Encontrando um caminho próprio – Fifth Harmony, “7/27”

Fifth_Harmony_-_7-27_(Official_Album_Cover)Vida de girlband que se lança num reality show e assina com uma gravadora horrenda como a Epic não é fácil. As meninas do Fifth Harmony entraram como acts solo na segunda temporada do The X-Factor e foram unidas como um grupo por Simon Cowell e Demi Lovato na fase do bootcamp. Fazer com que cinco meninas de backgrounds diferentes, vozes distintas e vontades idem se juntassem e tivessem uma identidade é uma ideia difícil, mas funcionou – afinal de contas, além de talentosas e carismáticas, Ally, Normani, Dinah, Camila e Lauren ainda representam meninas de várias origens e raças, provando que a representatividade importa e muito.

No primeiro álbum de estúdio das moças, “Reflection” (que seguiu o EP “Better Together”), as moças ainda não tinham chegado ao ponto de maturação – ou seja, a identidade musical refletida (sem trocadilhos) nas faixas. Elas ainda meio que procuravam um som próprio (e acabam atirando em várias direções). O sucesso de fato só chegou com o terceiro single, “Worth It”, um sucesso estrondoso que conquistou não apenas a fã-base adolescente das meninas, como também ouvintes casuais de música pop.

Com “7/27”, o novo álbum (o nome é baseado no dia em que o grupo foi formado no “X-Factor”, 27 de julho), o Fifth Harmony apresenta um forte coletivo de músicas que tem uma boa coesão (o pop/R&B com uma forte pegada urban e inspiração na sonoridade tropical pop que é a trend atual), agradam aos ouvidos com uma divisão equilibrada de vozes, e principalmente, você vê a identidade e personalidade das meninas em cada faixa, sem perder a visão de mercado.

Entenda o porquê na track-by-track após o pulo!

 

1. That’s My Girl – a primeira faixa do cd não é exatamente um BOOM, mas é importante para indicar o prosseguimento do álbum. Aqui, a imagem das meninas de empoderamento está atrelada também à música, e isso vai sendo pinçado no resto do álbum em faixas sobre amor, relacionamentos e auto-afirmação. No geral, uma ótima faixa (primeira contribuição da Tinashe no CD)

2. Work from Home (feat. Ty Dolla $ign) – o primeiro single do álbum é basicamente esse hit massivo que nós já conhecemos. A divisão de vozes é a ideal, todo mundo tem que cantar (o que, pra mim, sempre foi um problema em “Worth It” – se é uma girlband, por que a Lauren não cantou pelo menos o segundo pré-refrão?), e funcionou bem melhor que na faixa anterior. Falando de sexo sem ser muito direta ao ponto, é o primeiro single ideal – apresenta a ideia do álbum, é catchy pra caramba e tem tudo a ver com o grupo. E a contribuição do Ty Dolla $ign não parece um rap jogado ao vento.

3. The Life: segunda contribuição da Tinashe nesse álbum (a primeira foi That’s My Girl), foi single promocional do CD. Contando com um refrão meio processado, mistura bem urban pop com uma coisa meio tropical e mais eletrônica. Outra ótima faixa, super coesa com o resto do álbum. Dá pra ver que as meninas não vão atirar pra todos os lados aqui.

4. Write on Me: faixa delicinha que foi lançada como segundo single promocional do álbum. Eu prefiro divisões de vozes onde as meninas tem uma estrofe cada ao invés das vozes trocadas – mas a Dinah merecia pelo menos a bridge. A voz da Camila é um problema aqui – é naturalmente mais estridente, e destoa do resto das garotas, já que a faixa é sutil e doce. Aliás, “Write On Me” é boa demais pra ser só promocional *lança como single sim*

5. I Lied: impressionante como o vocal da Camila funciona melhor em faixas com pegada EDM (como essa e “The Life”) do que em músicas mais orgânicas. Essa música é um exemplo óbvio – uma midtempo romântica em que um vocal mais volumoso como o da Dinah fica meio apagado em arranjos mais sintetizados. Mesmo assim, uma faixa ótima. Sequência em alto nível até agora.

6. All in My Head (Flex) (feat. Fetty Wap): voltamos ao urban/pop/tropical que vem dominando o CD, desta vez falando de… sexo! O segundo single do “7/27” está prontinho pro verão. Bora divulgar até no carrinho de cachorro quente que tá boa pra hitar.

7. Squeeze: outra baladinha pop, aqui é a primeira música mais ou menos do álbum, que até o momento vinha numa sequência boa de ótimas canções com potencial.

8. Gonna Get Better: a letra é mais interessante que a faixa anterior – é sobre amar alguém mesmo que as tentações do mundo digam o contrário – mas é outra filler. Pelo menos é uma midtempo mais criativa, pop/R&B.

9. Scared of Happy: Apesar dos dois fillers, as garotas não deixam a peteca cair; voltando ao tropical/pop/dance com um break meio trap, volta ao alto nível que estava perdido na faixas anteriores. As meninas funcionam bem melhor nas uptempos e nas mids menos óbvias, onde tanto os vocais mais definidos delas fazem sentido. Prontinha pra ser remixada nas boates por aí.

10. Not That Kinda Girl (feat. Missy Elliot): fechando a standard edition em grande estilo com essa faixa que parece um pop vindo diretamente dos anos 80, retoma a ideia de empoderamento que começou o álbum – é como se dissesse “pare de se achar, pare de se mostrar, eu não vou cair por você”. Que faixa boa, LANÇA ISSO PRA ONTEM. (e é sempre bom ouvir Missy).

Para quem ficou curioso se as faixas deluxe valeriam a pena serem inseridas no corte final, considerando a edição deluxe americana, as dez faixas escolhidas deixam o CD bem redondo.


 

A palavra que eu venho falando nas últimas duas resenhas é sobre PRODUÇÃO. Quando você concentra a produção de um álbum em poucas mãos, corre riscos calculados – ou do CD parecer um samba de nota só, ou do álbum ser redondo e coeso. No caso do Fifth Harmony, o segundo álbum das moças é um trabalho forte e bem realizado – são músicas que trabalham com a trend atual do tropical pop sem parecer cópia de outros acts, ao mesmo tempo que passeiam bem pelo pop/R&B que é o forte das meninas. Com a maior parte da produção nas mãos do Stargate (produtores famosos justamente por trabalharem em faixas R&B), o resultado final é um CD que consegue agradar à base de fãs e conquistar os ouvintes casuais, amadurecendo o som das garotas sem perder a personalidade delas. Principalmente, não parece um álbum teen (como no “Reflection”), e sim um crescimento bem feito, uma transição para dar o grande salto da carreira (como grupo, não solo, pelamor!).

Gostei muito da divisão de vozes nas faixas e, mesmo nas músicas mais “mais ou menos” do CD, você não percebe uma produção ruim ou preguiçosa. A Epic, nesse aspecto, investiu bem (só não consegue pensar em colocar o grupo nos EUA na SEMANA DE LANÇAMENTO DO CD, por motivos alheios à minha compreensão), e se tiver o mínimo de noção, dá pra tirar do álbum uma penca de hits. O “7/27” é o álbum para sedimentar a imagem do Fifth Harmony. É só a gravadora querer, porque elas estão prontas.

Só não podem fazer a Nicole e ficar pensando em carreira solo.

Ainda não ouviu o novo álbum das Quintas? O que está esperando?

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3 comentários sobre “Encontrando um caminho próprio – Fifth Harmony, “7/27”

  1. Eu adoro seu blog! Já havia comentado antes, mas passei um tempo sendo só observador e leitor hehe adorei a resenha do álbum da Ari e das Quintas. O que eu gosto nesse blog é a pegada despretensiosa e bem underground (oi?) de ser, pois as resenhas são bem sinceras e bem detalhadas. Adoro adoro e adoro. Beijo

  2. Há quanto tempo nao comento aqui não? Kkk
    Marina, gostaria de te perguntar: eu li todas as suas resenhas dos álbuns pop lançados neste mês, e amei todas. Muito sinceras. Mas qual foi o seu álbum favorito lançado neste mês?
    E também queria pedir para que você fizesse um top 10 de performances do BMA. Eu curti bastante os comentários ao AMA 2014. Não sei porque não continuou fazendo-o…
    Enfim, amo seu blog! Espero que continue firme e forte com ele.

    • Obrigada pelo retorno! Esses tempos eu mudei de emprego e estou trabalhando mais do que no emprego antigo, por isso as postagens estão mais esparsas. Estou tentando organizar tudo (especialmente que daqui a pouco batem na porta as temidas previsões do Grammy haha)

      Olha, até o momento, o meu álbum favorito neste mês foi o da Ariana. Eu fiquei muito contente com o som, as letras e o amadurecimento dela. Mas me surpreendi com as Quintas, achei tudo bem fechadinho e coeso. Melhor do ano até agora pra mim foi o Lemonade. E não sei quem vai superar a Beyoncé…

      Vou tentar fazer comentários pós-premiação com o VMA, prometo! E continue acompanhando o blog!

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