Taylor Swift arranjou uma ghost writer de 13 anos

Eu demorei de escrever uma resenha sobre o lead single da Taylor Swift, “Look What You Made Me Do” (do novo álbum da estrela pop, “Reputation”, que chega dia 10 de novembro), porque estava morrendo de preguiça. A velha preguiça que me acomete sempre; e preguiça da música mesmo. Eu não acredito que uma das letristas mais competentes da música pop dos últimos 10 anos teria regredido para uma adolescente revoltada de 13 anos em 2004.

Nem me importo com o beef dela com o Kanye West – que continua a ser alimentada há quase uma década, assim como o cansado feud Katy x Taylor – porque ela poderia ter escrito algo do gênero com mais habilidade e inteligência. “I don’t like your little games / Don’t like your tilted stage / The role you made me play / Of the fool, no, I don’t like you” (e repete I don’t like you na mesma estrofe), ou “I don’t trust nobody and nobody trusts me” parecem vindos de um diário revoltado juvenil (o que é aquela frase da bridge “I’m sorry, the old Taylor can’t come to the phone right now /Why? Oh, ‘cause she’s dead!”? Minhas discussões com os meus pais aos 12 anos eram mais evoluídas que isso aí). Uma letra preguiçosa, sem graça, um eletropop com uma ambientação “obscura” anos 2000 com o sample de “I’m Too Sexy” no refrão igualmente sem graça de uma música onde muita coisa acontece, mas pouca coisa realmente marca você.

“Look What You Made Me Do” padece de um problema que eu tinha indicado na resenha de “Green Light”, da Lorde (que curiosamente, compartilha o mesmo compositor e produtor, Jack Antonoff): as quebras da música – ela começa com um arranjo 1, segue para o pré-refrão em coro (a melhor coisa da música, que curiosamente lembra algo da Lorde) 2, o refrão falado 3 (que tem uma bateria meio seca acompanhando); volta para o arranjo 1, e pula para um arranjo 4 sem sentido algum. É muita informação acontecendo ao mesmo tempo e algumas vezes me senti ouvindo uma colagem de músicas escrita pelo Victor Frankenstein.

(Taylor, quando eu tinha 12 anos escrevia uma lista de pessoas que eu gostava e não gostava no meu diário. Era um ranking semanal. Eu tinha 12 anos, com 27 eu não ligo a mínima. Conselho de amiga.)

No entanto, mesmo que eu diga que a música não é boa, é esquisita, é ame-ou-odeie, a construção é confusa e a letra pedestre, “Look What You Made Me Do” já é um monstro no digital, streams e rádios, pode tirar “Despacito” da décima-sétima semana em #1 e certeza que arranja indicação este ano mesmo a Pop Solo no Grammy (por estar dentro do período de elegibilidade). O hype da Taylor é forte, todo o marketing em torno da música e da volta da cantora é evidente, e os deals com as plataformas de execução da música darão esse empurrãozinho para a música iniciar uma trajetória de sucesso. Mas nada disso tira a decepção de saber que Taylor Swift, uma das singers-songwriters mais interessantes do pop, contratou uma menina de 13 anos para escrever seu novo hit.

O que vocês acharam da música?

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