Indicados ao VMA [4] Melhor vídeo de Hip Hop

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Se vocês achavam que a MTV não se importa com o rock, é que vocês nunca viram a confusão que a emissora fez com o hip hop.

O primeiro award para Melhor Vídeo de Hip Hop foi dado em 1999, para canções inspiradas no estilo; não necessariamente canções do gênero (que eram premiadas como Melhor Vídeo de Rap, que nem existe mais). A categoria sumiu no fatídico ano de 2007, quando a MTV quis parecer cool e errou de forma crassa e voltou um ano depois.

Como as duas premiações de Rap e R&B não existem mais (como a MTV se preocupa com a black music é algo que foge da minha compreensão) tudo virou uma grande mistura. Por isso, às vezes os indicados são rappers mesmo e a categoria faz sentido (como em 2003, quando Missy Elliot levou o Moonman concorrendo contra Busta Rhymes, Jay-Z, Nelly e Snoop Dogg) enquanto em outras situações você sequer entende a escolha do vencedor (Drake ganhando em 2014 por “Hold On, We’re Going Home”… Sério?). No geral, os indicados são rappers e a galera conhecida da cena, mas até TLC e Chris Brown foram indicados. J-Lo já ganhou!

Vamos ao presente, com os indicados a melhor vídeo de Hip Hop. Uma lista boa e corajosa, já que a emissora não se rendeu à óbvia tentação de enfiar o Kanye West aqui; ou colocar Fergie com “M.I.L.F.$” (cara, não duvido nada), ou só porque a Beyoncé faz urban/R&B enfiar a mulher lá com uma DADDY LESSONS. Corajosa ainda porque os indicados são, em sua maioria, acts novos ou em ascensão, ao invés dos mesmos nomes. Mesmo assim, duvido de que a emissora fuja do óbvio e premie o mais famoso deles.

Melhor Vídeo Hip-Hop
“Watch Out” – 2 Chainz
“Don’t” – Bryson Tiller
“Angels” – Chance The Rapper
“Panda” – Desiigner
“Hotline Bling” – Drake

Agora é hora de conferir as chances de vitória!

 

“Watch Out” – 2 Chainz

Gente… MAS GENTE! Da lista de vídeos que eu assisti até agora para fazer os posts, este do 2 Chainz com certeza entra na minha lista de “wtf”. Sério! O vídeo para a música “Watch Out”, originalmente da sua mixtape e que depois foi incluída no terceiro álbum, “ColleGrove”, é basicamente a cabeça do 2 Chainz nos corpos das pessoas, entoando os versos enquanto todo mundo dança. Ele ainda reproduz em imagens, trechos da música no vídeo (como em “I run the track like the marathon”e “Turn the White House to the Terror Dome”), assim como a dinâmica das pessoas envolvidas no clipe é bem divertida – com direito a uma mãe carregando o bebê que é a cara do rapper.

Não é exatamente o maior sucesso do verão nem o clipe mais acessível, mas “Watch Out” é com certeza o vídeo mais divertido entre os indicados. Não vai mudar o mundo, mas de “que é isso que eu tô vendo” e “que pessoa louca!”, você vai acompanhando o vídeo e curtindo a faixa. Também não vejo como vencedora do Moonman, já que a música não foi sucesso (Chegou até #64 na Billboard Hot 100) e o clipe não viralizou (a exemplo de um dos concorrentes aqui). Por isso, mesmo sendo um ótimo e divertido vídeo, 2 Chains não tem chances nem como azarão.

 

“Don’t” – Bryson Tiller

Comentei no post de Artista Revelação sobre o Bryson Tiller, o cara que estourou justamente postando músicas no Soundcloud. O moço, que faz a mesma linha do Drake – um rapper que canta ou um cantor que faz rap? – entra na jogada com esse clipe de “Don’t”, que já tinha classificado como bacana naquele post, mas aqui seria interessante dar uma detalhada sobre o material.

O vídeo tem uma ambientação mais soturna, dark, como se explicitasse os ups and downs do relacionamento do artista com a namorada do clipe – e de certa forma, reflete a letra da música, mais ou menos sobre um cara (ele) observando o relacionamento da ex com outro e meio que recalcando “comigo não seria assim”. Eu gosto da fotografia e da estética “meio indie” do vídeo, e curiosamente, apesar da música seguir num ritmo monótono (mesmo com a minha eterna surpresa quando Tiller interpola “Shake it Off” da Mariah na segunda estrofe), o vídeo passa bem rápido. É uma produção bem diferente da solar e divertida “Watch Out”. No entanto, as chances são mínimas com o concorrente mais forte do grupo por aqui.

“Angels” – Chance The Rapper

Talvez a grande sensação do ano dentro do meio hip hop, Chance The Rapper conseguiu números expressivos com o lançamento da terceira mixtape, “Coloring Book”, sem um contrato com gravadora, apenas lançando na Apple Music e depois deixando disponível nos outros serviços de streaming. O moço, que trabalhou no “The Life of Pablo” e tem Kanye West como um dos produtores desse material, entra na disputa com o clipe de “Angels”, de um estilo completamente oposto aos concorrentes.

Misturando animação gráfica e imagens reais, o vídeo mostra Chance chegando na cidade (aparentemente Chicago, terra natal do rapper e tema da música) como se fosse um foguete caindo, enquanto circula em cima de um metrô, e o rapper Saba, guest na faixa, interage com pessoas dançando dentro dos vagões. A interação dos dois com a cidade faz parte da faixa, onde Chance vai descortinando tanto sua história quanto seus ideais e o quanto ele não mudou mesmo ficando conhecido. Interessante ver como cidade e artista conversam entre si – especialmente na sequência do metrô e a dancinha final no meio da rua – e como ele vê que, mesmo com todas as dificuldades, existem anjos o protegendo. Talvez na sua cidade, entre as pessoas que o rapper conhece tão bem, estejam aqueles que o amam e o ajudam.

O vídeo é dinâmico e muito bom, assim como a música, estranha de um jeito ótimo; e entre os indicados, é o vídeo mais interessante no sentido de que a conversa entre a música e o vídeo funciona de forma quase que poética – especialmente com a cidade como personagem. E “Angels” é seguramente, a melhor canção entre as indicadas. Se o Chance the Rapper tivesse uma gravadora, olha, ele seria o concorrente perfeito pro Drake. (para a indústria, já bastou Macklemore ser artista independente – e por que não incluir “branco” também – e ganhar prêmio)

“Panda” – Desiigner

O outro candidato que também está indicado a Artista Revelação, é outro protegido do Kanye West. Desiigner ficou estourado com “Panda”, chegando até à #1 na Billboard, e quebrando um recorde –  o fim de 41 semanas de artistas não-americanos charteando no topo das paradas dos EUA. Além disso, o moço, com 18 anos e 11 meses à época, foi o artista mais jovem desde a Lorde (que tinha 16 anos) a chegar ao topo das paradas.

Mas e o vídeo? Pois é, apesar da música não ser uma Brastemp, tanto a faixa quanto o vídeo me lembram muito aquelas músicas antigas de Rap no final dos anos 90 até meados dos anos 2000, que batiam ponto no Yo! MTV. Aquelas batidas mais secas, o flow do Desiigner que parece até que ele tá fazendo freestyle, e até a letra falando de carro (!) me lembram as coisas daquela época. O vídeo, com direito a cavalo de pau, cenas de violência numa vizinhança tensa e cameo nonsense do Kanye eram meio padrãozinho daqueles anos. Só faltou o dinheiro jogado ao vento e o charutão.

Apesar do Drake ser o grande favorito aqui, acho que o Desiigner tem chances de surpreender porque pelo menos a faixa foi hit, chegou ao primeiro lugar, viralizou e o vídeo não é ruim. Não tem o mesmo “apelo indie” de “Don’t” nem a poesia de “Angels” ou o humor de “Watch Out”, mas só de parecer algo mais simples em relação à estilização do gênero, acho que a MTV pode fazer esse jogo… (ou entregar logo esse troço pro Drake)

“Hotline Bling” – Drake

O sample delicioso, o clipe memético e viral, e a letra tão recalcadinha… Eu adoro “Hotline Bling”, mesmo achando a letra horrenda (Drake… VÁ VIVER!), mas o clipe é tão bem feito mesmo na simplicidade que no dia do lançamento todo mundo que viu apostou – isso vai bombar horrores. E olha que eu acho o Director X bem sem criatividade, mas o vídeo dessa música é sensacional, com a paleta de cores que se modifica entre um lilás quase neon, azul (quando o Drake usa cores mais frias), e amarelo (principalmente no momento em que ele está com a jaqueta laranja avermelhada). São detalhes interessantes que vão atraindo a atenção da gente para o clipe, que tem uma estética muito limpa, e ajuda a deixar o show pras dancinhas toscas do Drake, que gifaram VIDAS no ano passado.

Curiosamente, o vídeo ficou um bom tempo exclusivo na Apple Music, o que para muita gente (eu incluso) afetou as possibilidades de #1 da faixa. “Hotline Bling” foi um sucesso estrondoso nas rádios, gerou diversas paródias, foi bem recebido pela crítica (apesar da letra) e por causa de um vídeo que poderia ter dado streams a rodo que faltavam para o primeiro, o bonito só teve essa chance solo agora com “One Dance”.

Hit massivo de um artista no auge da exposição e da carreira; um vídeo bem produzido e que gerou memes, fazendo parte da cultura pop? É o natural vencedor!


Conclusões:

Quem eu acho que vai ganhar: Drake, com “Hotline Bling”. É o vídeo mais bem sucedido daí, mesmo não tendo sido #1.
Quem eu acho que deveria ganhar: apesar de gostar bastante de “Angels”, o vídeo do Drake viralizou muito. É parte da cultura pop. Como não se render a isso?

Quem pode surpreender: Não ficaria chocada se o Desiigner ganhasse. Sério.

O próximo post sobre os indicados vai tratar das possibilidades numa das categorias mais disputadas do VMA: Melhor Vídeo Pop! O duelo aqui é de gente poderosa!

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