Esquenta para o Grammy 2018 [1]

Os indicados ao Grammy 2018 só serão revelados em 28 de novembro, mas enquanto este dia não chega, hora do tradicional esquenta do nosso blog, com as curiosidades a respeito dos Grammys anteriores e insights interessantes sobre a indústria em tempos idos.

Este ano, eu vou falar um pouco sobre as vitórias nas categorias que todo mundo gosta no Grammy – o pop field e o General Field – a partir da premiação de 1980. Por que 1980? Boa pergunta, que sinceramente não sei responder; mas sem muita enrolação, vamos começar o esquenta com as moças, listando as vitórias na extinta categoria de Melhor Performance Pop Feminina.

Uma observação interessante: algumas das cantoras que venceram aqui (ou foram indicadas) não submeteram os singles, e sim os álbuns, porque a categoria de Melhor Álbum Pop só retornou ao Grammy em 1996. Por isso, até meados dos anos 90, tem muito álbum vencedor de categoria de performance, que hoje sempre associamos a single.

Década de 80 – pop clássico

(eu chamo esse intertítulo de “pop clássico” porque os grandes hits que moldaram o pop que conhecemos hoje vem justamente desta época)

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Dionne Warwick “I’ll Never Love This Way Again” (vencedora)
Gloria Gaynor – “I Will Survive”
Rickie Lee Jones – “Chuck E.’s In Love”
Melissa Manchester – “Don’t Cry Out Loud”
Donna Summer – “Bad Girls”

Um clássico pop, “I’ll Never Love This Way Again” também é a faixa que representou o comeback de Dionne Warwick após uma década longe do sucesso – coincidentemente após o fim da parceria com Burt Bacharach e Hal David, que compunham músicas ideais para o tom e a interpretação da diva. “I’ll Never…” tem produção de Barry Manilow e chegou a #5 na Billboard Hot 100, abrindo caminho para uma nova era bem sucedida na carreira da Dionne. Hoje, a música parece meio cafonaça (e com outras indicadas cheias de suingue como “Bad Girls” e “I Will Survive”, parece uma famosa escolha “safe”), mas Dionne Warwick é Dionne Warwick, e não tem como ficar imune ao poder dessa música.

Recomendações: Rickie Lee Jones e sua “Chuck E.’s in Love“, um pop meio blueseiro que chegou à quarta posição nos charts, um verdadeiro sucesso para uma desconhecida do grande público e ainda garantiu à artista uma vitória em Artista Revelação naquele ano.

 

1981

Bette Midler “The Rose” (vencedora)Resultado de imagem para bette midler 1980
Irene Cara – “Fame”
Olivia Newton-John – “Magic”
Barbra Streisand – “Woman in Love”
Donna Summer – “On the Radio”

Competição difícil, hein? Eu confesso que teria votado em “Fame” que é minha favorita da lista, mas curiosamente eu vi “A Rosa”, o filme onde tem essa música (que toca no final), e a vibe é mega melancólica (assistam, Bette Midler DESTROI no papel principal, e era o primeiro filme da mulher) assim como extremamente poderosa, tanto ouvindo sozinha quanto dentro do filme (que conta a história de uma rockstar no final dos anos 60 tentando lidar com as pressões da fama sob sua personalidade extremamente sensível). Acho que muito da vitória dessa faixa se deve porque o filme foi um sucesso absurdo e colocou o nome da Bette como A-List em Hollywood, mas creio que o Grammy está em excelentes mãos, especialmente porque, para uma música extremamente linear como “The Rose”, a performance da Bette é irrepreensível.

Recomendações: difícil pra caramba recomendar algo aqui, mas vou de “Magic“, da trilha sonora da BOMBA “Xanadu”. Aliás, a única coisa que funcionou naquele filme foi a trilha, um sucesso. Pode perguntar à sua mãe.

 

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Lena Horne Lena Horne: The Lady and Her Music (vencedora)
Kim Carnes – “Bette Davis Eyes”
Sheena Easton – “For Your Eyes Only”
Juice Newton – “Angel of the Morning”
Olivia Newton-John – “Physical”

Hoje a gente não vê muito essas vitórias porque o ageism não ajuda, mas antigamente sempre aparecia uma act das antigas e levava o prêmio em categorias populares. Aqui temos faixas extremamente populares femininas e o álbum ao vivo do show da Lena Horne, verdadeira lenda do showbiz americano, foi laureado com um Grammy. Esse show dela foi super bem recebido pela crítica, com rendições aclamadíssimas de clássicos. Parece uma vitória whatever tendo uma “Bette Davis Eyes” que ficou milênios em #1, mas dá pra entender de onde veio esse prêmio.

Recomendações: claro que “Bette Davis Eyes”, o maior hit de 1981 e um petardo pop – não era óbvio, tem um toque de rock ‘n roll graças à voz rouca e rasgante da Kim Carnes e merece ser enaltecido sempre. Até a própria Bette sabia disso – a diva agradeceu em cartas para a cantora e os compositores pela música; e ainda enviou rosas a eles quando levaram os Grammys de Canção e Gravação do Ano.

 

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Melissa Manchester “You Should Hear How She Talks About You” (vencedora)
Laura Branigan – “Gloria”
Juice Newton – “Love’s Been A Little Bit Hard On Me”
Olivia Newton-John – “Heart Attack”
Linda Ronstadt – Get Closer

Melissa Manchester é uma cantora pop que já vinha com uma consistente carreira nas rádios adultas desde os anos 70 com suas baladas. “You Should Hear…” é uma departure de seu estilo usual para uma sonoridade mais new wave e sintetizada, colocando a artista na décima posição no Hot 100. Ela já tinha sido indicada nesta mesma categoria anos antes, e em 1983 venceu pesos pesados do pop como Olivia Newton-John e Linda Ronstadt com essa música meio cheesy, mas bem divertida. No geral, 1983 teve um corte final meio estranho, pra não dizer fraquinho.

Recomendações: enquanto a indicação da Linda Ronstadt foi pelo álbum “Get Closer”, a minha favorita nesta lista é seguramente “Gloria” da Laura Branigan. É a cara dos anos 80, um dance-pop poderosíssimo, adaptado de uma música italiana, que ainda fez parte da trilha sonora do Flashdance.

 

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1984

Irene Cara “Flashdance… What a Feeling” (vencedora)
Sheena Easton – “Telefone (Long Distance Love Affair)”
Linda Ronstadt – What’s New
Donna Summer – “She Works Hard for the Money”
Bonnie Tyler – “Total Eclipse of the Heart”

Corre que é tiro! Irene Cara finalmente garantiu o dela com “What a Feeling”, um dos grandes clássicos da década. Irene é uma cantora muito poderosa e vibrante, mesmo com a postura simples e pouco “diva” em relação às estrelas que surgiram no meio da década. A performance dela na música é forte e esperançosa, e o ritmo, que começa lento e explode no refrão, é um dos grandes momentos musicais não apenas dos anos 80, mas de toda a música pop. Quando uma grande canção consegue o prêmio, é a prova de que existe amor e justiça no mundo.

Recomendações: essa lineup é clássica, e não tem como fugir do drama e do épico de “Total Eclipse of the Heart“. Bonnie Tyler é deusa louca uma feiticeira e essa música merecia uma lineup mais fácil para a vitória dela – mas com “What a Feeling” no páreo, hit de um filme clássico e vencedor em todos os lugares possíveis, é um rival difícil de superar.

 

1985

Tina Turner “What’s Love Got to Do with It” (vencedora) 
Sheila E. – “The Glamorous Life”
Sheena Easton – “Strut”
Cyndi Lauper – “Girls Just Want to Have Fun”
Deniece Williams – “Let’s Hear It for the Boy”

Em 1984, Tina Turner teve um dos maiores comebacks da música com o lançamento do álbum “Private Dancer”, onde se metamorfoseou em rainha do rock e conquistou um público além do que já a acompanhava nos tempos de Ike & Tina. O resultado? “What’s Love Got To Do With It” foi o primeiro #1 da Tina na Billboard Hot 100 (#3 no chart britânico, onde ela é reverenciada), o segundo maior hit daquele ano nos EUA, e ainda levou o Grammy de Canção e Gravação do Ano, além do prêmio de Performance Pop Feminina. Merecidíssimo – especialmente porque a música não foi composta com a Tina em mente, mas letra e interpretação a tornaram dela.

Recomendações: outra lineup bem clássica, com petardos como “The Glamorous Life” e “Girls Just Want to Have Fun”, e bem anos 80 (tem dance pop, pop rock, funk rock), mas eu tenho um soft spot pela trilha de Footloose e “Let’s Hear It for The Boy” é muito boa pra ser esquecida no churrasco – e até indicada ao Oscar foi!

 

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1986

Whitney Houston “Saving All My Love for You” (vencedora)
Pat Benatar – “We Belong”
Madonna – “Crazy for You”
Linda Ronstadt – Lush Life
Tina Turner – “We Don’t Need Another Hero”

COMEÇOU A DITADURA NIPPY com uma das primeiras grandes baladas da diva, “Saving All My Love For You”, do debut super bem sucedido de ’85. Não apenas sua interpretação de uma poderosa balada é marcante e a base para milhões de cantoras e calouras se esgoelarem por aí, mas a voz e a imagem de Whitney foram o outro ponto de ruptura (além do Michael Jackson) para que artistas negros fossem tocados na mesma rotação que os brancos na MTV. Não há como negar a força dessa mulher, que conseguiu transitar pelas slowtempos, pop dançante e R&B/soul com a grandeza da lenda que sempre será.

Recomendações: podia ter rolado um bis pra Tina, hein? “We Don’t Need Another Hero” é clássico e é mais um petardo na carreira.

 

1987

Barbra Streisand The Broadway Album (vencedora) Resultado de imagem para barbra streisand 1987
Cyndi Lauper – “True Colors”
Madonna – “Papa Don’t Preach”
Tina Turner – “Typical Male”
Dionne Warwick – Friends

Mais uma vez, vitória de um álbum ao invés de um single, como era normal antes do retorno da categoria de Melhor Álbum Pop para arrumar as coisas. E desta vez, de outra diva, só que consagradíssima – Barbra Streisend, com o álbum “The Broadway Album”, todo composto por faixas de grandes musicais, e celebrado como um retorno às raízes para a artista, que começou sua carreira justamente no teatro. Foi considerado uma mudança de carreira para Barbra, que passou anos cantando músicas populares no seu percurso musical (além de claro, lançando filmes famosos por aí). Recebido com críticas positivas e lançado em #1 na Billboard 200, sedimentou ainda mais a posição de Barbra como a grande artista que era no showbiz. Claro que é uma escolha “safe” (artista consagrada cantando faixas de musicais? os votantes do Grammy devem ter chorado de satisfação), mas com sete milhões de cópias vendidas no bolso, difícil não ficar imune.

Recomendações: Difícil escolher outra vencedora com esse corte muito bom (e com várias faixas que nasceram clássicos, o que é difícil de encontrar hoje em dia). Fico na dúvida entre a potência de “Papa Don’t Preach“, que já era uma Madonna mais madura e artisticamente em evolução que a artista que concorrera no ano anterior, ou a performance delicada de Cyndi Lauper em “True Colors“.

Resultado de imagem para whitney houston 19881988

Whitney Houston “I Wanna Dance with Somebody (Who Loves Me)” (vencedora)
Belinda Carlisle – “Heaven Is a Place on Earth”
Carly Simon – Coming Around Again
Barbra Streisand – One Voice
Suzanne Vega – “Luka”

Whitney strikes again com um dos maiores clássicos da música pop, impossível não entregar o Grammy nas mãos dela, com uma faixa que é um upgrade hiperbolizado de outro clássico da Nippy, “How Will I Know”. O gênero é o que bombava na época – o dance-pop bem final da década – mas a performance da Whitney é timeless: atacando as notas do jeito certo, sendo suave quando necessário e empolgando em toda faixa. E os americanos curtiram também, já que “I Wanna Dance…” chegou ao primeiro lugar no país, o quarto consecutivo, e vendeu mais de um milhão de cópias, se tornando o maior hit da Whitney na época.

Recomendações: uma cute win, bem unexpected, seria Suzanne Vega com “Luka“. É o tipo de pop que é a cara do Grammy e que se fosse lançado hoje teria grandes chances de levar.

 

1989

Tracy Chapman “Fast Car” (vencedora) Resultado de imagem para tracy chapman 1989
Taylor Dayne – “Tell It to My Heart”
Whitney Houston – “One Moment in Time”
Joni Mitchell – Chalk Mark in a Rainstorm
Brenda Russell – “Get Here”

Se não deram para o pop AC no ano anterior, acabaram dando para o material mais delicado em 1989. Sério gente, Tracy Chapman foi um ACONTECIMENTO em ’88: o debut foi aclamado, o CD foi um hit mundial, e “Fast Car” tornou ela uma estrela após a apresentação televisada no tributo de aniversário de 70 anos do Nelson Mandela em 1988. O resultado da exposição dela? Influência na cultura americana, especialmente entre os jovens universitários, e SEIS indicações ao Grammy. Uma vitória incontestável.

Recomendações: como as “recomendações” aqui podem ser tanto vencedores alternativas quanto músicas interessantes pra você compreender o landscape musical da época, que tal conhecer uma Katy Perry da época? Taylor Dayne e essa farofa que vai te sufocar de tão farofada que é, “Tell it to My Heart“, são a minha curiosa recomendação, justamente pelo ar completamente fora da casinha dessa indicação. Foi tipo MEGAHIT no final de 1987 e abriu caminho para uma carreira bem sucedida como hitmaker no final dos anos 80 e inicio dos 90. Foram SETE singles top 10 SEGUIDOS, entre 1987 e 1990.

Década de 90 – Voz ou violão

(as vencedoras e indicadas nessa década se dividem entre nomes fortes do pop acústico, que balizaram o pop/rock confessional feminino; e as divas do vozeirão com clássicos cantados até a exaustão em reality shows)

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Bonnie Raitt “Nick of Time” (vencedora)
Paula Abdul – “Straight Up”
Gloria Estefan – “Don’t Wanna Lose You”
Bette Midler – “Wind Beneath My Wings”
Linda Ronstadt – Cry Like a Rainstorm, Howl Like the Wind

Você já deve ter percebido que o Grammy ADORA uma narrativa do comeback né? É o caso da Bonnie Raitt, cantora de blues e rock que ficou uma década inteira fora do radar, sem gravadora e lutando contra o vício em álcool e drogas, e voltou com tudo (e três Grammys pra receber no palco) com o décimo álbum, “Nick of Time” (que a mesma disse ser seu primeiro álbum sóbria). “Nick Of Time”, a faixa vencedora, é um pop adulto extremamente agradável, bem produzido, a cara da premiação e uma vitória incontestável.

Recomendações: porque a Paula Abdul nem sempre foi jurada de reality show musical, e sim uma grande hitmaker, tipo uma Katy Perry. “Straight Up” foi o single que trouxe exposição crossover para a artista (que já era famosa nos charts de R&B), e é outra gema dance-pop da época. O mais louco é que a música ficou tão popular que cresceu nos charts antes mesmo de terem gravado um vídeo pra música – vídeo aliás dirigido pelo David Fincher (sim, O David Fincher).

 

1991

Mariah Carey “Vision of Love” (vencedora) Resultado de imagem para mariah carey 1991
Whitney Houston “I’m Your Baby Tonight”
Bette Midler – “From a Distance”
Sinéad O’Connor – “Nothing Compares 2 U”
Lisa Stansfield – “All Around the World”

Ladies and gentlemen, Mariah Carey! A debut era não trouxe apenas a chegada de uma voz única no cenário pop (e gerações de imitadoras e imitadores), assim como um álbum pop com sonoridade que começa a flertar com os anos 90 e a era das divas do vozeirão. “Vision of Love” era uma música que chegou nas rádios como um furacão, e muita gente da época revelou o choque que teve ao ouvir a Mariah pela primeira vez – especialmente a música. Aclamada criticamente e o primeiro da longa lista de hits da Mimi, é a clássica vitória de uma artista nova, fascinante e que mudou o jogo para sempre.

Recomendações: particularmente eu não acho “Vision of Love” a melhor música da lista; entendo de onde vem a vitória da Mariah, mas acho que uma vitória que seria a cara dessa categoria é a da Sinéad O’Connor com “Nothing Compares 2 U“. E vale a pena conferir uma das faixas menos ubíquas da Whitney, “I’m Your Baby Tonight“, a primeira incursão da Nippy no R&B.

 

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Bonnie Raitt “Something to Talk About” (vencedora)
Mariah Carey – “Emotions”
Oleta Adams – “Get Here”
Amy Grant – “Baby Baby”
Whitney Houston – “All the Man That I Need”

Após o sucesso de “Nick of Time”, Bonnie Raitt superou a si mesma com o álbum “Luck of the Draw”, que vendeu quase oito milhões de cópias nos EUA. O CD garantiu mais três Grammys para a artista, que estava com medo de que a crítica considerasse o álbum que foi seu comeback apenas um “grande momento” – mas o resultado foi outro sucesso absoluto e a vitória em Female Pop Performance pela deliciosa “Something to Talk About”. O curioso é que mesmo com artistas novos de alto calibre, o pop que era premiado na época era bem puxado para o Adult Contemporary, bem distante do pop-para-jovens que temos hoje.

Recomendações: apesar de termos uma Whitney em full force aqui, eu simpatizo horrores com “Emotions“, da Mariah (esse dance-pop com ecos soul que era bem comum nos acts de pop/R&B do early-90’s são datadinhos, mas deliciosos), e os vocais que nem ela consegue alcançar mais são vibrantes, poderosos e surpreendentemente despreocupados. Aliás, eu acho que a Mariah merecia mais Grammys do que ela tem.

 

1993

k.d. lang “Constant Craving” (vencedora)Resultado de imagem para k.d. lang 1993
Mariah Carey — MTV Unplugged
Celine Dion — Celine Dion
Annie Lennox — Diva
Vanessa L. Williams — “Save the Best for Last”

Às vezes realmente o Grammy toma decisões que você se surpreende – e mais puxado para o pop adulto contemporâneo do que nunca. Hoje vc não vai ter isso, claro que por conta da junção dos gêneros, mas pela própria natureza do pop. Por isso faz muito sentido a vitória da k. d. lang aqui com “Constant Craving”, o maior sucesso da canadense (chegou à #38 na Billboard) e ainda conquistou um VMA de Melhor Vídeo Feminino (realmente, 1992 era uma outra época), e uma música bem na linha do que já vinha ganhando desde o final da década anterior com “Fast Car” (e o que já vinha sendo indicado com “Luka”) – músicas pop com pegada acústica e quase blueseira, em contraponto às divas do vozeirão. Aos poucos veremos essa divisão ainda mais frequente.

Recomendações: ainda não ouviu o “Unplugged” da Mariah? O álbum é brilhante, mostrando os vocais cristalinos de uma das maiores vocalistas vivas, com direito a um dos covers mais fodas que eu já ouvi “I’ll Be There“, o único #1 que ela não compôs.

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Whitney Houston “I Will Always Love You” (vencedora)
Mariah Carey — “Dreamlover”
Shawn Colvin — “I Don’t Know Why”
k.d. lang — “Miss Chatelaine”
Tina Turner — “I Don’t Wanna Fight”

Enfim, difícil alguém tirar da Whitney essa né? Apensar de uma lineup até interessante, com a vencedora do ano anterior k.d.lang compondo a lista final, não há como ficar imune a um dos maiores momentos da cultura pop dos últimos 30 anos. “I Will Always Love You” é um dos covers mais bem sucedidos de todos os tempos, simplesmente por Nippy ter transformado um hino da Dolly Parton numa música inédita dela. The Voice faz assim mesmo.

Recomendações: das cinco indicadas, eu recomendo a irônica e estranhamente familiar “Miss Chatelaine“, da k.d. lang. Estranhamente familiar porque parece um sambinha, e a inspiração é irônica – uma revista canadense feminina chamada “Chatelaine”,  que elegeu a artista “Mulher do Ano”. Até a interpretação dela parece meio posada, como se estivesse curtindo com a cara de alguém (da revista, talvez?). Uma ótima música num ótimo ano.

1995

Sheryl Crow “All I Wanna Do” (vencedora)Resultado de imagem para sheryl crow 1995
Mariah Carey — “Hero”
Celine Dion — “The Power of Love”
Bonnie Raitt — “Longing in Their Hearts”
Barbra Streisand — “Ordinary Miracles”

“All I Wanna Do” não é exatamente a minha música favorita dessa lista (na verdade, eu acho a música esquisita demais pro meu gosto, mas meu gosto não define nada né), mas é inegável o quanto foi um acontecimento quando fo lançada – e o boom que foi pra carreira da Sheryl Crow. Essa música fez com que o debut da cantora e compositora explodisse nos EUA, chegando à segunda posição na Billboard Hot 100 e ainda levou o prêmio de Gravação do Ano. A faixa é exatamente na vibe de outras vencedoras do estilo nos anos 90 – o pop mais acústico (aqui com uma certa influência country até) mas não morro de amores pela música não.

Recomendações: eu vou fugir do óbvio e recomendar mais um TIRO DE BAZUCA da Bonnie Raitt, “Longing in Their Hearts“, do álbum de mesmo nome – e outro sucesso da indivídua, que estava com fogo no olhar na primeira metade dos anos 90.


1996

Annie Lennox “No More I Love You’s” (vencedora)
Mariah Carey — “Fantasy”
Dionne Farris — “I Know”
Joan Osborne — “One of Us”
Bonnie Raitt — “You Got It”
Vanessa L. Williams — “Colors of the Wind”

Esse foi o primeiro ano com a categoria de Melhor Álbum Pop (lembrando que essa categoria existiu nos anos 60, mas passou quase três décadas sem aparecer no Grammy até ’96), e foi num ano cheio de polêmicas e confusões – o famoso ano em que a Mariah foi esnobada na primeira fila da premiação; a vitória da Alanis Morrissete; e essa lineup sensacional com direito à música da Disney e à incansável Bonnie Raitt. A vencedora aqui foi Annie Lennox com a clássica “No More I Love You’s”, superando clássicos como “Fantasy” e “One of Us”, e merecidíssimo. É uma canção impecável, épica, que parece vinda de um filme de Hollywood – com a voz da Annie dando o tom para a vibe onírica da canção. Aliás, essa foi a primeira vez que uma artista britânica ganhou por Performance Pop Feminina :O

Recomendações: dessa turma poderosa, “One of Us” parece ter os anos 90 impresso em todos os minutos da faixa:  pop/rock feminino com o vocal da Joan Osborne meio folk, meio blues, meio rock, a letra super reflexiva e a simplicidade descomplicada daquela época. Eu gosto muito dessa música, apesar de overplayed as fuck na rádio quando eu era criança.

1997

Toni Braxton “Un-Break My Heart” (vencedora)Resultado de imagem para toni braxton 1997
Shawn Colvin — “Get Out of This House”
Celine Dion — “Because You Loved Me”
Gloria Estefan — “Reach”
Jewel — “Who Will Save Your Soul”

POR QUE O NAMORADO DA TONI MORRE NO CLIPE, ELE ERA BOM! sempre que passavam as cenas do vídeo de “Un-Break My Heart” nos spots da Globo FM na TV me dava um sentimento de tristeza porque o clipe era muito triste para uma música igualmente sofrida. A balada pop/R&B que curiosamente não é cantada a plenos pulmões nos reality shows por aí (talvez pela voz de contralto da Toni) é um clássico dos anos 90 e mescla uma certa sensualidade com melancolia que é muito Toni Braxton e sua voz aveludada. A lineup é bem forte, mas “Un-Break My Heart” é mais. Se você não sentiu uma dor no coração em “Don’t leave me out in the rain” você sequer tem coração.

Recomendações: Todo mundo conhece a Gloria Estefan como um dos grandes nomes da música latina – e uma das precursoras do boom latino que foi explodir mesmo no final dos anos 90 com Ricky Martin. Mas a Gloria (que estourou junto com o Miami Sound Machine em meados dos anos 80) teve uma frutífera carreira cantando em inglês – e ela já foi indicada anteriormente nesta categoria, em 1990. Aqui, ela entrou com “Reach“, música das Olimpíadas de Atlanta e que vocês devem conhecer pela versão em português cantada pela Marina Elali (especialista em regravações).

 

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Sarah McLachlan “Building a Mystery” (vencedora)
Mariah Carey — “Butterfly”
Paula Cole — “Where Have All the Cowboys Gone?”
Shawn Colvin — “Sunny Came Home”
Jewel — “Foolish Games”

Mantendo os tensionamentos felizes entre o pop/rock feminino e as baladas das divas, “Building a Mistery” é uma típica vencedora do Grammy, e um excelente momento de Sarah McLachlan, já que a música (que peakou em #13 no Hot 100) abriu espaço para outros sucessos do mesmo álbum, “Surfacing”, extremamente bem sucedido. Numa lineup altamente pop/rock feminina (exceto pela Mariah entrando de gaiata aqui), a maior parte das músicas parece trilhas sonoras daqueles filmes adolescentes dos anos 90 que a gente adorava assistir na Sessão da Tarde. É puro anos 90.

Recomendações: curiosamente, a vencedora de Canção e Gravação do Ano em 1998 não levou aqui – “Sunny Came Home”, da Shawn Colvin (que já vinha sendo indicada por aqui desde o começo da década) foi um sucesso de crítica e público, chegando à sétima posição no Hot 100. Super agradável e gostosinha, é outra faixa que é a cara daquela década.

 

1999

Celine Dion “My Heart Will Go On” (vencedora) Resultado de imagem para celine dion 1999
Sheryl Crow — “My Favorite Mistake”
Lauryn Hill — “Can’t Take My Eyes Off You”
Natalie Imbruglia — “Torn”
Sarah McLachlan — “Adia”

Era impossível a Celine não levar essa gente haha “My Heart Will Go On” foi uma das músicas mais ubíquas da década, de um dos filmes mais lembrados, relembrados e comentados de todos os tempos. É o grande hit entre os indicados e mais um momento da diva com o vozeirão levando o prêmio. Merecidíssimo e incontestável.

Recomendações: Eu não sei se vocês sabem, mas o Grammy deste ano foi super famoso por todas as indicadas a Álbum do Ano serem mulheres (incluindo o Garbage, cuja vocalista é a Shirley Manson) – além do Ricky Martin cantando a música da Copa e instituindo o boom latino. Mas também foi o ano em que a Lauryn Hill saiu da premiação com cinco Grammys, batendo um recorde na época, com o “The Miseducation of Lauryn Hill”, que ficou com o AOTY. Podiam ter sido seis, já que ela foi indicada aqui com uma versão mais R&B/urban de “Can’t Take My Eyes Off You” que soa radicalmente distinta de boa parte das indicadas da década. Uma versão bem gostosinha de um clássico.

A partir de 2000-11: Young Pop

(sai o som mais pop adulto e as divas da voz ficam de lado para o pop feminino se tornar mais trendy e jovem)

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Sarah McLachlan “I Will Remember You (Live)” (vencedora)
Christina Aguilera — “Genie in a Bottle”
Madonna — “Beautiful Stranger”
Alanis Morissette — “Thank U”
Britney Spears — “…Baby One More Time”

Apesar da vitória da Sarah McLachlan aqui, se você prestar bastante atenção, a mudança do tipo de indicadas que aparece nessa categoria começa aqui. Claro que o boom do teen pop ajuda, mas é a partir do Grammy de 2000 que as indicadas começam a rejuvenescer e o pop mais AC passa a sumir das possibilidades de vitória. Mesmo assim, a escolha da Academia faz sentido, já que canadense foi uma vencedora anterior, e apesar do som pelo qual a Alanis foi indicada (indicação após o estouro com o Jagged Little Pill anos antes) ter tudo a ver com a categoria,não tem a mesma força que a música da Sarah. Agora, analisando com o nosso olhar contemporâneo, que lista robusta de indicadas!

Recomendações: apesar de nosso olhar contemporâneo ver com admiração a lista de indicadas, com a cabeça de 2000 o lineup é meio esquisito, com essa faixa “menor” da Madonna indicada e duas teens no meio. Aliás, para ser indicada, tinha que ser outro nível, porque quantas ex-acts tentam chegar ao Grammy e nunca conseguem? Longa vida à “… Baby One More Time” e “Genie in a Bottle“!

 

2001

Macy Gray “I Try” (vencedora)  Resultado de imagem para macy gray 2001
Christina Aguilera — “What a Girl Wants”
Madonna — “Music”
Aimee Mann — “Save Me”
Joni Mitchell — “Both Sides Now”
Britney Spears — “Oops!… I Did It Again”

“I Try” foi um hit massivo, o maior da carreira de Macy Gray – o segundo single de seu debut, peakou em quinto nos EUA e deu à cantora o Grammy de Melhor Performance Pop Feminina. A música tem essa vibe super cool e despojada, bem neo-soul (e esse vocal rouco/rasgado/raspy ajuda bastante a manter a vibe) – uma vitória até curiosa diante do grupo fortíssimo de indicadas, mais famosas e com mais tempo de carreira. Talvez a Academia tivesse gostado muito da Macy Gray naquele ano.

Recomendações: que grupo curioso de indicadas (uma delas, “Save Me”, era da trilha sonora de “Magnolia” e foi indicada ao Oscar), além das irmãs siamesas Britney e Christina combando indicação aqui. Mas vale acrescentar a lembrança de um act experiente aqui – Joni Mitchell, indicada pela etérea “Both Sides Now“, num período de transição onde esse tipo de música não seria indicada com mais frequência.

 

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Nelly Furtado “I’m Like a Bird” (vencedora)
Faith Hill — “There You’ll Be”
Janet Jackson — “Someone to Call My Lover”
Sade — “By Your Side”
Lucinda Williams — “Essence”

Alá a Nelly Furtado na fase riponga ganhando Grammy! É uma vitória do hit, já que “I’m Like a Bird” chegou à nona posição no Hot 100 e foi um dos singles mais bem sucedidos de 2001. Uma faixa gostosinha, cheia de despretensão, leve e carefree que se reflete na interpretação da Nelly – tanto que virou trilha sonora dos karaokês nos EUA. Aliás, essa vitória foi a primeira de uma cantora em seu single debut depois da Mariah Carey com “Vision Of Love” e a última a ser dada para uma artista canadense nessa categoria.

Recomendações: uma categoria bem diversificada em gêneros (como dá pra perceber nos últimos lineups), aqui você tem folk pop, o country da Faith Hill, o R&B moderninho da Janet, o rock blueseiro de Lucinda Williams, e o R&B sofisticado da Sade, com “By Your Side“, uma indicada bem elegante nesta categoria – sedutora, discreta e cool sem fazer esforço. Definitivamente uma favorita pessoal aqui.

 

2003

Norah Jones “Don’t Know Why” (vencedora) Resultado de imagem para norah jones 2003
Sheryl Crow — “Soak Up the Sun”
Avril Lavigne — “Complicated”
Pink — “Get the Party Started”
Britney Spears — “Overprotected”

Apesar da conservadora vitória da Norah Jones aqui (contexto: o CD vendeu feito água nos EUA, apesar de debutado em 139 no Billboard 200. Um ano depois, estava em primeiro nos charts, e ainda desafiou a pirataria vendendo horrores numa época em que as vendas já estavam começando a cair. Então… prêmio da indústria) – nada de diferente e brilhante, mas definitivamente safe – aqui já dá pra reconhecer as estruturas que foram formando as indicações femininas – muito mais pop, muito mais jovem e muito mais trendy. Se eu fosse a Academia, teria dado o prêmio pra Avril sem nem fechar os olhos *opinião polêmica*

(ou eu não gosto da música porque era trilha sonora de algum dos soníferos do Manoel Carlos…)

Recomendações: nessa época eu já era adolescente, e apesar de na época só ouvir música das antigas, já acompanhava as tretas entre as meninas da escola sobre a preferência entre a Britney Spears, na época já mais adulta, com calça de cintura baixa e sempre dançando feito uma condenada nos clipes (“Overprotected“); e Avril Lavigne, a roqueira que falava mal de todo mundo e andava de converse, gravatinha e bermudão (“Complicated“). A gente sabe que era tudo uma questão de imagem e oferta/demanda, mas eram tempos mais divertidos e inocentes.

 

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Christina Aguilera “Beautiful” (vencedora)
Kelly Clarkson — “Miss Independent”
Dido — “White Flag”
Avril Lavigne — “I’m with You”
Sarah McLachlan — “Fallen”

Depois de bater duas vezes na trave, finalmente Christina Aguilera chegou lá – o prêmio por “Beautiful” é merecidíssimo não apenas porque é a vitória de uma baita intérprete – uma das mais talentosas da década, e uma das mais habilidosas (ouvir o “Stripped” é ouvir uma jovem dona da própria voz e pronta pra expô-la ao mundo de forma sexy, raivosa, emotiva, irônica; às vezes com exageros, mas tudo bem). Além disso, “Beautiful” é um hino de autoaceitação e motivacional que atravessou gerações, literalmente, e ainda inspira pessoas. Xtina pode não fazer mais nada na vida (o que não é nenhuma mentira, dada à situação da carreira da cidadã), mas essa música e essa performance ficarão para sempre.

Recomendações: considerando que o mid-2000 foi uma época bem prolífica de pop/rock, a categoria com artistas apresentando sonoridades puxadas pra essa vibe faz muito sentido. Mas a recomendação pessoal aqui é uma coincidência curiosa: a primeira aparição da primeira vencedora do American Idol Kelly Clarkson, futura recordista no pop field (Clarkson é o ÚNICO ARTISTA a ter duas vitórias em Pop Album) com “Miss Independent“, escrita pela… Christina Aguilera! Não sabemos como ficaria a música na voz da Xtina, porque também a Kelly deu uns toques na composição, mas a música tem o toque potente da Kelly, outra talentosa intérprete (e a primeira faixa da artista que começa a mostrar a identidade dela).

2005

Norah Jones “Sunrise” (vencedora) Resultado de imagem para norah jones 2005
Björk — “Oceania”
Sheryl Crow — “The First Cut Is the Deepest”
Gwen Stefani — “What You Waiting For?”
Joss Stone — “You Had Me”

Mais uma vitória da Norah Jones numa categoria que fugiu da norma nos anos 2000 – as indicadas a Performance Pop Feminina eram menos “joviais” e trendy, e o “Feels Like Home”, álbum em que continha essa track, foi outro CD muito bem vendido. Mas as vitórias da Norah são sempre as mais broxantes, que é isso.

Recomendações: Björk, of course. Quando fiz a pesquisa para o tópico praticamente tomei um susto vendo a islandesa entre as indicadas aqui, já que o Grammy torce o nariz para o trabalho sui generis da artista. E “Oceania“, música escrita para as Olimpíadas de Atenas em 2004, deve ser a faixa mais esquisita que eu ouvi desde que comecei o post. Mas é NUNCA que a Academia daria um gramofone pra essa música, que curiosamente ornaria bem como tema de filme do James Bond.

 

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Kelly Clarkson “Since U Been Gone” (vencedora)
Mariah Carey — “It’s Like That”
Sheryl Crow — “Good Is Good”
Bonnie Raitt — “I Will Not Be Broken”
Gwen Stefani — “Hollaback Girl”

No auge do pop/rock feminino mid-2000, quando toda jovem cantora fazia o famoso pop com guitarras (e a Disney transformou isso numa produção em massa), a vitória da Kelly faz todo sentido. É claro que os lambs e os fãs da Gwen vão ficar meio chateados comigo, mas esse Grammy tem contexto – pop/rock feminino convivia simultaneamente com o urban que bombava no período, e as indicações desse estilo específico já vinham rondando a categoria desde Avril e P!nk em 2003. A Academia aproveitou que a indicada era dona de um dos álbuns mais vendidos do período de elegibilidade, tinha o respaldo da crítica e ainda hits na mão e premiou a Kelly. Faz todo o sentido, com contexto, com a força da música e a voz da Kelly, aqui em full angry mode. Outras tentam alcançar essa raiva, mas uma raiva relatável (porque a Kelly é relatável af) mas não conseguem.

Recomendações: o lineup dessa categoria é bem forte, com direito a Sheryl Crow, Bonnie Raitt e Gwen Stefani, mas não é curioso como parece que a Academia tem birra com a Mariah? Sempre achei que ela merecia mais Grammys do que ela tem – uma das maiores intérpretes da história, compositora de mão-cheia (melhor que muitas aclamadas por aí), com 17 dos 18 #1’s compostos por ela (você quer, @??) e influente tanto vocalmente quanto na sonoridade implantada com o encontro entre rappers e cantores nas musicas após 1995. “It’s Like That“, lead single do “The Emancipation of Mimi”, é um pop/R&B/urban que é a cara do mid-2000, mas se eu ouvir sem querer numa rádio em 2017 juro que acho que foi lançada dia desses. Aliás, esse CD é SENSACIONAL.

 

2007

Christina Aguilera “Ain’t No Other Man” (vencedora) Resultado de imagem para Christina Aguilera 2007
Natasha Bedingfield — “Unwritten”
Sheryl Crow – “You Can Close Your Eyes”
Pink — “Stupid Girls”
KT Tunstall — “Black Horse and the Cherry Tree”

Christina Aguilera ataca novamente com sua homenagem aos bons tempos com a retrô “Ain’t No Other Man”, um merecido premiado que tem aquilo que a Academia ama: um grande artista celebrando gêneros do passado trazendo uma pegada nova, mas sem perder a identidade. E a música, uma divertida declaração de amor ao então marido, tem a potência da Xtina e o toque sassy que ela sempre teve na última potência, graças ao vozeirão e à produção elegante do DJ Premier. Tomara que a Christina relembre o quão foda ela era na década passada e traga outros tiros de bazuca.

Recomendações: a lineup é bem variada, como o padrão dentro das convivências curiosas entre diversos gêneros nos anos 2000 (um estilo pode até dominar, mas todo mundo tá junto no pop); e uma recomendação bem bacaninha é “Black Horse and The Cherry Tree“, da KT Tunstall, que estava em todo lugar naquela época por causa de “Suddenly I See”. É a famosa “indicação adulta/indie/alternativa” que foi dando as caras no final da década por n razões: seja por causa da mudança no consumo de música; seja porque aquela faixa caiu na boca do povo sem explicações plausíveis, ou porque a faixa tocou num filme popular.

 

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Amy Winehouse “Rehab” (vencedora)
Christina Aguilera — “Candyman”
Feist — “1234”
Fergie — “Big Girls Don’t Cry”
Nelly Furtado — “Say It Right”

Você tem algo contra a vitória de Amy Winehouse neste ano? Agradecemos se disser que não.

A lineup talvez seja uma das melhores da década, com músicas de sonoridades e inspirações diversas, além de ótimas performances, mas é o trabalho brilhante e atemporal de Amy que a coloca acima da concorrência. A ironia, o senso de humor, a voz que remete às grandes divas dos anos 60, tudo empacotado numa música pop perfeita com as repetições de refrão e viradas ideais dentro da canção. O triste é que ouvíamos a música com uma vibe, mas na verdade, “Rehab” era um grito de negação (ou de socorro?) sobre uma situação que a mataria anos depois. Não era pra ser assim, de forma alguma.

Recomendações: continuando a cobertura das indicações “pop adulto/indie/alternativo”, vale a pena relembrar “1234” da Feist. Fez um bom barulho na época e o clipe ficou bem popular na popsfera. Vigi, agora me deu uma sessão nostalgia.

 

2009

Adele “Chasing Pavements” (vencedora) Resultado de imagem para adele 2009
Sara Bareilles — “Love Song”
Duffy — “Mercy”
Leona Lewis — “Bleeding Love”
Katy Perry – “I Kissed A Girl”
Pink — “So What”

A dona do Grammy chegou. E chegou de mansinho, porque entre as indicadas, teve um desempenho mais ou menos nos EUA (um top 30) e ultrapassou as conterrâneas e os hits das artistas locais. No entanto, se você fizer uma análise fria e calculista, dadas as indicações da concorrência, “Chasing Pavements” era a natural vencedora: a faixa tinha indicação no General Field (Record e Song), enquanto “Bleeding Love” tinha indicação em Gravação e “Love Song” em Canção. So… a música não era uma das mais populares, Adele não era a britânica mais bombada daquele ano (Leona Lewis era the next big thing, considerada “a nova Mariah”) e a indivídua tinha indicações no General Field? E olha que eu nem falei de Artista Revelação! Não dá pra negar que a Academia gostava da Adele desde aquela época e apostou correto no sucesso da jovem.

 

Recomendações: numa lineup rara de seis indicadas e extremamente forte, com uma composição incrível de excelentes músicas desse período (o que prova o quanto 2007-08 foi um bom período pra música – e foi mesmo), “Bleeding Love” é uma das faixas mais memoráveis daquela época – e ainda deu uma carreira pro Ryan Tedder haha. O vozeirão de diva anos 90 da Leona era marcante, e todo mundo garantia uma carreira incrível e super consistente pra jovem – pena que não foi bem assim. Mas o primeiro álbum prometia o mundo.

 

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Beyoncé “Halo” (vencedora)
Adele — “Hometown Glory”
Katy Perry — “Hot n Cold”
Pink — “Sober”
Taylor Swift — “You Belong With Me”

Vocês devem estar se perguntando “mas cadê Beyoncé?”. Pois é, Bey sempre foi indicada no R&B field, então ela não dava as caras nas performances femininas durante a carreira solo. Mas a coisa mudou com o “I Am… Sasha Fierce”, o álbum mais pop da carreira (e um dos mais irregulares, não compro de jeito algum essa proposta de álbum duplo com “duas faces” da mesma artista), que deu o clássico “Single Ladies” para a diva, consagrou a era dos videoclipes minimalistas preto-e-branco/orçamento baixo no pop e deu recordes apenas igualados para Beyoncé: seis vitórias numa só noite.

E uma delas foi com “Halo”, uma das canções mais fortes e bem produzidas do catálogo da Bey, com a voz da diva no ponto, beltando na hora certa, acertando os graves, e com uma maturidade e técnica absurdas. Um grande trabalho da música mais popular entre as indicadas. Não disse que era a melhor.

Recomendações: A melhor performance feminina entre as indicadas foi, particularmente, da Adele com “Hometown Glory“. A homenagem à sua cidade possui uma profundidade e uma emoção que não vem da técnica, e sim da sinceridade de uma jovem cantora e compositora. Difícil passar imune por essa faixa.

 

2011

Lady Gaga “Bad Romance” (vencedora) Resultado de imagem para lady gaga 2011
Sara Bareilles — “King of Anything”
Beyoncé — “Halo (Live)”
Norah Jones — “Chasing Pirates”
Katy Perry — “Teenage Dream”

A última vencedora da categoria de Performance Pop Feminina (depois daqui se juntam os gêneros para a famigerada Pop Solo Performance) é o resumo de uma época: “Bad Romance” foi um momento cultural, o auge do dance-pop/eletropop como sonoridade mais relevante do pop entre 2009-2011 e colocou Lady Gaga no patamar das grandes artistas dos últimos anos. Ouvir “Bad Romance”, seus tons assustadores, sua gravidade, seu mistério e os repetecos malucos da Gaga (e VER “Bad Romance”) é como se estivéssemos diante do mais próximo que temos de uma canção pop perfeita, que conseguia aspirar a muito mais sendo até simples em produção (se comparar com o que a Gaga foi fazer nos álbuns posteriores). Foi uma fase genial, rápida como um furacão, e quem acompanhou sabe bem a loucura que foi. Também sinto falta dessa época.

Recomendações: se não existisse “Bad Romance”, esse Grammy tinha tudo pra ser da Katy Perry. “Teenage Dream” é outro clássico pop que só não é laureado com um gramofone porque tinha um petardo concorrendo com a Katy naquele ano.


Chegamos ao fim desse longo post, que é apenas o primeiro do esquenta para o Grammy, que promete ser bem disputado em 2018. O próximo post vai se debruçar nos vencedores do prêmio de Gravação do Ano, desde 1980 até 2017, com clássicos, surpresinhas, as famosas escolhas safe e ótimas histórias. Até lá!

AH e aproveitem para ouvir todas as vencedoras do prêmio a partir de 1980 na nossa playlist 😉

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