Country or not country? “Old Town Road” coloca a Billboard em maus lençóis

Nos últimos dias, a Billboard esteve no centro de uma polêmica envolvendo uma faixa lançada em dezembro que viralizou e se tornou uma das músicas mais ouvidas nos charts country, “Old Town Road“, do jovem rapper Lil Nas X. A música, que estreou em #19 na Billboard Hot Country Songs chart poderia ter sido #1 nas paradas do gênero nesta semana, se não fosse uma decisão da “Bíblia Musical” de retirar a faixa dos charts do gênero por não encontrar na música elementos suficientes do country atual, mesmo com imagem e elementos que lembrem a estética country (a letra tem versos como ” I’m gonna take my horse to the old town road”, “I got the horses in the back/Horse tack is attached”, “Hat is matte black/Got the boots that’s black to match”). A música tem banjo, vocais com referências country, em meio a uma batida trap pesada que dropa pra todo mundo dançar (a propósito, a musica ficou no charts de hip hop/R&B…).


O rapaz de 19 anos, nascido Montero Hill, aliás, ótimo nome de cantor country, disse que a faixa era um country-trap, um blend (bem-feito, aliás) de dois gêneros, mas muita gente acha que não é country porque tem rap e batida trap. No entanto, hip hop atualmente se tornou uma das maiores inspirações do country pop, cujos artistas vêm pegando emprestado as batidas e colocando um toque country, por consequência tocando horrores nas rádios. Ou seja, o rap já vem mudando a cara do country, e isso não é de hoje.

Nelly já tem histórico de crossover country!

Ou seja, a desculpa de “falta de elementos country” de “Old Town Road” cai por terra quando você descobre que essas faixas tiveram airplay forte em rádios COUNTRY e pra mim isso é algum pop com pegada country. Além disso, várias faixas que nada tem a ver com country tocaram horrores dentro do gênero (“Meant to Be”, alguém?); então, não é apenas uma questão do que se adequa melhor ao gênero e que pode entrar na rádio.

O racismo pode aparecer das formas mais sutis, como por exemplo, artistas brancos que usam de gêneros como rap para fazer country popificado são bem-vindos nas rádios do gênero, enquanto um artista negro fazendo algo similar é rejeitado por “não ser country o suficiente“. “Old Town Road” é mais country que a Taylor Swift no “Red”, que foi indicado a um Grammy na categoria, quando o (excelente) álbum de transição da moça tinha que ter ficado com uma vaga no pop field.

E como eu dei a dica no caso do Nelly, crossovers rap/country não são coisa nova (Nelly and Tim McGraw say hello), e em tese, existem espaços para esse tipo de intersecção. O próprio Lil Nas X repete que a faixa é country-trap e deveria estar tanto nas rádios country quanto na de hip hop. Ou seja, há espaço pra esse som – se for coisa do Florida Georgia Line, é o que parece.

A propósito, “Over and Over” não tocou em rádios Country, apesar de ter participação de uma lenda do gênero.

O que podemos concluir, até certo ponto, é que um artista negro, fora de Nashville (o rapper é de Atlanta, terra do rap que influencia todos os sons das rádios americanas no momento), não pode ser abraçado pelos charts conservadores da Billboard fazendo uma música que consegue ser mais “roots” do que os maiores sucessos do gênero na história recente. Se ele fosse branco, seria recebido de braços abertos – com aquele nariz torcido dos mais puristas, mas bateria recordes de audiência mesmo assim e manteria o gênero “vivo”.

Entra o co-sign de uma lenda do country nessa história toda: Billy Ray Cyrus (que os mais jovens conhecem como o pai da Miley) pariticipou do remix de “Old Town Road” (que ganhou mais versos, desta vez sob a perspectiva de uma estrela “das antigas” rica que deseja voltar ao começo), e entregou não apenas sinceridade na faixa, mas um apoio nessa disputa que se tornou algo muito maior do que a Billboard poderia imaginar quando tomou a decisão. Esse encontro estava, de certa forma, escrito: o próprio Lil Nas X quem tinha interesse de incluir Billy Ray na faixa; e o artista foi um dos que se opuseram à decisão da Billboard em retirar a faixa dos charts e ainda o cumprimentou como um outlaw do country. O próprio Billy Ray sofreu isso no passado – seu maior hit, “Achy Breaky Heart“, dividiu ouvintes, que disseram que a faixa destruiria o estilo, enquanto a música acabou abrindo espaço para novos ouvintes, já que o gênero estava morrendo no começo dos anos 90. De ser marginalizado pelas rádios, esse entende.

Agora, com o apoio de uma figura importante do country, será que a música pode ser considerada como tal?

Ainda tem outra teoria…

O racismo faz parte da discussão sobre a ausência de “Old Town Road” nos charts country? Sim. Mas existe uma motivação da indústria que é bem curiosa: como a faixa cresceu graças aos streamings (e como é uma faixa independente, os DJs das rádios country tinham que baixar a música do YouTube para atender aos apelos de quem pedia a música nos programas), isso poderia causar problemas num gênero que tem muita dependência das rádios para sobreviver. O country ainda não sofre a influência do stream, que de certa forma é incontrolável e não atende aos desejos dos donos de rádios e payola tradicional – qualquer coisa pode viralizar, incluindo o que não se aplica à caixinha convencional do que é “country”. Então, pode ser que a Billboard tenha sido pressionada também por esses players a limitar as músicas que devem ser consideradas “country” para evitar a dominância de uma plataforma que pode, por conta dos desejos do público, modificar de forma real o que realmente os ouvintes consideram como sendo aquele gênero ou não.

Olha o que Montero Hill aprontou…

Mas não existem artistas negros no country?

Importante ressaltar que Lil Nas X não é a primeira pessoa negra a estar inserida no country. Existe um espaço, mas é muito pequeno, pra não dizer micro, sendo que uma das origens do gênero é justamente o BLUES, de origem negra. Ou seja, mais um gênero em que os negros foram deixados de lado para se tornar totalmente branco – e masculino. É só ver como Carrie, Miranda, as Dixie Chicks, Kacey, sofrem horrores para se manterem visíveis dentro do field.

Entre os acts famosos do gênero negros estão Charley Pride, uma das lendas country, além de Darius Rucker, super respeitado, e acts mais jovens como Mickey Guyton e Kane Brown (com mãe branca e pai negro).

Ou seja, o country é um gênero que já tem problemas de representatividade seríssimos, e quando se confronta com um blend moderno, já feito pelos artistas “certificados como Country”, mas desta fez feito por alguém que é um outsider reclamando sonoridades que são, de fato, suas (pensando no rap criado pelos negros americanos), os charts recusam por… Razões pelas quais deveriam recusar Florida Georgia Line, Sam Hunt… Ou seja, não há explicação plausível para esta resistência, ou a novidade da Billboard que está “considerando” colocar “Old Town Road” de volta ao chart country – de onde nunca deveria ter saído: o remix de “Old Town Road” é tão country quanto a versão original. A diferença é a inclusão de um artista country na música. Tipo, só agora?

A propósito, já que essa é a lógica, Post Malone vai continuar nos charts de rap quando o cara literalmente canta nas músicas ou só vale pra manter a “pureza” de um gênero, ou impedir os streamings de influenciar o chart country?

As coisas estão ficando cada vez mais curiosas no reino da Billboard… Enquanto isso, ouçam o excelente remix de “Old Town Road”, talvez o próximo hino do verão americano:

P.S.: eu ando meio sumida do blog porque minha vida está uma loucura: estou completando minha graduação (agora Licenciatura) e entrei num curso de professor de Inglês, sem contar o trabalho e outros projetos pessoais. Mas não abandonei o Duas Tintas 😊 como milhares de coisas acontecem na indústria, eu decidi que não ficaria tão restrita a resenha-discussão sobre charts-etc e sim trabalhar nesse fluxo mais direto, com artigos sobre coisas que estão acontecendo na popsfera e que valem a pena ser discutidas. Pode ser que saia algo 1x por semana ou 2x ao mês, mas vou tentar publicar e manter o blog movimentado

O canal também vai voltar, mas tudo depende do meu computador suportar as edições… 😭

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Drops Grammy 2019 [3] Canção e Gravação do Ano

Falta uma semana para o Grammy 2019 e a escriba que vos fala continua a saga de análises dos indicados ao prêmio mais importante da música; desta vez com o General Field. A discussão aqui é mais do que “Música de Grammy”, e sim a importância da Academia fazer valer a mudança que fez para ampliar o escopo – especialmente em se tratando de Gravação do Ano.

E repetimos o mantra deste ano: 2018 é exceção!

Drops Grammy 2019 [1] – Pop Solo Performance

Eu não sou Papai Noel, mas também trago presente de Natal: o primeiro video dos Drops do Grammy 2019, focando nos indicados do Pop Field (que virou nicho) e no General Field.

Hoje eu começo falando sobre os indicados ao Grammy de Pop Solo Performance e as narrativas que estão inseridas nessa lista curiosa de indicados.

Antes de dar play, confira os indicados:

“Colors” — Beck 
“Havana (Live)” — Camila Cabello
“God Is A Woman” — Ariana Grande
“Joanne (Where Do You Think You’re Goin’?)” — Lady Gaga
“Better Now” — Post Malone

Agora confira o vídeo!

Lembrando que o próximo vídeo do Drops vai falar dos indicados a Best Pop Duo/Group Performance – em que o gerente pirou!

Grammy 2019 enxergou o óbvio

Mas esperamos que essa nova virada nos acontecimentos indique vitórias mais coerentes no dia 10 de Fevereiro do ano que vem, né…
Resultado de imagem para grammy 2019

Antes de mais nada, os indicados…

Album Of The Year
Invasion Of Privacy – Cardi B
By The Way, I Forgive You – Brandi Carlile
Scorpion – Drake
H.E.R. – H.E.R.
Beerbongs & Bentleys – Post Malone
Dirty Computer – Janelle Monáe
Golden Hour – Kacey Musgraves
Black Panther: The Album, Music From And Inspired By – Various Artists (feat. Kendrick Lamar)

Record Of The Year
I Like It – Cardi B, Bad Bunny & J Balvin
The Joke – Brandi Carlile
This Is America – Childish Gambino
God’s Plan – Drake
Shallow – Lady Gaga & Bradley Cooper
All The Stars – Kendrick Lamar & SZA
Rockstar – Post Malone Featuring 21 Savage
The Middle – Zedd, Maren Morris & Grey

Song Of The Year:
“All The Stars” — Kendrick Duckworth, Solána Rowe, Al Shuckburgh, Mark Spears & Anthony Tiffith, songwriters (Kendrick Lamar & SZA)
“Boo’d Up” — Larrance Dopson, Joelle James, Ella Mai & Dijon McFarlane, songwriters (Ella Mai)
“God’s Plan” — Aubrey Graham, Daveon Jackson, Brock Korsan, Ron LaTour, Matthew Samuels & Noah Shebib, songwriters (Drake)
“In My Blood” — Teddy Geiger, Scott Harris, Shawn Mendes & Geoffrey Warburton, songwriters (Shawn Mendes)
“The Joke” — Brandi Carlile, Dave Cobb, Phil Hanseroth & Tim Hanseroth, songwriters (Brandi Carlile)
“The Middle” — Sarah Aarons, Jordan K. Johnson, Stefan Johnson, Marcus Lomax, Kyle Trewartha, Michael Trewartha & Anton Zaslavski, songwriters (Zedd, Maren Morris & Grey)
“Shallow” — Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando & Andrew Wyatt, songwriters (Lady Gaga & Bradley Cooper)
“This Is America” — Donald Glover & Ludwig Goransson, songwriters (Childish Gambino)

Best New Artist:
Chloe x Halle
Luke Combs
Greta Van Fleet
H.E.R.
Dua Lipa
Margo Price
Bebe Rexha
Jorja Smith

Best Pop Solo Performance:
“Colors” — Beck
“Havana (Live)” — Camila Cabello
“God Is A Woman” — Ariana Grande
“Joanne (Where Do You Think You’re Goin’?)” — Lady Gaga
“Better Now” — Post Malone

Best Pop Vocal Album:
Camila — Camila Cabello
Meaning Of Life — Kelly Clarkson
Sweetener — Ariana Grande
Shawn Mendes — Shawn Mendes
Beautiful Trauma — P!nk
Reputation — Taylor Swift

Best Pop Duo/Group Performance
“Fall in Line” – Christina Aguilera featuring Demi Lovato
“Don’t Go Breaking My Heart” – Backstreet Boys
“‘S Wonderful” – Tony Bennett & Diana Krall
“Shallow” – Lady Gaga & Bradley Cooper
“Girls Like You” – Maroon 5 featuring Cardi B
“Say Something” – Justin Timberlake featuring Chris Stapleton
“The Middle” – Zedd, Maren Morris and Grey

Best Dance Recording:
“Northern Soul” — Above & Beyond Featuring Richard Bedford
“Ultimatum” — Disclosure (Featuring Fatoumata Diawara)
“Losing It” — Fisher
“Electricity” — Silk City & Dua Lipa Featuring Diplo & Mark Ronson
“Ghost Voices” — Virtual Self

Best Rock Song:
“Black Smoke Rising” — Jacob Thomas Kiszka, Joshua Michael Kiszka, Samuel Francis Kiszka & Daniel Robert Wagner, songwriters (Greta Van Fleet)
“Jumpsuit” — Tyler Joseph, songwriter (Twenty One Pilots)
“MANTRA” — Jordan Fish, Matthew Kean, Lee Malia, Matthew Nicholls & Oliver Sykes, songwriters (Bring Me The Horizon)
“Masseduction” — Jack Antonoff & Annie Clark, songwriters (St. Vincent)
“Rats” — Tom Dalgety & A Ghoul Writer, songwriters (Ghost)

Best Urban Contemporary Album:
Everything Is Love — The Carters
The Kids Are Alright — Chloe x Halle
Chris Dave And The Drumhedz — Chris Dave And The Drumhedz
War & Leisure — Miguel
Ventriloquism — Meshell Ndegeocello

Best Rap Album:
Invasion Of Privacy — Cardi B
Swimming — Mac Miller
Victory Lap — Nipsey Hussle
Daytona — Pusha T
Astroworld — Travis Scott

Best Country Album:
Unapologetically — Kelsea Ballerini
Port Saint Joe — Brothers Osborne
Girl Going Nowhere — Ashley McBryde
Golden Hour — Kacey Musgraves
From A Room: Volume 2 — Chris Stapleton

Best Americana Album:
By The Way, I Forgive You — Brandi Carlile
Things Have Changed — Bettye LaVette
The Tree Of Forgiveness — John Prine
The Lonely, The Lonesome & The Gone — Lee Ann Womack
One Drop Of Truth — The Wood Brothers

Best Song Written For Visual Media:
“All The Stars” — Kendrick Duckworth, Solána Rowe, Alexander William Shuckburgh, Mark Anthony Spears & Anthony Tiffith, songwriters (Kendrick Lamar & SZA), Track from: Black Panther
“Mystery Of Love” — Sufjan Stevens, songwriter (Sufjan Stevens), Track from: Call Me By Your Name
“Remember Me” — Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez, songwriters (Miguel Featuring Natalia Lafourcade), Track from: Coco
“Shallow” — Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando & Andrew Wyatt, songwriters (Lady Gaga & Bradley Cooper), Track from: A Star Is Born
“This Is Me” — Benj Pasek & Justin Paul, songwriters (Keala Settle & The Greatest Showman Ensemble), Track from: The Greatest Showman

Producer Of The Year, Non-Classical:
Boi-1da
Larry Klein
Linda Perry
Kanye West
Pharrell Williams

Confesso que ao ver a lista de indicados na manhã de hoje, a minha primeira reação foi dar um gritinho de choque. Nem no último Grammy os membros da Academia foram tão justos e perceptivos sobre o atual estado das coisas na música popular americana. Excetuando pelos “intrusos” “Golden Hour” e “By The Way, I Forgive You”, você tem em níveis diversos um painel bem compreensivo do que realmente é ouvido e consumido pelos americanos atualmente – e o que vem dominando a indústria. 

É Drake, que conseguiu mesclar o rap com sua sensibilidade R&B/pop (e que se não fosse ele não haveria Post Malone, por exemplo); Cardi B com o álbum mais pop do ano (porque trap é pop); a trilha sonora de “Black Panther” que é mais um triunfo do poeta do rap Kendrick Lamar; bem como a consagração de Janelle Monaé como artista pop (num sentido mais amplo) completa, entre soul, funk e R&B; e as tendências de R&B alternativo e contemporâneo da novata H.E.R. . Ou seja, a pressão por mudanças e a diversidade da bancada fizeram efeito.

Ter oito indicados amplia muito mais as perspectivas e oferece oportunidades para músicas e artistas em evolução se apresentarem (que agrado – e que surpresa – ver “In My Blood” em SOTY, um letrão mostrando a maturidade artística de um menino como Shawn Mendes); músicas meio out-of-the-box se destacarem (“This Is America”, por exemplo), assim como quem está ou virou nicho se impor pela força de uma boa música. Afinal de contas, pop hoje é nicho, e “Shallow” é a principal representante, solitária e classuda, desse nicho. Que retorno de Lady Gaga!

(e Bradley Cooper pode ganhar um Grammy antes de muita gente. RAPAZ…)

Nos fields, onde ficam os segredos das vitórias para AOTY, temos surpresas surpreendentes – como “Scorpion” nowhere, a decisão BURRA de submeter a trilha de “Black Panther” em rap que tirou a chance fácil de levar em Álbum para Mídia Visual (e agora o caminho tá livre para “The Greatest Showman”… ou talvez um certo Mercenário Tagarela?) e Janelle Monaé também não apareceu em Urban Contemporary. 

(Não é querendo alarmar, não, mas as mensagens estão aí. Quem não prestou atenção ao que houve nos últimos anos, tá comendo mosca…)

(pior que nem temos Engenharia de Som, Não-Clássico pra dar a dica)

A propósito, o pop como field voltou a ser divertidíssimo. Pop Solo tá uma disputa acirrada (neste momento, vejo Ariana um pouco à frente); enquanto Melhor Álbum Pop tá bem interessante, e sem favoritos. Já Pop Duo/Group… Meu eu de 10 anos berrou ALTO vendo os Backstreet Boys de volta a um Grammy (os caras já foram indicados no General Field no auge), e a disputa tá deliciosa. “Shallow” tá na frente, eu percebo, mas tem um hit e dois vencedores tradicionais da categoria, que pode bagunçar ainda mais esse coreto. 

Confesso que bati bastante na trave em algumas das minhas considerações (o corte final de Pop Duo/Grupo hahaha) mas tem algumas coisas que falo com tranquilidade /choquedecultura : eu disse – acho que foi uma jogada bem ruim a gravadora da Ariana ter submetido “God is a Woman” em Record e “No Tears Left to Cry” em Song (e acho que GIAW poderia disputar vaga com “In My Blood”, que não fechou no field). Além disso, tinha deixado “Shallow” nos wildcards no General Field, mas estou feliz que uma das minhas suspeitas, a fofíssima “Boo’d Up”, entrou em SOTY, renovando ainda mais a tendência da Academia em prestar atenção aos novatos. Acho a disputa de Song ainda mais acirrada que a deste ano.

No geral, as mudanças que a Academia promoveu trouxeram mais do que uma bem-vinda diversidade nos nomes,  em ter mais mulheres entre indicadas e um Grammy que não é white male. Ampliou-se os horizontes até mesmo em idade (ver Kelly, Xtina, P!nk indicadas, com todo o ageism imposto na carreira delas, é muito legal) e nas sonoridades e imagens que são consumidas pelo público (vocês viram o “Love Yourself: Tear” do BTS indicado em Melhor Encarte?). Para não perder a relevância, o Grammy precisou olhar realmente para si, seus erros e olhar o mundo lá fora, entendê-lo para tentar reproduzi-lo em suas indicações. 

Esperamos que tenha feito a coisa certa quando saírem os envelopes.

Some bullet points:

  • … Mas “Rockstar” não foi lançado em Setembro de 2017? O que tá fazendo sendo indicado a tudo quanto é coisa quando o período de elegibilidade é entre 1º de Outubro de 2017 e 30 de Setembro de 2018?
  • O pop nichou tanto que não temos representantes puramente pop no corte final. Eu apostava em “reputation” pela brand Taylor Swift, mas faz sentido o álbum ter ficado de fora.
  • Nicki Minaj não conseguiu UMA indicação pelo “Queen”. O álbum foi muito mal divulgado e o conceito vendido de forma errônea, infelizmente.
  • Os Carters ficaram restritos ao nicho mesmo; assim como Ed Sheeran nem foi lembrado por “Perfect Duet”. Academia é canceriana, gente; não esquece. Só deve ter perdoado Drake por causa do sucesso massivo do “Scorpion”. E Timberlake pelo combo música REALMENTE boa + Chris Stapleton.
  • Mac Miller teve uma indicação póstuma 😥 
  • E Ryan Reynolds também é um indicado ao Grammy. Pela trilha de “Deadpool 2”. 2018.

E você? O que achou da lista de indicados, suspeitas e esnobadas da Academia? Fique à vontade para comentar, e logo logo teremos o primeiro vídeo de indicados ao Grammy 2019, sobre Melhor Performance Pop Solo. Até lá!

A cheesy playlist para hiperbólicos apaixonados

Eu não sou uma pessoa irremediavelmente romântica, mas sempre curti umas baladas sofrimento-dor-de-corno até pra cantar junto e ter repertório para o karaokê. Como vocês já sabem que boa parte da minha vida eu fiquei ouvindo apenas músicas dos anos 80 para trás, um pedaço da formação musical que eu tenho está associado a essas canções, à dor das letras e a delícia das interpretações chorosas e melodramáticas.

Pensando nisso (e inspirada numa ótima playlist do Spotify chamada Cheesy and Overly Romantic), decidi escrever um post com as minhas músicas românticas favoritas de ontem, hoje e sempre. Ou seja, deu pra achar cafonada BOA da década de 2000 pra cá!

Segue o pulo!

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Será que existe mesmo a “maldição do quarto álbum”?

Fazer sucesso é um desafio que não começa só quando você lança o CD ou sai em tour. Às vezes, você não passa nem do primeiro single, ou é one-album wonder; mas geralmente pra chegar lá, é um percurso em que você precisa saber quem é musicalmente, ser inteligente, ouvir os mais experientes; e talvez engolir muito sapo (quer dizer, engolir as exigências da gravadora) até ter liberdade para ser “você” como artista.

Geralmente, quando o artista passa do primeiro CD, o segundo álbum é o desafio de mostrar que tem fôlego para resistir aos tubarões da indústria. Já o terceiro CD é, no geral, uma continuidade do sucesso e sedimentação do artista, que às vezes assume alguns riscos, mas nunca sem sair de sua zona de conforto. O quarto álbum, por sua vez, acontece num momento em que o artista, confortável com sua posição, decide que é hora de fazer algo “diferente”.

E é aí que ocorre a merda…

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Design de um Top 10 [39] Só voltei porque alguma coisa mudou

 

É isso mesmo que está no título do texto: eu só voltei com o top 10 porque pelo menos alguma coisa se mexeu nesse chart, que anda bem chato de acompanhar desde que Drake decidiu que 2018 seria o ano de sua total dominância. 

Desde janeiro, nenhuma música pop chega ao topo da Billboard, e exceto por Camila Cabello com “Havana”, lá no começo do ano, apenas rappers dominaram o topo da Billboard. Mais flagrante ainda: apenas homens chegaram ao primeiro lugar, até mesmo pessoas que já morreram (XXXTentacion), enquanto a outra pessoa que parece entrar de intrusa nessa história é seguramente a grande revelação de 2017-18, Cardi B.

A rapper do Bronx já tinha emplacado o segundo #1, o hit latino “I Like It”; e seu featuring na tenebrosa “Girls Like You”, do Maroon 5, já estava garantindo Belcalis com mais um top 10 na conta. No entanto, a faixa vinha sólida especialmente nas rádios (e o vídeo repleto de estrelas já tinha dado tração à música nos charts), por isso, o #1 foi só uma questão de tempo. O terceiro para Cardi, que acumula números expressivos para uma novata (qualquer novata,  não importando o field); e mais um topo para Adam Levine e sua turma, que sempre arrancam um hit para manter a relevância desde que optaram por vender a criatividade que tinham para os produtores da moda.

(digo isso com a tranquilidade de quem viu os caras duas vezes ao vivo e dizer que as músicas que melhor funcionam são as das antigas)

Hora de conferir mais detalhes sobre essa nova (se bem que não tão nova assim) configuração do Hot 100 com mais uma edição do Design de um Top 10!

Top 10 Billboard Hot 100 (29.09.2018)

#1 Girls Like You – Maroon 5 feat. Cardi B

#2 In My Feelings – Drake

#3 Killshot (NEW) – Eminem

#4 Lucid Dreams –  Juice WRLD

#5 Better Now – Post Malone

#6 I Like It – Cardi B feat J. Balvin and Bad Bunny

#7 I Love It – Lil Pump feat. Kanye West

#8 FEFE – 6ix9ine feat. Nicki Minaj and Murda Beatz

#9 SICKO MODE – Travis Scott

#10 Youngblood – 5 Seconds Of Summer

Enquanto “Girls Like You” foi ganhando força aos poucos (e com a rapper do momento fazendo aquele verso rápido a coisa fica mais fácil em certas rádios), “Killshot” do Eminem conseguiu a terceira posição no Hot 100 APENAS com o YouTube. Uma diss contra outro rapper, Machine Gun Kelly, que respondera com uma diss à outra diss de Eminem, contida no novo álbum do veterano, “Kamikaze” (haja diss!), o sucesso da faixa – que literalmente viralizou, tem não apenas o dedo da instantaneidade do feud, mas também o poder que Eminem ainda tem no inconsciente coletivo. Mas nem todo mundo pode fazer esse tipo de artifício usando o YouTube; só quem tem uma base de fãs forte o suficiente e relevância no mercado consegue um resultado desse tipo sem a ajuda de outras plataformas

Quem chegou ao décimo lugar foram os australianos do 5 Seconds of Summer com a faixa “Youngblood”, consideravelmente mais adulta e mais interessante que qualquer coisa que eles tenham lançado na época em que vendiam os meninos como uma versão “rockeira” do One Direction (vocês se lembram disso? Pois é). A música é bem bacana, e com um refrão forte e marcante, sintetizado – aliás, é o primeiro top 10 do grupo, que tinha chegado mais perto em 2014, na posição 16. 

(aliás, eu sempre achei esse nome de banda com cara de “one hit wonder”, mas aparentemente eles construíram uma carreira bem sólida, são três álbuns lançados em #1 na Billboard 200, isso é para poucos)

Por último, mas não menos importante, o topo de “Girls Like You“, talvez uma das piores músicas já concebidas, lançadas como single e que chegaram ao primeiro lugar nos charts; que com certeza teve o apoio massivo das rádios, que sempre estão ávidos por algum single do Maroon 5 – tanto que são nove semanas em #1 no chart da plataforma, enquanto a faixa já começa a cair no digital e no streaming. Ou seja, era a hora certa da faixa chegar ao topo. O quarto #1 do M5 é a mostra da longevidade da banda, que chega ao fim da segunda década de sucesso e apelo crossover, que será fortalecido ainda mais com o Halftime Show do SuperBowl ano que vem, a ser realizado em Atlanta. Já Cardi… Bem, o céu é o limite para Belcalis – quer dizer, as indicações do Grammy que a rapper facilmente receberá em vários fields são o céu (e com chances reais de vitória, o que tornaria sua ascensão o conto-de-fadas perfeito).

E você? O que achou do top 10 do Hot 100 desta semana? Deixe suas considerações nos comentários!