Combo de Lançamentos [1]

Depois de retornar do meu período de hibernação pós-Grammy (sinceramente, fiz desintoxicação musical e foi a melhor decisão ever), hora de voltar aos trabalhos e falar um pouco dos lançamentos musicais, entre álbuns e músicas, que podem ter sido comentados (ou não) dentro da popsfera.

Ariana Grande, “thank u, next” (lançado em 08/02)

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/d/dd/Thank_U%2C_Next_album_cover.png

E eu que achava que Ariana não faria melhor que “Sweetener”… “thank u, next” é uma potência de produção, letras e evolução tanto no som quanto nas temáticas, tanto em relação ao álbum anterior da moça, como em toda a sua carreira. É evidente que quem acompanha Ari desde “Yours Truly” sabe que ela sempre teve os dois pés no pop/R&B e que era questão de tempo até que ela fosse full pop ou introduzindo uma vibe mais urban/rap em seus trabalhos. Boa leitora do pop como ela é, Ariana fez melhor: ela entendeu o que realmente está fazendo sucesso (como o trap/urban) e colocou sua pegada pop e radiofriendly com sua voz de ouro (e dicção boa, finalmente) num dos trabalhos mais fodas do mainstream no ano.

Os temas do “Sweetener” relacionados a inquietações pessoais e ansiedade permanecem em TUN (como em “needy” e “fake smile”), assim como as temáticas de sempre da jovem (no caso, relacionamentos amorosos na excelente e SINGLE MATERIAL “bloodline”, “make up” e seu joguinho de palavras e a super onírica “ghostin”, uma das highlights do CD que deveria encerrar a tracklist), mas tudo com um toque de amadurecimento de quem realmente está vivendo ou viveu essas emoções. Ariana Grande tem história pra contar agora e coloca isso nas músicas. Além disso, “thank u, next” representa muito dos sentimentos e dúvidas de ordem geracional, que impactam parte da fanbase da moça, que é bem jovem, e de uma turma millennial e Gen-Z que se identifica com ela.

(guardadas as devidas proporções de impacto e sucesso, essa leitura do pop e identificação com um público geracional é mais ou menos o que Rihanna fazia tão bem enquanto lançou CDs. Aliás, cadê você RiRi?)

Entre os três primeiros singles, eu já tinha dado minha opinião sobre a faixa-título, mas é engraçado como tanto ela quanto “7 rings” funcionam bem melhor no álbum do que isoladamente. Em relação à segunda, eu acho uma ótima tradução pop de um som atual, mas a letra não tem sinceridade alguma e entra em terrenos bem perigosos. Das três, de longe “break up with your girlfriend, I’m bored” é a melhor – e maravilhosa demais! Não merecia encerrar o álbum, mas eu entendo perfeitamente a presença dessas três músicas no final da tracklist (aliás, ótimo trabalho de Max Martin e Ilya… será que voltarão aos bons momentos?).

Resumidamente, eu AMEI “thank u, next” e acho assombroso o quanto essa menina consegue ir evoluindo e lançando um CD melhor do que o outro. Isso me faz torcer por coisas brilhantes no futuro, e é a prova de que Ariana cimentou seu lugar não apenas como A-list no pop, mas como uma das grandes artistas de sua geração, num todo.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Jonas Brothers, “Sucker” (lançado em 28/02)

Você se lembra de quando os artistas teen masculinos com quem as meninas queriam casar (e certeza que já deviam fazer fanfics desde aquela época) eram os Jonas Brothers? Havia a eterna disputa de quem era mais bonito (não conheço uma abençoada que tenha escolhido Kevin), as músicas eram cantadas e usadas como perfil do Orkut (RIP) à exaustão, tinham ainda os triângulos amorosos da Disney Miley-Nick-Selena, o vai-e-volta entre Joe e Demi, a série dos caras no canal… Eles já foram indicados ao Grammy e cantaram com fucking STEVIE WONDER! Ahhh que saudades do late 2000’s gente…

Pois bem, seis anos após o lançamento do seu último single, e carreiras solo decentes ou bem-recebidas numa banda (vi DNCE ao vivo e Joe nasceu pra ser frontman de banda, sério), os JoBros retornam com “Sucker“, que tomou o feed de nostalgia adolescente e o grande público com um pré-refrão grudento e um refrão ainda mais, cortesia também de Ryan Tedder, um dos compositores da faixa (o “I’m a sucker for all…” com o falsetinho no “all” tem as fingerprints do hitmaker). A música é uma delícia e a cara da banda: é um upbeat pop com aquelas guitarrinhas gostosas e super adulto. é exatamente o que o Jonas Brothers faria depois de alguns anos se ainda tivesse na estrada e não tivesse parado. A letra é bem trabalhada e mesmo com muita informação no refrão, tem repetições suficientes para grudar na sua cabeça – além do “I’m a sucker for you” ser um verso catchy o suficiente pra captar sua atenção.

E cara, assobios no pop = HIT!

O clipe, lançado no mesmo dia da música (é disso que eu gosto, fogo no olhar!) é maravilhoso, com a participação especial de Priyanka Chopra, Sophie Turner e Danielle Jonas, respectivamente esposa, noiva e esposa de Nick, Joe e Kevin (nunca me esqueço de que ele tinha um reality show com a esposa no E! Entertainment Television), super divertido e com figurinos e cenários que gritam investimento – e com essas participações especiais em situações bem-humoradas ao mesmo tempo que super fofas, foi feito pra hitar no YouTube. O resultado desse lançamento que gerou conversa e nostalgia de geral? Chance de lançamento em #1 na Billboard próxima segunda. EU OUVI UM AMÉM IRMÃOS?

(só espero que o DNCE não suma porque me recuso a lidar com Maroon 5 tendo a carreira que deveria ser deles)

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Cardi B & Bruno Mars, “Please Me” (lançado em 15/02)

Num outro espectro musical, vários escorpianos vão nascer por causa de “Please Me” (e eu não sei seter mais escorpianos no mundo é uma boa ou má notícia haha) e vocês podem creditar à segunda parceria entre Cardi B e Bruno Mars. Se “Finesse [Remix]” é a dupla na escola participando da feira de conhecimentos, “Please Me” é uma festa de pegação na faculdade.

“Please Me” é outro throwback 90s – elemento já conhecido do havaiano mas quase nunca tocado por Belcalis, e com um approach mais R&B do que nunca pra Cardi, mostrando que ela está com foco ainda mais crossover do que apenas o público rap, mas sem cair no pop – o que é uma excelente ideia. Sem perder o bom humor de seus versos (“your pussy basura/my pussy horchata” já é meu top 10 do ano) e ainda em posição de dominância no refrão grudento af (onde é ele quem pede por favor, uma raridade dentro das dinâmicas rapper + cantor/a), “Please Me” é outro win win situation para os dois, provando que o banho de carisma em “Finesse” se repete em condições ainda mais maravilhosas nessa faixa.

(se vc acha que rolava alguma coisa entre Gaga e Bradley Cooper na Awards Season, senta e prepara sua habilidade de fanfic, porque aqui se Cardi e Bruno não se pegaram é porque são ambos comprometidos e respeitam seus relacionamentos ao contrário de uma pessoa cujo nome rima com Upset)

O clipe, ao contrário do que eu e todo mundo pensou, ao invés de ir pro sexy, foi pro modo fofo e o resultado foi ótimo – com ecos de Grease e uma storyline fofíssima, não dá pra não ficar em shipping mode e a única coisa que pensei assistindo foi FUCK OFFSET! Coreografias bem-feitas, ótima fotografia, carisma e química saindo pelos poros e Bruno de bigode (!) O clipe ajudou bastante a manter a música com ótima audiência e a previsão é de top 3 na Billboard semana que vem.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐


E vocês? O que acharam desses lançamentos? O que esperam para as próximas semanas nos charts? E quem vocês acham que está perto de lançar material novo?

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14 comentários sobre “Combo de Lançamentos [1]

  1. Marina, estou com saudades do Design de um top 10, nesse início de ano varias musicas pop chegaram ao topo da Billboard Hot 100 ( Without Me, 7 Rings, Shallow e Sucker. Tbm colocaria Sunflower ela e bem pop ), vc poderia fazer uma análise de como isso vai influenciar no decorrer do ano é se isso e um sinal de que a fase Trap/Hip-hop está com os dias contados.

  2. Marina estou com saudades do Design de um top 10, sei que as vezes a Billboard fica paradona porém nesse início de ano a parada vem sendo liderada por musicas pop (Without Me, 7 Rings, Shallow e Sucker. Sunflower tbm e pop kkkkkkkk ),seria legal vc fazer uma análise de como isso vai refletir durante o decorrer do ano.

  3. Acho que os 3 lançamentos não são maus e acho que se continuarem com o sucesso que tão tendo, a MTV vai mexer os pausinhos no VMA 2019. (Pena que 365 da Katy não fez sucesso o suficiente e Dumb Blonde da Avril Lavigne que são altos bops de 2019 até agora!)

    Ariana Grande #1
    Lady Gaga #1
    Cardi B #1
    Jonas Brothers #1

    depois…

    Halsey #1
    Travis Scott #1
    Drake #1

    Mesmo assim 2019 na música tá bom até agora na música pop.

    Marina, sei que não faz previsões do VMA, mas pode dizer quais as suas previsões para o VMA 2019?

    Os cenários que eu vejo acontecer é:

    – Vídeo do Ano com Ariana, Cardi B, Post Malone, Travis Scott, Halsey e Jonas Brothers
    – Vídeo do Ano só com divas e novos lançamentos das divas (Ariana Grande, Cardi B, Lady Gaga, Halsey, Taylor Swift e Beyoncé)
    – Vídeo do Ano baseado na história das nomeações e vitórias (Ariana Grande, Beyoncé, Cardi B, Kanye West, Kendrick Lamar e Jonas Brothers).

    Não sei se Rihanna vai lanlar música a tempo antes das nomeações, mas de certeza que vai ser o maior sucesso de 2019 e caso isso aconteça, ela também será nomeada.

    • Eu faço as previsões do VMA tb hahah eu suspeito que como esse ano temos mais variedade de estilos e parece que o pop encontrou um denominador comum pra sobreviver nessa conjuntura, os indicados serão mais os destaques do período (Ariana, Cardi, Post, Travis, Halsey… Acho que os JoBros não chegam a VOTY exceto se “Sucker” for MUITO ubíqua até lá. Pode garantir algo em Pop)

      • Marina, acha que Lady Gaga vai ser nomeada por “Shallow” nos VMAS (tendo em conta que algumas músicas de outras trilhas sonoras como “Lose Yourself”, “Happy”, “Love Me Like You do” e “See You Again”)? Se sim, acha que ela vai receber o Vanguard Award depois de impactar na música pop por conta do sucesso de “Shallow” (que chegou a #1 pela primeira vez desde Born This Way) e A Star Is Born?

        Outra pergunta, acha que o sucesso da Lady Gaga agora vai ajudar do desempenho do novo single do próximo álbum?

        • Acho que ela tem chance de concorrer no VMA se inventarem a categoria de Melhor Vídeo de Trilha Sonora (é a cara da MTV fazer essa marmotagem hahaha), mas o vídeo são cenas do filme. Eu não daria se fosse Vídeo Pop ou Colaboração. As músicas que você comentou são faixas que tiveram clipe, algum nível de esforço. Mas Artista do Ano (que é uma categoria criada há pouco tempo), tem fortes chances de entrar.

          E eu tenho certeza que Gaga terá um desempenho ABSURDO na parte musical após Shallow. Ela tem o grande público + fãs nas mão.

          • Mas mesmo assim “Shallow” só com cenas do filme é um ótimo vídeo, o que acha Marina? Acha que faria juz se concorrence ao VMA? Porque por exemplo “Love Me Like You Do” e “See You Again” também têm cenas do filme e mesmo assim foram indicados!

          • Só que Shallow só tem cenas do filme, enquanto os outros tem ao menos imagens do filme mescladas com cenas dos artistas. Pode até concorrer (ok), se ganhar, eu acharia uma decisão ruim. Só porque foi hit? É uma premiação de vídeos ou de música? VMA tem esse problema de só premiar o que bomba (com vídeos meeiros), mas desconsiderando vídeos que realmente são bons overall

  4. O que eu sei é que baseando-me no seu combo de lançamentos, a MTV vai mexer os pausinhos lá no VMA 2019.

    Ariana #1
    Jonas Brothers #1
    Lady Gaga #1
    Cardi B – possível #3

    Prefiro Thank U, Next do que 7 Rings. Não é que eu não goste de Sucker, mas até essa música não é do pior.

    Ariana, Halsey, Gaga e Cardi vão dominar 2019 até Rihanna, Taylor e Beyoncé chegarem de vez, o que para mim está mais que na hora. (não perdoando o flop de 365 da Katy e Dumb Blonde da Avril com Nicki).

    E por falar em Beyoncé, acha que vamos ter Beyoncé com novo álbum visual este ano ou acha que só para 2020, por causa do projeto conjunto com o Jay-Z?

    • Acho que Beyoncé deve estar chegando por agora… “Lemonade” tem três anos, e se Beyoncé eu fosse, eu voltaria “ao básico”. O que surpreenderia todo mundo era ela fazer o contrário do que todo mundo espera – uma era “tradicional”, com músicas mais acessíveis. É o que eu espero, sinceramente, e que Bey lance no Spotify também, porque senão ela vai ficar ainda mais afastada do que realmente tá engajando o grande público. Até Taylor se rendeu e os resultados são impressionantes.

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