Ótimos álbuns [1] “Tuskegee”, Lionel Richie

Lionel Richie - Tuskegee.jpgÀs vezes você ouve uns CDs bacanas que foram lançados tem um tempinho e dá vontade de resenhar, falar sobre ele, mas não encontra uma situação específica pra falar sobre. Pois bem, essa semana me vi ouvindo os álbuns do Lionel Richie (talvez um dos artistas mais bem sucedidos e respeitados da história da música, com vários Grammys e um Oscar) e decidi dar uma conferida em “Tuskegee“, o álbum country que ele gravou com um timaço de pesos-pesados do gênero em 2012 (tem Kenny Chesney, Jennifer Nettles, Little Big Town, Rascal Flatts, Darius Rucker, Blake Shelton, Shania Twain… E nem citei todo mundo!). Basicamente, o CD é composto pelos grandes sucessos do Lionel com arranjos country.

Para quem não sabe, essa inserção dele no Country não é algo de agora. Ele já tinha composto “Lady”, um clássico crossover country/pop do comecinho da década, performado por Kenny Rogers, e em seus álbuns solo o Lionel já cantou músicas com flavor country (como “Stuck on You” e “Deep River Woman”). Ou seja, o gênero não é um alien pra ele – pelo contrário. E o rapaz é do Alabama…

Pois bem, eu gostei tanto do CD (e nem curto country), que deu vontade de resenhar “Tuskegee” – porque não é apenas um CD redondinho, é a prova de que excelentes letras fazem sentido em qualquer sonoridade, boa música funciona em todo tipo de arranjo e o reforço da genialidade do Lionel Richie, que volta e meia a gente esquece por causa do tempo e porque “Hello” é meio cheesy mesmo.

“Tuskegee” tem um climinha gostoso de manhã de domingo, de se sentir feliz, quentinho no edredom tomando café ou chocolate quente. É ouvir música e se sentir bem ouvindo, sem vergonha de colocar a mãozinha no coração e cantar junto; ou estalar os dedos acompanhando o ritmo da canção… De certa forma, boa parte dessas músicas foram as que cresci ouvindo, então eu tenho uma relação bem bacana de amorzinho com elas, até mesmo as mais cafonas do repertório.

Aliás, o que era cafona nos anos 80 ganha um flavor moderninho e muito bem vindo, como em “Say You Say Me” (que é a cara dos anos 80, e até ganhou Oscar, mas envelheceu terrivelmente); e “Lady” – que eu comentei anteriormente – tinha aquele cheiro de naftalina de Antena 1, mas o dueto do Lionel com o Kenny Rogers está muito bom, de verdade, com uma ambientação meio creepy até.

Outras mantém a força da versão original, como “You Are”, que encontra em Blake Shelton um ótimo intérprete; e “Sail On” virou aquela midtempo country de filme passado no Meio-Oeste. Dá pra ver até o feno passando e o caubói andando a cavalo. Eu simplesmente fiquei apaixonada pela versão. “Just For You”, por sua vez, recebeu um belo flavor country pop que, apesar de lançado em 2012, faria bastante sucesso em 2017.

Faixas como “Stuck on You” (com Darius Rucker) e “Deep River Woman” (com o Little Big Town) já eram country-influenced nas suas versões; só ganharam mais flavor e são algumas das faixas mais legais do álbum inteiro. Não foi por nada que DRW tocou nas rádios country sem ser single. A música é brilhante, e o encontro das vozes foi impecável.

Curiosamente, “Tuskegee” conseguiu trazer não apenas country-pop ou uma pegada mais tradicional em suas faixas, como um crossover brilhante entre country e soul em duas faixas incríveis: “My Love”, que colocou Kenny Chesney quase um soulman com vocais smooth; e “Easy”, mais country que soul, com o apoio de alto nível de Willie Nelson. Mas uma das highlights do CD é obviamente, “Hello”. O que é “Hello”? Eu nem sabia que precisava de um vocal feminino nessa música, e como a Jennifer Nettles dá um outro sentido na faixa, ela traz um toque dramático (graças também ao novo arranjo, com os solinhos de guitarra que são vida) e de fim de relacionamento que orna bem mais do que a temática meio stalker da música. Como essa música continua impressionante, mais de 30 anos depois.

(aliás, Hello do Lionel, definitivamente >>>>>>>>>>>>>>>> Hello da Adele.)

No entanto, nem tudo são flores: era pra ter deixado “Dancing on the Ceiling” no churrasco! Nada contra a tentativa louvável de dar uma upada na faixa que grita “80’s”, mas a música é ruim e gastar Rascal Flatts nisso foi ridículo! Outra faixa que eu não curti tanto foi “Endless Love” com a Shania. Apesar de não ser muito fã de “Endless Love”, eu não consegui me conectar da maneira que eu gostaria com a música. Não sei, já ouvi o CD várias vezes e fico com a impressão de que o problema foi o arranjo – parece muito pop, considerando que o CD são interpretações country de canções famosas do Lionel. Podia ter pisado firme no country. E achei “All Night Long” esquisitíssima. Ainda não sei se gostei ou não.

(ok, como a Pixie Lott, que nem canta country, conseguiu uma vaguinha nesse CD? hahaha)

No fim das contas, “Tuskegee” é tanto um passeio gostoso pela sonoridade country, mas com o toque pop indelével de um maestro musical como Lionel Richie, que consegue passear por várias sonoridades sem soar forçado nem fora do seu elemento. Pelo contrário, tanto ele quanto os convidados dos duetos (incrivelmente bem divididos, saudades de duetos que parecem duetos) parecem estar se divertindo horrores com um material de altíssimo nível. Canções eternizadas como clássicos do pop, soul, R&B, e que agora podemos dizer que são um pouco country.

Vale muito a pena dar uma ouvida 😉

(agora conta pra mim: qual o CD antigo – nem precisa ser tão velho, pode ser do ano retrasado haha – que você quer uma resenha?)

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2 comentários sobre “Ótimos álbuns [1] “Tuskegee”, Lionel Richie

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