A evolução esperada – “Dangerous Woman”, Ariana Grande

Cover Ariana Grande Dangerous Woman
Esse título é ruim, essa capa é horrível… Mas o álbum é ótimo!

Ariana Grande fez uma porção de coisas erradas que quase colocaram a carreira ascendente em risco – o Donutgate criou problemas sérios na reputação de boa moça (meio diva, mas boa moça) da cantora, sem contar com as desculpas mais esfarrapadas de todos os tempos naquele vídeo terrível. Ter lançado “Focus” como uma “limpeza de imagem” pouquíssimo tempo após a polêmica não ajudou nem um pouco, especialmente pela faixa ser super derivativa em relação ao hit massivo “Problem”.

No entanto, o tempo sumida ajudou Ariana a pensar em novas possibilidades – como por exemplo, mudar de empresário (Scooter Braun, ótimo em marketing; mas um pouco problemático em controlar jovens artistas – Justin Bieber, alguém?) e ter tempo hábil e criativo para compor boas músicas que fossem uma evolução comparados ao já excelente segundo álbum, My Everything, lançado há dois anos. Mesmo mantendo parte do time vencedor daquele CD (o Midas Max Martin, sem contar com Ilya e Savan Kotecha), o espírito de unidade e coesão desse álbum me lembraram bastante o que ela fez no excepcional debut (Yours Truly) – o que foi uma win win situation.

Apesar do título cafona, “Dangerous Woman” é um material que passa longe de ser breguinha. Musicalmente e na qualidade da interpretação, o álbum finalmente é uma apresentação de uma Ariana mais focada em ser crossover de público (e não de estilos), sem perder sua identidade.

É hora de conferir o track-by-track da versão standard!

 

1. Moonlight: (ou o primeiro nome do novo album) é uma primeira impressão BEEEEEM boa do álbum – é a influência inicial da Ariana, o doo-wop que ela pensava em fazer antes mesmo do Yours Truly, mas com uma letra menos fofinha e amorzinho que originalmente essas faixas esperariam. O instrumental é uma graça.

2. Dangerous Woman (Já resenhad0): mantendo o “espírito” do começo do CD com uma balada R&B/pop muito bem pensada e com a melhor interpretação vocal da Ariana até aqui. (ah sim, e começa o trabalho do Max Martin aqui)

3. Be Alright: música que já conhecíamos da sensacional apresentação no SNL da Ari, apesar de ser uma quebra em relação às midtempos, não é exatamente uma música explosiva (uma Break Free, se assim posso dizer). Tem um quê de dance 90’s, e é deliciosa. Precisa ser lançada de fato como single, e tem cara de, com remix, virar hit nas boates.

4. Into You: Primeiro, uma constatação: Max Martin tá amando se repetir ultimamente, hein? A faixa do Timberlake pro “Trolls” é super derivativa; e esta aqui me lembra muito a pegada de Can’t Feel My Face. O segundo single do álbum é mais uma faixa sensual, com as sugestões menos sutis que em DW. Foi feita pra ser single, mas precisa crescer no ouvido NOPE, NO ÚLTIMO REFRÃO JÁ ESTAVA CANTANDO COM MÃOZINHA NO CORAÇÃO

5. Side to Side (feat. Nicki Minaj): Alguém aprendeu a organizar tracklists coerentes hein? Só esses versos da Nicki que não fazem sentido algum, mas a música é um petardo R&B meio reggae que é uma delícia, e funciona perfeitamente na evolução da sonoridade do álbum. Você não sente nenhuma expectativa quebrada, nenhuma música sem noção entrando no meio da tracklist quebrando a fluidez do CD.

6. Let me Love You (feat. Lil Wayne): Slow down a little, com esse R&B bem 2000’s, e uma letra curiosa sobre a Ariana procurando um novo amor após um término recente. E os versos do Lil Wayne fazem sentido aqui. A faixa é ótima, e pelo desempenho no iTunes, melhor preparar o vídeo que foi lançado pra aparecer no Vevo.

7. Greedy: Eu estava pronta pra dizer que essa música era o primeiro low point do CD, mas dei uma chance pra faixa de novo. Essa levada mais funkeada é outro repeteco do Max Martin, mas a música é tão agradável de ouvir que você vai sendo conquistado. Tem uma coisa meio diva-like na interpretação, com os agudos no “Greedy”, a key change, que parece uma daquelas músicas antigas de cantora de R&B lançadas nos anos 80 pra tocar  nas discotecas da época. Um belo petardo, prontinho pra hitar nas rádios. Eu peço perdão, Max Martin.

8. Leave Me Lonely (feat. Macy Gray): relacionamentos abusivos são o tema dessa highlight do CD. Aqui as aulinhas de dicção da Ariana (que estavam ótimas durante o resto do álbum) ficaram devendo, mas a faixa, um R&B/soul maduro e bem construído, com os vocais da Macy Gray funcionando como um reflexo desesperado do pensamento da Ari, aqui você vê um trabalho de intérprete, com vocais on point e preocupação com a letra. Tem muita cantora que só sabe gritar que deveria aprender aqui.

9. Everyday (feat. Future): que música preguiçosa sem or. Melhor coisa é a parte do Future. Parabéns aos envolvidos.

10. Sometimes: Não vai ganhar o Grammy, mas essa baladinha pop/R&B com essa levada no violão é uma delícia, parece que voltei a 2006 de novo. É graciosa, e me lembra a adolescência. A Ariana sempre pega a gente nessa nostalgia.

11. I Don’t Care: porque todo fim de CD tem que ter a baladinha de sempre né? Aqui parece uma indireta bem direta ao ex-namorado? ao ex-empresário? eu gosto da faixa, esse R&B gostosinho fechamento de CD, bem anos 2000. Achei beem aquelas cantoras de R&B da época, tipo Amerie. O final na guitarra ficou ótimo!


Como eu tinha dito anteriormente, o tempo que a Ariana teve para compor, entrar em estúdio com produtores bacanas, centralizar a produção em poucos nomes e não ficar atirando para todos os lados foi uma escolha coerente, em especial para oferecer um material que fosse uma evolução – pensando no álbum anterior. O resultado de trabalhar com calma? Um álbum coeso, com produções equilibradas, difícil de pular as faixas (só “Everyday” que é bem preguiçozinha), gostoso de ouvir e acompanhar as letras (apesar da monotemática de amor e relacionamentos), além de uma evolução notável da Ariana como intérprete, sabendo exatamente onde ser sexy, onde ser confiante, onde ser sofrida; e sabendo colocar a voz e soltar os agudos nos lugares certos.

Ter tempo ajuda a sedimentar a identidade; e apesar de vermos o pop/R&B característicos da Ariana (apesar de não ter o componente do throwback usado muito bem no debut) no My Everything, ainda estava misturado com muita coisa que estava ali só pra ser hit – dance, EDM, baladas ao piano sem graça alguma – enquanto aqui no “Dangerous Woman” os hits não são instantâneos, mas parecem músicas longevas, que você ainda vai ouvir por algum tempo. E o pop/R&B volta aqui com força total, com ecos de soul e a nostalgia 90’s/2000’s forte por aqui.

O que é maravilhoso, pois mostra que a Ariana continua fiel às suas raízes e sua identidade musical. Isso é o que faz uma carreira se tornar longeva.

Você ainda não ouviu? Corre pro Spotify pra conferir a versão deluxe!

 

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8 comentários sobre “A evolução esperada – “Dangerous Woman”, Ariana Grande

  1. só mais um comentário… hehehe

    everyday cresce no ouvido a medida que vc vai ouvindo… ela fez um live desta musica (vevo presentes) que dá uma outra cara a esta faixa… vale a pena dar outra chance para esta track!

    bjus

  2. Você não comentou de uma das melhores faixas do cd BAD DECISIONS E TOUCH IT! Sério, não sei porque as melhores faixas do cd foram direto para a deluxe! faça um reviw PLEASE!

    Estou em um relacionamento sério com thinking bout you!

    amei a resenha! ❤

    arthur

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