Agradecendo a “mim”, “mim”, “mim” com Meghan Trainor

Meghan_Trainor_-_Thank_You_(Official_Album_Cover)Uma das revelações musicais no pop no último ano foi a cantora e compositora Meghan Trainor. Com hits fáceis, uma personalidade cativante e estilo retrô (misturando pop sessentista com doo-wop e influências caribenhas) com identidade bem forte, conseguiu vendas sólidas com o debut album, o delicioso “Title”, e ainda virou uma das compositoras mais procuradas para fazer grandes sucessos (como Fifth Harmony e Jennifer Lopez). Abraçada pelo público americano, Meghan conseguiu três indicações ao Grammy, levando pra casa o disputado (e sempre problemático, pelo futuro indefinido dos acts que ganham o prêmio) Grammy de Artista Revelação.

Por isso, é evidente que todo mundo esperaria os próximos passos da Meghan para um trabalho que fosse, 1. uma sequência natural dos temas e sonoridade apresentados no “Title”; ou 2. uma expansão para outros estilos, mostrando que a jovem sabe sair da zona de conforto. Com , o segundo CD da moça, ela fez as duas coisas: o álbum atualiza as sonoridades do primeiro CD, especialmente em relação à pegada caribenha e as baladinhas doo-wop, incluindo nessa mistura outro throwback bem vindo: o pop dos anos 2000, que ela incorporou de forma excelente em seu lead single “No”.

O problema é que o CD é muito… Difícil, pra dizer o mínimo. Confira a track-by-track da versão standard pra entender melhor.

 

1. Watch me Do: o álbum começa no feeling do pop dos anos 2000, lembrando aquelas faixas R&B/pop da época, mas a letra é bisonha – é tipo ela sendo foda e mostrando que mereceu tudo o que conquistou. No entanto, o instrumental é muito bom, só que não merecia essa letra horrível.

2. Me Too: o igualmente pavoroso segundo single, tem dedo de Jason Derulo na composição, é mais dance-pop que a faixa anterior, e continua a bragging ambulante. Esse refrão é difícil viu. E tem algo de late 2000’s aqui, aqueles dance-pop farofa que a gente ouvia em 2008/09, mas com uma certa organicidade.

3. No (Já resenhado): o sensacional primeiro single do álbum, consegue ser extremamente coeso em relação às faixas iniciais, mas a letra mais divertida e catchy está ótima aqui.

4. Better (feat. Yo Gotti): Meghan entra no tropical pop com gosto, mas aqui não soa oportunismo: ela tinha flertado com soca no primeiro álbum. Eu gosto do rap do Yo Gotti, os versos da Meghan não são lá muito bons, mas é muito melhor do que a vergonha das duas primeiras faixas.

5. Hopeless Romantic: a “Like I’m Gonna Lose You” do álbum, é a faixa pop com sensibilidade sessentista e doo-wop que tem tudo a ver com o “Title”. Música gracinha e fofa que dá uma calmada nas uptempos seguidas do CD. E a letra é mais bem trabalhada, com cara de que pode usar fácil em quotes de adolescentes por aí.

6. I Love Me (feat. Lunchmoney Lewis): a faixa de bragging menos imbecil até agora do CD, tem uma pegada retrô mas bem moderninha. O featuring é ótimo, e casa bem com os vocais da Meghan.

7. Kindly Calm Me Down: Balada pop straight to the point e muito boa. Lembra vagamente os trabalhos do Ryan Tedder com as baterias no refrão; e o refrão é bem legal. Pode ser último single do álbum. Quem dera esse CD não fosse tão irregular.

8. Woman Up: o CD dá uma melhorada relativa por aqui. Uma ótima música de empoderamento feminino que tem um pré-refrão caribenho sensacional casando com esse refrão que parece vindo de um álbum de artista teen do final da década de 90/2000. É uma mistura que fica no limite entre ótimo e estranho.

9. Just a Friend To You: Trilha sonora das friendzones de todo o mundo, finalmente tem a Meghan Trainor falando de coisas normais do dia-a-dia como algumas situações nonsense do Title. (a pergunta é: pra quem é essa faixa? Pro Charlie Puth?). Outra música delicinha.

10. I Won’t Let You Down: sdds Soca do Title… A Meghan ficou fazendo tanta besteiragem no álbum que esqueceu sobre onde funciona melhor. A gente tem que passar por tanto lixo pra chegar nessa ótima faixa.

11. Dance Like Yo Daddy: lixo sonoro. Essa música não poderia ser tirada da traclkist? Parece uma tentativa de All About That Bass que não deu certo.

12. Champagne Problems: (o Nick Jonas tem uma música com esse nome no próximo CD, é alguma crise de criatividade?) que fim péssimo de CD, e que letra horrenda – tipo, eu não tenho problemas, só “champagne problems”, tipo #dramasdaclassemédia – meu Uber não chega, tô sem Wi-Fi e meu iPhone sempre acaba a bateria. Putz, parece paródia.


Como eu tinha dito lá em cima, Meghan Trainor optou em “Thank You” por dar sequência em alguns aspectos da sonoridade do álbum antigo neste CD, além de incluir outras sonoridades mais “modernas” (entre aspas porque é anos 2000), mostrando que sabe manter a identidade ao mesmo tempo em que sabe sair da zona de conforto. No entanto, a moça ficou perdida no próprio conceito. Músicas de bragging excessivo que parecem coisas da Rebecca Black (meu deus, essa “Me Too” é horrível!), nível de letras pavoroso (“Champagne Problems” está no “hall of shame”) que nem se comparam com o nonsense agradável do primeiro CD, até relatável com a vida das teens e jovens garotas.

Essa queda notável na qualidade das letras faz com que a audição do álbum seja extremamente irregular. Você tem músicas com pouca identificação, músicas complicadas para ser single (viu quantas músicas eu disse: dá pra ser single?), e nada funcionando. Nem a capa do CD combina com o conteúdo do álbum. Acho que um dos motivos pelos quais o “Thank You” tem tantos problemas foi que, aqui, a cantora e compositora Meghan se uniu a uma quantidade absurda de compositores e produtores. No “Title”, a maioria das músicas foi composta por ela e o parceiro de composição Kevin Kadish, trazendo uma coesão forte e admirável, e músicas com muito carisma. Um CD gostoso de ouvir, e redondinho. Aqui, apesar de ter um produtor principal envolvido em todas as faixas, Ricky Reed, outros produtores estão listados, além de uma quantidade de compositores tão grande que dá vergonha de saber quem veio com os piores versos.

Uma decepção de quem eu esperava muito, por causa de um single tão forte quanto “No”. Não há nada melhor que essa música no álbum inteiro.

Quer ouvir e tirar suas conclusões? Confira no Spotify!

 

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