Conflito de ideias no Grammy 2020 [Previsões]

Fim de década* é algo estranho – é sempre um período em que a cultura, no geral, continua fortemente influenciada pelo zeitgeist, mas mostrando alguns sinais dos tempos que virão. Na música, como parte do discurso cultural, não é diferente: a segunda parte dos anos 2010 deixou para trás a dominância eletropop e focou no crescimento e sedimentação do rap como principal gênero ouvido dentro da cultura pop americana. Entretanto, outros gêneros considerados marginais (no sentido de estarem às margens do discurso oficial), cresceram neste período e se apresentaram como novas alternativas sonoras, reflexos de um mundo cada vez mais plural (mesmo que tantas pessoas neguem essa perspectiva): a música latina – mais precisamente o reggaeton, e a popularização do kpop mostram que há um mundo criativo fora dos limites já convencionais do pop que vinha sendo feito – e jogado para escanteio – nos últimos anos.


Dentro deste contexto de óbvia transição para algo que ainda não sabemos, novos artistas, oriundos de uma geração mais nova e inquieta, tentam ultrapassar as barreiras convencionadas pela própria separação entre gêneros, e isso se tornou a válvula de sobrevivência para um pop ainda tentando se encontrar. Afinal de contas, os ícones pop (Bey, Gaga, Taylor, Rihanna) estão expandindo suas áreas de atuação, os A-Lists de fato se contam nos dedos (Ariana e…?), e quem está chegando lá? Quem tem fôlego suficiente para dar o salto e entrar no panteão pop, dominar o discurso cultural e influenciar outros artistas?

(não incluo nomes masculinos nesse discurso até porque a construção de carreira deles é tão confusa que a mesma pessoa que chama Drake de ícone pode chamar ele de A-List, ou Justin Bieber… Enfim, isso deixaremos para outro papo) 


Por isso, é importante que o Grammy observe essa futura batalha de discursos entre aqueles que chamo de “puristas” – os artistas pop que mesmo mesclando seu som com outros gêneros continuam sendo vistos e lidos como pop stars, até mesmo com uma brand bem pop; e os “integrados” (valeu Eco – peguei o nome mas o conceito não), que usam a brand pop tradicional para desconstruir a ideia de um pop star (ou rock, rap, R&B…) ou simplesmente ignoram essa ideia, visual e musicalmente. 


Depois dessa introdução (que mais parece um TCC), hora de falar do que vocês estavam esperando: o bom e velho exercício de futurologia do Grammy 2020, que neste ano será dia 26/01/2020, e por conta dessa data antecipada, o período de elegibilidade terminou um mês mais cedo para os artistas – 31/08. 

*quando eu falo “fim de década”, é apenas marcação. Eu sei que a década só termina em 2020, e mesmo assim, as influências de uma década anterior ainda prosseguem nos primeiros anos da seguinte

Pop Solo

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Possíveis indicados

“7 Rings – Ariana Grande
“Bad Guy” – Billie Eilish
“Truth Hurts” – Lizzo
“Without Me” – Halsey
“If I Can’t Have You” – Shawn Mendes

(Wildcards: Never Really Over, “You Need to Calm Down, How Do You Sleep, Someone You Loved)

As análises serão baseadas nas submissões feitas pelas gravadoras, e eu realmente não entendi algumas coisas por aqui. Por exemplo, por que a Republic submeteu “You Need to Calm Down” ao invés de “Lover”, uma faixa que tem mais a cara da categoria, se quisessem vender como a “balada elegante da A-list”? Essa é uma categoria de hits, e a vitória de “Joanne” neste ano foi um ponto fora da curva, mas como indicação, essa trend funciona bem. Isso não significa, entretanto, que a vitória é certa; e por isso os artistas e gravadoras devem se guiar pelas estratégias já consagradas.

Desconsiderando essa situação específica (e lembrando sempre que a situação de carreira e exposição da Taylor nessa era não é a mesma de outros anos), esta é uma disputa bastante interessante, onde finalmente podemos ver novos nomes se mesclando entre os indicados, junto a figuras consagradas. Fim de década significa transição, então é fato que teremos nomes novos como a teen Billie Eilish, que provavelmente é lock por “Bad Guy” (já foi mais favorita, mas essa jogada da Atlantic Records em submeter “Truth Hurts” foi GENIAL e pode gerar um Grammy pra Lizzo no processo); bem como a própria Lizzo com uma música de 2017 (e considerando que eu liguei pro DISK GRAMMY e eles me informaram que teoricamente essa situação não era possível de acontecer, a depender das necessidades do field, se essa submissão passar, é a prova de que the devil works hard, but Atlantic works harder), além de figuras em ascensão – como menino Chão, e “If I Can’t Have You” é a cara de Pop Solo; Halsey finalmente sendo vista com “Without Me” (que foi #1), além da A-List Ariana Grande, que me surpreendeu colocando “7 Rings” aqui – mas considerando o período em que ela foi #1 e o fato dessa categoria focar bastante em hits, a escolha faz sentido.

Como as posições de Shawn e Halsey pra mim são as menos sólidas, quem pode dar as caras são: Sam Smith com “How Do You Sleep”, já que ele é um antigo vencedor do field e pode surpreender (lembrando que o novo material tem top 10 na Billboard Hot 100); Lewis Capaldi com “Someone You Loved”, cantor-compositor escocês revelação e a faixa chegou à nona posição no hot 100. Além disso, a Academia adora esse tipo de artista singer-songwriter (e pode esperar muito desse moço em outras indicações); Taylor com “… Calm Down” (se, por exemplo, não houver indicações no General Field, obrigando o Grammy a colocá-la aqui – lembra que fizeram isso com o Ed Sheeran em 2018?); e um pouco mais atrás, talvez meu wishful thinking – já que o Grammy nunca ligou muito pra ela e talvez as indicações eram mais por conta do sucesso, eu queria muito que “Never Really Over” da Katy Perry tivesse uma chance. Deve ser a melhor música da moça em ANOS, e uma real evolução do seu som. De verdade, e é a cara da categoria. Entretanto, pra alguém ser indicado aqui por uma música que não foi um grande hit, a pessoa tem que ter clout (como diria Offset)… E Katy não tem esses “serviços prestados”…

Pop Collaboration

Possíveis indicados

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“Sunflower” – Post Malone, Sway Lee
“Senorita” – Shawn Mendes & Camila Cabello
“Dancing With a Stranger” – Sam Smith feat. Normani
“I Don’t Care” – Ed Sheeran feat. Justin Bieber
“Sucker” – Jonas Brothers

(Wildcards: Me!, Boy With Luv, Old Town Road (Remix))

Essa categoria tem cara de que QUALQUER UM tem chance de vitória, e a possibilidade de surpresas é grande. Os cinco tem cara de vitoriosos e boas histórias para construir um roteiro. Ao contrário de Pop Solo e o conflito de ideias sobre o que é música pop, Colaboração tem trajetórias facilmente vendáveis, com problemas no meio do percurso: “Sunflower” é a faixa R&B/pop de um Post Malone que já foi indicado e que é realmente uma música decente (mas é Post Malone né…); “Senorita” é um hit massivo e encontro de dois jovens astros pop em ascensão (e que já foram indicados no passado), mas pode ser considerada too teen for the Academy’s tastes; “Dancing With A Stranger” é mais elegante e tem a cara do Grammy (e mais adulta, se estabelecermos a comparação com “Senorita”), mas não sei até que ponto um Grammy Winner consegue carregar uma artista sem indicação para esta categoria; “I Don’t Care” é o encontro de pesos-pesados do pop, mas a música é ruim e a Academia é rancorosa; e “Sucker” é o grande retorno dos Jonas Brothers – que não eram queridinhos da Academia nem no primeiro auge. 


Então, é OPEN SEASON BITCHES – e como é open season, eu não incluí um fator chamado “Old Town Road”, que é o maior hit da história, porque particularmente eu não sei onde se encaixa, e como o Grammy vai lidar com uma faixa que é mais genre-bender do que os tradicionais genre-benders. Como vai ter um bullet point só pra OTR, vamos aos outros wildcards:

“Me!” pode ser um sexto indicado porque é a TAYLOR SWIFT e ela pode sofrer da Ed Sheeran Situation – ser limada do General Field e ser lembrada no Pop Field. Mas “Me!” não se compara em impacto (e no que Taylor é capaz de fazer como artista) e honestamente, a ausência dela aqui não me dá vontade de gritar “injustiça”…

– “Boy With Luv” é o famoso wishful thinking de que um dia o kpop pode ser visto como uma força a ser reconhecida num mercado agressivamente americano. Se tem um grupo que pode romper essa barreira é o BTS, e essa música pode fazer isso. Seria histórico, mas não confio na Academia.

Pop Album

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Possíveis indicados

“Thank U, Next” – Ariana Grande
” When We Fall Asleep, Where Do We Go?” – Billie Eilish
“Norman Fucking Rockwell!” – Lana Del Rey
“Lover” – Taylor Swift
*Insira aqui um CD que vai entrar mas ninguém chutou ele antes

(Wildcards: 7, No.6 Collaborations Project, Happiness Begins

Eu não coloquei um quinto indicado aqui porque eu não sei exatamente como o Grammy vai funcionar nesta categoria. Novamente será uma disputa entre narrativas: a tradicional, “purista” x a disruptiva, “integrada”, e não consigo ver outros favoritos que não sejam os álbuns da Billie e da Ariana, que são os mais representativos dessa ideia – tanto de música quanto de apresentação como artista. “Lover” entra na lista mais pela força do nome Taylor Swift e menos por sua relevância dentro de uma estrutura em que o modelo Swift de divulgação parece século passado; enquanto provavelmente Lana Del Rey emplaca mais uma indicação. Um dia ela chega lá, mantendo o mesmo espírito.

A quinta vaga é OPEN SEASON BITCHES, e os números e relevância parecem contar pontos para Ed Sheeran; entretanto, não ficaria surpresa se a Academia fizesse a nostálgica (Backstreet Boys Situation) e lembrasse do novo álbum dos Jonas Brothers. Lá atrás, correndo contra todas as possibilidades, o “7”, EP de estreia do Lil Nas X.

General Field

*no General Field, lançarei mão de um famoso personagem de um filme chamado “Wall Street”, Gordon Gekko (Michael Douglas), que cunhou a famosa frase “Greed is good”. Ele provavelmente é o alter ego do pessoal da Atlantic Records, porque the devil works hard, but Atlantic works harder. Então, toda vez em que aparecer o GORDON GEKKO CARD, é porque a Atlantic Records trabalhou muito nos bastidores para fazer as indicações acontecerem.

Best New Artist

Possíveis indicados

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Billie Eilish
Lil Nas X
Megan Thee Stallion
Lizzo
Lewis Capaldi
Rosalía
DaBaby

Eu particularmente gosto MUITO dessa lista, acho bem resolvida e representativa do ano. Provavelmente a Academia vai incluir um act country que ninguém nunca ouviu falar, mas eu emplacaria um nome como Rosalía, que apesar de todas as discussões sobre ela ser uma artista espanhola fazendo música latina, é o principal nome do momento e já tem visibilidade suficiente para ser considerada uma new act entre os americanos.

De resto, genre-benders como Billie e Nas X devem entrar na lista, bem como a cota pop “purista” com Lewis Capaldi, e a revelação do rap Megan Thee Stallion, para manter a continuidade das revelações do gênero que sempre emplacam uma vaga. Outro nome do rap que pode surpreender é DaBaby, que tem um top 10 na Billboard (“Suge”) e se tornou queridinho de muitos fãs de rap. Não me surpreenderia se ele aparecesse no corte final. (e mesmo com material anterior, ele também está na brecha de ter surgido para a consciência do público no período de elegibilidade)

Outra pessoa que também pode pegar uma brecha nos critérios de indicação para Artista Revelação é Lizzo, que apesar de ter outros álbuns e mais de 30 músicas como corpo de trabalho, ela apenas surgiu para a consciência do público neste período de elegibilidade. Acho até que aquela ideia de “NOME DO ANO” que ficou rodando em torno da Billie tá passando aos poucos pra Lizzo, que tá naquela fase de emplacar tudo – e “Truth Hurts” ainda lidera as paradas. E Lizzo também cumpre outros requisitos, como ser uma act cujo gênero não está tão definido: cantora, rapper e instrumentista, é difícil colocá-la numa caixinha – ela é um fenômeno.

Record of The Year

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Possíveis indicados

“Middle Child” – J. Cole
“Talk” – Khalid
“Old Town Road” – Lil Nas X feat. Billy Ray Cyrus
“Truth Hurts” – Lizzo
“Sunflower” – Post Malone, Sway Lee
“Senorita” – Shawn Mendes & Camila Cabello
” Someone You Loved” – Lewis Capaldi
“7 Rings” – Ariana Grande

Wildcards: “7 Rings”, “Without Me”, “Sucker”, “Dancing With a Stranger”

Aqui eu acredito no poder de Old Town Road (e só não confio na vitória porque provavelmente a Academia considera uma modinha de verão, “Despacito”, alguém?), e suspeito que será um grupo de indicados bastante forte, com direito à boa e velha cota “singer-songwriter gringo” que será contemplada por “Someone You Loved”; e muita gente boa pode perder o Grammy. Por exemplo? Entendo a escolha por “7 Rings” para lutar por Record aqui, mas num mundo de “Bad Girl”, “Truth Hurts” e a elegante “Talk”, chega a ser surreal a música ter possibilidades de ganhar. Como Gravação do Ano sempre será a categoria dos hits, “Sunflower” tem chances de entrar; e sim, “Truth Hurts”, uma música de 2017, vai entrar sim no General Field apesar do DISK GRAMMY ter-me dito o contrário.
Por que será?

Song of the Year

Possíveis indicados

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“Middle Child” – J. Cole
“Talk” – Khalid
“Thank U, Next” – Ariana Grande
“Truth Hurts” – Lizzo
“Sunflower” – Post Malone, Sway Lee
“A Lot” – 21 Savage feat. J. Cole
” Someone You Loved” – Lewis Capaldi
“Lover” – Taylor Swift
“Bad Guy” – Billie Eilish

Wildcard: “Without Me”, “Sucker”

Aqui eu não acredito no poder de Old Town Road (porque provavelmente a Academia considera uma modinha de verão…),  e acho que a construção dos indicados será mais ou menos o que apareceu em Record, sem muitas diferenças. Acredito que entre mais uma faixa rap (a ótima “A Lot”, do 21 Savage, um musicão que merece mais amor), e Taylor Swift pode emplacar merecidamente “Lover” por aqui, como deveria ser feito desde o começo, e não vender “Calm Down” como se fosse A música a carregar todas as submissões da artista (definitivamente, só duas pessoas sabem submeter alguma coisa na indústria). Aqui eu creio no poder de “Thank U Next” como letra e momento pop, e será uma lista bem diversa de indicados. E evidentemente, “Truth Hurts” fará o corte final mesmo sendo uma música de 2017 porque the devil works hard, but Atlantic works harder.

Album of the Year

Possíveis indicados

“Thank U, Next” – Ariana Grande
“Homecoming” – Beyoncé
“When We Fall Asleep, Where Do We Go?” – Billie Eilish
“Free Spirit” – Khalid
“A Star is Born” – Lady Gaga & Bradley Cooper
“Cuz I Love You” – Lizzo
“Girl” – Maren Morris
“Western Stars” – Bruce Springsteen

Wildcards: “Experiment”, “El Mal Querer”, “7”, “Lover”

Em Álbum do Ano, things get messy, e apesar de achar que não conseguiria encher a categoria com oito indicados para fazer um combo final, acredito que o corte pode excluir algum act das antigas (coloquei The Boss apenas pelos “serviços prestados”, e provavelmente entra algum álbum de rap nessa equação, porque eu tô achando esse corte final muito pop) para priorizar álbuns que representaram um impacto na imagem do artista ou na percepção do material musical durante o período de elegibilidade. Ou seja, pode ser que a Academia siga aquela discussão de “puristas” x “integrados” que muito me interessa nesse período de transição musical.


Como aqui acabou essa história de cota pop, rock, whatever, creio que:

– O impacto de “Thank U, Next” e “When We Fall Asleep, Where Do We Go?” não podem ser questionados, e eles são a representação daqueeeela discussão inicial sobre puristas x integrados;

– Apesar do hype ter ficado no começo do ano, seria completamente idiota esquecer a trilha de “A Star is Born” e o quanto vendeu;

– “Free Spirit” tá aparecendo bastante nas listas de indicados a Álbum do Ano, e Khalid parece ter superado a maldição do segundoCD com maestria, o que outros que surgiram na mesma época não conseguiram (oi Alessia Cara!);

– Outro CD que está bem comentado é o “Girl” da Maren Morris; mas não creio que consiga chegar a um Grammy porque um CD de country já levou este ano.

– Lizzo tem chances fortes de fazer o corte final aqui, numa indicação que faz sentido, já que o “Cuz I Love You” foi lançado dentro do período de elegibilidade, com reviews aclamadas;

– Por último, mas não menos importante: existe uma chance de Beyoncé ser reconhecida pelo “Homecoming” para compensar as diversas esnobadas em anos de carreira. Seria o clássico prêmio de consolação (a la Al Pacino ganhando por “Perfume de Mulher” no Oscar) mas é uma baita compensação – e Bey está num nível da carreira em que esse tipo de prêmio de legado é super possível.

Bullet Points:

Brown Skin Girl indicada APENAS a R&B Song? eu não sei por que Beyoncé não puxou essa música para submeter nas categorias de GF. A faixa viralizou muito, e tem um apelo que funcionaria bem em Record e Song of The Year.
Onde Lil Nas X se encaixa? Quem é Montero Hill? O que ele faz? Sexta-feira, no Globo Repórter. A ideia de colocar “Old Town Road” no field pop é até segura, porque quando uma música não se aplica a lugar nenhum, ela se aplica ao pop. Afinal de contas, como o próprio Lil Nas X já diz, a música é um country-trap, não é uma coisa nem outra, não está limitado; então, como não existe  a categoria Country-trap, o lugar mais confortável para ele é o pop. Entretanto, o pop está ENTUPIDO, e a música pode ser considerada uma “modinha” pela Academia, o que reduz muito suas chances dentro do próprio field.
Há chances de um latino quebrar a barreira?  Sim, mas como eu falei lá atrás em Best New Artist, não sei se o Grammy vai querer se comprometer com o B.O. de uma indicação para Rosalía. Provavelmente eles podem esperar para premiar um artista latinoamericano para evitar futuros problemas; já que “Despacito” ainda tá entalado na garganta de muitos.
Esse ano há chance de algum rapper finalmente levar “Álbum do Ano”? A chance era no último Grammy e… Enfim, a gente viu o que aconteceu.


Peço mil desculpas pela demora, mas pelo menos pude fazer as análises com uma base mais sólida, que foram as submissões. Curioso que eu iniciei a pesquisa para este post fazendo uma ligação via Skype para uma espécie de DISK GRAMMY – eles tem uma linha direta para você tirar dúvidas sobre as indicações; e eu liguei justamente para entender como seria o caso da Lizzo. Mas a Atlantic adiantou o lado para mim, e apesar das brincadeiras, é uma discussão a ser colocada em pauta – uma música antiga que só estourou no período de elegibilidade deve concorrer junto com músicas que atendem aos requisitos do Grammy?

Isso vai dar muito pano pra manga nos próximos anos, vá vendo…

E vocês, o que acham que vai acontecer neste ano? Quais são as suas apostas?

7 comentários sobre “Conflito de ideias no Grammy 2020 [Previsões]

  1. Marina Eu não acho que eles vão deixar “Without Me” da Halsey de fora do corte final em ROTY a música bateu recorde de canção feminina a passar mais tempo no top 10 da Hot 100 (34 semanas**). Já em AOTY esse ano tá bem complicado, eu não vejo um melhor vencedor que a trilha de “A Star Is Born”, além de ter secesso massivo GLOBAL vai ser uma forma do Grammy se redimir por “Shallow” em SOTY (2019) tbm prestigiar a Gaga pela volta ao topo das paradas.Sobre a distância entre seu lançamento e o grammy eu não me preocuparia e só olhar nas paradas de álbuns e musicas e ele ainda ta lá charteando um ano após seu lançamento kkkkk. Essa trilha sonora e um marco na cultura pop.

  2. Eu concordo com praticamente tudo o que você disse Marina.

    Sobre o AOTY, eu acho que faltou você incluir o Norman Fucking Rockwell da Lana Del Rey. Ela está sendo a queridinha da crítica nesse final da década. O álbum vendeu bem, assim como as músicas novas estão fazendo barulho no nicho dela. Ela é uma artista popular, que tem chances de levar esse Grammy de AOTY. Muitos sites de apostas estão jogando apostando nessa ficha.

    Se a Beyonce levasse com esse disco seria um balde de água frio. É bom, mas ela já mereceu tão mais por outros trabalhos.

  3. Acho que este ano não há favoritos para levar um GRAMMY!

    É assim, tenho pontos para destacar:

    – Em Gravação do Ano, tudo pode acontecer, uma artista ser aposta para ser indicada e depois poderá levar chapada de LUVA BRANCA (não ser indicada) que é a Ariana, porque NUNCA mas NUNCA podemos nos esquecer do RANCOR GRAMMY MODE; Como Gravação do Ano vai para o que melhor representa o ano que passou, “bad guy” e “Old Town Road” representam melhor o que se passou durante o ano. Mas como “Truth Hurts” será a grande FACA PARA CORTAR “bad guy” da competição, vejo “Old Town Road” à frente de todos.
    Mas, se eles buscarem a moda de verão, então “Truth Hurts” tá em alta nessa categoria e também seria uma escolha compreensível!

    – Em Canção do Ano, é um “WASTE OF TIME FOR SONGWRITERS”. E porque digo isto? Porque não vejo neste momento o vencedor à frente dos meus olhos (Apesar de eu ter visto no ano anterior “Shallow” como a possível vencedora de Canção, mas levou um corte de uma música mais política e social, apesar de eu ter ficado feliz com a vitória de artista negro finally, mas mesmo finally não só em Canção, como também em Gravação). Concordo quando a Marina diz que não acredita no poder de Old Town Road, pois também acho que sim. Se eles forem pela cota de “Ah, vamos dar o prémio para alguém que foi preso injustamente e fez uma música que tem o mesmo objetivo de representação de This Is America, vamos dar para 21 Savage!”
    Caso eles queiram ignorar essa cota e forem pela cota de “BALLAD SONGS ALWAYS DO RIGHT!”, CHAPADA DE LUVA BRANCA PARA ARTISTAS NEGROS E PRÉMIO PARA “Someone You Loved”. Mas vejo darem esta categoria para um artista negro, porque normalmente entre Gravação e Canção, os negros tiveram mais hipótese de levar em Canção mesmo que não contasse para a nomeação deles. Por essa razão, vejo 3 favoritos:
    “Talk”, “Truth Hurts” e “Sunflower”.
    1º – “Talk” é aquela faixa R&B que pode levar em Canção, mas como ele ainda não tem serviços prestados, será difícil ele levar.
    2º- “Truth Hurts” é a faixa que vejo como a moda de verão e nestas últimas semanas , tem estado em primeiro lugar nas paradas e como supostamente o GRAMMY vai pela moda, caso ela vença em NEW ARTIST, terá mais chances de levar vários GRAMMYS, principalmente este.
    3º- “Sunflower” é a faixa que vejo como o suposto vencedor, caso os votantes estejam indecisos em quem vai levar e quem não vai levar.

    – Em Artista Revelação, a batalha será entre Lizzo e Billie Eilish. Se Lizzo vencer em Urban Contemporary Album, tem muitas chances de levar em Pop Solo e New Artist. Se Billie vencer em Pop Solo e Pop Vocal Album, então ela tem muita chances de levar em New Artist.
    Mas vejo Lizzo à frente nesta categoria por duas razões:
    1- *a que eu referi acerca dela vencer na categoria de álbum e nas outras duas
    2- Vejo Ariana com chances de levar por Pop Vocal, porque ela já tem um GRAMMY e é justamente por Pop Vocal e por isso se ela levar aqui, Billie não terá hipóteses de levar em Revelação.

    – Álbum do Ano é um “WASTE OF TIME FOR PREDICTING THE WINNER”. Porquê?
    Porque acho que eles podem premiar Beyoncé e sério eu ficaria bastante contente. Às vezes podem ir pela cota de “Ah, vamos dar prémio para Beyoncé como recompensa das esnobadas que demos a ela nesta categoria nas últimas 3 vezes que ela foi indicada, nem com o álbum mais aclamado da carreira dela, o LEMONADE se demos Álbum do Ano a ela!”
    Mas também podem pensar assim, “Ah, mas achamos que houve gente que se destacou mais neste período, como ignorar o impacto dos outros?” e dar o prémio para Billie Eilish ou Ariana Grande.
    Outra coisa é pensarem assim, “Ah, mas se dermos para uma delas as duas , vão nos atacar e acusar de racismo, apesar do sucesso que elas tiveram, como evitar um escândalo como esse? Vamos pelo seguro e dar a quem a gente acha que não vai dar muita polémica! Vamos dar para um álbum aclamado que não teve muito impacto nos charts? Não, porque vão nos acusar de ter medo de premiar negros! Então o que fazer? Dar à Lady Gaga que teve o CD ou um dos CDS mais vendidos deste período de eligibilidade? Não, apenas premiá-la aonde ela tem chances de levar MESMO! E então o que faremos? Não podemos dar outra vez ao country nem ao rock senão vai ser outra polémica! Vamos pelo seguro que esteja na MODA!”
    E quem está na moda agora? Lizzo!
    É a artista que vejo deste momento a levar Álbum do Ano! Ou Beyoncé pelas injustiças na qual sofreu nestes últimos anos!

    O que acha disto Marina?

    • Vou responder essa em tópicos também:

      – Concordo plenamente com as suas considerações sobre ROTY. A única coisa que me preocupa em não indicar Ariana por “7 Rings” é porque passou ao todo oito semanas em #1. Só se eles fizerem com ela como fizeram com Ed Sheeran, e aí a narrativa de “ignorar a Taylor no GF para premiá-la no pop” acabou;
      – Também concordo com as suas considerações sobre SOTY;
      – Estou começando a achar que Lizzo tem chances de levar essa em BNA;
      – Seria interessante ver Ariana igualando Kelly Clarkson em Pop Album com duas vitórias cada. A chance dela bater esse recorde é alta, se considerarmos o tempo de carreira e apelo com o público;
      – Sobre AOTY, creio que eles podem dar o prêmio para Beyoncé como forma de compensação, mas não consigo ver Lizzo como vencedora porque é muito raro sweeping quando se está “estourando” na carreira. Christopher Cross é o único nome que teve isso e o material dele é o auge de um momento específico musical; os outros nomes que levaram Grammy adoidado + álbum do ano ou realmente foram O nome do ano (Adele) ou, em avaliando a vitória em retrospectiva após quase dois anos, tinham um corpo de trabalho extremamente sólido e algumas esnobadas no meio do caminho (Bruno)

      • Marina, agora com a expansão de 8 indicados no General Field, nestas últimas semanas tenho andado a pensar, “Quem será o random nomination ao estilo da Brandi Carlile no ano passado?”

        E o primeiro que me vem à cabeça é Gary Clark Jr. com “This Land”.

        Será que ele vai conseguir alguma indicação no General Field?

        Agora outros pontos a serem questionados:

        – Será que a P!nk não tem chances em Pop Vocal Album com “Hurts 2B Human”?

        – Acha que se o Grammy premiar algum dos novatos que não têm género específico, acha que vão dar à Lizzo pelo facto de que apesar dela não ter o género específico, ela sabe mais ou menos o que ela própria quer seguir musicalmente?

        – Que cota a Marina de momento acha que o Grammy vai seguir de momento no General Field?

        – Se o Grammy for pela cota de “Aclamação Crítica + Sucesso”, será que estes seriam os indicados a Álbum do Ano?

        . Ariana Grande – Thank U, Next
        . Beyoncé – Homecoming: The Live Album
        . Billie Eilish – When We All Fall Asleep, Where Do We Go?
        . Khalid – Free Spirit
        . Lady Gaga & Bradley Cooper – A Star Is Born
        . Lizzo – Cuz I Love You
        . Solange – When I Get Home
        . Tyler, The Creator – IGOR

        – Será que Ed Sheeran e Taylor Swift têm chances de alguma indicação? Ou o factor RANCOR GRAMMY vai pesar MAIS nas chances de nomeações deles?

        – Agora, outra pergunta não relacionada com o Grammy, sabendo que é cedo ainda pa falar, mas acha que o VMA de 2020 em termos de nomeações vai ser de muita concorrência? Se sim, quais os vídeos que a Marina acha que de momento podem e merecem ser indicados? Para mim , “Motivation” da Normani já é lock em Best R&B e Melhor Coreografia.

  4. Eu fiquei surpreso com senhorita aparecendo em tantos lugares, eu realmente não acho que tenha essa força, fiquem surpreso também por você não ter colocado IGOR e ter colocado Beyoncé e GIRL eu realmente não vejo elas em AOTY. Sobre A Star Is Born achei que ARUTW apareceria uma algum lugar mas concordo com você de que em um mundo de 5 indicados uma balada que mal entrou na Billboard tenha chances levando em conta que a Gaga já levou por Joanne esse ano com uma balada que nem entrou, mas algo me diz que se eles abriram pop solo ou até pop duo pra mais de 5 Gaga tem sérias chances de entras nas duas categorias.
    Voltando para o GF. SOTY e ROTY foram especialmente confusas pra mim tudo nesse ano parece um grande meme de internet e tirando Joanas B. com a narrativa do comeback e Shallow tudo parece uma piada se a gente olhar pros #1 desse ano, tudo chegou a onde chegou pq foi um meme na internet. Dito isso eu realmente acredito que SOTY e ROTY vão para músicas ‘flopes’ que ninguém conhece como This Land do Gary Clark Jr. que sempre aparece no gold derby como um lock, talvez Taylor, Post Malone e someone you loved tenham uma chance eu posso ver algum deles ganhando mesmo sendo um pouco decepcionante ao meu ver. Sobre AOTY eu realmente espero que a Gaga leve ela tem seu melhor álbum em anos e A Star Is Born conseguiu vender mais que The Fame e The Fame Monster no mesmo período de tempo (um ano de lançamento) fora suas 3 indicações consecutivas perdidas, além do fato de Shallow ter se tornado infinitamente maior depois do Oscar, chega a ser um desrespeito com a indústria da música Gaga sair dessa era sem um Grammy do GF, mas eu posso ver perfeitamente o Bruce Springsteen ganhando embora seja só mais uma vitória chata de reparação história.
    Best New Artist, esse aqui eu realmente vejo com mais clareza, lizzo tem que ganhar, Billie me parece uma moda passageira os outros não tiveram o bom ainda, mas lizzo tem tudo pra ser uma das maiores artistas da próxima década e o fato de suas músicas antigas estarem hitando só agora é uma prova de que ela é um artista afrente do seu tempo. Dar esse prêmio pra lizzo seria algo extremamente merecedor e justo até pq TH está a mais tempo em #1 que qualquer música depois da dominação de OTR.

    Como eu gostaria que acontecesse:
    AOTY: ASIB
    SOTY: algum who com uma música boa de verdade
    ROTY: algum who com uma música boa de verdade
    BNA: lizzo.

    Um ps: talvez se eles quiserem premiar o grande auge das trilha sonora nessa década tendo até mesmo 2018 o álbum mais vendido sendo uma trilha sonora, eles podem dar AOTY pra Gaga e SOTY e ROTY pro post Malone seri a segunda vez na história que isso aconteceria e dado os anos 2010s serem recheadas de grandes trilhas sonoras forte acho até que justo, me contradizendo com o que disse a cima sobre o Post Malone, todo o Big4 ser de trilha sonoras, até TH é uma trilha sonora da Netflix, tudo se encaixa nessa narrativa de trilha sonoras. Tem também a curiosidade de que depois de ASIB nem uma trilha sonora pegou #1 na Billboard 200 ou seja é agora ou só nos anos 2030 quando trilhas sonoras voltarem ao topo.

    • Vou responder em tópicos hahah:

      – Eu acho que Tyler The Creator é muito outsider para o Grammy, não consigo vê-lo como indicado mesmo numa categoria com oito indicados;
      – Senorita é hit, e hits sempre entram, especialmente quando tanto Shawn e Camila já foram indicados muito recentemente. O Grammy gosta de quem se mantém no topo (e eles querem audiência);
      – O Homecoming está circulando entre os indicados fortes tem um bom tempo, e pode ser um bom prêmio de consolação. Quanto ao GIRL, é a famosa cota country que o Grammy adora incluir;
      – Sobre o General Field, a gente tem que observar que a música está mudando, e a forma com a qual as músicas são descobertas ou divulgadas idem. Eu achei um ano bem interessante até, e se pensarmos que This Is America foi um hit viral, é apenas uma tendência que prossegue. Sobre A Star Is Born, eu ainda fico preocupada com a distância entre o período do hype e o que ocorreu após o Oscar, e o que está fresco na memória do público.
      – Sobre BNA, eu acho que Lizzo é uma vencedora pronta porque ela tem ar de longeva.

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