Video Music Awards 2018 [1] Melhor Vídeo Pop, Rock e Dance.

Hora de começar as discussões sobre o Video Music Awards 2018 com as análises gerais e das possibilidades de vitória em três gêneros distintos, que vivem situações complexas dentro da esfera musical.

O pop se encontra na posição cruel de não ser mais o “norte” do mainstream, o farol que apontava os caminhos de estética e do que se tornaria mainstream a partir da captura das influências de nicho. Hoje, quem domina as sonoridades é o rap, e a estética pop que sempre teve tendências bem claras – futurista (late-90/early-2000), minimalista (late-2000), exagerada (early-2010) e mesmo emprestada do nicho indie alternative (mid-2010) com algumas referências retrô (2013-14) – hoje parece preguiçosa. As pessoas não tem mais paciência ou vontade de pensar em visual quando se fala de pop. Foram atrás de uma atitude blasé, too cool for school, que se reflete até mesmo nos acts pop no geral – bland, vanilla, intercambiáveis. Por isso mesmo a audiência se empolga com os nomes mais consagrados; enquanto os mais novos correram para conferir as doses de entretenimento, visual e músicas up em outro canto.

Já o rock… Enfim, há muito tempo o gênero não era o mais querido dentro da esfera musical mainstream, e talvez não tenha sofrido tantas transformações que o mantivessem updated para uma nova geração. O último respiro foi rechaçado por muitos puristas, a exemplo do emo, o nu metal do Linkin Park (se vocês soubessem a treta que deu quando eles fizeram parceria com Jay-Z…) e o pop punk – encontros do rock com outros gêneros que deram visibilidade, apelo crossover, e fizeram o gênero ganhar sobrevida, antes de nichar de vez. A única razão pela qual a MTV ainda mantém essa categoria é exatamente pela importância histórica do rock para os primórdios da emissora.

Já a dance music (ou EDM, se preferir) encontra-se numa situação bem mais confortável, justamente por ter aberto as portas para as misturas as quais o rock recusou. É impossível não pensar na contribuição de Avicii (RIP) e sua “Wake me Up” (2013), que causou estranhamento em boa parte da comunidade EDM, mas se não fosse pelo DJ sueco, talvez não teríamos “Closer” ou “Something Just Like This”, ou “The Middle”. Talvez até tivéssemos, mas não seriam recebidos de braços abertos – porque alguém ajudou a pavimentar o caminho. A dance music é muito mais aberta porque se deixou misturar, e o resultado é que volta e meia um DJ emplaca músicas no top 5 da Billboard e indicações ao Grammy às pencas.

Pensando em tudo isso, vamos falar das indicações em Melhor Vídeo Pop, Rock e Dance no VMA 2018.

INDICADOS

Ariana Grande – “No Tears Left to Cry”
Camila Cabello ft. Young Thug – “Havana”
Demi Lovato – “Sorry Not Sorry”
Ed Sheeran – “Perfect”
P!nk – “What About Us”
Shawn Mendes – “In My Blood”

Nessa categoria, todos os clipes são bacanas, até mesmo o do Shawn, que é o mais simples e simbólico, mas mesmo assim, deu pra ver que os indicados investiram em alguma coisa: em visuais, em conceito, em produção. Não são clipes para cumprir tabela (as indicações de “Malibu” em 2017; “Give me Everything” em 2011 são as que consigo referenciar neste momento como “bons” exemplos, especialmente a última – por favor, é um clipe de balada em formato widescreen), possuem identidade.

Pensando nestes aspectos, acho que para além da óbvia qualidade dos vídeos, o que vai definir a categoria é o FANDOM. Quem vai votar mais, quem vai se dedicar, quem fará mutirão para o voto; enfim. E quem está na frente, acredito, são Ariana Grande e Camila Cabello, com o adicional de que os dois vídeos, mesmo com conceitos distintos, são bons. “No Tears Left to Cry”, aliás, é belíssimo, um dos mais bonitos do ano visualmente falando e casa muito bem com a música – não em letra, mas em “vibe”, em tom – um tom que cresce e explode no refrão, algo épico, e o vídeo reflete um pouco essa grandiosidade. Já “Havana” tem outras referências (“A Rosa Púrpura do Cairo”, telenovelas latinas), e dos seis, é o meu favorito pessoal justamente por essa latinidade impressa em cada frame – e como fui criada vendo novela mexicana, qualquer produto midiático que se inspire nela tem meu coração haha

(curiosamente, o diretor dos dois vídeos é o mesmo, Dave Meyers)

Correndo por fora nessa disputa estão Demi Lovato e Shawn Mendes. “Sorry Not Sorry” pode até ser visto como “simples” por causa da ideia batida de “festa com participações de famosos aleatórios”, mas o colorido e a estética mid-2000 são bem refreshing, bem verão e junto com a música, que tem essa pegada pop/R&B 90-ish, deixa o vídeo com um tom surpreendentemente nostálgico. Já “In My Blood”, simples, efetivo e uma montanha-russa de emoções, representa de forma simbólica o estado do eu-lírico durante a música. É como se apresentasse os sentimentos do Shawn de forma indireta. É um vídeo de compreensão mais difusa (e mesmo um vencedor anticlimático), mas não me surpreenderia com o rapaz levando o Moonperson.

“Perfect”, do Ed Sheeran, é o clipe mais tradicional (e com cara de caro, bem investido) dos seis indicados, mas este não é o VMA do ruivo; foi lá no ano passado. Era melhor Taylor ter ficado com essa vaga. Quanto a P!nk e seu “What About Us”, é um vídeo ótimo, conceito forte, coreografia on point; entretanto, a concorrência é mais forte e mais vistosa – assim como o fator fandom influencia muito quando se trata de acts veteranas.


INDICADOS

Fall Out Boy – “Champion”
Foo Fighters – “The Sky Is A Neighborhood”
Imagine Dragons – “Whatever It Takes”
Linkin Park – “One More Light”
Panic! At The Disco – “Say Amen (Saturday Night)”
Thirty Seconds to Mars – “Walk On Water”

 

Geralmente os clipes de rock sempre são bacanas, sempre entregam algo de diferente e os vencedores normalmente fogem do estereótipo “clipe de show” pra algo notadamente bem elaborado (e por vezes pretensioso). Quem escolhe os vídeos a serem indicados acerta na lista (exceto o dia em que a MTV tomou alguma coisa errada e colocou “Royals” da Lorde como rock – e ela ainda LEVOU!), e os clipes a seguir são bem legais.

Ao contrário da categoria pop, em que o fandom ajuda na decisão de quem leva ou não o Moonperson, no rock é possível avaliar a vitória em relação a quem fez mais sucesso no período de elegibilidade. Mesmo que o vídeo seja HORRÍVEL, se o act em questão estourou na época, é justamente de quem as pessoas vão mais se lembrar na hora do voto (ou a MTV vai boninhar pra escolher). Nesse caso, o Imagine Dragons está bem lá na frente entre os indicados. “Whatever it Takes” foi #12 na Billboard (mesmo os singles anteriores tendo sido top 10, é um ótimo percurso para uma banda de rock), o grupo está na boca do povo e é uma era bem sucedida para os rapazes. O clipe é muito bem-feito, de produção impecável e mantendo o bom nível dos vídeos do Imagine Dragons.

Apesar de não terem alcançado o mesmo nível de sucesso, não podemos deixar para trás os vídeos do Fall Out Boy e Panic! At The Disco, entregando ótimos trabalhos desde o mid-2000. Gosto da premissa de “Champion” e do senso de humor torto de “Say Amen (Saturday Night)”, mas acho que a escolha do Melhor Vídeo Rock será largamente influenciada pelo sucesso e impacto das músicas nos charts.

Enquanto Foo Fighters e Thirty Seconds To Mars trouxeram trabalhos até bacanas, mas que empalidecem em relação a vídeos anteriores dos dois grupos, não dá pra tirar da corrida o clipe “One More Light”, do Linkin Park. A MTV pode usar esse momento para homenagear Chester Bennington, que morrera ano passado, com um Moonperson como tributo. É um vídeo mais clichê em relação à concorrência (filmagem de shows, bastidores da banda), mas ganha uma melancolia absurda quando pensamos que Bennington não está mais entre nós.


INDICADOS

Avicii ft. Rita Ora – “Lonely Together”
Calvin Harris & Dua Lipa – One Kiss
The Chainsmokers – “Everybody Hates Me”
David Guetta & Sia – “Flames”
Marshmello ft. Khalid – “Silence”
Zedd & Liam Payne – “Get Low (Street Video)”

(agora que eu vi, The Middle não entrou? Essa categoria vai ser definida no palitinho)

Geralmente os clipes de EDM são sempre bem trabalhados, e a decisão nunca vai muito pela qualidade – e geralmente pela popularidade da música ou dos artistas envolvidos. No caso do VMA 2018, podemos incluir aqui outro fator: o tributo, já que um dos indicados, Avicii com “Lonely Together” (feat. Rita Ora) morreu este ano e pode ser que o Moonperson sirva como uma espécie de homenagem ao DJ sueco. E o vídeo é muito bem feito, o que é um plus.

Se a MTV não seguir pela rota do tributo (o que coloca “Lonely Together” como o favorito por aqui), tem dois clipes que acho que podem ser vencedores, na ordem de qualidade e popularidade. O primeiro é “One Kiss”, do Calvin Harris com Dua Lipa. O vídeo tem uma estética bacaninha, retrô, que funciona bem com a pegada house 90’s da música (que é sensacional e quero vê-la indicada a coisas maiores, tipo um Grammy). A outra faixa, mais pelo chamamento de fã-base, é “Get Low”, parceria de Zedd com Liam Payne – aposto que as fãs do Liam (e fãs do One Direction) votarão em peso no britânico pra garantir o prêmio. Apesar do vídeo ser o mais simples em visual (mesmo com a execução ao ar livre complicada), tem uma alegria inerente, além da música ser uma farofa de respeito.

Quanto aos outros três indicados, nada contra “Silence” (gosto do vídeo e da estética meio tumblr), mas a concorrência me parece mais forte e o apelo popular de Marshmallo + Khalid não se compara ao dos outros indicados; o vídeo dos Chainsmokers é o mais fraquinho, com música idem; e “Flames”, de David Guetta com Sia, como música é uma bomba (alguém tem que pagar os boletos, entendo), mas a minha abelhinha problematizadora zuniu no ouvido dizendo que o vídeo tem lá suas questões a serem discutidas (mas se ninguém discutiu quando lançou, isso pode significar absolutamente nada nas chances de vitória do clipe).


O próximo post do Video Music Awards vai tratar dos indicados às categorias Melhor Vídeo Latino, Hip Hop e Com uma Mensagem – e logo vocês entenderão por que pareei os três na lista.

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