Up in the Sky”, Gucci Mane feat. Bruno Mars & Kodak Black

Quem não estava prestando muita atenção ao que o pessoal do rap andava fazendo perdeu esse lançamento do Gucci Mane, “Wake Up in the Sky”, parceria com Bruno Mars e Kodak Black, para o novo álbum de Gucci, um dos nomes mais importantes do trap, “Evil Genius”. O que mais me surpreendeu nessa faixa é o quão não-pop e nada pandering para uma rádio pop essa música é (se considerarmos que um dos nomes envolvidos é um dos grandes astros pop da atualidade).

Mas “Wake Up in the Sky”, que tem interpolações com “Unforgettable” do Nat King Cole, é terrivelmente grudenta e chiclete, com a produção simples, mínima, mas sem ser crua, e elegante (curiosamente um dos envolvidos é o próprio Bruno, sem estar dentro do coletivo The Smeezingtons), focada primeiramente no público rap. (tanto que a música vem crescendo solidamente onde interessa no field, o Spotify)

A música no geral é incrível (o refrão fica na minha cabeça até agora) e o flow de Gucci além dos versos são sensacionais. É um dos rappers mais carismáticos da cena, e os versos dele tem um certo humor bem vindo, numa faixa que fala da boa vida sob o consumo de ilícitos (o que é irônico considerando que Gucci está sóbrio há algum tempo). A única coisa que realmente estraga completamente a faixa é quando entra a voz de mosquito de Kodak Black aparece para retirar todo o braggadocio da música; parece um anticlímax que me faz querer editar a faixa até o segundo refrão e repetir o verso de Gucci até fechar o tempo original da faixa.

nota: ⭐⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

“Head Above Water”, Avril Lavigne

A carreira da canadense Avril Lavigne, um dos ícones da minha adolescência, tomou um dos percursos mais esquisitos do pop na década de 2000. Surgida como a “anti-Britney”, cantando pop/rock com guitarra, usando gravatinha, rebite e All-Star, no meio da década fez um rebranding na imagem colocando mechas rosas, cantando sobre “pegar o namorado das outras” e uma vibe toda colorida cheerleader no terceiro CD, “The Best Damn Thing”. Um filler álbum depois (“Goodbye Lullaby”, que mostrou uma distinção entre o som de que ela curtia e o som que a gravadora incentivava Avril a trabalhar) e outro CD com mensagens super confusas (o self-titled, que trouxe a ótima “Here’s to Never Growing Up” e a tenebrosa “Hello Kitty” como singles), a trajetória da canadense, outrora um dos símbolos do pop rock e template para muitas meninas que se lançavam como cantoras nessa vibe, parecia fadada ao ostracismo na década de 2010, em que o rock praticamente foi engolido por todos os outros gêneros.

No entanto, Avril enfrentava outros desafios mais complicados: a doença de Lyme, infecção bacteriana comum nos países da América do Norte, que a tirou dos palcos e da vida pública por bastante tempo, até ela retornar à cena com o lead single do sexto álbum, a épica “Head Above Water”, que vai ser comida com gosto e farinha nas rádios adultas (e talvez em rádios cristãs também), porque é épica em todos os sentidos.

O primeiro exemplo da maturidade que talvez uma geração inteira esperava que Avril mostrasse, a faixa é incrível, com sua letra inspiracional e até mesmo religiosa (composta por Avril, Travis Clark da banda We the Kings e o produtor Stephan Moccio, que já trabalhou com uma série de artistas, incluindo na trilha sonora de Cinquenta Tons de Cinza), em que ela supera as adversidades e luta contra a morte por causa da doença de Lyme. Mas não apenas a letra; o pós-refrão (“don’t let me drown” repetindo o “drown”) é espetacular; o arranjo com bateria pesada, acompanhamento no piano e instrumentos de corda é muito bonito e épico, e recomendo aos mais sensíveis ouvir com lencinhos de papel.

Sério, estou muito feliz que um dos ícones da minha adolescência voltou COM SAÚDE e fazendo música FODA, sem cair nas obviedades da sonoridade 2018.

nota: ⭐⭐⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

“Mariners Apartment Complex” e “Venice Bitch”, Lana Del Rey

Os dois primeiros singles do novo álbum de Lana, chamado “Norman Fucking Rockwell”, são produzidas por ela e Jack Antonoff, que está aqui mais imerso no mundo da cantora do que ela sendo imersa na vibe dele – o que é ótimo, já que Antonoff nem é o produtor incrível que pensa que é. No entanto, ao ser engolido por uma personalidade mais consistente, ele trabalha bem melhor.

O que eu mais gosto em Lana del Rey é que, mesmo se ela tiver alguma diferença no som que propõe, essa diferença não vai afetar a noção que ela tem de sua própria arte e sonoridade; mesmo colocando guitarras e fazendo rock n’ roll. Se tem um artista com visão muito sólida do próprio som, essa pessoa é Lana, e agora, ela me parece estranhamente mais madura, com uma força interna e uma melancolia que faz mais sentido que em alguns anos antes – porque é algo que ela viveu, e inclui em sua nostalgia crítica natural. Em “Mariners Apartment Complex”, ela parece estar mais confiante em sua própria personalidade e na forma que vê a vida, mas a faixa mantém a tradicional sadness de Lana, só que com um arranjo de cordas, peso na guitarra e uma pegada anos 60 super bem vinda. Outra vez Lana nadando contra a corrente e fazendo música boa.

No entanto, a minha favorita é o segundo single, “Venice Bitch”, que mesmo tendo quase dez minutos, PELAMOR, é uma viagem de pop psicodélico com uma daquelas histórias cinemáticas e puramente americanas que são a cara de Lana. Amor jovem, despreocupado, que retorna depois de algum tempo tornando-se mais sexual; referências a artistas clássicos da cultura americana, e uma dica: nem tudo que parece tão óbvio (ou vazio) é realmente assim; às vezes a arte é complexa, diferente, mais profunda do que se pensa.

Aqui tem um solo de guitarra distorcida, e toda uma vibe anos 60, de ser jovem para sempre, mesmo com a melancolia sempre presente nos trabalhos dela. Dois singles incríveis que prometem um álbum maravilhoso.

nota:

“Mariners Apartment Complex”: ⭐⭐⭐ e 1/2 de ⭐⭐⭐⭐⭐

“Venice Bitch”: ⭐⭐⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

E vocês, o que acharam dos últimos lançamentos? Tem algum que você destacaria?