Grammy 2021 [2] Gravação e Canção do Ano

Este vídeo foi gravado um dia antes da aprovação da Coronavac, mas os desejos de vacina pra todo mundo em 2021 prosseguem!

Em mais um vídeo sobre os indicados ao Grammy 2021, falamos um pouco sobre os indicados no General Field – Canção e Gravação do Ano – discutindo prováveis vencedores, a “síndrome do Logic”, a importância do Grammy não fazer mais besteiras em 2021 e uma ou outra previsão relacionada ao jogo de xadrez que é ser indicado e levar um Gramofone.

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Grammy 2021 [1] – Pop Field

Eu tinha prometido entregar esse vídeo ontem (19/12) – tanto que até cito a data no vídeo (não ajustei para manter o charme haha) – mas hoje tem vídeo sobre o Grammy!

O papo de hoje é sobre o Pop Field, onde eu comento um pouco sobre os indicados, explicar porque não gostei do cover de “September” feito por Taylor Swift, tento destrinchar o motivo de Justin Bieber não ter sido indicado no field R&B e lanço algumas teorias relacionadas aos prováveis vencedores do Grammy 2021… Ou 22?

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Álbuns Atrasados – Ariana Grande, “Positions” e Miley Cyrus, “Plastic Hearts”

Duas artistas que começaram em posições bem similares – programas de TV destinados ao público adolescente; duas trajetórias de carreira distintas. Solidez, inquietação, identidade forte e uma busca pela identidade.

Ariana Grande e Miley Cyrus estão em momentos diferentes da carreira e lançaram álbuns recentemente, com resultados diversos e temáticas idem. E neste vídeo, sobre álbuns que eu (Marina Teixeira) deveria ter resenhado mais cedo, explico o que mais gostei ou não de “Positions” e “Plastic Hearts”, além de falar um pouco sobre:

– Cansaço x Identidade

– Ser eclético tem limites

– Trilha sonora de loja de departamentos

– E sons de televisão na sala e avião surgindo no meio do vídeo

Apesar de saber que serei muito criticada por este vídeo, espero que gostem!

Eu não entendi nada

Créditos: https://www.grammy.com/grammys/news/2021-grammys-complete-nominees-list

Na verdade, eu ACHO QUE ENTENDI.

Hoje, às 14h horário de Brasília, saíram os indicados ao Grammy 2021 (que acontece dia 31/01/2021) e recebi várias notificações de amigos no meu Twitter dizendo “Marina VEM CÁ” e eu, no trabalho (terça-feira estou presencial no serviço), não sabia o que fazer, e fiquei pensando: “que. porra. tá. acontecendo?”

Bem, 15h eu peguei minha merendinha e fui conferir as notificações.
Enfim, o Grammy cobre um santo e descobre um outro e eu não sei exatamente o que dizer, a não ser que – de que adianta você romper as caixinhas do que é gênero, não ficar conformado a um estilo só, fazer um álbum pop e submeter no lugar devido, quando seu álbum, sua era e seus singles, alguns dos mais aclamados do ano, não estão em lugar algum? Esse é o caso CRIMINOSO do que ocorreu com The Weeknd nesta terça-feira, 24 de novembro.

Porque a minha suspeita é de que os votantes não o consideraram pop, então não aceitaram as indicações. Ou porque ele já estava criticando as mudanças propostas pelo Grammy em relação ao Progressive R&B, mas… Para colocar no lugar o material do Justin Bieber que não teve… Capilaridade alguma?

Ele não é o caso da Janelle Monaé que foi indicada com o “Dirty Computer” sem apoio algum do field (o que nos leva a crer que o próprio comitê não a vê realmente como artista do field); é um artista com serviços prestados, que tem vitórias… Eu confesso que não entendi de verdade, e tivemos dois casos recentes de artistas que fizeram esse jump de um gênero para o outro sem drama – Taylor Swift há quantos anos é indicada a pop desde que fez a transição de carreira (e continua respeitada no country)? Há literalmente dois anos Bruno Mars ganhou uma porrada de Grammys por um álbum que foi indicado no field R&B (e ele é um artista pop). Eu não entendi, e sinceramente a impressão que dá é algo do tipo “olha, vou até te dar um gostinho, um single aqui, uma collab acolá, mas uma era completa dentro do pop? Nah” Nem Lizzo, que tinha um álbum que nunca foi “Urban Contemporary”, foi jogada lá.

Ou seja, se você não se enquadra na caixinha que “eu” (a Academia) quer (e se não calar a boca sobre isso), não garanta as indicações.

Eu tô tão chocada que adianto logo minha única torcida nesse Grammy – BTS com Dynamite, que mesmo nesse ano bizarro, conseguiu romper a barreira e emplacar uma indicação em Pop/Duo (eu comentei hein). O resto que lute.

Agora, vamos às indicações:

Album of the Year
“Chilombo,” Jhené Aiko
“Black Pumas (Deluxe Edition),” Black Pumas
“Everyday Life,” Coldplay
“Djesse Vol. 3,” Jacob Collier
“Women in Music Pt. III,” Haim
“Future Nostalgia,” Dua Lipa
“Hollywood’s Bleeding,” Post Malone
“Folklore,” Taylor Swift

Record of the Year
“Black Parade,” Beyoncé
“Colors,” Black Pumas
“Rockstar,” DaBaby featuring Roddy Ricch
“Say So,” Doja Cat
“Everything I Wanted,” Billie Eilish
“Don’t Start Now,” Dua Lipa
“Circles,” Post Malone
“Savage,” Megan Thee Stallion

Song of the Year
“Black Parade,” (performed by Beyoncé)
“The Box,” (performed by Roddy Ricch)
“Cardigan,” (performed by Taylor Swift)
“Circles,” (performed by Post Malone)
“Don’t Start Now,” (performed by Dua Lipa)
“Everything I Wanted,” (performed by Billie Eilish)
“I Can’t Breathe,” (performed by H.E.R.)
“If the World Was Ending,” (performed by JP Saxe featuring Julia Michaels)

Best New Artist
Ingrid Andress
Phoebe Bridgers
Chika
Noah Cyrus
D Smoke
Doja Cat
Kaytranada
Megan Thee Stallion

Best Pop Vocal Album
“Changes,” Justin Bieber
“Chromatica,” Lady Gaga
“Future Nostalgia,” Dua Lipa
“Fine Line,” Harry Styles
“Folklore,” Taylor Swift

Best Progressive R&B Album
“Chilombo,” Jhené Aiko
“Ungodly Hour,” Chloe X Halle
“Free Nationals,” Free Nationals
__ Yo Feelings,” Robert Glasper
“It Is What It Is,” Thundercat

Best Pop Duo/Group Performance
“Un Dia (One Day),” J Balvin, Dua Lipa, Bad Bunny & Tainy
“Intentions,” Justin Bieber Featuring Quavo
“Dynamite,” BTS
“Rain On Me,” Lady Gaga with Ariana Grande
“Exile,” Taylor Swift Featuring Bon Iver

Best Pop Solo Performance
“Yummy,” Justin Bieber
“Say So,” Doja Cat
“Everything I Wanted,” Billie Eilish
“Don’t Start Now,” Dua Lipa
“Watermelon Sugar,” Harry Styles
“Cardigan,” Taylor Swift

Alguns pontos:

– A categoria de Álbum do Ano está menos pop do que eu imaginava, mas eu confesso que “Chilombo” da Jhené Aiko me pegou de surpresa no GF. Isso posto, como nenhum dos álbuns aqui tem indicações em Engenharia de Som para Álbum Não-Clássico, eu vou ouvir todos com muita calma e não declarar nenhum favorito de cara. (Fiona Apple, que seria meu chute mais óbvio, ficou de fora)

– Em Gravação do Ano, Beyoncé atualmente é indicada por ser “Beyoncé”, nada mais. Não me surpreenderia se Billie levasse, já que ela virou realmente queridinha pela Academia. Confesso que quanto mais eu a ouço, menos me dá vontade de ouvi-la.

– Já em Canção do Ano… Eu disse que H.E.R entraria em algum lugar, o Grammy venera essa mulher.

– No pop field, minha observação é o fato de que Justin Bieber está chateado (e comentou no Instagram) sobre o fato de “Changes” não ter sido indicado a Álbum de R&B, porque para ele, é um álbum de R&B. Amigo… Terei que invocar novamente o nome de Bruno Mars para indicar a este rapaz de que forma você faz um álbum de R&B e “se vende” como um act do gênero.

Ah, e estou muito feliz mesmo pelos meninos do BTS. Por mais que a gente questione as escolhas do Grammy, uma indicação pela música (e não pela capa do álbum) é importante para sedimentar o kpop como um gênero respeitado dentro da música americana, que é extremamente insular e poderia tratar o som como modinha. Torço de verdade por eles.

Tem mais: é uma indicação que podemos considerar como histórica, e nem podemos celebrar como devido por causa dessa BAGUNÇA armada pelo Grammy.

Sem mais delongas, como o Grammy será muito em cima, pensei em produzir três vídeos – o primeiro, sobre o pop field, que será publicado dia 19/12 (longe demais, Marina, mas será sobre TODO o field haha). Já o segundo é sobre as categorias de Canção e Gravação do Ano; e o último será sobre o Álbum do Ano.

Garanto que serão vídeos bem amargos hahaha E vocês, o que acharam dessas indicações? Podem comentar à vontade!

Tô ficando velha.

Falando de Grammy 2021 [2]

Após o Goldderby revelar as submissões dos artistas e gravadoras para o Grammy 2021, é hora de verificar se o nosso exercício de futurologia faz algum sentido – e provavelmente teremos surpresas bem interessantes chegando…

No segundo vídeo sobre o assunto, voltando a comentar sobre os possíveis indicados ao Grammy (focando sempre no pop field e general field, mas falando um pouquinho sobre a turma do R&B), falaremos sobre o mar de possibilidades no pop, a chance do kpop finalmente ser indicado, como a categoria de Engenharia de Som Não-Clássico pode ser um definidor de vencedores e ainda tem merchan literário!

Dê play e aproveite!

MUITO DIFÍCIL ARIANA GRANDE ERRAR EM UM LEAD

(e não foi dessa vez que ela errou…)

Se tem uma artista que sabe escolher leads, essa pessoa é Ariana Grande. Desde que surpreendeu a todos com um pop/R&B cheio de personalidade em “The Way“, ela fugiu do pop/rock e dance que as colegas saídas de programas de TV juvenis na mesma época adotavam. Um diferencial, além de trabalhar com nomes fortes desde o começo da carreira (não é qualquer uma que já tem BABYFACE produzindo pra você no debut), que fez com que a carreira dela sempre fosse vista de uma maneira mais cuidadosa em relação a outras estrelas da mesma geração.


Com leads que vão mais ou menos na mesma proposta do som que Ariana sempre demonstrou ter mais simpatia e identificação (“Problem“, “Dangerous Woman“, e mesmo as pops “No Tears Left to Cry” e “Thank U Next” eram a embalagem de álbuns com influência pop e R&B), não é de se surpreender que o novo single da moça, “Positions“, do novo álbum que será lançado nesta semana (30/10, gente rápida é assim) tenha a mesma linha. No entanto, Ariana sempre se mantém fresh, nunca errando em seus leads (mesmo que eu particularmente não seja a maior fã de “Thank U, Next”, o fato é que não tem outra faixa por ali que seja abertura de era com a mesma habilidade que esta), especialmente quando o novo single é tão gostoso de ouvir, mantendo o ar comercial ao mesmo tempo que sendo muito bem feito e produzido.

Com uma levada anos 2000 (até fui caçar se tinha produção de Stargate) e uma certa dose de atualidade com o delivery mais trap, tem guitarrinha na levada e até violino, indicando que provavelmente a nostalgia continua (gente, 2000 tem 20 ANOS), mas com um toque bem moderno, onde nostalgia é apenas uma doce memória.

A letra é fácil e o refrão é grudento até cansar, na terceira ouvida você já canta fácil “switching the positions for you” – e a duração curtinha tem um objetivo: STREAMS, porque se tem alguém fora do rap que entende perfeitamente o que é lançar música atualmente… Ariana Grande lê muito bem o mercado, mas consegue ao mesmo tempo produzir músicas BOAS de verdade sem comprometer sua própria personalidade. Aliás, eu deveria parar de me impressionar em como ela é uma artista incrível, mas não consigo. Ariana está chegando ao SEXTO álbum, e não há mostras de que o material lançado desde o primeiro CD tenha algum momento que caiu para subir. Ela vai melhorando, moldando o som e sendo mais ousada em suas escolhas artísticas e escolha de produtores (“Sweetener” é o maior exemplo disso) mesmo dentro do estilo que ela gosta; e existe a busca por subir, crescer e melhorar. Imagina o que tem no álbum…

No geral, “Positions” já é uma das melhores músicas do ano – e o ano foi repleto de ótimas faixas, e vou adiantando que isso aqui é lock em Pop Solo no Grammy haha

Ariana Grande imagines life in the White House in 'Positions' video - CNN

A única coisa que eu realmente não curti do lançamento foi o vídeo, dirigido por Dave Meyers, que já virou o novo parceiro artístico de Ariana. Produção boa, elementos técnicos ok, mas eu esperava um vídeo mais literal, de acordo com a música. Sério, algo que fosse sexy e romântico, Netflix and chill, e a música merecia algo assim, e não algo apenas divertido. Tanto que eu prefiro ouvir a faixa e não ver o vídeo – e olha que não tenho muito problema em vídeos que não conversam com a letra da música, mas a produção é tão gostosa, orgânica, que o vídeo poderia acompanhar esse espírito… Mas enfim, opinião pessoal (e que provavelmente não deve ser lá muito popular)… e vocês?

O que acharam do novo single de Ariana?

Que saudade da Cardi!

Cardi B é sempre um evento – não apenas por suas músicas serem viciantes, personalidade magnética, visuais incríveis nos vídeos e todos os momentos virais que ela acaba proporcionando nas redes sociais. Ela sabe como agregar amor e ódio na mesma medida, mas possui uma leveza absurda que a torna identificável. Seus dilemas, rants, os papos, até os live-tweets dela acompanhando novelas turcas são os nossos dilemas, e por isso ela atrai a atenção de tanta gente, não importando a idade.

Após dois anos mágicos, com #1, top 10, parcerias de impacto, polêmicas, casamento, uma filha (a fofíssima Kulture) e um Grammy (o primeiro de Álbum Rap para uma rapper feminina em um álbum solo), Belcalis finalmente está de volta com o lead single “WAP” (sigla para Wet Ass Pussy) com a participação de uma das rappers mais hypadas dos últimos anos, Megan Thee Stallion. A música foi lançada na sexta-feira (07) e logo chegou às primeiras posições nos charts e já gerou memes, discussões sobre “por que Kylie Jenner e Rosalía estão no vídeo”, parlamentares republicanos xingando muito no Twitter e muita gente, mas muita gente mesmo, celebrando duas mulheres falando abertamente sobre sexo – com poder, diversão e metáforas deliciosas.

Sim, eu AMEI “WAP”, é a música pro verão americano se não houvesse uma pandemia. Além do uso de sample genial (ouça “Whores in this House” de Frank Ski e entenda), a música tem um tema direto: basicamente “se você quer me fazer gozar, tem que trabalhar”, e fica bem explícito em momentos como “Bring a bucket and a mop for this wet-ass pussy”, “I want you to park that big Mack truck right in this little garage” (SOCORRO!), “He bought a phone just for pictures of this wet-ass pussy”, “I want you to touch that lil’ dangly thing that swing in the back of my throat” e “When I ride the dick, I’ma spell my name”.

Direto, reto, sem muita enrolação e colocando como prioridade a vontade e o prazer delas, Cardi e Megan mostram não apenas habilidade lírica como também um delicioso senso de humor. Megan quase rouba a cena como featuring (o delivery rápido dela é uma metralhadora), mas os versos de Belcalis tem a impressão digital dela, o que mostra que neste período, ela não mudou seu jeito para agradar o grande público.

Com divisão boa de versos e batidão gostoso, uma coisa que me deixou muito orgulhosa na produção (dividida entre Ayo The Producer e Keyz, que produziram “Bickhenhead” da própria Cardi) é que tem sim uma certa sensibilidade radiofônica, mas sem perder a essência rap da faixa, nem fazer concessões. É uma sutileza que torna a faixa grandiosa, mesmo que “WAP” não seja essencialmente uma superprodução. É até equilibrada e discreta em sua batida. Uma delícia.

Agora, vamos ao vídeo!

Apesar da versão usada no clipe dirigido por Collin Tilley ser a clean (que é decididamente muito ruim em relação ao brilhantismo da original), o vídeo é sensacional. Colorido, com looks, excesso, coreografias, levou a ideia de “There are some whores in this house” para um novo nível; e se você não entendeu porque sai água por baixo da porta da casa… Então…

Com direito a cameos famosos e visuais de estilistas , o vídeo de “WAP” traz algo que há muito tempo os ouvintes de pop americano estão buscando nos artistas errados. É uma opinião que pode gerar polêmica, mas vi no Twitter e concordei plenamente – quem está trazendo coreografia (bem realizada), referências pop, visuais e looks com potencial de serem icônicos são as rappers. Cardi, Megan, Nicki antes delas, Doja; ver os clipes delas é nunca esperar por menos. Você percebe que tem PRODUÇÃO, cuidado, escolha de figurino, os melhores diretores, referências legais que podem ser discutidas no dia seguinte à exaustão, acompanhadas de músicas que são viciantes de verdade.

E isso não é de hoje. Não surgiu em 2020. Hora de assumir que quem está empurrando e desafiando, quem está rompendo as barreiras no espectro pop não faz música pop. É o caso de Cardi, que desde “Bodak Yellow” só vem subindo o nível de suas produções, nunca considerando o último vídeo o suficiente. Os fãs e a indústria agradecem.

Ah, e sobre a minha preocupação a respeito dos protocolos de segurança contra a COVID para gravação do vídeo: pelo que andei lendo, foram realizados testes diários com a equipe responsável, além de, em algumas fotos divulgadas nas redes sociais, aparecer a equipe com máscaras e até plástico nos sapatos. Bem, não é exatamente distanciamento social, mas o tipo de testes e o cuidado durante a gravação deve ter sido bem maior do que o normal – é o que eu espero.

(mesmo assim, não façam isso em casa, pelo amor de Deus! Lavem as mãos e higienizem com álcool em gel!)

E vocês, o que acharam da música e vídeo para “WAP”? Fiquem à vontade para comentar!

hora de incluir “folklore” na sua playlist da quarentena

(post em lowercase porque vamos seguir o tema)

eu já comentei anteriormente sobre álbuns que parecem feitos para encarar o caos que se tornou 2020 (veja aqui) e como estamos em meio a um cenário pós-apocalíptico que nos incentiva às vezes a esquecer os problemas e nos dá o direito de nos alienar por alguns instantes. no entanto, às vezes é importante nos dar outro direito: o de lamber as feridas, de sofrer, nos enlutar, de relembrar o passado, de buscar conforto na nostalgia, de procurar nas memórias mais felizes o caminho para o amadurecimento pessoal, a fim de encarar a merda do dia seguinte.

mas este período em questão, para quem é artista ou trabalha com conteúdo, também se converteu em concentração, inspiração e uso da criatividade como válvula de escape. como escritora, nunca produzi tanto no wattpad (e olha quantos vídeos eu fiz para o canal). taylor swift, por sua vez (meu pai eterno, eu me comparando à taylor swift) optou por lançar um cd despindo-se de superprodução, focando em storytelling e imagens construídas na mente – cinematográficas – além de maturidade na caneta. e quando taylor swift senta para escrever, senta que lá vem história.

folklore“, o oitavo álbum em sua discografia, é espetacular – provavelmente seu melhor trabalho, após momentos irregulares de sua trajetória com o “reputation” e o “lover”, mostra não apenas uma artista consciente de sua capacidade e elasticidade sonora e lírica, como também é uma prova de pico criativo. álbum que sai da caixa pop (e sai mesmo, não é fácil achar singles prontos para as rádios aqui) e trabalha com pouquíssimos produtores e compositores (incluindo o já cansado jack antonoff) num clima mais indie-pop e folk, taylor também brinca com a própria voz, com tapeçarias e camadas que fazem desse trabalho também bastante cuidadoso.

e, para minha surpresa, 16 músicas que não são fillers.

“folklore” me lembra muito um álbum famoso lançado em 2015, o “25” da adele – não em som, evidentemente, mas no sentimento evocativo, de memória. ouvir as músicas desse álbum é navegar em memórias, histórias de outras pessoas (já que taylor canta sobre “personagens”, pessoas criadas para conduzir as canções) que parecem nossas, mesmo que não tenhamos vivido. faixas como “the 1”, “seven”, “this is me trying” são histórias que, mesmo não sendo necessariamente contadas no pretérito, parecem contar dilemas e tramas que se passam em algum ponto lá atrás, seja um ponto em que não precisávamos andar de máscara na rua, ou uma parte da nossa infância onde tudo era grande, imenso, mas as rachaduras estavam lá, só não reparávamos. é um álbum bastante próprio para quem chega aos 30, porque é a fase em que a “vida adulta” chega de verdade – com suas conquistas, arrependimentos e esperanças, e é curioso como uma das melhores faixas do álbum, “invisible string”, reflita tanto essa timeline de tropeços e acertos que nos leva ao caminho da maturidade e da reflexão.

em outras faixas, como a primorosa “mirrorball”, essa “memória” é mais sonora – me lembrou muito faixas de pop dos anos 70, com a voz da taylor tendo como backing vocal a própria taylor, num delicioso exemplo de tapeçaria vocal que eu adoro.

claro que o clima de memórias não seria possível se o trabalho de taylor como storyteller não estivesse tinindo. no auge de sua capacidade como compositora, dividindo a pena com um compositor ou sozinha (como em “my tears ricochet”, visivelmente inspirada no b.o. dela com o ex-chefe da gravadora big machine), taylor foca em contar histórias dos seus personagens (os adolescentes apaixonados do “teenage love triangle”, que delicado!, o que é “betty”?; a mulher considerada “maluca” de “mad woman”, a mulher presa em um relacionamento abusivo de “hoax”) e são muito bem realizadas e bonitas.

isso só é possível porque aqui, a melodia – com muitos instrumentos de corda, pouco peso em baterias e outros instrumentos de percussão, ausência da produção carregada de álbuns anteriores – está a serviço da letra, e não o contrário. existem álbuns em que o contrário se aplica, e são bons do mesmo jeito, quando isso é feito de maneira deliberada. o problema ocorre quando a melodia se sobrepõe à letra de tal forma que ela eclipsa a beleza dos versos; e em “folklore”, a escolha por uma abordagem mais indie pop, com influência do folk, ajuda bastante a entendermos e viajarmos em cada história contada.

melodia aqui é importante, mas a letra é mais. e por isso, a melodia serve aos interesses da história. como se fosse a trilha sonora de um filme que você acha que viu antes, mas desta vez você vai gostar do final 😉

“folklore” é um dos melhores lançamentos de um artista mainstream de 2020 e acho que é a conclusão mais óbvia que se pode chegar. é fascinante ver uma artista que encontrou seu pico criativo fazendo algo bacana sem ser trend chaser (que foi uma crítica minha quando resenhei “reputation“), e sim seguindo o próprio fluxo, fazendo o que gosta e confortável com o próprio som. você vê que taylor não tá lutando com a música que tá fazendo.

se estamos discutindo aqui desde sei lá quando o atual estado do pop, onde o gênero não é mais “o gênero” e quem está trabalhando nele precisa ou lutar contra a maré ou surfar junto com a onda, estamos enxergando vários caminhos propostos – mas nunca levamos em consideração um percurso bem importante: não fazer nem um nem outro. talvez seguir os próprios instintos e se deixar levar pela própria criatividade, enxergar o mundo lá fora nem que seja de uma janela e não se preocupar tanto com sua posição dentro do zeitgeitst. e acho que taylor, em seu pico criativo, também pensou nisso.

oras, ela é uma das maiores artistas pop de seu tempo, com uma fã-base fiel e alguns clássicos recentes em sua discografia. neste momento da carreira, ela pode não querer atingir um público que talvez não esteja tão interessado mais nela, ou que ela não tenha mais tanto interesse em atingir. “folklore” é o resultado de maturidade, reflexão e criatividade afloradas, e o resultado é excepcional.

Falando do Grammy 2021 [1]

Vocês achavam que não ia rolar exercício de futurologia?

SURPRESA! Hoje é dia de falar sobre as previsões do Grammy 2021, que terão um período de elegibilidade mais longo e a possibilidade maior do seu fave ser indicado… Ou não, tudo depende de como ele vai submeter e se o comitê vai aceitar.
No vídeo de hoje, tendo a chuva como BG, vamos falar de:

  • Dois (não três) novatos que podem aparecer em mais categorias que apenas o de Artista Revelação
  • Quem pode aparecer no pop field
  • Narrativas fortes (e necessárias) dentro do pop mainstream
  • E dois CDs no fundo do cenário, porque sou Millennial velha e comprei CDs na adolescência hahah

Aproveitem o vídeo e por favor, saiam de casa somente se necessário!

O problema com a mudança no Grammy de “Urban Contemporary” para “Progressive R&B”

O Grammy fez uma importante mudança nas últimas semanas no nome de uma de suas categorias: o prêmio de álbum de Urban Contemporâneo se transformou em R&B Progressivo, e neste vídeo, vamos explicar que nomes são irrelevantes. Por quê?

– O urban como formato de rádio, e depois gênero musical;

– Por que juntar artistas que não conversam entre si num gênero “genérico”?

– Quatro minutos de áudio baixinho porque meu celular já tá pedindo adeus;

– E por que mudar para R&B progressivo e nada é a mesma coisa

As respostas você encontra neste vídeo, dê play e descubra!