Dê uma segunda chance ao Nick Jonas em “Last Year Was Complicated”

Cover CD Nick Jonas Last Year Was ComplicatedUma das histórias de “morte e substituição” mais bem sucedidas da música pop foi Nick Jonas. O moço do anel de pureza e músicas inofensivas com os irmãos se tornou um habilidoso cantor solo, fazendo um R&B respeitável no primeiro CD solo (descontando o “Nicholas Jonas”) e arrancando suspiros com photoshoots sensuais e sem camisa. É óbvio que depois da boa recepção ao selftitled , o que se esperava era um trabalho igualmente coeso, bem trabalhando e mantendo aquela ambientação sexy e misteriosa do “Nick Jonas”.

“Close”, o lead single do novo álbum, “Last Year Was Complicated”, era mais pop que R&B, e contou com uma química intensa com a sueca Tove Lo. Mas o resto do CD segue com a pegada R&B do álbum anterior, só que com aquela pegada menos “pura” e mais mistura urban e pop, lembrando claramente a sonoridade dos anos 2000. No entanto, não é um amor à primeira vista.

Entenda o porquê no track-by-track!

 

“Voodoo” – o álbum começa em alta voltagem com “Voodoo”, um pop/R&B com forte pegada urban e alguns vocais processados mas sem exagero. Eu lembro que minha primeira ouvida foi “wtf”, mas depois da segunda rodada de audições, a faixa soou bem representativa do que a gente vai encontrar no CD: uma coesão que consegue mesclar urban com faixas mais pop mas sem perder uma certa ambientação.

“Champagne Problems” – hora de subir o nível muito bem com essa faixa que já tinha sido divulgada anteriormente pelo próprio Nick. É um pop com leve funkeado e mais dançante, lembrando uma prima mais dançante de “Levels”. Apesar de compartilhar o mesmo nome que a faixa do álbum da Meghan, é bem superior – a letra fala de um relacionamento perto do término, em que as emoções são catalisadas pelo espumante até os dois pararem na cama. Tá prontinha pra estourar nas rádios.

“Close” (feat. Tove Lo) – já falei da música, eu adoro a faixa particularmente e acho bem colocada no CD, que se encontra aqui numa parte mais pop. Outra faixa que ornaria bem aqui nessa primeira metade do CD, “Under You”, está lá embaixo por razões alheias à minha compreensão.

“Chainsaw” – a impressão de 2000 começa a partir dessa faixa, uma midtempo pop que parece muito com as midtempos que a galera lançava em meados da década passada. A música tem cara de tema-de-série-de-TV-que-se-passa-em-um-hospital, ou seja, ótima pra ser lançada como single. Até o momento, não é um álbum com tiros a cada faixa (eu lembro da minha total adoração por cada musiquinha à medida em que ia ouvindo, enquanto aqui eu precisei ouvir mais uma vez porque fiquei estranhando as faixas).

“Touch” – Hora da putaria, finalmente! Em “Touch”, somos apresentados a um dos versos mais “eita nós” do álbum, “I go from touchin’ you with both hands / To touchin’ you with no hands”, numa deliciosa faixa super orgânica conduzida por esses violões cheios de suingue. Outra ótima faixa, com cara de single.

“Bacon” – logo chegamos à parte mais urban do CD, com essa faixa com a letra mais bizarra do álbum (o que é melhor que minha namorada? BACON). Os versos do Ty Dollar $ign são tão curtinhos que nem dá pra fazer uma review decente, mas apesar da letra nonsense, a batida é tão legal que você esquece.

“Good Girls” – só os moralistas aqui hein – eu já tinha criticado uma obsessão maluca do Nick numa das faixas do selfitled, então nem me surpreendo aqui nesta faixa, que parece tirada de um dos álbuns do Ne-Yo no mid-2000. Como arranjo, é uma delícia, e o trabalho vocal do Nick tá muito bom; só a letra que é bem broxante, com o Nick criticando as mulheres hoje querendo ser “malvadas” e só se preocupando com estética, roupas bonitas e pose pra selfies. Fica dúbio, no entanto, o verso “Don’t wanna blame you for it, cause that’s what we ask of you”, já que o Nick dá a entender que não é culpa das mulheres “malvadas” esse comportamento, já que há uma sociedade que exige as garotas se comportando a sim. Cabe a você determinar até que ponto é dúbio ou não.

“The Difference” – mais uma música deliciosa, desta vez com o Nick no modo sedutor. Ao contrário das faixas anteriores, ele volta a incluir discretamente uns instrumentos eletrônicos, mas sem perder essa pegada pop/R&B que permeia todo o álbum. É aquela faixa que não tem cara de single, mas dá vontade de deixar no repeat.

“Don’t Make me Choose” – voltando ao main theme desse álbum – relacionamentos com problemas – ou perto do fim – essa é outra faixa que não tem jeito de single, mas é super forte e tem tudo a ver com o CD. Adoro a letra, em que ele meio que diz “se você gosta de mim, tenta lutar por essa relação, porque eu tô fazendo minha parte”. É meio que a vida de todo mundo que já passou por isso.

“Under You” – a prima safada de “Style”, tem na composição o midas Max Martin (em modo repeat, porque essa música tem a mesma estrutura da faixa da Taylor) e uma letra em que Nick se arrepende de ter deixado a garota ir embora, porque entre outras coisas, ele sente falta disso mesmo que você está pensando. De certa forma, tá meio perdida nesse ponto da tracklist – ficaria ótima após “Close”, até como uma transição agradável pra “Chainsaw”. A faixa é ótima, e seria perfeita como single… em 2014. Eu teria tirado do corte final.

“Unhinged” – a balada tradicional de fim de álbum, é o primeiro miss real do CD. Nem se compara a uma “Nothing Would Be Better”, sério. Aliás, “Unhinged” seria o nome do álbum, antes de mudar para “Last Year Was Complicated”.

“Comfortable” – com direito a sample de discurso de jogador de basquete, a última faixa do álbum curiosamente é uma uptempo dançante com um refrão bem catchy e com mais uma interpretação on point do Nick. Um ótimo fechamento da versão standard.


 

O selftitled era muito amor à primeira ouvida. Eu lembro que cada audição era um tiro. Eu ficava chocada com a coesão absurda e a qualidade das produções e das letras daquele CD. Ainda ouço o “Nick Jonas” quando tô com saudade, e queria que a gravadora lançasse mais singles na época.

“Last Year Was Complicated” é um pouco mais complicado, sem trocadilhos. Não é amor à primeira ouvida. Tem que ouvir uma, duas, três vezes, pra curtir as canções. O fato do álbum ser mais pop não é um problema, é que as faixas aqui não parecem tão instantâneas. É como se eu não tivesse me conectado da forma como queria. No entanto, se você passar da estranha primeira impressão, vai encontrar outro trabalho redondo do Nick, com faixas fortes como “Voodoo”, “Champagne Problems”, a própria “Good Girls” (apesar da letra bizarra) e “Touch”. Essa coesão é fortalecida pelo fato dele ter trabalhado com poucos produtores e nomes que estiveram no álbum anterior (os compositores e produtores Jason Evigan e Sir Nolan estão presentes), mantendo uma sonoridade que funciona até como sequência ao que ele fez há dois anos. Além disso, tudo tem um gostinho de 2000, o que colabora pra que o amor cresça pelo CD. Mas pra chegar até aqui, tive que ouvir algumas vezes e me acostumar.

Além disso, o álbum tem um probleminha de tracklist – “Under You” não funciona entre “Don’t Make me Choose” e “Unhinged”. Ela merecia estar no começo do CD, onde estão as sequências mais fortes do álbum, e onde fica o trecho mais pop. Pareceu uma adição de última hora que não combina bem com o tom do álbum, que tem uma atmosfera menos sexy sedução mistério como no selftitled e mais “última transa antes de acabar o relacionamento”. Ano passado deve ter sido difícil pro Nick.

No geral, é um ótimo álbum, não tão “destinado a ser clássico” que o “Nick Jonas”, mas com boas pérolas dentro da tracklist. E você, gostou? Ouça o CD completo no Spotify!

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6 comentários sobre “Dê uma segunda chance ao Nick Jonas em “Last Year Was Complicated”

  1. Oi Marina!
    Olha, recentemente eu tenho ouvido muitos álbuns pop de artistas masculinos, com meu preferido sendo um que você não curte muito – o X, do Ed Sheeran.
    Apesar disso, eu sempre gostei do Nick, mas acho que os singles dele sempre são tão melhores que o álbum em si que, quando elevo minhas expectativas sobre ele, apenas me decepciono, pois esse CD não foi realmente marcante para mim…
    Mas enfim, acredito que, apesar de 2016 já estar na metade, ainda há uma infinidade de álbuns bons vindo por ai. E por falar nisso Marina, responda-me: há algum lançamento que você esteja aguardando para 2016?

    Parabéns pelo post e até mais!

    • Nesse final de ano eu tô muito curiosa pelo novo álbum da Gaga, porque ela parece que vem mais orgânica que sintética como no ARTPOP; a Britney, não apenas por ser BRITNEY SPEARS, mas especialmente porque o que eu tenho lido dos compositores é que vem coisa muito boa por aí – e a Britney tá trabalhando com o pessoal que escreveu os últimos grandes hits monstruosos do ano (Julia Michaels e Justin Tranter); e ainda tem o novo do Bruno Mars, que depois do Unorthodox e de UF, eu simplesmente não sei o que ele está pensando.

      Obrigada, e ouça de novo os álbuns do Nick! (o “Last Year” precisa de algumas ouvidas a mais, mas o selftitled achei tão instantâneo…)

  2. O cara realmente tem surpreendido. Ele não vai pelo caminho mais obvio, mas mesmo assim, consegue fazer músicas que “grudam”. O caso da minha ainda preferida “Chains”, de “Jealous” e “Levels”. Por sinal, aonde se encaixa “Levels” em sua discografia. Era pra sair nesse álbum e foi abortada (como “Focus” de Ariana Grande) ou foi lançada aleatoriamente?
    Abs

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