Como chegamos aos indicados a… [1] Pop Solo Performance

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Num ano em que o pop se solidificou como um ritmo “marginal” dentro do mainstream (enquanto o rap e o urban se tornaram de fato os ritmos principais da cultura pop), faz até algum sentido as canções associadas ao ritmo não terem feito o corte final no General Field. Evidentemente, todos os “adivinhos” e outros jornalistas pensavam nas divisões de fields e artistas de destaques no ano em que passou (como a gente tinha comentado no esquenta relacionado ao Record of the Year), mas a surpresa foi que o Grammy realmente focou no que fez sucesso e dominou o mainstream, deixando de lado acts famosos e A-lists da música.

Pessoalmente, exceto pela exclusão do Ed Sheeran (que teve um dos maiores hits do ano e pelo menos em ROTY sua indicação era compreensível), ver os resultados no General Field é um sopro de ar fresco em que finalmente o Grammy compreendeu que ele precisa não apenas escolher a excelência em música, assim como a excelência que está relacionada ao que o público realmente ouve nas rádios, celulares e serviços de streaming. Concorde-se ou não com a decisão da Academia, o que interessa é que muitos dos favoritos dos fãs de música pop ficaram restritos ao field – um sinal surpreendente, quando observamos premiações anteriores, mas um reflexo do que realmente houve no período de elegibilidade (e não um “fantástico mundo de Bobby” dos votantes da Academia).

(se essa tendência foi só para este ano, devido a pressões externas, ou se é um sinal de renovação por parte dos jurados, isso só o tempo dirá. Sou cínica e acho que é só uma cortina de fumaça, infelizmente.)

Essa introdução é importante para compreendermos como nós chegamos até esta configuração de indicados a Pop Solo Performance, uma categoria que sempre foi o termômetro para as vitórias em Record (e também Song), mas que agora servirá ou como prêmio de consolação para quem foi esnobado no General Field, ou a consagração de acts em momentos distintos da carreira.

Vamos aos indicados:

“Love So Soft” – Kelly Clarkson
“Praying” – Kesha
“Million Reasons” – Lady Gaga
“What About Us” – P!nk
“Shape Of You” – Ed Sheeran

A análise segue após o pulo!

“Love So Soft” – Kelly Clarkson

Eu disse a vocês. Não importa o ano ou a situação, a Academia sempre vai colocar a Kelly Clarkson em alguma categoria do Grammy porque eles AMAM a mulher. É a terceira indicação SEGUIDA da moça, que já tem quatro ao todo. Apesar de “Love So Soft”, lead single do “Meaning of Life”, ter peakado numa modesta 47ª posição, o foco da carreira dela nem é mais hitar até enjoar – é visível que este álbum mais puxado pro soul (o primeiro na nova gravadora, Atlantic) é um “retorno às inspirações” da própria Kelly e uma departure bem-vinda da sonoridade pop-rock da cantora, assim como o foco é nas rádios adultas e um público mais abrangente (e com faixa de idade maior do que a turma millennial/geração Z).

A gente já sabe o quanto ela é uma intérprete habilidosa e versátil, e “Love So Soft” é a prova do quanto o vocal da Kelly funciona bem com músicas com pegada soul/R&B – a potência, o volume, a maturidade da interpretação e a boa e velha sassiness que a gente sentia falta desde os tempos do “Breakaway” volta no single que mostra porque mesmo com tantas cantoras de vozeirão, Kelly Clarkson sempre será uma das melhores e mais competentes – ela consegue segurar uma faixa que sai de um retropop para um refrão trap sem perder as rédeas ou ser engolida pela mudança da canção, numa música que nos lembra os anos 90, quando as divas faziam sucesso e mid/uptempos mais classudas como “I’m Every Woman”, “Always Be My Baby” e “Another Sad Love Song” bombavam nas rádios.

As chances de vitória aqui são mínimas para a Kelly, especialmente porque outros singles mais bem sucedidos e populares estão no páreo, mas de uma coisa é certa: essa indicação não é pra 2018. É pra 2019, porque já dá pra garantir o “Meaning of Life” entre os indicados a Pop Album na próxima edição do Grammy. Considerem que a KC já é um act tradicional aqui e sempre será exaltada pelos votantes.

 

“Praying” – Kesha

Pensa numa indicação que eu torcia pra acontecer! Apesar de ter comentado algumas vezes que o problema da Kesha era que ela não tinha indicações anteriores, uma música ótima (além de um CD brilhante) e uma narrativa sedutora de comeback são elementos fortíssimos que a levaram até aqui, em Pop Solo Performance.

“Praying” é um rebranding da própria imagem da Kesha, como artista e cantora. Para além da letra e todas as referências ao sofrimento que ela passou com o Dr. Luke, a faixa é um verdadeiro pop anthem, grandioso e pungente como as atemporais canções pop. Mas a cantora Kesha não é mais a partygirl de “Tik Tok” – é uma cantora com C maiúsculo, que domina toda a música com muita habilidade; e ainda por cima interpreta com sinceridade, emoção e a força de quem demonstra por meio da canção o sentimento de quem lhe foi negado durante anos o direito de cantar daquele jeito. O grito da bridge só explicita isso.

(e deve ser uma das pouquíssimas músicas onde eu realmente tenho vontade de me debulhar em lágrimas – eu tenho dificuldades para chorar)

Mesmo chegando à 22ª posição na Billboard, “Praying” é um triunfo do talento e da força de uma artista que finalmente pode contar a sua história em seus próprios termos. Uma das melhores músicas do ano (e com uma letra que funcionaria bem lá em SOTY, onde não se tem um favorito), se não tivéssemos um monster hit aqui entre os indicados, seria minha escolha natural de vitória – é uma performance com P maiúsculo, não por conta da voz, mas pelo que essa voz está emitindo – dor, raiva, aceitação, fé, resignação, tudo isso junto, de forma verdadeira, como há muito tempo não vemos no pop que parece tão conceitual e distante da simplicidade das coisas.

 

“Million Reasons” – Lady Gaga

(beu teus, tinha esquecido o quanto a Gaga era péssima atriz)

A minha antiga previsão de grande rival do Ed Sheeran nesta categoria, a balada pop country da Lady Gaga com certeza foi o maior triunfo da era “Joanne”(peak: #4 na Billboard), que em comparação a outros momentos da Mother Monster, passou com pouca fanfarra pela popsfera. Impressionante como a Gaga era sempre um evento em outros anos e hoje parece que perdeu todo o fogo no olhar.

Fogo e fúria não são adjetivos corretos pra descrever “Million Reasons”. É uma balada acompanhada por piano e guitarra, de letra simples e efetiva, além da produção discreta, mas o que realmente ressoa e ajuda a música a se tornar a potência que virou é a escolha de interpretação da Gaga. Assumindo uma persona mais “country” aqui sem parecer paródia, toda a performance vocal é cuidadosa e mais discreta, com um tom mais reflexivo, e sem berrar ou melismar numa música que nas mãos de uma intérprete mais “showy”, era exatamente isso que faria. A música – que trata de um relacionamento que aparentemente está chegando ao fim, mas a Gaga espera que exista uma chance para que a pessoa amada permaneça ao lado dela – não vai atrás de soluções chorosas ou exageradas – prefere a restrição, o comedimento e uma certa pessoalidade, beltando na hora certa. É uma mostra de versatilidade da Gaga na interpretação não apenas no gênero em que está cantando, mas dentro desse tipo de sonoridade de baladinhas, onde muitas vezes menos é mais.

Quando disse lá em cima que “Million Reasons” era a minha antiga previsão de rival do Ed Sheeran, pensei nisso especialmente pelas possibilidades que a música possuía no General Field, mais precisamente em Canção. No entanto, a impressão que eu tenho é que, com essa nova configuração e contexto, além de outras narrativas mais interessantes para serem destacadas pela Academia, parece que a música da Gaga não tem nada além da própria música para carregá-la até a vitória. Não é a “balada pungente” pra rivalizar com o Ed tampouco a indicação de um act experiente que está sendo prestigiado pelos votantes. É apenas o maior sucesso de um CD que mesmo tendo seus méritos, passou em brancas nuvens pelo inconsciente coletivo do grande público – bem longe da loucura do “The Fame/Fame Monster” e “Born This Way”. Arrisco até em dizer que corre-se o risco da Gaga sair de mãos vazias do Grammy.

 

“What About Us” – P!nk

Outra indicação de uma act pop mais experiente, é interessante ver como o Grammy optou pela segurança de nomes com apelo universal como a P!nk e a Kelly para compor o corte final. A Rosa é sempre uma das performers e cantoras mais confiáveis no mainstream, e o retorno dela com o “Beautiful Trauma” teve um bom buzz com o Vanguard no VMA, além do lead single “What About Us”, que peakou em #13 na Billboard, sempre um número de respeito para uma artista que já está lidando com o infame ageism nas rádios.

Só “serviços prestados” pra explicar a indicação dessa música – uma das mais chatinhas lançadas no período de elegibilidade – e não uma “Green Light”, que apesar de não ser minha favorita pessoal, é bem mais interessante e moderna que essa faixa com cheiro de datada. “What About Us” é um dance-pop que parece vindo diretamente de 2011, com uma letra que se pretende atual (algumas referências vagas a uma “força maior”, ou o “sistema”, que tenta destruir ou enganar as pessoas, mas P!nk e seus amigos não vão se deixar abater), mas uma batida sem graça e modorrenta, que nem a performance vocal da Rosa ajuda a dar um up. Aliás, nessa música (assim como em todo o “Beautiful Trauma”) domaram a voz da P!nk e parece que tiraram dela toda a personalidade e vontade de viver.

Música esquecível, não vejo com grandes chances de vitória, especialmente porque outras músicas no grupo tem mais força e fizeram mais sucesso. Mas essa indicação, assim como a da Kelly, não é por 2018, e sim para o Grammy 2019 – já podemos garantir a presença da P!nk entre a turma indicada no Pop Field ano que vem.

 

“Shape Of You” – Ed Sheeran

O maior hit pop do ano (considerando que “Despacito” é reggaeton), com 12 semanas não-consecutivas em #1, recordes quebrados no Spotify e quase três bilhões de visualizações no Youtube, “Shape Of You” é o hit massivo e monstruoso que é sempre a opção mais segura de vitória nas categorias de performance. Seria a opção mais segura de indicação e/ou vitória em Gravação do Ano, mas isso é outra história…

Pois bem, a música pode ser até perigosamente parecida com “Cheap Thrills” (e com o flop de “Crying in the Club” da Camila Cabello, essa sonoridade tropical batidaça ficou em 2017 mesmo), mas é super catchy, com um dos refrões mais grudentos do ano e até simples em produção, o que torna a faixa uma potência por sua naturalidade. Na parte de performance vocal, bem, Ed Sheeran faz o que pode para nos convencer de que conheceu uma garota na balada e depois eles fizeram um montão de sexo, mas eu ainda prefiro o Ed romântico fofinho de “Thinking Out Loud” que parece mais sincero.

Pelo sucesso absoluto da música – e a esnobada histórica no General Field – acredito que a Academia entregue ao ruivo o Grammy como uma espécie de “prêmio de consolação”. Não é lá uma grande canção, e talvez seja uma das menos inspiradas a levar prêmio de performance solo no Grammy (em todos os gêneros), mas foi hit e sacudiu a indústria em todas as plataformas. Fazer o quê?

 

CONCLUSÕES: 

Quem vai ganhar? Acho que o prêmio de consolação fica com o Ed Sheeran.

Quem deveria ganhar? Minha favorita pessoal é “Praying”, pela música ser incrível e a performance realmente emitir todos os sentimentos que a Kesha canta na faixa.

Dark horse: cuidado com a Kelly Clarkson. Ela está sempre com uma mão no gramofone.

A próxima análise de indicados será com o primeiro round de “Despacito” na busca por fazer história no Grammy 2018 – Performance Pop Duo ou Grupo. Até lá!

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11 comentários sobre “Como chegamos aos indicados a… [1] Pop Solo Performance

  1. Boa tarde! eu acompanho este site a alguns anos, não me lembro exatamente, mas é a muito mesmo … e eu nuca comentei é a primeira, eu acompanho o Grammy a 10 anos desde 2007, e eu sempre gostei desde a primeira vez que eu vi o modo que você, fala sobre as musicas, estilos etc. Vejo que essa categoria não é um prêmio de consolação, é uma categoria pop muito importante, claro que pelo sucesso estrondoso o Ed provavelmente poderá vencer, acredito que ele vencerá as duas que concorre Best pop solo e best album, apesar de que eu referia a Gaga ou a Kesha em Best pop solo, Million Reasons é sensacional é incrivel eu realmente amo e muito prefiro MR do que Shape do Ed, mas eu não sou um dos votantes do grammy né, acho a Gaga sensacional a pluralidade e versatilidade é uma artista completa que eu não via a muito tempo, a kesha é um exemplo de superação a letra da musica é um tapa na cara de quem achou que ela tava acabada, o Ed não é invencível, nunca foi e nunca vai ser (nenhum momento vc disse que ele é invencível eu sei), mas independentemente do sucesso que ele faz/fez ele ja foi barrada muitas vezes, ja perdeu feio, acredito que o grammy nem vai com a cara dele, quero te Parabenizar pela qualidade de suas postagens e pelo teu conhecimento, e gosto muito de musica também, Hip hop, Jazz, Pop, Edm, rock etc … parabéns vou continuar acompanhando !!!!

  2. As duas vitórias do Ed no pop field me parecem evidentes – porque, mesmo que não tenha angariado nenhuma indicação no General Field, ainda é uma potência comercial, já tem duas vitórias e qualquer um dos outros indicados destoariam do histórico de vitórias. Acho até que seria mais adequado avaliar sob a perspectiva de quem é que pode tirar o prêmio dele.
    Enfim, sinto que essas indicações foram tão “open-minded” em praticamente todas as esferas (Kesha, Lana, JAY-Z, Kendrick, Childish…) porque encobertariam vitórias controversas de uma forma mais palpável. Decidiram preparar o terreno…

    Marina, mudando de assunto: o que você acha das artistas veteranas que ainda estão no mainstream? Tem chances de emplacar alguma coisa se apresentarem um material interessante, ou o ageism efetivamente é uma barreira insuperável? Porque, depois de gente como a Mariah ou a Cher emplacando singles #1 após tidas como obsoletas, acredito que não é impossível (principalmente p Mimi, que com mais três #1, se tornaria a artista com o maior número na história e não acho que umas colaborações impeçam, ainda com essa trend urban\hip-hop que ela já é pioneira. Me peguei pensando ontem se ela fizesse parte de “I’m the One” ou de algo do DJ Khaled).

    • Eu acho que a gente tem de pensar:

      1. de que artista veterana estamos falando? Uma coisa é a trajetória de carreira de uma Lady Gaga e Katy Perry; outra é a trajetória de uma P!nk e Kelly Clarkson. Gaga e Katy sempre tiveram mais apelo com o público jovem (hoje eu sinto a Gaga um pouco mais crossover), que não é um público super fiel, é volúvel e os jovens ficam cada vez mais jovens. No caso de P!nk e KC, são artistas que já tem um apelo mais abrangente, que estão mais associadas às rádios adultas e dá pra ver uma carreira longeva e bons resultados – não vamos ver um top 10 tão fácil, mas emplacarão sempre alguma coisa aqui e ali.

      Cher e Mariah são lendas, então a forma como a gente trata delas é um pouco distinta. No caso específico da Mimi, ela precisa parar de repetir a fórmula do Emancipation, porque 2005 já passou. Acho que essa era a hora de fazer um pop/R&B simples, com alguma inspiração anos 90, com baladas grandiosas. Antes de lançar o CD, fazer um featuring com um rapper de impacto, alguém como o DJ Khaled realmente é uma boa ideia. E ser produzida por algum produtor de impacto – imagina o Mark Ronson produzindo a Mariah? Um pop classudo, repleto de referências… Um featuring com um artista hitmaker como lead seria uma ótima forma de ser #1 sem muito esforço, e muito apoio de streams. Eu tenho a ligeira impressão de que se a Mimi se esforçasse, lançaria um hit monstruoso nos streams.

      2. Tudo depende do material: não adianta nada essas artistas quererem voltar pra mídia fazendo o som que todo mundo tá fazendo e elas não tem apelo nem abrangência. Uma coisa que os comebacks de cantoras veteranas provam é que elas fizeram ou uma metamorfose musical e conseguiram se renovar (como a Tina, e a Cher e Madonna que já são camaleoas né), ou ficaram antenadas no que era moda, mas sem perder a personalidade (a J-Lo voltou com “On The Floor”, mas ela já fazia músicas com pegada dance latino no começo da carreira). No caso da Mariah, como você disse, a moda é urban/hip hop? É possível reatualizar o som nesse estilo, mas corre o risco de ficar um Emancipation parte II. Eu optaria por modificar a sonoridade para um pop/R&B com pegada retrô, bem orgânico, com muito vocal e baladas destruidoras como só a Mariah sabe fazer.

  3. tendo 2 fatos em vista, que a academia não vai muto com a cara do Ed e só ter sobrado o pop Field para as cantorAs eu vejo 4 cenários
    1° cenário
    Performance pop: Praying – Kesha
    Álbum pop: Joanne – Lady Gaga

    2° cenário
    Performance pop: Million Reasons – Lady Gaga
    Álbum pop: ÷ – Ed

    3° cenário
    Performance pop: Million Reasons – Lady Gaga
    Álbum pop: Joanne

    4° cenário
    Performance pop: Praying
    Álbum pop: ÷ – Ed

  4. Como só smash hits ganham essa categoria, acho que a única música apta para a vitória é Shape of You. O resto destoa completamente da lista de vencedores.
    Podemos desconsiderar a da P!nk por ser muito recente e a da Kelly por ser a mais flop, o prêmio fica entre os outros 3.
    Como a música do Ed é a mais fraca, é possível que perca, mas muito improvável.
    Quem merece é a Kesha, a música dela é a melhor das 5 no geral, mas mesmo que haja apoio suficiente para vencer, deve dividir votos com a Gaga. Ed ganha pelo sucesso muito maior e pela esnobada nas categorias principais. =D

  5. Como eu amo seus posts ❤

    vamos lá:

    1 – Minha favorita é de longe 'Praying'. Por todo o conjunto da obra: comeback vitorioso, uma cantora que se revelou ser digna do C maiúsculo. Fora a simpatia e o talento… Torço loucamente pela Kesha!

    2 – O Ed Sheeran pode até ganhar, mas sério… que ZzZzZ. Acho 'Shape Of You' sem sal e sem açúcar. Daqueles hits que não engulo MEXMO.

    3 – Eu tenho muita dificuldade de gostar do 'Beautiful Trauma'. Exatamente por parecer tanto algo feito lá em 2011… A P!nk não inova… SOS! E 'What About Us' é pavorosa de tão chata e ruim. Não sei como ainda conseguiu o peak alto.

    4 – Você acha que um dia a Gaga tenha potencial de hitar (um poderoso smash) novamente? E uma coisa que eu tenho medo… Pode Katy Perry, após Witness, se tornar uma Gaga 2.0 e nunca mais conseguir os mesmos números? Ao que você atribui essa queda da Gaga?

    Beijos

    • Sobre a questão da Gaga, eu acho que tem umas coisas bem complexas no caso dela.

      Primeiro, ela já tem 31 anos – fará 33 ano que vem. A cada ano que passa, ela está mais próxima de sofrer o ageism que as artistas femininas acabam enfrentando nas rádios e na recepção do público. A sorte da Gaga é que ela tem uma fã-base forte que visivelmente comprará os álbuns dela. Ao mesmo tempo, como ela é uma artista que sempre se renova e se mantém fresh, pode se tornar uma artista de álbuns, cujo foco é essencialmente em vender CDs e seguir em turnê – o que torna sua carreira longeva, mas sinceramente, não era isso que eu esperava da Gaga em 2010-11, por exemplo: eu acreditava que ela seria A grande artista pop com uma carreira imparável. O grande problema da Gaga é que ela ainda não fez a transição bem sucedida para os streams – “The Cure” é uma faixa pra stream, mas não tem os mesmos números de hits massivos de artistas relevantes (“Hotline Bling”, do Drake, por exemplo tem quase 600 milhões de streams; “The Cure” é a faixa mais ouvida da Gaga com 140 milhões. Isso é muito ruim), e os vídeos dela, que sempre foram um dos elementos mais importantes de toda a estética e trajetória de carreira, não estão no mesmo nível do começo da carreira. Impossível o principal single da era “Joanne” (“Million Reasons”) ter um clipe tão ruim e que chegue a 97 milhões de views.

      Sinceramente? Ela só pode hitar se for 1. de interesse dela (O que eu sinceramente acho que não); 2. se for algo que seja current, tendência, porque senão ela ficará restrita a ser artista de álbuns. Mas a cada ano, será cada vez mais difícil de voltar a fazer pelo menos um terço do sucesso de seis, sete anos atrás.

      (Já a Katy… o caso dela é bem mais complicado, porque aparentemente o flop do “Witness” mostrou ela não tem fã-base fortalecida ou grande o suficiente pra sustentá-la. Pode ser que o próximo álbum bombe horrores e eu erre a previsão; assim como esse pode ser o começo do fim. E a Katy ainda tem também o problema do ageism chegando)

      • bom a gaga sempre foi uma artista de álbuns completos, apesar de no começo da carreira ela ter vendido MUITOS singles, os álbuns como The Fame, The Fame Monster e Born This Way sempre são lembrados como trabalhos completos, principalmente por ela mergulhar no conceito de cada álbum.
        No futuro vejo ela como mais um grande hit como womanizer foi para a Britney e believe foi para a Cher, depois ela vai sim se tornar uma artista de carreira longa com álbuns muito bem posicionados na BB200 e grandes tours.
        Mas vamos falar sobre o ”ageism”, fazendo uma retrospectiva, em 2000 madonna, cher e cyndi lauper entre outras cantoras começaram a ser subsistidas nas rádios por nomes como christina aguilera, britney spears, p!nk, beyoncé, rihanna, lady gaga e katy parry, agora vc me pergunta o que o ”ageism” tem aver com isso, bom agora eu te pergunto já estamos em 2018 (quase) você vê alguma britney spears ou lady gaga surgindo? Não!!! A mas a camila cabello, dua lipa estão trazendo grandes trabalhos e podem ser a nova geração de divas pop e tal. Lady Gaga VMA 2009 Beyoncé VMA 2003 alguma destas novatas tiveram grandes momentos como este? não. o que eu quero dizer com tudo isso é que talvez a geração dos anos 2000 – 2010 continue ate os anos 2020 com grandes sucessos pelo fato de que as novinhas não estão conseguindo impactar a industria como o good girl gone bad ou o baby one more time

        • (vc sitou TC como uma das músicas mais ouvidas da gaga no streams, bom o que falar sobre isso uma música que não teve divulgação nem uma e tem platina nos US, isso nos diz o que? que se a gaga voltar para o pop ela hita isso é fato, nem que chegue a #1 mas uns tops 10 ela pega fácil, sobre os clipes gaga só mergulhou na era, a esperança é que ela venha mais comercial no próximo trabalho com grandes clipes)

          • Sobre TC tem uma coisa: a música tem uma produção feita essencialmente para os streams, a sonoridade EDM-orgânica a la Chainsmokers é a cara do que vinha hitando nos streams, então era mais fácil ela conseguir esse retorno. Além disso, ela tem um apoio do público que quer que ela retorne ao pop (por isso a música teve essa quantidade interessante mas não explosiva de streams), mas ela tem que correr contra o tempo pra conseguir pelo menos uma ou duas eras super bem sucedidas com hits massivos e recuperar a transição perdida (especialmente porque ela ficou de fora dessa transição lá na Cheek to Cheek era, que foi boa para trazer um público que consome CDs mais que singles, mas de certa forma alienou a Gaga de um público mais novo).

            Já sobre o ageism, tem dois pontos que precisamos colocar em consideração – e que são complexos (tão complexos que merecem um post à parte)
            1. Vivemos uma entressafra feminina do pop, porque o gênero foi deixado de lado pelos ouvintes casuais, então talvez estejamos próximos de um grande boom de novas artistas mas ninguém sabe quando e como; ou o urban/rap vai continuar dominando (e como é um gênero com pouco destaque feminino, continua a ter menos representação feminina nos charts) por mais algum tempo até o boom pop retornar.

            2. Será que estamos observando essas novas artistas com o nosso olhar de uma geração que se acostumou a ver as artistas femininas como divas inalcançáveis, carão, postura e performances insanas em awards? Talvez os consumidores novinhos (15, 16 anos) sejam muito mais identificáveis com artistas que não tem esse tipo de postura no palco e se sentem bem com isso. É só ver como surgiram essas novas estrelas do pop – vídeos no youtube, demos no soundcloud, ex-viners, todos com grande following nas redes sociais antes mesmo de um contrato. Até quem surgiu de reality teve que construir uma base de fãs no Instagram pra fazer sucesso. A brand deles é ser relatável, ser gente-como-a-gente, “sua melhor amiga”. Eu nunca vi a Beyoncé ou a Lady Gaga como minhas melhores amigas… Talvez a RiRi porque ela tem uma brand completamente distinta das outras. Mas talvez, acho que talvez, o que essa geração procura não seja a mesma coisa que a gente procure.

            (mas aí você vê uma Beyoncé parando tudo num VMA e essa tese meio que cai por terra – no entanto, uma Britney não alcança o mesmo sucesso; e um comeback da Xtina é uma incógnita absurda)

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