Mixed feelings: Ariana Grande, “No Tears Left to Cry”

File:Ariana Grande No Tears Left to Cry.pngAriana Grande já pode ser considerada um dos principais nomes do mundo pop atual. Desde o estouro com a throwback 90’s “The Way”, que surpreendeu o mundo liderando o iTunes (e mostrando o poder da fiel fã-base Arianators); com excelentes álbuns que só fazem melhorar lançamento após lançamento; uma voz privilegiada que rendeu comparações à Mariah Carey e uma imagem e som bem característicos, desde o começo ela sempre esteve um passo a mais que as peers.

Nem mesmo o Donutgate (quando Ariana cuspiu num donut num restaurante e disse que odiava os EUA, tudo filmado pelas câmeras de uma loja de doces) afetou a imagem da jovem estrela. Pelo contrário, ela conseguiu inverter o jogo com outro lançamento celebrado, o sóbrio e envolvente “Dangerous Woman”, e o auge de sua relação artística com o Midas Max Martin – talvez o último grande trabalho do produtor sueco no pop, antes que chegassem “Witness” e “Reputation” na vida dele.

Só que, apesar de tanta exposição (e quatro indicações ao Grammy), o nome “Ariana Grande” só foi se tornar conhecido mesmo (para até a minha mãe saber quem ela é) no momento mais trágico de sua carreira – o ataque terrorista no final do seu show na cidade britânica de Manchester, ano passado. O atentado chocou o mundo – além da própria característica do ataque, a maior parte das vítimas eram crianças e adolescentes voltando de um show de música pop (o último lugar que você poderia pensar na ação de um homem bomba). 23 pessoas morreram (incluindo o terrorista) e 512 ficaram feridos. Algumas semanas depois, Ariana organizou um show especial (e emocionante, deixando até esta escriba, sempre tão fria, com os olhos marejados) em Manchester, “One Love Manchester”, um show beneficente cujo dinheiro arrecadado foi para ajudar as vítimas e suas famílias.

Todo o mundo finalmente pode conhecer Ariana Grande; e seus próximos passos, pessoais e artísticos, seriam vistos com calma pelo grande público. E uma certa antecipação.

E com grande antecipação que chegou o primeiro single do quarto álbum da jovem diva, a pop/R&B/dance com espírito anos 90, “No Tears Left to Cry“.

Inicialmente, pensando que as pessoas tinham chorado ouvindo a música, e alguns disseram ter referências ao atentado em Manchester, eu imaginava outra coisa – uma balada R&B, ou uma música pop sofrida, algo do gênero – não um pop/R&B com vibe dance anos 90, atualizado para 2018. Eu até gosto da melodia, simpatizo com a pegada quase disco do refrão, mas a execução poderia ser bem melhor. Fiquei imaginando Clivillés e Cole (do C+C Music Factory) com um material desses em mãos, o banger que seria (e curiosamente, nesta música, apesar da voz não parecer, me veio à mente como Mariah Carey trabalharia com a faixa).

No entanto, em comparação com os outros lead singles da Ariana, o resultado final é confuso e decepcionante (mais um na lista de decepções de Max Martin no último ano). A letra até trabalha com a ideia de “não vou chorar, mas vou celebrar a vida”, que talvez seja a referência ao que houve ano passado – mas eu tive que ouvir a música acompanhando no Genius umas cinco ou seis vezes pra entender. Não apenas porque a letra realmente é fraca (e a quebra no refrão é muito ruim), mas porque eu não entendi o que ela falava a música toda.

Eu confesso que meu listening é confuso, mas Ariana Grande sempre teve problemas com a enunciação das palavras nas músicas – uma crítica antiga que achei que teria se dissipado no terceiro álbum, em que a enunciação das palavras é bem mais compreensível. Em “No Tears Left to Cry”, depois de três ouvidas, eu só conseguia entender “I’m picking it up” e “no tears left to cry”. Parece alguém que não sabe a música e fica cantando baboseiras por cima.

Só depois de acompanhar no Genius e ouvir mais vezes fui entender alguma coisa a mais da música (aí depois você se questiona por que a Ariana não ganha Grammy…)

Além desses problemas, sinceramente? Eu fiquei bem broxada com o resultado final. A canção é grower? É; e evidentemente, com os fãs fiéis e novos ouvintes que chegaram depois para a festa, o lançamento será com excelentes números, mas é uma música difícil de pegar de primeira e no fim do dia, uns bons passos pra trás em relação ao que a Ariana já lançou antes – sério, nem uma performance vocal marcante a música tem.

Já o vídeo, de longe um dos melhores do ano. É lindíssimo visualmente, apesar da expressão completamente desprovida de vida com o qual a Ariana faz a dublagem. Sério, Dave Meyers nunca decepciona.

E vocês, o que acharam da nova música da Ariana Grande? Podem comentar!

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8 comentários sobre “Mixed feelings: Ariana Grande, “No Tears Left to Cry”

  1. Sou um leitor fiel deste blog que recebe atualizações via e-mail hahaha

    O que eu esperava dessa música? GRITOS!!! Esperava aquilo que me cativa na Ariana: ela ser a Mariah/Xtina dessa geração: gritos, notas longas… hahaha e de primeira achei chatinha, mas até que estou apegado. Não é a melhor, mas creio que ela deverá trazer algo maravilhoso no AG4. Tive a mesma sensação no DW que não curti o lead single. É isso.

  2. Oi Marina, tudo bem? Parabéns por mais um post!
    Infelizmente hoje vou discordar de você. Dentre os motivos que você citou para seu desapontamento com a musica, o unico com o qual posso concordar é o problema de enunciação das palavras da Ari, que vem desde o Yours Truly e pode atrapalhar a experiência de ouvinte mais focados no conteúdo lírico, como aquele que vos fala.
    No entanto, de resto, creio que a Ariana conseguiu fazer uma musica bastante cativante, que demora pra te pegar, mas quando finalmente o faz, te prende.
    Realmente não se trata de nenhuma The Way ou Dangerous Woman, mas acho que é um ponto de partida excelente para o AG4, onda ela deve apresentar um trabalho bem melhor do que no Dangerous Woman, por exemplo

    • Estamos aqui pra discordar! Eu queria ter me engajado mais com a música, assim como foi com outros lançamentos dela, mas uma coisa positiva posso dizer: a Ariana não seguiu a moda do momento e foi atrás de uma faixa urban com vibe trap. Foi fiel à própria trajetória, porque ela já tinha flertado com dance-pop outras vezes.

  3. Heey!

    Marina, eu AMEI a música no dia do lançamento. No outro dia não ouvi tanto assim… E hoje to completamente alheio a ela. Perdeu a graça, sabe? Anticlimática a define. E pelo marketing sem noção (radialistas chorando?) em cima, eu esperava uma nova Sign of The Times do POP, haha.

    Beijos

  4. Além dos aspectos que você mencionou e apesar de ser uma grower, eu também achei a música bastante anticlimática (o que não vem sendo novidade nas produções do Max Martin). Concorda, Mari!? O que tem a dizer sobre?

    • Sim, faz sentido vc chamar de anticlimática. A música não tem a mesma urgência nem o mesmo ar icônico de outros singles da Ariana tampouco os singles e músicas lançadas por Katy e Taylor recentemente. Parecem músicas pra compor álbum.

  5. Fiquei meio decepcionado com a critica heheh.
    Eu realmente gostei da musica, por mais que concorde que de primeira ouvida ela não pega muito bem mas, tive o mesmo sentimento com Dangerous Woman (não sei se é porque nunca achei que foi uma boa escolha para lead single).
    Talvez por ser o lead single mais distante de todos os outros já lançados pela Ariana, muitos acabem estranhando a musica. Apesar de ter visto que a critica ta amando a musica.
    To ansioso pelo resto do material, mas gostei da pegada “Nova Ariana”
    Aliais realmente a Ariana dublando no clip é complicado.

    Enfim, parabéns pelo blog Marii

    • A crítica tá curtindo e eu entendo os pontos dela, até por soar diferente do que tá rolando nas rádios; mas tem aquela parte do público que estranhou tb. Talvez seja realmente a necessidade de ouvir mais vezes pra curtir

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