Combo de álbuns – em ordem de preferência

Baixando um pouco a poeira do Grammy (quer dizer, um sutil “mudando de assunto…”), nesses últimos meses tivemos alguns lançamentos interessantes para o pop, entre bons álbuns, materiais irregulares e outros muito ruins. Como eu fiquei protelando horrores pra escrever as resenhas dos CDs, decidi juntar as reviews no Combo de Álbuns pra falar de cada um deles, por minha ordem de preferência (do que eu não gostei até o que curti mais).

Quer saber quais são? Então segue o pulo!

Miley Cyrus – Younger Now (lançado em 29 de Setembro)

A nova encarnação de Miley Cyrus de longe é a mais sem graça. Em “Younger Now”, a ex-Hannah Montana assume uma postura country (que já tinha aparecido em outros momentos da carreira, com melhores resultados) num álbum que padece de uma falta de qualquer coisa que possa ser chamada de fogo, sangue ou alegria. Movida seja por interesse artístico em “voltar às raízes” (Miley é filha do cantor country Billy Ray Cyrus e sua madrinha é ninguém menos que Dolly Parton, que acompanha ela em “Rainbowland”) ou por rebranding pra esquecerem a fase “porra-louca” de dois anos antes, é tudo pouco sincero ou interessante, seja nos arranjos ou nas letras medíocres.

O álbum, escrito apenas pela Miley em parceria com o compositor e produtor Oren Yoel (exceto pela faixa com a Dolly), é repleto de letras ruins, repetitivas e mal-estruturadas. Na faixa-título, a medonha “Younger Now”, ela reforça que todos têm o direito de mudar (uma indireta às críticas sobre sua variedade de estilos e personalidades a cada era), mas com versos pavorosos como “No one stays the same (oh, oh) / You know what goes up must come down” o resultado é que “Younger Now” faz sentido: Miley regrediu aos 13 anos. Em “Thinkin'”, o refrão repetitivo sempre parece faltar alguma coisa no final

“I’ve been thinkin’ way too much, much, much, much
You ain’t been callin’ me enough, ‘nuff, ‘nuff, ‘nuff
Now I’m longin’ for your touch, touch, touch, touch” – nem sempre repetitivo significa catchy, e essa música é um caso bem visível disso.

Ainda tem a bridge de “Bad Mood”, uma música com ótimo arranjo mas letra arrastada e meio adolescente, bridge essa que causa um estranhamento pouco familiar na primeira e em várias ouvidas.

Entre fillers que só serviram pra encher o bojo do CD, faixas sem refrão forte, lineares e pouco atrativas (como o lead, “Malibu” e “Week Without You”), as únicas músicas que se destacam são “She’s not him”, talvez uma das coisas mais honestas de fato no CD (com letra verdadeiramente inspirada sobre um romance em que uma das partes é bissexual), a sensível “Inspired” e “Rainbowland” com a Dolly, mas das meninas do pop, quem entregou um bom duo com a lenda do country foi mesmo a Kesha.

Lançado perto do período de elegibilidade para o Grammy 2018, “Younger Now” foi lançado com zero fanfarra do público e crítica torcendo o nariz para o novo material. Melhor Miley achar uma personalidade mais sincera na próxima vez.


P!nk – Beautiful Trauma (lançado em 13 de outubro)

Uma das artistas mais intrigantes da música pop atual é P!nk. Inteligente, com personalidade e com uma identidade PINK - Beautiful Trauma (Official Album Cover).pngcheia de sassiness, conseguiu manter uma carreira de quase três décadas com um som pop/rock com letras relatáveis, vídeos bem produzidos e a voz rasgante, cheia de personalidade.

A voz é talvez o elemento mais contraditório de seu novo álbum, “Beautiful Trauma”, um blend de pop, pop/rock e algumas coisas meio datadas que parecem vindas de 2007 e não de 2017. É uma P!nk mais contida, até mesmo quando consegue ser moderninha – como na faixa-título “Beautiful Trauma”, co-escrita com Jack Antonoff (que mostra ser o produtor menos criativo a fazer sucesso nos últimos anos), na linda “But We Lost It” – mó carinha de tema de novela, e linda, lindinha mesmo com a base no piano. A produção do Greg Kurstin (que tinha já trabalhado com a P!nk no “The Truth About Love” com ótimos resultados) dá um conforto mesmo que a música seja melancólica – a propósito, o que foi obra de P!nk e Kurstin são as melhores coisas do álbum.

E quando digo que o elemento mais contraditório da P!nk neste álbum é a voz, é porque em “Beautiful Trauma”,  som mais pop do CD restringe a liberdade das interpretações dela. É como se tivessem domado a fera e o resultado é sem brilho e sem gosto; outro álbum pop pra você ouvir quando não tem nada pra fazer. Até mesmo quando ela tem que ser irônica e divertida, o resultado é muito ruim. Porque eu não sei vocês, mas se “Revenge”, feat. com o Eminem, era pra ser divertida, passou longe de mim. Além da faixa gritar 2003 (e não de uma forma positiva), os versos dos dois parecem conversa entre dois adultos tentando se “enturmar” com os novinhos” – é a versão musical desse gif

Outras faixas com jeitinho de anos 2000 e cheirinho de naftalina são “Whatever You Want” (que não chega a ser ruim, até pega na nostalgia, mas podia ter um toque mais moderno), “Secrets” (que bomba!) , e o lead, “What About Us”, gritando 2011 por todos os poros (até a letra reflexiva parece direto daquela época, o que talvez seja resultado do nosso mundo estar muito pior que naquela época e não de uma temática repetida). E quando você vê nos créditos de produção e composição nomes como Max Martin e Shellback, você até se decepciona – hitmakers celebrados, Martin é lendário e sempre se atualiza, trazendo essas músicas muito abaixo do que ele pode oferecer…

Por fim, entre ótimas músicas, bombas e fillers, “Beautiful Trauma” é um álbum irregular, aquém do que a gente sabe que a P!nk pode oferecer; e de certa forma, esse material mais pop acaba restringindo o vocal dela, tirando o brilho das interpretações sempre cheias de verdade, humor e ironia dela.


Niall Horan – Flicker (lançado em 20 de outubro)

Eu tenho que parar de me chocar com os lançamentos dos ex-One Direction. Esses meninos só vem lançando, na maioria das vezes, bons materiais, e até das fontes mais inesperadas você acha um bom trabalho. E o que eu mais gosto nesse álbum do Niall Horan, “Flicker”, é aquele gostinho de despretensão, daquele pop agradável de ouvir, com uma pegada folk e alguns ecos de yacht rock do finalzinho dos anos 70/início dos 80; além daquele soft rock bem Antena 1 que particularmente eu adoro. Fiquei genuinamente surpresa e feliz com o CD.

“On the Loose” e “Since We’re Alone” me lembraram tanto de Christopher Cross, Michael McDonald, tem uns ecos de Fleetwood Mac, e são algumas das highlights do álbum. Simples nas composições e com arranjos polidos e elegantes, são perfeitas pra ouvir num domingo chuvoso com um bom vinho ao lado. Já as pops e chicletinhas “Slow Hands” e “Too Much to Ask” são outros momentos sensacionais do álbum (e TMTA tem um tempo parecido com antigas canções dos Backstreet Boys, o que é uma grata surpresa para esta filha dos anos 90). Por falar em coisa boa, sabe quem é um dos produtores desse álbum? Ele mesmo, Greg Kurstin, responsável pelos grandes momentos do “Beautiful Trauma” da P!nk (e que, aliás, foi o principal produtor do “25” da Adele, produziu o “1000 Forms of Fear” e o “This is Acting” da Sia; além dos dois primeiros CDs da Lily Allen). Mais Kurstin, por favor!

Ah, e a faixa com a Maren Morris, “Seeing Blind”, consegue ser country com mais personalidade e verdade que todo o “Younger Now”. E a letra é um achadinho: o choque de duas pessoas que já se conhecem há algum tempo mas que perceberam num estalo que estavam apaixonados.

I have heard, have heard you speak a million words
Now you’re talking to me first
I never thought you would

A parte mais acústica do CD é boa, mas tem algumas faixas que eu não me conectei bem, como “Paper Houses”, e aqui tem uns fillerzinhos, mas como é tudo mais para o fim do CD, você já foi pego pelos petardos de 80% do “Flicker”. No geral, tirando esses missteps, é um álbum muito bom, coeso, com uma identidade e um sabor de conforto, de abraço, de se sentir bem (mesmo que a temática do álbum seja toda “coração partido” e DR, mas tudo bem), literalmente viver dentro do álbum 😀 Gostei muito e recomendo!

 

E vocês, já ouviram os três CDs? Ou só ouviram um deles? Deem sua opinião sobre esses novos trabalhos!

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Um comentário sobre “Combo de álbuns – em ordem de preferência

  1. Oii Marina!

    Então… o Younger Now é a própria bomba de Hiroshima!

    Eu gosto MUITO de Malibu e a própria Younger Now, além de Inspired… o resto eu descarto.

    Sobre o álbum da P!nk… bem farofa 2000 em? Ela deveria dar uma atualizada no som, apesar que as vendas do álbum foram excelentes na estreia, né? A antiga fórmula dá certo.

    Eu gostei bastante do álbum do Niall, mas não é exatamente o som que eu curto ouvir.

    Os álbuns que eu não paro de ouvir? American Teen, Tell Me You Love Me o Meaning Life (maravilhosoo), Lust For Life, Melodrama, CTRL, e até o próprio Witness que cresceu bastante comigo nesses últimos meses.

    Beijão

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