Eu não entendi nada

Créditos: https://www.grammy.com/grammys/news/2021-grammys-complete-nominees-list

Na verdade, eu ACHO QUE ENTENDI.

Hoje, às 14h horário de Brasília, saíram os indicados ao Grammy 2021 (que acontece dia 31/01/2021) e recebi várias notificações de amigos no meu Twitter dizendo “Marina VEM CÁ” e eu, no trabalho (terça-feira estou presencial no serviço), não sabia o que fazer, e fiquei pensando: “que. porra. tá. acontecendo?”

Bem, 15h eu peguei minha merendinha e fui conferir as notificações.
Enfim, o Grammy cobre um santo e descobre um outro e eu não sei exatamente o que dizer, a não ser que – de que adianta você romper as caixinhas do que é gênero, não ficar conformado a um estilo só, fazer um álbum pop e submeter no lugar devido, quando seu álbum, sua era e seus singles, alguns dos mais aclamados do ano, não estão em lugar algum? Esse é o caso CRIMINOSO do que ocorreu com The Weeknd nesta terça-feira, 24 de novembro.

Porque a minha suspeita é de que os votantes não o consideraram pop, então não aceitaram as indicações. Ou porque ele já estava criticando as mudanças propostas pelo Grammy em relação ao Progressive R&B, mas… Para colocar no lugar o material do Justin Bieber que não teve… Capilaridade alguma?

Ele não é o caso da Janelle Monaé que foi indicada com o “Dirty Computer” sem apoio algum do field (o que nos leva a crer que o próprio comitê não a vê realmente como artista do field); é um artista com serviços prestados, que tem vitórias… Eu confesso que não entendi de verdade, e tivemos dois casos recentes de artistas que fizeram esse jump de um gênero para o outro sem drama – Taylor Swift há quantos anos é indicada a pop desde que fez a transição de carreira (e continua respeitada no country)? Há literalmente dois anos Bruno Mars ganhou uma porrada de Grammys por um álbum que foi indicado no field R&B (e ele é um artista pop). Eu não entendi, e sinceramente a impressão que dá é algo do tipo “olha, vou até te dar um gostinho, um single aqui, uma collab acolá, mas uma era completa dentro do pop? Nah” Nem Lizzo, que tinha um álbum que nunca foi “Urban Contemporary”, foi jogada lá.

Ou seja, se você não se enquadra na caixinha que “eu” (a Academia) quer (e se não calar a boca sobre isso), não garanta as indicações.

Eu tô tão chocada que adianto logo minha única torcida nesse Grammy – BTS com Dynamite, que mesmo nesse ano bizarro, conseguiu romper a barreira e emplacar uma indicação em Pop/Duo (eu comentei hein). O resto que lute.

Agora, vamos às indicações:

Album of the Year
“Chilombo,” Jhené Aiko
“Black Pumas (Deluxe Edition),” Black Pumas
“Everyday Life,” Coldplay
“Djesse Vol. 3,” Jacob Collier
“Women in Music Pt. III,” Haim
“Future Nostalgia,” Dua Lipa
“Hollywood’s Bleeding,” Post Malone
“Folklore,” Taylor Swift

Record of the Year
“Black Parade,” Beyoncé
“Colors,” Black Pumas
“Rockstar,” DaBaby featuring Roddy Ricch
“Say So,” Doja Cat
“Everything I Wanted,” Billie Eilish
“Don’t Start Now,” Dua Lipa
“Circles,” Post Malone
“Savage,” Megan Thee Stallion

Song of the Year
“Black Parade,” (performed by Beyoncé)
“The Box,” (performed by Roddy Ricch)
“Cardigan,” (performed by Taylor Swift)
“Circles,” (performed by Post Malone)
“Don’t Start Now,” (performed by Dua Lipa)
“Everything I Wanted,” (performed by Billie Eilish)
“I Can’t Breathe,” (performed by H.E.R.)
“If the World Was Ending,” (performed by JP Saxe featuring Julia Michaels)

Best New Artist
Ingrid Andress
Phoebe Bridgers
Chika
Noah Cyrus
D Smoke
Doja Cat
Kaytranada
Megan Thee Stallion

Best Pop Vocal Album
“Changes,” Justin Bieber
“Chromatica,” Lady Gaga
“Future Nostalgia,” Dua Lipa
“Fine Line,” Harry Styles
“Folklore,” Taylor Swift

Best Progressive R&B Album
“Chilombo,” Jhené Aiko
“Ungodly Hour,” Chloe X Halle
“Free Nationals,” Free Nationals
__ Yo Feelings,” Robert Glasper
“It Is What It Is,” Thundercat

Best Pop Duo/Group Performance
“Un Dia (One Day),” J Balvin, Dua Lipa, Bad Bunny & Tainy
“Intentions,” Justin Bieber Featuring Quavo
“Dynamite,” BTS
“Rain On Me,” Lady Gaga with Ariana Grande
“Exile,” Taylor Swift Featuring Bon Iver

Best Pop Solo Performance
“Yummy,” Justin Bieber
“Say So,” Doja Cat
“Everything I Wanted,” Billie Eilish
“Don’t Start Now,” Dua Lipa
“Watermelon Sugar,” Harry Styles
“Cardigan,” Taylor Swift

Alguns pontos:

– A categoria de Álbum do Ano está menos pop do que eu imaginava, mas eu confesso que “Chilombo” da Jhené Aiko me pegou de surpresa no GF. Isso posto, como nenhum dos álbuns aqui tem indicações em Engenharia de Som para Álbum Não-Clássico, eu vou ouvir todos com muita calma e não declarar nenhum favorito de cara. (Fiona Apple, que seria meu chute mais óbvio, ficou de fora)

– Em Gravação do Ano, Beyoncé atualmente é indicada por ser “Beyoncé”, nada mais. Não me surpreenderia se Billie levasse, já que ela virou realmente queridinha pela Academia. Confesso que quanto mais eu a ouço, menos me dá vontade de ouvi-la.

– Já em Canção do Ano… Eu disse que H.E.R entraria em algum lugar, o Grammy venera essa mulher.

– No pop field, minha observação é o fato de que Justin Bieber está chateado (e comentou no Instagram) sobre o fato de “Changes” não ter sido indicado a Álbum de R&B, porque para ele, é um álbum de R&B. Amigo… Terei que invocar novamente o nome de Bruno Mars para indicar a este rapaz de que forma você faz um álbum de R&B e “se vende” como um act do gênero.

Ah, e estou muito feliz mesmo pelos meninos do BTS. Por mais que a gente questione as escolhas do Grammy, uma indicação pela música (e não pela capa do álbum) é importante para sedimentar o kpop como um gênero respeitado dentro da música americana, que é extremamente insular e poderia tratar o som como modinha. Torço de verdade por eles.

Tem mais: é uma indicação que podemos considerar como histórica, e nem podemos celebrar como devido por causa dessa BAGUNÇA armada pelo Grammy.

Sem mais delongas, como o Grammy será muito em cima, pensei em produzir três vídeos – o primeiro, sobre o pop field, que será publicado dia 19/12 (longe demais, Marina, mas será sobre TODO o field haha). Já o segundo é sobre as categorias de Canção e Gravação do Ano; e o último será sobre o Álbum do Ano.

Garanto que serão vídeos bem amargos hahaha E vocês, o que acharam dessas indicações? Podem comentar à vontade!

Tô ficando velha.

3 comentários sobre “Eu não entendi nada

  1. Marina, minha teoria era que o Grammy, sob recusa de dialogar com o zeitgeist sociopolítico – cedendo às pressões externas por maior igualdade racial – e de lidar com a questão estrutural urgente da barreira de gêneros que o AH pontuava, decidiu que o iminente sweep do Abel seria uma possibilidade inviável na maior etnocracia do mundo. Por isso, a solução mais eficiente seria instrumentalizar o material de artistas negros a favor das engrenagens racistas da premiação, vetando o Abel, ao mesmo tempo que Beyoncé e H.E.R. fariam o corte final com suas canções de denúncia social. Contudo, considerando os parâmetros do Grammy, esse switch só seria aceitável por elas não apresentarem um material tão competitivo quanto o dele; cumprir o requisito da “cota woke” já seria uma vitória, pois não haveria chances reais de levarem os prêmios principais com músicas que, embora aclamadas, faltaram em impacto e números.

    Embora já tenha sido revelada a problemática da escolha de Sofia do Abel perante o Grammy e o SB, não consigo deixar de pensar que a premiação só teve a ganhar. Esse cenário de recordação-negra-obrigatória-sem-obrigatoridade-de-reconhecimento se repetiu de maneira muito conveniente e, além disso, agora se concebe o argumento (para eles, tranquilizador) de que o único artista negro competitivo – e ex-favorito – de 2020 não esteve presente por questões meramente internas. Isso faria do The Weeknd um “vencedor simbólico” e, dessa maneira, um GF branco se tornaria uma possibilidade mais palpável.

    Eles, sem dúvida, creem que se livraram de um problemão, enquanto preservam um status quo intacto.

    • Eu acho esse argumento bem pertinente (prefiro “parecer woke” e dar biscoitos pra compensar a esnobada master do que tomar decisões realmente diversas repensando a barreira de gênero musical) como uma possível explicação para a decisão da Academia; só não concordo muito com a história do Superbowl x Grammy porque vários artistas famosos ficaram sem cantar no Grammy no ano em que eram headliners no Superbowl. Acho que é notinha montada de RP para blindar o Grammy, mas mesmo assim, é algo meio petty se for verdade. Não sei se tem a ganhar, porque os jornais e revistas estão questionando (a entrevista na Variety com o novo chefão do Grammy teve a não-resposta mais bizarra do mundo) e eu não sei até que ponto eles “ganharam”. Na verdade, até por questão musical, é uma esnobada sem sentido.

  2. Os Grammys tomaram algum ácido?

    Só porque The Weeknd fez Pop tem que ser indicado ao R&B? É uma estupidez extrema e até chocou todos os Swifties que apostavam na vitória de Blinding Lights em Gravação do Ano. Até eu apostava na indicação e vitória tendo em conta que era a música que representava melhor o período de eligibilidade que passou.

    Quanto às indicações, estou chocado que Álbum do Ano só tem 3 Álbuns indicados no próprio field. Em relação à Taylor Swift, o folklore vai ter muita competição em relação ao Future Nostalgia. Muitos dizem que vai ser Dua vs Taylor, mas não acredito nessa. Aposto até na vitória da Jhene Aiko, porque é possível que Taylor e Dua dividem votos.

    Em relação a Gravação, acho que vai para Dua Lipa com Don’t Start Now ou Megan Thee Stallion e Beyoncé com Savage. Canção acho que vão dar para uma música relacionada com o BLM (I Can’t Breathe, BLACK PARADE).

    Artista Revelação fica entre Doja Cat e Megan Thee Stallion.

    Tou contente pelas indicações do BTS, da Lady Gaga, Beyoncé, entre muitos outros. Por muito que eu acho boa a indicação do BTS, acho que por ser a estreia deles nas nomeações, eles não têm hipóteses mas tão de parabéns por quebrarem a barreira do Grammy em relação ao K-Pop.

    Acho que Taylor leva Pop Vocal, Doja Cat com Say So em Pop Solo e Lady Gaga com Ariana Grande (Rain On Me), porque Rain On Me representa o Pop/Duo de 2020 e em relação à concorrência, acho que Dua teve a indicação filler como a Taylor. Intentions teve indicação esperada de presença. Dynamite mereceu a entrada em comparação com Intentions.

    Senti foi falta de Memories do Maroon 5.

    O que acha das minhas considerações?

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