Indicados ao VMA [5] Melhor Vídeo Pop

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Assim como o vídeo de hip hop, a premiação relativa aos vídeos pop surgiu em 1999 – surpreendentemente nos dois casos. Mesmo focando em música pop, acts R&B, pop/rock e de música latina já venceram essa categoria, sempre uma das mais disputadas e com vídeos icônicos. “Livin’ La Vida Loca”, “Bye Bye Bye”, “Since You Been Gone”, “Bad Romance” e “Blank Space” levaram em anos anteriores; e outras gemas como “Lady Marmalade”, “Sk8ter Boi”, “Toxic”, “Poker Face”, “We Found Love” e ano passado “Uptown Funk” foram indicados. Tem muita coisa boa e que marcou épocas, de 17 anos atrás e hoje em dia.

Esse ano, temos uma ótima lista de indicados, que passeiam por vários estilos musicais e visões artísticas. Mas eu vejo nessa premiação um duelo interessante entre dois dos nomes mais famosos da indústria: a rainha e o bad boy.

Melhor Vídeo Pop

Adele — “Hello”
Beyoncé — “Formation”
Justin Bieber — “Sorry”
Alessia Cara — “Wild Things”
Ariana Grande — “Into You”

A análise segue após o pulo!

 

Adele — “Hello”

A disputa começa em grande estilo com o lead single da Adele, “Hello”. Muita gente acha o vídeo boring e repetitivo, e sem muito diferencial. No entanto, a produção é extremamente classuda e bem feita – a direção clássica do Xavier Dolan, a fotografia em P&B e sépia (que determina o que cena ocorrida no “presente” do vídeo e no “passado”), os closes e mudanças de foco e até mesmo o uso de elementos “vintage” como celular flip e telefones antigos. É uma música que fala de alguém rememorando o passado, de nostalgia, e tem um vídeo que casa muito bem com esse conceito.

Além de ser um vídeo impecável, o impacto do seu lançamento na cultura pop foi imenso – especialmente porque era o retorno de Adele, uma das artistas mais bem sucedidas da década, famosa pela reclusão e por retomar uma tradição antiga das singers-songwriters. “Hello” quebrou recorde de mais visualizações em 24 horas (que era de “Wrecking Ball” da Miley), além de se tornar meme com os mashups com “Hello” do Lionel Richie e ainda virou esquete no SNL (o que significa muito dentro do mainstream). Um vídeo prontinho pra ser vitorioso no VMA (e ainda foi #1 na Billboard) – o único problema é que nessa categoria tem vídeos extremamente populares e com um detalhe a mais: a fã-base.

 

Beyoncé — “Formation”

O que dizer então de “Formation”? De todas as referências sociais, políticas e históricas que a Beyoncé mostrou em quase cinco minutos de vídeo? Brutalidade policial, empoderamento negro, valorização da história negra, tragédias que afetaram o povo negro nos EUA (a referência a Nova Orleans), num vídeo cheio de poder – não apenas por causa de toda a Black Beauty em todos os frames do clipe, mas em todo o empoderamento da própria música – vídeo e música, que celebra a força e a beleza do negro – em especial da mulher negra – celebrando o momento em que Beyoncé se torna mais que uma artista, e sim uma figura política.

Na esfera da cultura pop, para além da surpresa do lançamento e o sucesso da faixa (que mesmo com um lançamento restrito ao Tidal nos streams e só divulgação nas rádios, sem vendas digitais, chegou à décima posição na Billboard Hot 100), a faixa trouxe muitos questionamentos políticos e sociais num período em que a violência policial contra os negros atingiu o seu ápice de exposição midiática e protestos nos EUA. Frases como “bitch, I’m back by popular demand” viraram meme nos quatro cantos do mundo e a performance de “Formation” no Super Bowl 50 gerou polêmicas, discussões e mostrou que os artistas podem também se envolver e discutir sobre política e tomar posições. Um vídeo que ressoa até este momento, quando casos de violência policial lá e cá continuam ocorrendo, double-standard relacionado a negros prossegue nos EUA e a estética negra continua marginalizada e só valorizada quando o branco se apropria e diz ser “o novo”. “Formation” é tudo isso e muito mais – como vídeo, como posicionamento político e parte da cultura geral. Favorito à vitória, e com uma BeyHive sedenta pelos Moonmen – e uma MTV que pode colocar Bey na história, o principal rival só pode contar com o sucesso e a fã-base para tirar esse prêmio da diva.

Justin Bieber — “Sorry”

Nunca é tarde pra dizer “desculpa”, e nunca é tarde para ter a era mais bem sucedida, mesmo sendo um bad boy como Justin Bieber. O vídeo de “Sorry” é essencialmente um vídeo de dança muito bem feito e bem produzido, com ótimas coreografias – mas o x da questão está em duas questões importantes do clipe: 1 – a música é muito boa (eu acabei gostando mais a cada ouvida), e o vídeo simples colaborou para o sucesso da faixa; 2 – o clipe de “Sorry” viralizou muito – o que teve de vídeos paródias no Youtube não estavam no gibi (até aquele famoso lipsync do Obama rolou). O que colabora muito para um vídeo ser favorito ou ter suas chances ampliadas nos Video Music Awards de hoje.

Mas o fator que classifico mais importante para Bieber ter chances de vitória aqui é: as Beliebers. As fãs são fiéis e, especialmente após o bem-sucedido comeback do rapaz, farão de tudo para que ele saia celebrado desse award. Além disso, para a MTV, a mescla de audiência com impacto do retorno de uma de suas estrelas jovens pode ser bem sedutora para a emissora. Ou seja, o vídeo pode não ser uma Brastemp, mas viralizou, foi sucesso, o artista está num comeback e a base de fãs é grande e fiel? Bieber tem grandes chances com “Sorry”.

Alessia Cara — “Wild Things”

O segundo single do debut album “Know-it-All” segue na mesma linha lírica do single que colocou a Alessia Cara no radar: uma ode aos que não são cool, aos “weirdos” ou os “outsiders”. Enquanto em “Here” era o hino dos introvertidos, em “Wild Things” a jovem cantora se coloca – e aos seus amigos – como aquelas pessoas que não seguem as regras dos “cool kids” ou do “padrão”, vivendo aquilos que lhes dá na telha. Lembra um pouco as temáticas da Lorde, mas enquanto a neozelandesa abre espaço para observar a “normalidade” da adolescência, dos meninos que não se encaixariam nem nos “weirdos”, Alessia abraça sua diferença e refuta os “cool kids”.

Eu gosto do vídeo – é exatamente como está descrito na música – os amigos “outsiders” se divertindo na rua, com esse final sutil e tão real de cada um voltando pra casa por um lado da rua. De certa forma, a temática não é nada que tenhamos visto antes, mas a estética meio tumblr é mais coerente com “Wild Things” do que com outros clipes que se aproveitaram desse estilo. Não tem chances de vitória, mas é uma boa adição à lista de indicados, um respiro de ar fresco diante de superproduções ou de vídeos feitos com o propósito claro de serem virais.

Ariana Grande — “Into You”

Fazer o melhor clipe da carreira não significa que o vídeo vai ganhar o Moonman. A videografia da Ariana Grande não é brilhante, mas “Into You” é um vídeo que finalmente merece as indicações que tem. Um clipe pop digno, com direção competente, historinha redonda, identidade (dá pra ver que esses tons de lilás, rosa e violeta viraram marca registrada da Ariana né) e uma música excelente que apenas engrandece o material. “Into You” merecia ser muito mais hit do que é (peak: #13) e um vídeo no qual a Ariana foge com um gato misterioso – pra logo depois descobrirmos a deliciosa twist na parte final do vídeo – não faz feio no acompanhamento da música.

A questão foi, como pontuei aqui, que fazer o melhor clipe da carreira não significa nada. Se não tivéssemos indicados melhores tecnicamente, com músicas mais bem sucedidas, a Ariana teria chances. Eu acredito muito no poder da fã-base – os Arianators são MUITO fiéis, mas não chegam ao nível das Beliebers ou da BeyHive, especialmente porque esses dois artistas tiveram maior exposição diante do público. Se a faixa tivesse feito mais sucesso… Eu colocaria como azarão.

Conclusões:

Quem eu acho que vai ganhar: Essa categoria é um jogo de estratégia. Como os gênios do VMA não indicaram o Bieber em vídeo Masculino (é isso mesmo que você leu), acho que ele leva por aqui.
Quem eu acho que deveria ganhar: “Formation” é o vídeo do ano. Sem mais, meretíssimo.

Quem pode surpreender: Na briga entre a BeyHive e as Beliebers eles podem dar um voto de segurança na Adele. O clipe é impecável e belíssimo, não seria um vencedor ruim. Só seria anticlimático.

O Video Music Awards é amanhã, e para cumprir as análises de todos os indicados, farei um delicioso COMBO DE CHANCES: quem tem chances em Melhor Vídeo Masculino, Melhor Vìdeo Feminino e Vídeo do Ano. Não perca!

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