Lady Gaga – Perfect Illusion

lady-gaga-perfect-illusionLady Gaga está viva e bem, meus senhores! Após três anos sem lançar nada pop – saindo em turnê com Tony Bennett e o álbum de jazz da dupla, além de emplacar um papel em “American Horror Story” e uma indicação ao Oscar por Melhor Canção Original – a Mother Monster decidiu voltar aos eixos e pegar o bonde da história. Desta vez, chamando o produtor-com-quem-todo-mundo-quer-trabalhar Mark Ronson e o cultuado Kevin Parker do Tame Impala, além da lenda Nile Rodgers, Gaga está de volta pra provar que ainda há espaço para um pouco de freak no pop.

Por que dizer que “ainda há espaço”? Afinal de contas, nesses três anos, muita coisa mudou na popsfera desde o malfadado “ARTPOP”. As vendas digitais (que sedimentaram a fama da Gaga) estão em queda livre, o stream é quem manda, lançamentos tradicionais já não fazem tanto sentido para os grandes nomes e a sonoridade que a fez famosa voltou a ficar restrita aos DJs. Dessa forma, uma artista como a Gaga, com uma forte identidade e uma veia performática muito evidente, precisa se diferenciar num mercado em que as trends são outras, as formas de divulgação diversas e o nome dela, forte entre os Little Monsters, ainda precisa ser provado como uma potência novamente entre o público médio.

Com “Perfect Illusion”, ela está meio caminho andado. Para o hit ou para o flop.

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Rápida, sem enrolações e com uma letra aparentemente simples, a faixa lembra bem as coisas do “Born This Way”, mas com uma pegada bem mais pop que as faixas daquele CD. A música tem uma produção mais equilibrada, sem exageros (como é bom trabalhar com produtores que entendem a importância de uma canção, né), e até a voz rasgada da interpretação da Gaga aqui faz muito sentido – é uma faixa pop/rock/dance com um flavor 80s, certa melancolia e um refrão que, se não é explosivo (se você perceber, não tem uma viradinha pro refrão), é repetitivo e grudento. Aposto que você está com esse “it was a perfect illusion” até agora. Eu tô.

(e ainda tem essa deliciosa key change. Prepare-se pra uma porrada de key changes nas próximas músicas pop. Adele já fez, Ariana já fez, anos 80 tudo de novo)

Além disso, a música é a cara dela. Tem a identidade da Gaga, é algo que ela já mostrou antes, não é uma sonoridade que “pulou de paraquedas” tampouco está atada ao passado. A Gaga sabe o que quer, que som quer apresentar ao público, e aparentemente não quer fazer concessões para retomar o sucesso.

A parte ruim da música é que “Perfect Illusion” não é exatamente o estrondo para o comeback. Comeback tem que chocar, tem que ser um direto na sua cara pra você ficar tonto e nem saber o que o atingiu. Pra quem está fora da popsfera há três anos, esse lead single é bom, mas não explosivo o suficiente pra dizer que a Gaga vai dominar tudo isso aí. A música tem muita cara de top 5 na Billboard, sem conseguir alcançar o topo. Ao mesmo tempo, a música cresce com você, mas o refrão grudento pode afetar muito em termos de longevidade da faixa.

Lady Gaga está com a faca e o queijo na mão – uma boa música, um material que é a cara dela; mas falta divulgar. Bem. E muito. Agir como uma novata sedenta e divulgar até na barraca da esquina, porque não é mais 2013 e o mundo que viu Lady Gaga é bem diferente. E “Perfect Illusion” vai precisar de muito apoio pra chegar lá, porque mesmo sendo grudenta, não é a música explosiva que esperávamos do comeback de uma das grandes estrelas do pop dos últimos anos.

Mas talvez seja a música que ela quer.

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