Indicados ao VMA [2] – Melhor Colaboração

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A categoria de Melhor Colaboração do Video Music Awards surgiu com o nome de Most Earthshattering Collaboration (algo como Melhor Colaboração que fez a Terra tremer), em 2007, ano em que a MTV tentou inventar moda com novos nomes para as categorias na busca por atualização. A primeira vitória foi de Beyoncé e Shakira, com “Beautiful Liar” (o vídeo em que fizeram as duas divas ficarem idênticas). Dois anos após a categoria ficar fora das indicações, retorna com o nome que conhecemos hoje, e os vídeos mais bombados e grandes sucessos são indicados e vencem. Afinal de contas, o século XXI é o século das parcerias, featurings e encontros musicais na popsfera.

Vídeos clássicos, polêmicos e bem produzidos já levaram o Moonman (“Telephone”, “Bad Blood” e “Drunk in Love”) e este ano temos uma seleção bem sortida de clipes pop honestos, trabalhos de alto nível e o velho clipe preguiçoso de DJ. O negócio aqui é que, ao contrário de outros anos, em que o fator sucesso colaborava para a escolha dos vídeos – e às vezes clipes pouco interessantes ganhavam em anos sem inspiração (“E.T” em 2011) porque eram grandes hits – aqui, além do sucesso, outro fator pode contribuir para a escolha da MTV em premiar determinada colaboração: a massa de fãs votando.

Primeiro, confira os indicados:

Melhor Colaboração

Beyoncé feat. Kendrick Lamar – “Freedom”
Fifth Harmony feat. Ty Dolla $ign – “Work From Home”
Ariana Grande feat. Lil Wayne – “Let Me Love You”
Calvin Harris feat. Rihanna – “This Is What You Came For”
Rihanna feat. Drake – “Work”

A análise segue após o pulo!

 

Beyoncé feat. Kendrick Lamar – “Freedom”

Pouco antes do vídeo de “Freedom”, temos uma sequência curta com “Forward”, incluindo mães de jovens negros mortos pela violência nos EUA. É interessante – e inteligente – como o vídeo da música indicada nessa categoria, estrelado por mulheres negras, de branco, de várias idades, unidas em torno de um interesse comum. Afinal de contas, são as mulheres negras quem nutrem, sustentam, defendem e lutam por seus filhos, maridos e familiares. Muitas vezes sem retorno. A habilidade da edição de “Lemonade” colabora para que a música mais politicamente forte do álbum seja acompanhada por um vídeo envolvente, igualmente forte e poderoso, tanto nos aspectos técnicos quanto políticos.

Apesar do Kendrick Lamar aparecer pouco na versão da faixa para o filme (e nem dar as caras no vídeo), a presença do dono de um dos álbuns mais engajados dos últimos anos faz com essa colaboração seja um momento excepcional dentro de um vídeo/álbum igualmente absoluto. O vídeo, tecnicamente brilhante, misturando imagens em preto e branco e sequências coloridas, com uma edição mais sequencial e pouco picotada, combina de forma surpreendente com uma música guiada por uma forte bateria. Um dos clássicos dentro de um filme já clássico que é o “Lemonade”. O melhor, de longe, entre os indicados.

Não vai ter vídeo porque a bonita deixou tudo no TIDAL né
Não vai ter vídeo porque a bonita deixou tudo no TIDAL né

 

Fifth Harmony feat. Ty Dolla $ign – “Work From Home”

Um bom clipe pop deve oferecer ao público algo pra ver, se divertir, além de uma música que seja envolvente para deixar você atraído até o final. Se for de um grupo vocal – seja feminino ou masculino – você precisa sentir aquela identificação com os artistas e especialmente, perceber que esse grupo não é apenas um “bando” de cantores juntos, e sim um coletivo que funciona junto. E “Work From Home”, do Fifth Harmony, com featuring do rappper Ty Dolla $ign entra nessa categoria.

As meninas não fazem nada do que outras já fizeram antes – um clipe estiloso, com “cenários”, investimento, coreografias bacanas e cada uma encarnando um “papel”, sem contar com a presença do Ty Dolla $ign no contexto do vídeo (e não num fundo branco gravado em estúdio) – no entanto, “Work From Home” é uma excelente música pop, super forte, solar, uma boa apresentação do segundo CD (em que todas as componentes das Quintas cantam – oi “Worth It”) e o vídeo tem um dinamismo ótimo que combina perfeitamente com a canção. Às vezes, não é preciso fazer muita coisa, basta um feijão com arroz honesto alegra todo mundo.

Se tem chances de tirar esse Moonman da Beyoncé? Olha, pra mim, esse vídeo é o azarão da categoria, por uma razão bem específica – fã-base. As Harmonizers vão votar até não poder mais para o grupo levar essa, e não fiquem surpresos se o nome que aparecer no envelope dia 28 for o do Fifth Harmony.

 

Ariana Grande feat. Lil Wayne – “Let Me Love You”

Quero conversar com os empresários da Ariana Grande, porque a moça conseguiu emplacar até esse vídeo nas indicações do VMA! “Let Me Love You” não é um dos clipes mais inspirados da videografia da moça (é basicamente a Ariana andando de lá pra cá num quarto, na praia, no sofá, depois batendo papo com o Lil Wayne, e no meio disso tudo ela aparece de cabelo cacheado – num dos visuais mais bonitos dela desde que estourou), mas num ano em que os featurings não foram exatamente sensações, qualquer grande colaboração já valeria alguma coisa para a bancada do VMA. Só isso explica a inclusão desse vídeo promocional do “Dangerous Woman” no corte final.

O vídeo só não é mais fraco que o próximo indicado, e nem percebo aqui um azarão. Ao contrário de “Work From Home”, que foi top 10 e um hit massivo para as Quintas, a faixa da Ariana é só um vídeo promocional que foi lançado no Apple Music e depois foi upado no Youtube. Literalmente a famosa “indicação filler”.

 

Calvin Harris feat. Rihanna – “This Is What You Came For”

Vem Rihanna com dois hits nas indicações! Primeiro como featuring na farofinha de sempre, “This Is What You Came For”, a faixa da discórdia entre o DJ Calvin Harris e a ex-namorada Taylor Swift, e em segundo no último indicado aqui. Essa música, com inspiração na house music, vem acompanhada de um vídeo nada inspirado, que repousa apenas nos efeitos visuais e na presença da RiRi, sempre carismática mesmo tendo que interagir num cubo.

A faixa foi um hit poderoso nos EUA (#3 na Billboard Hot 100), e mesmo sendo bem sem graça, acredito que o vídeo foi incluído no corte final porque obedeceu à lógica dos hits + pouca repercussão dos featurings nesse período de elegibilidade. Se tivessem ocorrido mais lançamentos com colaborações, eu não sei se essa música chegava aos indicados… Mesmo sendo um hit, o vídeo e a música são incrivelmente ruins (a música vai do nada ao lugar nenhum, deixando a voz da Rihanna sem personalidade alguma; e o vídeo é preguiçoso e se parece com qualquer vídeo de EDM que você tenha visto por aí) – e apesar da premiação do Vanguard Award que a emissora vai dar à Rihanna, a má vontade da MTV com a moça é notória. Juntamente com a música da Ariana, são as duas indicações mais fillers pra mim.

Rihanna feat. Drake – “Work”

A outra parceria bem sucedida da barbadiana que entrou nessa categoria é justamente a que ficou em #1 boa parte do ano, com um vídeo que, se não confirma, pelo menos deixa bem registrado que a relação entre Rihanna e Drake é uma amizade colorida até demais. O vídeo oficial de “Work” é dividido em duas partes – a primeira, mais sexy (e bem melhor), tem toda uma ambientação em tons mais quentes e terrosos, num clima sensual, com direito a dancinhas da Rihanna no Drake e todos desejando ser qualquer um dos dois envolvidos nessa situação.

Já a segunda parte é exatamente o vídeo de “Work” numa pegada mais “amorzinho”, numa paleta de cores entre o rosa, violeta e lilás, com RiRi e Drake num apartamento/casa a dois passos de se pegarem. Duas abordagens curiosas e inteligentes para uma mesma música, que funcionariam bem de forma independente – e apesar de não entender o porquê das duas versões estarem contidas num vídeo só, entendo mais a escolha da bancada do VMA em incluir esse vídeo aqui porque além de ter sido um grande sucesso (as várias semanas em #1 na Billboard Hot 100 não deixam mentir), foi uma colaboração relevante no período de elegibilidade; e tecnicamente falando, é um vídeo muito bem feito e produzido. As diferenças estéticas entre as duas versões são bem notáveis, e mesmo com duas interpretações diferentes, a canção funciona muito bem dentro do vídeo, do mesmo jeito.

Se não tivéssemos “Freedom” na jogada, “Work” seria o candidato ideal para levar o Moonman. Do jeito que a MTV tem muita boa vontade com a Rihanna, capaz de não darem nada, só o Vanguard. E do jeito que a MTV às vezes não tem critérios, bem capaz de entregar esse prêmio à RiRi como “prêmio de consolação antes do Vanguard” (ou entregam vídeo feminino a ela. Só Deus sabe o que passa na cabeça dessas pessoas).

Conclusões:

Quem eu acho que vai ganhar: Beyoncé com “Freedom”. É o melhor clipe, tecnicamente falando, da melhor música
Quem eu acho que deveria ganhar: Beyoncé com “Freedom”. É o melhor clipe, tecnicamente falando, da melhor música [2]

Quem pode surpreender: Se o poder da fã-base for forte, acho que a MTV não ignoraria as Quintas com “Work From Home”

O próximo post no clima de VMA vai tratar de uma categoria que recentemente vem sendo tão maltratada pela MTV que eu torço que tenha um vencedor decente em 2016 – Melhor Vídeo Rock. Até lá!

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