Vencedores e perdedores de 2017

Falta bem pouco para acabar o ano de 2017, e entre sucessos estrondosos, flops absurdos e momentos surpreendentes dentro da popsfera, hora de relembrar o que houve de mais importante nos charts e na repercussão dos principais artistas. Já tinha feito uma lista de destaques positivos e negativos do primeiro semestre,  mas vale a pena conferir os destaques do ano todo – afinal de contas, os mesmos tensionamentos que agitaram o primeiro semestre continuaram e se expandiram na segunda parte do ano: streams dominando a indústria, urban e rap pautando o que é sucesso ou não; a onda latina se tornando the next big thing; e se o seu nome não for Taylor Swift, acts femininas pop sofreram bastante para se manter em evidência em 2017.

Aqui pode não ser a Globo, mas essa é uma retrospectiva com os destaques positivos e negativos do ano que passou. Por isso, vá no “Today’s Top Hits”, dê play e balance os ombros enquanto lê este post!

Kendrick Lamar

Mais um álbum aclamado, mais indicações ao Grammy e possibilidades de vitória. Como negar que K-Dot foi um dos destaque de 2017? O rapper de Compton apareceu na Forbes, emplacou #1 e top 10 e mostrou que o rap é a grande força musical de 2017, além de ter provado que era capaz de fazer um álbum de excelente qualidade com forte apelo comercial, vendendo bem cópias físicas e arrasando nos streams.

Justin Bieber

Bieber não lançou nada este ano… E daí? O canadense se manteve até agora presente nos charts, tanto com as colaborações com David Guetta (“2U”), BloodPop (“Friends”), além do sucesso “I’m The One” do DJ Khaled e do acontecimento cultural “Despacito” – que empatou com Mariah Carey em semanas liderando o Hot 100 da Billboard – DEZESSEIS SEMANAS. Pra completar, Bieber está indicado a três Grammys, incluindo Canção e Gravação do Ano – duas categorias high profile para um menino que até dia desses ninguém imaginava sequer tendo um gramofone em casa.

Ed Sheeran

Apesar de ignoradíssimo nas categorias principais do Grammy, o ruivo não vai ter muito do que reclamar de 2017. Com outro #1 em casa (“Perfect Duet”, remix com Beyoncé) e o CD ainda vendendo e sendo ouvido bastante em plataformas de stream, o fato é Ed Sheeran foi o grande nome masculino pop do ano. Em relação ao Grammy, apesar da esnobada em Gravação do Ano ter sido injusta, o ruivo não merecia mesmo estar em Álbum do Ano, mas tem chances de levar uns prêmios de consolação pra casa – como Performance Pop Solo e Álbum Pop.

Taylor Swift

Por um lado, a estreia absurda nos charts com um milhão e 216 mil cópias vendidas mostra que a loira ainda tem muita lenha pra queimar, mesmo com um CD medíocre como o “reputation”. E o buzz do retorno da Taylor fez com que ela emplacasse mais um #1 com “Look What You Made Me Do”. Por outro, a pouca divulgação e exposição dela na mídia na nova fase fez com que a era “reputation” fosse até o momento bem non-event. A brand da Taylor sempre foi exposição e being relatable; não há nada muito interessante na Taylor quando ela se esconde. E artistas que cantam sobre si mesmos e sua vida de celebridade estão sempre a um ponto de estarem fora de contato com a realidade. Eu até poderia tê-la colocado no “tudo na mesma”, mas com essas vendas absurdas sem stream, difícil negar a força da Taylor como grande vendedora de discos (imagina que o CD foi lançado em 10 de novembro e só foi para os serviços de stream em 1º de dezembro!). Vamos ver se isso será suficiente para um grande desempenho no Grammy de 2019.

Bruno Mars

Com seis indicações ao Grammy, o homem não morreu – pelo contrário. Apesar de “Versace on the Floor” ter sido um top 40 discreto (uma pena, porque a faixa é uma das highlights do CD), a tour do Bruno continua batendo recordes e está perto de chegar aos 200 milhões de dólares arrecadados (além do CD continuar vendendo muito bem, e com excelentes execuções no stream). Com um top 5 e um #1 na Billboard Hot 100, liderando as rádios R&B (um crossover de carreira absurdo para quem é por origem artista pop) e com possibilidades de fazer a limpa nesse field no Grammy, a única pergunta que resta é: o próximo álbum vem quando, em 2020 ou 2022?

A música latina

“Despacito” abriu as portas e parece que todo mundo (que fala inglês) viu que existe alguma coisa acontecendo da fronteira com o México para o sul. O reggeaton e as sonoridades latinas trouxeram vida nova a 2017 e muitos artistas se tornaram queridinhos do mainstream. O que dizer do colombiano J. Balvin, que conseguiu emplacar o remix de “Mi Gente” com a participação de Beyoncé, o boost perfeito para a faixa que já crescia bem nos charts? E o compatriota Maluma, que cada dia que passa cresce na América Latina? Nem vou falar da Pabllo Vittar, que além de ter a música do ano aqui no Brasil, já fez parceria com Diplo e agora tá na nova mixtape da Charli XCX; e da Anitta, que apesar da qualidade distinta dos vídeos e clipes do projeto CheckMate, colocou o mundo inteiro pra discutir o vídeo de “Vai Malandra”. 2018 pode ser o grande pulo pra muita gente, artistas da América Central e do Sul, além de acts latinos dentro dos EUA com material puxado para a sonoridade latina. Fique de olho!

Cardi B

Talvez a grande revelação do ano, a ex-reality star e rapper Cardi B mostrou que dá pra fazer sucesso rap solo com força e sem se render a concessões pop. “Bodak Yellow” foi #1 na Billboard, foi viral e colocou o nome dela na boca do povo; e agora a Cardi tá emplacando várias parcerias high profile (mas o segredo é não deixar essa parte pop invadir o material próprio). O mais legal do sucesso da Cardi é que temos outra rapper feminina bombando, abrindo ainda mais espaço para o sucesso de outras MCs que não tenham o nome Nicki Minaj – e uma artista afro-latina ❤

 

Camila Cabello

Por falar em latinidade, parece que finalmente a Camila Cabello se encontrou como artista através de “Havana”, com sonoridade de influências latinas que quase chegou ao topo do Hot 100 (“Rockstar” eu te abomino); e com os outros promocionais lançados por ela recentemente (“Never Be The Same” e “Real Friends”) parece finalmente que ela não tá parecendo como todos os outros e encontrou um caminho musical interessante. É bom ficar de olho que a Camila tem chance de bombar bastante com o álbum autointitulado… e surpreender no Grammy 2019.

 

K-Pop

E não é que parece que o pop coreano começou a ser notado em 2017 pelos americanos? Adolescentes do mundo inteiro já encheram os celulares com as músicas dos grupos de k-pop, e só faltavam os charts e premiações americanos entrarem na dança. Com o #1 do BTS no iTunes com “MIC Drop” e performance no American Music Awards, além do retorno de um chart específico pra k-pop na Billboard (com novos critérios de contagem), estamos diante de um fenômeno que só tem a crescer nos próximos anos.

Quem ficou na mesma em 2017

Demi Lovato

Entre as ex-acts que lançaram alguma coisa este ano (ex-acts no sentido de artistas que surgiram em plataformas da Disney e Nickelodeon, as teen acts), o melhor comeback foi dela – CD vendido decentemente, um top 10 com “Sorry not Sorry”, recepção crítica boa… Apesar de ter ficado de fora do “Grammy”, o fato é que o caminho da carreira da Demi tá bem definido neste momento: talvez ela nunca tenha um estouro, e sim faça uma carreira consistente e com poucos flops, mas com CDs bem feitos e trabalhados – na linha da P!nk e Kelly Clarkson, o que sinceramente, no momento em que a música pop vive, é a melhor forma de longevidade.

P!nk e Kelly Clarkson

As duas artistas pop com uma das carreiras mais consistentes dos últimos anos voltaram com eras meio snoozefest. Eu não sei exatamente se esse era o objetivo da era da P!nk, mas apesar do lançamento bem sucedido do “Beautiful Trauma”, indicação ao Grammy e homenagem da MTV com o Vanguard Award no VMA, as críticas dos reviewers foram meeiras pra um álbum bem boring, o primeiro single foi chatinho e parece até que o comeback da P!nk nem aconteceu.  Já a Kelly nem vendeu tanto com o “Meaning of Life”, mas o álbum foi melhor recebido, era uma fase da carreira em que visivelmente o foco era em trazer um som que ela sempre quis fazer mas a outra gravadora não tinha interesse; e novamente a mulher conseguiu uma indicação ao Grammy de sempre.

Mas pelo menos a carreira continua viva e bem, obrigada.

 

Sam Smith

Apesar da segunda não estar sendo aquele momento absurdo de “Sam Smith está em todo lugar”, a estreia do “The Thrill of it All” foi muito boa, com mais de 200 mil cópias vendidas na primeira semana, e “Too Good for Goodbyes” cheegou ao top 10, rendendo bastante nas rádios e vendas digitais. Não foi um hit dos streams, mas manteve o interesse no britânico. O downgrade dele foi mesmo a esnobada do single no Grammy 2018. Surpreendente para um antigo vencedor de ROTY e SOTY, mas o Grammy de 2019 tá aí…

 

Selena Gomez

Eu fiquei na dúvida entre deixá-la aqui ou em fracasso por causa dos desempenhos dos singles da moça, mas pelo menos as colaborações EDM mostram que ainda há um interesse do público em torno da imagem dela – “It Ain’t Me” e “Wolves” foram/são dois hits para a ex-act; e os dois singles que ela lançou este ano são bacanas e uma evolução em relação ao som do “Revival”. Agora, tudo isso pra voltar a namorar o Bieber…

Katy Perry

O fato é que nada deu certo pra Katy em 2017 – singles flops (“Bon Appétit” peakou em #59 e “Swish Swish” em #49, bem longe dos bons tempos de #1’s seguidos em outras eras) para quem um dia foi uma das maiores hitmakers da década, clipes pouco atrativos para quem era altamente competente neste quesito, turnê flopando nos EUA (apesar de expectativas altas de shows lotados na Europa) e nem uma indicaçãozinha ao Grammy, nem mesmo por “Feels”. Criticada por todos os lados e aparentemente fora de contato com o que é current na popsfera, 2017 pode ser considerado um ano pra Katy Perry esquecer.

Miley Cyrus

De longe a pior situação das ex-acts, a era nem nasceu direito (mesmo com o top 10 de “Malibu”, a música já era snoozfest na época do lançamento) e morreu assim que a Miley optou por escolher como segundo single a terível Younger Now; do igualmente pavoroso álbum de mesmo nome. Pior – o CD, que já desapareceu dos charts, nem terá uma turnê, e ninguém acreditou na persona country-fofa-wholesome-americana-tradicional. Tenta uma nova personalidade na próxima.

Fifth Harmony

A situação das Quintas pra mim deve ser a mais melancólica. A oportunidade que elas tinham para provar star quality e um bom material sem a presença de Camila Cabello mostrou-se infrutífera. Sem apoio da própria gravadora e com singles que não tiveram apelo nenhum, o grupo lançou CD e simplesmente desapareceu. Agora, parece que todas as cantoras estão tentando emplacar alguma coisa solo – já que deu certo pra uma… No entanto, o principal problema para o Fifth Harmony nunca ter acontecido de fato foi que as meninas não tinham direcionamento musical e de imagem desde o começo – a impressão que eu tinha era de que a Epic jogava barro na parede pra ver o que colava; e no fim das contas, as brigas de egos foram matando o grupo por dentro. O que seria uma promessa de um novo boom de girl groups ficou apenas na saudade.

 

E vocês, quem acham que foram os grandes vencedores e perdedores de 2017?

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