Previsões para o Grammy 2017 – Edição com estrelas e bicicletas

Esse ano parece que as pessoas ficaram mais ansiosas para as previsões do Grammy 2017. Eu não sei se é por causa da própria tensão que o prêmio mais importante da música traz – especialmente com o vazamento das submissões (e a gente tem a chance de xingar nossos artistas que fizeram caquinha na submissão – né FRANK OCEAN?); ou porque a gente já está escaldado de injustiças nos últimos anos. Mas como a gente gosta de sofrer, estamos aqui com a segunda parte das previsões para o Grammy, sempre incluindo o momento pós-Julho onde realmente tudo aconteceu.

Agora, a pergunta é: por que o post se chama “edição com estrelas e bicicletas”? Simples. Finalmente temos indicados mais fechados que no meio do ano, e podemos fechar questão sobre uma série de indicados que estavam enfiados lá nas wild cards e que chegaram à primeira divisão do nosso exercício de futurologia!

Melhor Álbum Pop

Cover CD Justin Bieber PurposeProváveis indicados

25 – Adele
“Dangerous Woman” – Ariana Grande
“Purpose” – Justin Bieber
“This is Acting” – Sia
“This is What Truth Feels Like”, Gwen Stefani*

Wildcard: “Revival”, Selena Gomez; “Illluminate”, Shawn Mendes; “Thank You”, Meghan Trainor

Eu tinha definido o corte final excluindo a Gwen Stefani da lista e incluindo o álbum da Ariana, que ganhou um estímulo por causa do sucesso massivo de “Side to Side” (o que um hit não faz pra uma era bagunçada, hein), mas quando descobri que o Coldplay tinha submetido o “A Head Full of Dreams” pra Rock Album (pra quê? por quê?), tudo que eu tinha pensado deu uma volta inesperada. Considerando que tenho três locks óbvios aí (Adele, Justin e Sia – especialmente pelo hit “Cheap Thrills” e os desempenhos passados no Grammy), o resto será uma disputa pelo álbum feminino “teen” e alguma indicação tirada da cartola da bancada. Como a Ariana já foi indicada antes e está numa ascendente desde o verão americano, ela tem mais chances (e nisso incluo chances reais de até mesmo ser um azarão).

Se eu tivesse um indicado tradicional (como o James Taylor foi este ano), eu fecharia com mais tranquilidade este grupo, mas a Gwen acabou ficando de novo no corte final; evidentemente com esse asterisco em ressalva porque eu realmente não acredito que ela chegue lá – mas as wildcards são muito selvagens para que eu aposte em algo, sinceramente.

 


Caso a bancada do Grammy compre mais um teen, rejuvenescendo ainda mais essa categoria, ela pode optar pelo bem-criticado “Revival”, da Selena Gomez, um álbum bem feito, com produção elegante e bem maduro para uma “teen”; ou o “Illuminate” do Shawn Mendes – que pode ganhar impulso especialmente se ele emplacar uma indicação a Artista Revelação (essa possibilidade pra mim é uma realidade). Não seria a primeira vez que o Grammy faria essa dobradinha pra pimpar um act novato e mostrar que “olha só, ele tem material bom, por isso indicamos” (ver Natalie Cole em 1976, Christopher Cross em 1981, Amy Winehouse em 2008 e casos incontáveis).

Já a Meghan é uma questão de “honra” da bancada. Vencedora do último Grammy de Artista Revelação, o “Thank You” pode ser uma bomba atômica, mas a Academia vai querer mostrar que “fez a escolha certa” e prestigiar sua aposta do ano anterior. Eu não confio muito nessa teoria (especialmente após a burrada monstra da gravadora em não indicar “No” para Pop Solo), mas vá saber o que passa pela cabeça dos jurados né.

 

Melhor Performance Pop em Duo ou Grupo

sia-cheap-thrills-feat-sean-paul-2016-2480x2480Possíveis indicados

“Side to Side” – Ariana Grande feat. Nicki Minaj
“Cheap Thrills” – Sia feat. Sean Paul
“Hymm For the Weekend” – Coldplay feat. Beyoncé
“Starboy” – The Weeknd feat. Daft Punk
“Work” – Rihanna feat Drake

Wildcards: “We Don’t Talk it Anymore” – Charlie Puth feat. Selena Gomez, “Can’t Stop the Feeling”, Justin Timberlake e o elenco de Trolls, “Stressed Out”, twenty one pilots, “Closer”, The Chainsmokers feat. Halsey; “7 Years”, Lukas Graham

Essa categoria virou uma briga de foice, e eu que achava tranquila e fácil para todos os envolvidos. Os culpados? The Weeknd, Ariana Grande e os Chainsmokers (sério). Os três hits deste segundo semestre são as principais ameaças à estranha tranquilidade que poderia reinar sobre “Cheap Thrills” (que foi submetida na versão que chegou à #1 na Billboard) ou mesmo “Work”, que foi submetida em Pop (um bom movimento). Essa categoria ganha força e duas indicadas interessantes. Apesar de achar que “Starboy” tem chances de chegar ao corte final, pode ser que a bancada segure o Abel para o ano que vem, quando ele for indicado (como se espera) com o material completo; e aí entra o wildcard “Closer”, um dos maiores hits do ano. E como já vimos com o exemplo “Uptown Funk”, não se subestima um hit massivo.

Quem eu acho que pode levar aqui? Não se surpreenda se Ariana e Nicki levarem um Grammy por aqui. “Side to Side” é a colaboração pop por excelência.


Como dito, de todos os wildcards, o único que sinto que pode chegar lá é “Closer”. No entanto, Justin Timberlake é um dos queridinhos do Grammy, e “Can’t Stop the Feeling” (outro hit do ano) pode fazer o corte final – mas acho que, como a versão que foi #1 era a solo, não vejo muito futuro pra versão submetida para além de Música Escrita para Mídia Visual. Já “We Don’t Talk Anymore”, a colaboração top 10 do Charlie Puth com a Selena, é uma música deliciosa com jeitinho de indicada (e que basicamente ressuscitou o Puth nos charts após “See You Again” e “Marvin Gaye”), mas tudo depende dessa briga renhida pela última indicação. Eu incluiria, porque gosto bastante da faixa, e foi crescendo bastante em mim neste ano. 

Já “7 Years”, breakout hit do grupo dinamarquês Lukas Graham, na fila de wildcards, está atrás de “Closer”. Foi hit, a banda tá querendo emplacar indicação a Artista Revelação, e se o exemplo do Chão Mendes for seguido, não se surpreenda se a bancada fizer a mesma coisa com a banda aqui.

Performance Pop Solo

Cover Ariana Grande Dangerous WomanProváveis indicados

“Hello” – Adele
“Piece By Piece” (idol version) – Kelly Clarkson
“Love Yourself” – Justin Bieber
“Dangerous Woman” – Ariana Grande
“Hold Up” – Beyoncé

Wild card: “Hands to Myself”, Selena Gomez; “Just Like Fire”, P!nk

“Lemonade” foi um evento – musical, social, político – e evidentemente qualquer coisa na qual a Beyoncé quisesse submeter ela seria indicada (nem que fosse Melhor Motivo pra Expor o Marido como um Safado que me Traiu). Por isso, a sensacional “Hold Up” , com sua pegada reggae e interpretação com direito a island accent da Bey, é uma óbvia finalista aqui. Curiosamente, esta é a única categoria em que eu posso dizer que está bem fechada, sem chances de surpresas. “Hello” é a óbvia favorita até a página 2, já que a Adele do “25” não é a Adele arrasa quarteirão do “21”; e com as submissões inteligentíssimas de “Love Yourself” e “Dangerous Woman”, fazem desse corte final o corte final dos sonhos.

E você sabe que a Kelly aqui é a “artista de ‘legado’ querida pela bancada” no corte final né? O “Piece By Piece” conseguiu DUAS indicações este ano e a title track versão do idol foi um evento absurdo que merece lembrança do Grammy. Faz todo o sentido essa indicação aqui.


Tanto que os meus wildcards, coitados, só estão aqui pra fazer número. “Hands to Myself” tem tantas chances de entrar no corte final quanto o “Revival” em entrar pra Álbum do Ano – e a indicação de “Just Like Fire” é em Música Escrita para Mídia Visual, apenas.

General Field

Best New Artist

Finalmente temos uma disputa sólida, aberta, com indicados que fazem sentido tanto pelo desempenho no período de elegibilidade quanto pelas novas regras do Grammy. Além disso, dá pra distinguir os artistas pelos fields ou por representatividade dentro dos públicos-alvo, o que atrai audiência e capital simbólico à Academia (que se interessa em “estar em contato com o que faz sucesso atualmente”).

chance-the-rapperPor isso, acho que os indicados serão:

Chance the Rapper (a cota de hip hop, cara de favorito, o “Coloring Book” tem chances reais de ser indicado a Álbum do Ano e, mesmo sem o Grammy admitir, foi por causa do Chance que eles mudaram a regra para indicar álbuns lançados apenas em serviços de Streaming)
Alessia Cara (cota pop/R&B, é a jovem prodígio sassy, na mesma vibe da Lorde. Teve top 10 com “Here” e foi bem recebida pela crítica e público. Acho que a indicação dela é só essa, já que tem muitas artistas com “apelo teen” indicadas no pop field)
Lukas Graham (cota pop, a banda dinamarquesa fez sucesso com “7 Years” e tocou até mesmo no pré-show do VMA. Acho que se eles emplacarem essa indicação aqui, pode ter chance do single conseguir uma chancezinha em Pop Duo/Grupo)
Shawn Mendes (a cota teen que já se tornou padrão no Grammy, recebeu boas críticas e apoio do público com o segundo lançamento – a regra nova para escolha de Artista Revelação o deixa como elegível por 2016 ter sido “o” ano para o rapaz, e ele ainda estar na regra de “30 músicas ou três álbuns” para ser indicado. Novamente, tem chance de emplacar CD, mas o bonito enviou “Mercy” ao invés de “Treat You Better” em Pop Solo, ou seja…)
Thomas Rhett ou Kelsea Ballerini (a cota country está meio dividida – o Rhett já lançou um CD antes, mas neste segundo álbum, ele conseguiu com o segundo single, “Die a Happy Man”, recordes nas rádios country, o que o coloca como um bom contender no field country. Já Kelsea é tipo o “futuro” do country pop feminino – no seu primeiro CD, colocou os três primeiros singles no topo dos charts country. Ou seja, num field super dominado pelos homens, colocar uma mulher no big 4 pode ser um chamado para Nashville investir mais ainda em talentos femininos)

Record of the Year

Cover Beyoncé FormationProváveis indicados

“Hello” – Adele
“Formation” – Beyoncé
“Love Yourself” – Justin Bieber
“Cheap Thrills” – Sia feat Sean Paul
“Work”, Rihanna feat. Drake

Wild card: “Side to Side”, Ariana Grande feat. Nicki Minaj, “Closer” – The Chainsmokers feat. Halsey, “Starboy”, The Weeknd feat. Daft Punk.

Não tem muito pra onde ir aqui nessas indicações: “Hello” e “Formation” são as principais músicas, com todas as características para ganhar Gravação do Ano – são bem produzidas, cada uma no seu estilo, tiveram sucesso e impacto e são das duas artistas femininas mais relevantes do ano. Mas, como essa categoria lida com hits, temos que abrir espaço para as outras músicas estouradas do ano – como “Work”, que realmente acho que será apagada neste Grammy (aliás, a Rihanna vai sair meio apagada dessa premiação, né?), “Cheap Thrills” e “Love Yourself”.

Os wildcards pra mim continuam sendo apenas por convenção – a única faixa que pode ter chances de entrar nesse balaio é “Closer” por motivos de “foi hit massivo”, mas creio que os indicados estão tão redondinhos que não vejo a bancada tirando um artista como Rihanna ou a Sia, com serviços prestados com indicações ou vitórias no Grammy, pra indicar os Chainsmokers… Só se eles entrarem como sexto indicado, incomum para Gravação do Ano.

 

Song of the Year

Prováveis indicados:JustinBieberLoveYourself.png

“Hello” – Adele
“Formation” – Beyonce
“Love Yourself” – Justin Bieber
“Kill A Word” – Eric Church feat. Rihannon Giddens
“Wristband” – Paul Simon

Wildcards: “Starboy”, The Weeknd feat. Daft Punk; “Dark Necessities”, Red Hot Chilli Peppers

Como aqui a conversa gira em torno de compositores, algumas mudanças em relação à “categoria dos hits” são necessárias. Mesmo assim, os três suspeitos de sempre estão na briga – “Hello”, “Formation” e “Love Yourself” (não se esqueça de que um dos compositores de LY é o Ed Sheeran, que ganhou Canção do Ano. Ou seja, tem créditos com a bancada – mas como ganhou há pouco tempo, basicamente este ano, que fique feliz em ser indicado).

E já que este ano algumas lendas da música foram indicadas, não seria surpresa que o Paul Simon entre no corte final com “Wristband”; ou que a cota country seria representada pelo Eric Church com “Kill A Word” (o álbum novo do moço, “Mr. Misunderstood”, foi aclamadíssimo pela crítica especializada e todas as músicas tiveram ótimos desempenhos nos charts country). Por isso, mais uma vez acredito que esta categoria está bem fechadinha, exceto se tivermos alguma surpresa country que não seja Eric Church ou incluam algum act rock como o RHCP no bolo.

Album of the Year

adele-25-coverProváveis indicados:

“25” – Adele
“Lemonade” – Beyoncé
“Blackstar” – David Bowie
“Purpose” – Justin Bieber
“Coloring Book” – Chance The Rapper

Wildcards: “Views”, Drake; “Stranger to Stranger”, Paul Simon

O crème de la crème do Grammy, quando se observa, parece um jogo de cartas marcadas, porque os suspeitos de sempre estão aí, as representações por gênero idem e até mesmo as wildcards fazem algum sentido. “25” é o álbum pop que já é um dos mais vendidos dos últimos anos, a continuidade do fenômeno Adele lançando físico em era de streaming; “Lemonade” é o evento do ano, que transformou Beyoncé em muito mais que uma cantora – ela é um dos ícones políticos do nosso tempo. “Purpose” é o álbum pop da redenção do Bieber, com a tendência que reinou em 2015-16, o tropical house, e como o Grammy adora um comeback e seguir o fluxo… “Blackstar” é o último álbum lançado pelo mito David Bowie, logo antes de morrer, e mesmo que a bancada nunca tenha sido muito apaixonada pelo Camaleão do Rock, essa lembrança é mais que acertada. E foi por causa do aclamado “Coloring Book” que a regra para indicação de álbuns streaming-only foi incluída, reforçando que o Grammy está de olho nas mudanças que vem sacudindo a indústria atualmente.

Dessa forma, o sentimento geral desses indicados (no corte final que pensei) passa pela indústria compreender que a arte também pode ser política (como foi o “To Pimp a Butterfly”) ano passado, e que é importante premiar as possibilidades desenvolvidas pela indústria para sobreviver à pirataria, mas sem deixar de valorizar lançamentos tradicionais e artistas históricos.

Por isso, acredito que se os fatores “hit” e “reconhecimento” forem mais relevantes na votação do Grammy, o “Views” do Drake pode tomar o lugar do Chance (tanto como álbum de rap – hahahahahahha – quanto pela força do canadense nos streams); assim como o Paul Simon, que lançou um novo álbum depois de cinco anos, e um dos caras mais premiados de todos os tempos, com certeza pode conseguir uma vaguinha pro novo álbum. Mas quem sairia para ele entrar? O Bieber? Como eu disse, é uma categoria fechadinha demais pra entrar mais pessoas.

Daqui a um mês teremos a revelação dos indicados. Qual é a opinião de vocês sobre esse update nas previsões? Ou acham que teremos alguma surpresa daqui até lá? Deixem seus palpites nos comentários!

 

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9 comentários sobre “Previsões para o Grammy 2017 – Edição com estrelas e bicicletas

    • Oi! Acho que eles jogaram no seguro, porque apesar de eu, particularmente, achar Into You melhor, a música não foi o sucesso estrondoso que esperavam – e Dangerous Woman é uma balada, mostra bem o vocal da Ariana, é bem produzida pra captar voto da Academia. Além disso, a faixa foi top 10.

    • É meio complicado colocar a Britney em prognósticos do Grammy porque ela não é querida pela Academia, e só tem um Grammy (em Gravação Dance, por “Toxic”). Eles sempre a esnobaram; é muito complicado se lembrarem dela agora, quando o novo álbum teve pouco impacto. A Gwen não teve a melhor das eras, mas ela já recebeu indicações e é melhor vista pela Academia.

    • O problema é que a concorrência dela é forte demais (entre o ANTI e o Lemonade, a tendência é premiarem o segundo), é mesmo no field pop e no Big Four a concorrência tá acirrada demais. Só consigo ver Work com chances reais de fazer algum barulho.

  1. Novamente como nos anos anteriores concordo quase totalmente com você.
    na primeira previsão discordei de varias coisas mais nesta esta td mais redondo e claro .

    minha duvida ainda é a Sia realmente será indicada em Best Pop album ?
    e você colocou Ariana como azarão em Best POP album e em Pop Duo Group, em qual você consegue vê-la como ganhadora? eu apostaria em pop duo group ,aposto em Adele para POP album.

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