A cheesy playlist para hiperbólicos apaixonados

Eu não sou uma pessoa irremediavelmente romântica, mas sempre curti umas baladas sofrimento-dor-de-corno até pra cantar junto e ter repertório para o karaokê. Como vocês já sabem que boa parte da minha vida eu fiquei ouvindo apenas músicas dos anos 80 para trás, um pedaço da formação musical que eu tenho está associado a essas canções, à dor das letras e a delícia das interpretações chorosas e melodramáticas.

Pensando nisso (e inspirada numa ótima playlist do Spotify chamada Cheesy and Overly Romantic), decidi escrever um post com as minhas músicas românticas favoritas de ontem, hoje e sempre. Ou seja, deu pra achar cafonada BOA da década de 2000 pra cá!

Segue o pulo!

“Against All Odds” (1983) – Phil Collins

Começo com um CLÁSSICO cafona maravilhoso chamado “Against All Odds” que foi regravado de forma magistral por Mariah Carey, mas tem todo um charme 80s com o intérprete original, Phil Collins. A música era trilha sonora de um filme também chamado “Against All Odds” (em português, Paixões Violentas), com Jeff Bridges no auge da beleza – pelo trailer, nossa senhora do shirtless – e chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Canção Original, perdendo para outro clássico cafona, “I Just Called to Say I Love You”, de Stevie Wonder (do filme “A Dama de Vermelho”); mas essa derrota não impediu a música de ser um dos maiores clássicos do próprio Phil Collins e dos anos 80.

(e esse clipe com as cenas do filme, em que 80% do vídeo tem Jeff Bridges sem camisa o com a camisa aberta? É DISSO QUE O POVO GOSTA)

“Didn’t We Almost Have it All” (1987) – Whitney Houston

Ainda nos mantendo no clima anos 80, hora de ir atrás de Whitney Houston, no auge da VOZ, beltando até o fim dos tempos com “Didn’t We Almost Have it All”, outro #1 na conta da diva, e que chegou a ser indicado ao prêmio de Canção do Ano. Um clássico da sofrência sobre fim de relacionamento que vai crescendo crescendo crescendo até o final em que poucas no jogo até hoje conseguem chegar nas notas que ela alcança. É um clássico do repertório de Whitney e da Antena 1, e dizem as más línguas que a letra é inspirada no relacionamento dela com um astro da NFL – garanto, qualquer affair que ela teve em todos esses anos era melhor escolha de casamento do que Bobby Brown.

“I Still Believe” (1999) – Mariah Carey

Mariah Carey é praticamente a rainha das baladas melosas e românticas, mas ao invés de correr atrás das clássicas, escolhI uma regravação que marcou a minha infância porque sempre passava um trechinho do clipe na propaganda da GLOBO FM na TV – “I Still Believe”, com sua estética retrô, meio Marilyn Monroe, Mimi no auge da beleza e a produção atualizada para o late-90s, já que a música original, da cantora Brenda K. Starr, tem até o bendito TECLADINHO CASIO que é a cara dos anos 80 (e um fucking SAX).

(Mariah foi backing vocal de Brenda K. Starr antes de estourar na indústria, então esse cover tem um forte componente sentimental )

“Best Thing I Never Had” (2011) – Beyoncé

Uma das maiores dificuldades entre os artistas dos anos 2000 pra cá é que eles são tão autoconscientes e de suas necessidades em serem ÍCONES e ESTRELAS que esqueceram um pouco que eles também são seres humanos – e cheesy songs são representações fieis da humanidade deles. Por isso que são tão poucos que possuem baladas dor-de-corno cafonas hoje. Ninguém mais quer ser cafona.

Pensando nisso, eu AMO “Best Thing I Never Had” da Beyoncé, que não tem nada a ver com o “4”, mas tem algo que falta em Beyoncé hoje: despretensão. Vontade de gritar “você me perdeu e agora tá aí chorando”. Ser relatável, ser como eu e você. E essa música é muito isso, muito real e próximo de nós, do mesmo jeito que cantoras clássicas como Whitney e Mariah faziam e fazem – trazer sentimentos universais à música. E por ser cafonaça (eu rio baldes com “sucks to be you right now“), entra nesta lista.

“All I Ask” (2015) – Adele

Adele seria um excelente caso de cantora de sentimentos universais na mesma linha de Mariah e Whitney, mas mesmo ela consegue colocar esses sentimentos de forma extremamente técnica (pra não dizer pouco emotiva, e olha que eu amo aquela mulher). Você não chora pra se descabelar, você chora tomando um bom vinho em frente a uma tábua de queijos.

A única música desse repertório que chega perto de sofrer, morrer e chorar no chuveiro como se sua vida dependesse disso é “All I Ask”, deep cut do “25” que só funciona como cafonagem nível master porque tem duas brands de cheesiness Antena 1: uma é a co-composição de Bruno Mars (que vai aparecer aqui com um clássico da sofrência) e outra mais sutil: MARIAH CAREY. Todo o delivery dessa faixa lembra o que Mimi fazia nos anos 90 – só falta o whistle, o que mostra que no fim, todos somos filhos dela, mas não queremos admitir.

(‘cause what if I never love again!!!!!!!!!!!!THE DRAMA!!!!!!!!!!!!!!)

“To Love You More” (1995) – Celine Dion

A tríade da sofrência nos anos 80-90 era Whitney, Mariah e ela, o cristal canadense Celine Dion. Dona de clássicos da música e um Grammy de Álbum do Ano, são tantas baladas pra cantar com um lencinho na mão que dava pra fazer uma playlist só de Celine. Mas eu optei por escolher essa música que foi regravada aqui nos anos 90 por JOÃO PAULO E DANIEL (sim, Daniel era parte de uma dupla, mas João Paulo faleceu quando eles estavam em ascensão na carreira): “To Love You More” foi escrita e produzida por David Foster, um dos compositores mais importantes da música pop, e um dos mais cheesy também (gente, a letra é basicamente ela pedindo PELAMORDEDEUS NÃO ME DEIXA POR ELA)

Essa música foi lançada em 1995 e foi single no Japão, mas aparece na edição asiática de “Falling into You”, “Live à Paris” e a edição americana de “Let’s Talk About Love”. Isso é que é reciclar uma faixa.

“Hello” (1984) – Lionel Richie

HELLO IS IT ME YOU’RE LOOKING FOR

A superior “Hello” entra aqui com orgulho, força e fé e muito sofrimento; porque Lionel Richie não tem vergonha de ser cafona, cheesy, sofrido e dolorido. A balada ao piano sobre um amor platônico quase obsessivo ainda é um punch bem colocado, mais de 35 anos depois de lançada, e um testamento da genialidade de Lionel, além da sua brand cheesy bem Antena 1.

(esse clipe TODO ERRADO, o professor apaixonado pela aluna e fazendo ligações no meio da noite com essa blusa HORRÍVEL)

“Making Love Out of Nothing at All” (1983) – Air Supply

Nenhuma playlist com músicas cheesy pode ocorrer sem a presença de “Making Love Out of Nothing at All”, power ballad da banda australiana Air Supply, tão grandiloquente que tem até um solo de guitarra pra deixar tudo grande, imenso, sofrido, porque o cara sabe tudo, é o fodão do universo, pode fazer o que quiser, mas quando se trata da pessoa amada, ele é capaz de SE RASTEJAR por amor.

Aliás, são dois clipes pra esse vídeo, não sei qual o mais corny.

(por que os bandleaders estão com esse ar de zumbis? SO MANY QUESTIONS)

“You’re the Inspiration” (1984) – Chicago

Chicago era uma banda de jazz-rock de ohhh Chicago que tinha uma sonoridade bem específica até que um dia eles mudaram o som para um soft rock que deu-lhes uma longevidade que chegou aos limites do corny nos anos 80 (já disseram por aí, mas digo aqui: é basicamente o Maroon 5 dos anos 70-80). Nesse período, acabaram cantando faixas compostas por ele mesmo David Foster, como essa deliciosa bomba chamada “You’re the Inspiration”, que graças a versos como “You’re the meaning in my life/You’re the inspiration” (DEUS) deve ser uma das faixas mais genéricas a fazerem sucesso e serem temas românticos de qualquer casal.

(e olha que eu curto o som dos caras)

(esse clipe… por tudo que vocês acreditam)

“Un-Break My Heart” (1996) – Toni Braxton

Uma playlist de baladas cafonas não seria perfeita sem pelo menos UMA música de Diane Warren, uma das compositoras mais competentes em fazer você chorar de todos os tempos. “Un-Break My Heart”, canção-assinatura de Toni Braxton, é um clássico dos anos 90 pelo drama (é literalmente “desquebre” meu coração pfv), o clipe em que Toni chora no banheiro (como em toda balada melodramática) lembrando o namorado gostoso que morreu, e a mistura entre sensualidade da contralto e a gritaria no final do clipe que era de lei nas cantoras daquela época.

(trechinhos desse clipe passavam na TV como propaganda da Globo FM e eu morria de pena da Toni Braxton que perdeu o namorado)

“Back At One” (1999) – Brian McKnight

Enquanto nos EUA, Brian McKnight é extremamente respeitado no meio R&B (assim como tem 16 indicações ao Grammy sem nenhuma vitória – em terceiro lugar nesse recorde pouco comemorável), aqui no Brasil ele ficou mais conhecido pela balada R&B “Back at One” e seu refrão contado “one… you’re like a dream come true/two… just wanna be with you” que é tão criativo quando cheesy. No entanto, a faixa é extremamente efetiva principalmente pelos vocais suaves e soulful de McKnight, um cantor de R&B que CANTA – o que infelizmente não temos hoje (veja essa live)

(que drama é esse no clipe minha gente)

“When I Was Your Man” (2012) – Bruno Mars

Como eu tinha comentado, Bruno Mars apareceria aqui como um dos solitários esforços cheesy em baladas românticas após a década de 2000 – sempre beltando até não poder mais, chorando pela pessoa amada mesmo tendo culpa no cartório ou sendo cheesy até falando de sexo. Apesar de ter outras gemas da sofrência no repertório, “When I Was Your Man” se destaca por ser direta ao ponto: errei, fiz besteira, perdi você, deveria ter feito maravilhas se fosse seu namorado, com direito a ficar pensando no novo namorado da ex fazendo aquilo que ELE deveria ter feito. Isso é que é sofrer com gosto e com culpa.

“I’ll Never Love This Way Again” (1979) – Dionne Warwick

Hora de voltar um pouco mais no tempo com uma das vozes mais importantes do pop/R&B/soul, Dionne Warwick, que não faz o menor esforço sequer para abrir a boca – mas expõe o mundo. O negócio da Dionne é que depois do fim de sua parceria bem sucedida com Davis e Bacharach, o repertório dela nos anos 70 ficou meio aquém das habilidades da diva, até que na virada da década ela recebeu esse tiro chamado “I’ll Never Love This Way Again”, no limite entre a grandeza das atemporais baladas e a uma key change da brand Antena 1 com versos como “I know I’ll never love this way again/ So I keep holdin’ on before the good is gone” e “A fool will lose tomorrow reaching back for yesterday” além da clássica interpretação no último refrão em que você berra tudo que pode porque JAMAIS AMARÁ NOVAMENTE SE NÃO FOR COM AQUELE/A CONSAGRADO/A


Além dessa lista para se ouvir com lencinho do lado, eu preparei uma playlist especial tanto com as músicas listadas aqui e outras faixas que se enquadram em faixas românticas e cheesy do passado distante, passado mais próximo e do presente. Podem ouvir e comentar sobre outras músicas altamente românticas que fazem parte da sua vida e não saem da sua biblioteca musical 😉 

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