Video Music Awards [4] Melhor Colaboração, Artista Revelação e Push MTV

Prosseguindo com as análises dos indicados ao Video Music Awards 2018 às vésperas da premiação (que este ano será numa SEGUNDA-FEIRA, 20.08), hora de falar de uma categoria associada à música (Melhor Colaboração, que independe de gênero), e duas de revelação, uma com o nome já propriamente dita; e outra chamada “Push Artist of the Year”, que foi emprestada de uma categoria já existente há dez anos no EMA. A ideia dessa categoria é premiar up-and-comers de várias partes do espectro musical, que fizeram sucesso nos meses específicos determinados pela MTV.

Particularmente não faz sentido algum, mas vamos pensar que “Revelação” é o award para o artista que foi a revelação mais mainstream; enquanto o “Push” é aquele que não precisa ter estourado na consciência coletiva, mas tem potencial para no ano seguinte ser mainstream.

Enfim, dessa forma é possível hahah Hora de conferir as análises de Melhor Colaboração, Artista Revelação e Push Artist of the Year!

INDICADOS

Bebe Rexha ft. Florida Georgia Line – “Meant to Be”
Bruno Mars ft. Cardi B – “Finesse (Remix)”
The Carters – “APES**T”
Jennifer Lopez ft. DJ Khaled & Cardi B – “Dinero”
Logic ft. Alessia Cara & Khalid – “1-800-273-8255”
N.E.R.D & Rihanna – “Lemon”

Entre seis indicados, nós temos um óbvio favorito e outro que pode surpreender. Ambos se destacam pelo capital cultural no qual estão inseridos, um que dá pra perceber de forma evidente; enquanto o outro, um pouco mais sutil – mas se entendermos que é uma obsessão particular do artista, faz todo o sentido.

“APES**T” gerou conversa, teorias e thinkpieces sobre a discussão entre arte clássica e “consagrada”, e representatividade, especialmente com o reposicionamento do corpo/rosto negro dentro do ambiente do museu, tradicionalmente europeizado (branco), assim como a própria colocação dos Carters como parte desse contexto artístico (eu tinha comentado no post das categorias técnicas sobre como eles se enquadram como parte de quadros, eles mesmos como centros de uma imaginária obra de arte). Além das referências mais substanciais, aqui e ali o vídeo de “APES**T” (que merecia uma música bem melhor do que um literal descarte do Migos) também coloca referências caras ao povo negro (como a relação pessoal e profunda com os cabelos), o movimento Black Lives Matter e o ativismo de Colin Kaepernick (os rapazes ajoelhados são uma referência bem visível dos jogadores de futebol americano ajoelhados na hora do hino nacional) em imagens belíssimas e fotografia esmerada dentro do museu do Louvre. Não tem como negar que é um dos melhores e mais bonitos vídeos do ano dentro do mainstream, unindo conceito e valor de replay. Não é fácil fazer isso – especialmente no cenário pop de hoje tão carente de criatividade – mas Beyoncé vem trazendo esse “estado da arte” no videoclipe há um bom tempo.

Mas nunca, nunca mesmo dispensem um throwback anos 90 dessa jogada. Janeiro tem muito tempo, mas o remix de “Finesse” teve um clipe super celebrado pela homenagem a uma das séries mais importantes para a comédia no começo dos anos 90, “In Living Color”, com direito a replicação exata do cenário onde a série era gravada, coreografias com o espírito da época, roupas do período e até mesmo a forma como foi gravado é completamente anos 90. Um caminho evidente pela própria natureza retrô da faixa (um new jack swing puro sangue), e que vai atrás da nostalgia que ainda é tendência em 2018, especificamente a nostalgia anos 90 – que se reflete ainda nos remakes de séries da época, tendências fashion, atração por artistas do período e filmes que usam da cultura pop da época como forma de humor (“Deadpool”, alguém?) – e musicalmente falando, o encontro que ninguém achava que funcionaria – mas funcionou admiravelmente – entre Cardi B e Bruno Mars deu mais um hit ao havaiano e a exposição da rapper a um público mais crossover do que fã-base que a ouvia desde a época das mixtapes.

O mais bizarro é que eu nem consigo ver outro clipe que tenha potencial de zebra, porque até mesmo o ar conceitual de “Lemon” esbarra na pouca visibilidade da faixa nos charts.


INDICADOS

Bazzi
Cardi B
Chloe x Halle
Hayley Kiyoko
Lil Pump
Lil Uzi Vert

Como eu tinha dito no começo desse post, eu imagino a categoria de Artista Revelação como o award para o grande destaque no mainstream, até pra diferenciar do “Push”, que seria algo como “Fique de olho nesses novatos porque um dia eles estouram”. Então, pensando nessa forma, acho que não tem um BNA com cara, jeito e visibilidade de Revelação como Cardi B.

Dois #1 na Billboard, parcerias que foram top 10, sucesso em vários grupos de ouvintes e com uma personalidade vibrante e relatável que é reproduzida nos vídeos, todos sempre criativos e por vezes distintos do que você vê como rap (especialmente a vibe trap atual), a artista é um dos nomes mais importantes dentro da música no ano: musicalmente falando, o “Invasion of Privacy” foi aclamado pela crítica e teve um excelente retorno de público, e tudo em que ela toca (ou seja, seus featurings) vira ouro – padrão para qualquer novato/a sensação. Além disso, em termos de imagem, o estilo, a atitude e todas as influências da cultura hip hop aliados com a herança latina (que está em ascensão no pop mainstream) fazem com que Cardi seja o avatar ideal do que realmente faz sucesso e tem influência no zeitgeist atual. E isso se reflete em seus vídeos, na sua presença visual, nos awards em que participa e se apresenta e em como interage com seus fãs nas redes sociais, onde ela já era famosa desde antes de ser rapper – Instagram-savy, Belcalis Almanzar (seu nome verdadeiro) surgiu primeiro com fama nessa plataforma e por causa disso passou a fazer parte do reality show “Love and Hip Hop”, tudo isso considerando seu trabalho anterior como stripper, cujas histórias estão contidas em sua música e ela não esconde esse passado; pelo contrário (e isso tudo, num award extremamente visual, e que nos últimos anos vem dando mais importância à popularidade, é essencial).

Pra mim, a vitória da Cardi tá bem na cara; mas se rolar uma hecatombe (porque voto popular é uma surpresa a cada instante), não me surpreenderia se esse soundcloud rapper tenebroso Lil Pump fosse receber o Moonperson. SÉRIO: esse grupo de rappers faz o maior sucesso entre o público mais jovem americano, com trap genérico af e esses rostos intercambiáveis. Não ficaria chocada de forma alguma, mas espero que isso não aconteça. Se ocorrer, já sabem que avisei aqui.

 


INDICADOS

JULY 2018 – Chloe x Halle
JUNE 2018 – Sigrid
MAY 2018 – Lil Xan
APRIL 2018 – Hayley Kiyoko
MARCH 2018 – Jessie Reyez
FEBRUARY 2018 – Tee Grizzley
JANUARY 2018 – Bishop Briggs
DECEMBER 2017 – Grace VanderWaal
NOVEMBER 2017 – Why Don’t We
OCTOBER 2017 – PRETTYMUCH
SEPTEMBER 2017 – SZA
AUGUST 2017 – Kacy Hill
JULY 2017 – Khalid
JUNE 2017 – Kyle
MAY 2017 – Noah Cyrus

Essa categoria é realmente meio estranha quando pensamos que tem gente inserida aqui que foi indicada a Revelação (mas a MTV indicou clipes de dois anos atrás na categoria de Vídeo Latino, então…); dessa forma, eu prefiro pensar o conceito de “Push Artist” como alguém que só falta um empurrãozinho para estourar (acho que daí vem o nome “Push”, né gente).

Dessa forma, desconsiderando o pessoal lá atrás, da primeira metade do ano passado (incluindo o vencedor de BNA do Video Music Awards 2017 Khalid), e pensando até mesmo em artistas que compartilham indicação tanto aqui quanto em Revelação, tenho a ligeira impressão de que esse prêmio está próximo da Hayley Kiyoko, que ganhou uma fã-base bem fiel nos últimos tempos, especialmente com seu debut “Expectations”. Com um som pop e músicas visivelmente catchy, além de um visual moderno e cool, sua musicalidade trata de abordagens honestas sobre relacionamentos lésbicos. Hayley, que é homossexual, busca normalizar essa temática na música pop, que ainda é extremamente heteronormativa; mas o twist da cantora é que o som é acessível. Nada de indie, alternativo, “síndrome de underground”. É unapologetic pop, o que é um sopro de ar fresco dentro de um clima para o gênero irritantemente down e sem criatividade alguma. Back to basics às vezes é o melhor caminho.

Mas, novamente, este é um award de voto popular, então fiquem atentos a fã-bases fieis que gostam de fazer mutirão. Quem pode aparecer de surpresa pode ser a boy band PRETTYMUCH, ou outro soundcloud rapper, Lil Xan (que até namora outra indicada nesta categoria, Noah Cyrus).


O próximo post, às portas do Video Music Awards 2018, será um compilado de análises de três categorias técnicas (Direção de Arte, Coreografia e Direção); e as três categorias principais da noite (Canção do Ano, Artista do Ano e Vídeo do Ano). Não perca, será um post definitivamente imenso 😂😂😂

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