Previsões para o Grammy 2019


Finalmente chegamos ao momento que os seguidores do blog mais gostam: as especulações a respeito dos indicados ao Grammy 2019! Saindo do meu cativeiro da Copa do Mundo para finalmente apresentar as minhas previsões e brincar de futurologia, é hora de tentar descobrir como a Academia vai selecionar os indicados ao principal prêmio da música, após as polêmicas da última premiação e as pressões vindas de todos os lados – entre artistas e jornalistas. Ou aprende agora ou não aprende nunca mais, e corre o risco de cair na vala da irrelevância com as novas gerações.

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando em que field os artistas colocaram seus trabalhos – o que é importantíssimo num cômputo final

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field, que vem com novidades – mas com algumas inserções em outros fields porque este ano continuamos com a dominação rap na cena, sem mostras de queda.

Melhor Álbum Pop

Possíveis indicados:

Taylor Swift – “reputation”
Camila Cabello – “Camila”
Ariana Grande – “Sweetener”
Kelly Clarkson – “Meaning of Life”
Christina Aguilera – “Liberation”
P!nk – “Beautiful Trauma”

Wild cards: “Shawn Mendes”, Shawn Mendes; “Voicenotes”, Charlie Puth, Sam Smith – “The Thrill of it All”

Mais uma vez, o período de elegibilidade é terrível para o pop field. Virou uma luta inglória encontrar candidatos que possam fazer o corte final e wild cards convincentes, já que entre outubro de 2017 e até o momento de 2018, o pop se mostra cada vez mais irrelevante na cena, – não apenas pela falta de representatividade feminina (que nas últimas décadas foi a mola mestra do gênero), a falta de apelo crossover de novos stars que atraiam o público, cuja parcela mais nova parece migrar cada dia mais ou para o rap, ou para ritmos latinos, ou para o kpop; assim como os nomes já conhecidos lançaram materiais que em maior ou menor grau, não trouxeram nada de muito interessante ou simplesmente explodiram na saída.

Por fim, sobrará para o álbum mais vendido do ano, “reputation”, ajudar Taylor Swift a emplacar mais uma indicação; a única “novata” com destaque (“novata” entre aspas porque Camila Cabello como artista solo ainda tá começando), Ariana Grande com um CD que ainda nem ouvi; e especialmente as veteranas. Nomes como P!nk, Kelly Clarkson (uma queridinha da Academia) e Christina Aguilera (que mesmo com vendas tenebrosas do “Liberation”, ainda é benquista pelos jurados pelos anos de serviços prestados) não devem ser deixados de lado, especialmente quando o pop está tão carente de coisa boa lançada. Para os jurados, vai no que é conhecido mesmo.

Sabe o que é mais bizarro? Se até o final de setembro não tiver nada de muito diferente, vai ser essa configuração mesmo e bola pra frente. Bem-vindos a uma nova era.


Entre os wildcards, eu inseri os três álbuns masculinos que tiveram o mínimo de interesse dos críticos nesse período, com níveis maiores ou menores de apelo com o público. Acho que dos três, o self-titled do Shawn Mendes pode ser a chance mais real do canadense entrar na jogada – é um som mais maduro que o dos álbuns anteriores e a recepção da crítica foi bem positiva, além de uma primeira semana de vendas respeitável numa indústria morta. Charlie Puth foi substituído por um artista de verdade no “Voicenotes” e pode ser que role alguma indicação surpresa; e é impossível tirar dessa equação um vencedor antigo do field como Sam Smith, mesmo que seu segundo álbum não tenha tido nem a metade do apelo que o debut.

 

Melhor Performance Pop Solo

Possíveis indicados:

Taylor Swift – “Delicate”The cover shows Grande's profile with a rainbow light cast across her face.
Camila Cabello – “Never Be The Same”
Ariana Grande – “no tears left to cry”
Dua Lipa – “IDGAF”
Shawn Mendes – “In My Blood”

Wild cards: P!nk, “Beautiful Trauma”, Charlie Puth, “How Long”, Justin Timberlake, “Filthy”, Celine Dion, “Ashes”

Outro sofrimento foi encontrar pessoas que fizessem o requisito para entrar no corte final de Performance Pop Solo, dada a situação deprimente do pop atual. Acredito que os artistas indicados em álbum vão casar com solo (ou duo, a depender de quem estejamos falando) e o resto é resto. Não sei como a faixa do Ed Sheeran entra aqui, se será a versão solo ou o remix com a Beyoncé, ou mesmo se a música é elegível (teremos uma remix problem logo a seguir), então nem inseri o ruivo nessa equação (especialmente porque o Divide já levou Grammy e ele não pode submeter material vencedor – exceto se for a truqueiríssima LIVE VERSION). Então vai nessa turma aí, considerando que a única faixa solo da Taylor é “Delicate” e é a melhor chance e vitória numa categoria fraquíssima em que existe chance de finalmente Shawn Mendes ser reconhecido com seu trabalho mais maduro até então, justamente pela falta de concorrência.

Agora, existe uma chance dessa categoria ganhar um balanço completamente diferente, mas só posso informar logo mais.


Os wild cards partem do mesmo princípio de combar indicação de álbum-single; por isso as presenças de P!nk e Charlie aqui. Timberlake não deve ser deixado de fora, mesmo com um material mal-recebido por crítica e público. E olha, numa categoria tão fraca, não me surpreenderia se Celine Dion ganhasse muito amorzinho dos jurados com a performance incrível de “Ashes”, da trilha de “Deadpool 2”, lembrando os bons tempos dos anos 90 em que ela sempre estava presente em Performance Pop Feminina. Acho que este pode ser o ano das veteranas…

 

Melhor Performance Pop por Duo ou Grupo

Possíveis indicados:

Zedd, Maren Morris and Grey The Middle.png“The Middle” – Zedd, Maren Morris & Grey
“Fall in Line” – Christina Aguilera feat. Demi Lovato
“Meant to Be” – Bebe Rexha feat. Florida Georgia Line
“Say Something” – Justin Timberlake feat. Chris Stapleton
(alguma música a ser lançada até 30.09.2018)

ALERTA CHERNOBYL porque isso aqui realmente pode se configurar pela RUINDADE do corte final. Não que eu não goste de nenhuma das músicas; na verdade, a única que acho realmente BOA e com cara de Grammy-nominee é “Fall in Line”; porque de resto, vai pelo sucesso ou pelo nome. “The Middle” é “Stay” parte 2, mas num ano fraco de colaborações, a música fez sucesso e é catchy; “Meant to Be” é pop/country que também é rasteiríssimo, mas é hit massivo nas rádios do gênero cujos motivos jamais entenderei e seria difícil não entrar aqui; e apesar do álbum do Justin ter sido uma bomba, talvez a única faixa que pode entrar por algum tipo de mérito é “Say Something” – afinal de contas, aqui não se analisa letra né mesmo…

Não acredito que vou dizer isso, mas saudades de quando as bombas do Maroon 5 faziam sucesso pra gente encher essa categoria…

 

 

General Field

A decisão do Grammy em expandir os indicados a Artista Revelação, Gravação/Canção do Ano e Álbum do Ano de cinco para oito indicados é uma faca de dois gumes que pode virar uma sonora merda especialmente num ano fraco como 2018. Por quê? Então, por um lado, essa decisão é a prova de que ao menos a Academia se mexeu, tentando ampliar a representação de artistas e músicas vindos de gêneros mais abrangentes entre o público consumidor (e que são marginalizados pelo comitê, dados os últimos resultados em AOTY), assim como uma representação por gênero mais igual – fields como country, rock e rap sofrem com a baixa aparição feminina, e agora os jurados podem selecionar nomes interessantes que façam o requisito e que sejam bons o suficiente para entrar nas premiações gerais.

Ao mesmo tempo, o problema principal dessa expansão é que, na busca pelo equilíbrio entre sucesso comercial e aclamação crítica, os jurados acabem colocando artistas que tenham apenas apelo de público (mas qualidade discutível) apenas para atrair audiência ou soar “current”. Ou, inserindo entre os indicados nomes muito fora do mainstream para compor o grupo final, a possibilidade do Grammy novamente optar por um material tradicional e sem representação na cultura musical do ano, apenas para não dar para um álbum de um gênero “indesejado” pelo comitê, permanece alta. Ou seja, no fim das contas, pode ser much ado about nothing.

Mas veremos o que acontecerá nos próximos capítulos.

Por isso, ao contrário de outros anos, aqui decidi fazer diferente: ao invés de separar em cinco candidatos de vez, vou indicar quem pode aparecer entre os indicados, sem definir se é “corte final” ou “wildcard”. Tipo lista de compras.

Artista Revelação

Quem pode estar na lista 

Cardi B
Dua Lipa
Post Malone
Chloe X Halle

 

Dentro da lógica de indicados a Artista Revelação que o Grammy faz atualmente, Cardi poderia não entrar (as famosas 30 músicas ou três álbuns para um artista novato, ela ultrapassa o limite com as duas mixtapes + “Invasion of Privacy”), mas acho que a Academia pode dar aquele “empurrãozinho” porque soaria ridículo ignorar a grande revelação musical do período de elegibilidade por conta desse tipo de tecnicalidade bisonha. E se considerarmos que foi justamente entre 2017-18 que ela estourou de vez e se tornou um nome forte na cultura popular, não tem como tirar ela daqui ou sequer considerá-la lock para LEVAR o prêmio.

O caso de Dua Lipa é distinto – apesar dela já ter sido conhecida antes do período de elegibilidade (eu me lembro de ter ouvido “Blow Your Mind” no começo do ano passado), o percurso de reconhecimento dela como artista revelação se deu com o passar do ano. Caso a Academia queira um bom nome para indicar na cota pop, a britânica seria uma excelente opção: é a mais reconhecível desse grupo de não-reconhecíveis new faces do pop, as músicas são boas e ela já vem emplacando performances em premiações americanas. Ou seja, a chance de chegar até aqui é grande, e seria o último empurrão para fazer o nome dela estourar de vez nos EUA.

Já Post Malone também não poderia ser indicado, caso o Grammy seja muito ortodoxo dentro das próprias regras (mesmo caso de Cardi), mas apesar do segundo CD “Beerbongs & Bentleys” ter sido massacrado nas críticas, o sucesso de público e os #1’s no bolso podem credenciá-lo a uma vaga em Artista Revelação. O período de “explosão” dele foi justamente na segunda metade do ano, passando por 2018, e esquecê-lo por conta das regras malucas da Academia seria um grave erro, mesmo que como artista ele não seja lá essa Brastemp toda. Acho que teremos mais um ano com o Grammy mudando as regras de BNA outra vez, porque…

Entre os nomes menos instantâneos, estava acompanhando o que o pessoal do Goldderby comentava sobre o Grammy quando eles lembraram o duo Chloe X Halle, contratadas do selo da Beyoncé, que as descobriu após o cover de “Pretty Hurts” das jovens no YouTube. Apesar de terem lançado duas mixtapes anteriormente e contando com o álbum, talvez ficaram próximas da inelegibilidade, o primeiro CD foi lançado em 2018, e as jovens já começaram a acontecer no nicho R&B recentemente. Fiquem de olho que elas podem fazer o corte final.

Quanto às outras possibilidades, com certeza o Grammy vai incluir novos acts em country, outros de rap, e alguém realmente desconhecido de quem nunca ouvimos falar. No entanto, se tem uma categoria em que a expansão de cinco para oito indicados foi uma decisão ruim, é em Artista Revelação. Você vai encher com quem, quando o ano foi tão ruim de new faces na música?

 

Make Me Feel, Janelle Monae single, 2018.jpgRecord of the Year

O que define o Record of the Year? Sabemos que são os grandes hits do ano, as músicas com maior apelo, e geralmente são as faixas de fields, que representam as músicas mais bem sucedidas em cada gênero no período de elegibilidade. Apesar dos resultados decepcionantes em 2018, uma coisa de positiva saiu do Grammy este ano – a ideia cartesiana de separar tudo por gênero é furada. Mesmo com essa expansão de cinco para oito indicados, a chance é de finalmente termos uma representatividade real oficial do que fez sucesso no ano, tanto em #1 quanto em top 10, e sem possibilidades de Jay-Z emplacar indicação de música que só os funcionários do Tidal ouviram.

Ao mesmo tempo, com essa mesma expansão, o Grammy pode indicar nomes que, se não foram grandes sucessos no ano, tem aclamação crítica e fazem o requisito da categoria tecnicamente falando – músicas com produção impecável e engenharia de som cristalina.

Quem pode entrar na lista? 

*”Nice for What”, Drake
“This Is America”, Childish Gambino
“I Like It”, Cardi B feat. Bad Bunny & J Balvin
“The Middle”, Zedd, Maren Morris & Grey
“Delicate”, Taylor Swift
“All the Stars”, Kendrick Lamar feat. SZA
“Psycho”, Post Malone feat. Ty Dolla Sign
*”APESHIT”, The Carters
“Make Me Feel”, Janelle Monaé
“In My Blood”, Shawn Mendes

Eu separei nove músicas e posso ter esquecido de outras, mas num cômputo geral, você tem aí exatamente o mix de urban/rap que bombou no ano que passou; hits que só vão entrar porque são hits ou são aquela cota pop empurradinha dependendo das maquinações do field, músicas dos artistas queridinhos do Grammy (Taylor vai emplacar sim em ROTY e SOTY com a música mais “award-friendly” dela), assim como as músicas fora da caixinha, como “This Is America” e COM CERTEZA “Make Me Feel” da Janelle. Acho que Janelle Monaé será uma das pessoas mais beneficiadas por essa mudança – já que na busca por mais artistas para compor a lista final, os jurados vão atrás de acts que fujam do esquemão mais mainstream ou do que é mais confortável para o comitê. So… Janelle entra, e não se surpreenda se ela aparecer ainda mais aqui.

Os asteriscos para Drake e Bey/Jay são por duas razões: um, Drake já ignorou as submissões ao Grammy anteriormente e não me surpreenderia se o fizesse outra vez; então, os movimentos dele aqui na previsão dependem da gravadora vai enviar as músicas para serem submetidas. Já os Carters… Enfim, eu como boa canceriana, se fosse membro do Grammy, pegaria as submissões deles e mandaria para o lixinho da Academia, porque ninguém me esculhamba e sai impune – meu rancor é lendário. Não sei se o poder e a audiência do casal superam o ranço de serem targets da fúria de Jay-Z, então, fica na expectativa (e se eles forem enviar o material também).

 

Song of the Year

Essa é a categoria dos compositores, e apesar de termos tido um resultado que muita gente falou mal em 2018 (e eu File:This Is America (single cover) 2018.jpgdisse que tinha chance pelo jogo de xadrez + estrutura + falta de concorrência), a expansão no número de indicados pode gerar três consequências bacanas: 1. termos mais novos compositores celebrados pelo trabalho e finalmente reconhecidos pela Academia, especialmente os que vem de fields marginalizados; 2. reforçar a importância dos songwriters pesos-pesados e dar aquela massageada no ego em quem vem ralando nos bastidores há anos; e 3. entregar prêmios a compositores que vem dando shape aos gêneros que amamos mas nunca foram reconhecidos (o que explica boa parte da cena R&B super contente com a vitória do James Fauntleroy este ano em Song e Album). Ou seja, teremos um duelo de forças interessante – mesmo que o final dê os mesmos nomes – e você sabe que dará os mesmos nomes.

Isso, em tese. Num ano fraquinho de indicações e de possibilidades, a chance é dos jurados seguirem na mesma toada das indicações em Record e ver onde é que vai. Novamente aqui, os fields não existem da forma cartesiana, então, podemos ter dominância dos gêneros mais abrangentes no período de elegibilidade.

Quem pode entrar na lista? 

*”God’s Plan”, Drake
“This Is America”, Childish Gambino
“Be Careful”, Cardi B
“In My Blood”, Shawn Mendes”
“Delicate”, Taylor Swift
“All the Stars”, Kendrick Lamar feat. SZA
“Psycho”, Post Malone feat. Ty Dolla Sign
*”APESHIT”, The Carters
“Make Me Feel”, Janelle Monaé

 

As mudanças não foram extremas em relação ao primeiro grupo – permanecem o mix de urban/rap que bombou no ano que passou; a cota pop empurradinha dependendo das maquinações do field, músicas dos artistas queridinhos do Grammy e as músicas fora da caixinha. No entanto, acredito que se a Atlantic for inteligente, submeterá “Be Careful” da Cardi B em Song e “I Like It” em Record por um motivo simples: a parte lírica, que é mais pessoal, tem uma vibe diferente do resto do álbum e dá mais fôlego às possibilidades de AOTY para a rapper com indicações mais espalhadas, mostrando versatilidade e poder lírico.

Acredito que, caso Drake submeta alguma coisa no Grammy 2019, ele seguirá a mesma lógica: “Nice for What” em Record e “God’s Plan” em Song. Pode até ser o contrário, mas acho a produção da segunda mais fraquinha, melhor investir aqui. Já os Carters é a história de falar mal da premiação para quem eles vão submeter suas músicas. Não sei qual o nível de amor próprio da Academia ou se eles são almas espiritualmente elevadas que perdoam… E óbvio, se Bey/Jay vão enviar alguma coisa pra ser submetida.

 

 

Álbum do Ano

Album Golden Hour cover.jpegCom a expansão de cinco para oito indicados, a categoria mais tensa e polêmica do Grammy tem a possibilidade de fazer justiça em grande estilo – e abrir os olhos para álbuns “fora da casinha” para serem indicados. Tipo o novo da Janelle Monaé, que está nas listas de melhores do ano, mas a Academia sempre achou a americana “estranha” demais para os gostos médios dos jurados. Acho que a mudança pode afetar até os blocos de votos, já que aquelas divisões que geraram certos resultados em 2018 deixarão votos pulverizados em todo canto, que pode gerar um vencedor surpreendente ou os mesmos de sempre. A coisa pode ser diferente apenas se os fields derem uma de confederações de futebol e mandarem votar em bloco numa pessoa só (exceto se tiver uma CBF da vida que vá quebrar o esquema).

 

 

Quem pode entrar na lista? 

*”Everything is Love” – The Carters
“Meaning of Life” – Kelly Clarkson
“Golden Hour” – Kacey Musgraves
“Dirty Computer” – Janelle Monáe
“reputation” – Taylor Swift
“Black Panther” – Various Artists
“From a Room Vol. 2” – Chris Stapleton
“Invasion of Privacy” – Cardi B
*”Scorpion” – Drake
“Boarding House Reach” – Jack White

Exceto por uma possível esnobada que já falamos nos asteriscos, acho que a lista final pode incluir alguns dos nomes acima entre os oito finalistas. Recordistas de vendas como “reputation”, mesmo com uma era anticlimática, tem a brand “Taylor Swift” que ajuda a chegar até o corte final; assim como álbuns com boa recepção de público e crítica de new darlings, a exemplo de “Invasion of Privacy”, que com certeza entrará aqui. Além dos blockbusters, fatalmente teremos álbuns “fora da caixa”, como “Dirty Computer” e “Boarding House Reach”, do Jack White, até para compor a cota rock/alternative que está em falta há anos. E não duvidem do poder de Kendrick Lamar, que curando a trilha de “Pantera Negra”, pode ter uma nova chance de levar Álbum do Ano.

O que é mais interessante quando consideramos essa leva de indicados, é que mesmo sem pensar em definições ortodoxas de fields, a expansão de cinco para oito nominees pode oferecer mais que os indicados mais populares dos nichos – nomes dentro do field que não são tão populares e/ou bombados, mas que possuem apelo de crítica e respeitabilidade dentro do comitê, mesmo que tenham no final dois álbuns de mesmo gênero.

 


Além das indicações já discutidas aqui, o meu dilema maior se resume ao chamado Remix Situation, que consiste em remixes lançados como singles e que tiveram bons desempenhos. Por exemplo, “Perfect Duet”, remix da balada do Ed Sheeran com a Beyoncé, que chegou ao primeiro lugar na Billboard, e que pode ser um caminho para o ruivo emplacar ainda alguma indicação relevante dentro dessa premiação, sugando o Divide até o fim. Caso o dueto seja submetido, pode ser que faça o requisito em Pop Duo, dando uma esquentada na categoria que me parece mais morta do que viva – com chances muito fortes de ganhar, já que observando calmamente Pop/Duo, os indicados não tem muita força para bater de frente com Ed Sheeran e Beyoncé. E do jeito que a Atlantic é inteligente, não ficaria surpresa com a inserção do dueto por lá.

O outro caso de remix bem sucedido é o de “Finesse”, que envolve uma situação ainda mais complicada, já que o artista principal (Bruno Mars) já fez a limpa na última edição do Grammy, enquanto o featuring (Cardi B) é provavelmente uma das estrelas da próxima edição. Apesar do “24k Magic” ter sido premiado (o que tiraria as chances de faixas inseridas no álbum ganharem alguma coisa em premiações posteriores), o remix não se aplica a isso – ou seja, a Atlantic, esperta que só, pode muito bem submeter a faixa para arrancar indicações para os dois no Grammy – mas aí, a chance fica na categoria de Performance R&B (e possivelmente – dependendo do amor da Academia pelos artistas e a vontade de consagrar – arrancar alguma indicação em ROTY, o que faria bastante sentido).


Agora é com vocês! Com a nova configuração do Grammy, quem vocês acham que podem entrar no corte final das indicações no General Field? Como o pop field ficará lá em novembro? Acreditam que daqui até o final de setembro algum artista possa surpreender e emplacar alguma coisa? Por que não coloquei Justin Timberlake entre os indicados a Álbum Pop?

Fiquem à vontade para comentar!

 

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8 comentários sobre “Previsões para o Grammy 2019

  1. Deus abençoe os lançamentos daqui até setembro, ta difícil.
    Mari, senti falta de algumas musicas que eu achava que estariam em suas previsões, Girls like you do marrom 5, one kiss do Calvin com a Dua (até pensei que eles iriam direto para gravação dance, mas como The middle pode ir para pop…) e End Game da Taylor.
    Agora vamos lá, Delicate, in my blood e APESHIT em ROTY ??
    Falando deles novamente, acho mais provável a indicação dos 5 marrons do que do Shawn. Eu não gosto muito de Girls like you mas como ela ta lá feliz da vida no top 5 da hot 100 não duvido nada.
    Arriscaria dizer que até Ariana possa dar as caras nessa categoria, o single dela até que ta bem estável, podendo até mesmo chegar a #1 nas rádios pop em algumas semanas.

    Alguém liga para Rihanna, manda a Selena ir atrás de algum DJ ou pede para Ariana procurar algum rapper. A categoria de Performance Pop por Duo ou Grupo ta me dando até vergonha.

    • Oi!

      Eu vi o pessoal do Goldderby até citando “Girls Like You”, mas acho beeem wishful thinking pensar no Maroon 5 emplacando alguma coisa desse CD no Grammy. Eles tiveram zero apelo durante a era e acho que podem passar muito bem em branco – exceto se a Academia quiser consagrar Cardi em vários fields, mas não sinto isso tão na cara.

      Já Taylor tem que concentrar esforços onde dá. “Delicate” é a melhor chance dela em conseguir algo em single pro Grammy, enquanto “End Game” foi recebida com bastante resistência e eu particularmente acho a música bem ruinzinha, até mesmo como colaboração.

      “Alguém liga para Rihanna, manda a Selena ir atrás de algum DJ ou pede para Ariana procurar algum rapper. A categoria de Performance Pop por Duo ou Grupo ta me dando até vergonha.”
      hahahahahahahah EU TÔ GRITANDO

      • Com relação a Perfect do ruivo chato, eu tinha visto em algum lugar que a versão que chegou no #1 foi a versão solo.
        O Bruno eu acredito que acabe sendo indicado com a Cardi B mas nas categorias de R&B.
        Já Ariana, esse ano me parece que ela ela tem as maiores chances de ser premiada, comparando com anos anteriores. Mas assumo, to com medo desse Sweetener, Pharrell não ta fazendo bem para essa menina.
        Mari vc viu o debut do álbum do Drake no spotify ? se preparem ele vai levar algumas coisas esse grammy (se ele submeter, claro)

  2. Dps de ver a sua análise das previsões para os Grammys 2019 , tenho coisas a destacar daí e outras que não estão aí:

    1- General Field ter 8 nomeados!

    Não estava nada à espera desta mudança! Mas por um lado vai ser bom , porque por exemplo no Album Of The Year poderá haver nomeações random principalmente do lado do Country (lembrando-me do caso do Chris Stapleton nos Grammys de 2017) e do Rock. Mas por outro vai ser mau porque querem que Beyoncé e Jay-Z ganhem Álbum do Ano , mas não nos podemos esquecer que os votantes dos Grammys dividem os votos principalmente no Rap. Como vai haver 8 nomeados nas 4 categorias principais , não me admirava nada de ver as nomeações desta forma: – Pop (Taylor Swift e Kelly Clarkson)
    – Rap (Drake e The Carters)
    – Rock (U2)
    – Country (Chris Stapleton e Kacey Musgraves)
    – Black Panther:The Soundtrack Album

    2- Taylor Swift

    O álbum foi sucesso? Óbviamente que foi , aliás neste Pop Situation de 2018 (k apesar de alguma música ter conseguido nº1 na HOT 100 como o caso de Ed Sheeran e Camila Cabello) foi o álbum mais vendido até agora deste período de eligibilidade. Portanto as nomeações para Best Pop Vocal Album e Album Of The Year estão garantidas.
    Em relação a “Delicate” , não é das minhas preferidas do álbum (LWYMMD e Ready For It? são as minhas preferidas) , mas parece que é a música desse álbum que acho que vai aguentar mais semanas na Hot 100. Foi Top 5? Não. Foi Top 10? Não. Foi Top 20? Não , mas tem possibilidade de chegar lá. Foi Top 30? Sim.
    E reparando neste Pop Situation , é a música dela que pode levar ela à Canção do Ano e à Gravação do Ano (apesar de achar que ela tem mais chances em Canção do Ano).

    As possíveis nomeações de Taylor Swift:-Album Of The Year – Reputation
    -Best Pop Vocal Album – Reputation
    -Best Pop Solo Performance – “Delicate”

    3- Camila Cabello

    Ela fez sucesso com Havana ano passado e conseguiu nº1 este ano na Hot 100 e na Billboard 200 Album.
    O álbum também fez sucesso e pode puxá-la para Best Pop Vocal Album , mas acho que há uma situação: o Justin Timberlake ser nomeado pelo álbum em vez de “Camila” por causa do Halftime Show (caso da Lady Gaga nos Grammys deste ano). Mas sinto que pelo menos ela vai ter uma nomeação e vai ser uma nomeação óbvia em Best Pop Solo Performance pela música “Never Be The Same”.

    Possíveis nomeações de Camila Cabello: Best Pop Solo Performance – “Never Be The Same”

    4- Justin Timberlake

    O Justin Timberlake teve um dos álbuns mais vendidos de 2018 , apesar da crítica ao “Man Of The Woods” ter sido morna como o caso do “Divide” do Ed Sheeran. Mas mesmo assim o álbum ainda pode emplacar uma nomeação a Best Pop Vocal Album por causa do Super Bowl. Entretanto ele já tem uma nomeação garantida: Best Pop/Duo Group Performance por “Say Something”. Por falar no álbum dele , sinto que as trocas mais óbvias vão ser entre ele e a Camila Cabello (ou seja , os membros dos Grammys se calhar vão pensar “a Camila Cabello vendeu mais com este álbum em comparação ao Justin Timberlake , mas como ele fez o Super Bowl e isso ajudou muito nas vendas do álbum dele , vamos nomeá-lo!!!”)

    Possíveis nomeações de Justin Timberlake: Best Pop Vocal Album – Man Of The Woods
    Best Pop/Duo Group Performance – “Say Something”

    5- Ariana Grande

    A Ariana Grande este ano destacou-se muito principalmente por “No Tears Left To Cry”. Apesar da música ser um pouco esquecível (não acho que seja muito esquecível) , é um dos melhores singles pop de 2018.
    Ela ainda vai lançar o “Sweetener” mas já posso dizer que vai ser interessante , porque vai ser um álbum visual , o que pode ajudar mais na nomeação do álbum no Best Pop Vocal Album. Aliás acho que as únicas nomeações dela vão ser em Record , Pop Album e Pop Solo.

    Possíveis nomeações de Ariana Grande: Record Of The Year – “No Tears Left To Cry”
    Best Pop Vocal Album – Sweetener
    Best Pop Solo Performance – “No Tears Left To Cry”

    6- Christina Aguilera

    Quem diria que a nossa Xtina iria regressar em 2018! Ela flopou , mas teve ótimos singles como “Fall In Line” e “Twice”. O álbum não fez tanto sucesso nos charts , mas teve uma nota média de 71 no Metacritic , o álbum mais aclamado da carreira dela no Metacritic. Acho que a nomeação para Best Pop Vocal Album já está garantida. Mas o caso tá muito complicated para “Fall In Line” , porque apesar de ter chances em Pop/Duo Group , já tivemos sucessos neste período de eligibilidade (Perfect Duet , Finesse (Remix) , The Middle , Say Something e Girls Like You with Cardi B). Mas como você disse e é verdade , “Fall In Line é a cara de Grammy Nominee e como os Grammys não nomeiam 100% só sucesso (Caso das nomeações dos Grammys deste ano) , “Fall In Line” já tem o seu lugar vago nesta categoria.

    Possíveis nomeações de Christina Aguilera: Best Pop Vocal Album – Liberation
    Best Pop Solo Performance – “Twice”*
    Best Pop/Duo Group Performance – “Fall In Line”

    7- Possíveis chances de nomeações de outros artistas:

    – Shawn Mendes – Best Pop Solo Performance – “In My Blood” (Acho que vai ser a única nomeação dele nos Grammys de 2019)

    – Kelly Clarkson – Best Pop Vocal Album – Meaning Of Life (É a queridinha dos Grammys por isso mais uma nomeação para ela)

    – Bruno Mars – Record Of The Year – Finesse (Remix)
    – Best R&B Performance – Finesse (Remix) (É remix a versão , mas fez sucesso e tem possibilidade de ser nomeada em qualquer uma destas categorias.)

    – Nicki Minaj – Best Rap Album – “Queen” (Acho que vai ser a única nomeação dela nos Grammys , porque como a Marina disse , as músicas que a Nicki lançou não fizeram o barulho que deveriam fazer.)

    – Ed Sheeran – Record Of The Year – Perfect Duet
    Best Pop/Duo Group Performance – Perfect Duet (Esta versão fez bastante barulho nos charts , foi nº1 na HOT 100 deste ano e por isso já tem pelo menos uma nomeação garantida).

    Concorda com algo que eu disse aqui ou não , Marina? A Demi Lovato e a Rihanna têm chances de serem nomeadas a solo? (Rihanna vai lançar nova música durante o verão de acordo com alguns rumores.)

    • A única coisa que eu discordo é a situação do Timberlake. Bem ou mal, Lady Gaga estava num momento bem mais interessante com o Joanne quando chegou ao SuperBowl – o álbum foi bem recebido, os singles já tinham um feedback bacana; o show deu um boost bem-vindo ao material dela e o resto a gente já sabe. O JT, ao contrário, foi o alvo da vez este ano: exceto por “Say Something”, os outros singles (promo ou não) foram recebidos com resistência, o lead foi eclipsado pelo quarto single de um álbum de dois anos atrás, o SuperBowl recebeu críticas mistas, teve a polêmica com a história do holograma do Prince, o CD tem críticas mistas para ruins, a previsão de vendas caiu após o SB… Neste momento, até Sam Smith que mal teve uma era me parece mais próximo de uma vaga que Timberlake.

      • Marina , mesmo que haja o preconceito dos Grammys por causa das boybands e girlbands (falando dos membros que seguem a carreira a solo neste momento) , acha que se o Justin Timberlake não fosse nomeado , isso influencaria as chances da Camila Cabello nas nomeações , dando-lhe apenas 1 indicação (apesar de eu achar que ela merece mais do que 1 indicação)?

        • Acho que ela tem chances de fazer as duas indicações no Pop Field. Grammy também é política, e a aparição dela este ano, performando com Kesha e discursando sobre os Dreamers, fez com que ela ganhasse pontos ali na bancada. Não me surpreenderia com o Grammy a abraçando.

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